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quarta-feira, 31 de outubro de 2018 Críticas, Filmes | 19:43

“Tamara” recria trajetória de 1ª transmulher eleita deputada na América Latina

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A Tamara Adrian da vida real: inspiração para um delicado filme venezuelano

A Tamara Adrian da vida real: inspiração para um delicado filme venezuelano

Não é de hoje que a transexualidade e os direitos de cidadãos transgêneros estão em pauta, mas é assombroso o quanto enquanto sociedade ainda precisamos evoluir. É de adensar essa perspectiva que o filme “Tamara”, que estreia nesta quinta-feira (1º) em São Paulo, se incumbe.

O filme de Elia K. Schneider reconstitui a trajetória de Tamara Adrian, a primeira transmulher eleita como deputada para a Assembleia Nacional da Venezuela – foi a primeira pessoa transexual eleita para um cargo legislativo na América Latina. Isso foi em 2016. Nas eleições 2018, São Paulo elegeu Erica Malunguinho da Silva, a primeira trans da história da Assembleia Legislativa.

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O ineditismo dos feitos de Tamara e Erica, claro, clamam por atenção cinematográfica, mas Schneider não perde de vista os elementos humanos, os intrincados conflitos emocionais e psicológicos, bem como o açoite do preconceito, que precederam essas conquistas tão pessoais como comunitárias.

Quando encontramos Tamara ela ainda é Teo e tem dificuldades de vocalizar a angustia que vive com o próprio corpo. Essa investigação psicológica, mas também corpórea, é um dos trunfos da primeira metade do filme e a cineasta confia ao ótimo Luis Fernández o lastro emocional dessa viagem tão turbulenta quanto apaixonante.

As muitas rupturas e inseguranças, bem como o encontro com o amor são fonte de coragem e retrocesso em uma jornada trôpega e sem respostas prontas. Schneider, é bem verdade, se escora em clichês que poderiam ser suavizados, mas o corte final de seu filme tem muita alma e coração. Tamara Adrian é senhora de uma história tão inspiradora quanto necessária para que o processo de conscientização que a sociedade atravessa não seja interrompido por espasmos de conservadorismo.

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Em um universo cinematográfico que habitam filmes como “Uma Mulher Fantástica” (2017), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2018, e “Laurence Anyways” (2012), é o aspecto “baseado em uma história real”, que torna “Tamara” tão especial e vívido.

O ator Luis Fernández durante a transição de Teo em Tamara Fotos: Publico/Divulgação

O ator Luis Fernández durante a transição de Teo em Tamara
Fotos: Publico/Divulgação

“Tamara” está em cartaz no Espaço Itaú Augusta de Cinema com sessões às 13h50, 16h10 e 21h30.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Kamila Azevedo 02/11/2018 10:50

    Massa, Reinaldo. Espero ter a oportunidade para conferir este filme.

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