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sexta-feira, 26 de maio de 2017 Críticas, Filmes | 18:09

Robert De Niro volta a brilhar na pele de magnata fraudulento em “O Mago das Mentiras”

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Robert De Niro tem sua melhor atuação em anos na pele do vigarista Bernard Madoff no filme original HBO

Robert De Niro em cena de O Mago das Mentiras

Robert De Niro em cena de O Mago das Mentiras

Em uma dada cena de “O Mago das Mentiras”, filme original HBO sobre o papa das finanças Bernie Madoff, que à luz da hecatombe econômica de 2008 teve revelado o seu esquema de pirâmide, o protagonista expressa seu descontentamento com uma comparação feita por um psicoanalista entre ele e o assassino serial Ted Bundy, que inspirou diversos filmes como “Psicose” e “O Silêncio dos Inocentes”. Trata-se de uma cena forte, bem urdida, e profundamente reverberante do que o filme estrelado por Robert De Niro e assinado por Barry Levinson pretende deflagrar.

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Na pele de Madoff, De Niro reencontra-se como ator depois de um período de letargia. É sua melhor atuação desde, pelo menos, “O Lado Bom da Vida” (2012). Ele aborda esse homem poderoso, truculento e extremamente egocêntrico com a couraça de um grande intérprete. Entre o minimalismo e o desarranjo dramático, De Niro é a válvula propulsora de “O Mago das Mentiras”.

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Levinson já havia dirigido para a HBO “You don´t Know Jack”, outro filme sobre uma polêmica personalidade. Com Al Pacino à frente do elenco, aquela fita investigava o médico entusiasta da eutanásia Jack Kevorkian. Lá como cá, o elenco de apoio é preciso, a montagem, enxuta e Levinson, tenaz. Cineasta e De Niro já trabalharam juntos algumas vezes. A mais gratificante de todas elas talvez seja a sátira política “Mera Coincidência” (1997). Coincidência ou não, ambos também produzem uma série para a HBO inspirada no filme.

Michelle Pheiffer também atua em O Mago das Mentiras

Michelle Pheiffer também atua em O Mago das Mentiras

Em “O Mago das Mentiras” pouco interessa a essa sagaz e colaborativa parceria desvendar os mecanismos do golpe de Madoff. Ciente de que o outrora filho pródigo de Wall Street é um dos grandes personagens do milênio, Levinson se dedica a acompanhar a ruína desse império de mentiras e fraudes. O impacto no seio familiar, o frenesi midiático e a impassibilidade de Madoff – legitimada naquela comparação que tanto incomoda.

Baseado no livro da jornalista Diana Henriques, o filme não se arrisca a tentar penetrar Madoff, uma tarefa a qual a própria jornalista não logrou êxito, mas o cerca de maneira proeminente e imaginativa. Michelle Pfeiffer faz a esposa que parece não ter alternativa a não ser se manter leal a Madoff e é exímia nos momentos que tem para brilhar.

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Alessandro Nivola e Nathan Darrow, que raramente têm chances de ostentar bons papéis na tela grande, dimensionam muito bem os dramas e conflitos dos filhos do magnata fraudulento.

“O Mago das Mentiras” é um entretenimento robusto, daqueles que Levinson especializou-se em fazer nos anos 80 e 90 e que hoje parece circunscrito à TV.

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quinta-feira, 25 de maio de 2017 Críticas, Filmes | 13:44

Sátira das tensões raciais, “Corra!” une comédia ao terror com excelência

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Filme não reinventa a roda, mas consegue preencher clichês de um significado incomum em produções do gênero. Com “Corra!”, Jordan Peele se fia como um artista a se observar no cinema

Cena de "Corra!", filme já em cartaz no Brasil

Cena de “Corra!”, filme já em cartaz no Brasil

A primeira cena de “Corra!”, em que vemos um jovem negro acuado ser sequestrado demonstra que o filme de estreia do ator e roteirista Jordan Peele vai abordar frontalmente as tensões raciais. É justamente a maneira surpreendente e sedutora com que o faz que torna esse hit do cinema independente, que chegou com pompa às salas brasileiras, algo tão atraente e inteligente.

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Chris, a revelação Daniel Kaluuya, está se preparando para passar o fim de semana na casa dos pais da namorada, a doce, compreensiva e aparentemente defensora das minorias Rose (Allison Williams, de “Girls”). Ansioso e apreensivo, ele joga a pergunta: “Seus pais sabem que eu sou negro?”. Ela acha fofo, faz graça e tenta tirar o peso dos ombros do boy. “Corra!”, que se define como uma comédia de horror, gênero incomum, mas que quando dá o ar de sua graça costuma arrebatar, é melhor quando trata o racismo pelo viés da sátira e acredite: a sátira aqui é potente!

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Chegando à casa dos pais de Rose, Cris estranha de antemão a postura dos empregados negros da casa. Mas o pai de Rose (melhor papel de Bradley Whitford em anos), um neurocirurgião cujo pai perdeu a classificatória olímpica para Jesse Owens – aquele que humilhou Hitler em Berlim – se apressa em dizer que votaria em Obama para um terceiro mandato. O segundo ato do filme é todo ele dedicado a desmascarar nossos impulsos racistas velados e é um deleite a maneira como Peele os esquematiza.

A mãe de Rose, vivida pela sempre competente Catherine Keener, é uma psiquiatra que se orgulha da capacidade de hipnotizar as pessoas. Aos poucos, Peele vai nos ensejando que aquele clima de estranheza na verdade é um clima de muita hostilidade disfarçada e, sensitivo, Chris começa a reagir a isso.

Uma reunião informal: "Corra!" trata das tensões raciais que fingimos não existir

Uma reunião informal: “Corra!” trata das tensões raciais que fingimos não existir

Não é exatamente surpreendente a curva que o filme toma em seu terceiro ato, uma referência óbvia aos mais experimentados no gênero é “O Albergue” (2005), o terror gore de Eli Roth, mas o viés satírico da trama e a talentosa arquitetura narrativa de Peele fazem de “Corra!” um bicho de outra natureza.

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Produzido pela mesma Blumhouse que reabilitou a carreira de M.Night Shyamalan e entregou alguns dos filmes mais interessantes do gênero, “Corra!” ganha pontos por incorporar um discurso necessário, sem soar militante. É cinema de entretenimento, mas com vigor e reverberação.  A maneira como trata da fetichização do corpo negro é um assombro.  É um filme tão bem resolvido com seu tema, que extrai os momentos de maior terror e opressão de cenas aparentemente banais.

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terça-feira, 23 de maio de 2017 Atores | 15:21

Primeiro Bond a morrer, Roger Moore levou humor à franquia

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Ele foi o James Bond dos títulos inspirados. De “Somente para Seus Olhos” a “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro”, passando por “007 Viva e Deixe Morrer”, Roger Moore consolidou a série no cinema

Roger Moore, eternamente Bond (Divulgação)

Roger Moore, eternamente Bond
(Divulgação)

Primeiro James Bond a morrer. Roger Moore, que aferiu leveza e bom humor ao agente secreto com licença para matar e fez com que James Bond finalmente superasse Sean Connery e pudesse, de fato, virar um diamante eterno da sétima arte, morreu nesta terça-feira (23) em decorrência de um câncer.

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Roger Moore foi James Bond entre 1973 e 1985. É, ainda, o recordista a viver o personagem na série oficial. O britânico estrelou a fase mais cômica do personagem e foi com ele que 007 veio ao Rio de Janeiro em “007 Contra o Foguete da Morte”.

Bond favorito de muitos fãs e com título de Sir, Moore não era uma grande ator. Mas tinha um senso de humor afinadíssimo. Soube fazer graça dos boatos de que era gay em “Cruzeiro das Loucas” (2002) e foi um dos primeiros a defender a flexibilização do estigma de Bond como homem branco e mulherengo.

Ainda que não estivesse aposentado como Sean Connery, Moore praticamente não aparecera no cinema nos últimos dez anos. Estava relegado a produções televisivas na Inglaterra. Sua última participação em uma produção de Hollywood foi em “Como Cães e Gatos 2: A Vingança de Kitty Galore”. Apesar do aparente ostracismo, Roger Moore, continuava sendo um formador de opinião acessado pela imprensa inglesa para pautas de comportamento e cultura.

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terça-feira, 16 de maio de 2017 Críticas, Filmes | 15:43

“Taego Ãwa” permite que índios narrem a própria tragédia

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Novo lançamento da Sessão Vitrine Petrobras, “Teago Ãwa”, não é um filme de entretenimento, mas uma tese apaixonada sobre um Brasil que se perdeu

Cena do filme "Taego Ãwa"

Cena do filme “Taego Ãwa”

É fato que “Taego Ãwa” será um filme pouco visto, mas é importante como brasileiro que falemos dele. Não só por ser o primeiro filme goiano a ser distribuído comercialmente no País em 20 anos, mas por dispensar um necessário olhar à causa indígena. Causa esta que reveste e preenche discursos políticos, geralmente inseridos no espectro mais à esquerdada sociedade, mas que muito raramente avança ao discurso. O filme faz parte do projeto Sessão Vitrine Petrobras e já está em cartaz nos cinemas a preços promocionais.

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Os irmãos cineastas Henrique e Marcela Borela investiram mais de 12 anos na feitura de “Taego Ãwa”. Foi através de cinco fitas VHS com registros dos índios Ãwa, mais conhecidos como Avá-Canoeiros do Araguaia, achadas numa faculdade, que Marcela e Henrique deram início ao projeto. A partir daí, encontraram outros materiais e foram em busca daquele povo, investigando a fundo a origem e a trajetória dos Ãwa até aqui, inclusive o passado de enfrentamento com os brancos, o histórico de reclusão, a luta por demarcação de território e pela restituição das terras.

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No longa-metragem, o grupo Avá-Canoeiro do Araguaia narra sua trajetória de desterro, cativeiro e luta pela reconquista de sua terra tradicional, também chamada Taego Ãwa – que leva o nome da primeira mulher de Tutawa, Taego, que é mãe de Kaukama – ela que por sua vez é mãe, avó e bisavó de todos os Avá-Canoeiro do Araguaia que nasceram após o contato de 1973. No contato, realizado pela FUNAI, os Ãwa foram retirados à força da Mata Azul e de pois foram enjaulados e expostos para visitação pública. Boa parte do grupo morreu de doenças alheias. Os remanescentes acabaram entregues aos Javaé – ocupantes de uma terra vizinha ao território Avá-Canoeiro. Tutawa, capturado ainda jovem pela frente da Fundação Nacional do Índio (Funai), morreu em 2015 sem ao menos ter o direito de ser enterrado no último refúgio de seu  povo antes do trágico contato: o Capão de Areia.

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Trata-se de um filme essencialmente contemplativo. Há poucos diálogos e muita observação. Aos poucos os índios, todos civilizados, vão ficando mais à vontade com a câmera. Há uma cena, em que se deixam filmar fazendo uma pintura corporal, que mostra o choque geracional. Tutawa diz: “eu não tenho vergonha de mostrar meu pênis como vocês”. É um momento simples, fortuito até, mas que revela toda a tragédia não só dos Ãwa, mas dos índios no Brasil.

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quarta-feira, 26 de abril de 2017 Análises, Diretores | 12:47

Cineasta clássico, Jonathan Demme explorou o cinema ao máximo e manteve-se humilde

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Diretor de obras consagradas como “O Silêncio dos Inocentes”, “Filadélfia” e “Sob o Domínio do Mal”, também dirigiu coisas para a TV como as preciosidades “The Killing” e “Enlightened”

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de "Ricki and The Flash"

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de “Ricki and The Flash”

Em um ano que já levou Emmanuelle Riva, John Hurt, Bill Paxton, entre outros grandes nomes da sétima arte, a notícia da partida do cineasta Jonathan Demme é especialmente dolorida. O diretor morreu na manhã desta quarta-feira (26) em Nova York  decorrência da luta contra um câncer de esôfago.

Ele tinha 73 anos e seu último filme foi “Justin Timberlake + The Tennessee Kids”, um documentário para a Netflix. Jonathan Demme era do tipo que alternava-se entre longas de ficção e documentários. O gosto por contar histórias era tão altivo que dirigiu episódios de séries de TV antes mesmo delas sequestrarem os talentos de Hollywood.

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Foi um dos grandes, mesmo que não se comportasse como tal e não se importasse em envernizar um legado que, agora, cresce de tamanho. Junto de Milos Forman e Frank Capra ostenta a honorável marca de cineasta a ter dirigido um filme a conquistar o prestigiado big five no Oscar, os prêmios de filme, direção, roteiro, ator e atriz. “O Silêncio dos Inocentes” (1991), o último a conquistar tal façanha, compreensivelmente, será seu filme mais lembrado. Mas sua filmografia é muito mais diversa e reverenciável do que este excelente e definidor filme propõe.

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015 (Fotos: divulgação/shutterstock

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015
(Fotos: divulgação/shutterstock)

O primeiro Oscar de Tom Hanks, hoje um patrimônio tanto do cinema como do establishment americano, veio com o suporte de Demme que produziu e dirigiu “Filadéfia” (1993), um robusto drama sobre o impacto da AIDS em um momento que a América ainda tratava o assunto com reticências.

Demme transitava com desenvoltura por diversos gêneros. A comédia sofisticada (“De Caso com a Máfia”), a comédia de ação (“Totalmente Selvagem”), o thriller político (“Sob o Domínio do Mal”), o drama familiar indie (“O Casamento de Rachel”) e suspense (“O Abraço da Morte”). Seu último longa de ficção foi o tenro e musical “Rickiand The Flash: De Volta para a Casa” (2015), estrelado por Meryl Streep, em que pôde conjugar suas duas grandes paixões: a música e o cinema.

Jonathan Demme foi um cineasta clássico, com acurado domínio da gramática do cinema. Soube remover-se de sua zona de conforto e explorou o cinema o máximo que pôde. Construiu uma filmografia plural, rica, intensa e que a história se incumbirá de tornar  grande.

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terça-feira, 25 de abril de 2017 Críticas, Filmes | 12:59

Sensível e bem-humorado, “O Novato” aborda bullying escolar com propriedade

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Filme francês já está em cartaz nos cinemas brasileiros e acerta em cheio com sua trama sobre amizade e os dissabores do convívio escolar

A turminha de losers de O Novato: filme cativante

A turminha de losers de O Novato: filme cativante

Em meio a todo o debate sobre bullying provocado pela série “13 Reasons Why”, um belo filme francês estreia nos cinemas brasileiros e passa praticamente despercebido – embora agregue muito valor ao debate ensejado pela série da Netflix. Trata-se de “O Novato”, que foi exibido no festival Varilux de 2016 e que estreia agora em circuito comercial distribuído pela Bonfilm.

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Em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Niterói, “O Novato” acompanha Benoît (Réphaël Ghrenassia), jovem recém-chegado em Paris, que se esforça para se enturmar no colégio. O longa de Rudi Rosenberg ilumina uma problemática contumaz no tecido social que é o bullying, mas não o faz de maneira protocolar. Há muita sutileza e sensibilidade na maneira com que Rosenberg aborda não só os conflitos de Benoît, mas também daqueles que gravitam seu universo.

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Ainda que apressado, o rótulo de “Glee francês” não é inacurado. O filme trabalha, e bem, o conceito de ser um loser e de se sentir um em um ambiente predominantemente hostil.

Cena de O Novato: desilusão amorosa

Cena de O Novato: desilusão amorosa

Benoît faz amizade com a sueca também recém-chegada Johanna (Johanna Lindstedt), mas logo a menina se atrai pela turma bagunceira de Charles (Eythan Chiche) e deixa o novato em segundo plano. Na intenção de ajudar o sobrinho a fazer novas amizades, o tio de Benoît tem a ideia de fazer uma festa para a classe inteira. O que o menino não esperava era que a partir daí encontraria o seu verdadeiro grupo.

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A leveza com que trata temas duros e olhar otimista e esperançoso que dispensa para uma das fases mais conturbadas da vida dá a “O Novato” não só relevância, mas eficácia dramática. Filme e personagens vão de encontro a mais hypada “13 Reasons Why” e se firmam como um valioso contraponto para um debate inesperado, mas necessário.

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terça-feira, 18 de abril de 2017 Filmes | 19:26

“Velozes e Furiosos 8” dá protagonismo absoluto da série a Vin Diesel

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Franquia dá partida em nova trilogia que deve ter Vin Diesel como protagonista absoluto e aposta maior no humor. Filme já estraçalhou recordes em seu primeiro fim de semana em cartaz

Vin Diesel e Charlize Theron em cena de "Velozes e Furiosos 8": filme bateu recorde de "O Despertar da Força" e é a maior bilheteria de abertura da história

Vin Diesel e Charlize Theron em cena de “Velozes e Furiosos 8”: filme bateu recorde de “O Despertar da Força” e é a maior bilheteria de abertura da história

É louvável o esforço criativo que produtores e roteiristas de “Velozes e Furiosos 8” fizeram para que o filme funcione dramaticamente e dentro da franquia. Não é fácil dar torque a uma série tão longeva e que já passou por tantas reinvenções. Chris Morgan, responsável pelo roteiro desde quando Vin Diesel voltou à franquia, em “Velozes e Furiosos 4”, revirou o passado de Dominic Toretto (Diesel) para armar o conflito central do novo filme.

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Em “Velozes e Furiosos 8” Dom se volta contra sua “família” e a razão de fazê-lo, chantageado pela ciberterrorista Chyper (Charlize Theron), é um desses arranjos que Morgan propõe. Há outros e todos eles funcionam com a condescendência do espectador, que já a utiliza para tolerar os exageros e excessos envolvendo as cenas de ação, cada vez mais espetaculares e amalucadas.

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É dramaticamente eficiente ver Toretto, um personagem que foi apresentado ao público como vilão, instigado a voltar à criminalidade. Por outro lado, trata-se de um subterfúgio narrativo, já que o público sabe logo que ele está sendo chantageado e o elemento que qualifica a chantagem. De todo modo, a premissa serve a outro propósito, a de viabilizar Diesel como protagonista absoluto da franquia. Com a morte de Paul Walker, seu personagem é referenciado algumas vezes no novo filme, esse era um dos caminhos a se seguir – uma vez que já temos dez filmes da franquia confirmados. Outra possibilidade era abrir o show para os coadjuvantes. Morgan é esperto e trabalha bem com essa possibilidade. Além do Luke Hobbs de Dwayne “The Rock” Johnson, os personagens de Jason Statham e Kurt Russell ganham em importância e apelo no oitavo filme.

A trupe de coadjuvantes reunida: elenco maior e melhor

A trupe de coadjuvantes reunida: elenco maior e melhor

A flexibilidade entre mocinhos e vilões sempre foi um dos elementos vitais da série e a atual fase da franquia capitaliza isso muito bem. A personagem de Charlize Theron, por exemplo, que apesar de surgir só agora já dava as cartas pelo menos desde o sexto filme – pelas atualizações propostas por Morgan – tem potencial para ser a vilã principal dessa nova trilogia.

Theron, aliás, é um dos acertos do filme. Se Statham capricha no timing cômico e Helen Mirren é um mimo e tanto, a atriz dá a sua vilã toda pujança e canastrice esperadas de um vilão de “Velozes e Furiosos”. É possivelmente a melhor vilã da franquia.

Kurt Russell, como o Sr. Ninguém, um papa da CIA que trabalha com a equipe de Dom, se diverte em cena e pode muito ser percebido como uma metáfora do público nesse verdadeiro parque de diversões que é a franquia.

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O diretor F. Gary Gray, que já havia dirigido Theron e Statham em “Uma Saída de Mestre” – que também envolvia fugas em carros – , não oferta grandes cenas de ação, mas investe (bem) no humor. Além do mais, sob sua direção, as cenas com carros voltam a ocupar um bom espaço no filme.

“Velozes e Furiosos 8” se resolve como um dos filmes mais divertidos da franquia. Não é nem de longe o melhor, mas ganha pontos por reinventar – mais uma vez – uma série acidental e ostensivamente lucrativa. É um filme para consumir a pipoca com gosto!

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domingo, 16 de abril de 2017 Filmes, Notícias | 11:51

Mostra de documentários estreia nesta semana em São Paulo

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Além do É Tudo Verdade, consagrado festival de documentários que estreia nesta semana, a cidade recebe o Hisórias que Ficam, resultado de um programa de fomento ao documentário nacional

O ator Gianfrancesco Guarnieri é tema do documentário dirigido por seu neto

O ator Gianfrancesco Guarnieri é tema do documentário dirigido por seu neto

Estreia nesta terça-feira (18) a Mostra Itinerante Histórias que Ficam. Promovida pela Fundação CSN, a iniciativa é resultado da segunda edição do edital Histórias que Ficam, programa de consultoria, fomento e difusão do documentário brasileiro que, nesta edição, investiu R$ 1,3 milhão na produção de quatro filmes de até 70 minutos, com temática livre.

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O lançamento será na Unibes Cultural, a partir das 18h. Haverá exibição, às 19h, do documentário “Corpo Delito”, dirigido por Pedro Rocha.

A sessão do filme sobre um jovem que sai da cadeia, mas continua preso a uma tornozeleira eletrônica, é seguida de debate sobre o tema, com o diretor Pedro Rocha, o ex Ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto e atual Diretor de Relações Institucionais da CSN, e Marina Dias, que integra o Conselho da Ouvidoria da Defensoria Pública de São Paulo, do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) e é idealizadora do documentário “Sem Pena” – que também se debruça sobre o sistema de justiça e a situação carcerária do Brasil. O evento é aberto ao público, mediante retirada de senhas uma hora antes da exibição.

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“Guarnieri”, filme sobre Gianfrancesco Guarnieri dirigido por seu neto, Francisco Guarnieri, estreia na mostra em São Paulo no dia 3/05 às 19h30, no CCSP (Centro Cultural São Paulo), seguido de debate. A obra propõe uma reflexão sobre o papel do indivíduo na sociedade, na arte e na família, a partir da memória do ator e dramaturgo.

O programa Histórias que Ficam recebeu 273 inscrições, vindas do Brasil todo. Os demais documentários selecionados são “Iramaya”, de Carolina Benjamin e “No vazio do ar”, de Priscilla Regis Brasil. Os filmes serão exibidos até 20.05 em mais de 20 cidades do País, principalmente as que não possuem um circuito expressivo de exibição.

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O concurso, de caráter nacional, selecionou 12 projetos de documentários com temática livre, criativos do ponto de vista artístico e inovadores no uso da linguagem audiovisual. Destes, quatro foram contemplados. Ao longo do processo de realização dos filmes, os documentaristas vencedores participaram de três laboratórios: Roteiro e produção; Montagem, e Distribuição, com nomes como o roteirista, consultor e educador Miguel Machalski envolvido em roteiros como de “Billy Elliot” e de brasileiros como “O Lobo atrás da porta”, a montadora Karen Harley, de “Que Horas Ela Volta”, “Big Jato”, “Janela da Alma” e “Cinema, Aspirinas e Urubus” e o produtor e diretor Flávio Botelho.

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sábado, 15 de abril de 2017 Bastidores, Filmes | 10:00

Vera Fischer interpretará delegada em filme sobre tortura policial

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Foto: Andrea Farias (Wikimedia Commons/Flickr)

Foto: Andrea Farias (Wikimedia Commons/Flickr)

Na madrugada de 10 de agosto de 1996, homens armados assaltaram e mataram frequentadores de uma choperia em Moema, Zona Sul de São Paulo.

Pressionada por uma forte reação da sociedade, que protestou contra a falta de segurança e criou um movimento chamado “Reage São Paulo”, a polícia civil respondeu rápido e prendeu negros e pobres da periferia e os anunciou como autores dos crimes.
A Justiça decretou a prisão preventiva desses jovens, com ampla divulgação da mídia. Todos eles eram inocentes.
Esse é o pano de fundo de “Bodega”, título provisório do longa metragem que será dirigido por Tristan Aronovich
( “Black&White”, “Alguém Qualquer”) e José Paulo Lanyi (produtor executivo de “Real- O plano por trás da história”), que também é produtor associado e assina o roteiro do novo filme, livremente baseado na história verdadeira.
No elenco, chama a atenção a presença de Vera Fischer (“Navalha na Carne”, “Quilombo”), afastada da TV e do cinema, que interpretará uma delegada de polícia, e, também, de Milhem Cortaz (“Tropa de Elite”, “Carandiru”), André Ramiro (“Tropa de Elite”, “Última parada 174”) e do ex-músico dos Titãs e ator Paulo Miklos (“O Invasor”, “É proibido fumar”).
“Bodega” está em fase de captação de recursos e será rodado em São Paulo ainda em 2017.
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quinta-feira, 13 de abril de 2017 Análises, Bastidores, Filmes | 13:50

Cannes 2017 terá briga entre Netflix e Amazon, autores consagrados e Nicole Kidman como rainha

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Mais badalado festival de cinema do mundo chega à 70ª edição com fôlego invejável e escolhas empolgantes. Nicole Kidman estrela quatro produções em destaque no evento

Nicole Kidman tem recorde de filmes em destaque em Cannes em 2017 (foto: HHFP/divulgação)

Nicole Kidman tem recorde de filmes em destaque em Cannes em 2017
(foto: HHFP/divulgação)

O line-up da histórica e aguardada 70ª edição do Festival de Cannes foi anunciado nesta quinta-feira (13) e muitos dos filmes e autores comentados garantiram seu lugar de destaque na croisette. A edição de 2017 do mais badalado festival de cinema do mundo terá novos filmes de gente como o austríaco Michael Heneke – duas vezes vencedor do Palma de Ouro com “A Fita Branca” (2009) e “Amor” (2012) – , a inglesa Lynne Ramsey, a americana Sofia Coppola, a japonesa Naomi Kawase, os franceses François Ozon e Michel Hazanavicius e o turco Faith Akin.

Além dos 18 filmes já anunciados, a competição oficial de Cannes deve ter pelo menos mais dois filmes a serem anunciados nos próximos dias. Dois fatos saltam aos olhos em um primeiro momento. Pela primeira vez, Netflix e Amazon, duas gigantes da distribuição e produção de conteúdo audiovisual , estão na disputa pela Palma de Ouro. A primeira vem com dois filmes. O hypado “Okja”, novo de Bong Joon-Ho, e The Meyerowitz Stories, que marca a estreia do festejado indie Noah Baumbach na Riviera francesa. A segunda vem bancando o novo filme do aclamado Todd Haynes, “Wonderstruck”. A inclusão desses filmes na disputa pela Palma de Ouro ajuda a pavimentar essa mudança de paradigma que as gigantes da internet estão promovendo no negócio, e também na arte, chamada cinema.

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Cena de The Killing os a Sacred Deer, que marca o retorno do grego Yorgos Lanthimos, de "O Lagosta", a Cannes

Cena de The Killing os a Sacred Deer, que marca o retorno do grego Yorgos Lanthimos, de “O Lagosta”, a Cannes

O outro fato de grande relevância é que Nicole Kidman está em quatro produções de destaque em Cannes. Além de estrelar “The Beguiled”, de Sofia Coppola, e “The Killing of a Sacred Deer”, de Yorgos Lanthinos, ela poderá ser vista em “How To Talk to Girls at Parties”, de John Cameron Mitchell, for a de competição, e na 2ª temporada da série “Top of the Lake”, de Jane Campion. Aliás, Cannes se abre de vez para a TV em 2017. Além de Jane Campion, vencedora da Palma em 1994 com “O Piano”, David Lynch, vencedor em 1990 com “Coração Selvagem”, volta ao festival para exibir os primeiros capítulos de seu revival de “Twin Peaks”.

Hollywood ainda não confirmou presença no festival. Não há, ao contrário dos últimos anos, grandes blockbusters debutando no evento francês. O filme de abertura, inclusive, será o francês “Ismael´s Ghosts”, de Arnaud Desplechin, que conta com Marion Cotillard e Charlotte Gainsbourg. A presença americana se limita ao viés mais autoral, com Coppola e Haynes como expoentes, e é a menor em pelo menos dez anos.

O prolífero François Ozon garantiu presença. Ele é o cineasta francês mais frequente em festivais de cinema. Hazanavicius oferece seu olhar do mito francês Jean-Luc Godard em “Le Redoutable”. E Cannes terá Robert Pattinson e Kristen Stewart. Sim, de novo. Ele está no elenco de “Good Time”, na competição oficial, e ela exibe sua estreia como diretora, o curta-metragem “Come Swin”.

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Nicole Kidman, Elle Fanning e Isabelle Huppert, que está em dois filmes, prometem ser as musas de Cannes, que receberá os estranhos no ninho Bem Stiller e Adam Sandler, protagonistas do filme de Baumbach.

Elle Fanning em "The Beguiled", novo de Sofia Coppola

Elle Fanning em “The Beguiled”, novo de Sofia Coppola

Confira os filmes que integram a competição oficial

“Loveless”, de Andrey Zvyagintsev

 “Good Time”, de Benny Safdie e Josh Safdie

“You were never really Here”, de Lynne Ramsay

“L’Amant double”, de François Ozon

“Jupiter’s Moon”, de Kornél Mandruczo

“A gentle creature”, de Sergei Loznitsa

“The Killing of a sacred deer”, de Yorgos Lanthimos

“Radiance”, de Naomi Kawase

“Le jour d’après”, de Hong Sangsoo

“Le Redoutable”, de Michel Hazanavicius

“Wonderstruck”, de Todd Haynes

“Happy end”, de Michael Haneke

“Rodin”, de Jacques Doillon

“The Beguiled”, de Sofia Coppola

“120 battements par minute”, de Robin Campillo

“Okja”, de Bong Joon-Ho

“In the Fade”, de Fatih Akin

“The Meyerowitz stories”, de Noah Baumbach

 

O festival de Cannes acontece entre 17 e 28 de maio de 2017.

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