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terça-feira, 25 de novembro de 2014 Análises, Filmes | 22:39

O que o Spirit Awards indica sobre a corrida pelo Oscar 2015?

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Michael Keaton, Naomi Watts e Zach Galifianakis em cena de "Homem-Pássaro", o favorito do momento

Michael Keaton, Naomi Watts e Zach Galifianakis em cena de “Homem-Pássaro”, o favorito do momento
Foto: divulgação

Quem gosta e acompanha ano após ano a temporada de premiações sabe que o Spirit Awards, maior premiação do cinema independente americano, cresce de importância ano após ano. Em 2015, não há pistas de que essa tendência se reverta. Já era sabido que alguns dos principais filmes dessa corrida pelo Oscar advêm da seara de produções independentes e com “Boyhood – da infância à juventude” e “Homem-Pássaro” na liderança das indicações ao Independent Spirit Awards essa tendência se intensifica.

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Completam a disputa pela estatueta de melhor filme “Selma”, sobre o idealista e defensor dos direitos civis Martin Luther King, “Whiplash”, sobre a tumultuada relação entre um baterista e seu exigente professor de música, e “O amor é estranho”, sobre um casal gay que precisa se reorganizar depois da demissão de um deles.

Esses cinco filmes naturalmente ganham força na corrida pelo Oscar. Especialmente “O amor é estranho”, o menor e menos badalado dos cinco. “Boyhood”, com cinco indicações, e “Homem-Pássaro”, com seis nomeações, já estavam bem consolidados na corrida.

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Wes Anderson, com o seu “O grande hotel Budapeste”, solenemente ignorado perde momentum. Surpreendentemente, o Brasil vai construindo uma trilha esperançosa nas premiações da temporada. Alguns dias depois de ter um curta-metragem confirmado entre os semifinalistas da categoria no Oscar, o país voltar a fazer bonito. O documentário “O sal da Terra”, sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, que já havia brilhado em Cannes, foi indicado para melhor documentário. Isso pode contar pontos a favor do filme dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado na corrida pelo Oscar em um ano que a categoria está especialmente dura.

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Filmes como “O abutre” e “A most violent year” que também buscam um lugar ao sol na corrida pelo Oscar devem se beneficiar das indicações ao Spirit. No ano passado, vale lembrar, os quatro vencedores do Spirit Awards (Matthew McConaughey, Jared Leto, Cate Blanchett e Lupita Nyong´o) também triunfaram no Oscar. Neste ano, os virtuais favoritos confirmaram presença entre os intérpretes destacados. Casos de Michael Keaton (“Homem-Pássaro”) e Julianne Moore (“Still Alice”). Ainda é muito cedo para prognósticos mais específicos, mas o Spirit Awards sugere que “Selma” é mesmo o azarão da vez. “Whiplash” é o indie com coração que todo mundo fala bem desde o festival de Sundance e “Boyhood” e “Homem-Pássaro” são os favoritos de ocasião.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2014 Análises | 18:19

Brasil tem circuito exibidor de cinema desequilibrado, mas regular é a solução?

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A Agência Nacional do Cinema (Ancine) estuda medidas para controlar o que seu presidente, Manoel Rangel, classificou como “lançamentos predatórios” no circuito comercial de cinema brasileiro. Em entrevista à Folha de São Paulo, Rangel observou que filmes como “Jogos vorazes: a esperança – parte 1”, lançado em mais de 1.300 salas em todo o país, expulsam outras fitas das salas e homogeneízam a oferta.

Rangel diz ser importante construir um entendimento que possa demover essa prática que, na avaliação dele, mina o hábito de se frequentar cinema – uma vez que a diversidade de filmes estaria sendo frontalmente reduzida. A Ancine, no entanto, não descarta a aplicação de medidas efetivas para regular essa “ocupação predatória”.

O novo "Jogos vorazes" resgata a polêmica: como agir para equilibrar o circuito exibidor no Brasil?  (Foto: divulgação)

O novo “Jogos vorazes” resgata a polêmica: como agir para equilibrar o circuito exibidor no Brasil?
(Foto: divulgação)

Não é nova a queixa de distribuidores independentes e produtores nacionais sobre a prolixidade dos lançamentos dos blockbusters hollywoodianos. Tampouco é inédito o aceno da Ancine de implementar algum tipo de regulação de mercado. Há pouco tempo foi imposta, sob muitos protestos e um êxito que começa a ganhar forma, a lei da TV paga que estabelece cotas para o audiovisual brasileiro. À Folha, Rangel disse que a preocupação da Ancine, no tocante ao mercado exibidor de cinema, será garantir a pluralidade e a diversidade. Mas é tênue a linha entre regulação de mercado e cota para a produção nacional. O mercado exibidor já se manifestara contrariamente a qualquer tipo de intervenção por parte da Ancine para regular o setor. A China, o país que gera mais bilheterias para as produções hollywoodianas depois dos EUA, recentemente estabeleceu uma cota para o lançamento de produções hollywoodianas no país. E mesmo filmes com lançamento internacional, como “Interestelar” estreiam tardiamente no País. É lógico que não se deve esperar por algo tão radical no Brasil. Tampouco desprezar a preocupação exposta por Rangel. Mas é preciso entender que o mercado exibidor não pode ser coagido a abdicar de buscar o lucro. Investir em cultura é contribuir para a construção desse entendimento aventado por Rangel. Nesse sentido, iniciativas como o resgate do Cine Belas Artes em São Paulo precisam ser louvadas e destacadas.

É preciso distinguir o cinema de complexo de shopping, mais afeito ao entretenimento fast-food, do cinema de rua, artigo cada vez mais raro, que carrega o ônus (pois carece de incentivos) de ser o oásis do cinema de arte, dos filmes mais autorais. Justamente por isso, muitos filmes ditos alternativos só têm lançamentos em São Paulo e Rio de Janeiro, cidades que ainda mantêm esses espaços. Criar leis intervencionistas e regulatórias é mais fácil do que arregaçar as mangas, estipular metas e investimentos e buscar o colaboracionismo.

Não custa lembrar que o tema cultura foi solenemente ignorado nas últimas eleições presidenciais. Já passou da hora de mudarmos mais do que o discurso, o jeito de fazer as coisas no Brasil.

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Análises, Filmes | 06:00

“Closer”, a obra-prima de Mike Nichols, completa dez anos

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Foto: divulgação/Columbia Pictures

Foto: divulgação/Columbia Pictures

O cinema perdeu mais um de seus filhos pródigos para esse 2014 caprichoso e cioso de talentos da sétima arte. Mike Nichols partiu, mas deixou um legado majestoso por meio de seus filmes reflexivos do homem comum e suas fragilidades. Um desses filmes é “Closer – perto demais” que completa dez anos de seu lançamento no próximo dia 10 de dezembro.

À época de seu lançamento, no Brasil seria lançado no dia 21 de janeiro de 2005, o filme virou uma coqueluche cinéfila. As relações amorosas jamais haviam sido tão cruel e desapaixonadamente abordadas e expostas no cinema.

Superficialmente, “Closer” versa sobre a volatilidade das relações amorosas. Um olhar mais atento, no entanto, percebe que o real objetivo do filme é refletir sobre a dinâmica rocambolesca dos relacionamentos amorosos e os papeis do ego, superego e id, esses conceitos psicológicos tão abstratos do nosso cotidiano, na sorte de nossas relações amorosas.

“Closer” é brutal em sua expressividade de como o ser humano é um ser ‘complexizante’ e não há matéria-prima mais receptiva a uma análise dessa natureza do que o amor. Esse sentimento tão indevassável quanto poderoso.

A acuidade do registro reserva atemporalidade para “Closer”, filme daqueles que cresce de tamanho a cada vez que se volta a ele. Os diálogos secos, a moral em suspensão, a tensão constante e a coragem transbordada não indicam um filme de fácil empatia. Mas se “Closer” optasse por este caminho perderia a longevidade de vista. Foram poucos prêmios que souberam lidar com “Closer”, cuja origem é teatral, à época de seu lançamento. O Oscar indicou apenas as performances de Clive Owen e Natalie Portman, como coadjuvantes. O Globo de Ouro fez mais e distinguiu o filme, o roteiro e Nichols, mas como no Oscar, não houve vitórias.

Algumas associações de críticos premiaram o elenco, composto ainda por Jude Law e Julia Roberts. Elenco digno de prêmios, diga-se. Exímio diretor de atores, Nichols aqui arranca a melhor atuação da carreira de Julia Roberts e consegue que seu quarteto atinja o mais elevado tom em toda e qualquer cena.

“Closer” é uma experiência demolidora. Um filme que dá prazer de ver ao cinéfilo, agonia ao enamorado, e desencantamento ao ser humano. Em dez anos, nenhum outro filme conseguiu reunir essas sensações durante duas horas e reproduzi-las toda vez que se volte a ele. Tal unicidade engrandece essa que é a última joia de uma cinematografia irretocável como a que Mike Nichols lega aos apreciadores do bom cinema.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014 Análises, Diretores | 17:59

Mike Nichols observava a vida como poucos e a registrava como ninguém

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Mike Nichols conversa com Julia Robert no set de "Closer", filme definitivo sobre a lógica do amor

Mike Nichols conversa com Julia Robert no set de “Closer”, filme definitivo sobre a lógica do amor

“Closer – perto demais” (2004), “Quem tem medo de Virgina Woolf?” (1966), “A primeira noite de um homem” (1967), “A difícil arte de amar” (1986), “Uma secretária de futuro” (1988), “A gaiola das loucas” (1996) e “Segredos do poder” (1998) são alguns dos highlights de uma carreira construída por acertos inquestionáveis. Mesmo seus equívocos, breve lista que pode compreender “Lobo” (1994) e “De que planeta você veio?” (2000), detinham a luminosidade de um grande autor.

Mike Nichols morreu, aos 83 anos, na noite de quarta-feira (19), vítima de uma parada cardíaca. Nascido na Alemanha, Nichols rumou ainda criança para os EUA para fugir da segunda guerra mundial. A carreira começou nos palcos, na década de 50. Nos anos 60, já um diretor de sucesso na Broadway, migrou para o cinema sem jamais abandonar a primeira paixão, o teatro. O cineasta se destacava, ainda, por ser um dos poucos artistas a ostentar triunfos nos quatro principais prêmios americanos. O Oscar (cinema), o Grammy (Música), o Tony (Teatro) e o Emmy (televisão).  Audrey Hepburn, Barbra Streisand, Mel Brooks, Whoopi Goldberg, James Earl Jones e Rita Moreno foram outros que conseguirem tal feito.

Uma das principais características do cinema de Nichols era seu foco no ser humano. As vicissitudes, as angústias, as belezas, as contradições… O cineasta sabia como poucos expor a essência humana em filmes tão diversos como os citados na abertura deste artigo. Dos relacionamentos amorosos à articulação de uma campanha presidencial, passando por um casal gay às voltas com o conservadorismo ou em uma perola feminista no esplendor dos anos Reagan nos EUA dos anos 80, Nichols sabia dar prevalência às humanidades em qualquer registro e qualquer gênero que fosse. “Era um dos maiores de todos os tempos. Um amigo e um mentor”, disse Steven Spielberg, reconhecidamente outro dos maiores de todos os tempos. Hollywood, de maneira geral, pôs-se a prestar homenagens a um dos seus mais eloquentes e talentosos filhos. Mas veio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que outorga o Oscar, prêmio vencido por Nichols em 1968 pelo filme “A primeira noite de um homem”, a melhor definição que se pode fazer sobre o cineasta. “Nichols fez filmes que mudaram os filmes”. Adeus mestre!

Partidos em 2014: Nichols orienta Philip Seymour Hoffman no set de "Jogos do poder", seu último filme lançado em 2007

Partidos em 2014: Nichols orienta Philip Seymour Hoffman no set de “Jogos do poder”, seu último filme lançado em 2007
Fotos: divulgação

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quinta-feira, 13 de novembro de 2014 Análises, Diretores | 19:11

Para onde vai o cinema de Christopher Nolan depois de “Interestelar”?

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Foto: Total Film

Foto: Total Film

A bilheteria de “Interestelar” em seu primeiro final de semana nos cinemas foi vultosa. Mas não tão impactante como os estúdios que bancaram o filme (Warner e Paramount) esperavam. A crítica se dividiu quanto ao filme. Estes são fatores adversos que são, também, estranhos a Nolan. O cineasta britânico desde que caiu nas graças da Warner, estúdio para o qual rodou todos os seus filmes desde “Insônia” (2002), não sabe o que é amealhar reação adversa a seus trabalhos. Mesmo “Batman- o cavaleiro das trevas ressurge”, bastante criticado por segmentos da crítica e da cinefilia, se beneficiava do saldo positivo da trilogia do Batman.  Mas “Interestelar” é outro papo.

Estamos falando de um diretor ímpar na indústria. Um cara que, em plena ditadura do 3D, consegue demover o estúdio de lançar seus filmes no formato. A liberdade de Nolan é tamanha que ele conta com orçamentos acima de U$ 150 milhões para rodar filmes totalmente originais, difíceis de vender nos termos publicitários vigentes em Hollywood, e ainda atrai os melhores e mais disputados astros do momento.

Christopher Nolan é o triunfo da Hollywood criativa, inventiva e sem amarras. Uma Hollywood que está desaparecendo em meio à segurança das franquias multimidiáticas e dos conglomerados de comunicação. Mas Christopher Nolan não é infalível.

Depois do excelente, atemporal e surpreendentemente existencialista “O cavaleiro das trevas” (2008), Nolan chocou o mundo do cinema com “A origem”, um misto de ficção com filme de ação inventivo, incrivelmente original e inteligente, além de apresentar um refinamento estético e visual entusiasmante.

“O cavaleiro das trevas ressurge” era um filme recheado de fragilidades. Um vilão ruim logo depois do filme com o melhor vilão adensava a maior das fraquezas da fita. O fato de Nolan repisa conflitos já esgotados em “O cavaleiro das trevas”. A solução do filme era outro golpe fatal. Nolan resgatava algumas ideias trabalhadas no final de “A origem” e destinava um desfecho risível para a personagem de Marion Cotillard.

“Interestelar” era a oportunidade de não só prestar homenagem a um de seus ídolos definidores, Stanley Kubrick,

O diretor orienta a badalada, e desperdiçada em 'Interestelar", Jessica Chastain  (Foto: divulgação)

O diretor orienta a badalada, e desperdiçada em ‘Interestelar”, Jessica Chastain
(Foto: divulgação)

mas de adentrar mais a fundo a um gênero muito receptivo a cineastas criativos e talentosos como Nolan. Mas esse namoro com a ficção científica desandou. Se “Interestelar” traz todos os vícios do cinema de Nolan (diálogos expositivos em excesso, personagens emocionalmente aleijados, falta de humor, solenidade desproporcional, entre outros), não traz os méritos (fé no poder da imagem, alijamento dos clichês, sofisticação narrativa, esmiuçamento dos conflitos que movem os personagens, entre outros).

“Interestelar” não deve ser um fracasso retumbante, mas contribuirá para um agigantamento da polarização já manifesta em torno de Nolan. Trata-se, afinal, de um visionário ou de um embuste? A paixão desvia o foco do problema que a recepção taciturna ao filme enseja. Nolan pode estar em face de ver alguns de seus privilégios contraídos. O que é má notícia para quem preza a liberdade criativa no cinema.

O cineasta ainda não anunciou seu próximo projeto, mas tem se dedicado nos últimos dias à estranha rotina de defender seu filme dos muitos detratores que rapidamente a produção tem acumulado. A dica é Nolan maneirar na ambição e voltar ao básico. Talvez um filme mais barato. Mas o caminho mais provável é que ele insista na grandiloquência. Um retorno ao universo dos super-heróis (vale lembrar que um novo filme do Batman ainda não foi confirmado em meio a tantos anúncios feitos pela Warner/DC) pode estar no horizonte. A Warner compreensivelmente irá cobrar mais caro pela manutenção da liberdade usufruída por Nolan até aqui.

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segunda-feira, 3 de novembro de 2014 Análises, Atores, Bastidores | 18:32

Todos querem ser Liam Neeson

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O ator irlandês Liam Neeson em cena do ainda inédito "Busca implacável 3"

O ator irlandês Liam Neeson em cena do ainda inédito “Busca implacável 3”

Largamente elogiada por críticos e seguramente muito admirada pelo público, que fez de seus mais recentes filmes sucessos de bilheteria, a atual fase da carreira de Liam Neeson é um fenômeno cujas implicações para a indústria do cinema ainda não se esgotaram.

Depois de construir uma sólida e venerável filmografia calcada em papéis dramáticos, Neeson abraçou o gênero da ação com “Busca implacável” (2008) e, desde então, tem se notabilizado em filmes de ambição aparentemente modestas, mas com repercussão barulhenta como “Esquadrão classe A” (2010), “Desconhecido” (2011), “A perseguição” (2011), “Busca implacável 2” (2012), “Sem escalas” (2014) e o ainda inédito “Caçada mortal” (2014). Para 2015 já tem agendado o lançamento do terceiro e derradeiro “Busca implacável”.

O êxito de Liam Neeson nessa reengenharia de carreira já foi saudado reiteradamente em diversas ocasiões, mas há um sintoma que aos poucos começa a se tornar evidente. Atores veteranos, com ou sem histórico no gênero da ação, começam a buscar projetos muito similares aos que têm destacado Neeson na presente safra de sua carreira.

Um exemplo é Denzel Washington, ator que já havia se experimentado na ação em filmes diversos como “Chamas da vingança” (2004) e “O livro de Eli” (2010), mas que jamais havia elegido um projeto na expectativa de desenvolvê-lo em uma franquia de ação. Foi o que aconteceu com “O protetor” (2014). Washington chamou seu diretor no bem sucedido “Dia de treinamento” para azeitar uma história que guarda semelhanças robustas com “Busca implacável”, tanto no desenvolvimento do personagem, como no desenvolvimento da história.

Ainda não está certo se “O protetor” terá sequência no cinema, mas a bilheteria amealhada pelo filme – cerca de U$ 200 milhões mundialmente – permite o otimismo.

Para voltar ao topo

Depois de virar astro com “Matrix” (1999), Keanu Reeves amargou certo ostracismo em Hollywood. Ensaiou um

Keanu Reeves, sem meias palavras, em "De volta ao jogo"

Keanu Reeves, sem meias palavras, em “De volta ao jogo”

retorno à ação com “47 ronis” e dirigindo o filme de artes marciais “Man of tai chi” (2013). Não deu certo. O próximo passo foi escolher um projeto com a cara de Liam Neeson. Em “John Wick”, que no Brasil deve se chamar “De volta ao jogo” (sem ironias, por favor), Reeves faz um ex-assassino de aluguel que volta à ativa para se vingar de gangsteres que não deveriam ter cruzado seu caminho. O filme estreou com boa bilheteria nos EUA  há dois finais de semana, com desempenho superior a “47 ronins”, filme que custou muito mais.

A “fórmula Liam Neeson” representa a décima tentativa de Mel Gibson de dar volta por cima em Hollywood. Em “Blood father”, com previsão de estreia apenas para 2015, o ator faz um ex-presidiário que faz de tudo para proteger sua filha que está na mira de traficantes de drogas. Gibson, a bem da verdade, já investe no gênero há algum tempo, mas “Blood father”, diferentemente de filmes como “Plano de fuga” (2012) e “O fim da escuridão” parece um genérico do primeiro “Busca implacável”.

Quando largou o smoking de 007, Pierce Brosnan disse que queria experimentar coisas novas e que não tornaria a fazer ação novamente. Se produções bacanas como “Encurralados” (2007) e “O matador” (2005) não exatamente podem ser enquadradas no gênero de ação, o mesmo não se pode dizer de “November man: um espião nunca morre”. No filme, Brosnan vive um ex-agente da CIA que volta à ativa (reparem como em todos os filmes há um “retorno à ativa”) para enfrentar um ex-pupilo desertor.

De volta aos holofotes em 2014, Kevin Costner deve ao gênero, pouco explorado por ele na fase áurea da carreira, o bom momento. Filmes como “Operação sombra-Jack Ryan” e “3 dias para matar”, sobre um agente da CIA à beira da morte que tenta acertar os ponteiros com a filha, enquanto age para conseguir uma droga experimental que pode prolongar sua vida, ajudaram o ex-galã a reaparecer com força no ano.

 

O Elvis Presley do gênero

Nicolas Cage em "Fúria": ele tem a própria fórmula... (Fotos: divulgação)

Nicolas Cage em “Fúria”: ele tem a própria fórmula…
(Fotos: divulgação)

Se tem alguém que dá de ombros para a “fórmula Liam Neeson” e pratica sua própria fórmula em Hollywood é Nicolas Cage. A única razão para ser o modelo de Neeson o copiado por atores veteranos e não o de Cage é que a carreira do sobrinho de Francis Ford Coppola e ex-marido de Lisa Marie Presley (e a metáfora ali de cima é menos gratuita do você pode imaginar) segue em constante e aparentemente irreversível declínio. Mesmo assim, Nicolas Cage continua fazendo os filmes “B” que quer fazer, como “O Apocalipse” e “Fúria”, que estrearam recentemente nos cinemas brasileiros. Cage, aliás, continua levando público ao cinema, especialmente no Brasil. Mesmo seus filmes sendo ruins, há uma honestidade indevassável neles. Mas a “fórmula Nic Cage” é assunto para outro dia.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014 Análises | 15:58

A guerra entre Marvel e DC atinge nível inédito no cinema, mas e o espectador nessa história toda?

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A semana passada foi agitada para os fãs de quadrinhos, cinéfilos e para quem gosta de super-heróis. Primeiro foi a Marvel que anunciou que Robert Downey Jr., pelo valor de U$ 40 milhões, estará no elenco de “Capitão América 3” que introduzirá a saga “Guerra civil”, um dos grandes êxitos editoriais recentes da Marvel em seu universo cinematográfico. O plano, ambicioso e empolgante, é um passo além no conceito de universo cinematográfico, no qual a Marvel é precursora. A Warner, que detém os direitos sobre todos os personagens da rival da Marvel nos quadrinhos, a DC Comics, deu nome aos bois, ou melhor aos projetos, que pretende levar ao cinema até 2020. A coesão deste universo DC no cinema ainda não está exatamente clara, mas neste momento não é exatamente uma preocupação. O que importa é não perder a Marvel de vista. Por isso, a DC confirmou dez filmes para o período entre 2016 e 2020.

A Marvel também tem dez filmes confirmados, ainda que nem todos os projetos estejam devidamente nomeados, entre 2015 e 2019. O calendário com as estreias de ambos os estúdios pode ser conferido mais abaixo.

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Cena da sequência de “Os vingadores”, programada para 2015
(Fotos: divulgação)

Filmes programados pela Warner/DC

2016

“Batman v Superman: alvorecer da Justiça”

“Esquadrão suicida”

2017

“Mulher-Maravilha”

“Liga da Justiça”

2018

“The Flash”

“Aquaman”

2019

“Shazan”

“Liga da Justiça 2”

2020

“Ciborgue”

“Lanterna verde”

Filmes programados pela Disney/Marvel

2015

“Os Vingadores – a era de Ultron”

“Homem-Formiga”

2016

“Capitão América 3”

Filme desconhecido (provavelmente Dr. Estranho)

2017

Filme desconhecido

Filme desconhecido (provavelmente “Os guardiões da Galáxia 2”)

2018

Filme desconhecido (provavelmente Os Vingadores 3)

Filme desconhecido

2019

Filme desconhecido

Gal Gadot como a Mulher-Maravilha: a primeira super-heroína a ter um filme  para chamar de seu

Gal Gadot como a Mulher-Maravilha: a primeira super-heroína a ter um filme para chamar de seu

Se a Marvel ainda não confirmou todos os filmes que lançará até 2019, apenas que esses filmes serão lançados, a Warner já distribuiu sua janela de lançamentos e fez alguns anúncios interessantes. Um diz respeito sobre o reboot de “Lanterna verde”, justamente o último filme desta janela, programado para 2020. A ideia é fazer algo capaz de apagar a péssima impressão deixada pelo filme de 2011 protagonizado por Ryan Reynolds. Outro é de que em 2017 haverá um filme solo da Mulher-Maravilha e aí, configura-se uma vitória sobre a Marvel, que ensaia há anos um filme solo de uma heroína (um filme da Viúva negra, por exemplo, é constantemente aventado) e não avança na matéria. A personagem será introduzida no aguardado “Batman v Superman: alvorecer da Justiça”.

Outra nota relevante foi a escalação do ótimo ator Ezra Miller para viver o personagem Flash no cinema. Miller assumiu sua bissexualidade há dois anos e é no mínimo corajoso, em uma indústria ensimesmada com a reação do público, entregar um personagem de tamanha visibilidade a um ator que expõe sua orientação sexual sem cerimônias.

Jason Momoa, de "Game of Thrones" entra para o universo DC e será o protagonista de "Aquaman"

Jason Momoa, de “Game of Thrones” entra para o universo DC e será o protagonista de “Aquaman”

São miudezas que garantem ao duo Warner/DC uma visibilidade diferenciada na mídia especializada, ainda que não produza o mesmo grau de ansiedade que o anúncio da Marvel. Isso porque, afora a trilogia do cavaleiro das Trevas assinada por Christopher Nolan, a Warner ainda não conseguiu dar provas de que reúne condições de estabelecer um universo coeso no cinema com os personagens DC. A Marvel, por seu turno, já está bem experimentada na questão. Enquanto se prepara para lançar o que chama de “fase 3” no cinema, o estúdio ajusta um plano ainda mais ambicioso. Na “Guerra civil”, que deve repercutir por todos os filmes Marvel de 2016 até 2019, justamente esses ainda não especificados, o Tony Stark de Robert Downey Jr. aproxima-se perigosamente da carapuça de vilão e essa flexibilidade, ainda que bem digerida pelo leitor de HQ, ainda não foi experimentada pelo fã da Marvel proveniente do cinema. É uma aposta de um estúdio com um plano sólido para expandir sua influência multimidiática à medida que consolida o cinema como o eixo central desse plano.

É inegável, em certa perspectiva, que os filmes de super-heróis têm demonstrado certo esgotamento. No entanto, a guerra declarada nesta semana entre Warner/DC e Marvel deve revitalizar o filão que já se encontrava no piloto automático acionado por executivos pouco familiarizados com a mitologia desses personagens e interessados apenas nas bilheterias.

Sob essa perspectiva, mais do que a Marvel e a Warner/DC, ganham os fãs que poderão acompanhar de camarote alguns de seus sonhos de criança, e outros de marmanjo, ganhando vida na tela grande.

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quinta-feira, 2 de outubro de 2014 Análises, Bastidores | 21:44

Por que está tão difícil fazer um (bom) filme sobre Steve Jobs?

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Steve Jobs é o Monte Everest dos estúdios de cinema atualmente. Em 2013 houve alguma atenção para “Jobs”, filme independente dirigido por Joshua Michael Stern e estrelado por Ashton Kutcher, por este ter sido apenas o primeiro. Mas há outros quatro projetos sobre o polêmico gênio fundador da Apple em desenvolvimento. Mas trazer esses filmes à vida tem se provado muito mais complicado do que se poderia supor. Até mesmo pelo fato do primeiro filme sobre o gênio empreendedor ter sido malhado pela crítica.

Pôster feito por fãs para o filme que nunca vai existir...

Pôster feito por fãs para o filme que nunca vai existir…

Leonardo DiCaprio, que seria o Jobs do filme que Danny Boyle (“Quem quer ser um milionário?”) está desenvolvendo para a Sony, anunciou sua desistência do papel. A Sony, que de longe é o grande player dessa disputa para ver que tem a melhor cinebiografia de Jobs, havia reunido a equipe responsável pelo êxito de crítica, público e prêmios “A rede social” para produzir o filme. Aaron Sorkin é o responsável pelo roteiro e David Fincher dirigiria o filme. O cineasta, que tem filme novo na praça (“Garota exemplar”), tinha até apontado Christian Bale como sua escolha para interpretar Jobs, mas desistiu após divergências criativas com o estúdio. Boyle assumiu o projeto e Leonardo DiCaprio já estava apalavrado para assumir o protagonismo. Mas a ideia desandou.

DiCaprio desistiu do projeto para se dedicar a “The revenant”, novo filme de Alejandro González Iñárritu. Matt Damon e Ben Affleck são nomes ventilados para assumir o papel no projeto da Sony. Com a dificuldade do estúdio em articular seu filme, os outros seguem em banho-maria.

Steve Jobs é um personagem rico e complexo e um filme sobre sua vida gera buzz, mas é um exercício penoso de produção. Principalmente quando se há uma verdadeira corrida nos bastidores para enquadrar Jobs no melhor projeto possível.

Outro fator complicador para o filme que a Sony articula é o fato de que a perspectiva do filme é contrária à versão oficial do legado de Jobs. Tanto que o consultor de Aaron Sorkin na confecção do roteiro é Steve Wozniak, ex-sócio de Jobs e um dos ardorosos críticos aos métodos do empresário morto em 2011.

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Análises | 06:00

Internet ganha força como plataforma de lançamento de filmes

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Depois de mudar os termos na distribuição da música e ajudar a encerrar a era das videolocadoras, a internet já viabiliza uma mudança de paradigma na distribuição de filmes. Não. Os cinemas não vão fechar. Há uma certa magia no ritual sociocultural de ir ao cinema que não se pode dispensar. Dos encontros românticos ao momentos em família, passando pelo ardoroso fervor cinéfilo, o cinema goza de uma perenidade insuspeita. Mas o cinema precisará aprender a conviver com uma novíssima maneira de distribuição de filmes. Analistas da indústria e gente do cinema como Steven Spielberg e Steven Soderbergh, que em 2005 lançou “Bubble” simultaneamente no cinema, na TV e na internet, vêm preconizando isso há algum tempo.

O anúncio quase que simultâneo de que “O tigre e o dragão” ganhará uma sequência que será lançada apenas nos cinemas IMAX e na Netflix, e de que a saga “Crepúsculo” reviverá em cinco curtas-metragens feitos para a internet, praticamente marca o ponto da virada na maneira como se distribui filmes.

"Crepúsculo" vai voltar, mas de um jeito bem diferente...

“Crepúsculo” vai voltar, mas de um jeito bem diferente…

Em parceria com a escritora de “Crepúsculo”, Stephanie Meyer, a Lionsgate vai produzir um concurso para escolher cinco mulheres cineastas para serem responsáveis pelos curtas. “The storytellers: new creative voices of The Twight Saga” terá um júri composto pelas atrizes Kristen Stewart, Kate Winslet, Octavia Spencer, Julie Bowen , pela roteirista Jennifer Lee, pela diretora Catherine Hardwicke (do primeiro “Crepúsculo”) e por Cathey Schulman, presidente do instituto Women in Film, organização que promove a mulher na indústria cinematográfica.

Na outra ponta, a Weinstein Company, dos irmãos Harvey e Bob Weinstein, que estiveram a frente da revitalização do cinema independente americano nos anos 90, firmou parceria com a Netflix para lançar “O tigre e o dragão:  a lenda verde” por meio da gigante da internet. A data já está marcada: será no dia 28 de agosto de 2015. Se você não tiver acesso aos cinemas IMAX dos EUA e da China, só poderá ver a sequência, pelo menos a princípio, no catálogo da Netflix.

A oscarizada Kate Winslet agrega prestígio a um concurso que ambiciona mais do que escolher cinco diretoras de curtas-metragens (Foto: divulgação)

A oscarizada Kate Winslet agrega prestígio a um concurso que ambiciona mais do que escolher
cinco diretoras de curtas-metragens
(Foto: divulgação)

A ideia dos Weinstein é mudar o jogo novamente. Combinados, os dois projetos expandem as possibilidades. Não só para produtores, indústria e distribuidores, arrendando mais players e interesses, mas para o público.

A ideia da Lionsgate, de dar sobrevida a “Crepúsculo”, é especialmente engenhosa. A web é um ambiente próspero para experimentações e a franquia “Crepúsculo”, como mostra o sucesso de “50 tons de cinza”, egresso de um fórum de fãs da obra de Stephanie Meyer, tem um potencial ainda longe do esgotamento. Além da possibilidade de revelar novos talentos, a Lionsgate inova ao extrapolar os limites convencionais de uma franquia cinematográfica. Em uma época em que todos os anos os cinemas são invadidos por sequências e remakes, podemos estar vislumbrando um redimensionamento do futuro do negócio chamado cinema.

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quinta-feira, 25 de setembro de 2014 Análises | 18:57

O cinema descortina o mundo “pós-gay”?

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O Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro anunciou que está extinguindo em sua 16ª edição, já em vigor, a mostra “Mundo gay”, dedicada a repercutir e iluminar filmes com temática homossexual. Concomitantemente a esta decisão, a organização do festival criou o prêmio Felix, que será outorgado ao melhor filme gay da programação. A justificativa para a combinação das novidades apresentada pelo festival é de que os filmes da mostra ficaram diversificados demais para serem reunidos sob um único recorte, o de filme gay.

Em abril, época do lançamento do filme “Praia do futuro”, Wagner Moura disse que o fato de ser gay não era uma questão central para as ações de seu personagem. O diretor Karim Aïnouz pensava diferente. Disse que somente o fato de ser gay legitimava a atitude do personagem de largar tudo para trás e ir se reinventar em Berlim, uma cidade mais evoluída e, por consequência, mais receptiva à homossexualidade.

Cena de "Praia do futuro": a homossexualidade ainda é um conflito no cinema, mas no mesmo compasso da orfandade,  , maternidade, divórcio, entre outros

Cena de “Praia do futuro”: a homossexualidade ainda é um conflito no cinema, mas no mesmo compasso da orfandade, maternidade, divórcio, entre outros

Em contrapartida, o Brasil escolheu “Hoje eu quero voltar sozinho” para representar o País na disputa por uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro. O filme de Daniel Ribeiro pode ser tomado como o símbolo desse cinema “pós-gay” em que a orientação sexual é abordada de maneira dessegmentada. Algo parecido acontece com um dos fenômenos nos cinemas americanos atualmente. “O amor é estranho”, que tem roteiro do brasileiro Mauricio Zacharias, mostra um casal formado por John Lithgow e Alfred Molina lidando com o ônus do preconceito e como ele pode interferir em uma relação conjugal bem estabelecida.  O filme, lançado de maneira independente, apresenta carreira triunfal nos cinemas americanos onde está em cartaz há mais de um mês com uma das melhores médias de público por sala do país.

Não custa lembrar que em 2006, o favorito ao Oscar “O segredo de Brokeback Mountain”, que tratava de um amor homossexual, foi preterido por “Crash- no limite”, filme sobre as tensões raciais em Los Angeles.

Em 2008, Barack Obama colocou-se como um candidato pós-racial.  Se a ideia ajudou a elegê-lo presidente, tornando-o primeiro negro a comandar a nação mais poderosa do mundo e uma das que ostenta mais grave histórico de polarização racial, o conceito parece não ter sobrevivido à gestão obamista na Casa Branca; como demonstram o recente caso do assassinato do jovem negro no Missouri e as manifestações que se seguiram.

"Hoje eu quero voltar sozinho": símbolo do cinema "pós-gay"

“Hoje eu quero voltar sozinho”: símbolo do cinema “pós-gay”

"O amor é estranho": um reposicionamento na abordagem do preconceito em filmes com personagens gays

“O amor é estranho”: um reposicionamento na abordagem do preconceito em filmes com personagens gays

Obviamente as tensões raciais, homofóbicas ou de qualquer outra natureza preconceituosa não cessarão pela elevação de um Messias negro na Casa Branca ou com um punhado de filmes bem azeitados e articulados. Esta é uma questão de arremedo geracional e a arte, como habitual, exerce importante papel nessa fruição social e comportamental.

Dessa maneira, esta tendência que o cinema enseja como uma espécie de emancipação do cinema gay é uma boa notícia. Não é exatamente uma renúncia às bandeiras ou ao substrato temático, mas um aceno a uma era em que o cinema não precisará ser um instrumento de afirmação e educação na matéria.

Fotos: divulgação

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