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Arquivo de janeiro, 2018

terça-feira, 16 de janeiro de 2018 Críticas, Filmes | 16:18

Gary Oldman é trunfo do burocrático “O Destino de uma Nação”

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Já em cartaz nos cinemas brasileiros, produção deve valer ao ator Gary Oldman a segunda indicação ao Oscar de sua carreira

Gary Oldman está exemplar como Winston Churchill em O Destino de uma Nação

Gary Oldman está exemplar como Winston Churchill em O Destino de uma Nação

“O Destino de uma Nação” tem dois trunfos inegáveis. A pompa de ser um daqueles dramas britânicos que arrebanham tantos fãs – e prêmios – e Gary Oldman. O britânico de 59 anos surge irreconhecível na pele de Winston Churchill. O filme de Joe Wright (“Desejo e Reparação” e “Anna Karenina”) se ocupa das circunstâncias que poderiam ter decidido a 2ª Guerra Mundial em favor dos nazistas, mas que ajudaram a eternizar Churchill como um exemplo de estadista.

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O filme se desdobra sobre toda a articulação política da qual Churchill tanto era agente, como catalisador para tentar evitar o avanço alemão no xadrez bélico que a Europa se tornou sob a égide de Hitler. Mas se pode contar com um Gary Oldman inspirado, “O Destino de uma Nação” tem pouco a ostentar além disso. Apesar de ser um filme de câmera em que Wright tente a todo momento flagrar a espiral claustrofóbica de seu protagonista, pressionado pela derrota iminente e por correligionários partidários da rendição, os enquadramentos são burocráticos e as opções narrativas, desabonadoras.

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Para tornar tudo mais exasperante, o decisivo episódio de Dunquerque, cujos bastidores atestaram o engenho e perseverança de Churchill no propósito de esgotar toda e qualquer alternativa antes de sentar à mesa com os alemães, fora tratado pelo cinema em 2017 com muito mais criatividade e energia em “Dunkirk”, de Christopher Nolan.

A fala é o principal elemento de ação do filme

A fala é o principal elemento de ação do filme

Ainda que mire em “Lincoln”, com sua estratégia narrativa de focar na fala como elemento de ação, Wright se aproxima mais de “O Discurso do Rei” – e tem em seu rei George, vivido pelo sempre ótimo Ben Mendelsohn, um coadjuvante e tanto.

A fotografia que se vale de paletas escuras e a direção de arte detalhada acabam por ressaltar a impressão de um filme inglês convencional. Um desalento para uma produção tão ambiciosa. Wright finge desconstruir um mito e o público finge que acredita. Exemplo máximo dessa condição é uma cena, mais piegas do que projetada para ser, ambientada no metrô londrino em que Churchill ouve a opinião de cidadãos a respeito de como deveria proceder contra os alemães. O célebre 1º ministro é mesmo uma figura magnética e o mérito de Oldman, não necessariamente do filme, é dimensionar isso com uma rara combinação de delicadeza e firmeza. O ator vence a pesada maquiagem da caracterização e apresenta um personagem condoído, estafado e que cresce à medida que a conturbada sucessão de fatos exige. Um estadista que o futuro parece nos sonegar e que Wright e público compactuam em se enamorar na tela do cinema.

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Atrizes, Curiosidades | 11:03

Margot Robbie pode se tornar 1ª mulher indicada ao Oscar como atriz e produtora pelo mesmo filme

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No próximo dia 23 de janeiro, quando serão anunciados os indicados à 90ª edição dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Margot Robbie pode fazer história. Ela pode se tornar a primeira mulher na história indicada a melhor a atriz e produtora no mesmo ano pelo mesmo filme; no caso “Eu, Tonya”.

Margot Robbie em cena de "Eu, Tonya"

Margot Robbie em cena de “Eu, Tonya”

Não é uma estatística desprezível. É dificílimo obter mais de uma indicação pelo mesmo filme, mas é relativamente frequente que isso aconteça com diretores que também são produtores, como Steven Spielberg, ou que também sejam roteiristas, como Woody Allen. Mulheres, como Sofia Coppola e Kathryn Bigelow já conquistaram a façanha da dupla nomeação. Mas receber uma indicação como intérprete e produtor pelo mesmo filme é dificílimo. O último a ter conseguido isso foi Leonardo DiCaprio por “O Lobo de Wall Street” (2013), justamente o filme que revelou Margot Robbie.

Em um ano que filmes protagonizados e produzidos por mulheres devem roubar o holofote na temporada, “Eu, Tonya” parece ser uma escolha natural e foi um projeto que Margot Robbie tomou para junto de seu coração e investiu pesadamente. De corpo e alma. O filme se costura com uma estrutura narrativa muito parecida com a de “O Lobo de Wall Street” e faz justiça aos muitos pontos de vista de uma história tão dramática quanto trágica. Um triunfo para Robbie tanto como atriz, como produtora. A distinção do Oscar, que deve vir, é mera consequência.

 

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