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segunda-feira, 26 de novembro de 2018 Críticas, Filmes | 11:19

Os Coen vislumbram a morte com crueza e graciosidade em “A Balada de Buster Scruggs”

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Tim Blake Nelson é o destaque do conto que abre o filme

Tim Blake Nelson é o destaque do conto que abre o filme

Pensado originalmente para ser uma antologia para a Netflix, “A Balada de Buster Scruggs”, remodelado para um filme de 2h13m, se configura como um belo mosaico da obra dos irmãos Coen. Premiado como melhor roteiro no festival de Veneza, o longa se resolve como uma multifacetada reverberação sobre a morte.

“A Balada de Buster Scruggs” reúne seis contos que tem na morte o elemento mais cabal de convergência, além das agruras imemoriais do Oeste americano, gênero ao qual os Coen já homenagearam formalmente com “Bravura indômita” (2010), refilmagem do cult estrelado por John Wayne em 1969, e cujos signos estavam presentes nos oscarizados “Fargo” (1996) e “Onde os Fracos não Têm Vez” (2007).

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Nem todos os contos apresentam o mesmo grau de excelência, mas todos primam pela característica soberana em um filme dos irmãos. São coenianos até a alma! Os dois primeiros despontam como os melhores do longa. Onde o sarcasmo dos cineastas surge melhor calibrado. Mas todos os outros são avalizados por pequenos grandes momentos e epifanias típicas do cinema desses expoentes da autoralidade norte-americana.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Tim Blake Nelson estrela o primeiro conto, em que um temido pistoleiro, o Buster Scruggs do título, finalmente encontra um desafiante à altura. James Franco protagoniza o segundo, em que tenta roubar um banco perdido no meio do nada. Liam Neeson é a estrela do terceiro, como um sujeito que tenta sobreviver levando diversão e excentricidade para os habitantes. Tom Waits é presença absoluta e magnânima no quarto conto, sobre uma terra aparentemente intocada pelo homem branco. Zoe Kazan protagoniza aquele que é o maior conto do filme, sobre uma mulher que perde o irmão e homem responsável por ela durante uma viagem. O derradeiro conto traz uma viagem de carruagem com tipos estranhos e curiosas inflexões sobre a vida e a morte.

A maneira dura e crua, mas também singela e entristecida com que os Coen vislumbram a morte e os absurdos da existência ganha adensamento em “A Balada de Buster Scruggs”, um filme de potência contida e que é gracioso e ofuscante quando menos se espera.

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