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sexta-feira, 24 de novembro de 2017 Críticas, Filmes | 17:13

Documentário sobre Fernando Gabeira mostra falência do sistema político-partidário do Brasil

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“Mais do que um político, ele é um homem do presente. Está sempre atuando, interferindo e reagindo”, observa o poeta Ferreira Gullar (1930 – 2016) sobre Fernando Gabeira, matéria-prima de “Gabeira”, documentário de Moacyr Goés a respeito de uma das figuras mais complexas, ricas e polarizantes da história recente do Brasil.

Gabeira 1

Como cinema, “Gabeira” é pouco propositivo. O próprio Fernando pauta a narrativa. É mais um gesto de reverência, um desagravo às memórias de um inconformista do que um longa investigativo ou problematizante. Ainda assim, o filme é interessantíssimo. Até porque o personagem sempre agiu como ombudsman de si e do meio – para evocar a formação e vocação jornalística do mineiro de alma carioca.

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Além de Gabeira, que ocupa a tela a maior parte do tempo, e Gullar, figuras célebres como Nelson Motta, Armínio Fraga, Cora Ronai, Caetano Veloso, além de familiares, surgem pincelando esse painel sobre uma figura tão contraditória que antecipou a crise de representatividade político-partidária que o Brasil vive hoje. Plural e fluído, Gabeira não se acomodou em nenhuma legenda brasileira. Arredio ao sistema político-partidário do País, esse homem de esquerda viu nossa esquerda ruir. No fim do filme, tece comentários sobre a Lava Jato, a crise surda da esquerda brasileira, a condenação de Lula e faz uma análise potente e reverberante da ascensão eleitoral de Jair Bolsonaro.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

O ativismo político de Gabeira começou lá na adolescência quando ele foi expulso de todos os colégios que participou, advoga o amigo e poeta Afonso Romano Sant`Anna em dado momento.

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O grande mérito do documentário é tentar abarcar a evolução do pensamento de Gabeira, um homem sem freios e sem receios em lançar-se a suas verdades, de defendê-las. Ver Gabeira falando é sempre um ato de inteligência, de reflexão e quando ele fala da importância de viver o “ridículo” da campanha de 1989, aquilo ecoa forte na audiência. “Eu gosto de ver as reportagens dele na GloboNews e de lê-lo no Globo”, pontua Caetano Veloso, “mas hoje me vejo mais à esquerda do que ele”.

“Gabeira” pode ser percebido como um manifesto. Um homem velho (76 anos) refletindo sobre os erros, acertos e convicções do passado. Do ponto de vista cultural, um programa imperdível.

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