Publicidade

Arquivo da Categoria Análises

quarta-feira, 4 de junho de 2014 Análises, Atores | 22:08

Tom Cruise reina na ficção científica, mas isso é suficiente para o ex-rei de Hollywood?

Compartilhe: Twitter
Tom Cruise e Emily Blunt em imagem promocional de "No limite do amanhã"

Tom Cruise e Emily Blunt em imagem promocional de “No limite do amanhã”

Foi um fim de semana incomum nas bilheterias brasileiras. Havia dois grandes blockbusters em estreia e uma comédia nacional cheia de potencial de bilheteria, além de filmes grandes em cartaz como “Godzilla” e o mais recente “X-men”. Em outros tempos, porém, esses fatores não seriam suficiente, ou mesmo relevantes, para apartar Tom Cruise do topo das bilheterias. Seu novo filme, “No limite do amanhã”, não perdeu apenas para “Malévola”, produção da Disney estrelada por Angelina Jolie, perdeu também para “X-men”, que já estava em exibição nos cinemas há uma semana, e para o nacional “Os homens são de Marte… e é para lá que eu vou”. Ou seja, o filme poderia muito bem ser estrelado por Jay Courtney, ator sem expressão alguma, e debutar em quarto lugar nas bilheterias brasileiras.

“No limite do amanhã” estreia nos cinemas americanos na próxima sexta-feira e seu fim de semana de estreia será decisivo para os rumos da carreira de Tom Cruise. Nenhum ator do primeiro escalão aposta tanto na ficção científica atualmente como ele e há uma razão para essa fidelidade. Desde o final dos anos 90, Cruise viu-se afastado do topo de Hollywood. Processo que foi acelerado desde que pulou no sofá de Oprah Winfrey.

Tentou comprar os direitos do Homem de ferro da Marvel, mas esbarrou nos embrionários planos da empresa em se configurar em um valioso estúdio de cinema. Assumiu o controle de um estúdio, a United Artists, na tentativa de revigorar o selo – surgido na era de ouro de Hollywood – e sua carreira, mas filmes como “Operação Valquíria” (2008) e “Leões e cordeiros” (2007) não deram muito certo e a United Artists faliu em 2008.

Não se dando por vencido, Cruise recuperou a franquia “Missão impossível” e teve um alento. O quarto filme, lançado no fim de 2011, tornou-se o mais lucrativo da série com quase U$ 700 milhões arrecadados internacionalmente, e um dos pontos altos da carreira de Cruise.

O ator em cena de "Minority Report - a nova lei": união com Spielberg rendeu melhor ficção da  1ª década do século XXI

O ator em cena de “Minority Report – a nova lei”: união com Spielberg rendeu melhor ficção da 1ª década do século XXI

Cruise tentou emplacar outra franquia de ação com “Jack Reacher: o último tiro”, lançado em 2012, mas o filme não arrecadou o que se esperava. Cruise ainda tenta conseguir o aval da Paramount, estúdio com o qual já teve contrato exclusivo, para um segundo filme, mas está difícil.

Ator que também produz seus filmes, Cruise é conhecido por ser extremamente profissional e perfeccionista. Disse certa vez ao semanário The Hollywood Reporter que resistia à febre de adaptações em quadrinhos porque não queria relacionar a marca Tom Cruise ao que entendia ser um hype passageiro.  Vale lembrar que ele tentou comprar os direitos do personagem Homem de ferro, mas isso foi muito antes do personagem ganhar a notoriedade que goza hoje.

A marca Tom Cruise foi buscar guarida na ficção científica. Com Cameron Crowe, seu diretor em “Jerry Maguire – a grande virada” (1996), rodou o primeiro filme de sua carreira com tendências para a ficção científica. “Vanilla Sky” (2001) era o remake de um filme espanhol complexo, obscuro e pouco visto. Não foi a estreia dos sonhos no gênero, mas a incursão seguinte colocaria os pingos nos is. Cruise aliou-se ao grande cineasta do século XX, Steven Spielberg, para fazer a melhor ficção científica do início do século XXI. “Minority Report – a nova lei” (2002), adaptado de um conto do papa do gênero Philip K. Dick, colocava Cruise como um policial em um futuro em que os culpados pelos crimes eram detidos antes de cometerem os crimes em questão. O filme foi grande sucesso de público e maior ainda de crítica e fez com que Cruise e Spielberg se reunissem para uma versão cascuda de “Guerra dos mundos” (2005), de H.G Wells. O filme não era tão bom quanto se esperava que fosse, mas foi um hit mesmo assim.

Depois do filme, Cruise foi gerenciar a United Artists, o que não deu certo, e acabou voltando à ficção em 2013 com “Oblivion”. Um projeto selecionado pelo ator, assim como foi o diretor da fita, Joseph Kosinski, de “Tron – o legado”.

Cruise e seu diretor em "Oblivion", Joseph Kosinski, no set do filme: exercício de controle

Cruise e seu diretor em “Oblivion”, Joseph Kosinski, no set do filme: exercício de controle

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“No limite do amanhã” é a segunda ficção científica consecutiva de Tom Cruise. Dirigido por Doug Liman, dos bons “A identidade Bourne” (2002) e “Sr. & Sra. Smith” (2005), o filme não é apenas uma aposta de Cruise no gênero. É uma aposta de Cruise de que, no gênero certo e com o devido cuidado, ele pode fazer frente a franquias milionárias adaptadas de obras juvenis, games e HQs.

Escolado na batalha pela sobrevivência nesse campo de batalha que é o cinemão, e com o reinado na ficção científica cada vez mais frágil, Cruise já prepara o retorno de séries conhecidas. O quinto “Missão impossível” já está em pré-produção e deve ser lançado no fim de 2015 e o segundo “Top Gun” vai mesmo acontecer, mesmo com a morte de Tony Scott (o diretor do filme original suicidou-se em meados de 2012).

O topo de Hollywood já não é mais um sonho possível. Tom Cruise parece brigar para continuar sendo viável nas bilheterias, quando tudo parece apontar o contrário.

Tom Cruise e Emily Blunt: Em "No limite do amanhã", o ator cede mais espaço a sua co-protagonista  (Fotos: divulgação e Getty)

Tom Cruise e Emily Blunt: Em “No limite do amanhã”, o ator cede mais espaço a sua co-protagonista
(Fotos: divulgação e Getty)

 

 

 

Autor: Tags: ,

terça-feira, 29 de abril de 2014 Análises, Bastidores, Diretores | 21:52

Diretores que foram do indie ao cinemão

Compartilhe: Twitter

Marc Webb, diretor de “O espetacular Homem-aranha 2: a ameaça de Electro”, também responsável pelo primeiro filme, anunciou há pouco tempo que não dirigirá o quarto filme. Isso mesmo. O quarto filme. O segundo nem sequer foi lançado e já se fala do quarto filme. É assim mesmo em Hollywood. Mas a razão para Marc Webb pôr a carroça na frente dos bois é de que ele é um dos egressos do cinema independente a serviço do cinema mainstream, aquele bancado pelos grandes estúdios. Webb tem a esperança de que agora, com mais cacife, possa bancar projetos mais autorais, como aquele que o pôs no mapa, “500 dias com ela” (2009). Comédia romântica indie para lá de alternativa e geek que marcou época no fim da década passada. A Sony queria justamente essa pegada nerd, mas cheia de ternura para o reboot do Homem-Aranha e desde então, Marc Webb joga no “time dos vendidos” do cinema americano. Esse time é constituído por cineastas surgidos no cinema independente que logo romperam a fronteira e foram trabalhar sob as asas dos estúdios.

Marc Webb em entrevista promocional do novo "Homem-Aranha"  (Foto: reprodução/Internet)

Marc Webb em entrevista promocional do novo “Homem-Aranha” (Foto: reprodução/Internet)

O filme mais visto no último fim de semana nos Estados Unidos foi “Mulheres ao ataque” (no Brasil, previsto para 08/05), comédia estrelada por Cameron Diaz que é uma das apostas da Fox para essa temporada pipoca. Na cadeira de diretor, Nick Cassavetes. O caso de Cassavetes é ainda mais emblemático dessa mudança de paradigma. Ele é filho do ator e cineasta John Cassavetes, um dos maiores expoentes do cinema independente americano. Entre trabalhos como ator e diretor, Nick sempre flertou com o cinemão; é dele, por exemplo, o meloso “Diário de uma paixão” (2002). Mas seus melhores trabalhos foram feitos às margens dos estúdios (“Loucos de amor” e “Um ator de coragem”, para citar dois exemplos).

Outra atração em cartaz nos cinemas de todo mundo atualmente é “Divergente”, adaptação da obra de Veronica Roth. Seu diretor, Neil Burger,também se fez no cinema independente com os bem azeitados “O ilusionista” (2006) e “Gente de sorte” (2008). “Divergente” é seu segundo filme de estúdio. O primeiro foi o thriller jeitosinho “Sem limites” com Bradley Cooper e Robert De Niro.

Grife a serviço do cinemão

Quentin Tarantino continua fazendo filmes tarantinescos.  Filmes que só ele pode fazer. Mas o homem que revitalizou o cinema independente americano em 1994 com “Pulp Fiction – tempos de violência” migrou para o cinemão. Seus últimos dois longas-metragens foram financiados por poderosos estúdios. “Bastardos inglórios” (2009) foi parcialmente bancado pela Universal, enquanto que “Django livre” (2012) foi inteiramente produzido pela Sony.

Outros dois cineastas com tiques narrativos bastante reconhecíveis seguiram o mesmo caminho de Tarantino. Paul Greengrass, diretor do premiadíssimo “Domingo sangrento” (2002), era uma aposta arriscada para sequência de “A identidade Bourne” (2002), mas depois do que ele fez com “A supremacia Bourne” (2004), redefinindo a maneira de se filmar a ação no gênero que mais movimenta as bilheterias no cinema, Greengrass jamais voltou a trabalhar fora do circuito de estúdios, ainda que faça filmes sérios e adultos como “Voo United 93” (2006) e “Capitão Phillips” (2013).

Guy Ritchie quase pôs fim a sua carreira durante o casamento com a pop star Madonna. Uma carreira que causou sensações com apenas dois filmes, “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes” (1998) e “Snatch – porcos e diamantes” (2000), mas reinventou-se como o homem por trás do Sherlock Holmes vivido por Robert Downey Jr. em dois filmes divertidos, mas bem aquém de seu talento.

Quentin Tarantino no set de "Django Livre": o mesmo, mas amplificado (Foto: divulgação)

Quentin Tarantino no set de “Django Livre”: o mesmo, mas amplificado (Foto: divulgação)

 

Neil Burger dirige Shailene Woodley em "Divergente": pelo prazer de fazer um filme pop (Foto: Divulgação)

Neil Burger dirige Shailene Woodley em “Divergente”: pelo prazer de fazer um filme pop (Foto: Divulgação)

 

Guy Ritchie entre Jude Law e Robert Downey Jr.: maneirismos do cinema independente a serviço de blockbusters (Foto: Divulgação)

Guy Ritchie entre Jude Law e Robert Downey Jr.: maneirismos do cinema independente a serviço de blockbusters (Foto: Divulgação)

Ser ou não ser mainstream?

“Os suspeitos” (1995) e “O aprendiz” (1998) são dois dos filmes mais inventivos da década de 90 e ambos são dirigidos por Bryan Singer, de todos dessa lista, o que “se vendeu” mais cedo. Sem Singer, esse novo “Homem-Aranha” de Webb não estaria por ser lançado. O homem fez “X-men: o filme” em 2000 e salvaguardou o posto de mídia a ser explorada pelo cinema para as HQs da Marvel, até então vítimas de uma espécie de maldição.

Em 2014, Singer lança um novo filme da franquia mutante e parece não ter saudades dos tempos de cinema independente.

Com Darren Aronofsky, que tem seu “Noé” fazendo algum barulho nos cinemas de todo mundo, o dilema parece mais profundo.

O diretor exibiu extremo talento nos filmes “Pi” (1998) e “Réquiem para um sonho” (2000). Eram filmes pesados, narrativamente densos, mas visualmente incríveis. Não demorou para um estúdio apostar nele. A Warner até tinha considerado seu nome para dirigir “Batman begins”, mas problemas pessoais o impediram de assumir o projeto. Aí surgiu um certo Christopher Nolan, outro que se fez no cinema independente…

Mas a Warner não estava disposta a desistir de Aronofsky e liberou algo em torno de U$ 50 milhões para ele fazer “A fonte da vida”, uma ficção existencialista. O filme, fracasso retumbante, não rendeu nem U$ 10 milhões e Aronofsky, por baixo, voltou ao cinema independente. Fez com recursos escassos o tocante “O lutador” (2008) e ganhou o leão de Ouro em Veneza. Pelo trabalho seguinte, “Cisne negro” (2010), foi indicado ao Oscar de diretor.  O filme protagonizado por Natalie Portman rendeu inesperados U$ 106 milhões nos EUA e Aronofsky voltou a ser sondado por estúdios. A Fox o contratou para dirigir “Wolverine: imortal” (2013), mas ele brigou com o estúdio porque queria ter a palavra final sobre o corte (montagem que vai para os cinemas) e acabou fora do projeto, que seria dirigido por James Mangold. A Paramount, no entanto, abarcou sua ideia para “Noé” e bancou a produção que consumiu cerca de U$ 130 milhões. Não foram poucas as desavenças entre estúdio e diretor durante as filmagens. Aronofsky parece disposto a atuar no cinemão, mas sem abrir mão da alma indie. Esse pode ser o pior dos mundos.

Darren Aronofsky bate um papo com Russell Crowe no set de "Noé": entre a cruz e a espada no tocante à liberdade criativa (Foto: Divulgação)

Darren Aronofsky bate um papo com Russell Crowe no set de “Noé”: entre a cruz e a espada no tocante à liberdade criativa (Foto: Divulgação)

Autor: Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 24 de abril de 2014 Análises | 19:20

Reflexão sobre o uso da nudez no cinema

Compartilhe: Twitter
Kate Winslet posa para Leonardo DiCaprio em cena de "Titanic" (Foto: divulgação)

Kate Winslet posa para Leonardo DiCaprio em cena de “Titanic” (Foto: divulgação)

No filme “Era uma vez eu, Verônica”, de Marcelo Gomes, há a investigação de uma personagem em crise existencial. Hermilia Guedes se entrega à personagem que experimenta sexualmente como forma de se validar social e emocionalmente. Expor-se pela arte não é exatamente uma novidade para a atriz, nem para o cinema pernambucano que com produções tão díspares como “Tatuagem” (2013), “Baixio das bestas” (2007), entre outros, cristaliza a nudez como ferramenta narrativa valiosa.

Essa apropriação do corpo do ator pode ser vista em filmes recentes como “Azul é a cor mais quente” (2013), “Shame” (2011) e “Ninfomaníaca” (2013). Em todas as produções, a nudez total se justifica pela escrutinação da rotina, pela exposição absoluta do íntimo dos personagens (radicalizada pela exibição física), e pelo fato de que os conflitos intrínsecos à narrativa se alimentam dessa exposição e oxigenam a percepção do espectador.

Abdellatif Kechiche filma a nudez de suas protagonistas em “Azul é a cor mais quente”, filme que causou comoção por exibir sexo homossexual sem concessões, com o vigor com que filma suas protagonistas comendo, brigando, amando. A passionalidade do registro é justamente o maior encantamento do filme.

Já em “Shame”, a exposição é artesanal. Steve McQueen, que este ano disputou o Oscar com “12 anos de escravidão”, tem formação nas artes plásticas e utiliza o corpo como elemento primário de seu discurso. Nesse contexto, a verdade em “Shame” só se anuncia pela exposição. É uma opção estética corajosa, principalmente, se considerarmos que há mais tolerância à nudez feminina do que à masculina. Prova disso é que Michael Fassbender recebeu muitos prêmios por sua excelente atuação como um homem viciado em sexo, como a Copa Volpi de melhor ator no festival de Veneza de 2011, mas ficou de fora do Oscar. Já Kate Winslet, atriz que assume sua nudez com desenvoltura em filmes diversos como “Titanic” (1997), “Fogo sagrado (1999) e “O leitor” (2008), foi laureada por este último com o prêmio da Academia.

Michael Fassbender em "Shame": atuação corajosa (Foto: divulgação)

Michael Fassbender em “Shame”: atuação corajosa (Foto: divulgação)

Em “Ninfomaníaca”, o sempre provocador Lars Von Trier, mecaniza o sexo e a nudez, nesse sentido, os corpos nus obedecem a essa visão deserotizada pretendida pelo cineasta.

Justificando a nudez

Em “Titanic” (1997), por exemplo, a nudez de Kate Winslet era necessária? Existe uma sedução em curso quando sua Rose posa para o Jack de Leonardo DiCaprio. Exibir seu corpo é partilhar com o expectador o erotismo que visita os personagens. James Cameron conduz a situação com muita elegância e apresenta uma cena de sexo à altura do engajamento romântico pretendido; e pudica na medida em que o tamanho do filme permite.

O pôster original de "Sob a pele", ficção científica em que Scarlett Johansson aparece totalmente nua. O último trailer do filme causou comoção nas redes sociais

O pôster original de “Sob a pele”, ficção científica em que Scarlett Johansson aparece totalmente nua. O último trailer do filme causou comoção nas redes sociais

Em filmes de terror a nudez é um paliativo para os hormônios exaltados.  Faz parte da rotina do gênero, um dos primeiros a romper os embargos formais e informais do cinema americano quanto ao tema. Na verdade, o gênero é moralista e os desavergonhados costumam ser punidos.

Esse moralismo, que vem primeiro do público, confina a nudez, pelo menos em sua plenitude, ao cinema dito de arte. O que não implica dizer que a nudez não seja escravizada por interesses comerciais. O próprio marketing de certos filmes explora isso. O ator Pedro Cardoso, mais conhecido por seu trabalho como Agostinho em “A grande família”, provocou grande comoção na mídia especializada em 2008 ao ler o “manifesto contra a nudez”, em que criticava o fato de diretores de cinema banalizarem o uso da nudez e exigirem que atrizes se despissem em cenas que, na avaliação dele, dispensariam tal ato. Toda a classe artística reverberou o episódio, mas não houve grandes desdobramentos práticos.

Tanto no Brasil como no mundo, o cinema continua palco para a nudez publicitária, aquela que não tem outro fundamento que não o embotamento do produto. A nudez como chamariz de público, no entanto, está longe de ser o único subterfúgio manipulado por estúdios e diretores de cinema, mas a consternação que provoca é reveladora da moral dúbia com que nos relacionamos com o tema.

O uso ou não da nudez em um filme é uma decisão do diretor e a nudez deve estar justificada no contexto da fita. Um bastidor de “Closer- perto demais” (2004), grande filme sobre o fluxo e complexidade das relações amorosas, atesta essa perspectiva. Há uma cena em que a personagem de Natalie Portman faz um strip-tease para o personagem de Clive Owen em uma boate. Mike Nichols, o diretor, filmou a nudez de Natalie Portman com direito a um demorado close no sexo da atriz. Na pós- produção, conversando com ela, decidiu que o close não era necessário na cena; que esta cumpria seu propósito sem essa exposição por parte da atriz. A própria Natalie Portman viria a se expor nua mais adiante em filmes como “Cisne negro” (2011) e no curta-metragem “Hotel Chevalier” (2007).

Para favorecer o contraponto, há no filme “Em transe” (2013), de Danny Boyle, o nu frontal da atriz Rosario Dawson. No filme, que versa sobre hipnose e crime no mundo das artes, a justificativa para a exposição do sexo da atriz reside no fato desta ser elemento chave para o acionamento da memória de um dos personagens. Há, portanto, uma valiosa função narrativa nessa nudez. Reforçada, é claro, por uma convicção estética que então é compartilhada com o público.

Natalie Portman e Clive Owen em uma das cenas mais matadoras de "Closer": a nudez da atriz desviaria a atenção dos diálogos recheados de dor e ironia (Foto: divulgação)

Natalie Portman e Clive Owen em uma das cenas mais matadoras de “Closer”: a nudez da atriz desviaria a atenção dos diálogos recheados de dor e ironia (Foto: divulgação)

Autor: Tags: , , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 8
  3. 9
  4. 10
  5. 11
  6. 12
  7. Última