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Arquivo da Categoria Análises

terça-feira, 16 de setembro de 2014 Análises, Filmes | 06:00

Qual filme deve representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor produção estrangeira?

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Nesta quinta-feira (18), o Ministério da Cultura irá revelar o filme escolhido para representar o Brasil na briga por uma indicação ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro. O anúncio será feito às 10 horas da manhã em uma solenidade na Cinemateca Brasileira em São Paulo.

Ao todo, 18 longas-metragens participam da seleção. O júri que irá decidir o vencedor é composto pelo diretor, produtor e roteirista Jeferson De, pelo jornalista Luis Erlanger, pela coordenadora-geral de Desenvolvimento Sustentável do Audiovisual da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Sylvia Regina Bahiense Naves, pelo presidente do conselho da Televisão da América Latina, Orlando de Salles Senna, e pelo ministro do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, George Torquato Firmeza.

Cena de "O lobo atrás da porta": thriller policial é o favorito a ficar com a vaga

Cena de “O lobo atrás da porta”: thriller policial é o favorito a ficar com a vaga

Os filmes inscritos são os seguintes:

 “A grande vitória”, de Stefano Capuzzi

“A oeste do fim do mundo”, de Paulo Nascimento

“Amazônia”, de Thierry Ragobert

“Dominguinhos”, de Eduardo Nazarian

“Entre nós”, de Paulo Morelli

“O exercício do caos”, de Frederico Machado”

“Getúlio”, de João Jardim

“Hoje eu quero voltar sozinho”, de Daniel Ribeiro

“Jogo de xadrez”, de Luis Antônio Pereira

“Minhocas”, de Paolo Conti e Arthur Nunes

“Não pare na pista: a melhor história de Paulo Coelho”, de Daniel Augusto

“O homem das multidões”, de Cao Guimarães e Marcelo Gomes

“O lobo atrás da porta”, de Fernando Coimbra

“O menino e o mundo”, de Alê Abreu

“O menino no espelho”, de Guilherme Fiúza Zenha

“Praia do futuro”, de Karim Aïnouz

“Serra pelada”, de Heitor Dhalia

“Tatuagem”, de Hilton Lacerda

Cena de "Praia do futuro": filme ousado e complexo demais para o histórico das escolhas brasileiras. A opção por ele seria uma grata surpresa, mas com poucas chances de nomeação

Cena de “Praia do futuro”: filme ousado e complexo demais para o histórico das escolhas brasileiras. A opção por ele seria uma grata surpresa, mas com poucas chances de nomeação ao Oscar

A boa notícia é que a seleção de títulos é das mais diversificadas, ricas e qualificadas que o Ministério da Cultura dispõe em anos. A má notícia é que isso não necessariamente torna a tarefa mais fácil. Afinal, eleger o filme que irá tentar uma vaga no Oscar exige desprendimento, intuição e análise do contexto cinematográfico do momento no mundo e no Oscar. Qualidade não é, e não deve ser, o único parâmetro. Todos os anos o júri tenta equilibrar a equação de “o que os americanos vão apreciar” com “o cinema que nos dá orgulho”. Desde “Central do Brasil” no longínquo 1999, o tiro tem saído pela culatra.

Neste ano, “O lobo atrás da porta” desponta como virtual favorito. Trata-se de um thriller robusto, urbano e com aquele aspecto transnacional que recentemente o júri tem se apropriado na hora de escolher um filme que contenha certa brasilidade, mas não se resuma meramente a ela. Se optar pelo filme de Fernando Coimbra, se aproximará da escolha de 2014, “O som ao redor”; filme festejado pela crítica e experimentado em festivais fora do país. Pode ser o caminho, mas o histórico das escolhas brasileiras não sugere repetição. Há bons filmes como “Hoje eu quero voltar sozinho”, premiado no festival de Berlim”, e “O homem das multidões”, que adapta com liberdade um conto de Edgar Allan Poe, para falar da solidão. Qualquer um dos dois representaria uma escolha ousada, de afirmação do cinema autoral brasileiro como alternativa à produção de massa. Mas a produção autoral brasileira não é seguida tão de perto por membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood como eles o fazem com o cinema europeu, que geralmente privilegia em suas escolhas esse tipo de filme.

"O homem das multidões" seria uma aposta de risco do Brasil; filmes com esse perfil costumam emplacar no Oscar  quando submetido por países europeus

“O homem das multidões” seria uma aposta de risco do Brasil; filmes com esse perfil costumam
emplacar no Oscar quando submetido por países europeus

Cena da cinebiografia de Paulo Coelho: se for escolhido, filme caracteriza aposta conservadora

Cena da cinebiografia de Paulo Coelho: se for escolhido, filme caracteriza aposta conservadora

Nesse sentido, a biografia de um popular presidente brasileiro (“Getúlio”), um épico com ecos de Tarantino sobre a busca pela riqueza no norte do país (“Serra pelada”) e a biografia do escritor brasileiro mais famoso do mundo – e com muitas celebridades como fãs (“Não pare na pista: a melhor história de Paulo Coelho”) seriam escolhas mais seguras. Menos justas, porém.

É possível que nenhum desses filmes prevaleça e “Entre nós”, eficiente dramédia de Paulo Morelli surpreenda e fique com a vaga. De qualquer forma, o brasileiro tem que comemorar. Os 18 títulos na disputa são todos filmes que enobrecem o cinema nacional e o tornam mais plural, autêntico e, porque não, digno de Oscar.

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sexta-feira, 25 de julho de 2014 Análises, Filmes | 22:32

O que esperar do filme “50 tons de cinza”?

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

É difícil fazer prognósticos em cima de um trailer, mas a liberação do primeiro de “50 tons de cinza” marcou a semana. O fenômeno, sugere a comoção demonstrada com um material de marketing de pouco mais de dois minutos, ainda tem muita força para exibir. O sucesso é certo, ainda que seja precipitado apontar em que proporção, mas de que tipo de filme estamos falando exatamente? A recíproca do livro será verdadeira? Estamos diante de um “pornô para mamães”, uma história de princesa com algum sex appeal ou a imagem diluirá os efeitos da imaginação, que a obra de E.L James parece ter apimentado?

O trailer entrega algumas pistas. O tom, como sugere a data de lançamento nos cinemas americanos (no valentine´s day em fevereiro próximo) é de romance. Não se está diante de um filme com a disposição de investigar os labirintos do desejo sexual. As cenas de sexo e sadomasoquismo, todas mostradas de lampejo no trailer, aparentam bom gosto, mas não parecem especificamente inclinadas para a ousadia.

Este primeiro trailer busca essencialmente o diálogo com o fã do material original. É a este que a produção do filme deseja tranquilizar neste momento de ansiedade. É como se dissesse: este é o filme que você imaginou. Será mesmo?

Sam Taylor-Johnson, a diretora do longa-metragem, tem apenas um crédito como diretora. “O garoto de Liverpool” (2008), sobre os anos iniciais da parceria entre John Lennon e Paul McCartney, além da complexa relação do primeiro com sua mãe.

É um filme em que Johnson explora mais os personagens do que precisaria. Demonstrou saber trabalhar bem com ambiguidades do roteiro e eficácia em redimensionar sutilezas do texto na tela. São habilidades que podem ser úteis em um filme que pretende mais do que satisfazer apenas a base consolidada de fãs.

De qualquer maneira, apesar do barulho provocado por “50 tons de cinza”, e muito ainda está por vir, vivemos tempos francamente caretas no cinema mainstream. Seja o filme surpreendente ou não, parece certo que não teremos o “Instinto selvagem” (1992) desta geração. O que para quem gosta de bom cinema e sexo, por que não, não deixa de ser um tanto broxante.

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Análises, Curiosidades, Filmes | 06:00

Quando o cinema pensa o jornalismo

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Está programado para estrear nos cinemas no próximo dia 7 de agosto o documentário “O mercado de notícias”, de Jorge Furtado. O filme combina a encenação da peça homônima de 1625 do dramaturgo inglês Ben Jonson com depoimentos colhidos pelo diretor de 13 jornalistas de diferentes mídias da cena noticiosa nacional.

A intenção do cineasta é discutir a reverberação do jornalismo no cotidiano, o sentido e a prática da profissão, bem como seu futuro. O filme reflete casos recentes da política brasileira e pormenoriza a atuação da imprensa. A estrutura, ainda que convencional, busca a metaforização nesse diálogo que propõe com uma peça forjada no século XVII. As circunstâncias do jornalismo, no entanto, são passíveis de mudança? A essência se metamorfoseia com o tempo ou permanece imutável? São questionamentos que norteiam o interesse de Furtado com seu filme.

Os jornalistas depoentes não são menos notórios que o diretor de “O homem que copiava” (2003) e “Saneamento básico – o filme” (2007). Bob Fernandes, Cristiana Lôbo, Fernando Rodrigues, Geneton Moraes Neto, Janio de Freitas, José Roberto de Toledo, Leandro Fortes, Luis Nassif (colunista do iG), Mauricio Dias, Mino Carta, Paulo Moreira Leite, Raimundo Pereira e Renata Lo Prete formam esse painel plural e multifacetado tateado por Furtado.

Para o diretor, seu documentário “debate critérios jornalísticos e, também, configura uma defesa da atividade jornalística, do bom jornalismo, sem o qual não há democracia”.

O jornalista Fernando Rodrigues em cena de "O mercado de notícias"

O jornalista Fernando Rodrigues em cena de “O mercado de notícias”

Em "Rede de intrigas", o âncora de um telejornal promete se suicidar no ar quando de sua demissão e vira um sucesso de audiência

Em “Rede de intrigas”, o âncora de um telejornal promete se suicidar no ar quando de sua demissão e vira um sucesso de audiência à medida que perde as papas da língua

Em "O informante", Al Pacino vive um jornalista que tenta convencer uma potencial fonte, mas se vê imerso em um jogo escuso de interesses econômicos

Em “O informante”, Al Pacino vive um jornalista que tenta convencer uma potencial fonte a entregar podres da indústria tabagista, mas se vê imerso em um jogo escuso de interesses econômicos

A ideia central do filme, no entanto, não é nova. Há, por exemplo, um documentário americano recente que aborda com propriedade o mesmo tema. Trata-se de “Page one: inside The New York Times” (2011), disponível no catálogo da Netflix.  O filme de Andrew Rossi propõe um mergulho sem precedentes na redação e na história do jornal mais importante e mais influente do mundo. Jornalistas do veículo e também de concorrentes falam sobre o jornal, as mudanças estruturais impostas pelo tempo e, na esteira desta avaliação, pelas transformações inerentes ao próprio jornalismo.

A primazia dessa reflexão do jornalismo, contudo, não é do documentário. O cinema ficcional discute o jornalismo há um bom tempo. “A montanha dos sete abutres”, de Billy Wilder (1951) é item obrigatório nas faculdades de jornalismo por oferecer uma visão arguta de como o jornalismo pode pender para o sensacionalismo em um piscar de olhos. Desse quadro indesejável para a manipulação, basta outro piscar de olhos.

Ainda nessa linha de pensar o jornalismo em toda a sua complexidade, podem ser destacados filmes como “O informante” (1999), “Quase famosos” (2000), “Nos bastidores da notícia” (1987), “Todos os homens do presidente” (1976), “A primeira página” (1974), “Boa noite e boa sorte” (2005), “Frost/Nixon” (2008), “Rede de intrigas” (1976), “O jornal” (1994), “O preço de uma verdade” (2003), “O quarto poder” (1997), “Intrigas de Estado” (2009), entre tantas outras preciosas inflexões sobre o fazer jornalístico.

Em "O quarto poder", Dustin Hoffman vive experiente jornalista que manipula um homem desesperado para conseguir o furo de sua carreira

Em “O quarto poder”, Dustin Hoffman vive experiente jornalista que manipula um homem desesperado para conseguir o furo de sua carreira

"Quase famosos" mostra a experiência de um jovem jornalista acompanhando uma banda em turnê

“Quase famosos” mostra a experiência de um jovem jornalista acompanhando uma banda de rock em turnê

Um ex-presidente em busca de redenção midiática e um apresentador de tv contestado em um embate intelectual primoroso são a matéria prima de "Frost/Nixon"

Um ex-presidente em busca de redenção midiática e um apresentador de tv contestado em um embate intelectual primoroso são a matéria prima de “Frost/Nixon”

Com diferentes inclinações, tons e conclusões, esses filmes convidam a uma reflexão fundamentalmente importante em um momento em que o País se prepara mais uma vez para ir às urnas. Reflexão esta que deve ser encampada por quem produz e, principalmente, por quem consome notícia.

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sexta-feira, 11 de julho de 2014 Análises, Bastidores | 22:00

Sinal amarelo aceso em Hollywood

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Angelina Jolie em "Malévola": uma das grandes sensações de uma temporada pouco vistosa

Angelina Jolie em “Malévola”: uma das grandes sensações de uma temporada pouco vistosa

Os meses que compõem o verão no hemisfério norte representam a temporada de ouro para os estúdios de cinema. Não à toa, eles programam para a janela entre maio e agosto seus principais lançamentos no ano. O congestionamento na temporada já dilatou esse concorrido calendário para os meses de abril e setembro.

Pois bem, em 2014 a arrecadação nas bilheterias americanas estão mais tímidas do que o projetado por analistas da indústria.  Já era esperada uma queda em relação a 2013, ano que registrou recorde de bilheteria, mas não se esperava uma queda na casa dos 20%, conforme alinhado pelo site Box Office Mojo, referência em matéria de bilheterias.

Até poucos dias, o filme mais visto nos EUA era uma produção lançada fora da temporada. “Uma aventura lego” com U$ 257 milhões foi ultrapassado por “Capitão América: o soldado invernal” que amealhou U$ 258 milhões. Apenas há duas semanas um filme conseguiu romper a barreira dos U$ 100 milhões no fim de semana de estreia. Este filme foi “Transformers: a era da extinção”.  Essa barreira, em outros anos, fora rompida por quatro ou cinco filmes.

Isso não é tudo. Em uma temporada de poucos fracassos retumbantes, mas sem nenhum grande hit, filmes como “Vizinhos” e “A culpa é das estrelas” chamam atenção. São os filmes mais bem sucedidos da temporada na medição que considera custo de produção e retorno financeiro. Eles ocupam, respectivamente, a sétima e a nona posições do ranking dos dez filmes mais vistos da temporada. Além de “A culpa é das estrelas”, outra produção protagonizada por uma mulher tem destaque na temporada. “Malévola” já faturou U$ 217 milhões nos EUA e pouco mais de U$ 600 milhões em todo o mundo. Trata-se de um dado curioso, já que a temporada raramente apresenta filmes com protagonistas femininas.

Cena de "Capitão América: o soldado invernal", o primeiro lançamento da temporada é o filme de maior bilheteria até o momento. Tendência verificada pelo quinto ano seguido

Cena de “Capitão América: o soldado invernal”, o primeiro lançamento da temporada é o filme de maior bilheteria
até o momento. Tendência verificada pelo quinto ano seguido

A vertiginosa queda no faturamento da temporada de blockbusters, no entanto, não deve repercutir gravemente no planejamento financeiro dos estúdios. Primeiro porque estes sabem que, nos tempos atuais, o grosso do faturamento vem de mercados internacionais como Brasil, China e Europa. Segundo porque o verão americano de 2015 promete ser um dos mais lucrativos da história. Filmes como “Star Wars: episódio VII”, “Os vingadores: a era de Ultron”, “Missão impossível 5”, um novo Exterminador do futuro e o 24º filme de 007  são superproduções que devem garantir o sono tranquilo dos executivos.

No entanto, os números de 2014 – que ainda tem filmes como “Planeta dos macacos: o confronto” e “Guardiões da galáxia” à espreita – sugerem que é preciso repensar o modelo vigente.

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terça-feira, 8 de julho de 2014 Análises, Curiosidades | 07:00

Qual o melhor cinema entre os semifinalistas da Copa do Mundo?

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Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda estão nas semifinais da competição esportiva mais importante do planeta, a Copa do Mundo. São países de muita tradição no futebol, o que implica na assunção de que qualquer prognóstico sobre o campeão do torneio pode ser mera precipitação. Em matéria de cinema, no entanto, o equilíbrio é menos acintoso.
A Alemanha sedia um dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo. O festival de Berlim é o segundo em antiguidade, só perde para Veneza, com 64 anos de existência. A Alemanha está intimamente ligada à gestação do cinema como conhecemos hoje. O expressionismo alemão é, ainda, um dos mais destacados momentos históricos do cinema. A influência artística, no entanto, não para aí. A vocação para refletir a política surge cristalina no cinema alemão. Os anos de Hitler, do comunismo e a queda do muro de Berlim, que possibilitou uma abertura ainda mais radical do cinema produzido naquele país, se relacionam com o fazer cinematográfico alemão.
O cinema alemão ostenta alguns dos cineastas mais importantes da história do cinema como Fritz Lang e F. W Murnau. Em sua contemporaneidade, revelou cineastas das mais diversas estirpes como Wolfgan Petersen, Roland Emmerich, Florian Henckel Von Donnersmarck, Marc Forster, Werner Herzog, Marcus Nispel, Tom Tykwer, Wim Wenders e Oliver Hirschbiegel. Do terror à sátira política, o cinema alemão se desdobra pelos mais variados gêneros. Entre os semifinalistas da Copa, é o país que conseguiu emplacar mais diretores no cinema americano. Filmes como “Troia” (2004), “O turista” (2011), “2012” (2009) e “007 – Quantun of solace” foram realizados por diretores alemães. A penetração em Hollywood se verifica, ainda, com o brilho de atores alemães como Michael Fassbender, Daniel Brühl e Bruce Willis. Um dos maiores astros de ação do cinema americano é, na verdade, germânico.

O Brasil, neste segmento, vem em segundo. Fernando Meirelles, Bruno Barreto, Walter Salles, José Padilha, Heitor Dhalia e Vicente Amorim são diretores brasucas que experimentaram o cinema americano com diferentes graus de sucesso. Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Alice Braga e sua tia, Sônia Braga, são exemplos de atores brasileiros a triunfar no cinema estadunidense.

"A vida dos outros", uma poderosa reflexão sobre a Alemanha comunista, venceu o Oscar de produção estrangeira em 2007

“A vida dos outros”, uma poderosa reflexão sobre a Alemanha comunista, venceu o Oscar de produção estrangeira em 2007

"A fita é branca", do franco alemão Michael Haneke, venceu a Palma de Ouro em Cannes e foi dos filmes mais prestigiados da década passada

“A fita branca”, do franco alemão Michael Haneke, venceu a Palma de Ouro em Cannes e foi dos filmes mais prestigiados da década passada

A Argentina é cult em nossos cinemas e goza de algum prestígio na Europa. Nas duas últimas edições do Festival de Cannes, o maior e mais comentado festival de cinema do mundo, emplacou o maior número de produções nas mostras competitivas e paralelas. O cinema argentino já tem dois Oscars, enquanto nós ainda buscamos o primeiro. Os alemães também têm dois Oscars, mas são 12 indicações face as cinco do país de Maradona.
O cinema argentino ostenta ainda uma característica que somente agora o cinema brasileiro parece comportar. A capacidade de fazer entretenimento adulto com inteligência. Filmes que são ao mesmo tempo pensantes e que reúnam potencial comercial.

A comédia de humor negro argentina "Relatos salvajes" foi o único filme latino americano na disputa pela Palma de Ouro em Cannes 2014

A comédia de humor negro argentina “Relatos salvajes” foi o único filme latino americano
na disputa pela Palma de Ouro em Cannes 2014

O brasileiro "O som ao redor" iniciou sua bem sucedida carreira em festivais na Holanda: atenção ao cinema brasileiro

O brasileiro “O som ao redor” iniciou sua bem sucedida carreira em festivais na Holanda:
atenção ao cinema brasileiro

"A espiã" (2006) é o último filme holandês que conseguiu internacionalizar-se

“A espiã” (2006) foi o último filme holandês que conseguiu internacionalizar-se

Nesse jogo de empurra, a Holanda apresenta a cinematografia mais tímida. Ainda que já tenha um Oscar; conquistado justamente sobre o Brasil em 1996 com “A excêntrica família de Antônia” prevalecendo sobre “ O quatrilho”. O cinema holandês apresenta uma ou outra perola de tempos em tempos e conta com personalidades como o cineasta Paul Verhoeven (“Instinto selvagem” e “Robocop”). O principal festival de cinema realizado no país é um dos mais entusiastas do cinema brasileiro. A cinematografia nacional, ano após ano, é destaque no festival de Roterdã.
Foi lá que o cinema pernambucano, principal força a mover a produção cinematográfica brasileira atual, foi notado primeiramente. Antes mesmo de brilhar em festivais nacionais como os realizados no Rio de Janeiro, Brasília e Gramado.

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sábado, 5 de julho de 2014 Análises, Diretores | 07:00

Os novos rumos do cinema de Alejandro González Iñárritu

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O diretor Alejandro González Iñárritu

O diretor Alejandro González Iñárritu (Fotos: divulgação)

Ele surgiu arrebatador com “Amores brutos”, filme mexicano indicado ao Oscar de produção estrangeira em 2001 e que, entre outros predicados, tinha a então revelação Gael Garcia Bernal como protagonista.

A produção marcava a inauguração da parceria com o roteirista Guillermo Arriaga, colaboração esta que renderia, ainda, o ótimo “21 gramas” (2003) e o irregular “Babel” (2006) antes de se desintegrar em meio a vaidades e intolerâncias de ambas as partes. Arriaga reclamava para si os méritos dos filmes enquanto Iñarritu fazia o mesmo. Seguiram por caminhos opostos.

Iñarritu aliou-se ao internacional Javier Bardem e fez “Biutiful”, poderoso drama sobre um homem marcado para morrer por um câncer feroz e que ainda sofre com uma mediunidade indesejada. O filme foi à Cannes e ao Oscar e mostrou que se Arriaga era parte fundamental do processo criativo de Iñarritu não era todo o processo criativo. O roteiro de “Biutiful”, ainda que mais tradicional, apresenta uma estrutura rica dramática e narrativamente; e é de autoria do próprio cineasta.

Quatro anos depois do lançamento de “Biutiful”, Iñarritu se prepara para lançar ‘Birdman”, um filme aparentemente inusitado em sua obra. Trata-se da história de um ator que viveu um super-herói no cinema e depois nunca mais conseguiu outro sucesso na carreira. Ele agora tentar uma reinvenção na Broadway. Metalinguagens à parte, esse ator é vivido por Mikael Keaton; que, para quem não sabe, viveu o Batman nos dois primeiros filmes dirigidos por Tim Burton. Mais estranheza? O filme é uma comédia que flerta sem medo com o drama e o nonsense. Há não muito tempo atrás, o cineasta Darren Aronofsky também ensaiou uma reinvenção com um ator amaldiçoado. O ator era Mickey Rourke e o filme, “O lutador”, que ganhou o leão de Ouro no festival de Veneza em 2008 e mostrava a dura jornada cotidiana de um ex-campeão de luta livre para pagar as contas enquanto revive, em tom farsesco, as glórias do passado.

 

“Birdman”, programado para estrear em outubro nos EUA, é apontado como uma das potenciais surpresas da temporada de premiações do cinema americano. De qualquer maneira, o burburinho positivo em torno do filme já desperta mais interesses sobre o trabalho seguinte de Iñarritu. “The Revenant” será seu primeiro filme de estúdio nos EUA. “Babel” foi bancado por um braço independente da Paramount, já desativado.

O filme terá Leonardo DiCaprio como protagonista. DiCaprio ultimamente tem se notabilizado por só trabalhar com diretores prestigiados e com uma identidade artística singular. Entre os últimos cineastas com quem estabeleceu parceria figuram Christopher NolanClint EastwoodQuentin Tarantino e Baz Luhrmann. Além, é claro, de Martin Scorsese (com quem já rodou cinco filmes, entre eles o recente “O lobo de Wall Street”). No novo filme, que deve começar a ser rodado no último trimestre no Canadá,  DiCaprio fará um guarda de fronteira abandonado por seus amigos depois de ser atacado por um urso. Ele sobrevive e parte em busca de vingança. A ação se passa no século XIX. É outro projeto radicalmente distinto da filmografia que tornou Iñarritu famoso no círculo da cinefilia.

É difícil apontar para onde o cinema de Inãrritu vai depois de “Birdman” e “The Revenant”, mas é seguro dizer que é um caminho corajoso o que ele segue e muito mais calculado do que um primeiro olhar pode fazer crer.

Confira o trailer de “O lutador”

 Confira o primeiro trailer de “Birdman”

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terça-feira, 24 de junho de 2014 Análises, Atrizes | 22:05

As escolhas de Meryl Streep

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Fotos: (divulgação e Getty Images)

Fotos: (divulgação e Getty Images)

Atriz que é uma rara unanimidade entre quem segue o cinema de muito perto e espectadores ocasionais, Meryl Streep, que completou 65 anos no último domingo (22), vive a desafiar a máxima de que Hollywood não reserva bons papéis para mulheres maduras. Recordista de indicações ao Oscar com 18 nomeações, Streep conquistou 11 dessas 18 indicações depois de ter completado 40 anos. Sucesso de bilheteria como “O Diabo veste Prada” (2006), “Julie & Julia” (2009), “Mamma Mia” (2008) e “Simplesmente complicado” (2009) mostram que além de perseguir prêmios com obstinação, a atriz sabe eleger projetos com potencial de público e com seu carisma atingi-lo por completo.

Depois de disputar o Oscar em 2014 com “Álbum de família”, Streep não dá sinais de que deve diminuir o ritmo. Além de estrelar “The homesman”, western dirigido por Tommy Lee Jones, seu parceiro de cena em “Um divã para dois” (2012), ela estará em “O doador de memórias”, novo candidato a “Jogos vorazes” e em “Into the Woods”, novo filme de Rob Marshall (“Chicago”), adaptação da Broadway que promete ser um dos frissons da temporada de premiações no fim do ano e começo de 2015. Para o ano que vem, ela já está envolvida com “Rick and the flash”, novo filme do diretor de “O silêncio dos inocentes”, com texto da mesma roteirista de “Juno”.  Na trama, Streep viverá uma roqueira decadente que tenta recuperar o tempo perdido com os filhos que por muito tempo negligenciou.

Na última semana, a atriz confirmou participação em um filme que será feito para a HBO sobre Maria Callas. A produção será dirigida por Mike Nichols, que comandou Streep nos filmes “Silkwood – o retrato de uma coragem” (1983), “A difícil arte de amar” (1986), “Lembranças de Hollywood” (1990) e na minissérie “Angels in America” (2003), também para a HBO. Meryl Streep foi premiada por todas essas produções.

A atriz em "O Diabo veste Prada": papel icônico

A atriz em “O Diabo veste Prada”: papel icônico

 

Ao lado de Jack Nicholson em "A difícil arte de amar": parcerias prósperas

Ao lado de Jack Nicholson em “A difícil arte de amar”: parcerias prósperas

O terceiro Oscar veio por "A dama de ferro", mas Meryl não dá sinais de estafa

O terceiro Oscar veio por “A dama de ferro”, mas Meryl não dá sinais de estafa

Não é só o apetite de Meryl Streep que chama atenção. É a assertividade com que a atriz conduz uma carreira que já se configurou legendária. Muitos de seus contemporâneos, e estamos falando de gente como Robert De Niro e Jack Nicholson (atores que já firmaram parcerias prósperas com a veterana atriz), relaxaram e se encontram hoje distantes do auge de suas carreiras. Por meio de suas escolhas, menos inclinadas à celebração do próprio ego e mais conscientes de seu alcance, Meryl Streep norteia uma carreira cheia de pontos altos a um limite que hoje ainda não é visível. Enquanto talento e disposição não lhe faltarem, Meryl Streep continuará reinando soberana entre as atrizes do cinema moderno. Diferentemente do que muitos pensam, mais por seu faro aguçado para estar no projeto certo, com as pessoas certas e na hora certa do que por ser, afinal, Meryl Streep.

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domingo, 15 de junho de 2014 Análises | 18:33

Os filmes de super-heróis já atingiram seu ponto de saturação?

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Cena de "O espetacular Homem-Aranha 2 - a ameça de Electro", filme que arrecadou menos do que o esperado pelo o estúdio

Cena de “O espetacular Homem-Aranha 2 – a ameça de Electro”, filme que arrecadou menos do que o                            esperado pelo o estúdio (Fotos: divulgação)

 

Desde que a Marvel começou sua jornada no cinema em 2008 com o lançamento de “Homem de ferro”, foram lançados nada mais, nada menos do que 30 filmes baseados em heróis de HQs, vinte um dos quais inspirados em personagens Marvel e ao menos metade disso do próprio estúdio, que no meio tempo fora adquirido pela Disney.

Ainda em 2008, o ano em que a Marvel começava a mandar no próprio jogo, Christopher Nolan radicalizava na concorrência, a DC é propriedade da Warner e, portanto, todos seus personagens estão sob o jugo do estúdio, e renovava narrativa e linguagem de um filme de herói com “Batman – o cavaleiro das trevas”, um épico com camadas filosóficas e de muita potência dramática.

De certa maneira, ali, em 2008, houve uma redefinição dos filmes adaptados de HQs e, também, do meio que habitam. “O cavaleiro das trevas” foi o primeiro a superar a marca do bilhão de dólares, estatística já superada pelo terceiro “Homem de ferro”, por “Os vingadores” e pelo último capítulo da trilogia do Batman de Christopher Nolan.

As bilheterias vão bem, mas paira sobre esse box office expressivo uma nuvem de preocupações. Até quando essa tendência vai no cinemão americano?

Os filmes estão cada vez mais parecidos, pouco inventivos e mais inexpressivos. Primeiro todos queriam copiar Nolan, agora a ideia é criar um universo coeso como o que a Marvel conseguiu erguer para si no cinema. Os X-men, que são controlados pela Fox, o Homem-aranha, controlados pela Sony, e a Warner, com os personagens da DC, rabiscam universos sem muita convicção tentando assegurar um interesse multifacetado e interligado em seus filmes. A própria Marvel, hoje um braço da Disney, negligencia diretores mais criativos para manter rédeas curtas sobre os personagens e impedir que a visão de um diretor comprometa a integridade de seu universo. Foi mais ou menos o que ocorreu com a demissão de Edgar Wright, contratado para dirigir o filme “Homem-Formiga” e dispensado por ter “diferenças criativas” com o estúdio.

Esse enclausuramento facilita o esgotamento da criatividade e conduz ao ócio criativo que os próprios estúdios se encontravam quando decidiram experimentar a fórmula das HQs no cinema.

Cena de "X-men: dias de um futuro esquecido", filme que tem o ambicioso objetivo de alinhar o universo mutante no cinema

Cena de “X-men: dias de um futuro esquecido”, filme que tem o ambicioso objetivo de alinhar o universo                      mutante no cinema

Outro aspecto crucial é o debate acerca da fidelidade. Mais do que a discussão se cânones dos quadrinhos devem ser respeitados ou não, o que ocorre é uma crescente de indiferença de parte a parte. Fãs estão menos pegajosos com suas convicções originais e produtores, menos tímidos em remodelar sagas, personagens e tramas no cinema. Esse distanciamento é outro fator revelador dessa estafa que as bilheterias ainda não mostram com clareza, mas que é sinalizado à medida que o mercado internacional passa a responder por 70% do faturamento destes filmes, a exemplo do que ocorre com os blockbusters hollywoodianos de demais procedências.

Os três filmes baseados em HQs lançados em 2014 apresentam números mais vistosos no mercado internacional do que nos EUA. Parece ser um caminho sem volta. Pelo menos nesta fórmula engessada praticada pelos estúdios atualmente. “Guardiões da galáxia”, uma comédia de ação com elenco e personagens amplamente desconhecidos pelo público, aposta de risco da Marvel” que estreia em 31 de julho, pode recuperar esse caráter transgressor e inovador das adaptações de HQs. Mais do que isso; pode consolidar a percepção de que, quinze anos depois dos mutantes provarem que cinema e quadrinhos convergem, cinema e quadrinhos precisam discutir a relação.

 Confira o trailer de “Guardiões da galáxia”

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domingo, 8 de junho de 2014 Análises, Atores | 09:33

A reinvenção de Robert Pattinson

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Fotos: divulgação e reprodução/ The Hollywood Reporter

Fotos: divulgação e reprodução/ The Hollywood Reporter

Robert Pattinson, de alguma maneira, é como o Lula. Há quem ame e há quem odeie. As razões são defensáveis e justificáveis de ambos os lados e a paixão costuma ser o motor das análises relacionadas ao galã acidental. Afinal de contas, antes de ser o príncipe moderno em versão vampírica na série de filmes “Crepúsculo”, Pattinson não havia causado nenhuma comoção em “Harry Potter e o cálice de fogo”, lançado em 2005.

Mas Pattinson se esforça para se desviar da pecha de galã que lhe fora atribuída. Sempre que pode dá um jeito de renegar, ainda que discretamente, a franquia que lhe concedeu o estrelato.  É avesso a badalações e a agenda midiática que outras celebridades jovens, como Jennifer Lawrence, costumam cultivar. Não obstante, Pattinson tem demonstrado disposição em orquestrar o que podemos chamar de reengenharia de carreira.

O primeiro passo, nesse sentido, foi dado ainda durante o período em que a saga “Crepúsculo” vigorava. A aproximação ao diretor canadense David Cronenberg pode muito bem fazer por Pattinson o que a parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio fez por este último.

“Cosmópolis”, lançado em 2012, não só trazia Robert Pattinson como nunca se tinha visto antes, essencialmente vampírico em uma composição minuciosa de um tubarão faminto e inseguro de Wall Street, como trazia o ator em sua primeira interpretação digna desta classificação. Pattinson deixou-se dirigir. Confiou em Cronenberg e permitiu que o ator emergisse da celebridade, que fora a primazia em seus outros trabalhos paralelos a “Crepúsculo” (“Bel Ami – o sedutor”, “Água para elefantes” e “Lembranças”).

Em 2014, o ator lança dois filmes com propostas distintas, mas que sinalizam que essa reengenharia de carreira não é uma nuvem passageira em sua trajetória profissional. “Maps to the stars” é o segundo trabalho em parceria com Cronenberg. Trata-se de uma sátira à fogueira de vaidades de Hollywood. A participação do ator é pequena; ele faz um motorista de limusines que sonha em ser roteirista, papel baseado na vida do próprio roteirista do filme (mas isso é outra história). Diz-se, no entanto, que sua atuação é impactante. Em “The rover”, outra produção que levou Pattinson ao festival de Cannes (assim como os dois trabalhos com Cronenberg), ele faz um homem abandonado pelo irmão em um futuro apocalíptico em que a economia planetária entrou em colapso. Junta-se a um terceiro homem, roubado por seu irmão, em seu encalço.

Entre os próximos trabalhos do ator figuram filmes de diretores europeus de prestígio, como “The idle´s eye”, do francês Oliver Assayas (”Depois de maio”) e “Life”, de Anton Corbjin (“Control”, sobre a vida de Ian Curtis, líder do Joy Division), sobre a amizade entre o astro James Deen e o fotógrafo da revista que batiza o filme e que fez as fotos mais icônicas de Deen em vida.

Pattinson pode até não ter esquecido Kristen Stewart, sua ex-namorada e colega de cena na franquia adaptada dos livros de Stephenie Meyer, mas os dias de “Crepúsculo” definitivamente fazem parte de seu passado.

Com Guy Pierce no elogiado "The Rover"

Com Guy Pierce no elogiado “The Rover”

Ao lado de Dane deHaan em "Life", filme de arte feito pelo diretor de "Control", que chega em 2015

Ao lado de Dane deHaan em “Life”, filme de arte feito pelo diretor de “Control”, que chega em 2015

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quarta-feira, 4 de junho de 2014 Análises, Atores | 22:08

Tom Cruise reina na ficção científica, mas isso é suficiente para o ex-rei de Hollywood?

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Tom Cruise e Emily Blunt em imagem promocional de "No limite do amanhã"

Tom Cruise e Emily Blunt em imagem promocional de “No limite do amanhã”

Foi um fim de semana incomum nas bilheterias brasileiras. Havia dois grandes blockbusters em estreia e uma comédia nacional cheia de potencial de bilheteria, além de filmes grandes em cartaz como “Godzilla” e o mais recente “X-men”. Em outros tempos, porém, esses fatores não seriam suficiente, ou mesmo relevantes, para apartar Tom Cruise do topo das bilheterias. Seu novo filme, “No limite do amanhã”, não perdeu apenas para “Malévola”, produção da Disney estrelada por Angelina Jolie, perdeu também para “X-men”, que já estava em exibição nos cinemas há uma semana, e para o nacional “Os homens são de Marte… e é para lá que eu vou”. Ou seja, o filme poderia muito bem ser estrelado por Jay Courtney, ator sem expressão alguma, e debutar em quarto lugar nas bilheterias brasileiras.

“No limite do amanhã” estreia nos cinemas americanos na próxima sexta-feira e seu fim de semana de estreia será decisivo para os rumos da carreira de Tom Cruise. Nenhum ator do primeiro escalão aposta tanto na ficção científica atualmente como ele e há uma razão para essa fidelidade. Desde o final dos anos 90, Cruise viu-se afastado do topo de Hollywood. Processo que foi acelerado desde que pulou no sofá de Oprah Winfrey.

Tentou comprar os direitos do Homem de ferro da Marvel, mas esbarrou nos embrionários planos da empresa em se configurar em um valioso estúdio de cinema. Assumiu o controle de um estúdio, a United Artists, na tentativa de revigorar o selo – surgido na era de ouro de Hollywood – e sua carreira, mas filmes como “Operação Valquíria” (2008) e “Leões e cordeiros” (2007) não deram muito certo e a United Artists faliu em 2008.

Não se dando por vencido, Cruise recuperou a franquia “Missão impossível” e teve um alento. O quarto filme, lançado no fim de 2011, tornou-se o mais lucrativo da série com quase U$ 700 milhões arrecadados internacionalmente, e um dos pontos altos da carreira de Cruise.

O ator em cena de "Minority Report - a nova lei": união com Spielberg rendeu melhor ficção da  1ª década do século XXI

O ator em cena de “Minority Report – a nova lei”: união com Spielberg rendeu melhor ficção da 1ª década do século XXI

Cruise tentou emplacar outra franquia de ação com “Jack Reacher: o último tiro”, lançado em 2012, mas o filme não arrecadou o que se esperava. Cruise ainda tenta conseguir o aval da Paramount, estúdio com o qual já teve contrato exclusivo, para um segundo filme, mas está difícil.

Ator que também produz seus filmes, Cruise é conhecido por ser extremamente profissional e perfeccionista. Disse certa vez ao semanário The Hollywood Reporter que resistia à febre de adaptações em quadrinhos porque não queria relacionar a marca Tom Cruise ao que entendia ser um hype passageiro.  Vale lembrar que ele tentou comprar os direitos do personagem Homem de ferro, mas isso foi muito antes do personagem ganhar a notoriedade que goza hoje.

A marca Tom Cruise foi buscar guarida na ficção científica. Com Cameron Crowe, seu diretor em “Jerry Maguire – a grande virada” (1996), rodou o primeiro filme de sua carreira com tendências para a ficção científica. “Vanilla Sky” (2001) era o remake de um filme espanhol complexo, obscuro e pouco visto. Não foi a estreia dos sonhos no gênero, mas a incursão seguinte colocaria os pingos nos is. Cruise aliou-se ao grande cineasta do século XX, Steven Spielberg, para fazer a melhor ficção científica do início do século XXI. “Minority Report – a nova lei” (2002), adaptado de um conto do papa do gênero Philip K. Dick, colocava Cruise como um policial em um futuro em que os culpados pelos crimes eram detidos antes de cometerem os crimes em questão. O filme foi grande sucesso de público e maior ainda de crítica e fez com que Cruise e Spielberg se reunissem para uma versão cascuda de “Guerra dos mundos” (2005), de H.G Wells. O filme não era tão bom quanto se esperava que fosse, mas foi um hit mesmo assim.

Depois do filme, Cruise foi gerenciar a United Artists, o que não deu certo, e acabou voltando à ficção em 2013 com “Oblivion”. Um projeto selecionado pelo ator, assim como foi o diretor da fita, Joseph Kosinski, de “Tron – o legado”.

Cruise e seu diretor em "Oblivion", Joseph Kosinski, no set do filme: exercício de controle

Cruise e seu diretor em “Oblivion”, Joseph Kosinski, no set do filme: exercício de controle

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“No limite do amanhã” é a segunda ficção científica consecutiva de Tom Cruise. Dirigido por Doug Liman, dos bons “A identidade Bourne” (2002) e “Sr. & Sra. Smith” (2005), o filme não é apenas uma aposta de Cruise no gênero. É uma aposta de Cruise de que, no gênero certo e com o devido cuidado, ele pode fazer frente a franquias milionárias adaptadas de obras juvenis, games e HQs.

Escolado na batalha pela sobrevivência nesse campo de batalha que é o cinemão, e com o reinado na ficção científica cada vez mais frágil, Cruise já prepara o retorno de séries conhecidas. O quinto “Missão impossível” já está em pré-produção e deve ser lançado no fim de 2015 e o segundo “Top Gun” vai mesmo acontecer, mesmo com a morte de Tony Scott (o diretor do filme original suicidou-se em meados de 2012).

O topo de Hollywood já não é mais um sonho possível. Tom Cruise parece brigar para continuar sendo viável nas bilheterias, quando tudo parece apontar o contrário.

Tom Cruise e Emily Blunt: Em "No limite do amanhã", o ator cede mais espaço a sua co-protagonista  (Fotos: divulgação e Getty)

Tom Cruise e Emily Blunt: Em “No limite do amanhã”, o ator cede mais espaço a sua co-protagonista
(Fotos: divulgação e Getty)

 

 

 

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