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quinta-feira, 13 de novembro de 2014 Análises, Diretores | 19:11

Para onde vai o cinema de Christopher Nolan depois de “Interestelar”?

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Foto: Total Film

Foto: Total Film

A bilheteria de “Interestelar” em seu primeiro final de semana nos cinemas foi vultosa. Mas não tão impactante como os estúdios que bancaram o filme (Warner e Paramount) esperavam. A crítica se dividiu quanto ao filme. Estes são fatores adversos que são, também, estranhos a Nolan. O cineasta britânico desde que caiu nas graças da Warner, estúdio para o qual rodou todos os seus filmes desde “Insônia” (2002), não sabe o que é amealhar reação adversa a seus trabalhos. Mesmo “Batman- o cavaleiro das trevas ressurge”, bastante criticado por segmentos da crítica e da cinefilia, se beneficiava do saldo positivo da trilogia do Batman.  Mas “Interestelar” é outro papo.

Estamos falando de um diretor ímpar na indústria. Um cara que, em plena ditadura do 3D, consegue demover o estúdio de lançar seus filmes no formato. A liberdade de Nolan é tamanha que ele conta com orçamentos acima de U$ 150 milhões para rodar filmes totalmente originais, difíceis de vender nos termos publicitários vigentes em Hollywood, e ainda atrai os melhores e mais disputados astros do momento.

Christopher Nolan é o triunfo da Hollywood criativa, inventiva e sem amarras. Uma Hollywood que está desaparecendo em meio à segurança das franquias multimidiáticas e dos conglomerados de comunicação. Mas Christopher Nolan não é infalível.

Depois do excelente, atemporal e surpreendentemente existencialista “O cavaleiro das trevas” (2008), Nolan chocou o mundo do cinema com “A origem”, um misto de ficção com filme de ação inventivo, incrivelmente original e inteligente, além de apresentar um refinamento estético e visual entusiasmante.

“O cavaleiro das trevas ressurge” era um filme recheado de fragilidades. Um vilão ruim logo depois do filme com o melhor vilão adensava a maior das fraquezas da fita. O fato de Nolan repisa conflitos já esgotados em “O cavaleiro das trevas”. A solução do filme era outro golpe fatal. Nolan resgatava algumas ideias trabalhadas no final de “A origem” e destinava um desfecho risível para a personagem de Marion Cotillard.

“Interestelar” era a oportunidade de não só prestar homenagem a um de seus ídolos definidores, Stanley Kubrick,

O diretor orienta a badalada, e desperdiçada em 'Interestelar", Jessica Chastain  (Foto: divulgação)

O diretor orienta a badalada, e desperdiçada em ‘Interestelar”, Jessica Chastain
(Foto: divulgação)

mas de adentrar mais a fundo a um gênero muito receptivo a cineastas criativos e talentosos como Nolan. Mas esse namoro com a ficção científica desandou. Se “Interestelar” traz todos os vícios do cinema de Nolan (diálogos expositivos em excesso, personagens emocionalmente aleijados, falta de humor, solenidade desproporcional, entre outros), não traz os méritos (fé no poder da imagem, alijamento dos clichês, sofisticação narrativa, esmiuçamento dos conflitos que movem os personagens, entre outros).

“Interestelar” não deve ser um fracasso retumbante, mas contribuirá para um agigantamento da polarização já manifesta em torno de Nolan. Trata-se, afinal, de um visionário ou de um embuste? A paixão desvia o foco do problema que a recepção taciturna ao filme enseja. Nolan pode estar em face de ver alguns de seus privilégios contraídos. O que é má notícia para quem preza a liberdade criativa no cinema.

O cineasta ainda não anunciou seu próximo projeto, mas tem se dedicado nos últimos dias à estranha rotina de defender seu filme dos muitos detratores que rapidamente a produção tem acumulado. A dica é Nolan maneirar na ambição e voltar ao básico. Talvez um filme mais barato. Mas o caminho mais provável é que ele insista na grandiloquência. Um retorno ao universo dos super-heróis (vale lembrar que um novo filme do Batman ainda não foi confirmado em meio a tantos anúncios feitos pela Warner/DC) pode estar no horizonte. A Warner compreensivelmente irá cobrar mais caro pela manutenção da liberdade usufruída por Nolan até aqui.

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segunda-feira, 3 de novembro de 2014 Análises, Atores, Bastidores | 18:32

Todos querem ser Liam Neeson

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O ator irlandês Liam Neeson em cena do ainda inédito "Busca implacável 3"

O ator irlandês Liam Neeson em cena do ainda inédito “Busca implacável 3”

Largamente elogiada por críticos e seguramente muito admirada pelo público, que fez de seus mais recentes filmes sucessos de bilheteria, a atual fase da carreira de Liam Neeson é um fenômeno cujas implicações para a indústria do cinema ainda não se esgotaram.

Depois de construir uma sólida e venerável filmografia calcada em papéis dramáticos, Neeson abraçou o gênero da ação com “Busca implacável” (2008) e, desde então, tem se notabilizado em filmes de ambição aparentemente modestas, mas com repercussão barulhenta como “Esquadrão classe A” (2010), “Desconhecido” (2011), “A perseguição” (2011), “Busca implacável 2” (2012), “Sem escalas” (2014) e o ainda inédito “Caçada mortal” (2014). Para 2015 já tem agendado o lançamento do terceiro e derradeiro “Busca implacável”.

O êxito de Liam Neeson nessa reengenharia de carreira já foi saudado reiteradamente em diversas ocasiões, mas há um sintoma que aos poucos começa a se tornar evidente. Atores veteranos, com ou sem histórico no gênero da ação, começam a buscar projetos muito similares aos que têm destacado Neeson na presente safra de sua carreira.

Um exemplo é Denzel Washington, ator que já havia se experimentado na ação em filmes diversos como “Chamas da vingança” (2004) e “O livro de Eli” (2010), mas que jamais havia elegido um projeto na expectativa de desenvolvê-lo em uma franquia de ação. Foi o que aconteceu com “O protetor” (2014). Washington chamou seu diretor no bem sucedido “Dia de treinamento” para azeitar uma história que guarda semelhanças robustas com “Busca implacável”, tanto no desenvolvimento do personagem, como no desenvolvimento da história.

Ainda não está certo se “O protetor” terá sequência no cinema, mas a bilheteria amealhada pelo filme – cerca de U$ 200 milhões mundialmente – permite o otimismo.

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Depois de virar astro com “Matrix” (1999), Keanu Reeves amargou certo ostracismo em Hollywood. Ensaiou um

Keanu Reeves, sem meias palavras, em "De volta ao jogo"

Keanu Reeves, sem meias palavras, em “De volta ao jogo”

retorno à ação com “47 ronis” e dirigindo o filme de artes marciais “Man of tai chi” (2013). Não deu certo. O próximo passo foi escolher um projeto com a cara de Liam Neeson. Em “John Wick”, que no Brasil deve se chamar “De volta ao jogo” (sem ironias, por favor), Reeves faz um ex-assassino de aluguel que volta à ativa para se vingar de gangsteres que não deveriam ter cruzado seu caminho. O filme estreou com boa bilheteria nos EUA  há dois finais de semana, com desempenho superior a “47 ronins”, filme que custou muito mais.

A “fórmula Liam Neeson” representa a décima tentativa de Mel Gibson de dar volta por cima em Hollywood. Em “Blood father”, com previsão de estreia apenas para 2015, o ator faz um ex-presidiário que faz de tudo para proteger sua filha que está na mira de traficantes de drogas. Gibson, a bem da verdade, já investe no gênero há algum tempo, mas “Blood father”, diferentemente de filmes como “Plano de fuga” (2012) e “O fim da escuridão” parece um genérico do primeiro “Busca implacável”.

Quando largou o smoking de 007, Pierce Brosnan disse que queria experimentar coisas novas e que não tornaria a fazer ação novamente. Se produções bacanas como “Encurralados” (2007) e “O matador” (2005) não exatamente podem ser enquadradas no gênero de ação, o mesmo não se pode dizer de “November man: um espião nunca morre”. No filme, Brosnan vive um ex-agente da CIA que volta à ativa (reparem como em todos os filmes há um “retorno à ativa”) para enfrentar um ex-pupilo desertor.

De volta aos holofotes em 2014, Kevin Costner deve ao gênero, pouco explorado por ele na fase áurea da carreira, o bom momento. Filmes como “Operação sombra-Jack Ryan” e “3 dias para matar”, sobre um agente da CIA à beira da morte que tenta acertar os ponteiros com a filha, enquanto age para conseguir uma droga experimental que pode prolongar sua vida, ajudaram o ex-galã a reaparecer com força no ano.

 

O Elvis Presley do gênero

Nicolas Cage em "Fúria": ele tem a própria fórmula... (Fotos: divulgação)

Nicolas Cage em “Fúria”: ele tem a própria fórmula…
(Fotos: divulgação)

Se tem alguém que dá de ombros para a “fórmula Liam Neeson” e pratica sua própria fórmula em Hollywood é Nicolas Cage. A única razão para ser o modelo de Neeson o copiado por atores veteranos e não o de Cage é que a carreira do sobrinho de Francis Ford Coppola e ex-marido de Lisa Marie Presley (e a metáfora ali de cima é menos gratuita do você pode imaginar) segue em constante e aparentemente irreversível declínio. Mesmo assim, Nicolas Cage continua fazendo os filmes “B” que quer fazer, como “O Apocalipse” e “Fúria”, que estrearam recentemente nos cinemas brasileiros. Cage, aliás, continua levando público ao cinema, especialmente no Brasil. Mesmo seus filmes sendo ruins, há uma honestidade indevassável neles. Mas a “fórmula Nic Cage” é assunto para outro dia.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014 Análises | 15:58

A guerra entre Marvel e DC atinge nível inédito no cinema, mas e o espectador nessa história toda?

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A semana passada foi agitada para os fãs de quadrinhos, cinéfilos e para quem gosta de super-heróis. Primeiro foi a Marvel que anunciou que Robert Downey Jr., pelo valor de U$ 40 milhões, estará no elenco de “Capitão América 3” que introduzirá a saga “Guerra civil”, um dos grandes êxitos editoriais recentes da Marvel em seu universo cinematográfico. O plano, ambicioso e empolgante, é um passo além no conceito de universo cinematográfico, no qual a Marvel é precursora. A Warner, que detém os direitos sobre todos os personagens da rival da Marvel nos quadrinhos, a DC Comics, deu nome aos bois, ou melhor aos projetos, que pretende levar ao cinema até 2020. A coesão deste universo DC no cinema ainda não está exatamente clara, mas neste momento não é exatamente uma preocupação. O que importa é não perder a Marvel de vista. Por isso, a DC confirmou dez filmes para o período entre 2016 e 2020.

A Marvel também tem dez filmes confirmados, ainda que nem todos os projetos estejam devidamente nomeados, entre 2015 e 2019. O calendário com as estreias de ambos os estúdios pode ser conferido mais abaixo.

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Cena da sequência de “Os vingadores”, programada para 2015
(Fotos: divulgação)

Filmes programados pela Warner/DC

2016

“Batman v Superman: alvorecer da Justiça”

“Esquadrão suicida”

2017

“Mulher-Maravilha”

“Liga da Justiça”

2018

“The Flash”

“Aquaman”

2019

“Shazan”

“Liga da Justiça 2”

2020

“Ciborgue”

“Lanterna verde”

Filmes programados pela Disney/Marvel

2015

“Os Vingadores – a era de Ultron”

“Homem-Formiga”

2016

“Capitão América 3”

Filme desconhecido (provavelmente Dr. Estranho)

2017

Filme desconhecido

Filme desconhecido (provavelmente “Os guardiões da Galáxia 2”)

2018

Filme desconhecido (provavelmente Os Vingadores 3)

Filme desconhecido

2019

Filme desconhecido

Gal Gadot como a Mulher-Maravilha: a primeira super-heroína a ter um filme  para chamar de seu

Gal Gadot como a Mulher-Maravilha: a primeira super-heroína a ter um filme para chamar de seu

Se a Marvel ainda não confirmou todos os filmes que lançará até 2019, apenas que esses filmes serão lançados, a Warner já distribuiu sua janela de lançamentos e fez alguns anúncios interessantes. Um diz respeito sobre o reboot de “Lanterna verde”, justamente o último filme desta janela, programado para 2020. A ideia é fazer algo capaz de apagar a péssima impressão deixada pelo filme de 2011 protagonizado por Ryan Reynolds. Outro é de que em 2017 haverá um filme solo da Mulher-Maravilha e aí, configura-se uma vitória sobre a Marvel, que ensaia há anos um filme solo de uma heroína (um filme da Viúva negra, por exemplo, é constantemente aventado) e não avança na matéria. A personagem será introduzida no aguardado “Batman v Superman: alvorecer da Justiça”.

Outra nota relevante foi a escalação do ótimo ator Ezra Miller para viver o personagem Flash no cinema. Miller assumiu sua bissexualidade há dois anos e é no mínimo corajoso, em uma indústria ensimesmada com a reação do público, entregar um personagem de tamanha visibilidade a um ator que expõe sua orientação sexual sem cerimônias.

Jason Momoa, de "Game of Thrones" entra para o universo DC e será o protagonista de "Aquaman"

Jason Momoa, de “Game of Thrones” entra para o universo DC e será o protagonista de “Aquaman”

São miudezas que garantem ao duo Warner/DC uma visibilidade diferenciada na mídia especializada, ainda que não produza o mesmo grau de ansiedade que o anúncio da Marvel. Isso porque, afora a trilogia do cavaleiro das Trevas assinada por Christopher Nolan, a Warner ainda não conseguiu dar provas de que reúne condições de estabelecer um universo coeso no cinema com os personagens DC. A Marvel, por seu turno, já está bem experimentada na questão. Enquanto se prepara para lançar o que chama de “fase 3” no cinema, o estúdio ajusta um plano ainda mais ambicioso. Na “Guerra civil”, que deve repercutir por todos os filmes Marvel de 2016 até 2019, justamente esses ainda não especificados, o Tony Stark de Robert Downey Jr. aproxima-se perigosamente da carapuça de vilão e essa flexibilidade, ainda que bem digerida pelo leitor de HQ, ainda não foi experimentada pelo fã da Marvel proveniente do cinema. É uma aposta de um estúdio com um plano sólido para expandir sua influência multimidiática à medida que consolida o cinema como o eixo central desse plano.

É inegável, em certa perspectiva, que os filmes de super-heróis têm demonstrado certo esgotamento. No entanto, a guerra declarada nesta semana entre Warner/DC e Marvel deve revitalizar o filão que já se encontrava no piloto automático acionado por executivos pouco familiarizados com a mitologia desses personagens e interessados apenas nas bilheterias.

Sob essa perspectiva, mais do que a Marvel e a Warner/DC, ganham os fãs que poderão acompanhar de camarote alguns de seus sonhos de criança, e outros de marmanjo, ganhando vida na tela grande.

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quinta-feira, 2 de outubro de 2014 Análises, Bastidores | 21:44

Por que está tão difícil fazer um (bom) filme sobre Steve Jobs?

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Steve Jobs é o Monte Everest dos estúdios de cinema atualmente. Em 2013 houve alguma atenção para “Jobs”, filme independente dirigido por Joshua Michael Stern e estrelado por Ashton Kutcher, por este ter sido apenas o primeiro. Mas há outros quatro projetos sobre o polêmico gênio fundador da Apple em desenvolvimento. Mas trazer esses filmes à vida tem se provado muito mais complicado do que se poderia supor. Até mesmo pelo fato do primeiro filme sobre o gênio empreendedor ter sido malhado pela crítica.

Pôster feito por fãs para o filme que nunca vai existir...

Pôster feito por fãs para o filme que nunca vai existir…

Leonardo DiCaprio, que seria o Jobs do filme que Danny Boyle (“Quem quer ser um milionário?”) está desenvolvendo para a Sony, anunciou sua desistência do papel. A Sony, que de longe é o grande player dessa disputa para ver que tem a melhor cinebiografia de Jobs, havia reunido a equipe responsável pelo êxito de crítica, público e prêmios “A rede social” para produzir o filme. Aaron Sorkin é o responsável pelo roteiro e David Fincher dirigiria o filme. O cineasta, que tem filme novo na praça (“Garota exemplar”), tinha até apontado Christian Bale como sua escolha para interpretar Jobs, mas desistiu após divergências criativas com o estúdio. Boyle assumiu o projeto e Leonardo DiCaprio já estava apalavrado para assumir o protagonismo. Mas a ideia desandou.

DiCaprio desistiu do projeto para se dedicar a “The revenant”, novo filme de Alejandro González Iñárritu. Matt Damon e Ben Affleck são nomes ventilados para assumir o papel no projeto da Sony. Com a dificuldade do estúdio em articular seu filme, os outros seguem em banho-maria.

Steve Jobs é um personagem rico e complexo e um filme sobre sua vida gera buzz, mas é um exercício penoso de produção. Principalmente quando se há uma verdadeira corrida nos bastidores para enquadrar Jobs no melhor projeto possível.

Outro fator complicador para o filme que a Sony articula é o fato de que a perspectiva do filme é contrária à versão oficial do legado de Jobs. Tanto que o consultor de Aaron Sorkin na confecção do roteiro é Steve Wozniak, ex-sócio de Jobs e um dos ardorosos críticos aos métodos do empresário morto em 2011.

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Análises | 06:00

Internet ganha força como plataforma de lançamento de filmes

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Depois de mudar os termos na distribuição da música e ajudar a encerrar a era das videolocadoras, a internet já viabiliza uma mudança de paradigma na distribuição de filmes. Não. Os cinemas não vão fechar. Há uma certa magia no ritual sociocultural de ir ao cinema que não se pode dispensar. Dos encontros românticos ao momentos em família, passando pelo ardoroso fervor cinéfilo, o cinema goza de uma perenidade insuspeita. Mas o cinema precisará aprender a conviver com uma novíssima maneira de distribuição de filmes. Analistas da indústria e gente do cinema como Steven Spielberg e Steven Soderbergh, que em 2005 lançou “Bubble” simultaneamente no cinema, na TV e na internet, vêm preconizando isso há algum tempo.

O anúncio quase que simultâneo de que “O tigre e o dragão” ganhará uma sequência que será lançada apenas nos cinemas IMAX e na Netflix, e de que a saga “Crepúsculo” reviverá em cinco curtas-metragens feitos para a internet, praticamente marca o ponto da virada na maneira como se distribui filmes.

"Crepúsculo" vai voltar, mas de um jeito bem diferente...

“Crepúsculo” vai voltar, mas de um jeito bem diferente…

Em parceria com a escritora de “Crepúsculo”, Stephanie Meyer, a Lionsgate vai produzir um concurso para escolher cinco mulheres cineastas para serem responsáveis pelos curtas. “The storytellers: new creative voices of The Twight Saga” terá um júri composto pelas atrizes Kristen Stewart, Kate Winslet, Octavia Spencer, Julie Bowen , pela roteirista Jennifer Lee, pela diretora Catherine Hardwicke (do primeiro “Crepúsculo”) e por Cathey Schulman, presidente do instituto Women in Film, organização que promove a mulher na indústria cinematográfica.

Na outra ponta, a Weinstein Company, dos irmãos Harvey e Bob Weinstein, que estiveram a frente da revitalização do cinema independente americano nos anos 90, firmou parceria com a Netflix para lançar “O tigre e o dragão:  a lenda verde” por meio da gigante da internet. A data já está marcada: será no dia 28 de agosto de 2015. Se você não tiver acesso aos cinemas IMAX dos EUA e da China, só poderá ver a sequência, pelo menos a princípio, no catálogo da Netflix.

A oscarizada Kate Winslet agrega prestígio a um concurso que ambiciona mais do que escolher cinco diretoras de curtas-metragens (Foto: divulgação)

A oscarizada Kate Winslet agrega prestígio a um concurso que ambiciona mais do que escolher
cinco diretoras de curtas-metragens
(Foto: divulgação)

A ideia dos Weinstein é mudar o jogo novamente. Combinados, os dois projetos expandem as possibilidades. Não só para produtores, indústria e distribuidores, arrendando mais players e interesses, mas para o público.

A ideia da Lionsgate, de dar sobrevida a “Crepúsculo”, é especialmente engenhosa. A web é um ambiente próspero para experimentações e a franquia “Crepúsculo”, como mostra o sucesso de “50 tons de cinza”, egresso de um fórum de fãs da obra de Stephanie Meyer, tem um potencial ainda longe do esgotamento. Além da possibilidade de revelar novos talentos, a Lionsgate inova ao extrapolar os limites convencionais de uma franquia cinematográfica. Em uma época em que todos os anos os cinemas são invadidos por sequências e remakes, podemos estar vislumbrando um redimensionamento do futuro do negócio chamado cinema.

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quinta-feira, 25 de setembro de 2014 Análises | 18:57

O cinema descortina o mundo “pós-gay”?

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O Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro anunciou que está extinguindo em sua 16ª edição, já em vigor, a mostra “Mundo gay”, dedicada a repercutir e iluminar filmes com temática homossexual. Concomitantemente a esta decisão, a organização do festival criou o prêmio Felix, que será outorgado ao melhor filme gay da programação. A justificativa para a combinação das novidades apresentada pelo festival é de que os filmes da mostra ficaram diversificados demais para serem reunidos sob um único recorte, o de filme gay.

Em abril, época do lançamento do filme “Praia do futuro”, Wagner Moura disse que o fato de ser gay não era uma questão central para as ações de seu personagem. O diretor Karim Aïnouz pensava diferente. Disse que somente o fato de ser gay legitimava a atitude do personagem de largar tudo para trás e ir se reinventar em Berlim, uma cidade mais evoluída e, por consequência, mais receptiva à homossexualidade.

Cena de "Praia do futuro": a homossexualidade ainda é um conflito no cinema, mas no mesmo compasso da orfandade,  , maternidade, divórcio, entre outros

Cena de “Praia do futuro”: a homossexualidade ainda é um conflito no cinema, mas no mesmo compasso da orfandade, maternidade, divórcio, entre outros

Em contrapartida, o Brasil escolheu “Hoje eu quero voltar sozinho” para representar o País na disputa por uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro. O filme de Daniel Ribeiro pode ser tomado como o símbolo desse cinema “pós-gay” em que a orientação sexual é abordada de maneira dessegmentada. Algo parecido acontece com um dos fenômenos nos cinemas americanos atualmente. “O amor é estranho”, que tem roteiro do brasileiro Mauricio Zacharias, mostra um casal formado por John Lithgow e Alfred Molina lidando com o ônus do preconceito e como ele pode interferir em uma relação conjugal bem estabelecida.  O filme, lançado de maneira independente, apresenta carreira triunfal nos cinemas americanos onde está em cartaz há mais de um mês com uma das melhores médias de público por sala do país.

Não custa lembrar que em 2006, o favorito ao Oscar “O segredo de Brokeback Mountain”, que tratava de um amor homossexual, foi preterido por “Crash- no limite”, filme sobre as tensões raciais em Los Angeles.

Em 2008, Barack Obama colocou-se como um candidato pós-racial.  Se a ideia ajudou a elegê-lo presidente, tornando-o primeiro negro a comandar a nação mais poderosa do mundo e uma das que ostenta mais grave histórico de polarização racial, o conceito parece não ter sobrevivido à gestão obamista na Casa Branca; como demonstram o recente caso do assassinato do jovem negro no Missouri e as manifestações que se seguiram.

"Hoje eu quero voltar sozinho": símbolo do cinema "pós-gay"

“Hoje eu quero voltar sozinho”: símbolo do cinema “pós-gay”

"O amor é estranho": um reposicionamento na abordagem do preconceito em filmes com personagens gays

“O amor é estranho”: um reposicionamento na abordagem do preconceito em filmes com personagens gays

Obviamente as tensões raciais, homofóbicas ou de qualquer outra natureza preconceituosa não cessarão pela elevação de um Messias negro na Casa Branca ou com um punhado de filmes bem azeitados e articulados. Esta é uma questão de arremedo geracional e a arte, como habitual, exerce importante papel nessa fruição social e comportamental.

Dessa maneira, esta tendência que o cinema enseja como uma espécie de emancipação do cinema gay é uma boa notícia. Não é exatamente uma renúncia às bandeiras ou ao substrato temático, mas um aceno a uma era em que o cinema não precisará ser um instrumento de afirmação e educação na matéria.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014 Análises, Atrizes, Bastidores | 21:37

Angelina Jolie anuncia novo projeto na direção e sinaliza reposicionamento de carreira

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Angelina Jolie no set de "Na  terra do amor e ódio", seu primeiro filme como diretora

Angelina Jolie no set de “Na terra do amor e ódio”, seu primeiro filme como diretora

Angelina Jolie demonstra que a direção é realmente um gosto que adquiriu. Quando anunciou que dirigiria “Na terra do amor e ódio”, projeto cultivado por ela mesma e que se viu imerso em uma série de polêmicas, pensou-se que era uma fase de uma atriz referencial em Hollywood. O filme, sobre uma improvável história de amor entre um soldado sérvio e uma mulher bósnia em meio à guerra da Bósnia, amealhou elogios da crítica e foi indicado a alguns prêmios em 2011.

Neste ano, Jolie lança “Invencível”, sobre um atleta olímpico feito prisioneiro pelos japoneses durante a segunda guerra mundial. O filme, inspirado em história real, já desperta buzz para o próximo Oscar.  Para 2015, já prepara “By the sea”, que entre outros atrativos, tem como principal destaque o fato de promover o reencontro dela com Brad Pitt nas telas de cinema. A única vez em que contracenaram foi em “Sr. & Sra. Smith” (2005), filme que gravavam quando se apaixonaram.

Hoje, a estrela anunciou que vai dirigir “Africa”, outra produção inspirada em fatos reais, sobre o paleontólogo Richard Leakey e sua campanha contra ladrões de marfim que punham em risco de extinção certas espécies de elefante no continente.  “Durante a maior parte da minha vida, senti uma ligação profunda com a África e sua cultura”, declarou Jolie em um comunicado sobre o que a motiva a rodar o novo filme.

Invencível

“Invencível” tem pedigree invejável com roteiro dos irmãos Coen e fotografia de Roger Deakins:
é a aposta da Universal para o Oscar 2015

Ao lado do marido, Angelina Jolie estrela e dirige "By the sea", que será lançado no ano passado

Ao lado do marido, Angelina Jolie estrela e dirige “By the sea”, que será lançado no ano que vem

A atriz e diretora não só se mostra cada vez mais entusiasmada e confortável com a cadeira de diretora, como se cerca dos melhores profissionais. O roteiro de “África” é de Eric Roth, vencedor do Oscar pelo texto de “Forrest Gump – o contador de histórias” (1994) e indicado ao prêmio pelos trabalhos em ‘Munique” (2005) e “O curioso caso de Benjamin Button” (2008). Jolie também contará com os préstimos do diretor de fotografia Roger Deakins, um dos mais prestigiados da área e que fotografou “Invencível”. Para se ter uma ideia do gabarito de Deakins, a produção do 24º filme de James Bond foi adiada para tentar se encaixar na agenda dele. Algo que acabou não dando certo, já que Deakins está envolvido em oito filmes e, agora, em mais essa produção.

O fato de ter anunciado mais um filme, com dois ainda por lançar e por não ter nenhum projeto como atriz confirmado para os próximos anos (a não ser no filme em que também dirige), sinaliza que Jolie está pavimentando uma transição para a carreira de cineasta. Algo que muitos atores como Clint Eastwood, Ben Affleck e Mel Gibson – para citar casos mais famosos – já fizeram. No entanto, isso ainda é raro no caso das atrizes.

Sofia Coppola virou cineasta, muito festejada por sinal, depois de fracassar como atriz. No caso de Jolie, sua celebridade inegavelmente torna tudo mais fácil, mas é o talento que atrai talento e Jolie, tal qual Affleck, parece se insinuar muito mais interessante como cineasta do que como intérprete.

Se for indicada ao Oscar de direção em 2015, uma possibilidade que a Universal (estúdio responsável pela distribuição de “Invencível”) vai perseguir, Jolie será apenas a quinta mulher a concorrer ao prêmio de direção no Oscar e iluminar uma mudança radical em uma carreira já há muito frutífera.

Jolie dando as ordens no set de "Invencível" (Fotos: divulgação/ reprodução Daily Mail e Entertainment Weekly)

Jolie dando as ordens no set de “Invencível”
(Fotos: divulgação/ reprodução Daily Mail e Entertainment Weekly)

Confira o trailer de “Invencível”

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quinta-feira, 18 de setembro de 2014 Análises | 20:49

Brasil acerta ao apontar “Hoje eu quero voltar sozinho” para tentar o Oscar

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

A escolha de “Hoje eu quero voltar sozinho” para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro não foi uma unanimidade. É bom que não tenha sido. Primeiro porque as unanimidades, além de perigosas, tendem a ensejar um senso de desapontamento muito doído, justamente por sua imprevisibilidade. Segundo porque, como atentado aqui, a seleção que o júri responsável pela escolha do representante brasileiro dispunha era muito boa. Com um nível tão sofisticado, arranhar a unanimidade era algo intangível.

“Hoje eu quero voltar sozinho” é um filme de sensibilidade notória e aborda o surgimento do amor, a partir da desastrada descoberta do desejo de um garoto cego por seu melhor amigo.

Trata-se de um filme convidativo no olhar que dispensa à homossexualidade, mas também inteligente na abordagem que propõe da descoberta da própria identidade, não apenas de cunho sexual.

Isso posto, “Hoje eu quero voltar sozinho” se configura como uma escolha acertada não por ser o melhor entre os 18 filmes inscritos, mas por ser aquele mais arejado e robusto na combinação de pulso autoral e força comercial.

Benquisto pela crítica e premiado em um prestigiado festival de cinema (Berlim), “Hoje eu quero voltar sozinho” pode se beneficiar, ainda, da recente corrente progressista que a categoria tem tomado. Filmes como “A caça” e “Alabama Monroe”, candidatos em 2014, não seriam lembrados se fossem produções americanas.  Outro fator que pode pesar a favor do candidato brasileiro é o fato de não ter surgido um grande filme, uma unanimidade, nos festivais internacionais. Em outros anos, filme como “Amor” (2012), “A grande beleza” (2013), “Biutiful” (2010) e “A separação” (2011) já eram dados como certeza no Oscar. Não há nenhuma unanimidade neste ano e, novamente, a ausência desta pode ser o propulsor de “Hoje eu quero voltar sozinho” em sua jornada pelo Oscar.

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terça-feira, 16 de setembro de 2014 Análises, Bastidores | 18:20

Depois dos festivais de Veneza e Toronto, como fica a corrida pelo Oscar 2015?

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É cedo, é verdade, para apontar favoritos, azarões e potenciais surpresas na corrida para o Oscar. Mas depois de terminados os dois últimos grandes festivais do calendário cinematográfico mundial (em termos de Oscar, ao menos), já é possível identificar tendências e possibilidades bem fortes para a maior noite de gala do cinema.

Antes mesmo do início desses festivais, “Boyhood – da infância à juventude”, de Richard Linklater, e “O grande hotel Budapeste”, de Wes Anderson, ambos representantes do cinema independente americano, já eram apontados como possibilidades, ainda que remotas. Essa impressão não se dissipou.

As duas produções ganharam a companhia de “The imitation game”, sobre matemático homossexual que ajudou a decifrar código nazista, “Birdman”, de Alejandro González Iñarritu, sobre ator que tenta se reinventar na Broadway; e “Foxcatcher, de Bennett Miller, sobre tragédia passional envolvendo um bilionário e dois atletas da luta greco-romana. Esses filmes causaram grande sensação nos festivais. No caso do último, o momentum é construído desde o festival de Cannes, realizado em maio.

Cena de "The imitation game", que venceu o prêmio do público em Toronto: nos últimos seis anos, cinco filmes com esse prêmio foram indicados ao Oscar de melhor filme

Cena de “The imitation game”, que venceu o prêmio do público em Toronto: nos últimos seis anos,
cinco filmes com esse prêmio foram indicados ao Oscar de melhor filme

É seguro dizer que serão filmes com forte presença no Oscar, com grandes chances de figurarem na categoria principal.

Há ainda filmes que não foram vistos, mas que no papel são material de Oscar. São os casos de “American sniper”, de Clint Eastwood, “Garota exemplar”, de David Fincher, “Inherent vice”, de Paul Thomas Anderson e “Interstelar” de Chistopher Nolan.

Há, ainda, “Trash – a esperança vem do lixo”, filme inteiramente rodado no Brasil, do diretor Stephen Daldry, que é outra incógnita. O filme estreia neste mês no Brasil e na Inglaterra. Daldry é um especialista em Oscar. Recebeu indicações importantes pelos quatro filmes que dirigiu na carreira, inclusive filme (“Tão forte e tão perto”, “O leitor” e “As horas”) e direção (“ O leitor”, “As horas” e “Billy Elliot”).

Ainda saídas de Toronto, outras possibilidades na categoria principal são “A teoria de tudo” e “While we´re young”.

A disputa pelo Oscar de melhor ator se prova das mais intensas dos últimos anos. Ainda estamos em setembro e pelo menos sete nomes já se credenciam como fortes concorrentes: Steve Carell (“Foxcatcher”), Michael Keaton (“Birdman”), Eddie Redmayne (“A teoria de tudo”), Benedict Cumberbatch (“The imitation game”), Jake Gyllenhaal (“Nightcrawler”), Ralph Fiennes ( “O grande hotel Budapeste”) e Timothy Spall ( “Mr. Turner”).

Shailene Woodley surge como uma possibilidade aventada por analistas da indústria entre as atrizes por “A culpa é das estrelas”, mas são Reese Witherspoon por “Livre” e Julianne Moore por “Still Alice” quem arrebanham comentários entusiasmados por indicações no Oscar.

Eddie Redmayne como Stephen Hawking em "A teoria de tudo": cotado para concorrer ao Oscar de melhor ator

Eddie Redmayne como Stephen Hawking em “A teoria de tudo”: cotado para concorrer ao Oscar de melhor ator

A corrida, e os boatos, devem se intensificar nas próximas semanas e, claro, o Cineclube continuará acompanhando tudo de muito perto.

Fotos: divulgação

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Análises, Filmes | 06:00

Qual filme deve representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor produção estrangeira?

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Nesta quinta-feira (18), o Ministério da Cultura irá revelar o filme escolhido para representar o Brasil na briga por uma indicação ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro. O anúncio será feito às 10 horas da manhã em uma solenidade na Cinemateca Brasileira em São Paulo.

Ao todo, 18 longas-metragens participam da seleção. O júri que irá decidir o vencedor é composto pelo diretor, produtor e roteirista Jeferson De, pelo jornalista Luis Erlanger, pela coordenadora-geral de Desenvolvimento Sustentável do Audiovisual da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Sylvia Regina Bahiense Naves, pelo presidente do conselho da Televisão da América Latina, Orlando de Salles Senna, e pelo ministro do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, George Torquato Firmeza.

Cena de "O lobo atrás da porta": thriller policial é o favorito a ficar com a vaga

Cena de “O lobo atrás da porta”: thriller policial é o favorito a ficar com a vaga

Os filmes inscritos são os seguintes:

 “A grande vitória”, de Stefano Capuzzi

“A oeste do fim do mundo”, de Paulo Nascimento

“Amazônia”, de Thierry Ragobert

“Dominguinhos”, de Eduardo Nazarian

“Entre nós”, de Paulo Morelli

“O exercício do caos”, de Frederico Machado”

“Getúlio”, de João Jardim

“Hoje eu quero voltar sozinho”, de Daniel Ribeiro

“Jogo de xadrez”, de Luis Antônio Pereira

“Minhocas”, de Paolo Conti e Arthur Nunes

“Não pare na pista: a melhor história de Paulo Coelho”, de Daniel Augusto

“O homem das multidões”, de Cao Guimarães e Marcelo Gomes

“O lobo atrás da porta”, de Fernando Coimbra

“O menino e o mundo”, de Alê Abreu

“O menino no espelho”, de Guilherme Fiúza Zenha

“Praia do futuro”, de Karim Aïnouz

“Serra pelada”, de Heitor Dhalia

“Tatuagem”, de Hilton Lacerda

Cena de "Praia do futuro": filme ousado e complexo demais para o histórico das escolhas brasileiras. A opção por ele seria uma grata surpresa, mas com poucas chances de nomeação

Cena de “Praia do futuro”: filme ousado e complexo demais para o histórico das escolhas brasileiras. A opção por ele seria uma grata surpresa, mas com poucas chances de nomeação ao Oscar

A boa notícia é que a seleção de títulos é das mais diversificadas, ricas e qualificadas que o Ministério da Cultura dispõe em anos. A má notícia é que isso não necessariamente torna a tarefa mais fácil. Afinal, eleger o filme que irá tentar uma vaga no Oscar exige desprendimento, intuição e análise do contexto cinematográfico do momento no mundo e no Oscar. Qualidade não é, e não deve ser, o único parâmetro. Todos os anos o júri tenta equilibrar a equação de “o que os americanos vão apreciar” com “o cinema que nos dá orgulho”. Desde “Central do Brasil” no longínquo 1999, o tiro tem saído pela culatra.

Neste ano, “O lobo atrás da porta” desponta como virtual favorito. Trata-se de um thriller robusto, urbano e com aquele aspecto transnacional que recentemente o júri tem se apropriado na hora de escolher um filme que contenha certa brasilidade, mas não se resuma meramente a ela. Se optar pelo filme de Fernando Coimbra, se aproximará da escolha de 2014, “O som ao redor”; filme festejado pela crítica e experimentado em festivais fora do país. Pode ser o caminho, mas o histórico das escolhas brasileiras não sugere repetição. Há bons filmes como “Hoje eu quero voltar sozinho”, premiado no festival de Berlim”, e “O homem das multidões”, que adapta com liberdade um conto de Edgar Allan Poe, para falar da solidão. Qualquer um dos dois representaria uma escolha ousada, de afirmação do cinema autoral brasileiro como alternativa à produção de massa. Mas a produção autoral brasileira não é seguida tão de perto por membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood como eles o fazem com o cinema europeu, que geralmente privilegia em suas escolhas esse tipo de filme.

"O homem das multidões" seria uma aposta de risco do Brasil; filmes com esse perfil costumam emplacar no Oscar  quando submetido por países europeus

“O homem das multidões” seria uma aposta de risco do Brasil; filmes com esse perfil costumam
emplacar no Oscar quando submetido por países europeus

Cena da cinebiografia de Paulo Coelho: se for escolhido, filme caracteriza aposta conservadora

Cena da cinebiografia de Paulo Coelho: se for escolhido, filme caracteriza aposta conservadora

Nesse sentido, a biografia de um popular presidente brasileiro (“Getúlio”), um épico com ecos de Tarantino sobre a busca pela riqueza no norte do país (“Serra pelada”) e a biografia do escritor brasileiro mais famoso do mundo – e com muitas celebridades como fãs (“Não pare na pista: a melhor história de Paulo Coelho”) seriam escolhas mais seguras. Menos justas, porém.

É possível que nenhum desses filmes prevaleça e “Entre nós”, eficiente dramédia de Paulo Morelli surpreenda e fique com a vaga. De qualquer forma, o brasileiro tem que comemorar. Os 18 títulos na disputa são todos filmes que enobrecem o cinema nacional e o tornam mais plural, autêntico e, porque não, digno de Oscar.

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