Publicidade

Arquivo da Categoria Análises

segunda-feira, 16 de outubro de 2017 Análises, Bastidores | 15:45

Oscar e Hollywood ganham a chance de se reinventar na era pós- Harvey Weinstein

Compartilhe: Twitter

Produtor de Hollywood caiu em desgraça e denúncias que pipocam contra ele, mas também contra outros figurões do cinema podem precipitar uma mudança de paradigma na indústria

Harvey Weinstein produziu e distribuiu todos os filmes de Quentin Tarantino, seu amigo pessoal e que ainda não deu declarações convictas após a explosão das denúncias

Harvey Weinstein produziu e distribuiu todos os filmes de Quentin Tarantino, seu amigo pessoal e que ainda não deu declarações convictas após a explosão das denúncias

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood após assembleia extraordinária realizada no último fim de semana expulsou Harvey Weinstein. É a segunda vez que um membro da instituição que outorga o Oscar é expulso, o primeiro foi Carmine Caridi, um ator que violou a política de sigilo envolvendo os screeners (maneira pela qual os acadêmicos veem muitos dos filmes que tentam vaga na premiação).

É difícil achar alguém em Hollywood que não tenha trabalhado com ou sob as ordens de Harvey Weinstein. Justamente por isso o caos na meca do cinema é tamanho após a reportagem do New York Times e da New Yorker revelando os maus-feitos do produtor. A saraivada de denúncias, depoimentos e desabafos que se sucedeu – e ainda ocupa o noticiário – era esperada. Bem como a ampliação de seus efeitos. Ben Affleck, Oliver Stone, Lars Von Trier e George Clooney já foram a abainhados pela espiral de denúncias de assédio que tomou Hollywood de assalto.

Woody Allen, outro envolto em polêmicas de pedofilia e abuso, alertou para uma “caça as bruxas” e o mundo do cinema parece enfeitiçado por um assunto que não deve ir embora (e talvez não deva mesmo) tão cedo.

A queda de um mito

Harvey Weinstein e Kate Winslet, uma das atrizes que venceu o Oscar apoiada pela máquina de Harvey

Harvey Weinstein e Kate Winslet, uma das atrizes que venceu o Oscar apoiada pela máquina de Harvey

Para além do que representa Harvey Weinstein enquanto homem e magnata de Hollywood – e para todos os efeitos ele é um símbolo perene do poder e seus tentáculos no cinema e em qualquer outra indústria – Harvey foi (o tempo passado já é presente nas referências a ele) um revolucionário no cinema americano. Primeiro por ter sido o arauto da revitalização do cinema independente norte-americano na década de 90, segundo por ter feito da campanha de promoção com vistas ao Oscar, uma arte de domínio particular.

Harvey Weinstein tornou-se um guru do Oscar. Filmes e celebridades promovidos por ele eram figuras dadas como certas na premiação. Produções contestadas como “Shakespeare Apaixonado” (1998) e “O Artista” (2011), esse com o acréscimo de ser estrangeiro, mudo e em preto e branco, triunfaram no Oscar e todo o crédito é plenamente atribuído a Weinstein.

Sempre se soube de seu temperamento opressor e de seu estigma rancoroso em Hollywood. Na série da HBO “Entourage” (2004 – 2011) o próprio aparece como ele mesmo “rindo” dessa situação. À luz das denúncias, cenas e acontecimentos do passado são reinterpretados. Quanto à Academia, ela já é cobrada a tomar providências a respeito de Roman Polanski, condenado por estupro de vulnerável, Bill Cosby e Mel Gibson. A inclusão do último nessa galeria é um reflexo da ardência do momento. Gibson pode até ser antissemita, mas não paira sobre ele suspeitas tão nocivas.

E como fica o business?

Hollywood não vai mudar da noite para o dia e a condução do “caso Harvey Weinstein” pela opinião pública demanda cautela. Afinal, passa pelo comportamento e postura da mídia a efetividade e longevidade de mudança de qualquer natureza em uma indústria notória por reger suas relações de maneira sexista e corporativista.

O efeito imediato é a debandada da The Weinstein Company. Até mesmo Bob Weinstein desandou a falar mal do irmão. Artistas estão pedindo para  retirar seus projetos do estúdio e produções que tentariam o Oscar, como “Terra Selvagem” e “The Current War” devem ser prejudicadas.

Harvey Weinstein e os premiados por "Shakespeare Apaixonado": uma vitória surpreendente que pavimentou a ascensão de um mito Fotos (AMPAS, reprodução Twitter)

Harvey Weinstein e os premiados por “Shakespeare Apaixonado”: uma vitória surpreendente que pavimentou a ascensão de um mito
Fotos (AMPAS, reprodução Twitter)

Quanto ao Oscar em si, os métodos patenteados por Weinstein há muito não são praticados só por ele. A corrida eleitoral que é a disputa pela estatueta mais cobiçada do cinema, no entanto, deve sentir a ausência de seu mais radical, desleal e competitivo fomentador.

A desgraça de Harvey Weinstein, no entanto, representa no longo prazo a chance de purificação da Academia. De resgate do valor dos filmes por eles mesmos. Um processo, na verdade, já em curso graças aos esforços de Cheryl Boone Isaacs que presidiu a instituição até o início deste ano. Para o bem ou para o mal, para a Academia, mas também para seu anjo caído, Hollywood adora uma segunda chance.

Autor: Tags: , , , , ,

sábado, 14 de outubro de 2017 Análises, Filmes | 10:00

“Toda Nudez Será Castigada” completa 45 anos sob assombrosa atualidade

Compartilhe: Twitter
Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Lançado comercialmente em março de 1973 após um rigoroso escrutínio por parte da Divisão de Censura de Diversões Públicas, órgão subordinado à Polícia Federal durante o regime militar, “Toda Nudez Será Castigada” completa 45 anos em 2017 em um momento particularmente ruidoso no Brasil. O filme seria originalmente lançado em 1972, mas o processo para liberação da película atrasou o lançamento. No ínterim, venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim.

O filme de Arnaldo Jabor, adaptado da obra de Nelson Rodrigues, era uma porrada na hipocrisia da classe média brasileira dos anos 70 – ou 60, já que a peça foi escrita em 1965 – e é uma porrada na cara da classe média brasileira de hoje. “Toda a Nudez Será Castigada” faz aniversário sob a égide do obscurantismo que pauta o debate social e sobre a arte no País.

toda nudez será castigadaO homem que se apaixona pela prostituta e se recusa a assumir esse sentimento, o homossexual enrustido, o irmão malandro que quer lucrar com a infelicidade alheia, no caso do próprio irmão, são personagens assustadoramente atuais. Um mérito, claro, da peça de Nelson, mas também desse conservadorismo palpitante que nos assalta diariamente e que se volta intempestivamente para a manifestação artística.

O pessimismo inato rodriguiano está diretamente relacionado à maneira como os seres humanos lidam com suas angústias, receios e desejos e o patamar de brilhantismo alcançado com as resoluções de “Toda a Nudez Será Castigada”, em que a prostituta se suicida, depois de ter sido amante do filho gay (enrustido) do homem pelo qual ela se apaixonou , permanece singular.

A atualidade do filme de Jabor assombra e talvez por isso uma revisão, à luz do aniversário de 45 anos, mas também em virtude do debate enviesado e obscurantista em curso, se faça necessária.

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 25 de setembro de 2017 Análises, Críticas, Filmes | 14:13

Orgia testamental de Aronofsky, “mãe!” é cinema que busca sentido em quem o assiste

Compartilhe: Twitter

Novo filme de Darren Aronofsky é uma das produções mais polarizantes de 2017 e um petardo difícil de ser digerido pelo público. Entre o ruído e a excelência, “mãe!” é um filme marcante

Jennifer Lawrence em cena de "Mãe!"

Jennifer Lawrence em cena de “Mãe!”

Se o cinema é a conjugação de enquadramentos e extracampo, Darren Aronofsky parece decidido a levar essa máxima ao limite.  “mãe!” é um filme que parece existir apenas por meio das alegorias que viabiliza. Essa construção tão hermética quanto rocambolesca é, em si, uma restrição à grandeza cinemática objetivada pelo cineasta. É como se seu filme, ao abrir-se quase que por inteiro à interpretação daqueles que se deixem tocar por ele, prescindisse de sua inteireza narrativa e se contentasse com o fato de ser uma colcha de retalhos. De seu criador e daqueles em contato com ele.

Leia também: Por quê o novo filme de Jennifer Lawrence, “Mãe!”, incomoda tanto?

Feita essa restrição, “mãe!” é um filme de profunda e constante reverberação. Não é um filme fácil, tampouco para ser digerido como nos acostumamos a digerir o cardápio usual oferecido pelo cinema contemporâneo.  Esteta de mão cheia, Aronofsky propõe uma experiência incômoda, provocadora e capaz de subsistir em referências e devaneios filosóficos de toda ordem.

Leia também: Novo filme de Guillermo del Toro ganha o Leão de Ouro no Festival de Veneza

mãe posterÉ premente identificar a bíblia como principal fonte para as referências e metáforas salpicadas ao longo das duas horas de filme. Mas as alegorias vão além. É possível perceber um comentário potente a respeito do casamento, do machismo inerente ao viés religioso, de nossa relação com o planeta, à vaidade intelectual, entre outras coisas. O mais acachapante em “mãe!”, no entanto, é a radiografia de um Deus narcisista e autocomplacente.

O filme é, sob muitos aspectos, uma intermitente sessão de terapia. Aronofsky se tem em grande estima e isso fica muito claro nos paralelos que estipula com a figura do criador, mas essa prepotência não é despropositada. O criador não é uma figura tão simpática e benevolente como muitos podem crer. É um filme de muitas camadas e capaz de produzir sentidos conflitantes em diferentes revisões.

 

Entre a parábola e as metáforas

Jennifer Lawrence é a mãe do título. Ela mora com Ele (Javier Bardem) em uma casa afastada no campo. Ele é um escritor e passa por uma profunda crise criativa. Ela é devotada a ele. A relação dos dois parece resfriada e começa a sofrer espasmos quando um estranho (Ed Harris) bate à porta e é acolhido por Ele. Pouco tempo depois é a mulher do estranho (Michelle Pfeiffer) quem chega para desestabilizar de vez mãe, cada vez mais incomodada com a atenção dispensada por Ele aos estranhos.

Leia também: Cinco filmes de Jennifer Lawrence além de “Jogos Vorazes” e “X-Men”

Aronofsky não é um diretor conhecido pela sutileza e a metáfora para Adão e Eva está posta. Logo vem Cain e Abel e quando nos damos conta estamos diante do novo testamento. E o que Aronofsky propõe é uma reinterpretação furiosa desse ciclo bíblico.

A ideia de humanizar a natureza, Jennifer Lawrence nada mais é do que a Mãe Natureza, parece tão desalojada quando genial. Assumir o ponto de vista da Natureza em sua relação com Deus e com o homem pode parecer pueril, mas demanda uma energia criativa potente. Algo que o cinema de poucas concessões de Aronofsky é capaz de prover e aí é preciso alinhar a performance corajosa de Jennifer Lawrence. A atriz assume um papel difícil, todo ele sustentado por expressões de agonia, desentendimento e dor, e se entrega a um diretor disposto a usá-la como artífice e arquétipo em um filme de rara megalomania. Metade da força bruta de “mãe” reside na atuação de Lawrence, que alterna fúria e delicadeza com a mesma intensidade que a natureza oferta um arco-íris após a tempestade.

Darren Aronofsky orienta Jennifer Lawrence no set de mãe!

Darren Aronofsky orienta Jennifer Lawrence no set de mãe!

A falta de química com Javier Bardem é um dos brilhantismos da direção de Aronosfky – há outros. Trata-se de um mecanismo narrativo providencial para adensar as alegorias pretendidas e ensejadas pelo longa-metragem.

“mãe!” é delirante em seus superlativos. Talvez Aronofsky desacredite do cinema de entretenimento. Talvez tenha levado ao extremo o clichê de se pôr no lugar do outro. Talvez seja um filme que só o tempo será capaz de açoitar preconceitos e expectativas. Certo é que “mãe!” é de uma rigidez intelectual ímpar no cinema contemporâneo. Não há como desgostar de uma obra que se proponha a tanto.

Autor: Tags: , , , ,

segunda-feira, 31 de julho de 2017 Análises, Filmes | 13:30

Cult instantâneo, “Em Ritmo de Fuga” inaugura o musical de ação enquanto gênero

Compartilhe: Twitter

Novo filme de Edgar Wright, “Em Ritmo de Fuga”, é bom, original e divertido e o amor de que é alvo mostra que o público está ávido por filmes com essas qualidades

Cena de Em Ritmo de Fuga (Fotos: divulgação)

Cena de Em Ritmo de Fuga (Fotos: divulgação)

O ano de 2017 está se provando pródigo para o cinema e entre muitos bons filmes, “Em Ritmo de Fuga” destaca-se por sua originalidade fulgurante, seu charme inescapável e criatividade assertiva. É um cult instantâneo desses que habitará a memória afetiva de cinefilia no mesmo compasso de produções tão diversas como “Blade Runner – O Caçador de Androides” (1982), “O Grande Lebowski” (1998) e “Pulp Fiction – Tempos de Violência” (1994).

Leia também: De filmes juvenis ao hit do verão, Ansel Elgort se consolida em Hollywood

Edgar Wright, responsável pela trilogia do Cornetto, composta por “Todo Mundo Quase Morto” (2004), “Chumbo Grosso” (2007) e “Heróis de Ressaca” (2013), defende um cinema pop, bem-humorado e com boas referências cinéfilas. “Em Ritmo de Fuga” traz essa assinatura em cada fotograma. É um musical de ação, como muita gente anda definindo.

Leia também: Criativo e original, Christopher Nolan é o cineasta mais poderoso de Hollywood

A premissa é simples, Baby (Ansel Elgort) é um jovem e prodigioso motorista que por ter uma “dívida” com Doc (Kevin Spacey), um gangster que opera nas sombras e escalas diferentes equipes para assaltos audaciosos, dirige os veículos de fuga de Doc nesses serviços. A peculiaridade de Baby é que ele ouve música o tempo inteiro, um recurso objetiva amenizar um zumbido que é sequela de um acidente na infância, mas também se justifica pelo apreço do rapaz a dar uma trilha sonora para todas as fases e momentos da vida.

Essa simbiose entre Baby e a música também se verifica entre as cenas, principalmente as de ação, e a música. Wright é hábil ao construir sua narrativa a partir dessa proposta. Podem ser cenas como o paquera de Baby e Debora (Lilly James) em que os nomes deles emulam canções e reflexões do tipo que costumamos lançar mão em paqueras em bares e restaurantes ou no trato com traficantes de armas, ao som de Tequila, do The Button Down Brass. Nada, porém, supera a genialidade e delicadeza de uma cena no clímax do filme, ao som de Never, never Gonna Give Ya Up de Barry White. O musical de ação de Wright mais do que espirituoso, é convidativo; o púbico flui junto com Baby.

Leia também: As 10 melhores trilhas sonoras do cinema

Edgar Wright orienta Ansel Elgort no set de Em Ritmo de Fuga

Edgar Wright orienta Ansel Elgort no set de Em Ritmo de Fuga

Se imaginação é o forte desse filme, que mescla romance, violência, música e cinismo, muito se deve ao talento de Wright como roteirista. À direção, no entanto, falta um pouco desse viço criativo. As cenas de ação, apesar da bem-vinda abordagem musical, são relativamente frustrantes. O clímax é atropelado – muita coisa acontece e muita coisa francamente inverossímil dentro do pacto estabelecido entre o público e o filme – e Wright investe em um final atípico para o público ao qual o filme majoritariamente se dirige. É um bom final, trágico de uma maneira esperançosa, socialmente responsável até, mas pode reforçar o status de que o filme não sobrevive ao hype.

Ansel Elgort tem uma performance física pertinente à proposta, mas exige algum esforço vê-lo como herói de ação – falta essa convicção ao próprio ator. O resto do elenco, no entanto, compensa essa relativa deficiência. Jamie Foxx ratifica o jeito que leva para construir alucinados em comédias, aqui surge ainda mais insano do que em “Quero Matar Meu Chefe”. Mas o grande trunfo da fita é mesmo Jon Hamm. “Em Ritmo de Fuga” oferta ao Don Draper de “Mad Men”, seu primeiro grande papel no cinema. Talvez seja a “killer track” que ele precisava.

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 24 de julho de 2017 Análises, Bastidores, Filmes | 09:00

Sony já é a grande campeã do verão americano de 2017

Compartilhe: Twitter

Estúdio não será o maior em faturamento na temporada, mas foi o único a apresentar uma equação equilibrada de qualidade, planejamento, risco e originalidade. Algo cada vez mais singular na indústria do entretenimento

Arte do filme "Em Ritmo de Fuga" por Joshua Kelly

Arte do filme “Em Ritmo de Fuga” por Joshua Kelly

A vida da Sony, um dos estúdios mais importantes e prestigiados do sistema que Hollywood representa, não vinha fácil. Sucessivos fracassos de bilheteria que irromperam até mesmo a 2017 – que tem tudo para ser o melhor ano da história recente do estúdio. Alguém se lembra de “Passageiros”, aquela ficção-científica que tanto prometia e ainda reunia dois dos astros mais empolgantes da atualidade? Essa foi a pá de cal na fase malfadada iniciada na tentativa de reiniciar a franquia do Homem-Aranha com Marc Webb e Andrew Garfield à frente.

Leia também: Com fórmula Marvel, “Homem- Aranha: De Volta ao Lar” é o filme que o personagem precisava

Os solavancos foram expressivos e se deram também no âmbito da espionagem corporativa, quando hackers norte-coreanos invadiram os servidores do estúdio e vazaram documentos e correspondências sigilosas em represália à produção e distribuição do filme “A Entrevista”, que satirizava o ditador daquele país. A década ainda não acabou, mas ela tem sido sofrível para o estúdio que não consegue amealhar sucessos de bilheteria, ou mesmo de crítica. Tirando o selo de arte, o Sony Classics, que praticamente só compra e distribui filmes independentes, o estúdio está fora do Oscar desde 2012, quando teve “ A Hora Mais Escura” entre os finalistas.

Leia também: Marvel, DC e Netflix movimentam a Comic-Con com trailers de blockbusters

A torre negraMas 2017 parece mesmo o ano da mudança. Para começar, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” agradou a crítica e já caminha para os US$ 500 milhões na bilheteria mundial. É oficialmente um hit e foi o filme mais barato do aracnídeo produzido pelo estúdio. A parceria com a Marvel rendeu e rendeu bem em todas as frentes. Se cercar de talento e apostar no risco foi uma estratégia certeira em outras frentes também.

Edgar Wright (“Scott Pilgrim Contra o Mundo”) é um dos cineastas mais talentosos e apaixonados por cinema que há hoje e botar esse cara para fazer um filme com o apoio do sistema de estúdios é a coisa certa a fazer, mas não é o que os estúdios andam fazendo atualmente. “Baby Driver”, “Em Ritmo de Fuga” no Brasil, é dos filmes mais bem cotados pela crítica americana no ano. Barato, tá com um boca a boca positivo e se segurando contra blockbusters de raiz no mercado da América do Norte. A Sony já pensa na continuação.

Mais do que o hype, “Em Ritmo de Fuga” é um filme original em uma era em que franquias e adaptações dominam. É um gol de placa da Sony em uma temporada que os arrasa-quarteirões não estão convencendo nas bilheterias.

deNão obstante, a Sony ainda tem “A Torre Negra”, aguardada adaptação de Stephen King, com Idris Elba e Matthew McConaughey à frente do elenco. É mais uma tentativa de emplacar um franquia e depender menos de um certo aracnídeo. O hype e a expectativa jogam a favor da empreitada da Sony que calculou muito bem sua movimentação na temporada.

Leia também: Estúdio desiste de lançar “A Entrevista” nos cinemas dos EUA

Essa é a herança positiva de Amy Pascal, que deixou a presidência da Sony Pictures na esteira do escândalo dos vazamentos de e-mails da empresa. Tom Rothman, que já dirigiu a FOX e a Tristar, divisão da Sony, deve seguir o bom caminho ensejado por Amy, que segue como produtora vinculada à empresa.

A Sony não vai figurar entre os melhores faturamentos do ano. Warner e Disney vão protagonizar mais uma vez essa disputa – com larga vantagem para a segunda – mas tem um 2017 de recuperação e deve deixar a Paramount isolada na posição de grandes estúdios em naufrágio acelerado.

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 20 de junho de 2017 Análises, Bastidores, Notícias | 19:05

Mau jornalismo afeta agenda feminista com informações equivocadas sobre remuneração de Gal Gadot em “Mulher-Maravilha”

Compartilhe: Twitter

Informações mal apuradas substanciaram revolta nas redes sociais a respeito da disparidade salarial entre a Mulher-Maravilha e o Superman, mas a história estava mal contada

Superman, Mulher-Maravilha e Batman em cena de "Batman vs Superman" (Fotos: divulgação)

Superman, Mulher-Maravilha e Batman em cena de “Batman vs Superman”
(Fotos: divulgação)

É bem público e ainda mais notório que existe uma abismal diferença nos salários pagos aos atores e atrizes em Hollywood. Desde o Oscar 2015, com aquele emblemático discurso de Patricia Arquette, uma discussão séria e constante capitaneada por atrizes como Jessica Chastain, Natalie Portman, Robin Wright e Jennifer Lawrence tem sido abastecida quase que diariamente a respeito e já há (tímidos) sinais de mudança.

Leia também: “Mulher-Maravilha” é acerto da Warner em Hollywood, no cinema e na vida 

Na noite desta segunda-feira (19), porém, Hollywood foi tomada de assalto com a notícia de que Gal Gadot recebera US$ 300 mil pela atuação em “Mulher-Maravilha”, um reiterado sucesso de crítica e de público. Já Henry Cavill teria recebido US$ 14 milhões por “O Homem de Aço” (2013). O artigo da edição americana da Elle, embasado em um dado divulgado pela Variety em 2014, detonou uma reação global de achaque a Warner por sexismo. Foi tudo um mal entendido, para dizer o mínimo.  Um reflexo desses tempos afoitos de redes sociais em que se tem como objetivo não noticiar, mas viralizar nas redes.

Leia também: Entretenimento de primeira, “Mulher- Maravilha” é o filme que o mundo esperava

Existe, sim, uma diferença alarmante na remuneração praticada por estúdios junto a atores e atrizes, mas aqui, no caso que gerou protestos e indignação de toda ordem, ela não existe. É praxe na negociação de contratos de filmes de super-heróis – o gênero mais abundante e lucrativo do cinema contemporâneo – vincular salários e bônus ao rendimento dos filmes, bem como já alinhar contratos duradouros para três ou mais filmes.

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

Os US$ 14 milhões atribuídos a Cavill, que é importante frisar não são passíveis de confirmação, contabilizam bônus por performance de bilheteria de três filmes em que ele surja como o Superman. Além do mais, o orçamento de “O Homem de Aço” foi de US$ 250 milhões, o que permitia certa extravagância na remuneração do elenco, que ainda contou com nomes como Kevin Costner, Russell Crowe, Amy Adams e Michael Shannon. Já “Mulher-Maravilha”, que ainda não superou “O Homem de Aço” nas bilheterias, mas já é percebido como um sucesso, foi orçado em US$ 125 milhões.

Os US$ 300 mil de Gal Gadot, contrato estabelecido nos mesmos moldes do de Chris Evans , o Capitão América, e Chris Hemsworth, o Thor, da rival Marvel, não considera os bônus por performance nas bilheterias. Até porque esses bônus não estão fechados. O contrato também prevê US$ 300 mil de remuneração básica por filme e cobre três filmes. O terceiro sendo “Liga da Justiça”, que estreia em novembro deste ano. Para  o segundo “Mulher-Maravilha”, portanto, um novo contrato será redigido. O valor da remuneração, não estranhem, deve continuar baixo. Para o intérprete, seja ele ator ou atriz, mais vale beliscar o lucro do filme na bilheteria e Gal Gadot já se capitalizou para pleitear cerca de 10% da bilheteria do filme.

Leia também: “Eles fizeram algo especial”, diz diretora sobre atores de “Mulher-Maravilha”

A julgar pela bilheteria de “Mulher -Maravilha”, a atriz receberia por performance algo em torno de US$ 6 milhões, fora os US$ 300 mil da remuneração básica.

Hollywood gosta de ferver seus boatos e um jornalismo cada vez mais impreciso, cada vez mais refém dos humores das redes sociais, vira palha nessa fogueira de vaidades. Pior: a verdadeira demanda por paridade salarial acaba eclipsada à luz de uma patetada como essa.

 

Autor: Tags: , , , ,

segunda-feira, 5 de junho de 2017 Análises | 16:00

A guerra do estúdios ao site Rotten Tomatoes e a restabelecida energia da crítica de cinema

Compartilhe: Twitter

Paramount e Disney abrem fogo contra o site agregador de críticas Rotten Tomatoes e falam em cancelar sessões para a imprensa de seus grandes lançamentos. Mas essa “guerra” não é essencialmente nova em Hollywood

via GIPHY

É um tanto comum a percepção de que a crítica de cinema é uma arte moribunda. Muito pouca gente se abaliza por uma crítica na hora de ir ao cinema ou escolher um filme para assistir. Se internet e redes sociais hoje são senhoras do hype, um fenômeno interessante envolvendo a crítica de cinema aconteceu: o site agregador de críticas Rotten Tomatoes passou a servir como uma referência. É justamente essa referência, e a crítica por tabela, que estão no centro de uma polêmica envolvendo alguns dos principais estúdios de cinema.

Leia também: “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” prepara adeus a Jack Sparrow

Paramount e Disney culparam o Rotten Tomatoes pelo pífio desempenho comercial de “Baywatch”, do primeiro, e “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, do segundo, nos cinemas. Na lógica desses estúdios a baixa aprovação crítica, “Baywatch” tem cotação de 19% enquanto “A Vingança de Salazar” tem pouco mais de 40%, afugentou a audiência do cinema.

Leia também: Dwayne Johnson e Zac Efron esbanjam química nos bastidores de “Baywatch”

O Rotten Tomatoes tem, de fato, muitos problemas enquanto conceito. Ele parte do pressuposto que uma resenha se resume a avaliar positiva ou negativamente uma produção – uma demanda mais do público médio do que da crítica em si. A gradação é outro ponto questionado. Uma nota “C+” é alinhada entre as críticas positivas enquanto um “B-“, nitidamente uma nota superior, entre as negativas.  Ainda assim, a queixa dos estúdios não procede.

"Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar" não emplacou junto a crítica e vai mais ou menos na bilheteria

“Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” não emplacou junto a crítica e vai mais ou menos na bilheteria

É sintomático em uma indústria que prioriza o seguro em detrimento do risco e aposta em franquias e histórias consolidadas, que grande parte dos lançamentos de uma temporada naufrague. Com produções cada vez mais caras – “Piratas” custou US$ 320 milhões e o “barato” Baywatch”, US$ 69 milhões -, a necessidade dos estúdios produzirem sucessos também é cada vez maior.

O público sabe o que quer e o que não quer. Um quinto “Piratas” desperta menos curiosidade do que o primeiro “Mulher – Maravilha”. Nesse sentido, o Rotten Tomatoes, que sustenta a exagerada marca de 93% de aprovação para o filme de Patty Jenkins, nada mais é do que um reflexo do interesse do público. Ainda que todos esses filmes gozem de menos prestígio junto à crítica do que “Corra!”, um hit do cinema independente que já amealhou mais de US$ 200 milhões nas bilheterias dos EUA.

Leia também: “Mulher-Maravilha” é acerto da Warner em Hollywood, no cinema e na vida

A Paramount ameaçou não fazer sessões de seus filmes para a imprensa. Puro recalque, diria Valesca Popozuda. O problema não é a crítica. O problema é a qualidade dos filmes e, ainda que com conotação negativa para os estúdios, a percepção e critério mais sofisticados da audiência em relação à variedade de opções no cinema. A ideia de sabotar a crítica de cinema paira já há algum tempo, mas imbróglios como esse inadvertidamente acabam por fortalecê-la.

Autor: Tags: , , , ,

quarta-feira, 26 de abril de 2017 Análises, Diretores | 12:47

Cineasta clássico, Jonathan Demme explorou o cinema ao máximo e manteve-se humilde

Compartilhe: Twitter

Diretor de obras consagradas como “O Silêncio dos Inocentes”, “Filadélfia” e “Sob o Domínio do Mal”, também dirigiu coisas para a TV como as preciosidades “The Killing” e “Enlightened”

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de "Ricki and The Flash"

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de “Ricki and The Flash”

Em um ano que já levou Emmanuelle Riva, John Hurt, Bill Paxton, entre outros grandes nomes da sétima arte, a notícia da partida do cineasta Jonathan Demme é especialmente dolorida. O diretor morreu na manhã desta quarta-feira (26) em Nova York  decorrência da luta contra um câncer de esôfago.

Ele tinha 73 anos e seu último filme foi “Justin Timberlake + The Tennessee Kids”, um documentário para a Netflix. Jonathan Demme era do tipo que alternava-se entre longas de ficção e documentários. O gosto por contar histórias era tão altivo que dirigiu episódios de séries de TV antes mesmo delas sequestrarem os talentos de Hollywood.

Leia também: Quem canta os males espanta no delicado “Ricki and The Flash”

Foi um dos grandes, mesmo que não se comportasse como tal e não se importasse em envernizar um legado que, agora, cresce de tamanho. Junto de Milos Forman e Frank Capra ostenta a honorável marca de cineasta a ter dirigido um filme a conquistar o prestigiado big five no Oscar, os prêmios de filme, direção, roteiro, ator e atriz. “O Silêncio dos Inocentes” (1991), o último a conquistar tal façanha, compreensivelmente, será seu filme mais lembrado. Mas sua filmografia é muito mais diversa e reverenciável do que este excelente e definidor filme propõe.

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015 (Fotos: divulgação/shutterstock

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015
(Fotos: divulgação/shutterstock)

O primeiro Oscar de Tom Hanks, hoje um patrimônio tanto do cinema como do establishment americano, veio com o suporte de Demme que produziu e dirigiu “Filadéfia” (1993), um robusto drama sobre o impacto da AIDS em um momento que a América ainda tratava o assunto com reticências.

Demme transitava com desenvoltura por diversos gêneros. A comédia sofisticada (“De Caso com a Máfia”), a comédia de ação (“Totalmente Selvagem”), o thriller político (“Sob o Domínio do Mal”), o drama familiar indie (“O Casamento de Rachel”) e suspense (“O Abraço da Morte”). Seu último longa de ficção foi o tenro e musical “Rickiand The Flash: De Volta para a Casa” (2015), estrelado por Meryl Streep, em que pôde conjugar suas duas grandes paixões: a música e o cinema.

Jonathan Demme foi um cineasta clássico, com acurado domínio da gramática do cinema. Soube remover-se de sua zona de conforto e explorou o cinema o máximo que pôde. Construiu uma filmografia plural, rica, intensa e que a história se incumbirá de tornar  grande.

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 13 de abril de 2017 Análises, Bastidores, Filmes | 13:50

Cannes 2017 terá briga entre Netflix e Amazon, autores consagrados e Nicole Kidman como rainha

Compartilhe: Twitter

Mais badalado festival de cinema do mundo chega à 70ª edição com fôlego invejável e escolhas empolgantes. Nicole Kidman estrela quatro produções em destaque no evento

Nicole Kidman tem recorde de filmes em destaque em Cannes em 2017 (foto: HHFP/divulgação)

Nicole Kidman tem recorde de filmes em destaque em Cannes em 2017
(foto: HHFP/divulgação)

O line-up da histórica e aguardada 70ª edição do Festival de Cannes foi anunciado nesta quinta-feira (13) e muitos dos filmes e autores comentados garantiram seu lugar de destaque na croisette. A edição de 2017 do mais badalado festival de cinema do mundo terá novos filmes de gente como o austríaco Michael Heneke – duas vezes vencedor do Palma de Ouro com “A Fita Branca” (2009) e “Amor” (2012) – , a inglesa Lynne Ramsey, a americana Sofia Coppola, a japonesa Naomi Kawase, os franceses François Ozon e Michel Hazanavicius e o turco Faith Akin.

Além dos 18 filmes já anunciados, a competição oficial de Cannes deve ter pelo menos mais dois filmes a serem anunciados nos próximos dias. Dois fatos saltam aos olhos em um primeiro momento. Pela primeira vez, Netflix e Amazon, duas gigantes da distribuição e produção de conteúdo audiovisual , estão na disputa pela Palma de Ouro. A primeira vem com dois filmes. O hypado “Okja”, novo de Bong Joon-Ho, e The Meyerowitz Stories, que marca a estreia do festejado indie Noah Baumbach na Riviera francesa. A segunda vem bancando o novo filme do aclamado Todd Haynes, “Wonderstruck”. A inclusão desses filmes na disputa pela Palma de Ouro ajuda a pavimentar essa mudança de paradigma que as gigantes da internet estão promovendo no negócio, e também na arte, chamada cinema.

Leia também: História de fantasma em “Personal Shopper” coloca protagonista para encontrar a si mesma

Cena de The Killing os a Sacred Deer, que marca o retorno do grego Yorgos Lanthimos, de "O Lagosta", a Cannes

Cena de The Killing os a Sacred Deer, que marca o retorno do grego Yorgos Lanthimos, de “O Lagosta”, a Cannes

O outro fato de grande relevância é que Nicole Kidman está em quatro produções de destaque em Cannes. Além de estrelar “The Beguiled”, de Sofia Coppola, e “The Killing of a Sacred Deer”, de Yorgos Lanthinos, ela poderá ser vista em “How To Talk to Girls at Parties”, de John Cameron Mitchell, for a de competição, e na 2ª temporada da série “Top of the Lake”, de Jane Campion. Aliás, Cannes se abre de vez para a TV em 2017. Além de Jane Campion, vencedora da Palma em 1994 com “O Piano”, David Lynch, vencedor em 1990 com “Coração Selvagem”, volta ao festival para exibir os primeiros capítulos de seu revival de “Twin Peaks”.

Hollywood ainda não confirmou presença no festival. Não há, ao contrário dos últimos anos, grandes blockbusters debutando no evento francês. O filme de abertura, inclusive, será o francês “Ismael´s Ghosts”, de Arnaud Desplechin, que conta com Marion Cotillard e Charlotte Gainsbourg. A presença americana se limita ao viés mais autoral, com Coppola e Haynes como expoentes, e é a menor em pelo menos dez anos.

O prolífero François Ozon garantiu presença. Ele é o cineasta francês mais frequente em festivais de cinema. Hazanavicius oferece seu olhar do mito francês Jean-Luc Godard em “Le Redoutable”. E Cannes terá Robert Pattinson e Kristen Stewart. Sim, de novo. Ele está no elenco de “Good Time”, na competição oficial, e ela exibe sua estreia como diretora, o curta-metragem “Come Swin”.

Leia também: Perturbador e cheio de clima, “Fragmentado” é novo acerto de cineasta de “O Sexto Sentido”

Nicole Kidman, Elle Fanning e Isabelle Huppert, que está em dois filmes, prometem ser as musas de Cannes, que receberá os estranhos no ninho Bem Stiller e Adam Sandler, protagonistas do filme de Baumbach.

Elle Fanning em "The Beguiled", novo de Sofia Coppola

Elle Fanning em “The Beguiled”, novo de Sofia Coppola

Confira os filmes que integram a competição oficial

“Loveless”, de Andrey Zvyagintsev

 “Good Time”, de Benny Safdie e Josh Safdie

“You were never really Here”, de Lynne Ramsay

“L’Amant double”, de François Ozon

“Jupiter’s Moon”, de Kornél Mandruczo

“A gentle creature”, de Sergei Loznitsa

“The Killing of a sacred deer”, de Yorgos Lanthimos

“Radiance”, de Naomi Kawase

“Le jour d’après”, de Hong Sangsoo

“Le Redoutable”, de Michel Hazanavicius

“Wonderstruck”, de Todd Haynes

“Happy end”, de Michael Haneke

“Rodin”, de Jacques Doillon

“The Beguiled”, de Sofia Coppola

“120 battements par minute”, de Robin Campillo

“Okja”, de Bong Joon-Ho

“In the Fade”, de Fatih Akin

“The Meyerowitz stories”, de Noah Baumbach

 

O festival de Cannes acontece entre 17 e 28 de maio de 2017.

Autor: Tags: , , , ,

sábado, 18 de março de 2017 Análises, Filmes | 08:30

Redescobrindo “Trainspotting”: Filme resiste ao tempo e se mantém como um soco no estômago do espectador

Compartilhe: Twitter

Cena de Ewan McGregor mergulhando em uma privada ainda é das coisas mais impressionantes que o cinema já produziu. 21 anos depois, “Trainspotting – Sem Limites” ainda mesmeriza e preserva impacto

Ewan McGregor em cena de "Trainspotting - Sem Limites"

Ewan McGregor em cena de “Trainspotting – Sem Limites”

Com a chegada do novo filme, que estreia no Brasil na próxima quinta-feira (23), parece oportuno relembrar “Trainspotting – Sem Limites” (1996). Um dos filmes mais expressivos da década de 90, a produção de Danny Boyle se tornou um cult instantâneo e pavimentou principalmente a carreira de Ewan McGregor, que dois anos antes tinha feito “Cova Rasa” com Boyle.

Leia também: Vencedor do Oscar, “Moonlight” é rico em subtextos visuais e narrativos

 

Adaptado da obra Irvine Welsh, “Trainspotting” não só é o filme mais enfático e absoluto sobre o uso de drogas, sem se resolver a partir de um julgamento moral, mas também um retrato desromantizado de toda uma geração. Durante a promoção do segundo filme, Ewan McGregor disse que sentiu que Mark Renton era o papel de sua vida e talvez seja mesmo. McGregor é muito bom ator e fez muita coisa boa de lá para cá, mas este personagem é tão emblemático e reverberante que é difícil esbarrar em algo mais significativo do ponto de vista histórico.

Leia também: “Get Out” e “Prevenge” são os filmes de terror mais hypados de 2017

As desventuras e picadas de um grupo de jovens de Edimburgo, na Escócia, envelheceu muito bem. No aniversário de 21 anos do filme, com a eminência da continuação, o filme original resiste como um soco no estômago.

A trilha sonora vibrante, a linguagem viodeoclipada, o cinismo efervescente de Renton, o bromance com Sick Boy (Johnny Lee Miller), a urgência do registro sobre o apelo das drogas para uma juventude potencialmente alienada e aquela Escócia à vontade às sombras da Inglaterra.

A turma de Trainspotting reunida

A turma de Trainspotting reunida

“Trainspotting” chegou à segunda década do século XXI em carne viva.

Leia também:Entre falhas e acertos, “A 13ª Emenda” acena para América mais humanizada

Rever o filme hoje é interessante, ainda, à luz de um pensamento social cada vez mais tolerante ao consumo de drogas. Transbordante em cultura pop, as referências de Sick Boy a Sean Connery são especialmente saborosas agora que o ator escocês já está aposentado, o filme se assevera como documento histórico que ainda detém a bonificação de ser um símbolo do britpop que explodiu na década de 90.

Rever “Trainspotting” é ser invadido por uma sensação que alguns filmes dos anos 90 provocaram e que o cinema recente parece capaz de instigar com menos frequência. A sagacidade da obra, seu vaticínio, força dramática e, fundamentalmente, seu espírito permanecem intactos.

Autor: Tags: , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. Última