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quinta-feira, 15 de setembro de 2016 Críticas, Filmes | 15:48

Mais relaxado, Woody Allen fala de amor e contradições da alta sociedade em “Café Society”

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Woody Allen está de volta aos cinemas com um filme menos dramático, mas não menos reflexivo das contradições humanas. “Café Society” marca primeira colaboração do diretor com a atriz Kristen Stewart

Kristen Stewart e Jesse Eisenberg em cena de "Café Society" (Foto: divulgação)

Kristen Stewart e Jesse Eisenberg em cena de “Café Society”
(Foto: divulgação)

Quem conhece minimamente o cinema de Woody Allen, sabe que o cineasta gosta de refletir sobre as contradições humanas. O calidoscópio do americano, que com “Café Society” lança seu segundo filme seguido rodado e ambientado nos EUA, costuma ser bastante plural. Aqui, porém, o octogenário diretor americano se permite um qzinho de Manoel Carlos – autor de novelas da Globo que costuma construir suas tramas no microcosmo do Leblon, bairro de classe alta do Rio de Janeiro.

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“Café Society” é um estudo algo espirituoso dos dilemas, ora esvaziados e ora apenas luxuriosos, dos grã-finos e abastados de Los Angeles e Nova York nos anos 30, auge da famigerada era de ouro do cinema americano. Tudo é urdido pelo cineasta com muita parcimônia e presença de espírito. Há, inclusive, uma rocambolesca história de amor a envolver e dimensionar os dramas da alta sociedade.

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A atriz Blake Lively em cena de "Café Society" (Foto: divulgação)

A atriz Blake Lively em cena de “Café Society”
(Foto: divulgação)

Bobby (Jesse Eisenberg) é um jovem aspirante a escritor, que resolve se mudar de Nova York para Los Angeles. Lá ele deseja ingressar na indústria cinematográfica com a ajuda de seu tio Phil (Steve Carell), um agente que conhece a elite da sétima arte. Relutante a princípio, ele acaba arranjando algo para o sobrinho e escala sua secretária Vonnie (Kristen Stewart) para apresentar a cidade e fazer companhia ao rapaz. Ele acaba se apaixonando por ela, mas ela anuncia já ser comprometida.

A partir dessa premissa, Allen estipula um contraponto interessante entre a fantasia lúdica de Los Angeles e a aspereza charmosa de Nova York – pautada especialmente pelo arco do irmão gangster de Bobby vivido pelo ótimo Corey Stoll, que já havia sido o Ernest Hemingway de “Meia-noite em Paris” -, e alinha um interessante comentário sobre nossos impulsos egoístas e as contradições que vêm a reboque. Esse segundo aspecto pode ser observado tanto na escolha da personagem de Kristen Stewart e como ela se transforma naquilo que costumava criticar, como na decisão da irmã de Bobby de pedir a seu irmão gangster para ter uma conversa com o vizinho incômodo.

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Tratam-se de pequenas elaborações, bem afeitas ao padrão woody-alleniano, que enriquecem um filme charmoso e repleto de pequenos grandes momentos. Kristen Stewart é filmada como uma reencarnação de Greta Garbo. É impressionante o vigor com que Allen retrata suas personagens femininas recentes. E Kristen Stewart, mais bela do que nunca, só não é absoluta porque lá pelas tantas surge Blake Lively, como outra Veronica a cruzar a vida de Bobby.

Sem o juízo moral delegado em “O Homem Irracional”, Woody Allen relaxa, fala de amor e, pela primeira vez filmando em digital, faz de “Café Society” um agradável exercício voyeurístico para todos aqueles que fantasiam com o passado e com a rotina de escândalos da alta sociedade.

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