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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016 Críticas, Filmes | 12:32

Com clímax poderoso, “A Chegada” é elogio das imperfeições da existência

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Há filmes que não são exatamente o que parecem ser. Há casos em que isso é ruim e há casos em que isso é muito bom. “A Chegada” (Arrival, EUA 2016) se ajusta a esta última classificação. O novo filme de Denis Villeneuve (“Os suspeitos”, “Sicario: Terra de Ninguém”) é formalmente uma ficção científica, mas se resolve como um filme sobre o poder do diálogo e a importância da comunicação para a resolução de todo e qualquer conflito.

Cena do filme "A Chegada", uma das melhores produções de 2016

Cena do filme “A Chegada”, uma das melhores produções de 2016

Em ordem de construir dramaticamente esse argumento, Villeneuve e o roteirista Eric Heisserer imaginam uma situação relativamente corriqueira no cenário da ficção científica. Alienígenas chegam ao planeta Terra. Naves gigantes posam em oito pontos distantes do mundo, sendo Estados Unidos, China, Rússia e Paquistão quatro deles. Não é mero acaso que o filme se dedique a acompanhar o desenrolar das ações dos governos destes quatro países. Toda a geopolítica mundial parece se concentrar nos interesses dessas quatro nações.

O exército americano, na figura do coronel Weber (Forest Whitaker) convoca a linguista Louise Banks (Amy Adams) para facilitar a comunicação com os alienígenas e tentar entender a razão da chegada deles à Terra. Jeremy Renner vive Ian Donnelly, um físico que integra essa força-tarefa montada pelo governo americano que, obviamente, conta com a CIA e outras agências de inteligência.

Louise e Ian estabelecem progressos na tentativa de se comunicar com os alienígenas, mas o tempo não é amigo, já que os líderes mundiais pressionados pelas rivalidades, se movimentam para reagir ao que consideram uma invasão à soberania da humanidade.

Amy Adams brilha em A Chegada Fotos: divulgação

Amy Adams brilha em A Chegada
Fotos: divulgação

A escalada da tensão é bem abordada por Villeneuve, mas “A Chagada” não se pretende um suspense. O filme se apoia na excelente atuação de Amy Adams para se descobrir um drama. Intuitiva e generosa, mas estranhamente desgostosa da vida, Louise é uma personagem fascinante. Seu grande conflito, que o filme só revela por completo em seu ato final – embora espalhe pistas nos dois primeiros – ressignifica o sentido do filme, mas sem prejuízo ao seu valor como boa ficção científica.

“A Chegada” representa a primeira incursão do cineasta canadense no gênero e tem sua segunda protagonista feminina consecutiva. Desnecessário dizer que Villeneuve já é dos diretores mais interessantes da atualidade, mas o refinamento narrativo de “A Chegada”, aliado a sua exuberância visual, clamam por redundância.

Além de atentar para o valor da comunicação e de como a negligenciamos, tanto no âmbito das nações como no nível pessoal, o filme de Villeneuve elabora um singelo libelo à vida. À beleza oculta da ignorância que ostentamos em nossa relação com o tempo.  Seja em sua conceituação física ou em seu preposto emocional.

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