Publicidade

Arquivo do Autor

segunda-feira, 24 de julho de 2017 Análises, Bastidores, Filmes | 09:00

Sony já é a grande campeã do verão americano de 2017

Compartilhe: Twitter

Estúdio não será o maior em faturamento na temporada, mas foi o único a apresentar uma equação equilibrada de qualidade, planejamento, risco e originalidade. Algo cada vez mais singular na indústria do entretenimento

Arte do filme "Em Ritmo de Fuga" por Joshua Kelly

Arte do filme “Em Ritmo de Fuga” por Joshua Kelly

A vida da Sony, um dos estúdios mais importantes e prestigiados do sistema que Hollywood representa, não vinha fácil. Sucessivos fracassos de bilheteria que irromperam até mesmo a 2017 – que tem tudo para ser o melhor ano da história recente do estúdio. Alguém se lembra de “Passageiros”, aquela ficção-científica que tanto prometia e ainda reunia dois dos astros mais empolgantes da atualidade? Essa foi a pá de cal na fase malfadada iniciada na tentativa de reiniciar a franquia do Homem-Aranha com Marc Webb e Andrew Garfield à frente.

Leia também: Com fórmula Marvel, “Homem- Aranha: De Volta ao Lar” é o filme que o personagem precisava

Os solavancos foram expressivos e se deram também no âmbito da espionagem corporativa, quando hackers norte-coreanos invadiram os servidores do estúdio e vazaram documentos e correspondências sigilosas em represália à produção e distribuição do filme “A Entrevista”, que satirizava o ditador daquele país. A década ainda não acabou, mas ela tem sido sofrível para o estúdio que não consegue amealhar sucessos de bilheteria, ou mesmo de crítica. Tirando o selo de arte, o Sony Classics, que praticamente só compra e distribui filmes independentes, o estúdio está fora do Oscar desde 2012, quando teve “ A Hora Mais Escura” entre os finalistas.

Leia também: Marvel, DC e Netflix movimentam a Comic-Con com trailers de blockbusters

A torre negraMas 2017 parece mesmo o ano da mudança. Para começar, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” agradou a crítica e já caminha para os US$ 500 milhões na bilheteria mundial. É oficialmente um hit e foi o filme mais barato do aracnídeo produzido pelo estúdio. A parceria com a Marvel rendeu e rendeu bem em todas as frentes. Se cercar de talento e apostar no risco foi uma estratégia certeira em outras frentes também.

Edgar Wright (“Scott Pilgrim Contra o Mundo”) é um dos cineastas mais talentosos e apaixonados por cinema que há hoje e botar esse cara para fazer um filme com o apoio do sistema de estúdios é a coisa certa a fazer, mas não é o que os estúdios andam fazendo atualmente. “Baby Driver”, “Em Ritmo de Fuga” no Brasil, é dos filmes mais bem cotados pela crítica americana no ano. Barato, tá com um boca a boca positivo e se segurando contra blockbusters de raiz no mercado da América do Norte. A Sony já pensa na continuação.

Mais do que o hype, “Em Ritmo de Fuga” é um filme original em uma era em que franquias e adaptações dominam. É um gol de placa da Sony em uma temporada que os arrasa-quarteirões não estão convencendo nas bilheterias.

deNão obstante, a Sony ainda tem “A Torre Negra”, aguardada adaptação de Stephen King, com Idris Elba e Matthew McConaughey à frente do elenco. É mais uma tentativa de emplacar um franquia e depender menos de um certo aracnídeo. O hype e a expectativa jogam a favor da empreitada da Sony que calculou muito bem sua movimentação na temporada.

Leia também: Estúdio desiste de lançar “A Entrevista” nos cinemas dos EUA

Essa é a herança positiva de Amy Pascal, que deixou a presidência da Sony Pictures na esteira do escândalo dos vazamentos de e-mails da empresa. Tom Rothman, que já dirigiu a FOX e a Tristar, divisão da Sony, deve seguir o bom caminho ensejado por Amy, que segue como produtora vinculada à empresa.

A Sony não vai figurar entre os melhores faturamentos do ano. Warner e Disney vão protagonizar mais uma vez essa disputa – com larga vantagem para a segunda – mas tem um 2017 de recuperação e deve deixar a Paramount isolada na posição de grandes estúdios em naufrágio acelerado.

Autor: Tags: , , , , ,

domingo, 23 de julho de 2017 Críticas, Filmes | 16:34

Com a fórmula Marvel, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é o filme que o personagem precisava

Compartilhe: Twitter

“Homem-Aranha: De Volta ao Lar” comprova a acertada decisão da Sony de recorrer à Marvel para recolocar o personagem que é seu maior trunfo nas bilheterias nos trilhos

Spider

A relação entre a pré-adolescência e a maturidade é um elemento poderoso em “A Viatura”,  primeiro e único filme de John Watts como diretor antes de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” e essa característica não só é importante para a compreensão do sexto filme estrelado pelo herói aracnídeo, o primeiro com curadoria da Marvel Studios, como ajuda a entender a razão da bem sucedida escolha de Watts para a empreitada.

Leia também: Temos um Homem-Aranha; e agora? 

“Homem- Aranha: De Volta ao Lar” é, para todos os efeitos, um reboot, mas não é mais um. Aqui temos o Aranha raiz, para usar uma expressão da moda. Peter Parker, maravilhosamente abordado por um confiante e cativante Tom Holland, é um menino franzino e nerd do ensino médio com dificuldades para chegar na garota que gosta e que calha de ter sido picado por uma aranha radioativa, ou geneticamente modificada, a gosto do freguês, e desenvolvido superpoderes.

Leia também: “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é o melhor filme do herói até agora

Mas não se engane, apesar de ser uma coprodução entre Sony e Marvel, este é um filme com o DNA da Marvel. Toda a mecânica e dinâmica do filme obedecem aos cânones das produções de Kevin Feige (o homem forte do Marvel Studios) e Tony Stark não só está presente no filme, como é a grande figura catalisadora da trama. Não obstante, piadinhas com os vingadores e um easter egg com o Capitão América ratificam a percepção de que este é um filme Marvel.

spider 2Não há problema nenhum nisso. “De Volta ao Lar” é esperto, fluente, tem ótimas cenas de ação e consegue ser tanto um filme de origem ( e você nem se dá conta disso), como um filme teen estrelado por um super-herói improvável.  Essa combinação resulta em sucesso em qualquer dicionário e aqui não é diferente. Como bônus, o Abutre de Michael Keaton, esse grande ator que vira e mexe, de um jeito ou de outro, está às voltas com o universo dos super-heróis no cinema, é o melhor vilão já rascunhado pela Marvel no cinema. Além do mais, sem fazer muito esforço, ele entrega uma atuação diferenciada no contexto dos filmes do gênero mais recentes.

Leia também: Delicioso repeat, “Guardiões da Galáxia VOL. 2” promove Baby Groot a astro pop

É impossível não reagir positivamente a “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, um filme muitíssimo bem engendrado pela fórmula Marvel com a expertise de Watts para elaborar conflitos geracionais – e repare como o filme se comunica e no mesmo compasso traduz a juventude de hoje. Mas não é memorável no sentido que o primeiro “Homem-Aranha” (2002) de Sam Raimi foi. Talvez não fosse mesmo o caso. “De Volta ao Lar” é o filme que todos precisavam. Inclusive o “Homem-Aranha”.

Autor: Tags: , ,

terça-feira, 4 de julho de 2017 Curiosidades, Notícias | 09:00

Cinema brasileiro é celebrado com vigor na nova temporada de “O País do Cinema”

Compartilhe: Twitter

Programa do Canal Brasil que celebra o cinema brasileiro retorna repaginado e com a apresentadora Fabíula Nascimento ainda mais à vontade no comando das entrevistas

Fabíula Nascimento entrevista Bruno Barreto e Glória Pires no retorno do "O País do Cinema"

Fabíula Nascimento entrevista Bruno Barreto e Glória Pires no retorno do “O País do Cinema”

Relativamente simples, ainda que altivo do ponto de vista criativo, o programa “O País do Cinema” volta para sua segunda temporada nesta quinta-feira (6) no Canal Brasil. “Estamos crescendo junto com essa criança”, disse a atriz Fabíula Nascimento, apresentadora do programa que trata do cinema brasileiro em entrevista ao iG na última semana. “Estou mais à vontade”, admitiu.

Leia também: “O País do Cinema” volta em sua segunda temporada celebrando o cinema brasileiro

O cenário é novo e a proposta, mais flexível. Além da vocação memorialista do cinema brasileiro, o programa vai tratar de novidades também. Além de revisitar grandes filmes do passado, importantes obras contemporâneas, “O País do Cinema” vai abordar lançamentos. Será o caso da nova versão de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, protagonizado por Juliana Paes, que irá falar com Fabíula sobre o filme agendado para esse semestre.

Leia também: “O País do Cinema”, no Canal Brasil, é programa obrigatório para quem gosta de cinema

Serão 26 episódios neste segundo ano. A coluna já assistiu aos dois primeiros e pôde constatar que, além do cenário vistoso e aprazível a um programa de entrevistas, Fabíula está mais ciente de seu tempo e espaço no programa.

Na estreia, ela recebe Bruno Barreto e Glória Pires para debater “Flores Raras” (2013), filme que tratou do romance da paisagista Lota de Macedo Soares e da poetisa norte-americana Elizabeth Bishop. “Acho que é o seu filme mais diferente”, logo opina Glória. “Eu não queria fazer”, revela Barreto ao contar que o filme foi oferecido a ele primeiramente e depois rodou por diversos diretores antes de voltar a ele.

Selton Melo em cena de "O Palhaço", segundo filme a receber destaque na temporada de "O País do Cinema"

Selton Melo em cena de “O Palhaço”, segundo filme a receber destaque na temporada de “O País do Cinema”

Os dois debatem sobre memórias, divergências e o status quo do filme que chegou em uma época em que a união homossexual era pauta no Supremo Tribunal Federal. “Escancarou sutilmente alguns preconceitos”, observa Barreto antes  de emendar relatos de gente que “não podia imaginar Glória Pires beijando outra mulher”. Para Barreto foi corajoso de Glória fazer este filme, mas não só por dar viço a relação homossexual, mas por ter que atuar em inglês e português e dar conta de uma história de amor muito interiorizada.

“O Palhaço”, de Selton Mello, é o foco do segundo programa. “Esse filme surgiu de uma dificuldade minha, de uma crise com o meu ofício. Eu estava me questionando muito como ator”, recorda Selton. Não é um relato inédito, mas Fabíula sabe que é precioso e estimula Selton a se abrir. É um registro precioso, temperado pela iluminada companhia de Larissa Manoela, que expressa o desejo de cursar cinema em muito por influência do trabalho com Selton. “Ela vai longe”, insiste na generosidade o mineiro que traça um paralelo entre eles, ainda, pelo fato de ambos serem capricornianos.

Leia também: Desgovernado, “A Múmia” erra em tudo que pode e inicia mal o Dark Universe

Esse olhar para os bastidores de filmes emblemáticos do cinema brasileiro, circunstanciais ou que são descobertos pelo público ali, em um programa de quase 30 minutos, reforça a vocação cultural de “O País do Cinema”, um programa que segue apaixonante e apaixonado.

Autor: Tags: , ,

terça-feira, 20 de junho de 2017 Análises, Bastidores, Notícias | 19:05

Mau jornalismo afeta agenda feminista com informações equivocadas sobre remuneração de Gal Gadot em “Mulher-Maravilha”

Compartilhe: Twitter

Informações mal apuradas substanciaram revolta nas redes sociais a respeito da disparidade salarial entre a Mulher-Maravilha e o Superman, mas a história estava mal contada

Superman, Mulher-Maravilha e Batman em cena de "Batman vs Superman" (Fotos: divulgação)

Superman, Mulher-Maravilha e Batman em cena de “Batman vs Superman”
(Fotos: divulgação)

É bem público e ainda mais notório que existe uma abismal diferença nos salários pagos aos atores e atrizes em Hollywood. Desde o Oscar 2015, com aquele emblemático discurso de Patricia Arquette, uma discussão séria e constante capitaneada por atrizes como Jessica Chastain, Natalie Portman, Robin Wright e Jennifer Lawrence tem sido abastecida quase que diariamente a respeito e já há (tímidos) sinais de mudança.

Leia também: “Mulher-Maravilha” é acerto da Warner em Hollywood, no cinema e na vida 

Na noite desta segunda-feira (19), porém, Hollywood foi tomada de assalto com a notícia de que Gal Gadot recebera US$ 300 mil pela atuação em “Mulher-Maravilha”, um reiterado sucesso de crítica e de público. Já Henry Cavill teria recebido US$ 14 milhões por “O Homem de Aço” (2013). O artigo da edição americana da Elle, embasado em um dado divulgado pela Variety em 2014, detonou uma reação global de achaque a Warner por sexismo. Foi tudo um mal entendido, para dizer o mínimo.  Um reflexo desses tempos afoitos de redes sociais em que se tem como objetivo não noticiar, mas viralizar nas redes.

Leia também: Entretenimento de primeira, “Mulher- Maravilha” é o filme que o mundo esperava

Existe, sim, uma diferença alarmante na remuneração praticada por estúdios junto a atores e atrizes, mas aqui, no caso que gerou protestos e indignação de toda ordem, ela não existe. É praxe na negociação de contratos de filmes de super-heróis – o gênero mais abundante e lucrativo do cinema contemporâneo – vincular salários e bônus ao rendimento dos filmes, bem como já alinhar contratos duradouros para três ou mais filmes.

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

Os US$ 14 milhões atribuídos a Cavill, que é importante frisar não são passíveis de confirmação, contabilizam bônus por performance de bilheteria de três filmes em que ele surja como o Superman. Além do mais, o orçamento de “O Homem de Aço” foi de US$ 250 milhões, o que permitia certa extravagância na remuneração do elenco, que ainda contou com nomes como Kevin Costner, Russell Crowe, Amy Adams e Michael Shannon. Já “Mulher-Maravilha”, que ainda não superou “O Homem de Aço” nas bilheterias, mas já é percebido como um sucesso, foi orçado em US$ 125 milhões.

Os US$ 300 mil de Gal Gadot, contrato estabelecido nos mesmos moldes do de Chris Evans , o Capitão América, e Chris Hemsworth, o Thor, da rival Marvel, não considera os bônus por performance nas bilheterias. Até porque esses bônus não estão fechados. O contrato também prevê US$ 300 mil de remuneração básica por filme e cobre três filmes. O terceiro sendo “Liga da Justiça”, que estreia em novembro deste ano. Para  o segundo “Mulher-Maravilha”, portanto, um novo contrato será redigido. O valor da remuneração, não estranhem, deve continuar baixo. Para o intérprete, seja ele ator ou atriz, mais vale beliscar o lucro do filme na bilheteria e Gal Gadot já se capitalizou para pleitear cerca de 10% da bilheteria do filme.

Leia também: “Eles fizeram algo especial”, diz diretora sobre atores de “Mulher-Maravilha”

A julgar pela bilheteria de “Mulher -Maravilha”, a atriz receberia por performance algo em torno de US$ 6 milhões, fora os US$ 300 mil da remuneração básica.

Hollywood gosta de ferver seus boatos e um jornalismo cada vez mais impreciso, cada vez mais refém dos humores das redes sociais, vira palha nessa fogueira de vaidades. Pior: a verdadeira demanda por paridade salarial acaba eclipsada à luz de uma patetada como essa.

 

Autor: Tags: , , , ,

Atores, Notícias | 17:46

Daniel Day Lewis revela que vai se aposentar do cinema

Compartilhe: Twitter

Três vezes vencedor do Oscar, o ator britânico Daniel Day Lewis vai parar de atuar. O desejo, externado a amigos, foi confirmado pelo agente do intérprete à revista Variety.

O ator Daniel Day Lewis

O ator Daniel Day Lewis

Daniel Day Lewis” não vai mais trabalhar como ator. Ele é imensamente grato a seus colaboradores e espectadores por tantos anos. Essa é uma decisão particular e nem ele ou seus representantes vão falar mais sobre um assunto”, observou o agente ao periódico americano.

Leia também: Desgovernado, “A Múmia” erra tudo que pode e inicia mal o Dark Universe

Aos 60 anos e com uma carreira de quase quatro décadas, Day Lewis nunca foi um ator prolífero. São 29 créditos já computando o ainda inédito “Phanton Thread” – e previsto para ser lançado em dezembro nos EUA. O filme marca a nova colaboração com o cineasta Paul Thomas Anderson de “Sangue Negro”, notadamente um dos filmes americanos mais importantes do século. Day Lewis ganhou seu segundo Oscar pelo papel.

Sua última aparição no cinema também rendeu Oscar. Foi em ‘Lincoln” (2012), de Steven Spielberg. A parceria com cineastas consagrados foi uma constante na carreira do ator. Além dos já citados, fez dois filmes com Martin Scorsese e também atuou para Michael Mann, Jim Sheridan e Philip Kaufman.

Leia também: Tensões silenciosas movem o delicado e sugestivo “Mulher do Pai”

A carreira multipremiada de Daniel Day Lewis conta, ainda, com quatro triunfos no Bafta, dois no Globo de Ouro e mais de 130 prêmios. Esta não é a primeira vez que o ator expressa, ainda que em um círculo íntimo, o desejo de parar de atuar. A aposentadoria pode ser consagrada com uma quarta estatueta da academia, o que representaria recorde absoluto entre os homens. “Phanton Thread” já suscita burburinho de Oscar. O que só deve aumentar a partir de agora.

Autor: Tags: , ,

domingo, 18 de junho de 2017 Sem categoria | 14:45

Desgovernado, “A Múmia” erra em tudo que pode e inicia mal o Dark Universe

Compartilhe: Twitter

Filme que dá o pontapé inicial no universo compartilhado de monstros da Universal coloca Tom Cruise como o escolhido de uma múmia milenar para receber o Deus da Morte e, apesar do plot, é ruim

the

Depois de tentar reerguer sua marca de monstros com “O Lobisomen” (2010), de Joe Johnston, e “Drácula: A História Nunca Contada” (2014), de Gary Shore, a Universal dá o pontapé inicial no que chama de Dark Universe, um universo compartilhado entre seus monstros – inspirado pelo bem sucedido modelo da Marvel – com “A Múmia” (2017). O filme de Alex Kurtzman (roteirista da nova trilogia “Star Trek” e de alguns filmes da série “Transformers”) e estrelado por Tom Cruise é uma salada muito mal azeitada.

Leia também: “A Múmia” dá pontapé no Dark Universe, universo compartilhado de monstros

A aposta da Universal de contar com astros na confecção deste universo, à primeira vista, parece acertada. Mas no alcance de “A Múmia”, acaba se provando inadequada já que a produção se assevera como mais uma aventura de Tom Cruise – e uma anêmica e pouco convincente.

Leia também: Vaca em crise existencial é triunfo do hermético “Animal Político”

O primeiro equívoco talvez seja o foco em Nick Morton (Cruise), um mercenário contratado do exército americano que tenta saquear tesouros no Iraque entre uma missão e outra, e não na múmia que ascende o interesse do público no bom prólogo que explica seu passado como uma princesa egípcia deliberadamente excluída da História. O segundo equívoco, e este muito mais grave, é o conflituoso desenvolvimento narrativo. Kurtzman não é nenhum Guillermo Del Toro ou M. Night Shyamalan e, portanto, não tem propriedade o suficiente para tecer uma trama que alie humor, terror e senso de aventura.

Tom Cruise em cena de "A Múmia": Não missão impossível, mas é como se fosse...

Tom Cruise em cena de “A Múmia”: Não missão impossível, mas é como se fosse…

“A Múmia” afasta qualquer resquício de horror, ainda que não admita isso, em favor de uma aventura que mira em “Indiana Jones” e acerta em “Pluto Nash”. É caótico na apresentação dos fatos – tudo em nome de easter eggs para o futuro do já trôpego universo de monstros -, tem cenas de ação pouco empolgantes, a despeito dos bons efeitos especiais e piadas que beiram o constrangimento – como a que Tom Cruise faz no fraco clímax do filme.

Leia também: “Mulher-Maravilha” é acerto da Warner em Hollywood, no cinema e na vida

Esse talvez seja o pior filme estrelado pelo astro, que parece cada vez mais fissurado em emplacar franquias, nos últimos 30 anos. É um dado nada desprezível. Ainda que não seja uma refilmagem oficial do filme de 1999 estrelado por Brendan Fraser, este “A Múmia”, que guarda, sim, similaridades com o filme de Stephen Sommers, se apequena na comparação. Em meio a bagunça criativa que o viabilizou, “A Múmia” se fia como um mau presságio para o Dark Universe.

Autor: Tags: , , ,

sexta-feira, 9 de junho de 2017 Críticas, Filmes | 19:50

Vaca em crise existencial é trunfo do hermético “Animal Político”

Compartilhe: Twitter

 

“Animal Político” já recebeu prêmios em muitos festivais e é a melhor estreia das salas de cinema do Brasil neste final de semana

animal político

Existem filmes que investem na sutileza ao fazer um comentário político ou social. Não é o caso de “Animal Político”, estreia da vez da Sessão Vitrine Petrobras, que estreia em diversas capitais brasileiras. Dirigido por Tião e rodado entre 2010 e 2013 em Pernambuco e na Paraíba, o filme tem como protagonista uma vaca em crise existencial. A opção é legítima, corajosa e desestabilizadora, pois propõe um distanciamento do olhar do espectador para as banalidades de seu cotidiano. Do ponto de vista discursivo é um triunfo, narrativo nem tanto. Há certas barrigas que apenas um olhar lúdico pode contemporizar.

Leia também: “Mulher-Maravilha” é acerto da Warner em Hollywood, no cinema e na vida

A vida do protagonista é confortável. Infância feliz, quase nenhuma doença – um par de cáries aqui e ali – família participativa, um bom emprego, mas a sensação de vazio se agiganta. Não é uma trama estranha ao universo de quem se interessa por dramaturgia. Seja ela no cinema, na televisão, na literatura, etc. O que difere “Animal Político” é justamente a ousadia de colocar uma vaca como senhora de uma reflexão capaz de encontrar eco em todos os espectadores.

Leia também: “War Machine” desconstrói a mentalidade da guerra com humor e inteligência 

animal 11É uma diferença fundamental e que responde pelo que o filme tem de melhor a apresentar – e de mais ingênuo também. É preciso embarcar na viagem proposta pela obra – e o verniz filosófico é potente e bem calibrado. A narração do ator Rodrigo Bolzar para os pensamentos de Cerveja, o nome real da vaca protagonista, nada mais é do que um ensaio de reverberações filosóficas clamorosas.

Leia também: Robert De Niro volta a brilhar na pele de magnata fraudulento em “O Mago das Mentiras”

A outra presença no filme, humana, mas menos civilizada, que expande a sensorialidade proposta pelo projeto. Há também uma necessária referência a “2001: Uma Odisseia no Espaço”, filme que de certa maneira é precursor de todo o embate existencial encampado aqui. Aspecto interessante a se observar no longa é justamente quando a vaca parece desumanizar-se. Há tanto um componente anárquico – e a piada com o manual da ABNT é simplesmente antológica – como uma ode ao naturalismo do primeiro ato do filme. Valorizando essencialmente a busca pelo sentido da vida, “Animal Político” expõe a citação clássica de Buda em mais um dos grandes pequenos achados que estruturam a narrativa: “A vida não é uma pergunta a ser respondida, mas um mistério a ser vivido”.

Autor: Tags: , ,

segunda-feira, 5 de junho de 2017 Análises | 16:00

A guerra do estúdios ao site Rotten Tomatoes e a restabelecida energia da crítica de cinema

Compartilhe: Twitter

Paramount e Disney abrem fogo contra o site agregador de críticas Rotten Tomatoes e falam em cancelar sessões para a imprensa de seus grandes lançamentos. Mas essa “guerra” não é essencialmente nova em Hollywood

via GIPHY

É um tanto comum a percepção de que a crítica de cinema é uma arte moribunda. Muito pouca gente se abaliza por uma crítica na hora de ir ao cinema ou escolher um filme para assistir. Se internet e redes sociais hoje são senhoras do hype, um fenômeno interessante envolvendo a crítica de cinema aconteceu: o site agregador de críticas Rotten Tomatoes passou a servir como uma referência. É justamente essa referência, e a crítica por tabela, que estão no centro de uma polêmica envolvendo alguns dos principais estúdios de cinema.

Leia também: “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” prepara adeus a Jack Sparrow

Paramount e Disney culparam o Rotten Tomatoes pelo pífio desempenho comercial de “Baywatch”, do primeiro, e “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, do segundo, nos cinemas. Na lógica desses estúdios a baixa aprovação crítica, “Baywatch” tem cotação de 19% enquanto “A Vingança de Salazar” tem pouco mais de 40%, afugentou a audiência do cinema.

Leia também: Dwayne Johnson e Zac Efron esbanjam química nos bastidores de “Baywatch”

O Rotten Tomatoes tem, de fato, muitos problemas enquanto conceito. Ele parte do pressuposto que uma resenha se resume a avaliar positiva ou negativamente uma produção – uma demanda mais do público médio do que da crítica em si. A gradação é outro ponto questionado. Uma nota “C+” é alinhada entre as críticas positivas enquanto um “B-“, nitidamente uma nota superior, entre as negativas.  Ainda assim, a queixa dos estúdios não procede.

"Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar" não emplacou junto a crítica e vai mais ou menos na bilheteria

“Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” não emplacou junto a crítica e vai mais ou menos na bilheteria

É sintomático em uma indústria que prioriza o seguro em detrimento do risco e aposta em franquias e histórias consolidadas, que grande parte dos lançamentos de uma temporada naufrague. Com produções cada vez mais caras – “Piratas” custou US$ 320 milhões e o “barato” Baywatch”, US$ 69 milhões -, a necessidade dos estúdios produzirem sucessos também é cada vez maior.

O público sabe o que quer e o que não quer. Um quinto “Piratas” desperta menos curiosidade do que o primeiro “Mulher – Maravilha”. Nesse sentido, o Rotten Tomatoes, que sustenta a exagerada marca de 93% de aprovação para o filme de Patty Jenkins, nada mais é do que um reflexo do interesse do público. Ainda que todos esses filmes gozem de menos prestígio junto à crítica do que “Corra!”, um hit do cinema independente que já amealhou mais de US$ 200 milhões nas bilheterias dos EUA.

Leia também: “Mulher-Maravilha” é acerto da Warner em Hollywood, no cinema e na vida

A Paramount ameaçou não fazer sessões de seus filmes para a imprensa. Puro recalque, diria Valesca Popozuda. O problema não é a crítica. O problema é a qualidade dos filmes e, ainda que com conotação negativa para os estúdios, a percepção e critério mais sofisticados da audiência em relação à variedade de opções no cinema. A ideia de sabotar a crítica de cinema paira já há algum tempo, mas imbróglios como esse inadvertidamente acabam por fortalecê-la.

Autor: Tags: , , , ,

sábado, 3 de junho de 2017 Críticas, Filmes | 09:00

“Mulher-Maravilha” é acerto da Warner em Hollywood, no cinema e na vida

Compartilhe: Twitter

Com o sucesso de crítica consolidado, o céu é o limite para “Mulher-Maravilha”, o filme que por razões externas à tela grande, coloca a Warner um passo a frente da Marvel na briga de foice entre as gigantes de Hollywood

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

É a maior aprovação crítica de um filme de super-herói desde “Batman – O Cavaleiro das trevas” (2008), o paradigma definitivo para o gênero que virou o carro-chefe de Hollywood. “Mulher- Maravilha” detinha até sexta-feira (2) o índice de 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, agregador de críticas na internet. O filme de Nolan ostenta 94%. É um senhor dividendo em um contexto bem adverso.

Leia também: Entretenimento de primeira, “Mulher- Maravilha” é o filme que o mundo esperava

É sabido que a Warner vem tentando reiteradamente repetir o sucesso da Marvel. Obsessão tamanha que afetou a qualidade de “Esquadrão Suicida” (2016), que apesar de ter arrecadado mais de US$ 700 milhões, foi percebido como um fiasco. “Mulher-Maravilha”, que era um filme já pressionado por ser o primeiro desse filão protagonizado por uma heroína e com uma diretora no comando, recebeu ainda mais pressão. Esse filme tinha que dar certo.

Leia também: Sete coisas que você precisa saber sobre Gal Gadot, a Mulher-Maravilha

Patty Jenkins tinha apenas um filme independente no currículo, “Monster – Desejo Assassino”, que rendeu o Oscar de atriz a Charlize Theron. E lá se vão 13 anos. Jenkins não foi a primeira escolha para o projeto. A Warner escalou Michelle MacLaren, que havia dirigido alguns episódios de “Breaking Bad”, para a empreitada. Mas diferenças criativas com o estúdio provocaram sua saída. Jenkins, que já estava no radar dos estúdios – esteve para dirigir “Thor – O Mundo Sombrio” – assumiu o projeto, o orçamento de US$ 150 milhões e a responsabilidade de corresponder às expectativas de uma agenda feminista que vinha a tiracolo.

Patty Jenkins no set de Mulher-Maravilha

Patty Jenkins no set de Mulher-Maravilha

Para todos os efeitos, “Mulher-Maravilha” é um filme que opera dentro da margem de segurança. Do estúdio – e este é um filme de estúdio – , da referida agenda feminista – há ótimas piadas para agradar a militância – e à audiência convencional do gênero – os clichês estão todos lá, dos vilões às cenas de ação, passando pelo romance. Mas Patty Jenkins tem muitos méritos. O cuidado com as arestas da narrativa é o principal deles. O que parecia fora do tom e do eixo nas produções assinadas por Zack Snyder (“O Homem de Aço” e “Batman vs Superman”) surge como aspecto positivo aqui. Outro acerto foi a dimensão do humor na fita. Jenkins resiste à tentação de emular a Marvel e consegue fazer um filme que não é pautado pelo humor, mas que ainda assim é bem humorado.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

“Mulher-Maravilha” não é um candidato natural ao clube do bilhão, cada vez mais inflado, mas diferentemente das últimas produções do universo DC no cinema, deve ser percebido como um sucesso. A marca de US$ 600 milhões globalmente é tangível e qualquer coisa além será a confirmação de um sucesso irrepreensível. Fato corroborado, claro, pela boa vontade dispensada ao filme. Não fosse bom, “Mulher-Maravilha” poderia representar um retrocesso nessa pauta que hoje move Hollywood – a da igualdade de oportunidades e remuneração entre os gêneros.

Não é um filme para 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas é compreensível o entusiasmo com ele. Além do excelente trabalho de Jenkins, a outra grande responsável pelo sucesso do filme é a atriz Gal Gadot. Ela é a Mulher-Maravilha que eles e elas pediram a Deus. Um filme que chega (bem) perto de agradar gregos e troianos merece o confete.

Autor: Tags: , , , ,

segunda-feira, 29 de maio de 2017 Críticas, Filmes | 18:34

“War Machine” desconstrói mentalidade da guerra com humor e inteligência

Compartilhe: Twitter

Primeiro blockbuster da Netflix investe no público que os estúdios de Hollywood estão negligenciando e conta com o talento e carisma de Brad Pitt para ajudar a cacifar a plataforma de streaming como um player no mercado

Brad Pitt em cena de War Machine, já em cartaz na Netflix

Brad Pitt em cena de War Machine, já em cartaz na Netflix

A controvertida investida dos EUA no Oriente Médio após os atentados terroristas de 11 de setembro já rendeu alguns bons filmes, caso de “Zona Verde” e “Guerra ao Terror”, por exemplo, e até boas sátiras como “The Brink”, ótima série da HBO que durou apenas uma temporada. O primeiro blockbuster da Netflix, “War Machine” não deixa de ser um amálgama dessas produções.

Leia também: Netflix anuncia seu projeto mais ambicioso, filme de guerra estrelado por Brad Pitt

Inspirado no livro “The Operators: The Wild & Terrifying Inside Story of America’s War in Afghanistan” do jornalista Michael Hastings, “War Machine” faz parte da estratégia da plataforma de streaming de entrar definitivamente no business cinematográfico. O filme custou cerca de US$ 60 milhões e é estrelado por Brad Pitt, que coproduz junto a sua Plan B. Ainda que a medição de audiência seja precária, já que a Netflix não costuma divulgar dados e estatísticas de maneira regular e aprofundada, é inegável que se trata de uma estratégia exitosa.

Leia também: Cannes 2017 encerra com homenagem a Nicole Kidman e prêmio para Sofia Coppola

Escrito e dirigido por David Michôd, o filme acompanha a missão do general Glen McMahon no Afeganistão. Ele foi chamado para “limpar a bagunça”, ainda que tente se convencer de que lá está para “ganhar a guerra”. O filme debocha de McMahon, decalcado de um general real, Stanley McChrystal, e de sua entourage e o faz de maneira a realçar a desconformidade de uma mentalidade de guerra em um mundo cansado delas.

A sátira é potente, mas está inerentemente alinhada a um comentário político de viés progressista e antibélico. O filme assume o pessimismo de quem ainda dá murro em ponta de faca, mas não se censura um momento sequer.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Talvez aí resida um dos problemas do longa. Não exatamente na falta de censura, mas na repetição de uma mesma ideia. O que os homens sob o comando de McMahon e todos os civis que o gravitam rapidamente percebem é que a noção de uma estratégia de contrainsurgência quando se é o país invasor simplesmente não funciona. McMahon não percebe isso e o ocaso de sua brilhante carreira – e o filme o tangencia como um republicano clássico – se dá sem que ele perceba isso. Mas o espectador percebera tão ou mais rapidamente do que os homens sob o comando do general – isso se ainda não compartilhar do ponto de vista do filme.  Portanto, repetir a ideia – por mais que ela venha embalada por momentos cômicos ou de alguma tensão – é tornar o filme apenas cansativo.

Brad Pitt, que já havia abraçado a sátira com gosto em “Queime Depois de Ler” (2008) e “Bastardos Inglórios” (2009), o faz novamente com brio e inteligência. De movimentos robóticos e postura arrogante, seu McMahon é um fantoche sem consciência de tal condição. Um trabalho minucioso e minimalista, ainda que possa parecer exagerado para um expectador pouco calejado.

Leia também: “Amor.com” é mais uma daquelas comédias românticas esquecíveis

Há excelente piadas e a narração em off é responsável pela maior parte delas. Por outro lado, esse off reforça essa estafa com temas repisados pelo filme. Chegasse dois ou três anos antes, ainda sob o governo Obama, “War Machine” teria muito mais impacto. De toda forma, é um belo cartão de visitas da Netflix para o establishment hollywoodiano. Trata-se, afinal, de um filme adulto, feito de uma maneira provocativa e calcado na figura de um astro de cinema. O tipo de filme que Hollywood não anda produzindo tanto atualmente. E ainda tem uma piada maravilhosa com Lady Gaga.

Autor: Tags: , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. 20
  9. 30
  10. Última