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sábado, 10 de janeiro de 2015 Análises | 16:08

Algumas conjecturas sobre o Globo de ouro deste domingo

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A temporada de prêmios no cinema entra em fase decisiva nesta semana com a entrega dos prêmios Globo de Ouro, no domingo,  Critic´s Choice Awards, na quinta-feira, e com o anúncio dos indicados ao Oscar, na mesma quinta. Favoritos serão consolidados, tendências confirmadas e muitos filmes e artistas se verão excluídos definitivamente da corrida pelo Oscar.

O Globo de Ouro deve confirmar neste domingo com os primeiros prêmios mais midiáticos a polarização que “Boyhood” e “Birdman” vêm experimentando. Mas “Selma”, filme que surgiu com forte presença entre a associação de correspondentes estrangeiros, que distribui o prêmio, não pode ser desprezado.

Entre os diretores, Richard Linklater (“Boyhood”) e Alejandro Gonzáles Iñarritu (Birdman) podem ser eclipsados pela força ascendente de Ava DuVernay, primeira negra indicada na categoria. Além do hype ser bom (e lograria um feito ao Globo de Ouro ainda inédito no Oscar), o trabalho de Ava é louvado pela crítica. Ademais, seria uma premiação estratégica se a tendência for pela pulverização dos prêmios entre os principais concorrentes, tônica comum no Globo de ouro nos últimos anos.

Em sentido horário: o líder em indicações "Birdman", o   azarão sólido "Selma", o celebrado "Boyhood" e o inglês tradicional "O jogo da imitação" (Foto: montagem sobre reprodução)

Em sentido horário: o líder em indicações “Birdman”, o azarão sólido “Selma”, o celebrado “Boyhood” e o
inglês tradicional “O jogo da imitação”
(Foto: montagem sobre reprodução)

Nas categorias de atuação já é possível apontar algumas certezas. É improvável que Julianne Moore não seja premiada neste domingo. Há a possibilidade bastante palpável de que ela repita o feito de Kate Winslet em 2009 e seja duplamente laureada, já que concorre por “Mapa para as estrelas”, entre as comédias, e “Para sempre Alice”, entre os dramas. De qualquer modo, a vitória mais provável é entre as atrizes dramáticas pelo trabalho em “Para sempre Alice”.

Jennifer Aniston (“Cake”), entre as atrizes dramáticas, e Emily Blunt, entre as cômicas, podem ser as pedras no meio do caminho de Moore em ambas as frentes.

Já entre os atores, Michael Keaton (“Birdman”) reina absoluto na categoria de comédia/musical. Difícil crer que outro senão ele seja o vencedor neste domingo. Mas Ralph Fiennes, por “O grande hotel Budapeste” pode ser aquela zebra que faz bem a toda a premiação.

Entre os atores dramáticos, o buraco é mais embaixo. Qualquer um dos cinco finalistas poderia levar o troféu. Mas os atores ingleses (Benedict Cumberbatch e Eddie Redmayne), lembrados pelas biografias “O jogo da imitação” e “A teoria de tudo”, parecem estar um passo à frente nesta contenda.

A disputa entre os coadjuvantes parece mais encaminhada. Se tudo correr conforme se imagina, Patricia Arquette (“Boyhood”) e J.K Simmons (“Whiplash: em busca da perfeição”) devem prevalecer.

Wes Anderson pode ser agraciado pelo roteiro de “O grande hotel Budapeste”, já que aqui reside a chance mais substancial de seu filme, em alta na temporada, ser premiado.

O polonês “Ida” deve ser apontado a melhor produção em língua estrangeira, mas não seria nenhuma surpresa se a vitória ficasse com o sueco “Força maior” ou o russo “Leviatã”.

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014 Análises, Filmes, Listas | 11:43

Retrospectiva 2014 – Os vinte melhores filmes do ano

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Para encerrar 2014 aqui no Cineclube, nada mais justo do que relembrar e honrar as melhores produções do ano. Não foi um grande ano para o cinema. O que não quer dizer que não tenhamos tido ótimos filmes lançados no país. Eram elegíveis para essa lista todas as produções lançadas comercialmente no Brasil entre 1º de janeiro e 25 de dezembro. Além, é claro, de filmes lançados diretamente em DVD´s ou na televisão, outrora vista como mídia menos interessante.

Há, natural e compreensivelmente, uma presença preponderante de produções norte-americanas na lista. Mas há espaço para Brasil, Polônia, Argentina, Grécia, Romênia e outras cinematografias que deram o que falar em 2014. Muita coisa boa ficou de fora. A subjetividade de toda lista surge aqui combinada com a objetividade que todo crítico de cinema deve perseguir. O que não extingue o caráter pessoal  da análise, dada a natureza da atividade crítica em si.

Inside Llewyn Davis - versão

Direção: Joel e Ethan Coen

Lançamento original: 2013

País: EUA

Os Coen revisitam território familiar ao retratar a jornada (majoritariamente enfadonha) de Llewyn Davis, um aspirante a cantor na cena nova-iorquina que via emergir o folk (gênero musical que consagrou Bob Dylan)com toda a sua força. Davis é um dos muitos expelidos do sonho americano que frequentam a filmografia dos Coen, mas o filme é um tour de force por se esmerar em um fiapo de história e ofertar grandes insights sobre a existência.

Clube de Compras Dallas 11

Direção: Jean-Marc Vallée

Lançamento original: 2013

País: EUA

Esqueça, se for possível, as fantásticas e oscarizadas atuações de Matthew McConaughey e Jared Leto. Esse misto de filme-denúncia com história de sobrevivência tem um coração do tamanho de um elefante. Com um roteiro acima da média e atores em estado de graça, Vallée fez um doloroso e importante filme sobre o surgimento atroz da Aids na América e a maneira desumana com que a indústria farmacêutica abordou a questão.

O passado - versão final 11

Direção: Asghar Farhadi

Lançamento original: 2013

Países: França/Irã

Não era fácil superar “A separação”, poderoso filme vencedor de vários prêmios que colocou Asghar Farhadi no mapa da cinefilia. Se não o faz, Farhadi falha com louvor. “O passado” expande o olhar investigativo do diretor sobre as reminiscências de nossas relações amorosas. Existe ética no amor? O sobressalto do amor é capaz de sobrepujar diferenças culturais? O debate ensejado por essa riquíssima obra não se esgota ao fim da sessão.

O homem duplicado  - versão final 1

Direção:  Denis Villeneuve

Lançamento original: 2013

País: Canadá

Essa adaptação certeira de José Saramago versa sobre a singularidade do indivíduo à sombra da sociedade. A formulação e reconhecimento da identidade, portanto, forma a matéria prima do filme de Villeneuve. Um professor à beira da depressão descobre um sósia e resolve segui-lo para saber mais sobre a curiosa situação. O despojamento estético da obra, a gravidade da inflexão proposta e o rigor da mise-em-scène tornam “O homem duplicado” um dos filmes mais inteligentes e desafiadores do ano.

Ida - versão final 1

Direção: Pawel Pawlikowski

Lançamento original: 2014

País: Polônia

Filmado em um preto e branco hipnotizante, essa história singela de uma freira que descobre ser filha de judeus perseguidos e mortos durante o regime nazista, estabelece um painel histórico sobre a Polônia que agonizou durante boa parte do século XX. “Ida” é daqueles filmes obrigatórios não só para quem gosta de cinema, mas para que percebe na sétima arte uma válvula contínua de reflexão e história.

 Instinto materno - versão final

Direção: Calin Peter Netzer

Lançamento original: 2013

País: Romênia

Equacionar um conflito geracional e familiar a um conflito de classes em uma Europa em decadência exige um diretor de pulsos fortes. Netzer alinhava essa trama na qual uma mãe se ressente do afastamento nada sutil de seu filho, mas que não hesita em mover mundos e fundos quando ele enfrenta a possibilidade de ir para a cadeia por homicídio culposo. A fita romena é um poderoso estudo as contradições humanas e um retrato desolador do poder desestabilizador do dinheiro.

Ninfomaníaca - versão final 11

Direção:  Lars Von Trier

Lançamento original: 2013/2014

Países: Dinamarca/Alemanha/França/Inglaterra

São dois volumes, mas trata-se, na verdade, de apenas um filme e assim “Ninfomaníaca” surge em nossa lista. O filme de sexo explícito de Lars Von Trier é, em sua essência, um estudo libertino e imaginativo sobre nossas angústias existências, refletidas como bem lembraria Freud, no sexo. O cineasta dinamarquês perpassa diferentes fetiches e obsessões, começa trabalhando com arquétipos e por fim dá voz a sua heroína, Joe, parra arrematar o mais deserotizado filme a abordar o sexo que o cinema já viu. Von Trier, a despeito de muitos desapontamentos, não queria distrair a audiência tão interessada em suas digressões.

 Sob a pele - versão final

Direção: Jonathan Glazer

Lançamento original: 2013

País: Inglaterra

O filme é hermético? Sim. É uma experiência estética intrigante? Também. É bom? Demais! “Sob a pele” é o que se convém classificar como filme difícil. Mas a obra de Jonathan Glazer é das mais brilhantes de 2014 no que propõe sobre o homem – como espécie –  e o meio. Scarlett Johansson faz uma alienígena que atrai homens com sua aparência para matá-los, mas aos poucos vai se afeiçoando pelo que nos caracteriza humanos. Filme de muitas camadas, permite interpretações a contento. É para ser descoberto, apreciado e redescoberto.

 Praia do futuro (versão)

Direção: Karim Aïnouz

Lançamento original: 2014

Países: Brasil/Alemanha

Um filme sobre impulsividade. Sobre assumir os próprios desejos. Sobre renúncia. Sobre tesão. Sobre ser homem. E sobre amar outro homem. “Praia do futuro”, novíssima obra-prima em só menor de Karim Aïnouz, opõe a cosmopolita Berlim à ensolarada Fortaleza como versões conflitantes do protagonista Nonato, defendido com a habitual entrega por Wagner Moura. Um filme que dá orgulho de dizer que é brasileiro.

 Nebraska -  versão final

Direção: Alexander Payne

Lançamento original: 2013

País: EUA

Um road movie banal no recorte que faz do extraordinário. Ou seria o contrário? Alexander Payne borra a noção de extraordinário e banal ao contar a história de um homem que já dá os primeiros sinais de senilidade em uma viagem para resgatar um prêmio que não existe. No meio do caminho, as pazes com o passado e com seu filho. Um filme belíssimo que resiste ao tempo e cresce de tamanho à medida que nos afastamos dele. Uma das grandes joias do ano nos cinemas brasileiros.

 Era uma vez em NY - versão final 11

Direção: James Gray

Lançamento original: 2014

País: EUA

Vamos começar falando pelo plano que fecha o filme. É a coisa mais fascinante e narrativamente eloquente feita por um diretor em muitos anos. O fecho de “Era uma vez em Nova York” potencializa essa história de tragédia e amor em uma Nova York mais parasita do que receptiva aos estrangeiros que buscam o sonho americano. Polonesa chega aos EUA e se vê obrigada a se prostituir para conseguir liberar sua irmã tuberculosa que ficou detida ao desembarcar nos EUA. Os arremedos do destino podem ser cruelmente poéticos é o que sugere esse poderoso filme de James Gray.

 Relatos selvagens - versão final 11

Direção: Damián Szifron

Lançamento original: 2014

País: Argentina

Nenhum filme combinou as tarefas de entreter e ensejar reflexão com tamanha astúcia e eficácia como este exemplar argentino, a maior bilheteria da história do cinema hermano.

Em seis inspirados episódios, Szifron tece comentários fortes e espirituosos sobre nossa sociedade – tudo a partir do pouco civilizado desejo de vingança. Humor, violência, tensão e drama se fundem a um todo que faz todo o sentido.

 Mesmo se nada der certo - versão final 11

Direção: John Carney

Lançamento original: 2014

País: EUA

Pense no filme mais saboroso do ano. Se você não pensou em “Mesmo se nada der certo” quer dizer que você não viu o filme mais saboroso do ano. John Carney reedita, com mais inspiração e uma bela dose de Keira Knightley, Mark Ruffalo e Adam Levine, a fórmula que já havia aplicado em “Apenas uma vez”, faz uma crítica bem sacada dos rumos da indústria musical e conta uma história agridoce sobre corações partidos, amor à música e Nova Iorque. Não tem como não amar!

 Miss violence - versão final2

Direção: Alexandro Avranas

Lançamento original: 2013

País: Grécia

Aborto, incesto e outros tipos de abuso familiar compõem o painel desse poderoso e chocante drama grego. Multipremiada, a fita de Avranas faz um retrato triste e pálido de uma Grécia caída em desgraça. As ruínas da civilização se refletem em uma família que tenta manter a aparência altiva, mas a câmera insiste em insinuar que há algo de muito errado submerso naquela rotina familiar que abraçou com estranha tranquilidade o suicídio de uma menina em seu aniversário de 11 anos. Nada nos prepara para as verdades que emergirão desse olhar intrusivo que dispensamos a essa família.

 Trapaça - versão final

Direção:  David O. Russell

Lançamento original: 2013

País: EUA

Não há personagens como nos filmes de David O. Russell. Em “Trapaça”, ambientando nos anos 70, eles buscam a reinvenção como combustível para uma vida plena. Cafona, exagerado, colorido, musicado e cheio de diálogos espertos,“Trapaça” é irresistível. É um filme verdadeiro com seus personagens e correto com a plateia. O entretenimento desta, ou qualquer mensagem, não se sobrepõem à jornada dos personagens. É bom cruzar com um filme destes de vez em quando. E que personagens!

Boyhood - versão final 11

Direção: Richard Linklater

Lançamento original: 2014

País: EUA

2014 talvez seja lembrado como o ano de “Boyhood” e, se vingar, será um bom rótulo cinéfilo para o ano. A produção de Richard Linklater é corajosa, esteticamente inovadora, narrativamente cativante, mas acima de tudo, é cinema bruto. De raiz. Acompanhamos a vida de um menino por doze anos. Simples assim. Mas são doze anos mesmo… Realidade e ficção se embaralham nesse misto de vanguarda e nostalgia que Linklater forjou. Ensimesmados, agradecemos!

 K

Direção: Dan Gilroy

Lançamento original: 2014

País: EUA

Qual a relação entre a deturpação do sonho americano e o sensacionalismo midiático? Talvez não haja nenhuma, mas talvez haja. “O abutre” certamente flerta com a possibilidade ao mostrar a súbita ascensão de um homem sem grandes ambições como cinegrafista de tragédias nas noites de Los Angeles. Um aterrorizante Jake Gyllenhaal dá o tom de um dos filmes mais subversivos e pungentes da temporada.

Ela - versão final

Direção: Spike Jonze

Lançamento original: 2013

País: EUA

Pode o grande romance do ano ser entre um homem e um sistema operacional? Pode sim! Mas “Ela” é muito mais do que isso. É um olhar tenro para nossa necessidade de conexão. Um vaticínio sobre esses tempos de solidão e uma deliciosa crônica sobre amar, não necessariamente sobre o amor – ainda que a relação seja intrínseca. “Ela” é cult, pop, inteligente, anacrônico, hi-tech , ficção científica e romance. Esse hibridismo bem adornado por Spike Jonze amarga e adoça como tudo que é realmente bom na vida.

 Garota exemplar - versão final

Direção: David Fincher

Lançamento original: 2014

País: EUA

Uma tenaz análise do casamento e de seus e efeitos sobre o individuo e sobre o casal ao longo dos anos no mesmo compasso que é uma crítica virulenta à sociedade do espetáculo. Tudo em ritmo de thriller. David Fincher, com sua elegância habitual, entrega outro filme maiúsculo com turns e subplots sempre impactantes e cativantes. Ben Affleck nunca esteve melhor e Rosamund Pike, mais assustadora. “Garota exemplar” é um filme salutar em todos os seus arranjos e dividendos.

 O lobo de Wall Sreet - versão final

Direção:  Martin Scorsese

Lançamento original: 2013

País: EUA

Uma obra-prima moderna. É um neoclássico. Adjetivos à parte, essa crônica da ganância insolvente alinhada por Martin Scorsese a partir de um caso real saído da Wall Street dos anos 90 é puro cinema de imersão. Da fotografia convidativa à alucinada atuação de Leonardo DiCaprio, “O lobo de Wall Street” transborda na tela com sua incorreção política, seus inúmeros “fuck” e o olhar potente de um cineasta no auge de sua forma.

Fotos: montagem sobre imagens de divulgação

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domingo, 28 de dezembro de 2014 Análises, Filmes | 16:12

Retrospectiva 2014 – Quais foram os principais temas do cinema no ano?

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Falou-se de amor, claro, em 2014. Mas o cinema recepcionou e abraçou outros temas tão complexos e multifacetados como o amor e outros que se fundem ou se distanciam dele.  Philippe Garrel, a quem coube o espólio da Nouvelle Vague, analisa o amor sob o prisma do ciúme, cuja escala e intensidade dividem opiniões no mesmo compasso em que o dito cujo se manifesta em “O ciúme”. Produções como o chileno “Gloria” abordam o amor sob uma perspectiva incomum. A do amor próprio. Cinquentona, a personagem título do filme, que estreou no Brasil em fevereiro, busca se amar mais, se respeitar mais e se ouvir mais do que se entregar aos homens com quem flerta de quando em quando.

Os brasileiros “Boa sorte” e “Latitudes”, este último um projeto estético tão interessante que merece menção posterior, abordam amores transversais. No primeiro, o encontro do jovem incompreendido que sente que não vive, com a moça cheia de arrependimentos próxima da morte, mas que sente tesão por viver. No segundo, o tempo e o espaço valsam com os sentimentos enquanto os protagonistas vivem uma história de amor não assumida em viagens por diversas cidades do mundo.

Finalmente, “Será que?”, estrelado pelo Harry Potter que cada vez mais vira Daniel Radcliffe, o dilema que assola muitos homens e mulheres. Será que eu e ela ficamos só na amizade mesmo?

O preto e branco frio de "O ciúme": o amor vai ao divã no cinema em 2014

O preto e branco frio de “O ciúme”: o amor vai ao divã no cinema em 2014

Dilema este que parece superado em ‘Os amigos”, outra perola nacional de 2014, que faz um elogio da amizade. Os personagens de Marco Rica e Dira Paes parecem ter superado este dilema. Parecem. Em “Mesmo se nada der certo”, os protagonistas (Keira Knightley e Mark Ruffalo) também parecem interessados um no outro, mas na verdade têm o incrível interesse pela música (e o coração partido) em comum. Dessa afinidade surge um filme que enfatiza a necessidade de se apreciar a vida.

O amor ainda rimou com tecnologia em 2014, com o lançamento de “Ela”, fábula romântica moderna de Spike Jonze. Nossa necessidade de conexão é tão profunda que nos apaixonarmos por um sistema operacional não é uma realidade distante. Assim como não é o debate acerca de drones aventado por José Padilha no remake que fez de “Robocop”. A fusão de homem e máquina e o alvorecer da inteligência artificial também são o cerne de “Transcendence – a revolução”. O filme é ruim, mas a discussão é boa.

Houston, nós temos um problema

Por falar em filme ruim, este foi o ano de “Interestelar”. A produção de Christopher Nolan pode ser ruim, mas não deixa de ser interessante. Além do mais, levou para o cinema a física e colocou teoria da relatividade, buraco de minhoca e outras “doideiras” em discussões de quem nem sequer gosta de ouvir que dois corpos não ocupam o mesmo lugar. A grande sacada de “Interestelar”, talvez, seja a solução desenhada por Nolan subliminarmente. A felicidade deve ser perseguida, mas é uma impossibilidade vivê-la. Woody Allen, de uma maneira completamente diferente, aperta o mesmo nervo em “Magia ao luar”. Allen questiona se vale a pena renunciar ao ceticismo de toda uma vida e abraçar a fé no oculto como forma de conquistar certa paz espiritual. Terry Gilliam também rabisca a física para produzir o mesmo comentário em “O teorema zero”, em que Christoph Waltz enlouquece à espera de um telefonema que lhe revelaria a razão da existência. Já em “Nebraska”, um homem comum, que levou uma vida pacata com mais erros do que acertos, resolve fazer uma longa viagem para resgatar um prêmio que não existe. Essa opção pela ilusão é um comentário certeiro do cineasta Alexander Payne sobre a impossibilidade de se ser feliz e dos mecanismos que desenvolvemos para nos ludibriar. “Trapaça” complementa o ensejado por “Nebraska” ao mostrar personagens que tentam se reinventar enquanto querem mais. Mais vida. Mais amor. Mais sucesso. Mais dinheiro. Mais tudo.

A solidão da hiperconectividade é destaque em "Ela"

A solidão da hiperconectividade é destaque em “Ela”

Já “Refém da paixão”, mostra uma mulher depressiva que começa a se interessar pelo homem que a faz refém em sua casa. Melodrama romântico, o filme de Jason Reitman mostra como o amor ainda é a senha para que muitas pessoas se considerem felizes.

O mesmo Jason Reitman, em “Homens, mulheres e filhos” observou como a internet recodificou algumas angústias humanas. No filme, que de certa forma se comunica com “Ela”, a tecnologia é uma fuga, uma janela para a alma. Mas internamente ainda corroemos.

Relações corroídas entre pais, filhos e irmãos, aliás, também deram o que falar nos dramas mostrados em diferentes intensidades no canadense “Mommy”, no americano “O juiz” e no belo japonês “Pais e filhos”.

 

A intimidade devassada

“Garota exemplar”, seguramente um dos highlights do ano, é um filme com muitas camadas. É o mais brilhante e perturbador retrato sobre o casamento que o cinema viu em muito tempo. É, também, uma crítica espirituosa das traquinagens da mídia e da sociedade do espetáculo. Nesse departamento, outros ótimos filmes lançados em 2014 compõem um panorama ainda mais avassalador. São eles “O abutre”, “Tudo por um furo” e “O mercado de notícias”.

Mas quem aprecia “Garota exemplar” pelo ótimo insight que proporciona sobre o matrimônio merece assistir “O passado”, incursão pelo cinema francês do iraniano Asghar Farhadi.

Ben Affleck em "Garota exemplar": um casamento devassado

Ben Affleck em “Garota exemplar”: um casamento devassado

Os dois filmes investigam os efeitos da passagem do tempo sobre a intimidade conjugal e a passagem do tempo é o parâmetro absoluto de duas obras esteticamente inovadoras que ensolararam 2014. “Boyhood – da infância à juventude” e “Amantes eternos”. O primeiro, filmado ao longo de 12 anos, embaralha realidade e ficção em uma narrativa que transborda sentimento e familiaridade. Já o segundo, mostra o desencanto de dois milenares vampiros com os rumos da humanidade.

Desencanto parece ser a palavra de ordem que une três das produções mais fortes e marcantes do ano. Lá de janeiro, “O lobo de Wall Street”, com sua incorreção política e descaramento em nos falar verdades incômodas, encontra referência em “O abutre” e “Era uma vez em Nova York” no sentido dos três alinharem uma deturpação do sonho americano.

Um tema que se fez notar com desenvoltura rara em 2014 nos cinemas foi a masculinidade. À parte os brucutus de “Os mercenários 3”, o que é ser homem foi a matéria prima de filmes tão diversos como “A recompensa”, com o melhor monólogo sobre um pênis já feito no cinema, e “Tudo por justiça”, em que os códigos masculinos são revistos com interesse antropológico. Já no argentino “O que os homens falam”, a ideia é sublinhar essa tendência masculina de se mostrar mais vulnerável. Esse intento também se verifica em “Praia do futuro”, que erroneamente é percebido apenas como “um filme gay”. Não há uma personagem feminina no filme e o objetivo primário é debater a maneira como o homem, homossexual ou heterossexual, lida com o afeto.

O mundo essencialmente masculino de "O lobo de Wall Street", novo petardo de Martin Scorsese sobre o desvirtuamento do sonho americano

O mundo essencialmente masculino de “O lobo de Wall Street”, novo petardo de Martin Scorsese sobre o desvirtuamento do sonho americano

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sábado, 20 de dezembro de 2014 Análises, Bastidores, Curiosidades | 05:27

Coreia do Norte e Hollywood: um caso de desamor

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O King Jong-Un, vivvido pelo ator Randall Park, de "A entrevista": filme que enseja o clímax de uma relação de desdém que já se intensificava

O King Jong-Un, vivido pelo ator Randall Park, de “A entrevista”: filme que enseja o clímax de uma relação de desdém que já se intensificava

Reza a lenda que King Jong-Un, o líder supremo e excêntrico da Coreia do Norte tão em voga atualmente, herdou de seu pai, King Jong-il, o gosto pelo cinema. Além da amizade com o ex-astro do basquete Dennis Rodman, ele seria fã de Keanu Reeves e um tremendo Bondmaníaco. Seu pai ainda ocupava o poder quando o 007 de Pierce Brosnan enfrentou um lunático norte-coreano que desejava dominar o mundo em “007 – Um novo dia para morrer” (2002), aquele em que Madonna canta a música tema e dá aulas de esgrima.

O filho pode não ter o senso de humor do pai ou mesmo a tolerância à sátira, mas já era o supremo mandatário do País quando Hollywood acertou outro petardo contra o status quo norte-coreano. O diretor Antoine Fuqua (“Dia de treinamento” e “O protetor”) lançou em abril de 2013, em plena tensão na península coreana que movimentou a geopolítica da região e pôs o mundo em alerta com as ameaças de King Jong-Un em lançar mísseis contra Japão, Coreia do Sul e EUA, o filme “Invasão a Casa Branca”, que ficou inexplicavelmente sem a crase. Na trama, Gerard Butler faz um agente do serviço secreto que move mundos e fundos para resgatar o presidente dos EUA (Aaron Eckhart) feito refém de terroristas norte-coreanos que invadiram em questão de minutos, de maneira cinematográfica, o maior símbolo do poder ocidental.

Como curiosidade, um dos terroristas do filme é vivido pelo mesmo Rick Yune que faz um dos vilões de “Um novo dia para morrer”. Talvez King Jong-Um não tenha se incomodado tanto com “Invasão a Casa Branca”, porque embora os coreanos sejam derrotados, em nenhum outro filme hollywoodiano terroristas tinham ido tão longe na destruição do símbolo máximo do poder ianque. “Independence Day” (1996), por razões óbvias, não conta.

Especulações à parte, a Coreia do Norte vinha superando a Rússia – desde a eclosão da Guerra Fria a tradicional nação vilã nos filmes hollywoodianos – no antagonismo geopolítico do cinemão.

Leia mais: “É loucura deixar a Coreia do Norte ditar o conteúdo”, diz Clooney

O primeiro indício dessa tendência estava em “Salt”, (2010), fita de ação estrelada por Angelina Jolie, em que ela faz uma agente da CIA acusada de ser uma espiã russa. O detalhe? O filme começa com Jolie sendo torturada em uma prisão norte-coreana.

Rick Yune, o maior terrorista norte-coreano de Hollywood, encara Aaron Eckhart em "Invasão a Casa Branca"

Rick Yune, o maior terrorista norte-coreano de Hollywood, encara Aaron Eckhart em “Invasão a Casa Branca”

Halle Berry se une ao James Bond de Pierce Brosnan para impedir seguir o rastro de Rick Yune no filme de 2002

Halle Berry se une ao James Bond de Pierce Brosnan para seguir o rastro de Rick Yune no filme de 2002

A mira na Coreia à espera da recíproca

Um filme obscuro de 1984 com Charlie Sheen e Patrick Swayze sobre um grupo de estudantes que é a última resistência à invasão soviética em solo americano ganhou uma refilmagem em 2011. A ideia era trocar os russos pelos chineses. Com o filme pronto, o estúdio MGM percebeu que a Coreia do Norte, pelo exotismo e pelo mistério, daria um antagonista melhor e deu mais U$ 1 milhão para o diretor Dan Bradley redublar os vilões, mudar uns símbolos aqui e ali e fazer com que chineses virassem norte-coreanos. O filme estreou em 2013, um ano após “Os vingadores” e se beneficiou de Chris Hemsworth, que quando rodou o filme era um ilustre desconhecido, ser um astro famoso por viver o herói Thor.

Outro blockbuster hollywoodiano elegeu a Coreia do Norte como alvo. Em “G.I Joe: Retaliação”, um farsante que se passa pelo presidente dos EUA diz que bombardeará a Coreia do Norte “15 vezes seguidas só para ter certeza”. Trata-se de uma piada, de gosto duvidoso, mas uma piada. Piada esta que o filme “A entrevista” eleva à décima potência. O filme, cujo roteiro foi escrito a partir de uma ideia de Seth Rogen e Evan Goldberg (eles escreveram perolas da cultura pop como “Superbad – é hoje” e “Segurando as pontas”), mostra dois jornalistas despirocados que recebem da CIA a missão de assassinar King Jong-Un.

A Coreia do Norte já havia condenado o filme, mas negado com veemência qualquer participação nos cyber ataques contra o estúdio Sony. O FBI confirmou nesta sexta-feira (19) que o governo da Coreia do Norte teve papel central nas ofensivas contra a Sony.

Leia mais: Obama diz que Sony “cometeu um erro” ao cancelar estreia de “A entrevista”

Veja também: FBI diz que Coreia do Norte está por trás de ataque de hackers contra a Sony

Ainda é incerto o desfecho deste imbróglio que rapidamente se transformou em um vexatório episódio de cerceamento à liberdade de expressão e caminha para se assumir como o incidente diplomático que desde os primeiros ataques hackers estava destinado a ser. A Sony, naturalmente, estuda estratégias de capitalizar com toda a repercussão que “A entrevista” vem recebendo. O lançamento em plataforma digital, como foi aventado aqui neste Cineclube minutos depois da confirmação de que “A entrevista” não seria lançado nos cinemas americanos, ganha força como alternativa para o estúdio e para a restituição de algumas bases da liberdade de expressão. Após a fala de Obama, do posicionamento do FBI e de toda a agitação diplomática que deve se suceder, mesmo um lançamento em cinema não pode ser descartado.

Seth Rogen, que também dirige o filme, orienta James Franco e sua versão de King Jong-Um

Seth Rogen, que também dirige o filme, orienta James Franco e sua versão de King Jong-Un

O pai de King Jong-Um era o grande vilão da sátira "Team America": ele não achou ruim... (Fotos: divulgação)

O pai de King Jong-Un era o grande vilão da sátira “Team America”: ele não achou ruim…
(Fotos: divulgação)

A reação de Hollywood como um todo tem sido de espanto, incredulidade e receio pelo que a decisão da Sony pode representar nas esferas artística, comercial e democrática. O Sonygate, como já vem sendo carinhosamente chamado todo esse imbróglio, certamente já é mais interessante do que qualquer filme hollywoodiano da temporada.

De qualquer forma, vale o registro de que em 2004 os criadores de “South Park”, Trey Parker e Matt Stone, lançaram “Team America: detonando o mundo”, filme em que uma equipe tática formada por policiais americanos tenta salvar o mundo de uma violenta conspiração terrorista liderada por King Jong-il. George Clooney, Matt Damon e Ethan Hawke foram algumas das estrelas entre o time de dubladores das marionetes.

Eram outros tempos. Talvez King Jong-Un seja mais ambicioso que seu pai. Rejeitou qualquer traço de humor, superou os russos do lado de cá das telas e resolveu medir forças de verdade com Hollywood. Por enquanto, para infortúnio de quem se atém a valores democráticos e gosta de cinema, ele está ganhando.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014 Análises | 05:00

Retrospectiva 2014 – Cinema nacional cresce e aparece

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Se não foi um ano de grandes arroubos de bilheterias e de produções celebradas em festivais de cinema e círculo de críticos, o ano de 2014 mostrou que o cinema brasileiro – a despeito das constantes e desfavoráveis comparações com o cinema argentino – amadureceu mais nos âmbitos estético, narrativo e temático.

Leia também: Brasil tem circuito exibidor de cinema desequilibrado, mas regular é a solução?

Como imaginado, as maiores arrecadações do ano são comédias, mas o Brasil ofertou a seu público um grande número de produções autorais e filmes de gênero. Foram 96 lançamentos – contabilizadas as estreias de “A noite da virada”, “O segredos dos diamantes” e “Os cara de pau em o misterioso roubo do anel”, em 2014. Menos do que o recorde de 120 alcançado em 2013, mas um número de fôlego invejável. Os dados são da Ancine e do portal Filme B.

Mais invejável do que o número de produções lançadas é a qualidade da variedade apresentada. Filmes como “Quando eu era vivo”, “Latitudes”, “jogo de xadrez”, “Entre nós”, “Confia em mim”, “O lobo atrás da porta”, “Hoje eu quero voltar sozinho”, “Praia do futuro”, “Causa e efeito”, “O homem das multidões”, “Uma dose violenta de qualquer coisa” e “O mercado de notícias” consolidaram uma produção cinematográfica diversa, provocante e cuja evolução estética e narrativa pode ser percebida com facilidade.

Fernanda Machado e Mateus Solano em cena de "Confia em mim": suspense  aliado à gastronomia em filme incomum na cena nacional

Fernanda Machado e Mateus Solano em cena de “Confia em mim”: suspense aliado à gastronomia em filme incomum na cena nacional

Bruno Gagliasso em cena de "Isolados": o Brasil apostou no cinema de gênero em 2014

Bruno Gagliasso em cena de “Isolados”: o Brasil apostou no cinema de gênero em 2014

O cinema de gênero foi inegavelmente o destaque do ano. No Brasil, filmes como “Quando eu era vivo”, “Confia em mim”, “Isolados” e “O lobo atrás da porta” ainda são raridade, mas a qualidade desses filmes sugere que o cenário deve mudar em breve.

Coproduções como “Rio, eu te-amo”, “A oeste do fim do mundo” e “Trash – a esperança vem do lixo” indicam um país que está se abrindo para parcerias que podem e devem levar o cinema brasileiro para horizontes ainda inexplorados. Além de incrementar a maneira como se produz cinema por aqui.

Os documentários nacionais brilharam em 2014 e merecem um destaque à parte. Filmes como “Cuba libre”, “Sem pena”, “Ilegal”, “Esse viver ninguém me tira”, “Brincante”, entre tantos outros oxigenam um gênero que começa a ser mais apreciado pelo brasileiro.

Há, porém, que se reiterar o alerta sobre alguns vícios. Ainda que bem-sucedida comercialmente, uma produção como “Alemão”, que já tem sequência garantida, repisa convenções de um tipo de cinema que o Brasil precisa desaprender a fazer. As comédias histriônicas continuam ocupando a preferência do público e já começam a desgastar a relação de diretores com produtores, distribuidores e, por que não, com o próprio público como atesta essa ótima matéria da repórter Luísa Pécora.

Se contarmos a partir do ano de 1994, considerado o marco inicial da retomada do cinema brasileiro, nosso cinema chega aos 20 anos com os vícios, conflitos e virtudes da idade. Ao futuro, a promessa de estabilidade e reconhecimento.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014 Análises, Filmes | 18:49

Corrida pelo Oscar vive momento de definições e poucas incertezas

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Com o anúncio dos indicados ao Critics Choice Awards 2015, as principais premiações satélites do Oscar já revelaram suas listas de concorrentes aos melhores de 2015. Ficamos nas pendências de alguns sindicatos e do Bafta, prêmio da academia britânica de cinema. Contudo, já é possível filtrar muitas certezas dessa temporada de premiações e apontar caminhos bem claros sobre os filmes e artistas que serão anunciados no dia 15 de janeiro como parte da maior festa do cinema.

Certezas

– Depois de liderar em número de indicações no SAG, Globo de Ouro e Critics Choice, é muito provável que “Birdman” reprise o feito no Oscar

– Os ingleses devem fazer bonito na temporada. As duas produções com sangue inglês, “A teoria de tudo” e “O jogo da imitação”, já se firmaram como tendências nas principais categorias

– É uma corrida de poucos atores oscarizados. Diferentemente de outros anos, a corrida pelo Oscar de melhor ator não tem um nome que já fora premiado antes. Entre os favoritos para receber indicação, apenas Jake Gyllenhaal e Ralph Fiennes já foram nomeados anteriormente ao Oscar

– “O Grande Hotel Budapeste” é a grande força emergente da temporada. Com indicações sólidas no SAG, no Globo de Ouro e um desempenho notável no Critics Choive, em que amealhou 11 indicações, o filme de Wes Anderson já não pode mais ser encarado como azarão

– A percepção de um ano fraco se consolida. Filmes como “Boyhood”, “Garoa exemplar” e “O grande hotel Budapeste” nem sequer eram cotados para chegar ao Oscar quando de seus respectivos lançamentos. Hoje, esses filmes são protagonistas de uma temporada que revelou menos produções de qualidade do que se imaginava

Jennifer Aniston (“Cake”) e Marion Cotillard (“Dois dias, uma noite” ou “Era uma vez em Nova York”) brigam pela última vaga entre as atrizes. Já são certos os nomes de Julianne Moore (“Para sempre Alice”),  Reese Witherspoon (“Livre”), Felicity Jones (“A teoria de tudo”) e Rosamund Pike (“Garota exemplar”). Aniston pode se beneficiar de uma campanha agressiva e de ser uma atriz ligada à comédia se experimentando em um papel dramático. Cotillard, que já venceu Oscar, é uma favorita da academia que tem chances por dois trabalhos. Um produzido pelo papa dos prêmios, o produtor Harvey Weinstein, e outro que é o representante da Bélgica na disputa por filme estrangeiro.

– O polonês “Ida”, que venceu o European Film Awards se consolida como o franco favorito ao Oscar de filme estrangeiro. Como curiosidade, os últimos dois vencedores da premiação europeia, “Amor” e “A grande beleza”, venceram o Oscar de produção estrangeira.

– É difícil imaginar que se em toda a história da premiação, apenas quatro mulheres foram indicadas ao Oscar de direção, a Academia resolva indicar logo duas em 2015. Mas a possibilidade nunca foi mais palpável. Ava DuVernay por “Selma” e Angelina Jolie por “Invencível” são as apostas. Se apenas uma for a agraciada, tudo indica que será a primeira.

– “Garota exemplar” deve ser o filme de maior bilheteria entre os indicados a melhor filme

Leia também: Tensões raciais fervem nos EUA e podem desequilibrar corrida pelo Oscar 

 

Ralph Fiennes em cena de "O grande hotel Budapeste": ator e filme bem cotados na temporada

Ralph Fiennes em cena de “O grande hotel Budapeste”: ator e filme bem cotados na temporada

Indefinições

– Filmes que dividiram a crítica como ‘Invencível” e “Sniper americano” terão vez no Oscar, além das categorias técnicas?

Mark Ruffalo ou Channing Tatum? Os dois integram o elenco de “Foxcatcher”. Enquanto o primeiro é mais festejado pelo círculo de críticos, o segundo é mais popular. As premiações até agora têm preferido indicar Ruffalo, a despeito do belo e surpreendente trabalho de Tatum. Mas há precedentes que permitem esperança ao ator de “Querido John”. Em 2007, quando todos davam por certa a indicação de Jack Nicholson por “Os infiltrados”, a academia destacou Mark Walhberg pelo filme.

– “Vício inerente”, novo trabalho de Paul Thomas Anderson (“O mestre” e “Sangue negro”) é uma comédia de humor negro que está maravilhando a crítica. A questão é saber se terá vez no Oscar, geralmente resiliente a este tipo de humor.

Steve Carell (“Foxcacther”) vive entre os atores uma situação muito parecida com a experimentada por Jennifer Aniston entre as atrizes. Ocorre que aqui a concorrência é muito maior e refratária. Carell, que de certo modo faz campanha pela indicação desde o festival de Cannes, perdeu força na corrida – apesar de indicado ao SAG e ao Globo de Ouro – e pode perder a vaga para gente que ganhou fôlego como Ralph Fiennes (“O grande hotel Budapeste”) e David Oyelowo (“Selma”).

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Análises, Filmes | 05:00

Tensões raciais fervem nos EUA e podem desequilibrar corrida pelo Oscar

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Cena de "Selma", filme que rapidamente se inseriu como um forte candidato ao Oscar

Cena de “Selma”, filme que rapidamente se inseriu no rol dos fortes candidatos ao Oscar

O vencedor do Oscar 2014, “12 anos de escravidão”, não era o melhor filme entre os concorrentes. Até aí, tudo bem. Mas a fita de Steve McQueen baseou toda a sua campanha pelo Oscar em cima da necessidade de se reconhecer uma história de vida como a de Solomon Northup, homem livre raptado e feito escravo pelo período de 12 anos. Em meio a denúncias de que muitos votaram no filme sem sequer tê-lo visto, dois jurados admitiram o malfeito. A host do Oscar 2014, Ellen DeGeneres, fez piada com o elefante na sala antes mesmo da consagração do filme de Steve McQueen como o melhor do ano. “Temos duas possibilidades para o Oscar de melhor filme hoje. Número 1: ’12 anos de escravidão’ ganha. Número 2: vocês são todos racistas”.

Na corrida pelo Oscar 2015 há alguns filmes com a temática da tensão racial na disputa. São os casos de “Dear White people”, filme independente que acompanha quatro estudantes negros em uma América que se proclama pós-racial, e “Black or white”, estrelado por Kevin Costner, que mostra a batalha judicial entre os avós de uma menina negra que perdeu os pais. O avô rico, vivido por Costner tenta manter a guarda da menina pleiteada pela avó pobre, vivida pela atriz Octavia Spencer (oscarizada por “Histórias cruzadas”).

O filme que reúne mais chances na corrida, no entanto, é “Selma”. Trata-se de uma biografia de Martin Luther King Jr., ativista dos direitos civis que se tornou ícone maior do debate pelos direitos das minorias. Fita independente e dirigida por uma mulher (Ava DuVernay), o filme ganhou propulsão nas últimas semanas e se consolidou na corrida com indicações ao Globo de Ouro e ao Critic´s Choice Awards.

Kevin Costner e Octavia Spencer: tensões raciais afloram em meio à disputa pela guarda da neta

Kevin Costner e Octavia Spencer: tensões raciais afloram em meio à disputa pela guarda da neta

O pôster de "Dear White People": uma sátira sobre ser um rosto preto em um lugar branco, anuncia o slogan

O pôster de “Dear White People”: uma sátira sobre ser um rosto preto em um lugar branco, anuncia o slogan

“Selma” é o filme certo na hora certa. Recebendo críticas elogiosas, ele estreia em meio à onda de protestos contra atos de violência e racismo proferidos por diferentes polícias dos Estados Unidos. Com pessoas indo às ruas em diferentes Estados e personalidades se engajando, como o ator Samuel L. Jackson que cobrou maior participação das celebridades hollywoodianas, o filme pode crescer de tamanho na temporada.

Não é uma questão matemática, mas mais do que a correção política ensejada com a premiação de “12 anos de escravidão”, acenada pelo próprio marketing do filme, “Selma” favorece a oportunidade da Academia de Artes e Ciências de Hollywood – sempre sensível às demandas alinhadas à esquerda – participar do debate que consome boa parte dos EUA neste momento. É importante ter em mente que ainda estamos falando em termos de indicação ao prêmio.

“Selma” não é só uma opção viável artisticamente, mas uma possibilidade de ir além da correção política e trazer para a disputa pelo Oscar um tema que transborda relevância social. O peso desta (ainda hipotética) opção ainda é incerto. Mas seguramente desequilibrará todo o contexto forjado até o momento.

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014 Análises, Filmes | 12:16

Globo de Ouro se mostra mais ousado do que de hábito, mas confirma polarização entre “Boyhood” e “Birdman”

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A associação dos correspondentes estrangeiros baseados em Hollywood , que outorga o Globo de Ouro, tem a fama de ostentar certa ousadia na divisão de TV e de acolher certo conservadorismo e star power na seara do cinema.

Leia também: Filme “Birdman” e minissérie “Fargo” lideram indicações ao Globo de Ouro 2015

Para a premiação de 2015, no entanto, em parte pela proeminência do cinema independente e em parte por um processo de amadurecimento tangível na lista divulgada nesta quinta-feira, a associação emprestou a ousadia dispensada à TV para destacar os melhores do ano no cinema.

Justamente por isso produções como ‘Invencível”, “Interestelar” e “Sniper americano”, que dividiram a crítica, mas por serem movidos  star Power teriam vez nos Globos, acabaram preteridos por completo na premiação.

O destaque recai sobre “Birdman”, ou “Homem-pássaro”, como se chamará no Brasil. O filme que estreia em 22 de janeiro amealhou sete indicações e é o líder na disputa. Discutivelmente qualificado na divisão de comédia e musical, não deve ter problemas para ser o grande vencedor. A fita concorre com “Caminhos da floresta”, “O grande hotel Budapeste”, “Pride” (talvez a única surpresa realmente grande da lista) e “Santo vizinho”.

Alejandro González Iñárritu e Edward Norton no set de "Birdman": líder de indicações

Alejandro González Iñárritu e Edward Norton no set de “Birdman”: líder de indicações

“Boyhood” e “O jogo da imitação”, que estão no âmbito do drama, vêm logo em seguida com seis indicações cada. O primeiro, pela experiência estética e narrativa inovadora proposta por Richard Linklater – o favorito entre os diretores – deve prevalecer. Mas é bom olho vivo em “Selma”. O drama sobre o ativista dos direitos civis Martin Luther King “roubou” a vaga que seria de “Garota exemplar” e sua diretora, Ava DuVernay, é a primeira mulher negra a concorrer na categoria. Pode repetir o feito no Oscar. O filme recebeu menções, ainda, pelo trabalho do ator David Oyelowo e pela canção “Glory”, composta por John Legend.

“Garota exemplar”, como previsto pelo Cineclube, obteve uma presença sólida na premiação. Com indicações para direção, roteiro e trilha sonora.

Quem esperava nomeação dupla para Keira Knightley viu Julianne Moore brilhar nesta manhã. A atriz foi menciona tanto por seu trabalho no drama “Ainda Alice” como pela comédia de humor negro de David Cronenberg “Mapa para as estrelas”. Tem chances de vencer aí também.  O que representaria mais uma ousadia da HFPA.

A grande surpresa do anúncio dos indicados para o Globo de Ouro 2015 talvez seja o pouco espaço que a associação deu para contestações. É uma lista consistente, ousada e autêntica como poucos esperavam que poderia ser. Mas confirma a tendência de polarização da temporada entre “Birdman” e “Boyhood”.

Julianne Moore, em cena de "Mapa para as estrelas",  em alta na HFPA

Julianne Moore, em cena de “Mapa para as estrelas”, em alta na HFPA

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Análises, Filmes, Sem categoria | 05:00

As surpresas e esnobadas do SAG e o que esperar das indicações ao 72º Globo de Ouro hoje

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Nesta quarta-feira, o sindicato dos atores revelou sua lista de indicados ao prêmio que distingue os melhores do cinema e da televisão em 2014 no crivo do colegiado. O SAG alcança sua 21ª edição como um valioso termômetro do que a corrida pelo Oscar, ao menos nas categorias de atuação, deve consagrar. Você pode conferir a lista clicando aqui.

Como esperado, “Homem-pássaro” e “Boyhood” polarizam a atenção em um primeiro momento. Tem sido esta a tônica da temporada até aqui. O primeiro, lidera a disputa no SAG com quatro indicações (elenco, ator para Michael Keaton, ator coadjuvante para Edward Norton e atriz coadjuvante para Emma Stone). Não há surpresas aí. Já Naomi Watts, que também integra o elenco de “Homem-pássaro” foi lembrada pelo papel da prostituta russa da comédia “St. Vincent”. A nomeação de Watts não estava no radar de nenhum dos críticos e analistas da temporada de premiações e configura essencialmente o que chamamos de surpresa. Boa surpresa, no caso. A inclusão de “O grande hotel Budapeste” na categoria de melhor elenco é outra do tipo. O SAG não costuma digerir bem as esquisitices de Wes Anderson, mas parece estar amadurecendo enquanto colegiado e destacar o elenco de um dos filmes mais graciosos do ano é um claro sinal deste processo. Como curiosidade fica o registro de que “O grande hotel Budapeste” detém o elenco mais numeroso a já ter sido contemplado na categoria. Coincidentemente, um dos menos numerosos da história também foi destacado este ano. Trata-se de “A teoria de tudo”, cinebiografia de Stephen Hawking.

Leia também: Tempo é parâmetro absoluto para epifanias de “Boyhood”

Leia também: Depois dos festivais de Veneza e Toronto, como fica a corrida pelo Oscar 2015?

Edward Norton e Michael Keaton receberam indicações ao SAG por 'homem-pássaro"

Edward Norton e Michael Keaton receberam indicações ao SAG por “Homem-pássaro”

"Boyhood" é o filme mais premiado do ano até o momento e pode repetir a tendência no SAG

“Boyhood” é o filme mais premiado do ano até o momento e pode repetir a tendência no SAG

Jennifer Aniston por “Cake” e Jake Gyllenhaal por “O abutre” vitaminam suas candidaturas para o Oscar com a lembrança no SAG. Fora do rol das certezas, suas candidaturas se beneficiam tremendamente da exposição. Os dois devem voltar a ser lembrados pela Associação de correspondentes estrangeiros de Hollywood (HFPA) que anuncia os concorrentes ao Globo de Ouro 2015 nesta manhã.

Leia também: Jennifer Aniston mira no Oscar com “Cake”; veja o primeiro trailer do filme

As ausências de “Garota exemplar”, hit de estúdio com qualidade acima da média, e do musical “Caminhos da floresta”, a indicação de Meryl Streep pelo filme é mais em virtude do peso da atriz do que pelo filme em si, e de “Selma”, sobre a vida de Martin Luther King, certamente afetam negativamente as chances desses filmes na temporada, mas ainda é cedo para dá-las por reduzidas.

 Leia também: No cinema, “Garota exemplar” ganha mais relevo com a assinatura de David Fincher 

O que tem para hoje?

É preciso ter em mente que a condição de termômetro do Oscar há muito foi perdida pelo Globo de Ouro. O prêmio desenvolveu uma identidade própria e enquanto o Oscar tendeu para o lado do cinema independente, o Globo de Ouro optou por celebrar o cinemão. Exemplos recentes não faltam. Enquanto o Globo de ouro premiou “Avatar”, o Oscar distinguiu “Guerra ao terror”. No ano seguinte foi a vez de “A rede social” nos Globos e de “O discurso do rei” no Oscar.

Ademais, o Globo de ouro gosta de prestigiar as estrelas. Portanto, se você é um astro, tem mais chances de ser nomeado. É um reducionismo, é verdade. Mas há precedência.

“Homem-pássaro” e “Boyhood”, o primeiro na divisão de comédias e o segundo entre os dramas, devem repetir a polarização reiterada hoje. Mas há mais pelo que esperar da lista que será divulgado logo mais. O Cineclube lista cinco tendências que são (praticamente) certas entre as estrelas e filmes que serão anunciados mais tarde.

Keira Knightley e Mark Ruffalo em cena de "Mesmo se nada der certo": os dois devem ficar muito felizes nesta manhã de quinta-feira (Fotos: divulgação)

Keira Knightley e Mark Ruffalo em cena de “Mesmo se nada der certo”: os dois devem ficar muito felizes nesta manhã de quinta-feira
(Fotos: divulgação)

1 – Angelina Jolie será indicada a melhor direção por ‘Invencível”

O filme tem dividido opiniões, mas parece consensual que chegará ao Oscar. A  HFPA fará sua parte em bombar a candidatura de Jolie para o Oscar. De quebra, ela pode receber uma indicação como atriz em comédia pelo bem-sucedido “Malévola”.

 Leia também: Angelina Jolie anuncia novo projeto na direção e sinaliza reposicionamento de carreira

2 – Keira Knightley, Mark Ruffalo e Benedict Cumberbatch podem esperar menções duplas

Os dois primeiros serão lembrados pelo filme “Mesmo se nada der certo”. Knightley também será indicada por “O jogo da imitação”. Filme que deve render nomeação para seu parceiro de cena, Benedict Cumberbatch. O Sherlock em pessoa também será lembrado pelo personagem da série da BBC. Já Ruffalo pode receber até três indicações. Pelo filme “Foxcatcher” e pelo filme feito para a TV “The normal heat”. É provável, porém, que a HFPA não o destaque por “Foxcatcher” para abrir espaço para seu parceiro de cena, e mais astro, Channing Tatum.

 Leia também: Mark Ruffalo e Keira Knightley reverenciam poder transformador da música em “Mesmo se nada der certo”

3 –Clint Eastwood e Bradley Cooper, sim senhor!

Clint é daqueles darlings da associação e deve ser lembrado como diretor por “Sniper americano”, mesmo que o filme falhe em ficar entre os finalistas em drama. Já Cooper, astro em franca e contínua ascensão, deve ficar com uma das cinco vagas de melhor ator dramático pelo mesmo filme. O que representará sua terceira indicação consecutiva ao prêmio ( foi indicado nos anos anteriores por “O lado bom da vida” e “Trapaça”).

4 – Meryl Streep receberá sua 28ª indicação ao Globo de ouro e quarta consecutiva por “Caminhos da floresta”

É o caso da atriz que legitima uma premiação ou um prêmio. É quase que uma contingência indicar Meryl Streep a qualquer prêmio que se preze

5 – “Garota exemplar” se recupera

O filme e sua atriz principal, Rosamund Pike, devem ser indicados. Mas há a possibilidade do diretor David Fincher, do roteiro de Gillian Flynn e da trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross serem indicados. O que colocaria o filme entre os cabeças, ainda que com chances reduzidas de vitória. Como a corrida no caso de “Garota exemplar” é de recuperação, é mais do que suficiente.

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sábado, 6 de dezembro de 2014 Análises, Bastidores, Notícias | 17:08

O que esperar do filme “Porta dos fundos”?

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PortaUm dos grandes cases de sucesso da internet brasileira, a trupe responsável pelo “Porta dos fundos” já havia sinalizado lá atrás a intenção de ir para o cinema. Os primeiros contatos com a sétima arte foram proveitosos. Membros do grupo estrelaram filmes de sucesso como “O concurso” e “Vai que dá certo”.  Agora é hora de avançar à próxima etapa. “Porta dos Fundos – o filme” começa a ser gravado em março de 2015 e tem lançamento previsto para o segundo semestre. “Vai ser o ‘Game of Thrones’ brasileiro. Talvez com um anão”, afirmou Antonio Tabet, um dos integrantes do grupo, na Comic Com Experience realizada neste fim de semana em São Paulo.

Orçada em R$ 3 milhões, a fita será dirigida por Ian SBF, o mesmo responsável pela direção dos esquetes do grupo para o YouTube.

Muita gente achou a estreia do “Porta dos Fundos” na TV – um programa semanal de meia hora é exibido no canal FOX – frustrante. Isso porque o programa só oferta esquetes exibidos previamente na internet. Em 2015, o grupo deve preparar material inédito para a TV. O filme, porém, romperá com a estrutura de esquetes, pelo menos é o que garantiu o produtor Bruno Weiner. A fita terá uma história contínua. Mas o que esperar efetivamente de um filme do “Porta dos Fundos”? Há fôlego para ir além dos esquetes? “Porta dos Fundos” reforçará paradigmas das comédias brasileiras ou estabelecerá novos?

O “Porta dos Fundos” sempre se notabilizou por seu aspecto colaborativo, pela criatividade insinuante e pela total liberdade na confecção de seu humor – o que até valeu certa cota de polêmicas.

É uma boa bagagem para se levar ao cinema. Não atrapalha o fato de todos os integrantes do grupo terem experiência multimidiáticas e se prepararem para lançar um filme em um ponto de suas carreiras em que maturidade certamente não é uma palavra estranha.

No entanto, é preciso ter em mente que o grupo não deve romper com seu viés satírico do establishment brasileiro. E o cinema brasileiro atual é vacilante em matéria de boas sátiras. Sejam elas políticas ou culturais. É natural pressupor que a produção se ressinta disso e a iniciativa de rodar um longa-metragem prescindindo dos esquetes que fizeram a fama do grupo demanda uma ideia – e um roteiro – muito bons. O que, em tese, limita o espaço para o improviso. Será do difícil equilíbrio entre o respeito às bases da trupe e a natural vontade de ousar, que o filme “Porta dos Fundos” pode se inserir como um divisor de águas da comédia de cinema brasileira. O sucesso é certo e independe da qualidade. Antonio Tabet, Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Ian SBF, João Vicente de Castro e os demais participantes não vão ao cinema, afinal, apenas para replicar o sucesso que já ostentam. É esta constatação que faz toda a diferença e permite o otimismo com o filme e com o que ele pode representar para o cinema brasileiro.

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