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quinta-feira, 29 de maio de 2014 Filmes | 23:07

Revisitando os clássicos: “Os bons companheiros”

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Martin Scorsese orienta Robert De Niro e seu elenco nos sets de "Os bons companheiros"  (Fotos: divulgação)

Martin Scorsese orienta Robert De Niro e seu elenco nos sets de “Os bons companheiros”
(Fotos: divulgação)

É interessante rever essa atemporal obra-prima de Martin Scorsese depois de assistir sua mais recente, “O lobo de Wall Street”. Interessante porque os filmes se comunicam estética, narrativa, estrutural e tematicamente. É perceptível para qualquer um com alguma familiaridade com a filmografia do septuagenário cineasta que seu mais recente sucesso, indicado a cinco Oscars, remete a “Os bons companheiros” tanto no desenvolvimento dos personagens, em ambos os casos boêmios com síndrome de Peter Pan, como na crítica a um universo em particular. Se em “Os bons companheiros” Scorsese discorre com propriedade ímpar sobre o mundo do gangsterismo, em “O lobo de Wall Street”, sua lupa está voltada para o mundo de excessos de Wall Street.

Essa sobreposição favorece o cinema de Scorsese que parece ainda mais azeitado com o passar do tempo.

É seguro dizer, independentemente de se ter visto “O lobo de Wall Street” ou não, que “Os bons companheiros” é o filme de gangster mais importante do cinema moderno. Não só estabeleceu os parâmetros que seriam utilizados em filmes como “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes” (1998) e séries como “Família Soprano” (1999-2007), como desconstruiu o fascínio que o cinema entre as décadas de 30 e 70 ajudou a erguer em torno do universo gangster com belos filmes noir, como os estrelados por Humphrey Bogart. O universo eminentemente masculino é dominado por Scorsese com todo o rigor que se espera de um cineasta crítico e prolixo em sua arte.

No filme, baseado no livro “Wiseguy” de Nicholas Pileggi, Henry Hill (Ray Liotta) narra toda a sua trajetória pela vida de gângster. Vida esta que sempre cortejou. “Ser gângster era melhor do que ser presidente da República”, contextualiza logo em suas primeiras digressões para a audiência. O tom confessional se justifica próximo ao fim da fita, em mais uma agradável similaridade a “O lobo de Wall Street” e faz todo o sentido, já que é a perspectiva de Henry daquele universo tão particular que interessa à realização.

Henry é um anfitrião valoroso para o olhar da audiência. Cativante e charmoso e aparentemente menos errático do que seus amigos Jimmy (papel de Robert De Niro, em sua então quinta colaboração com Scorsese) e Tommy (Joe Pesci em performance premiada com o Oscar).

Henry é um narrador charmoso que, assim como a plateia, se espanta com o universo que adentra

Henry (Ray Liotta, no centro) é o narrador que, assim como a plateia, se espanta com o universo que adentra

O mais interessante é que a violência em sua singularidade atroz surge banalizada na concepção cotidiana de homens que se julgam os donos do mundo. Esse choque de realidade, embora vitime o protagonista em dado momento, não irá demover sua visão encantada do universo que habita, apenas lhe provocar uma nostalgia agridoce quando do momento de apartar-se dele.

É essa crueza na análise, ainda que flerte com o cinismo cá e lá, que faz desse exemplar distinto na cinematografia de Scorsese um filme tão lapidado, tão eloquente.

Visualmente, “Os bons companheiros” também é riquíssimo. Há cenas pensadas para o impacto. Seja um assassinato relativamente inesperado ou a maneira como uma manhã em particular na vida de Henry é desvelada.

A violência faz parte dessa lógica visual em rompantes brutais que tornam toda a narrativa muito mais grave.  Joe Pesci, nesse sentido, é peça chave. Seu Tommy é dinamite pura e imprevisível e Pesci grifa essa característica de seu personagem sempre que tem a oportunidade.

“Os bons companheiros” era o Scorsese mais em carne viva, mais sagaz e mais cinematográfico que se tinha até o surgimento de “O lobo de Wall Street”. Pode-se dizer até que era o seu último grande filme, no sentido de ser superlativo mesmo. As semelhanças entre ambas as produções, que não são poucas, não restringe a experiência cinematográfica, mas a expande. Rever “Os bons companheiros” é, neste contexto, redescobri-lo por completo.

Ray Liotta, Robert De Niro, Paul Sorvino, Martin Scorsese e Joe Pesci: os bons companheiros

Ray Liotta, Robert De Niro, Paul Sorvino, Martin Scorsese e Joe Pesci: os bons companheiros

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Curiosidades | 19:02

Pôster de “Sin City: a dame to kill for” é censurado nos EUA

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A Motion Picture Association of America (MPAA), entidade formada pelos principais estúdios dos EUA e que regulamenta a distribuição de filmes no País, vetou a circulação de um cartaz do filme “Sin City: a dame to kill for” por exibir a atriz francesa Eva Green de maneira muito sensual. Não é a primeira vez, e provavelmente não será a última, que o MPAA faz censura. O pôster, no entanto, já ganhou a internet e você pode conferi-lo abaixo.

“Sin City: a dame to kill for” chega aos cinemas brasileiros em 11 de setembro.

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segunda-feira, 26 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 23:25

“Godzilla” explora signos de potência e vulnerabilidade

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Não é apenas a disposição de se apropriar de eventos trágicos reais, como a bomba atômica sobre Hiroshima, ou o mais recente tsunami, para legitimar seu desenvolvimento narrativo que distingue a mais recente versão de “Godzilla” tanto de seus antecessores, como da média do blockbusters da temporada. O que difere fundamentalmente a fita de Gareth Edwards, inspirado e seguro à frente de sua primeira produção de grande orçamento, é sua habilidade de problematizar a vulnerabilidade humana no mesmo compasso em que destaca a potência e força maiores que a vida de Godzilla, finalmente retratado como a indomável força da natureza, ainda que em sua concepção fantástica, que é.

O prólogo de “Godzilla” é bem climático. Por um lado, mostra um pesquisador (Ken Watanabe) no encalço da mística criatura. Por outro, mostra o engenheiro Joe Brody (Bryan Cranston) perdendo a esposa (Juliette Binoche) em uma usina nuclear em Tóquio em uma catástrofe sísmica que por 15 anos ele questionaria.

No presente, somos apresentados a Ford Brody (Aaron Taylor-Johnson), o filho crescido de Joe e verdadeiro protagonista do filme. Ele se ressente do pai ausente, dedicado a provar uma teoria conspiratória que ocultaria as reais razões do terremoto que matou sua esposa. A partir desse mote, “Godzilla” vai construindo uma trama que independe dos anseios de vermos o rei dos monstros em ação. Há um drama familiar genuíno, mais bem estruturado do que de hábito em produções desse tamanho, e que oxigena a trama além do óbvio.

Godzilla: uma força devastadora e sempre impressionante (Foto: divulgação)

Godzilla: uma força devastadora e sempre impressionante (Foto: divulgação)

Há quem se queixe da demora de Godzilla em aparecer. Essa demora, se é que podemos qualificar o tempo que Edwards leva para mostrar sua principal atração de “demora”, é muito bem administrada narrativamente. “Godzilla” é um filme de clima, em que a ansiedade da plateia é muito bem alimentada pelo cineasta. Spielberg é uma referência muito forte neste sentido. Tanto “Tubarão” (1975) como “E.T” (1982) surgem como inspirações nada ocultas de Edwards. Passa por aí opção de frisar “Godzilla” como um herói incompreendido e também por observar o monstro a partir dos personagens em cena, excluindo-se o delirante e acachapante clímax da fita.

Essa atenção às miudezas, aliada a expressão inequívoca do gigantismo do Godzilla e das ameaças que ele enfrenta no planeta, confere à produção esse teor reflexivo que é vocalizado pelo personagem de Ken Watanabe de quando em quando.

Ken Watanabe dá relevância dramática a seu personagem, embora ele esteja ali só para explicar ( Foto: divulgação)

Ken Watanabe dá relevância dramática a seu personagem, embora ele esteja ali só para explicar ( Foto: divulgação)

Isso posto, “Godzilla” é, também, muito divertido. É diversão daquele tipo que buscamos no cinema. Deslumbramento e tensão entremeados por momentos de humor. Algo que o cinema americano faz tão bem, mas vem rareando no traquejo da fórmula. “Godzilla” é, em todos os sentidos, uma bem-vinda sessão de nostalgia.

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sábado, 24 de maio de 2014 Atores | 12:00

Michael Fassbender: o ator do momento, já há algum tempo

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Fotos: (Getty e Divulgação)

Fotos: (Getty e Divulgação)

Há poucos atores com agenda de trabalho mais atarefada do que este alemão de ascendência irlandesa de 37 anos. Michael Fassbender estava lá, como um dos muitos “tanquinhos” de “300”, o estilizado filme estrelado por Gerard Butler e Rodrigo Santoro em 2006.

Notado mesmo, no entanto, Fassbender, que está em cartaz nos cinemas brasileiros com “X-men: dias de um futuro esquecido”, só foi quando falou impecável alemão em um dos capítulos mais empolgantes de “Bastardos inglórios” (2009), obra-prima de Quentin Tarantino.  Daquele momento em diante, Fassbender passou a gozar de um prestígio que só aumentaria em Hollywood. O ano de 2011 foi mágico por muitas razões. “Bastardos inglórios” lhe pôs no mapa e ele rodou nada menos do que cinco produções para serem lançadas naquele ano. “Jane Eyre”, “X-men: primeira classe”, “Shame”, “Um método perigoso” e “A toda prova” não poderiam ser mais diferentes entre si.

A capacidade de trafegar com desenvoltura por diferentes gêneros chamou a atenção de diretores consagrados como Ridley Scott (“Gladiador”) e Terrence Malick (“A árvore da vida”) que logo externaram o desejo de trabalhar com o ator.

O que mais impressiona em Fassbender, além do carisma e talento, é sua capacidade de transmutação de acordo com a demanda do personagem. Em “Shame”, em que vive um viciado em sexo, é possível sentir sua agonia em uma fria e impessoal Nova York. Este permanece como sua melhor, mais revelador e complexo desempenho. Já em “12 anos de escravidão”, pelo qual foi indicado ao Oscar, personifica a maldade encarnada como um senhor de escravos. Fassbender mantém o alto nível de interesse como um robô em “Prometheus” (2012), como um advogado ganancioso em “O conselheiro do crime” (2013) ou como Carl Yung, um dos pilares da psicanálise, em “Um método perigoso” (2011).

Essa capacidade de mesmerizar lhe valeu o convite para viver Macbeth, um dos mais clássicos personagens da literatura shakespeariana.  O filme, que está em pós-produção, deve ser lançado no fim deste ano e é uma das apostas para a temporada de premiações.

A adaptação do game “Assassin´s Creed” também está em sua agenda. O filme marcará sua estreia como principal produtor de um filme. Toda a pré-produção da fita, prevista para 2015, está sendo supervisionada por ele. O ator também está envolvido nas sequências de “Prometheus” e “X-men”.

No meio tempo, se Steve McQueen – seu diretor em “Fome” (2008), “Shame” e “12 anos de escravidão”, chamar, Fassbender para tudo e atende. À revista Empire, o ator admitiu que McQueen não só é um grande amigo, como uma grande inspiração no cinema. Ainda por cima, Fassbender é generoso.

 

Confira os trailers dos filmes que apresentam os três melhores trabalhos de Fassbender no cinema

“Shame”

“Um método perigoso”

“Fome”

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quinta-feira, 22 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:11

Obrigatório, “O passado” trata da complexidade das relações amorosas

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O passado é uma presença inescapável em “O passado” (2013), novo e potente filme do premiado Asghar Farhadi (“A separação”).  Como no filme iraniano vencedor do Oscar de melhor produção estrangeira em 2012, o cineasta está interessado em debater não só as escolhas, mas suas consequências na rotina conjugal de um casal. O casal em questão está desfeito. “O passado” começa com Marie (Bérénice Bejo) à espera de Ahmad (Ali Mosaffa) no aeroporto. Depois de quatro anos, ele retorna à França para oficializar o divórcio, a pedido dela. Ele a abandonara, sem grandes justificativas, para retornar ao Irã. Logo sabemos que Marie está em uma nova relação, com Samir (Tahar Rahim), cuja esposa está em coma no hospital, e deseja se casar com ele.

Ela tem duas filhas de um primeiro casamento frustrado. A mais velha (Pauline Burlet) rejeita a nova relação e demonstra isso com todas as suas forças. Samir tem um menino. Que sofre de um jeito bastante explosivo os reflexos dessa fase de mudanças, com a mãe em coma, o pai em uma nova relação, etc.

Ahmad, meio que inadvertidamente, entra no olho desse furacão. “O passado”, como se pode observar, não é um filme que almeja discutir uma história de amor, mas sim nossa capacidade de complexar nossas relações amorosas; e os efeitos colaterais dessa inclinação.

O que mais impressiona no cinema de Farhadi é sua capacidade de evoluir a narrativa com o aprofundamento constante dos conflitos centrais. Assim como o era “A separação”, “O passado” é um filme cujas camadas vão se revelando pacientemente à medida que mais da trama se toma conhecimento.

Esse rigor narrativo, tão bem engendrado por atores atuando com segurança, por um texto bem azeitado, e por escolhas de direção assertivas, torna “O passado” um filme de muitos níveis.

Filme explora muito bem o que não é dito, mas pressentido pela audiência (Foto: divulgação)

Filme explora muito bem o que não é dito, mas pressentido pela audiência (Foto: divulgação)

Por um lado, há a análise sugestiva dessa mulher que tenta a todo custo ser feliz em uma relação amorosa, que apresenta sinais de bipolaridade, e que negligencia as filhas. Por outro, há o iraniano que retorna à França depois de ter abandonado essa mulher. Sabemos que ele partiu por estar em profunda depressão, mas mais não sabemos. Ficamos apenas com conjecturas. Sua serenidade, no entanto, convida o espectador a assumir seu ponto de vista.

Há, ainda, Samir. Homem rústico, bem intencionado, e que sutilmente estabelece uma guerra silenciosa com Ahmad. Conforme o filme avança, a consciência alcança Samir. Aí entra em cena outro grande acerto de Farhadi. Aos poucos ele vai incutindo um debate inóspito. Existe uma ética a ser preservada em uma história de amor? É correto abandonar, sem qualquer aviso prévio, alguém com quem você divide uma vida e uma família? É correto se relacionar com alguém, cuja esposa se encontra em coma? Como se entregar a um novo amor, se há outro moribundo no hospital?

Farhadi aborda a culpa sob diferentes facetas e utiliza desde a inocência da infância até aspectos políticos como a imigração para aferir cor a esse recorte.

Por tudo isso “O passado” se fia como uma das obras cinematográficas mais extraordinárias a aportar nos cinemas brasileiros em 2014.

Uma menção especial, principalmente ao talento de Farhadi na direção de atores, é o menino Elyes Aguis, que interpreta Fouad, filho de Samir. Em seu primeiro filme, Aguis assume o personagem mais complexo da trama e com mais margem de erro, afinal não é fácil exteriorizar uma crise emocional interna, ainda mais em uma criança. Aguis abisma com talento, mesura e emoção. Ele é a demonstração mais eloquente de que “O passado” é um filme obrigatório.

Farhadi, à direita, orienta Bejo e Rahim no set de "O passado"  ( Foto: divulgação)

Farhadi, à direita, orienta Bejo e Rahim no set de “O passado”
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quarta-feira, 21 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:38

“Amante a domicílio” é manifestação do ego de John Turturro

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Sabe quando você se sente mal e meio que por impulso e meio que por hábito resolve fazer compras no shopping ou ceder às investidas daquele grude do trabalho só para massagear o ego? John Turturro, ator e pretenso diretor, fez um filme movido por esse mesmo impulso.

Em “Amante a domicílio” (2013), Turturro vive Fioravante, um ítalo-americano que trabalha dois dias por semana em uma floricultura. Um amigo de longa data, um judeu vivido por Woody Allen, tenta convencê-lo a atender sua médica (Sharon Stone) que anda desejosa de pular a cerca, mas pagando por isso.   Fioravante, naturalmente, a princípio recusa a ideia de se prostituir. “Sou um homem feio” se resigna. Ao que o personagem de Allen devolve, “mas você tem o mesmo sexy appeal de Mick Jagger”, notório feio de sucesso junto ao mulherio.

Estabelece-se dessa maneira o elemento que desencadeia a ação do filme. Fioravante topa se prostituir e rapidamente se torna uma figura concorrida no séquito de clientes do cafetão informal bancado por Allen.

Fioravante se define como um homem simples, sem grandes predicados, mas fala italiano, francês e espanhol em variados momentos do filme, demonstra conhecimentos literários e históricos, e ainda tem jeito com a mulherada. É Turturro falhando na missão de afastar seu filme da mera masturbação egóica.

Conforme avança a trama, surgem pequena nuanças como um painel, mal configurado, da cultura judaica e um comentário sobre como a solidão amarga a existência, mas são apenas ruídos em um filme que parece moldado para atender demandas, sejam elas quais forem, de seu realizador.

É lógico que todo esse raciocínio se arrefece com a curiosidade de ver Allen atuando em um filme que não é seu, algo raríssimo, e ainda por cima fazendo um cafetão. Outro hype certeiro é juntar Sharon Stone e Sofia Vergara, mulheres maduras reconhecidas pela sensualidade, como ricas entediadas a procura de aventuras sexuais.

“Amante a domicílio” não chega a ser decepcionante, desde que dele não se espere um filme de Woody Allen, uma armadilha previsível, mas sim um entretenimento rasteiro com ar de sofisticado.

Sharon Stone e Sofia Vergara em cena do filme: a serviço de um hype que nunca se sustenta

Sharon Stone e Sofia Vergara em cena do filme: a serviço de um hype que nunca se sustenta

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Curiosidades | 19:59

Com bom humor, Tumblr ironiza gesto de preconceito com filme “Praia do futuro”

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Foi o assunto do dia na internet. Um cinema da Paraíba causou polêmica por alertar os clientes de que há no filme “Praia do futuro”, de Karim Aïnouz e estrelado por Wagner Moura, cenas de sexo homossexual. A denúncia foi feita por um internauta que postou a foto de seu ingresso carimbado com o termo “avisado”.

Cinema da Paraíba alerta clientes que “Praia do Futuro” tem cena de sexo gay

Como de hábito, o bom humor do brasileiro se manifesta em circunstâncias negativas. É o caso do Tumblr “Tá avisado” que surgiu na esteira da polêmica despertada pelo cinema paraibano com o intuito de “avisar” o espectador sobre o que esperar de certas produções cinematográficas. Com irreverência e acatando sugestões de internautas, o Tumblr se vale do cinema para ridicularizar o gesto de preconceito e, também, fazer graça com o hype de certos filmes.

Fotos: reprodução do tumblr Tá avisado

Fotos: reprodução do tumblr “Tá avisado”

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segunda-feira, 19 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 23:13

“Praia do futuro” é um filme de grande sensibilidade e muitas belezas

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O diretor Karim Aïnouz e os protagonistas de seu filme (Foto: divulgação)

O diretor Karim Aïnouz e os protagonistas de seu filme (Foto: divulgação)

Karim Aïnouz constrói das filmografias mais prodigiosas, complexas e enriquecidas temática, estética e narrativamente de nosso cinema. Seu mais recente filme, ambicioso na forma, no tema e na maneira como se apresenta ao público, ganhou holofotes por ter feito parte da competição oficial do festival de Berlim em fevereiro último. Mas “Praia do futuro” não é um filme de fácil apreciação. Aïnouz se recusa a estabelecer uma narrativa tradicional e enxuga o que considera excesso em seu filme. Esse cinema de silêncios e ritmo lento são características essenciais de sua obra, assim como a investigação de personagens às voltas com escolhas decisivas em suas vidas.

Nesse sentido, “Praia do futuro” se aproxima do trabalho anterior do cineasta, “O abismo prateado”.  Primeiro porque trata de abandono; segundo porque é originalmente inspirado em uma música. Se no filme estrelado por Alessandra Negrini, inspirada pela canção “Olhos nos olhos” de Chico Buarque, o ponto de vista era do abandonado, na nova produção, inspirada pela canção “Heroes”, de David Bowie, a perspectiva é a de quem abandona.

Estabelece-se, assim, uma relação interessante entre os filmes. Relação esta adensada por algumas opções narrativas de Aïnouz, como o “descarrego” espiritual em uma boate, a importância do mar no desenlace do conflito principal, entre outras.

Em “Praia do futuro”, Wagner Moura vive Donato. Um salva-vidas que trabalha na praia cearense que dá nome ao filme e que se envolve com uma das vítimas que resgata. Ele pula na água para salvar dois turistas alemães que se afogavam. Consegue salvar um, mas perde o outro. É seu primeiro fracasso e ele o sente bastante. Se ele perdeu, Conrad (o excelente Clemens Schick) perdeu também. No caso deste, o amigo e companheiro de viagem. Donato e Conrad se envolvem. O sexo é um amparo oportuno. Mas é, também, um chamado que Donato custa a interpretar, mas que Aïnouz traduz em imagens fortíssimas como quando ele se “desconecta” dos outros bombeiros em um dia de treinamento.

Essa confiança no poder da imagem, mas também na capacidade do espectador em decifrá-la, permeia “Praia do futuro”.

Findado o primeiro ato do filme, poeticamente denominado “O abraço do afogado”, flagramos Donato em Berlim. Passou-se algum tempo quando o segundo ato, ou capítulo, chamado “Um herói partido no meio” se desenrola. Donato está feliz, mais efeminado, mais à vontade com seus sentimentos. E aí entra a importância da sexualidade do personagem. Não há um motivo claro para a partida de Donato, mas sua homossexualidade e a possibilidade de vivê-la plenamente em Berlim ganham força na organização narrativa proposta por Aïnouz.

Donato sente falta da praia. Sente falta da família. Donato se questiona se deve assumir aquela vida idílica, de amor, paixão e tesão.  Quando anuncia um retorno jamais concretizado ao Brasil, ouve de Conrad o termo “covarde”. A covardia se refere à negação de seu verdadeiro eu, não ao fato de deixar Berlim para voltar ao Brasil.

Wagner Moura encarna personagem vivo, trêmulo, cheio de hesitações e desejos (Foto: divulgação)

Wagner Moura encarna personagem vivo, trêmulo, cheio de hesitações e desejos (Foto: divulgação)

O capítulo demonstra o apuro de Aïnouz. A fotografia de Ali Olay Gözkaya revela Berlim como uma cidade fria, em contraste com o calor de Fortaleza. Aïnouz abre o capítulo com Conrad e Donato dançando e a dança, alegre, desajeitada, logo evolui para um sexo cheio de tesão e entrega.

Aïnouz confia nas imagens e na expressividade de seus atores, por isso a exigência do elenco, e não se trata apenas de falar idioma estrangeiro ou fazer cenas homossexuais, é tamanha. Olhares, posturas e gestos precisam se comunicar de uma maneira que o cinema nacional não costuma demandar.

O terceiro capítulo, “O fantasma que fala alemão”, é um espetáculo do minimalismo. Entra em cena Ayrton (Jesuíta Barbosa), o irmão abandonado por Donato. Ele viajou a Berlim para saber se o irmão estava vivo. Teve o cuidado de aprender alemão para o caso do irmão “ter esquecido o português”.

Mais uma vez, Aïnouz aposta nas imagens. O reencontro dos irmãos é dessas coisas que transbordam emoção genuína. Algo que o cinema menos e menos é capaz de prover.

Sem julgamentos, sem bandeiras, “Praia do futuro” versa sobre humanidades. Dor, coragem, medo e desejo se bifurcam em uma saga errante em busca de reinvenção, de propriedade.

A grande sacada do filme é exteriorizar todo um conflito interno a Donato nas disparidades entre as cidades, na sua busca pelo mar na Alemanha e na sua hesitação em acolher o irmão que lhe traz o passado.

Um filme de tanta sensibilidade precisa de um ator capaz de atuar em diferentes tons. Wagner Moura, em mais um desempenho digno de nota, confere a Donato a mais bela das contradições. A de quem enxerga a felicidade, mas não sabe exatamente como agarrá-la.

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sexta-feira, 16 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 23:46

“Sob a pele” é agonia erótica

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Foto (Divulgação)

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O terceiro filme de Jonathan Glazer é uma obra difícil. E ser difícil é um de seus muitos méritos. O ruído estético de um cineasta de forte apuro visual e interesses pouco comerciais já podiam ser notados em “Sexy beast” (2000), um drama de máfia de singularidade invejável, e “Reencarnação” (2004), uma perturbadora leitura de traumas e luto. “Sob a pele” (2013), sob muitos aspectos, é um avanço na opção de problematizar uma narrativa. Glazer se inebria na forma e exaure no conteúdo.

Scarlett Johansson faz uma alienígena que, ao que parece, alimenta alguma curiosidade pela humanidade. Vemo-la perambulando por ruas escocesas em uma van branca abordando e seduzindo homens para devorá-los. Não fica claro exatamente qual a razão desse ritual, mas ele é repetido massivamente. Existe um padrão. Ela parece interessada especialmente pelos tipos solitários.

A jornada da personagem, inominada, reverbera uma busca hermética pela humanidade, pelo que nos caracteriza como humanos. A alienígena objetiva nos punir ou compreender? Talvez um pouco dos dois. A sensorialidade impressa por Glazer sugere que mais do que uma resposta fechada, é o erotismo da pergunta que interessa. E erotismo, ainda que sombrio e agonizante, não falta a “Sob a pele”. A promessa furtiva de sexo com um símbolo sexual como Scarlett Johansson é algo que move tanto o interesse dos homens abordados, em sua maioria atores não profissionais, como da audiência.

A trilha sonora robusta, onipresente e grave de Mica Levi ajuda a aferir o clima de horror à saga dessa personagem e contribui, também, para a verve psicossexual do filme. É uma produção de ritmo lento, poucos diálogos e muitas imagens inusitadas. Glazer flerta com o surrealismo sem perder o realismo de vista. Abre o filme com homenagens a Stanley Kubrick e David Cronenberg, entregando que sua personagem não é deste planeta, e abusa de metáforas visuais que parecem saídas de clipes de rock (coisa que ele já fez para bandas como Radiohead e Blur).

Scarlett Johansson, por seu turno, merece louvores. Não tanto por sua atuação, de difícil apreciação em sua proposição obtusa, mas pela coragem de se entregar a um papel sem objetivos claros. A confiança no diretor, e não só pelas muitas cenas de nudez, inclusive frontal, precisa ser absoluta. Enfeiada, na medida do possível, estática, quase sorumbática, e ainda assim excitante, a atriz se oferece como uma tela em branco para a visão de Glazer.

“Sob a pele” dividiu a crítica quando exibido no festival de Veneza em 2013. Não é um filme desejoso de produzir sentido e isso incomoda bastante a muitos. Há uma cena em que a alienígena freia abruptamente, desliga e sai do carro. Ela adentra um forte nevoeiro, olha a esmo por alguns minutos e volta para o carro. Qual o significado desta cena aparentemente descolada do fluxo cronológico da narrativa? Estaria ela perdida? Estaríamos nós perdidos? Sabemos exatamente o que estamos fazendo aqui (na vida, no planeta)?

“Sob a pele” oferece, a quem estiver disposto a digressionar com o filme, uma leitura pessimista, por que não bizarra, do que é ser humano.

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quinta-feira, 15 de maio de 2014 Curiosidades, Filmes | 23:02

“Sin City: a dame to kill for” ganha GIFs animados

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A continuação do sucesso dirigido por Robert Rodriguez e Frank Miller em 2005 ganhou uma série de GIFs animados. O filme que tem um elenco repleto de estrelas como Jessica Alba, Bruce Willis, Eva Green, Josh Brolin, Mickey Rourke, Rosario Dawson, Joseph Gordon-Levitt, Christopher Mel0ni, entre outros, tem estreia marcada para os cinemas brasileiros em 11 de setembro. Como aperitivo, confira ainda o trailer legendado da produção.

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