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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017 Análises, Filmes | 14:37

Globo de Ouro surpreende e tumultua temporada de premiações em 2017

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Premiação superou os próprios preconceitos para celebrar um filme que parece ter encantado toda a comunidade do cinema. Mas nas categorias de atuação, a corrida pelo Oscar deu uma embaralhada…

Elenco e equipe de "La La Land" no palco do Globo de Ouro (Foto: NBC)

Elenco e equipe de “La La Land” no palco do Globo de Ouro
(Foto: NBC)

Foi uma noite de muitas surpresas, discursos contundentes e um vencedor como há muito tempo não se via. A 74ª edição do Globo de Ouro consagrou o musical “La La Land – Cantando Estações” como o maior filme de todos os tempos, pelo menos usando o prêmio como parâmetro. O filme de Damien Chazelle venceu nas sete categorias em que estava indicado, estabelecendo um recorde. Os dois únicos filmes que venceram seis prêmios foram “O Expresso da Meia-Noite” (1978) e “Um Estranho no Ninho” (1975) e essas produções concorriam em uma época em que havia mais prêmios distribuídos nas categorias de cinema.

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Apresentado por Jimmy Fallon, que começou muito bem e terminou totalmente inexpressivo e dispensável, o Globo de Ouro 2017 ganhou pontos por procurar o inesperado. Se há mais de 40 anos não consagrava um filme no sentido mais estrito do termo, a opção por fazê-lo com um filme “para sonhadores”, como bem definiu a também premiada Emma Stone merece o confete. No mais, para quem gosta de cinema – e grandes atrizes – um prêmio que celebra Meryl Streep, Isabelle Huppert e Viola Davis se coloca à prova de críticas mambembes.

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Criticado por ser render aos estúdios, a Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) celebrou o cinema independente em todo o seu esplendor. “Moonlight – Sob a Luz do Luar” é um filme pequeno, assim como “Manchester à Beira-Mar”, que valeu a Casey Affleck o prêmio de ator dramático. E o que falar de “Elle”, o polêmico filme francês de Paul Verhoeven que foi o único além de “La La Land” a levar um segundo troféu?

"La La Land", que ganhou sete prêmios no Globo de Ouro 2017, estreia em 19 de janeiro no Brasil (Foto: divulgação)

“La La Land”, que ganhou sete prêmios no Globo de Ouro 2017, estreia em 19 de janeiro no Brasil
(Foto: divulgação)

A HFPA perecia menos preocupada com o que se esperava dela e resolveu abraçar sua vocação de celebrar o novo – o que pôde ser especialmente vislumbrado nas categorias televisivas. As vitórias das novidades “The Crown”, entre os dramas, e “Atlanta”, entre as comédias, só não são mais eloquentes do que o triunfo dos atores de “The Night Manager” sobre a mais badalada, e já bem premiada, “The People vs O.J Simpson: American Crime Story”.

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A grande surpresa da noite veio logo no pontapé inicial da cerimônia. A vitória de Aaron Taylor-Johnson por “Animais Noturnos” é o que se convenciona chamar de zebra. Isabelle Huppert, ainda que fosse uma aposta de risco, era aventada por alguns analistas da indústria, como o que assina esta coluna, mas o reconhecimento a Johnson, de fato ótimo no filme de Tom Ford, parece dessas idiossincrasias típicas do Globo de Ouro. Não é. Em plena votação para a aferição dos indicados ao Oscar, o barulho provocado pelo clímax de “La La Land” e pela contundência das vitórias de Johnson e Huppert pode refletir em mais força no Oscar.

Em uma temporada em que a comunidade de Hollywood parece enlutada pela ascensão de Donald Trump – repare no silêncio no salão enquanto Meryl Streep atacava o presidente eleito com a elegância que lhe é característica – o Globo de Ouro pareceu talhado para tumultuar. No melhor dos sentidos.

 

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