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domingo, 27 de maio de 2018 Críticas, Filmes | 15:33

“Todo o Dinheiro do Mundo” é um sutil filme sobre misoginia

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Christopher Plummer em cena de Todo o Dinheiro do Mundo

Christopher Plummer em cena de Todo o Dinheiro do Mundo

A história do sequestro do neto do magnata bilionário Jean Paul Getty, “o homem mais rico da história do mundo” é daquelas que mimetizam toda a complexidade, histeria e absurdo da humanidade. É um imã natural para um cineasta com pulso para boas histórias. “Todo o Dinheiro do Mundo”, no entanto, não é um thriller sobre esse sequestro hipermidiático ou uma drama cáustico sobre seus bastidores, mas um drama algo seco e distante sobre misoginia e a mentalidade de quem só vislumbra abutres do topo.

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“Você precisa entender o que é ser um Getty”, diz Gail Harris (Michelle Williams) ao negociador e consultor paramilitar Fletcher Chase (Mark Wahlberg), contratado por seu ex-sogro JP Getty (Christopher Plummer) para liderar os esforços para resgatar John Paul Getty III (Charlie Plummer), sequestrado em Roma em 1973. Os sequestradores exigiram US$ 17 milhões. Getty negou-se a pagar.

Ridley Scott fez um sutil filme sobre misoginia e pouca gente percebeu isso

Ridley Scott fez um sutil filme sobre misoginia e pouca gente percebeu isso

A situação esdrúxula por si só já é um foco de interesse. Mas o roteiro de David Scarpa, baseado no livro de John Pearson, se interessa mais pelo cabo de força entre Gail e Getty. É um duelo nas sombras, nos atritos silenciosos. Justamente por isso o flashback que mostra o divórcio de Gail do filho de JP Getty é tão importante para a correta compreensão do que é e do que pretende o filme de Ridley Scott.

Getty não admite que uma mulher o encurrale ao ponto dele não saber como controlar uma situação e ficar à mercê dos fatos. A psicologia desse confronto ruidoso é abalada pelo sequestro do neto, a quem Getty tem em grande estima, só não o suficiente para excluir do campo de batalha contra Gail. Essa é, pelo menos, a leitura dos fatos da realização e é uma leitura entusiasmante do ponto de vista da arte e da elaboração histórica.

Plummer x Spacey

Christopher Plummer era a primeira opção de Scott para viver Getty. Seu Getty parece pouco lapidado e isso serve ao registro. Indicado ao Oscar pelo papel, o ator dá gravidade e obtusidade a essa figura poderosa e controversa. Mas talvez Spacey, especialmente no momento histórico de sua carreira, fosse uma personificação melhor e mais eficiente de Getty. De todo modo, o filme ficará famoso para todo o sempre pela troca dos atores às vésperas do lançamento.

Filme se resinifica na comparação com "Chamas da Vingança"

Filme se resinifica na comparação com “Chamas da Vingança”

O que é um tanto injusto, já que o filme dispõe de bons predicados. Dos atores – Michelle Williams e o francês Roman Duris merecem menção especial – à comparação com o “filme de sequestro” do irmão de Ridley, Tony Scott. “Chamas da Vingança” (2004), que tem Denzel Washington como um segurança capaz de tudo para resgatar uma criança, faz um par notável com “Todo o Dinheiro do Mundo”.  Os filmes dialogam em muitos níveis, especialmente por serem operas estilísticas de seus diretores.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Kamila Azevedo 01/06/2018 8:17

    Não assisti ainda, infelizmente, mas está na minha lista.

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