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sexta-feira, 22 de julho de 2016 Críticas, Filmes | 17:29

Comédia inspirada, “Florence: Quem é Essa Mulher?” une sátira e coração

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Foto: divulgação

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Stephen Frears é um cineasta especialmente interessado por personagens fora do lugar comum. Da rainha Elizabeth a Lance Armstrong, sua filmografia compreende obras que são verdadeiros estudos de personagens. Nesse contexto, “Florence: Quem é Essa Mulher?” é uma agradável surpresa.

Estrelado por Meryl Streep, o filme não é tão ambicioso quanto “A Rainha” (2006), ou excêntrico como “Sra. Henderson Apresenta” (2005), mas revestido de certo histrionismo busca revelar uma figura curiosa e surpreendentemente complexa.

Florence Foster Jenkins (Streep) é uma rica excêntrica que alimenta grande entusiasmo pela música. Durante a segunda grande guerra, virou uma espécie de patrocinadora e promotora da música em Nova York. Florence, no entanto, mantinha o desejo de ser uma cantora de ópera e se valeu de sua comodidade financeira para perseguir esse sonho.

O que torna a história peculiar é que Florence canta muito mal. Mas o que afere graciosidade e relevo dramático a “Florence: Quem é Essa Mulher?” são as minúcias do registro. Frears flagra uma Florence frágil, vulnerável e ingênua. Ela tem uma relação totalmente fora das convenções com St.Clair Bayfield (Hugh Grant), com quem é casada, e sofre os efeitos nefastos da sífilis desde os 18 anos. Florence é uma espécie de pária. Apesar de abastada e constante na alta sociedade nova-iorquina, ela só é lembrada por alguém que precisa de recursos e proventos. St.Clair, que mantém uma amante (Rebecca Ferguson) com o consentimento de Florence, é quem tenta proteger Florence dos abutres da alta sociedade. É ele, também, quem se esforça para que Florence emplaque uma carreira de cantora a despeito de sua total falta de talento.

A generosidade com que o filme trata seus personagens é realmente notável e o trabalho de Meryl Streep e Hugh Grant, especialmente deste último, ganham ainda mais importância nesse sentido.

Grant defende um personagem afetado e que tem tudo para despertar certa antipatia do público, mas o ator consegue grifar os bons predicados de St.Clair ressaltando que sua relação de lealdade com Florence é diferente, e muito mais rica, do que superficialmente somos capazes de acreditar.

“Florence: Quem é Essa Mulher?”, além de iluminar essa personagem tão incomum, tem o mérito de ser um pequeno culto à arte como celebração da vida e uma sátira inspirada à excentricidade de certas figuras da alta sociedade. Um Stephen Frears menor, mas não menos inspirado.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Kamila Azevedo 22/07/2016 17:38

    Infelizmente, “Florence – Quem é Essa Mulher?” parece que vai ter uma péssima distribuição no circuito comercial brasileiro. Espero, com paciência, minha chance de conferir o filme.

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