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domingo, 27 de maio de 2018 Críticas, Filmes | 15:33

“Todo o Dinheiro do Mundo” é um sutil filme sobre misoginia

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Christopher Plummer em cena de Todo o Dinheiro do Mundo

Christopher Plummer em cena de Todo o Dinheiro do Mundo

A história do sequestro do neto do magnata bilionário Jean Paul Getty, “o homem mais rico da história do mundo” é daquelas que mimetizam toda a complexidade, histeria e absurdo da humanidade. É um imã natural para um cineasta com pulso para boas histórias. “Todo o Dinheiro do Mundo”, no entanto, não é um thriller sobre esse sequestro hipermidiático ou uma drama cáustico sobre seus bastidores, mas um drama algo seco e distante sobre misoginia e a mentalidade de quem só vislumbra abutres do topo.

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“Você precisa entender o que é ser um Getty”, diz Gail Harris (Michelle Williams) ao negociador e consultor paramilitar Fletcher Chase (Mark Wahlberg), contratado por seu ex-sogro JP Getty (Christopher Plummer) para liderar os esforços para resgatar John Paul Getty III (Charlie Plummer), sequestrado em Roma em 1973. Os sequestradores exigiram US$ 17 milhões. Getty negou-se a pagar.

Ridley Scott fez um sutil filme sobre misoginia e pouca gente percebeu isso

Ridley Scott fez um sutil filme sobre misoginia e pouca gente percebeu isso

A situação esdrúxula por si só já é um foco de interesse. Mas o roteiro de David Scarpa, baseado no livro de John Pearson, se interessa mais pelo cabo de força entre Gail e Getty. É um duelo nas sombras, nos atritos silenciosos. Justamente por isso o flashback que mostra o divórcio de Gail do filho de JP Getty é tão importante para a correta compreensão do que é e do que pretende o filme de Ridley Scott.

Getty não admite que uma mulher o encurrale ao ponto dele não saber como controlar uma situação e ficar à mercê dos fatos. A psicologia desse confronto ruidoso é abalada pelo sequestro do neto, a quem Getty tem em grande estima, só não o suficiente para excluir do campo de batalha contra Gail. Essa é, pelo menos, a leitura dos fatos da realização e é uma leitura entusiasmante do ponto de vista da arte e da elaboração histórica.

Plummer x Spacey

Christopher Plummer era a primeira opção de Scott para viver Getty. Seu Getty parece pouco lapidado e isso serve ao registro. Indicado ao Oscar pelo papel, o ator dá gravidade e obtusidade a essa figura poderosa e controversa. Mas talvez Spacey, especialmente no momento histórico de sua carreira, fosse uma personificação melhor e mais eficiente de Getty. De todo modo, o filme ficará famoso para todo o sempre pela troca dos atores às vésperas do lançamento.

Filme se resinifica na comparação com "Chamas da Vingança"

Filme se resinifica na comparação com “Chamas da Vingança”

O que é um tanto injusto, já que o filme dispõe de bons predicados. Dos atores – Michelle Williams e o francês Roman Duris merecem menção especial – à comparação com o “filme de sequestro” do irmão de Ridley, Tony Scott. “Chamas da Vingança” (2004), que tem Denzel Washington como um segurança capaz de tudo para resgatar uma criança, faz um par notável com “Todo o Dinheiro do Mundo”.  Os filmes dialogam em muitos níveis, especialmente por serem operas estilísticas de seus diretores.

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quarta-feira, 23 de maio de 2018 Críticas, Filmes | 10:10

Eli Roth não foge do convencional no novo “Desejo de Matar”

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Bruce Willis em cena de "Desejo de Matar"

Bruce Willis em cena de “Desejo de Matar”

Cria de Quentin Tarantino, Eli Roth rapidamente construiu uma fama bastante particular com filmes como “O Albergue” (2005), “Canibais” (2013) e “Bata Antes de Entrar” (2015). Violência e humor raramente rimam tão bem no cinema como em rimam em seus filmes. Nesse sentido, sua escolha para dirigir a refilmagem de “Desejo de Matar” parecia não só acertada, como providencial. Não que o filme seja decepcionante, mas é um Roth contido e jogando o jogo da indústria que surge na fita protagonizada por Bruce Willis.

O filme ainda tem Joe Carnahan, o homem por trás do violento “Narc” (2002), creditado como roteirista. Não obstante, a estreia programada para novembro de 2017 foi adiada para este ano após um atirador matar 58 e deixar dezenas de feridos em Las Vegas em outubro do ano passado. O “Desejo de Matar” que chega aos cinemas, porém, não poderia ser mais convencional. Há até uma tentativa de problematizar o vigilantismo, mas ela não chega a ganhar corpo e profundidade e serve apenas como pano de fundo para a escalada de violência ao qual o personagem de Willis se joga.

Bruce Willis faz o médico Paul Kersey que depois que sua mulher é assassinada por ladrões desastrados e violentos, e sua filha fica em coma no hospital, decide fazer justiça com as próprias mãos, já que a fé no trabalho policial fica abalada com a demora em surgirem resultados. Willis se diverte, como geralmente faz nesses filmes de ação em que a premissa é um mero detalhe. Fãs do ator e do original vão curtir a brincadeira.

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Filmes, Notícias | 10:00

Lucas Hedges pode ter hat-trick no Oscar com “Boy Erased”

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Lucas Hedges em cena de "Boy Erased"

Lucas Hedges em cena de “Boy Erased”

Não é fácil emplacar filmes no Oscar. Muito menos de maneira consecutiva. Especialmente quando se tem 21 anos. A queridinha Jennifer Lawrence chegou perto de conseguir quando tinha essa faixa-etária, mas não conseguiu. Ainda sem ser astro, mas já festejado nos círculos da crítica e da indústria, o nova-iorquino Lucas Hedges pode conseguir esse feito em 2019 se “Boy Erased” entrar na disputa.

Hedges ajudou a fazer de “Manchester à Beira-Mar” um dos grandes filmes do Oscar 2017 -e foi inclusive indicado ao Oscar de ator coadjuvante – e esteve em dois dos indicados a Melhor Filme em 2018: “Lady Bird” e “Três Anúncios para um Crime”. Agora, ele é o protagonista da nova incursão de Joel Edgerton atrás das câmeras.

Em “Boy Erased”, adaptado do livro homônimo de Garrad Conlay, ele vive um jovem de 19 anos que se assume gay e é obrigado pelo pai, um pastor batista, a fazer uma terapia de conversão sexual. Russel Crowe e Nicole Kidman vivem os pais e Joel Edgerton surge como coadjuvante no papel do terapeuta. O cineasta canadense Xavier Dolan, notório por seus filmes com temática LGBTQ, também atua no filme.

Edgerton, que foi muito elogiado por sua estreia na direção em “O Presente” (2015) deve exibir o filme no festival de Toronto, principal plataforma para os filmes aspirantes ao Oscar.

Russell Crowe e Nicole Kidman integram elenco do filme

Russell Crowe e Nicole Kidman integram elenco do filme

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terça-feira, 22 de maio de 2018 Críticas, Filmes | 19:26

“Os Fantasmas de Ismael” versa sobre a continuidade cruel do abandono

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Arnaud Desplechin e Mathieu Amalric vivem uma história de amor no cinema. O diretor tem em Amalric mais do que um parceiro, um catalisador para seus anseios e digressões sobre a vida e a arte. “Os Fantasmas de Ismael” dá sequência à colaboração que apresentou obras como “Reis e Rainhas” (2004), “Um Conto de Natal” (2008), “Terapia Intensiva” (2013) e “Três Lembranças da Minha Juventude” (2015).

Mathieu Amalric em cena de "Os Fantasmas de Ismael"

Mathieu Amalric em cena de “Os Fantasmas de Ismael”

Amalric aqui vive o diretor de cinema Ismael Vuillard que está fazendo um filme inspirado pela vida de seu irmão. Ele vive uma relação com Sylvia (Charlotte Gainsbourg) que parece serena e bem desenvolvida, mas ainda se ressente do sumiço da mulher Carlotta (Marion Cotillard), que desapareceu há 20 anos e foi dada como morta em algum momento.  Acossado na condição de viúvo, Ismael tem uma relação parental com o pai de Carlotta, que também sofre a ausência da filha.

Os ânimos, no entanto, se exaltam quando ela reaparece disposta a reconquistar Ismael, que se flagra em crise existencial profunda. A chegada de Carlotta detona, ainda, crises em seu filme e na relação com Sylvia.

“Os Fantasmas de Ismael” trata de abandonos. Da crueldade e da continuidade deles. O retorno de Carlotta pode ser interpretado literalmente, como a desestruturação emocional que enseja na vida de Ismael, ou simbolicamente, como o desarranjo psicológico insanável que a morte sem corpo deixou.

Marion Cotillard dança em uma das mais lindas cenas do filme

Marion Cotillard dança em uma das mais lindas cenas do filme

O filme de Desplechin, embora conte com momentos de pura eletricidade, é filmado com contrariedade e equívocos aqui e acolá. O “filme dentro do filme” surge dispersivo demais e não se justifica dentro do contexto narrativo espichado pelo cineasta.

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O trio de protagonistas, no entanto, é de um esmero notável e jamais abandona a essência da dramaturgia pretendida por Desplechin. Ainda que não alcance os dividendos possíveis, “Os Fantasmas de Ismael” tem uma cena formidável em sua singeleza. Quando Marion Cotillard dança ao som de Bob Dylan, o espectador rapidamente entende a razão de tamanha desorientação do protagonista.

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sábado, 5 de maio de 2018 Críticas, Filmes | 15:55

Por que “Um Lugar Silencioso” é o melhor filme de terror da atualidade?

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Filme de John Krasinski é um dos maiores hits de 2018. Hype em cima do filme mais original produzido por um estúdio no ano é muitíssimo justificado

Cena de "Um Lugar Silencioso"

Cena de “Um Lugar Silencioso”

O terror mais bem conceituado precisa ser alegórico, desenvolver uma atmosfera de constante tensão e agonia e não fazer concessões a título de barganha com o público ou com o mainstream. Nesse sentido, é um bálsamo assistir a um filme como “Um Lugar Silencioso”, que desde sua exibição no festival SXSW vem adquirindo irrefreável hype.

Com cerca de US$ 250 milhões arrecadados nas bilheterias globalmente e com uma sequência já confirmada, “Um Lugar Silencioso” é um triunfo do cinema que se pretende tanto entretenimento como manifestação artística. Eis uma combinação cada vez mais rara em Hollywood.

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O filme que teve um orçamento de US$ 17 milhões é um bem-vindo sucesso para a Paramount que não conseguia respirar no Box Office fora dos limites das franquias “Transformers” e “Missão Impossível”. Dirigido por John Krasinski, figura mais identificada à comédia, o filme valoriza a imagem – como nos primórdios do cinema – como elemento de organização narrativa, mas também exalta o desenho de som como ferramenta imagética. Trata-se de um desenvolvimento dos mais inteligentes do cinema enquanto técnica e artifício.

Este é o terceiro filme de Krasinski. Sem dúvida o mais ambicioso de sua filmografia. Não à toa, ele contracena com sua esposa, a atriz Emily Blunt. Eles também formam um casal no longa.

John Krasinski dirige sua mulher em Um Lugar Silencioso

John Krasinski dirige sua mulher em Um Lugar Silencioso

Trata-se de um futuro distópico e a realização não se preocupa em pavimentar todo um contexto para o cenário flagelado e angustiante que encontramos quando o filme começa. Há pistas aqui e ali que possibilitam que o espectador tenha uma dimensão da tragédia que se assentou sobre o planeta Terra.

Após uma invasão alienígena, a raça humana pereceu. Sensíveis a qualquer tipo de som, os poderosos aliens atacam a qualquer ruído mais forte. O silêncio é imperativo para a sobrevivência. É nesta árdua e conflitiva realidade que encontramos Lee (Krasinski) e Evelyn Abbott (Emily Blunt) e seus filhos.

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Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

“Um Lugar Silencioso” se resolve tanto como um filme de tensão absoluta e ininterrupta – afinal, qualquer vacilo pode ser fatal – como uma alegoria poderosíssima sobre a paternidade. Os anseios, inseguranças e frustrações inerentes à realidade de se ser pai e mãe, algo que se é com frequência em situações adversas.

Krasinski revela pulso firme para o desenvolvimento narrativo e habilidade na direção dos atores. O rigor estético de seu filme rima com a convicção dramática de sua resolução, impassível e resiliente.

Se Millicent Simmonds, atriz surda que já havia causado sensação em “Sem Fôlego”, sequestra cada cena em que aparece, “Um Lugar Silencioso” se reinventa como o grande filme que é a cada novo drama com o qual se deparam os personagens. De quebra, o longa brinda o público com a mais aflitiva, tensa e cinematográfica cena de parto da década.

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quarta-feira, 25 de abril de 2018 Críticas, Filmes | 15:22

Primeiras impressões de “Vingadores: Guerra Infinita”: É épico!

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Cena de Vingadores: Guerra Infinita

Cena de Vingadores: Guerra Infinita

Épico! Transcendental! Transformador! Esses são alguns dos adjetivos que vem à mente após se assistir “Vingadores: Guerra Infinita”. O 19º filme do Universo Cinematográfico da Marvel se propõe a redefinir tudo. Thanos (Josh Borlin) é uma presença devastadora e, ao fim do filme, o espectador terá plena e irrevogável consciência disso.

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“Guerra Infinita” é um filme que aposta na ação ininterrupta sim, mas também no estofo emocional de seus personagens que são submetidos frequentemente a escolhas de vida ou morte.

O longa começa pouco depois dos eventos vistos em “Thor: Ragnarok”. Thanos está à cata das joias do infinito que ainda não possui e se depara com a nave que transporta os sobreviventes de Asgard. Desnecessário dizer que a tragédia se assenta e antes mesmo dos créditos iniciais surgirem na tela, o terceiro “Vingadores” demonstra que o público está nessa por uma experiência única e que fora construída ao longo de dez anos.

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Humor

O humor típico dos filmes da Marvel está preservado, mas encontra-se bem mais equilibrado do que nas incursões anteriores. O senso de tragédia é iminente e perturbador. Ele pode ser vislumbrado na serenidade condoída de Tony Stark (Robert Downey Jr.) ou na sisudez plácida de Steve Rogers (Chris Evans), aqui sem o traje do Capitão América.

Thor em cena do novo Vingadores Fotos: divulgação

Thor em cena do novo Vingadores
Fotos: divulgação

Os Vingadores estão despedaçados e despreparados para a ascensão de Thanos e isso, “Guerra Infinita” deixa claro, será custoso para os heróis. O grande mérito do filme é ser o clímax de uma história construída há dez anos e superar, em catarse e espetáculo, tudo o que já veio antes. Não é um arranjo fácil de desenvolver, mas o engenho de Kevin Feige escudado por Joe e Anthony Russo que dirigiram “O Soldado Invernal”, “Guerra Civil”, “Guerra Infinita” e o quarto “Vingadores”- que estreia em 2019, prova que a Marvel está na vanguarda de um movimento que talvez não se replique no cinema.

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“Guerra Infinita” é um filme para o fã se contorcer na cadeira, torcer, sofrer e ansiar ainda mais pelos próximos capítulos. A Disney tem o controle da droga mais bem sucedida da atualidade.

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sexta-feira, 23 de março de 2018 Atores, Bastidores | 09:00

Sensação em 2018, Timothée Chalamet já está cotado para o Oscar 2019

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Foto: reprodução/ET

Foto: reprodução/ET

A temporada de premiações, que teve o americano Timothée Chalamet como um dos grandes destaques, mal acabou, mas o jovem ator de 22 anos já chama atenção para a corrida pelo Oscar 2019. A começar pelo fato de que seu próximo filme, “Beautiful Boy”, pode entrar na seleção do Festival de Cannes e deflagrar a conversa em torno do já hypado Chalamet.

O filme marca a estreia do belga Felix Van Groenigngen, do elogiado “Alabama Monroe”, no cinema americano e é adaptado do livro autobiográfico de David Sheff “Beautiful Boy: A Father´s Journey Through his Son´s Addiction”. Steve Carell vive o pai David e Timothée Chalamet vive Nic, o filho que sucumbe ao vício em metanfetamina. O filme acompanha justamente essa peleja familiar. O longa está cotado para integrar a próxima seleção de Cannes e tem estreia marcada para 12 de outubro, data estratégica para lançamento de filmes de olho no Oscar.

O filme é uma produção da Amazon Studios, que tem outro filme com Chalamet, na manga. Trata-se de “A Rainy Day in new York”, mas o estúdio resolveu cancelar seu lançamento em cinemas, pelo menos até segunda ordem, em virtude de toda a polêmica em torno do diretor do longa: Woody Allen.

De toda forma, a carreira da revelação de “Me Chame pelo Seu Nome” segue de vento em polpa. Timothée Chalamet foi recentemente confirmado como o protagonista de “The King”, filme da Netflix sobre o reinado de Henrique V.

Timothée Chalamet e Steve Carell em cena de "Beautiful Boy" Foto: IMDB

Timothée Chalamet e Steve Carell em cena de “Beautiful Boy”
Foto: IMDB

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sexta-feira, 16 de março de 2018 Filmes, Notícias | 12:04

Capitão América, Wakanda e senso de tragédia iminente no trailer final de “Vingadores: Guerra Infinita”

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Chris Evans como o Capitão América em cena de "Vingadores: Guerra Infinita" Fotos: divulgação

Chris Evans como o Capitão América em cena de “Vingadores: Guerra Infinita”
Fotos: divulgação

Sabe aquela sensação de que você esperou dez anos de sua vida para um momento em especial? É a sensação que se tem após assistir o trailer final de “Vingadores: Guerra Infinita”, divulgado pela Marvel StuVingadoresdios nesta sexta-feira (16). O filme estreia nos cinemas brasileiros em 26 de abril reunindo a maior constelação de heróis em um mesmo filme na história do cinema. Na prática, todo o universo Marvel de alguma maneira estará presente neste terceiro filme dos Vingadores.

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A nova prévia explica um pouco mais do que veremos no filme que terá pouco mais de duas horas e meia de duração. O vilão Thanos (Josh Brolin) ganha uma introdução à altura das expectativas que enseja por Gamora (Zoe Saldana). O trailer também mostra que há espaço para humor, e o Homem-Aranha deve ser um catalisador importante nesse sentido, assim como Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Peter Quill (Chris Pratt). O trailer entrega, ainda, que a exemplo do primeiro filme, a dinâmica de rivalidade entre os heróis pode ser um elemento a ser trabalhado pelos diretores Anthony e Joe Russo.

Com senso de espetáculo indesviável e efeitos especiais de encher os olhos, o trailer final de “Guerra Infinita” mostra porque a Marvel está na vanguarda da indústria no momento. Com Wakanda como um dos pontos de batalha mais valorizados no material promocional, o Capitão América surge como o coração dramático do filme, pelo menos nesse momento e há cenas que avalizam as teorias de que os heróis que já ostentam suas trilogias no Universo Cinematográfico Marvel podem ter sua despedida a caminho. É um momento muito especial para os fãs esse que “Vingadores: Guerra Infinita” enseja.

Confira o trailer do filme

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segunda-feira, 5 de março de 2018 Análises, Filmes | 19:09

Consagração de “A Forma da Água” no Oscar representa aceno ao diálogo em Hollywood

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“Sempre lembraremos deste ano como o ano em que os homens erraram tanto que as mulheres começaram a sair com peixes”, disse Jimmy Kimmel em dado momento de seu monólogo de abertura na 90ª edição do Oscar, realizada neste domingo (4). A fala diz muito sobre o tom do Oscar 2018 que consagrou “A Forma da Água” o melhor filme do ano. Foram quatro estatuetas. Além de produção do ano, o longa amealhou os prêmios de Direção, Trilha Sonora e Direção de Arte.

Guillermo del Toro recebe o Oscar pelo filme "A Forma da Água"

Guillermo del Toro recebe o Oscar pelo filme “A Forma da Água”

A vitória de “A Forma da Água”, ainda que o filme fosse apontado como favorito, foi um tanto surpreendente. Primeiramente pela resistência da Academia em premiar filmes de gênero. Eles raramente são inseridos na principal categoria, tendência que começa a ser revertida  – em 2018 ainda tivemos “Corra!” entre os concorrentes. Segundo porque o filme não parecia reunir o apoio do maior e mais decisivo colegiado da Academia que é o dos atores, já que ficou de fora do SAG de melhor elenco. Desde que o prêmio foi criado nos anos 90, apenas “Coração Valente” venceu o Oscar de Melhor Filme sem ter concorrido a Melhor Elenco no SAG.

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Por outro lado, “A Forma da Água” era o filme mais fácil de reunir algum consenso entre os indicados e no Oscar, um termômetro elevado dos humores dos votantes, isso importa e muito. Principalmente no clima que a 90ª edição dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas se deu. A ideia era sinalizar para um futuro menos opulento e com a Academia ombreando com setores da sociedade e da indústria na disposição de promover diversidade e inclusão. O filme de del Toro, por ser de um cineasta mexicano e imigrante, por ser sobre a história de amor entre uma mulher e uma criatura marinha, por reunir metáforas diversas sobre mazelas que o mundo ainda enfrenta, era a escolha mais adequada. E afetuosa.

O raciocínio da Academia enquanto grupo organizado e suscetível às mais diversas influências não pode ser menosprezado. Há erros, alguns crassos, mas há acertos que talvez não sejam percebidos como acertos de imediato. É notório que “A Forma da Água” não era o melhor filme entre os indicados. Mas sua escolha representa não só um avanço na abertura que a instituição dá ao cinema de gênero, como é uma resposta delicada e parcimoniosa às destemperanças do presente: o clima político belicoso, as denúncias de assédio, a impaciência das mulheres para com a insistente misoginia na indústria. A opção por um filme que prega tolerância talvez não mude nada disso, mas certamente representa um aceno ao diálogo.

Toda a cerimônia, menos politizada do que se esperava, foi um passo nesse sentido. O Oscar 2018 poderia ter sido mais ousado e feito escolhas tão dignas como as que fez, mas mais subversivas e eloquentes em matéria de cinema nos âmbitos da estética e narrativa. Optou, e não há de se contestar a legitimidade dessa escolha, por atender demandas do cinema em seu eixo industrial e não deixou de premiar filmes e artistas premiáveis por conta disso.

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sexta-feira, 2 de março de 2018 Críticas, Filmes | 17:32

Documentário sobre maior ladrão de obras raras do Brasil se afeiçoa a seu protagonista

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Documentários que se fiam no rigor jornalístico costumam ser mais inteiros porque se cercam de valores e instrumentos perenes que preconizam transparência e informação e este é o caso de “Cartas para um Ladrão de Livros”, dos cineastas e jornalistas Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini. Não se trata de refutar um ponto de vista, mas de abordá-lo com lisura, capacidade argumentativa e boa fundamentação.

Cena de "Cartas para um Ladrão de Livros"

Cena de “Cartas para um Ladrão de Livros”

No caso de “Cartas para um Ladrão de Livros”, os realizadores tiveram algumas angústias para administrar. Laéssio Rodrigues de Oliveira, taxado como o maior ladrão de obras raras do País, foi preso algumas vezes durante o processo de filmagem, o que fez com que os cineastas tivessem o estalo de fazer desse tumultuado bastidor um objeto do documentário. Acertadamente, eles colocam no radar dos conflitos da obra a questão da glamourização do protagonista, que pauta boa parte da narrativa e adensam uma pluralidade de perspectivas que tem Laéssio como um embuste.

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A promoção desse feliz casamento entre senso jornalístico e estrutura narrativa nem sempre resulta primorosa. A realização se embevece demais de seu protagonista, que talvez seja problematizado de menos. Não que o filme busque o contraditório apenas para ser pró-forma, mas há desequilíbrio na acentuação da questão. A preocupação em humanizar Laéssio soa exagerada talvez porque, na feitura do documentário, seja mais da realização do que do próprio Laéssio – que na sua inteligência simples e arejada – que a realização eventualmente aponta como ingenuidade – expressa contentamento nas suas conquistas. Por isso a câmera se satisfaz quando flagra momentos íntimos em que Laéssio é menos personagem e mais de verdade.  Exemplos são quando ele rememora um amante e chora e quando admite encher malas de garrafinhas de urina e deixar para que sejam roubadas em rodoviárias.

Há outros grandes momentos no filme como quando observamos a relação de Laéssio com a própria vaidade e a relação de terceiros com a vaidade do protagonista.

“Cartas para um Ladrão de Livros” não se veste de acusador ou defensor de Laéssio e parece cumprir todas as medidas preventivas que o bom cinema e o bom jornalismo orientam, mas talvez se afeiçoe mais do que o desejável por seu protagonista. Uma condição compreensível em virtude de um processo tão longo e umbilical, mas que fragiliza o saldo final.

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