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Arquivo de julho, 2017

segunda-feira, 31 de julho de 2017 Análises, Filmes | 13:30

Cult instantâneo, “Em Ritmo de Fuga” inaugura o musical de ação enquanto gênero

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Novo filme de Edgar Wright, “Em Ritmo de Fuga”, é bom, original e divertido e o amor de que é alvo mostra que o público está ávido por filmes com essas qualidades

Cena de Em Ritmo de Fuga (Fotos: divulgação)

Cena de Em Ritmo de Fuga (Fotos: divulgação)

O ano de 2017 está se provando pródigo para o cinema e entre muitos bons filmes, “Em Ritmo de Fuga” destaca-se por sua originalidade fulgurante, seu charme inescapável e criatividade assertiva. É um cult instantâneo desses que habitará a memória afetiva de cinefilia no mesmo compasso de produções tão diversas como “Blade Runner – O Caçador de Androides” (1982), “O Grande Lebowski” (1998) e “Pulp Fiction – Tempos de Violência” (1994).

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Edgar Wright, responsável pela trilogia do Cornetto, composta por “Todo Mundo Quase Morto” (2004), “Chumbo Grosso” (2007) e “Heróis de Ressaca” (2013), defende um cinema pop, bem-humorado e com boas referências cinéfilas. “Em Ritmo de Fuga” traz essa assinatura em cada fotograma. É um musical de ação, como muita gente anda definindo.

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A premissa é simples, Baby (Ansel Elgort) é um jovem e prodigioso motorista que por ter uma “dívida” com Doc (Kevin Spacey), um gangster que opera nas sombras e escalas diferentes equipes para assaltos audaciosos, dirige os veículos de fuga de Doc nesses serviços. A peculiaridade de Baby é que ele ouve música o tempo inteiro, um recurso objetiva amenizar um zumbido que é sequela de um acidente na infância, mas também se justifica pelo apreço do rapaz a dar uma trilha sonora para todas as fases e momentos da vida.

Essa simbiose entre Baby e a música também se verifica entre as cenas, principalmente as de ação, e a música. Wright é hábil ao construir sua narrativa a partir dessa proposta. Podem ser cenas como o paquera de Baby e Debora (Lilly James) em que os nomes deles emulam canções e reflexões do tipo que costumamos lançar mão em paqueras em bares e restaurantes ou no trato com traficantes de armas, ao som de Tequila, do The Button Down Brass. Nada, porém, supera a genialidade e delicadeza de uma cena no clímax do filme, ao som de Never, never Gonna Give Ya Up de Barry White. O musical de ação de Wright mais do que espirituoso, é convidativo; o púbico flui junto com Baby.

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Edgar Wright orienta Ansel Elgort no set de Em Ritmo de Fuga

Edgar Wright orienta Ansel Elgort no set de Em Ritmo de Fuga

Se imaginação é o forte desse filme, que mescla romance, violência, música e cinismo, muito se deve ao talento de Wright como roteirista. À direção, no entanto, falta um pouco desse viço criativo. As cenas de ação, apesar da bem-vinda abordagem musical, são relativamente frustrantes. O clímax é atropelado – muita coisa acontece e muita coisa francamente inverossímil dentro do pacto estabelecido entre o público e o filme – e Wright investe em um final atípico para o público ao qual o filme majoritariamente se dirige. É um bom final, trágico de uma maneira esperançosa, socialmente responsável até, mas pode reforçar o status de que o filme não sobrevive ao hype.

Ansel Elgort tem uma performance física pertinente à proposta, mas exige algum esforço vê-lo como herói de ação – falta essa convicção ao próprio ator. O resto do elenco, no entanto, compensa essa relativa deficiência. Jamie Foxx ratifica o jeito que leva para construir alucinados em comédias, aqui surge ainda mais insano do que em “Quero Matar Meu Chefe”. Mas o grande trunfo da fita é mesmo Jon Hamm. “Em Ritmo de Fuga” oferta ao Don Draper de “Mad Men”, seu primeiro grande papel no cinema. Talvez seja a “killer track” que ele precisava.

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segunda-feira, 24 de julho de 2017 Análises, Bastidores, Filmes | 09:00

Sony já é a grande campeã do verão americano de 2017

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Estúdio não será o maior em faturamento na temporada, mas foi o único a apresentar uma equação equilibrada de qualidade, planejamento, risco e originalidade. Algo cada vez mais singular na indústria do entretenimento

Arte do filme "Em Ritmo de Fuga" por Joshua Kelly

Arte do filme “Em Ritmo de Fuga” por Joshua Kelly

A vida da Sony, um dos estúdios mais importantes e prestigiados do sistema que Hollywood representa, não vinha fácil. Sucessivos fracassos de bilheteria que irromperam até mesmo a 2017 – que tem tudo para ser o melhor ano da história recente do estúdio. Alguém se lembra de “Passageiros”, aquela ficção-científica que tanto prometia e ainda reunia dois dos astros mais empolgantes da atualidade? Essa foi a pá de cal na fase malfadada iniciada na tentativa de reiniciar a franquia do Homem-Aranha com Marc Webb e Andrew Garfield à frente.

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Os solavancos foram expressivos e se deram também no âmbito da espionagem corporativa, quando hackers norte-coreanos invadiram os servidores do estúdio e vazaram documentos e correspondências sigilosas em represália à produção e distribuição do filme “A Entrevista”, que satirizava o ditador daquele país. A década ainda não acabou, mas ela tem sido sofrível para o estúdio que não consegue amealhar sucessos de bilheteria, ou mesmo de crítica. Tirando o selo de arte, o Sony Classics, que praticamente só compra e distribui filmes independentes, o estúdio está fora do Oscar desde 2012, quando teve “ A Hora Mais Escura” entre os finalistas.

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A torre negraMas 2017 parece mesmo o ano da mudança. Para começar, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” agradou a crítica e já caminha para os US$ 500 milhões na bilheteria mundial. É oficialmente um hit e foi o filme mais barato do aracnídeo produzido pelo estúdio. A parceria com a Marvel rendeu e rendeu bem em todas as frentes. Se cercar de talento e apostar no risco foi uma estratégia certeira em outras frentes também.

Edgar Wright (“Scott Pilgrim Contra o Mundo”) é um dos cineastas mais talentosos e apaixonados por cinema que há hoje e botar esse cara para fazer um filme com o apoio do sistema de estúdios é a coisa certa a fazer, mas não é o que os estúdios andam fazendo atualmente. “Baby Driver”, “Em Ritmo de Fuga” no Brasil, é dos filmes mais bem cotados pela crítica americana no ano. Barato, tá com um boca a boca positivo e se segurando contra blockbusters de raiz no mercado da América do Norte. A Sony já pensa na continuação.

Mais do que o hype, “Em Ritmo de Fuga” é um filme original em uma era em que franquias e adaptações dominam. É um gol de placa da Sony em uma temporada que os arrasa-quarteirões não estão convencendo nas bilheterias.

deNão obstante, a Sony ainda tem “A Torre Negra”, aguardada adaptação de Stephen King, com Idris Elba e Matthew McConaughey à frente do elenco. É mais uma tentativa de emplacar um franquia e depender menos de um certo aracnídeo. O hype e a expectativa jogam a favor da empreitada da Sony que calculou muito bem sua movimentação na temporada.

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Essa é a herança positiva de Amy Pascal, que deixou a presidência da Sony Pictures na esteira do escândalo dos vazamentos de e-mails da empresa. Tom Rothman, que já dirigiu a FOX e a Tristar, divisão da Sony, deve seguir o bom caminho ensejado por Amy, que segue como produtora vinculada à empresa.

A Sony não vai figurar entre os melhores faturamentos do ano. Warner e Disney vão protagonizar mais uma vez essa disputa – com larga vantagem para a segunda – mas tem um 2017 de recuperação e deve deixar a Paramount isolada na posição de grandes estúdios em naufrágio acelerado.

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domingo, 23 de julho de 2017 Críticas, Filmes | 16:34

Com a fórmula Marvel, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é o filme que o personagem precisava

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“Homem-Aranha: De Volta ao Lar” comprova a acertada decisão da Sony de recorrer à Marvel para recolocar o personagem que é seu maior trunfo nas bilheterias nos trilhos

Spider

A relação entre a pré-adolescência e a maturidade é um elemento poderoso em “A Viatura”,  primeiro e único filme de John Watts como diretor antes de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” e essa característica não só é importante para a compreensão do sexto filme estrelado pelo herói aracnídeo, o primeiro com curadoria da Marvel Studios, como ajuda a entender a razão da bem sucedida escolha de Watts para a empreitada.

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“Homem- Aranha: De Volta ao Lar” é, para todos os efeitos, um reboot, mas não é mais um. Aqui temos o Aranha raiz, para usar uma expressão da moda. Peter Parker, maravilhosamente abordado por um confiante e cativante Tom Holland, é um menino franzino e nerd do ensino médio com dificuldades para chegar na garota que gosta e que calha de ter sido picado por uma aranha radioativa, ou geneticamente modificada, a gosto do freguês, e desenvolvido superpoderes.

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Mas não se engane, apesar de ser uma coprodução entre Sony e Marvel, este é um filme com o DNA da Marvel. Toda a mecânica e dinâmica do filme obedecem aos cânones das produções de Kevin Feige (o homem forte do Marvel Studios) e Tony Stark não só está presente no filme, como é a grande figura catalisadora da trama. Não obstante, piadinhas com os vingadores e um easter egg com o Capitão América ratificam a percepção de que este é um filme Marvel.

spider 2Não há problema nenhum nisso. “De Volta ao Lar” é esperto, fluente, tem ótimas cenas de ação e consegue ser tanto um filme de origem ( e você nem se dá conta disso), como um filme teen estrelado por um super-herói improvável.  Essa combinação resulta em sucesso em qualquer dicionário e aqui não é diferente. Como bônus, o Abutre de Michael Keaton, esse grande ator que vira e mexe, de um jeito ou de outro, está às voltas com o universo dos super-heróis no cinema, é o melhor vilão já rascunhado pela Marvel no cinema. Além do mais, sem fazer muito esforço, ele entrega uma atuação diferenciada no contexto dos filmes do gênero mais recentes.

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É impossível não reagir positivamente a “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, um filme muitíssimo bem engendrado pela fórmula Marvel com a expertise de Watts para elaborar conflitos geracionais – e repare como o filme se comunica e no mesmo compasso traduz a juventude de hoje. Mas não é memorável no sentido que o primeiro “Homem-Aranha” (2002) de Sam Raimi foi. Talvez não fosse mesmo o caso. “De Volta ao Lar” é o filme que todos precisavam. Inclusive o “Homem-Aranha”.

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terça-feira, 4 de julho de 2017 Curiosidades, Notícias | 09:00

Cinema brasileiro é celebrado com vigor na nova temporada de “O País do Cinema”

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Programa do Canal Brasil que celebra o cinema brasileiro retorna repaginado e com a apresentadora Fabíula Nascimento ainda mais à vontade no comando das entrevistas

Fabíula Nascimento entrevista Bruno Barreto e Glória Pires no retorno do "O País do Cinema"

Fabíula Nascimento entrevista Bruno Barreto e Glória Pires no retorno do “O País do Cinema”

Relativamente simples, ainda que altivo do ponto de vista criativo, o programa “O País do Cinema” volta para sua segunda temporada nesta quinta-feira (6) no Canal Brasil. “Estamos crescendo junto com essa criança”, disse a atriz Fabíula Nascimento, apresentadora do programa que trata do cinema brasileiro em entrevista ao iG na última semana. “Estou mais à vontade”, admitiu.

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O cenário é novo e a proposta, mais flexível. Além da vocação memorialista do cinema brasileiro, o programa vai tratar de novidades também. Além de revisitar grandes filmes do passado, importantes obras contemporâneas, “O País do Cinema” vai abordar lançamentos. Será o caso da nova versão de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, protagonizado por Juliana Paes, que irá falar com Fabíula sobre o filme agendado para esse semestre.

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Serão 26 episódios neste segundo ano. A coluna já assistiu aos dois primeiros e pôde constatar que, além do cenário vistoso e aprazível a um programa de entrevistas, Fabíula está mais ciente de seu tempo e espaço no programa.

Na estreia, ela recebe Bruno Barreto e Glória Pires para debater “Flores Raras” (2013), filme que tratou do romance da paisagista Lota de Macedo Soares e da poetisa norte-americana Elizabeth Bishop. “Acho que é o seu filme mais diferente”, logo opina Glória. “Eu não queria fazer”, revela Barreto ao contar que o filme foi oferecido a ele primeiramente e depois rodou por diversos diretores antes de voltar a ele.

Selton Melo em cena de "O Palhaço", segundo filme a receber destaque na temporada de "O País do Cinema"

Selton Melo em cena de “O Palhaço”, segundo filme a receber destaque na temporada de “O País do Cinema”

Os dois debatem sobre memórias, divergências e o status quo do filme que chegou em uma época em que a união homossexual era pauta no Supremo Tribunal Federal. “Escancarou sutilmente alguns preconceitos”, observa Barreto antes  de emendar relatos de gente que “não podia imaginar Glória Pires beijando outra mulher”. Para Barreto foi corajoso de Glória fazer este filme, mas não só por dar viço a relação homossexual, mas por ter que atuar em inglês e português e dar conta de uma história de amor muito interiorizada.

“O Palhaço”, de Selton Mello, é o foco do segundo programa. “Esse filme surgiu de uma dificuldade minha, de uma crise com o meu ofício. Eu estava me questionando muito como ator”, recorda Selton. Não é um relato inédito, mas Fabíula sabe que é precioso e estimula Selton a se abrir. É um registro precioso, temperado pela iluminada companhia de Larissa Manoela, que expressa o desejo de cursar cinema em muito por influência do trabalho com Selton. “Ela vai longe”, insiste na generosidade o mineiro que traça um paralelo entre eles, ainda, pelo fato de ambos serem capricornianos.

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Esse olhar para os bastidores de filmes emblemáticos do cinema brasileiro, circunstanciais ou que são descobertos pelo público ali, em um programa de quase 30 minutos, reforça a vocação cultural de “O País do Cinema”, um programa que segue apaixonante e apaixonado.

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