Publicidade

Arquivo da Categoria Análises

sábado, 18 de março de 2017 Análises, Filmes | 08:30

Redescobrindo “Trainspotting”: Filme resiste ao tempo e se mantém como um soco no estômago do espectador

Compartilhe: Twitter

Cena de Ewan McGregor mergulhando em uma privada ainda é das coisas mais impressionantes que o cinema já produziu. 21 anos depois, “Trainspotting – Sem Limites” ainda mesmeriza e preserva impacto

Ewan McGregor em cena de "Trainspotting - Sem Limites"

Ewan McGregor em cena de “Trainspotting – Sem Limites”

Com a chegada do novo filme, que estreia no Brasil na próxima quinta-feira (23), parece oportuno relembrar “Trainspotting – Sem Limites” (1996). Um dos filmes mais expressivos da década de 90, a produção de Danny Boyle se tornou um cult instantâneo e pavimentou principalmente a carreira de Ewan McGregor, que dois anos antes tinha feito “Cova Rasa” com Boyle.

Leia também: Vencedor do Oscar, “Moonlight” é rico em subtextos visuais e narrativos

 

Adaptado da obra Irvine Welsh, “Trainspotting” não só é o filme mais enfático e absoluto sobre o uso de drogas, sem se resolver a partir de um julgamento moral, mas também um retrato desromantizado de toda uma geração. Durante a promoção do segundo filme, Ewan McGregor disse que sentiu que Mark Renton era o papel de sua vida e talvez seja mesmo. McGregor é muito bom ator e fez muita coisa boa de lá para cá, mas este personagem é tão emblemático e reverberante que é difícil esbarrar em algo mais significativo do ponto de vista histórico.

Leia também: “Get Out” e “Prevenge” são os filmes de terror mais hypados de 2017

As desventuras e picadas de um grupo de jovens de Edimburgo, na Escócia, envelheceu muito bem. No aniversário de 21 anos do filme, com a eminência da continuação, o filme original resiste como um soco no estômago.

A trilha sonora vibrante, a linguagem viodeoclipada, o cinismo efervescente de Renton, o bromance com Sick Boy (Johnny Lee Miller), a urgência do registro sobre o apelo das drogas para uma juventude potencialmente alienada e aquela Escócia à vontade às sombras da Inglaterra.

A turma de Trainspotting reunida

A turma de Trainspotting reunida

“Trainspotting” chegou à segunda década do século XXI em carne viva.

Leia também:Entre falhas e acertos, “A 13ª Emenda” acena para América mais humanizada

Rever o filme hoje é interessante, ainda, à luz de um pensamento social cada vez mais tolerante ao consumo de drogas. Transbordante em cultura pop, as referências de Sick Boy a Sean Connery são especialmente saborosas agora que o ator escocês já está aposentado, o filme se assevera como documento histórico que ainda detém a bonificação de ser um símbolo do britpop que explodiu na década de 90.

Rever “Trainspotting” é ser invadido por uma sensação que alguns filmes dos anos 90 provocaram e que o cinema recente parece capaz de instigar com menos frequência. A sagacidade da obra, seu vaticínio, força dramática e, fundamentalmente, seu espírito permanecem intactos.

Autor: Tags: , , , ,

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017 Análises, Filmes | 17:40

Corrida pelo Oscar 2017 tem troca de favoritos e surpresas de ocasião

Compartilhe: Twitter

Após a realização do SAG, corrida pelo Oscar muda um pouco de forma, mas preserva “La La Land” na dianteira pela consagração máxima na noite de 26 de fevereiro

Denzel Washington, protagonista e diretor de "Um Limite Entre Nós, ganha o SAG e assume favoritismo para ganhar o 3º Oscar de sua carreira (Foto: divulgação)

Denzel Washington, protagonista e diretor de “Um Limite Entre Nós, ganha o SAG e assume favoritismo para ganhar o 3º Oscar de sua carreira
(Foto: divulgação)

Após um fim de semana com alguns prêmios de sindicatos, a corrida pelo Oscar ganhou um pouco de emoção, mas também teve algumas definições ajustadas. Os sindicatos dos produtores, dos atores e dos editores distribuíram seus prêmios ao longo do fim de semana e algumas peculiaridades reforçam certas particularidades da vigente temporada de premiações.

Leia mais: Primeira premiação da era Trump, SAG Awards tem tom político e consagra azarões

“La La Land: Cantando Estações” triunfou nos sindicatos dos produtores e dos editores, neste junto com “A Chegada” e viu Emma Stone ser escolhida a melhor atriz no SAG. Apesar de não constar entre os indicados a melhor elenco na premiação dos atores, considerada o maior termômetro do Oscar, já que o colegiado de atores é o maior da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o filme de Damien Chazelle foi o grande vencedor do SAG. Isso porque seu maior rival, “Moonlight: Sob a Luz do Luar” não venceu o prêmio de melhor elenco.

Leia mais: “La La Land” ganha fôlego por se comunicar com sonhadores em tempos obscuros

Essa categoria gera confusão. Premia-se o melhor elenco, mas muitas vezes o SAG pensa nela como melhor filme. Esse raciocínio não foi aplicado em 2017 e “Estrelas Além do Tempo”, que está indicado a melhor filme no Oscar, ganhou assim como “Histórias Cruzadas” prevaleceu em 2012 e “O Artista”, um musical silencioso, ganharia o Oscar. É bem verdade que “O Artista” estava indicado a melhor elenco e “La La Land” não. Mas há um precedente em 23 anos de SAG. “Coração Valente” venceu o Oscar em 1996 sem ter sido indicado ao SAG. Curiosamente, a corrida em 2017 também tem Mel Gibson e seu “Até o Último Homem” na disputa pelo Oscar.

O SAG não necessariamente antecipa o vencedor do Oscar de melhor filme, mas é importante ter o apoio desse sindicato em particular para aspirar com alguma propriedade o maior prêmio do cinema. A vitória de Emma Stone por “La La Land” demonstra esse apoio e a opção por premiar um elenco e não um filme reforça que “Moonlight” talvez não tenha o gás necessário para barrar a locomotiva que o filme de Chazelle tem demonstrado ser no curso da temporada.

As nove produções que concorrem ao Oscar de melhor filme

As nove produções que concorrem ao Oscar de melhor filme

Historicamente recai sobre o DGA, o sindicato dos diretores, a pecha de ser o termômetro mais confiável em antecipar o vencedor de melhor filme. Em anos pulverizados, a escolha do DGA emplacou no Oscar. Foi assim em 2007, quando produtores e atores ficaram com “Pequena Miss Sunshine” e os diretores com Scorsese que ganharia filme e direção no Oscar com “Os Infiltrados”.

O prêmio será entregue no próximo fim de semana e pode consolidar esse favoritismo absoluto de “La La Land” ou fornecer alguma brasa às chances de “Moonlight”.

No campo das atuações, Denzel Washington (“Um Limite entre Nós”), ator de altíssimo pedigree e que embora tenha dois Oscars ainda não havia conquistado um SAG, bateu o favorito Casey Affleck (“Manchester à Beira-Mar). Há uma mudança de paradigma em curso na temporada. Affleck tem contra si o peso de uma campanha difamatória motivada por denúncias de assédio sexual e Washington é um ator querido defendendo um papel pelo qual já foi premiado no teatro e em um ano especialmente simpático a artistas e filmes de minorias.

A disputa por melhor ator ganha em emoção e imprevisibilidade. Washington, com o aval do SAG, supera Affleck na cotação para o Oscar. Mesmo que o segundo já tenha vencido o Critic´s Choice Awards, Globo de Ouro e concorra ao Bafta.

Leia mais: Verhoeven revela desejos ocultos com sofisticação e assombro no sensacional “Elle”

Já a categoria das atrizes no Oscar está ligeiramente diferente. Ruth Negga (“Loving”) e Isabelle Huppert (“Elle”) disputam o prêmio. No SAG tínhamos Amy Adams (“A Chegada”) e Emily Blunt (“A Garota no Trem”). Além da força de “La La Land”, Emma Stone tem a seu favor o histórico da academia de contemplar jovens estrelas nessa categoria.  Isabelle Huppert, no entanto, promete ser uma força da natureza na categoria. A campanha em cima da atriz tem sido muito acertada e a vitória no Globo de Ouro trouxe uma visibilidade a seu trabalho que pode ser sedutora demais para parte da academia reticente em consagrar uma atriz com tão pouca bagagem ou então ceder um segundo Oscar a Natalie Portman.

A atriz Emma Stone vence o SAG por "La La Land" (Foto: divulgação/SAG)

A atriz Emma Stone vence o SAG por “La La Land”
(Foto: divulgação/SAG)

Há, ainda, Ruth Negga que pode se beneficiar da pressão oculta e silenciosa por um #oscarssoblack nessa edição. A categoria de atuação feminina está bem mais aberta do que pode parecer, ainda que Emma Stone seja a virtual vencedora.

Já entre os coadjuvantes, há poucas chances de vermos outros nomes que não Viola Davis (“Um Limite entre Nós”) e Mahershala Ali (“Moonlight”) premiados em 26 de fevereiro.  Justamente por essa condição, aliada às circunstâncias da categoria de ator, o favoritismo de Stone entre as atrizes é mais proforma do que efetivo.

A corrida pelo Oscar 2017 tem três de suas principais categorias – e a categoria de direção vai receber um post só para ela – com favoritos de ocasião. É um viés interessante e incomum e que alimenta ainda mais a euforia dos cinéfilos.

Autor: Tags: , ,

terça-feira, 17 de janeiro de 2017 Análises, Filmes | 07:30

“La La Land” é espécie de último romântico na Hollywood dos blockbusters

Compartilhe: Twitter

Resgate dos musicais, “La La Land” é a prova definitiva do talento de Damien Chazelle e uma significativa declaração de amor a um cinema que conjuga elementos que parecem distantes na atualidade

Cena do romântico e hypado La La Land, que estreia na próxima quinta-feira (19) nos cinemas brasileiros

Cena do romântico e hypado La La Land, que estreia na próxima quinta-feira (19) nos cinemas brasileiros

Existe uma força opressora em Hollywood contra os musicais. Um gênero que, para muitos, já teve seu lugar ao sol. O cineasta Damien Chazelle, um apaixonado por cinema, queria fazer um musical ambientado em Los Angeles, mas esbarrou na má vontade dos estúdios como revelou em entrevista recente à Folha de São Paulo. Apenas seis anos depois de ter escrito “La La Land: Cantando Estações”, o cineasta pôde filma-lo.

Leia mais: “La La Land: Cantando Estações” é mesmo a maravilha que todo mundo está dizendo

“La La Land” é um filme que resgata os musicais de uma maneira muito mais orgânica do que o fizeram no início da década passada os festejados “Chicago”, vencedor do Oscar, e “Moulin Rouge – Amor em vermelho”. Isso porque o valor do filme não está intrinsecamente ao fato dele ser um musical, mas essa característica o torna mais romântico. É um senhor status quo e não é de se admirar que o filme seja o hit da temporada de premiações.

Leia mais: Globo de Ouro consagra “La La Land” e comédias sobre negros nos EUA

La La Land

Chazelle já havia se qualificado como um dos diretores mais promissores da nova Hollywood quando aos 30 anos ganhou sua primeira indicação ao Oscar de direção, em sua estreia em longas-metragens, e ver “Whiplash: Em Busca da Perfeição” faturar três estatuetas na maior premiação do cinema, mas esse seu segundo filme – que deve valer nova presença nas categorias nobres do Oscar – o atesta como um dos grandes diretores americanos do momento.

Desde o prólogo, uma cena musical rodada em um dos viadutos mais congestionados de Los Angeles, Chazelle mostra dominar seu ofício com desenvoltura. “La La Land”, no entanto, vai surpreender o espectador mais algumas vezes. É uma combinação insinuante de montagem esperta, trilha sonora cativante, roteiro inteligente, cenografia abundante e atuações carismáticas. É o que os musicais são em essência e que muitos pensaram que jamais seriam novamente.

Leia mais: “La La Land”, grande vencedor do Globo de Ouro, será exibido pela Rede Telecine

“La La Land” é um filme pulsante, mas que recebe a tristeza como válvula inexorável da vida. É um filme esperançoso, mas que demonstra consciência de que nem todos os sonhos se realizam. É uma história de amor, mas se capitaliza dramaticamente ao evitar a previsibilidade de tantos outros musicais e produções hollywoodianas, ao resolver-se de maneira poética, inesperada e, ainda assim, profundamente romântica.

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017 Análises, Filmes | 14:37

Globo de Ouro surpreende e tumultua temporada de premiações em 2017

Compartilhe: Twitter

Premiação superou os próprios preconceitos para celebrar um filme que parece ter encantado toda a comunidade do cinema. Mas nas categorias de atuação, a corrida pelo Oscar deu uma embaralhada…

Elenco e equipe de "La La Land" no palco do Globo de Ouro (Foto: NBC)

Elenco e equipe de “La La Land” no palco do Globo de Ouro
(Foto: NBC)

Foi uma noite de muitas surpresas, discursos contundentes e um vencedor como há muito tempo não se via. A 74ª edição do Globo de Ouro consagrou o musical “La La Land – Cantando Estações” como o maior filme de todos os tempos, pelo menos usando o prêmio como parâmetro. O filme de Damien Chazelle venceu nas sete categorias em que estava indicado, estabelecendo um recorde. Os dois únicos filmes que venceram seis prêmios foram “O Expresso da Meia-Noite” (1978) e “Um Estranho no Ninho” (1975) e essas produções concorriam em uma época em que havia mais prêmios distribuídos nas categorias de cinema.

Leia mais: Globo de Ouro consagra “La La Land” e comédias sobre negros nos EUA

Apresentado por Jimmy Fallon, que começou muito bem e terminou totalmente inexpressivo e dispensável, o Globo de Ouro 2017 ganhou pontos por procurar o inesperado. Se há mais de 40 anos não consagrava um filme no sentido mais estrito do termo, a opção por fazê-lo com um filme “para sonhadores”, como bem definiu a também premiada Emma Stone merece o confete. No mais, para quem gosta de cinema – e grandes atrizes – um prêmio que celebra Meryl Streep, Isabelle Huppert e Viola Davis se coloca à prova de críticas mambembes.

Leia mais: Globo de Ouro renuncia condição de prévia do Oscar e tenta formalizar influência em 2016

Criticado por ser render aos estúdios, a Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) celebrou o cinema independente em todo o seu esplendor. “Moonlight – Sob a Luz do Luar” é um filme pequeno, assim como “Manchester à Beira-Mar”, que valeu a Casey Affleck o prêmio de ator dramático. E o que falar de “Elle”, o polêmico filme francês de Paul Verhoeven que foi o único além de “La La Land” a levar um segundo troféu?

"La La Land", que ganhou sete prêmios no Globo de Ouro 2017, estreia em 19 de janeiro no Brasil (Foto: divulgação)

“La La Land”, que ganhou sete prêmios no Globo de Ouro 2017, estreia em 19 de janeiro no Brasil
(Foto: divulgação)

A HFPA perecia menos preocupada com o que se esperava dela e resolveu abraçar sua vocação de celebrar o novo – o que pôde ser especialmente vislumbrado nas categorias televisivas. As vitórias das novidades “The Crown”, entre os dramas, e “Atlanta”, entre as comédias, só não são mais eloquentes do que o triunfo dos atores de “The Night Manager” sobre a mais badalada, e já bem premiada, “The People vs O.J Simpson: American Crime Story”.

Leia mais: Veja a lista completa dos vencedores do Globo de Ouro 2017

A grande surpresa da noite veio logo no pontapé inicial da cerimônia. A vitória de Aaron Taylor-Johnson por “Animais Noturnos” é o que se convenciona chamar de zebra. Isabelle Huppert, ainda que fosse uma aposta de risco, era aventada por alguns analistas da indústria, como o que assina esta coluna, mas o reconhecimento a Johnson, de fato ótimo no filme de Tom Ford, parece dessas idiossincrasias típicas do Globo de Ouro. Não é. Em plena votação para a aferição dos indicados ao Oscar, o barulho provocado pelo clímax de “La La Land” e pela contundência das vitórias de Johnson e Huppert pode refletir em mais força no Oscar.

Em uma temporada em que a comunidade de Hollywood parece enlutada pela ascensão de Donald Trump – repare no silêncio no salão enquanto Meryl Streep atacava o presidente eleito com a elegância que lhe é característica – o Globo de Ouro pareceu talhado para tumultuar. No melhor dos sentidos.

 

Autor: Tags: , ,

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016 Análises, Filmes | 07:30

Os 20 melhores filmes de 2016

Compartilhe: Twitter

Quatro filmes brasileiros estão entre os 20 melhores filmes lançados nos cinemas do País em 2016 na avaliação da coluna

Verhoeven orienta Huppert no set de "Elle", o melhor filme de 2016

Verhoeven orienta Huppert no set de “Elle”, o melhor filme de 2016

São sete filmes datados de 2015 na lista elaborada pelo Cineclube de melhores produções lançadas nos cinemas brasileiros em 2016. Outra particularidade que pode se notar entre os 20 destacados como os melhores filmes de 2016, é a forte presença de cineastas não americanos na lista. São 12 no total. Alguns deles até dirigem filmes americanos, como Denis Villeneuve e Lenny Abrahamson, mas isso demonstra duas coisas: que a globalização chegou a Hollywood e que o cinema fora dos EUA teve um belíssimo ano. São três produções europeias no Top 5. Um feito que não é todo ano que ostenta.

Muita coisa boa ficou de fora da lista dos melhores filmes de 2016. Produções tão diversas como o refinado “Carol”, o multifacetado “O Silêncio do Céu”, o divertido “Capitão América: Guerra Civil”, o delicado “A Garota Dinamarquesa”, o alegórico “Zootopia”, ou mesmo o oscarizado “Spotlight: Segredos Revelados”. Mas a lista aqui apresentada, além de personalidade, mimetiza o que de melhor o ano apresentou em nossos cinemas.

20 – “Indignação” (EUA 2016), de James Schamus

Baseado em Philip Roth, o filme de Schamus é um valoroso estudo sobre a relação do homem e o meio, com a rígida sociedade dos anos 50 como fôrma. Logan Lerman, que já havia demonstrado incrível talento dramático em “As Vantagens de ser Invisível”, reitera-se como ator a ser respeitado. Um filme inteligente e inflexivo do diálogo entre razão e emoção.

Fotos: Montagem sobre reprodução

Fotos: Montagem sobre reprodução

19 – “Rogue One – Uma História Star Wars” (EUA 2016), de Gareth Edwards

O melhor filme de guerra do ano se passa em uma galáxia muito distante e antes de “Uma Nova Esperança” (1977). Misto de prequel e filme derivado, “Rogue One” é um filme com alma, visualmente exuberante e com personagens cativantes. É um legítimo Star Wars, mas é também algo essencialmente novo. Gareth Edwards reagiu maravilhosamente bem à pressão de lidar com um dos maiores cânones da cultura pop e entregou um filme de encher qualquer fã de orgulho.

18 – “Creed: Nascido para Lutar” (EUA 2015), de Ryan Coogler

O retorno de Rocky Balboa ao cinema não poderia ser mais apoteótico e o personagem de Sylvester Stallone nem sequer sobe ao ringue. Ou quase isso. A reimaginação da franquia proposta por Ryan Coogler (“Fruitvale Station”) coloca o filho de Apollo Creed, Adonis (Michael B. Jordan) como protagonista em um filme reverente na medida certa e, pelos próprios méritos, nada menos do que antológico.

17 – “Capitão Fantástico” (EUA 2016), de Matt Ross

Opositor ferrenho dos ideais capitalistas, o personagem que Viggo Mortensen defende com devoção e afeto em “Capitão Fantástico” submete seus filhos a uma educação inusitada: aulas rigorosas de defesa pessoal se alternam com noções avançadas de física quântica e filosofia. A família mora no meio do mato e mantém no mínimo toda e qualquer interação social. O filme de Ross problematiza isso tudo com muita delicadeza e sensibilidade. Evita as respostas fáceis, mas faz todas as perguntas difíceis.

16 – “Ave, César” (EUA 2016), de Joel e Ethan Coen

Pense em uma comédia sobre a era de ouro de Hollywood com momentos de pura sofisticação narrativa com outros de mero pastelão? Adicione a assinatura dos irmãos Coen e você tem “Ave,César”, um dos indispensáveis filmes de 2016 que muita pouca gente falou a respeito. Com um elenco fantástico e uma boa cota de piadas internas, “Ave, César” é um deleite para amante de cinema nenhum botar defeito.

Melhores (2)

15 – “O Quarto de Jack” (EUA 2015), de Lenny Abrahamson

Honesto, esse drama que se reconfigura completamente em sua metade é um exercício cinematográfico dos mais potentes. Da direção ao elenco afinado, “O Quarto de Jack” é uma realização brilhante. Impossível não se cativar por um filme que mergulha fundo nos conflitos de seus personagens, mas os trata com carinho e generosidade.

14 – “O Novíssimo Testamento” ( Bélgica 2015), de Jaco Van Dormael

Sabe aquela história de Deus ser um sujeito egoísta e malcriado? O cineasta Jaco Van Dormael adicionou a essa fábula uma filha. De birra, ela envia do computador divino a data da morte de todo mundo. Com a consciência da finitude, a humanidade muda a forma de agir e interagir. Deus precisa reagir a essa situação inusitada. Trata-se de um filme imaginativo que fala de amor, mas do tal amor ao próximo. De uma forma subversiva, mas carinhosa, é dos filmes mais cristãos em muito tempo.

13 – “Fome” (Brasil 2016), de Cristiano Burlan

Depois que se viu a morte é possível morrer de amor por alguém? Trata-se de uma pergunta capciosa que o magnífico filme de Burlan promove. Não se trata da única porém. O filósofo da atuação Jean-Claude Bernadet vive um homem que abandonou tudo para viver na rua. Escravo de suas memórias ou refém de uma liberdade absoluta? O filme expande essa problematização para a cidade, para seus aspectos visíveis e invisíveis. Burlan fustiga nossa relação com a cidade a partir do olhar de um morador de rua, mas também sobre um morador de rua. Cinema de verve, cinema que merece figurar na lista de melhores do ano de quem quer que aprecie o bom cinema.

12 – “Sing Street: Música e Sonho” (Inglaterra/Irlanda 2016), de John Carney

Um menino cria uma banda para impressionar uma menina um pouco mais velha e acaba se descobrindo um genuíno rock star, no talento e na atitude, na Dublin dos anos 80. O novo filme de John Carney (“Mesmo se Nada Der Certo”) é um elogio tão enfático e espirituoso da música quanto seus anteriores. Com elenco praticamente desconhecido como em “Once”, o cineasta extraí graça e beleza de um roteiro apaixonante e novamente faz da música a grande cúmplice de seu filme.

11 – “Quanto Tempo o Tempo Tem” (Brasil 2015), de Adriana L. Dutra

Falar que esse primor de realização é sobre o tempo não está exatamente errado, mas passa longe de precisar a natureza do filme de Dutra, que aborda nossa relação com o tempo e a evolução do próprio conceito ao longo da jornada da humanidade. As entrevistas oferecem um painel rico e multifacetado sobre um tema que não foge ao interesse de ninguém. Um filme que pode ser debatido tanto no bar como em sala de aula sem ser esgotado e com uma das propostas mais altivas e reverberantes de 2016.

Melhores (3)

10 – “Aquarius” (Brasil 2016), de Kleber Mendonça Filho

Foi um ano e tanto para o cinema brasileiro e o filme de Kleber Mendonça Filho pairou sobre ele uniforme e absoluto. Estrelado por uma poderosa Sonia Braga, “Aquarius” é um filme poético em seus arranjos, que valoriza a memória como meio de preservação, mas também como instrumento de resistência. Um filme político, sim, mas que foi injustamente politizado. Uma obra atemporal que revela um autor mais senhor de sua arte e reverberante em seu espaço-tempo.

9 – “A Grande Aposta” (EUA 2015), de Adam McKay

Desde que estourou a crise financeira em 2008, Hollywood passou a ter tesão por filmes que colocavam o mercado financeiro no buraco da agulha. Mas “A Grande Aposta” é uma besta de outra natureza. Dirigido pelo cara de “Quase Irmãos”, esse filme destrincha o funcionamento de Wall Street de maneira didática e divertida, sem deixar de fazer uma análise tenaz do que está errado nessa cultura do lucro a qualquer custo. Um filme inteligente e com arestas bem aparadas que não faz pose de importante, mas é, sim, bem importante.

8 –  “Memórias Secretas” (Alemanha/Canadá 2015), de Atom Egoyan

Fazia tempo que Atom Egoyan não entregava um filme realmente bom. Ele apoiava-se costumeiramente na condescendência dos admiradores de seus primeiros trabalhos. “Memórias Secretas”, um thriller que coloca um octogenário com Alzheimer como vingador de um carrasco nazista, é uma redenção acima de qualquer suspeita. Além da trama inusitada muitíssimo bem urdida, o filme apresenta um dos finais mais surpreendentes desde… “O Sexto Sentido”! Não só não é pouca coisa, como é bem representativo nesses tempos de spoilers a rodo.

7 – “Tangerine” (EUA 2015), de Sean Baker

Um filme rodado inteiramente com um iPhone não é exatamente uma novidade, mas neste maravilhoso filme de Baker a ferramenta se justifica narrativamente e até mesmo adensa o registro dramático. Aqui acompanhamos a transexual e prostituta Sin-Dee, que após sair da prisão descobre que seu namorado e cafetão a está traindo com uma mulher. Acompanhamos a jornada de Sin-Dee pelas ruas de Los Angeles para encontrar seu namorado e tirar essa história a limpo. Trata-se de um filme de cores vivas e vibrantes, personagens em carne viva e uma história insuspeitamente repleta de afeto.

6 –  “Boi Neon” (Brasil 2016), de Gabriel Mascaro

O empoderamento feminino e a questão do gênero recebem atenção no belíssimo filme de Gabriel Mascaro que revela um Nordeste brasileiro totalmente avesso ao clichê. Juliano Cazarré se reafirma como ator de grande reverberação dramática ao viver um vaqueiro que sonha em ser estilista e revela uma vaidade que julgamos deslocada. Um filme de muitas camadas e subtextos que prova, mais uma vez, a exuberância técnica e temática de nosso cinema.

Melhores (4)

5 – “A Chegada” (EUA 2016), de Denis Villeneuve

Christopher Nolan tentou evocar Kubrick com “Interestelar” (2014), mas só arranhou a superfície. O canadense Villeneuve veio em 2016, com muito mais simplicidade e abnegação e entregou um filme que não só faria Kubrick orgulhoso, mas que traduz a era que vivemos com louvor. Um filme sobre a falta de diálogo reinante em nosso tempo adornado pelos códigos do filme de gênero, no caso uma ficção científica robusta e reminiscente. De quebra, Amy Adams dá outro show de interpretação.

4 – “Julieta” (Espanha 2016), de Pedro Almodovar

O retorno do cineasta espanhol ao melodrama não poderia ser mais feliz. Homenagem às mulheres, “Julieta” é, ainda, uma crônica solene sobre a maternidade e um ensaio almodovariano sobre o luto. Um filme cheio de reminiscências e de uma sensibilidade profunda. Um Almodóvar em forma.

3- “Animais Noturnos” (EUA 2016), de Tom Ford

Tom Ford tinha um senhor desafio em sua próxima empreitada como cineasta. Afinal, seu primeiro filme fora nada mais nada menos do que o espetacular “Direito de Amar” (2009). “Animais Noturnos”, um projeto mais ousado na forma e nos arranjos, reafirma o talento do estilista para o cinema. Com dois filmes estética e narrativamente envolventes, fica difícil questionar seu talento como homem de cinema. “Animais Noturnos” é superlativo.

2- “Demônio de Neon” (Dinamarca/França 2016), de Nicolas Winding Refn

É impossível permanecer impassível ao cinema do dinamarquês Nicolas Winding Refn.  “Demônio de Neon” beira a extravagância. Necrofilia e canibalismo embalam uma história asséptica em uma concepção dramática, mas profundamente irrigada em metáforas e simbolismos. É um cinema provocador e eventualmente chocante. Refn devassa o mundo da moda com a propriedade de um formador de opinião pouco preocupado com a opinião alheia.

1-“Elle” (França, 2016), de Paul Verhoeven

Falta ao cinema de maneira geral coragem para desafiar convenções de gênero e subverter certos dogmas sociais que paralisam o centeio fílmico. Paul Verhoeven é um inconformista por natureza. Seu cinema exala cinismo e confronta toda a hipocrisia e letargia social. “Elle” é um filme costurado todo ele a partir do entranhamento do drama vivido pela protagonista, vítima de uma violência sexual que decide investigar a identidade de seu agressor, por noções psicanalíticas profundas e ressonantes que extrapolam os limites da análise fílmica.

Autor: Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016 Análises, Críticas, Filmes | 16:06

“Rogue One” reequilibra a força de “Star Wars” no cinema com imaginação e ousadia

Compartilhe: Twitter

Filme que expande o universo “Star Wars” no cinema é um deleite para os fãs e uma realização corajosa que engrandece a safra de blockbusters de 2016

Cena do filme Rogue One, que estreia nesta quinta-feira (15) nos cinemas brasileiros Foto: divulgação

Cena do filme Rogue One, que estreia nesta quinta-feira (15) nos cinemas brasileiros
Foto: divulgação

“Rogue One – Uma História Star Wars” é bom. Muito bom. A questão que se coloca agora é como vamos lidar com isso? Público e crítica estavam desconfiados. Até tinham razão para isso. A Disney, que comprara Pixar e Marvel e lhes concedera liberdade criativa, prometera fazer o mesmo com “Star Wars”, quando adquirira a LucasFilm. Mas aqui o buraco era mais embaixo. A franquia estava encerrada e, não somente seria retomada, como o plano consistia em expandir o universo criado por George Lucas.

Leia mais: Trágico, “Rogue One” é o melhor “Star Wars” desde “O Império Contra-Ataca”

O episódio VII chegou no ano passado arrasando quarteirões. O filme de J.J Abrams, no entanto, navegava em águas calmas. Havia grande ansiedade, e consequentemente considerável cota de condescendência à espera de “O Despertar da Força”. O filme é bom, mas não carrega um traço sequer da ousadia que sobeja em “Rogue One”. Espelhando o clássico “Uma Nova Esperança”, o filme falava ao coração dos fãs saudosos no mesmo compasso que pregava para todos aqueles desejosos de conversão.

Leia Mais: “Star Wars: O Despertar da Força” incorpora padrão Disney a “Star Wars”

Rogue posterCom o “Rogue One” a coisa é diferente. Pela primeira vez na série estamos mesmo em uma guerra. Gareth Edwards, que fez um filme do Godzilla todo ele a partir do ponto de vista das pessoas afetadas pela besta gigante, grava cenas de guerrilha urbana na lua de Jedha, flagra espiões em ação, conspirações em trâmite e observa as maquinações inerentes aos diferentes lados de um conflito armado. A guerra que toma conta da galáxia pode ser apalpada em um filme que busca a atmosfera de “Uma Nova Esperança”, até pela ligação umbilical que tem com o episódio IV, mas que não se faz refém dela.

Visualmente exuberante, como todo “Star Wars” deve ser, essa primeira antologia se beneficia enormemente do roteiro esperto e enxuto de Tony Gilroy (“O Advogado do Diabo”) e Chris Weitz (“American Pie”) , que cria em cima de uma história conhecida e dá espaço para personagens carismáticos – como o robô K-2SO, o excelente alívio cômico da fita – brilharem. A coragem e a imaginação, no entanto, não resumem a eficácia narrativa dessa primeira antologia do universo Star Wars. O filme de Edwards faz muitas deferências aos fãs e revisita, a sua maneira, temas frequentes como a relação entre pais e filhos. É interessante observar como Jyn (Felicity Jones) vive uma orfandade mesmo tendo dois pais. Mais interessante é perceber como isso impacta na sua visão de “não ter o luxo de ter opiniões políticas”. É “Star Wars” sendo sutil no desenho dos personagens.

Peter Crushing, ninguém menos que Grand Moff Tarkin, responsável pela Estrela da Morte no filme de 1977, morto em 1994, “ressuscita” diante de nossos olhos em um trabalho de CGI que desafia os limites da lógica e imaginação. É “Star Wars” derrubando o nosso queixo.

Leia mais: Painel de “Rogue One” se beneficia de culto a “Star Wars” e gera frenesi na CCXP 2016

Darth Vader, talvez o mais icônico entre todos os vilões da cultura pop, também surge para enriquecer o filme. Ele está aqui apenas para deixar a experiência mais potente, intensa, transcendental… É “Star Wars” olhando para o futuro sem esquecer-se de seu passado.

Darth Vader é uma das boas surpresas de Rogue One Foto: divulgação

Darth Vader é uma das boas surpresas de Rogue One
Foto: divulgação

O que torna “Rogue One” um blockbuster especial tanto no contexto de “Star Wars”, mas também na temporada de 2016, é sua maturidade narrativa, seu compromisso com a verossimilhança, mesmo que estejamos falando de uma guerra espacial. Apesar do desfecho compreensível e justificadamente trágico, o filme reequilibra a força, da série, e dos blockbusters. É “Star Wars” mostrando como se faz!

Autor: Tags: , , ,

terça-feira, 13 de dezembro de 2016 Análises | 11:34

Qual o melhor filme para Hollywood reagir à ascensão da era Trump no Oscar?

Compartilhe: Twitter

Com o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro 2017 e com a maioria dos prêmios da crítica já entregues, inclusive o Critic´s Choice Awards, distribuídos no último domingo (11), já dá para perceber que três filmes largam na frente na corrida pelo Oscar. “La La Land – Cantando Estações” claramente é o frontrunner. Os dramas indies “Moonlight” e “Manchester à Beira-Mar” gravitam o favoritismo do musical dirigido por Damien Chazelle e, por diversas razões, podem complexar previsões à medida que o Oscar se aproxima.

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de "La La Land" (Foto: reprodução/Premiere)

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de “La La Land”
(Foto: reprodução/Premiere)

“Moonlight”, ainda sem data e título nacional, é um filme sobre crescimento. Na superfície, do tipo que se vê todo dia no cinema americano, mas é protagonizado por negros e conta a história de um garoto que resiste à criminalidade no mesmo compasso em que se descobre gay. Já “Manchester à Beira-Mar” é mais soturno e acompanha a jornada emocional do personagem de Casey Affleck, que retorna à cidade que deixou em seu passado, para cuidar do sobrinho após a morte repentina do irmão.

Cartaz do filme "Moonlight"

Cartaz do filme “Moonlight”

O primeiro filme é nitidamente liberal demais para os padrões que, ainda que de maneira menos convicta, vigoram na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que outorga o Oscar. No entanto, dos três mais alinhados ao ouro, seria o candidato mais lapidado para representar uma bandeira Anti-Trump. “Manchester à Beira-Mar” talvez representasse melhor o pessimismo em que grande parte do País, e do mundo, se viu mergulhado com a eleição de Donald Trump. No final dos anos Bush, filmes violentos e taciturnos como “Os infiltrados” e “Onde os Fracos Não Têm Vez” prevaleciam no Oscar. Em 2009, na esteira da eleição de Barack Obama, o solar e otimista “Quem Quer Ser um Milionário?” triunfou de maneira maiúscula no Oscar. De lá para cá, nenhum outro filme venceu de maneira tão elástica – foram oito Oscars.

Por outro lado, o romantismo de “La La Land”, sua universalidade na declaração de amor que faz ao cinema, a Los Angeles e ao sonho americano podem ser percebidos como o remédio necessário para um período tão turbulento na história dos EUA. Hollywood, afinal, naufragou junto com a candidatura Hillary Clinton.

O Globo de Ouro anunciado nesta segunda-feira afunilou, como esperado, a corrida pelo Oscar e deu a esses três filmes a condição de principais postulantes ao Oscar 2017. Agora é esperar para ver como a novela favorita dos cinéfilos vai se desenvolver.

Cena do filme "Manchester à Beira-Mar" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Manchester à Beira-Mar”
(Foto: divulgação)

Autor: Tags: , , , ,

sexta-feira, 9 de setembro de 2016 Análises | 08:29

Verão americano de 2016 sugere ajuste de rota para estúdios de Hollywood

Compartilhe: Twitter

Foi um verão atípico nas bilheterias dos cinemas. A grande temporada de blockbusters, como sempre, fez muito dinheiro, mas colocou pulga atrás das orelhas dos engravatados de Hollywood como nunca.

Montagem/divulgação

Montagem/divulgação

Foram 14 sequências lançadas nesta janela entre abril e o último fim de semana de agosto. Um recorde absoluto. A última vez que tantas sequências foram lançadas foi em 2003 e foram 13. Apenas quatro dessas sequências debutaram com uma bilheteria de estreia superior aos filmes anteriores. “Jason Bourne” (US$ 59,2 milhões), “Procurando Dory” (US$ 135 milhões), “Capitão América: Guerra Civil” (US$ 179 milhões) e “Uma Noite de Crime 3” (US$ 36,2 milhões). A grande maioria das sequências fracassou. Filmes como “Alice Através do Espelho”, “As Tartarugas ninja: Fora das Sombras”, “Star Trek: Sem Froneiras”, “Independence Day: O Ressurgimento”, entre outras produções floparam enormemente.

+ Universal, Mad Max e Tom Cruise estão entre os vencedores do verão americano de 2015

Foi um verão de extremos. A Disney tem razões para comemorar já que os dois filmes com maiores bilheterias da temporada integram seu portfólio. Mas se “Guerra Civil” e “Procurando Dory” juntos beiram quase US$ 1 bilhão em faturamento nos EUA e ultrapassam US$ 2 bilhões no mundo, filmes como “O Bom Gigante Amigo”, “Alice Através do Espelho” e “Meu Amigo, o Dragão” foram fracassos que o estúdio teve que amargar. A respeito deste quadro, o jornalista e crítico de cinema Rubens Ewald Filho até brincou: “acho que a Disney faz esses filmes que sabe que vão fracassar só para pagar menos imposto”.

civil

De fato, “O Bom Gigante Amigo”, um gesto nostálgico do estúdio em parceria com Steven Spielberg parecia um produto descolado de seu espaço tempo, mas esse raciocínio, por exemplo, não pode se aplicar a uma produção como “Ben-hur”. Com um orçamento superior a US$ 100 milhões, o filme se consagrou como o maior fracasso da temporada e demonstrou aos estúdios que a aposta em astros de cinema ainda é necessária. Coincidência ou não, depois do flop do filme estrelado por Rodrigo Santoro, Tom Cruise passou a negociar um aumento de cachê com a mesma Paramount para o novo “Missão Impossível”, programado para 2017.

O caso de “Esquadrão Suicida”

suicide

Fracasso ou sucesso? Ainda que o filme não consolide as expectativas financeiras projetadas pela Warner Bros, não dá para dizer que o filme de David Ayer é um fracasso. No último fim de semana ultrapassou a barreira dos US$ 300 milhões nos EUA. Globalmente, a fita já amealhou cerca de US$ 700 milhões. As críticas foram venenosas, para dizer o mínimo, mas o marketing, vitorioso.

Tocando o terror

Não foi o primeiro ano que vislumbrou o gênero terror como um dos principais vitoriosos do verão americano. Com três exemplares entre as 20 maiores arrecadações da janela de lançamento – e três exemplares baratos – o gênero volta a fazer bonito. Novamente a Warner  desponta nesse segmento. Além da sequência de “Invocação do Mal”, que arrecadou mais de US$ 100 milhões nas bilheterias, o estúdio viu o baratíssimo e eficiente “Quando as Luzes se Apagam” fazer bonito no Box Office. O gênero ainda emplacou os sucessos de “Uma Noite de Crime 3” e “O Homem nas Trevas”, que lidera a bilheteria dos EUA há duas semanas e está em estreia no Brasil.

A surpresa do ano

A comédia com pegada feminista “Perfeita é a mãe” foi a grande surpresa da temporada com arrecadação superior a US$ 100 milhões nas bilheterias americanas. Além do mais, junto com “A Vida Secreta dos Pets” e “Festa da Salsicha”, foram os únicos exemplares entre as vinte maiores bilheterias do verão que não são sequências, refilmagens ou adaptações.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Saldo final

A lição que fica é que Hollywood terá que pensar mais detidamente sobre a produção de sequências. A mensagem do público nas bilheterias é bem clara. Uma continuação de um blockbuster no cinema só com muito critério. Apenas a Disney e a Warner, apesar do pouco crescimento em relação a 2015, conseguiram lucrar com a temporada. Os ganhos da Universal e da Sony foram modestos. Já Paramount, Fox e Lionsgate amargaram prejuízos.

Autor: Tags: , , ,

domingo, 28 de agosto de 2016 Análises, Bastidores | 15:19

Marvel ajusta ponteiros para fase sem Chris Evans como Capitão América

Compartilhe: Twitter

Já era esperado que Chris Evans deixasse de ser o Capitão América no cinema em algum momento, mas uma entrevista de Joe Russo, que ao lado do irmão Anthony dirigiu os dois últimos filmes do Capitão, ao The Huffington Post disparou o alerta em todo Marvel maníaco.

Chris Evans em ensaio para  Rolling Stone

Chris Evans em ensaio para Rolling Stone

Ele disse que a cena final de “Capitão América: Guerra Civil”, que muitos interpretaram como um afastamento de Steve Rogers de tudo aquilo, é mesmo isso: uma “aposentadoria” do personagem.  “Acho que ele deixar o escudo de lado é também deixar a sua identidade. É ele admitindo que a identidade Capitão América estava em conflito com suas escolhas pessoais”, explicou o diretor. Isso não significa que não veremos mais Chris Evans nos filmes da Marvel, pois sua participação está confirmada em “Vingadores: Guerra Infinita”, filme que deve marcar a passagem de bastão, com a introdução de um novo Capitão América. Isso pode ser traduzido de uma maneira muito prática e financeira. Evans assinou contrato para seis filmes. Já estrelou cinco. Os três “Capitão América” e os dois “Vingadores”. Já Sebastian Stan, o soldado invernal, assinou contrato para nove filmes e só estrelou os três “Capitão América”. Anthony Mackie, que interpreta o Falcão, assinou para seis filmes e só figurou em dois. Ambos os personagens já assumiram a identidade do Capitão América nos quadrinhos.

Mais: Chris Evans apresenta o trailer de “Before We Go”, sua estreia na direção

Durante muito tempo se conjecturou como a Marvel reagiria à eventual saída de Robert Downey Jr., que interpreta Tony Stark/Homem de Ferro. Esse cenário, evitado às custas de negociações milionárias, ainda não se concretizou, mas a Marvel sempre esteve calçada para a eventual saída de Evans. O que, de maneira alguma, sinaliza uma saída definitiva. É plenamente concebível que, como nos quadrinhos, Steve Rogers reassuma a identidade de Capitão América. Seria dramática e narrativamente interessante ver isso no cinema. E a Marvel sabe disso. Com Downey Jr., que já assegurou participação no novo “Homem-Aranha”, a questão é mais delicada. Por mais que Chris Evans tenha se tornado a estampa de Steve Rogers, a própria HQ dá margem de manobra à Marvel, mas todo o universo cinematográfico do estúdio se construiu na esteira da caracterização de Downey Jr. de Tony Stark.

Crítica: Superlativo e humano, “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que a Marvel estava devendo

A Marvel já enfileira uma série de filmes com novos personagens em sua terceira fase justamente por saber que é preciso repensar o rumo dos principais personagens de seu portfólio. “Pantera Negra”, “Capitã Marvel” e “Inumanos” atendem essa necessidade e, em paralelo, são novas franquias em potencial. Algo decisivo para os planos da Marvel pós-Robert Downey Jr., Chris Evans e até mesmo Chris Hemsworth (o Thor).

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 15 de agosto de 2016 Análises, Filmes | 15:06

Entenda como “Esquadrão Suicida” virou o abacaxi do ano

Compartilhe: Twitter
O diretor David Ayer no set de "Esquadrão Suicida"

O diretor David Ayer no set de “Esquadrão Suicida”

“Esquadrão Suicida” está nos cinemas e está fazendo um estrago. No bom e no mau sentido. É bastante consensual que o filme não é o produto que a Warner Brothers esperava. As refilmagens que aconteceram no início deste ano e as diferentes versões para elas apresentadas pelo cineasta David Ayer, a prolixidade de Jared Leto e o ressentimento que ele não faz questão de esconder de ter muitas de suas cenas cortadas da versão final do filme, a recepção ruim da crítica, a queda de braço entre fãs do filme e o site agregador de críticas Rotten Tomatoes são alguns dos sintomas da complexidade que é “Esquadrão Suicida”, o filme mais problematizado do ano.

Leia mais: Olha ela! Cinco razões que fazem de  “Esquadrão Suicida” um filme da Arlequina

Em dez dias em cartaz, a produção já arrecadou mais de US$ 466 milhões segundo dados do site Box Office Mojo. É difícil rotular um filme que ostenta essa arrecadação de fracasso. Além do mais, contra todos os prognósticos, a fita de David Ayer manteve a primeira colocação nas bilheterias americanas – apesar da queda de 67% entre uma semana e outra.

Leia mais: “Esquadrão Suicida” quebra recordes e supera críticas negativas

SuicideMuita gente rotulou o filme como uma sequência informal dos dois Batmans dirigidos por Joel Schumacher nos anos 90 e consideradas as piores adaptações de HQs a terem surgido nos cinemas. A comparação, essencialmente pejorativa, não está de todo errada. Do colorido à relação deturpada entre os vilões, “Esquadrão Suicida” tem muito daqueles filmes. É o pastiche, no entanto, que o aproxima ruidosamente do que as fitas de Joel Schumacher têm de pior. David Ayer primeiro disse que o filme que está nos cinemas é a sua versão. Foi um impulso compreensível de defender a obra que, a despeito das inúmeras intervenções do estúdio, segue com a sua assinatura. Em menos de duas semanas, porém, Ayer já mudou o tom – e a versão dos fatos – algumas vezes.

Ele ousa contar detalhes que não estão no filme – e o porquê só podemos especular – que indicam um filme completamente diferente no arranjo narrativo. “Este é o filme que teve as melhores reações nos testes com o público”, ouviu de uma fonte ligada ao estúdio o site The Wrap, uma das principais referências na cobertura dos bastidores de Hollywood.

Em outra entrevista, a Empire, Ayer disse que montar “Esquadrão Suicida” foi a pior experiência de sua carreira, dando a dica do quão difícil foi ajustar sua visão às demandas do estúdio. É muito perceptível e este foi o tom das primeiras impressões da coluna, bem como da crítica do filme no iG, que há dois filmes brigando para existir em “Esquadrão Suicida”. Isso ajuda a entender como “Esquadrão Suicida”, que teve um primeiro trailer sombrio e um terceiro já com certo humor ligeiro, virou esse abacaxi. Ainda que esteja fazendo dinheiro, e com mais velocidade do que “Batman Vs Superman”, parece seguro dizer que o filme não deve romper a mágica e obstinada meta da Warner de US$ 1 bilhão. O que deve levar o estúdio a pressionar ainda mais “Mulher-Maravilha”, sua próxima produção a ganhar os cinemas.

A pressão já começou e a diretora Patty Jenkins já se viu na necessidade de negar rumores de que o filme seria “uma bagunça”. A Warner precisa confiar na visão de seus cineastas. Depois de trocar o controle criativo das produções ligadas ao universo DC, com Geoff Johns substituindo Zack Synder, a Warner se projeta neste sentido. Mas é preciso deixar um fracasso ser um fracasso honesto. “Esquadrão Suicida”, para todos os efeitos, um fracasso enrustido, parece destinado à orfandade. Ninguém vai assumir a paternidade do abacaxi que o filme mais aguardado do ano se transformou.

Jared Leto: ressentimento e lobby por um spin-off com Coringa e Arlequina

Jared Leto: ressentimento e lobby por um spin-off com Coringa e Arlequina

 

Autor: Tags: ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. Última