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quinta-feira, 14 de junho de 2018 Críticas, Filmes | 16:46

“Dovlatov” captura efervescência cultural na União Soviética

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Dovlatov

A sombra projetada por Tchekhov, Dostoiévski, Tolstói, Pushkin, Nabokov e tantos outros escritores russos não é pequena e Sergei Dovlatov sentiu isso na pele por muitos anos enquanto seus manuscritos eram rejeitados pela mídia oficial soviética por não serem compatíveis com o espírito que a União Soviética queria fomentar.

É esse período histórico que o filme “Dovlatov” se ocupa. O longa de Alexey German Jr. mostra como a intelectualidade russa se afasta dos ideais encampados pela União Soviética no alvorecer da década de 70. “A década de 70 entrou como uma geada”, reconhece o protagonista em sua narração em off em um dado momento. Em outro vaticina: “Ficção e realidade são inseparáveis na União Soviética”.

Com rimo lento, muitos planos-sequência e enquadramentos quadrados, o filme tateia um sentimento de despertencimento e incômodo. A cultura da União Soviética está morrendo. Este é o diagnóstico de Dovlatov e outros escritores cerceados por um regime que busca “capacidade moderada de escrita e não muito talento”.

Milan Maric vive esse escritor consciente de sua condição de fracassado com charme e carisma. Seu personagem representa a integridade artística e é por sua relação idealística, mas também prática com a União Soviética que “Dovlatov” filtra seu discurso. Um filme que reverencia o legado russo com a perspectiva de que a revolução comunista subtraiu mais do que acrescentou a esse legado.

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