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terça-feira, 13 de dezembro de 2016 Análises | 11:34

Qual o melhor filme para Hollywood reagir à ascensão da era Trump no Oscar?

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Com o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro 2017 e com a maioria dos prêmios da crítica já entregues, inclusive o Critic´s Choice Awards, distribuídos no último domingo (11), já dá para perceber que três filmes largam na frente na corrida pelo Oscar. “La La Land – Cantando Estações” claramente é o frontrunner. Os dramas indies “Moonlight” e “Manchester à Beira-Mar” gravitam o favoritismo do musical dirigido por Damien Chazelle e, por diversas razões, podem complexar previsões à medida que o Oscar se aproxima.

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de "La La Land" (Foto: reprodução/Premiere)

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de “La La Land”
(Foto: reprodução/Premiere)

“Moonlight”, ainda sem data e título nacional, é um filme sobre crescimento. Na superfície, do tipo que se vê todo dia no cinema americano, mas é protagonizado por negros e conta a história de um garoto que resiste à criminalidade no mesmo compasso em que se descobre gay. Já “Manchester à Beira-Mar” é mais soturno e acompanha a jornada emocional do personagem de Casey Affleck, que retorna à cidade que deixou em seu passado, para cuidar do sobrinho após a morte repentina do irmão.

Cartaz do filme "Moonlight"

Cartaz do filme “Moonlight”

O primeiro filme é nitidamente liberal demais para os padrões que, ainda que de maneira menos convicta, vigoram na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que outorga o Oscar. No entanto, dos três mais alinhados ao ouro, seria o candidato mais lapidado para representar uma bandeira Anti-Trump. “Manchester à Beira-Mar” talvez representasse melhor o pessimismo em que grande parte do País, e do mundo, se viu mergulhado com a eleição de Donald Trump. No final dos anos Bush, filmes violentos e taciturnos como “Os infiltrados” e “Onde os Fracos Não Têm Vez” prevaleciam no Oscar. Em 2009, na esteira da eleição de Barack Obama, o solar e otimista “Quem Quer Ser um Milionário?” triunfou de maneira maiúscula no Oscar. De lá para cá, nenhum outro filme venceu de maneira tão elástica – foram oito Oscars.

Por outro lado, o romantismo de “La La Land”, sua universalidade na declaração de amor que faz ao cinema, a Los Angeles e ao sonho americano podem ser percebidos como o remédio necessário para um período tão turbulento na história dos EUA. Hollywood, afinal, naufragou junto com a candidatura Hillary Clinton.

O Globo de Ouro anunciado nesta segunda-feira afunilou, como esperado, a corrida pelo Oscar e deu a esses três filmes a condição de principais postulantes ao Oscar 2017. Agora é esperar para ver como a novela favorita dos cinéfilos vai se desenvolver.

Cena do filme "Manchester à Beira-Mar" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Manchester à Beira-Mar”
(Foto: divulgação)

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016 Análises | 08:29

Verão americano de 2016 sugere ajuste de rota para estúdios de Hollywood

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Foi um verão atípico nas bilheterias dos cinemas. A grande temporada de blockbusters, como sempre, fez muito dinheiro, mas colocou pulga atrás das orelhas dos engravatados de Hollywood como nunca.

Montagem/divulgação

Montagem/divulgação

Foram 14 sequências lançadas nesta janela entre abril e o último fim de semana de agosto. Um recorde absoluto. A última vez que tantas sequências foram lançadas foi em 2003 e foram 13. Apenas quatro dessas sequências debutaram com uma bilheteria de estreia superior aos filmes anteriores. “Jason Bourne” (US$ 59,2 milhões), “Procurando Dory” (US$ 135 milhões), “Capitão América: Guerra Civil” (US$ 179 milhões) e “Uma Noite de Crime 3” (US$ 36,2 milhões). A grande maioria das sequências fracassou. Filmes como “Alice Através do Espelho”, “As Tartarugas ninja: Fora das Sombras”, “Star Trek: Sem Froneiras”, “Independence Day: O Ressurgimento”, entre outras produções floparam enormemente.

+ Universal, Mad Max e Tom Cruise estão entre os vencedores do verão americano de 2015

Foi um verão de extremos. A Disney tem razões para comemorar já que os dois filmes com maiores bilheterias da temporada integram seu portfólio. Mas se “Guerra Civil” e “Procurando Dory” juntos beiram quase US$ 1 bilhão em faturamento nos EUA e ultrapassam US$ 2 bilhões no mundo, filmes como “O Bom Gigante Amigo”, “Alice Através do Espelho” e “Meu Amigo, o Dragão” foram fracassos que o estúdio teve que amargar. A respeito deste quadro, o jornalista e crítico de cinema Rubens Ewald Filho até brincou: “acho que a Disney faz esses filmes que sabe que vão fracassar só para pagar menos imposto”.

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De fato, “O Bom Gigante Amigo”, um gesto nostálgico do estúdio em parceria com Steven Spielberg parecia um produto descolado de seu espaço tempo, mas esse raciocínio, por exemplo, não pode se aplicar a uma produção como “Ben-hur”. Com um orçamento superior a US$ 100 milhões, o filme se consagrou como o maior fracasso da temporada e demonstrou aos estúdios que a aposta em astros de cinema ainda é necessária. Coincidência ou não, depois do flop do filme estrelado por Rodrigo Santoro, Tom Cruise passou a negociar um aumento de cachê com a mesma Paramount para o novo “Missão Impossível”, programado para 2017.

O caso de “Esquadrão Suicida”

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Fracasso ou sucesso? Ainda que o filme não consolide as expectativas financeiras projetadas pela Warner Bros, não dá para dizer que o filme de David Ayer é um fracasso. No último fim de semana ultrapassou a barreira dos US$ 300 milhões nos EUA. Globalmente, a fita já amealhou cerca de US$ 700 milhões. As críticas foram venenosas, para dizer o mínimo, mas o marketing, vitorioso.

Tocando o terror

Não foi o primeiro ano que vislumbrou o gênero terror como um dos principais vitoriosos do verão americano. Com três exemplares entre as 20 maiores arrecadações da janela de lançamento – e três exemplares baratos – o gênero volta a fazer bonito. Novamente a Warner  desponta nesse segmento. Além da sequência de “Invocação do Mal”, que arrecadou mais de US$ 100 milhões nas bilheterias, o estúdio viu o baratíssimo e eficiente “Quando as Luzes se Apagam” fazer bonito no Box Office. O gênero ainda emplacou os sucessos de “Uma Noite de Crime 3” e “O Homem nas Trevas”, que lidera a bilheteria dos EUA há duas semanas e está em estreia no Brasil.

A surpresa do ano

A comédia com pegada feminista “Perfeita é a mãe” foi a grande surpresa da temporada com arrecadação superior a US$ 100 milhões nas bilheterias americanas. Além do mais, junto com “A Vida Secreta dos Pets” e “Festa da Salsicha”, foram os únicos exemplares entre as vinte maiores bilheterias do verão que não são sequências, refilmagens ou adaptações.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Saldo final

A lição que fica é que Hollywood terá que pensar mais detidamente sobre a produção de sequências. A mensagem do público nas bilheterias é bem clara. Uma continuação de um blockbuster no cinema só com muito critério. Apenas a Disney e a Warner, apesar do pouco crescimento em relação a 2015, conseguiram lucrar com a temporada. Os ganhos da Universal e da Sony foram modestos. Já Paramount, Fox e Lionsgate amargaram prejuízos.

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domingo, 28 de agosto de 2016 Análises, Bastidores | 15:19

Marvel ajusta ponteiros para fase sem Chris Evans como Capitão América

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Já era esperado que Chris Evans deixasse de ser o Capitão América no cinema em algum momento, mas uma entrevista de Joe Russo, que ao lado do irmão Anthony dirigiu os dois últimos filmes do Capitão, ao The Huffington Post disparou o alerta em todo Marvel maníaco.

Chris Evans em ensaio para  Rolling Stone

Chris Evans em ensaio para Rolling Stone

Ele disse que a cena final de “Capitão América: Guerra Civil”, que muitos interpretaram como um afastamento de Steve Rogers de tudo aquilo, é mesmo isso: uma “aposentadoria” do personagem.  “Acho que ele deixar o escudo de lado é também deixar a sua identidade. É ele admitindo que a identidade Capitão América estava em conflito com suas escolhas pessoais”, explicou o diretor. Isso não significa que não veremos mais Chris Evans nos filmes da Marvel, pois sua participação está confirmada em “Vingadores: Guerra Infinita”, filme que deve marcar a passagem de bastão, com a introdução de um novo Capitão América. Isso pode ser traduzido de uma maneira muito prática e financeira. Evans assinou contrato para seis filmes. Já estrelou cinco. Os três “Capitão América” e os dois “Vingadores”. Já Sebastian Stan, o soldado invernal, assinou contrato para nove filmes e só estrelou os três “Capitão América”. Anthony Mackie, que interpreta o Falcão, assinou para seis filmes e só figurou em dois. Ambos os personagens já assumiram a identidade do Capitão América nos quadrinhos.

Mais: Chris Evans apresenta o trailer de “Before We Go”, sua estreia na direção

Durante muito tempo se conjecturou como a Marvel reagiria à eventual saída de Robert Downey Jr., que interpreta Tony Stark/Homem de Ferro. Esse cenário, evitado às custas de negociações milionárias, ainda não se concretizou, mas a Marvel sempre esteve calçada para a eventual saída de Evans. O que, de maneira alguma, sinaliza uma saída definitiva. É plenamente concebível que, como nos quadrinhos, Steve Rogers reassuma a identidade de Capitão América. Seria dramática e narrativamente interessante ver isso no cinema. E a Marvel sabe disso. Com Downey Jr., que já assegurou participação no novo “Homem-Aranha”, a questão é mais delicada. Por mais que Chris Evans tenha se tornado a estampa de Steve Rogers, a própria HQ dá margem de manobra à Marvel, mas todo o universo cinematográfico do estúdio se construiu na esteira da caracterização de Downey Jr. de Tony Stark.

Crítica: Superlativo e humano, “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que a Marvel estava devendo

A Marvel já enfileira uma série de filmes com novos personagens em sua terceira fase justamente por saber que é preciso repensar o rumo dos principais personagens de seu portfólio. “Pantera Negra”, “Capitã Marvel” e “Inumanos” atendem essa necessidade e, em paralelo, são novas franquias em potencial. Algo decisivo para os planos da Marvel pós-Robert Downey Jr., Chris Evans e até mesmo Chris Hemsworth (o Thor).

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016 Análises, Filmes | 15:06

Entenda como “Esquadrão Suicida” virou o abacaxi do ano

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O diretor David Ayer no set de "Esquadrão Suicida"

O diretor David Ayer no set de “Esquadrão Suicida”

“Esquadrão Suicida” está nos cinemas e está fazendo um estrago. No bom e no mau sentido. É bastante consensual que o filme não é o produto que a Warner Brothers esperava. As refilmagens que aconteceram no início deste ano e as diferentes versões para elas apresentadas pelo cineasta David Ayer, a prolixidade de Jared Leto e o ressentimento que ele não faz questão de esconder de ter muitas de suas cenas cortadas da versão final do filme, a recepção ruim da crítica, a queda de braço entre fãs do filme e o site agregador de críticas Rotten Tomatoes são alguns dos sintomas da complexidade que é “Esquadrão Suicida”, o filme mais problematizado do ano.

Leia mais: Olha ela! Cinco razões que fazem de  “Esquadrão Suicida” um filme da Arlequina

Em dez dias em cartaz, a produção já arrecadou mais de US$ 466 milhões segundo dados do site Box Office Mojo. É difícil rotular um filme que ostenta essa arrecadação de fracasso. Além do mais, contra todos os prognósticos, a fita de David Ayer manteve a primeira colocação nas bilheterias americanas – apesar da queda de 67% entre uma semana e outra.

Leia mais: “Esquadrão Suicida” quebra recordes e supera críticas negativas

SuicideMuita gente rotulou o filme como uma sequência informal dos dois Batmans dirigidos por Joel Schumacher nos anos 90 e consideradas as piores adaptações de HQs a terem surgido nos cinemas. A comparação, essencialmente pejorativa, não está de todo errada. Do colorido à relação deturpada entre os vilões, “Esquadrão Suicida” tem muito daqueles filmes. É o pastiche, no entanto, que o aproxima ruidosamente do que as fitas de Joel Schumacher têm de pior. David Ayer primeiro disse que o filme que está nos cinemas é a sua versão. Foi um impulso compreensível de defender a obra que, a despeito das inúmeras intervenções do estúdio, segue com a sua assinatura. Em menos de duas semanas, porém, Ayer já mudou o tom – e a versão dos fatos – algumas vezes.

Ele ousa contar detalhes que não estão no filme – e o porquê só podemos especular – que indicam um filme completamente diferente no arranjo narrativo. “Este é o filme que teve as melhores reações nos testes com o público”, ouviu de uma fonte ligada ao estúdio o site The Wrap, uma das principais referências na cobertura dos bastidores de Hollywood.

Em outra entrevista, a Empire, Ayer disse que montar “Esquadrão Suicida” foi a pior experiência de sua carreira, dando a dica do quão difícil foi ajustar sua visão às demandas do estúdio. É muito perceptível e este foi o tom das primeiras impressões da coluna, bem como da crítica do filme no iG, que há dois filmes brigando para existir em “Esquadrão Suicida”. Isso ajuda a entender como “Esquadrão Suicida”, que teve um primeiro trailer sombrio e um terceiro já com certo humor ligeiro, virou esse abacaxi. Ainda que esteja fazendo dinheiro, e com mais velocidade do que “Batman Vs Superman”, parece seguro dizer que o filme não deve romper a mágica e obstinada meta da Warner de US$ 1 bilhão. O que deve levar o estúdio a pressionar ainda mais “Mulher-Maravilha”, sua próxima produção a ganhar os cinemas.

A pressão já começou e a diretora Patty Jenkins já se viu na necessidade de negar rumores de que o filme seria “uma bagunça”. A Warner precisa confiar na visão de seus cineastas. Depois de trocar o controle criativo das produções ligadas ao universo DC, com Geoff Johns substituindo Zack Synder, a Warner se projeta neste sentido. Mas é preciso deixar um fracasso ser um fracasso honesto. “Esquadrão Suicida”, para todos os efeitos, um fracasso enrustido, parece destinado à orfandade. Ninguém vai assumir a paternidade do abacaxi que o filme mais aguardado do ano se transformou.

Jared Leto: ressentimento e lobby por um spin-off com Coringa e Arlequina

Jared Leto: ressentimento e lobby por um spin-off com Coringa e Arlequina

 

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domingo, 31 de julho de 2016 Análises, Filmes | 07:00

Pressionado, “Esquadrão Suicida” detém o futuro da DC nos cinemas

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Esquadrão (4)Não é segredo nenhum que “Esquadrão Suicida” é um dos filmes mais aguardados do ano. Na semana do lançamento do filme nos cinemas de todo o mundo, parece válido dispensar um olhar sobre o que representa, afinal, a produção milionária da Warner Bros.

A ideia de se produzir um filme sobre o Esquadrão ronda os corredores do estúdio desde 2008, quando o Coringa de Heath Ledger impressionou o mundo em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Contudo, foi o cineasta David Ayer quem formalizou uma proposta para o estúdio e recebeu o sinal verde.

Ayer, que escreveu o excelente roteiro de “Dia de Treinamento” (2001), construiu uma carreira como cineasta com thrillers essencialmente urbanos como “Reis da Rua” (2008) e “Tempos de Violência” (2005). “Corações de Ferro” (2014), seu último filme antes de mergulhar de cabeça em “Esquadrão Suicida”, já sinalizava mais ambição. Mas é o filme baseado nos vilões da DC Comics que deve levar Ayer a outro patamar em Hollywood.

Leia mais: Foi difícil retratar sociopatia de minha personagem, diz Viola Davis sobre “Esquadrão Suicida”

A Warner, que não revela o orçamento do filme, também aposta alto na produção. Sob “Esquadrão Suicida” pairam as expectativas do estúdio de ter um verão lucrativo, já que “A Lenda de Tarzan” e “Invocação do Mal 2” vão bem, mas não vão maravilhosamente bem para competir com titãs como “Guerra Civil” e “Procurando Dory” e garantir alguma competitividade no ano. Há quem calcule que o filme – somado o extensivo gasto com o marketing – consumiu cerca de US$ 200 milhões do estúdio. É compreensível o investimento. A Warner não conseguiu obter os efeitos, financeiros e de prestígio, pretendidos com “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça” e sabe que o universo DC no cinema depende do sucesso de “Esquadrão Suicida”. Mais: da percepção de sucesso! “Batman Vs Superman” faturou mais de US$ 870 milhões globalmente, mas foi percebido como um fracasso. Em parte devido às críticas pouco amistosas; em parte porque teve um orçamento parrudo e não beijou a marca do US$ 1 bilhão, que virou rotina para a concorrente Marvel.

O cineasta David Ayer orienta Will Smith no set

O cineasta David Ayer orienta Will Smith no set

“Esquadrão Suicida” é, portanto, o que pode dar liga ao universo DC no cinema ou forçar a Warner a uma nova reavaliação de curso. A apresentação do estúdio na Comic-Con, no último fim de semana, fez crer que o filme faz por merecer o otimismo que desperta.

Convém lembrar, porém, que a despeito de David Ayer dizer em entrevistas que “fez o filme que queria e com plena liberdade”, a produção passou por refilmagens. Segundo boatos circulados na imprensa de entretenimento dos EUA, para inserir mais humor. A sombra da Marvel, como se pode observar, ainda é muito grande e o recente trailer de “Liga da Justiça” atesta isso mais do que qualquer outra coisa.

Mas “Esquadrão Suicida” não é um game changer, como dizem os americanos, apenas para David Ayer, a Warner e para os heróis (ou vilões) da DC Comics. Will Smith, que quando gozava do status de maior astro de Hollywood no início da década passada dizia que jamais faria outro filme baseado em HQ (ele já havia estrelado MIB e suas sequências), vê em “Esquadrão Suicida” a principal válvula de sua reengenharia de carreira.

Mais do que reencontrar o sucesso, Smith precisa recuperar sua credibilidade como astro de cinema. Por isso, dividir a responsabilidade com Jared Leto e Margot Robbie é uma estratégia acertada. O bônus, no entanto, paga tanto quanto o risco e Smith corre menos risco por não ser a grande atração do filme.

O Coringa de Leto desperta grandes expectativas (Foto: divulgação)

O Coringa de Leto desperta grandes expectativas
(Foto: divulgação)

Outro ângulo a se considerar é o fator marketing. Nenhum lançamento hollywoodiano nos últimos cinco, seis anos, contou com uma campanha tão intensa e multifacetada. “Deadpool”, um dos hits de 2016, fez um bom marketing nas redes sociais, mas nada que se compare ao desse filme. David Ayer usou muito bem o Twitter para isso. “Esquadrão Suicida” foi o carro-chefe da Warner em suas duas últimas participações na Comic-Con e os trailers sãos os melhores que o cinema pode ofertar.

A espera pelo filme foi longa. Quase três anos desde que foi anunciado. O marketing alimentou uma expectativa absurda e bem sabemos que a expectativa pode ser a mãe da decepção. “Esquadrão Suicida” chega pressionado como nenhum outro filme em 2016. É um fator que pode ser decisivo para o bem ou para o mal.

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quarta-feira, 27 de julho de 2016 Análises, Bastidores, Filmes | 20:33

“O Bom Gigante Amigo” fecha um ciclo e dá início a outro na carreira de Steven Spielberg

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eeeSteven Spielberg lançou “E.T – O Extraterrestre”, um de seus filmes mais famosos, no mesmo ano da primeira publicação de “O Bom Gigante Amigo”, de Roald Dahl. É coincidência, mas não deixa de provocar certo encantamento. Não é coincidência, porém, que o cineasta volte a trabalhar com a roteirista Melissa Mathison, com quem colaborou em “E.T”, justamente na adaptação da obra de Dahl para o cinema.

“O Bom Gigante Amigo” é, sob muitos aspectos, algo novo para Spielberg. É seu primeiro filme britânico, dos atores à ambientação, passando pelas locações e pelo tom. É, também, em 50 anos de carreira, seu primeiro filme para a Disney. Não obstante, é a primeira vez que Spielberg e seu diretor de fotografia habitual, Janusz Kaminski, aderem ao digital.

Leia mais: Coração de “O Bom Gigante Amigo”, Ruby Barnhill é nova descoberta de Spielberg

“O Bom Gigante Amigo” é a segunda adaptação da obra de Dahl a ganhar os cinemas pela Disney. A primeira foi “James e o Pêssego Gigante” em 1996. É um projeto que fala ao coração do homem por trás de sucessos como “Jurassic Park”, “Tubarão”, “O Resgate do Soldado Ryan” e “Guerra dos Mundos”.  Não à toa, Spielberg perseguiu o projeto por anos a fio com a sua Dreamworks, mas direitos autorais e licenças viabilizaram essa até então inédita colaboração entre o diretor de “Hook : A Volta do Capitão Gancho” e o estúdio de Mickey Mouse.

O filme debutou em Cannes e não causou nenhuma sensação. Tratando-se de Spielberg, a recepção na Riviera francesa foi até fria. A bilheteria seguiu o norte apontado pelo festival francês.  Nos EUA, onde estreou em 21 de junho, o filme fez pouco mais de US$ 50 milhões, o que o coloca como um dos poucos, e mais escandalosos, fracassos da carreira do cineasta. Para quem foi criança nos anos 80, essa estatística pouco importa. “O Bom Gigante Amigo” é um Steven Spielberg sem medo de ser feliz e, justamente por isso, oitentista até a alma.

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terça-feira, 26 de julho de 2016 Análises | 06:00

Plural e nostálgica, “Stranger Things” é o melhor que a cultura pop tem a oferecer em 2016

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Cena de "Stranger Things": os anos 80 estão de volta

Cena de “Stranger Things”: os anos 80 estão de volta

Vai ser difícil surgir algo mais atraente, sofisticado, divertido, inteligente e, vá lá, nostálgico em 2016 do que “Stranger Things”, série original do Netflix que provoca grande comoção nas redes sociais mundo afora.

A série criada pelos irmãos Duffer, donos de um currículo minguado com apenas um ou outro crédito no cinema independente e alguns roteiros da série “Wayward Pines”, resgata a psicologia e atmosfera do cinema dos anos 80. Não somente isso como se materializa em uma ode àquela década por meio de referências visuais, sonoras, elementares e narrativas.

Ambientada em Montauk, Long Island, a trama se inicia com o desaparecimento misterioso de Will Byers (Noah Schnapp). Sua mãe Joyce, papel que recupera Winona Ryder do ostracismo, e seus amigos Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin(Gaten Matarazzo) dão início a buscas paralelas à perpetrada pela polícia, e pelo delegado Jim Hopper (David Harbour). Todos mergulham em um extraordinário mistério, envolvendo um experimento secreto do governo, forças sobrenaturais e uma garotinha muito estranha. Essa garotinha, chamada Eleven é um dos grandes sabores da série. Interpretada com espantosa habilidade por Millie Bob Brown, Eleven rapidamente nos cativa e torna toda a experiência de se assistir “Stranger Things” ainda mais saborosa.

As referências pipocam a mil. Dos filmes de John Hughes aos de John Carpenter, passando por filmes seminais como “E.T – O Extraterrestre” (1982) e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (1977), resvalando em produções como “Alien – O Oitavo Passageiro” (1979), “O Labirinto do Fauno” (2006), “Poltergeist” (1982) e “Conta Comigo” (1986). Este último, épico infanto-juvenil dirigido por Rob Reiner, se revela uma das linhas-mestras de “Stranger Things”; ao lado, talvez, de “Os Gonnies” (1985). Isso, claro, está tangenciado nas relações do grupo de amigos mirim, todos nerds e vítimas de bullying que se amarram no sobrenatural.

 

Stranger things - 3Nenhuma outra obra em 2016, no cinema ou na TV, fez tão bom uso da música como “Stranger Things”. Em entrevista ao site Salon, os responsáveis pela trilha da série, Kyle Dixon e Michael Stein, disseram que o cinema dos anos 80 foi uma influência suprema no processo. A trilha que nos faz gelar a espinha parece algo saído de um filme de Nicolas Winding-Refn (“Drive”). “Os Duffer queriam que a música fizesse grande parte do show”, diz Dixon. “As demos do início da nossa carreira se ajustavam ao tom pretendido por eles”, acrescenta Stein. “Isso ajudou a pavimentar o nosso caminho”.

A resolução da trama, embora razoavelmente previsível, é apenas um detalhe em “Stranger Things”, essa série com sabor de matinê e vocação para tanto mais. É uma crônica voraz sobre maternidade, um delicioso romance no estilo “garoto conhece garota”, um thriller cheio de clima, uma trama de mistério, uma ode aos anos 80, uma série sobre camaradagem, entre tantas outras definições possíveis.

A qualidade da série se sustenta, em última análise, na elaboração equilibrada deste adorável pastiche. Qualquer que seja o ângulo que se enquadre “Stranger Thrings”, a série funciona e entrega. Essa pluralidade é justamente o que faz da produção do Netflix algo tão singular.

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quinta-feira, 7 de julho de 2016 Análises, Filmes, Notícias | 19:57

“Julieta” é filme de sutilezas entremeado por grandes cargas dramáticas

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Novidade do circuito comercial brasileiro neste fim de semana, “Julieta”, novo longa de Pedro Almodóvar, é seguramente um dos melhores filmes do ano. Para quem gosta do cineasta espanhol, seu retorno ao melodrama deve ser comemorado. “Julieta”, que originalmente se chamaria “Silêncio”, emprestando o nome de um dos contos de Alice Munro no qual o filme se baseia, pertence a mesma categoria almodovariana de produções como “Tudo Sobre Minha Mãe”, “Volver” e “Abraços Partidos”, alguns dos filmes mais ressonantes da última fase melodramática do espanhol.

O nome mudou porque o novo Scorsese – a ser lançado no final do ano – também se chama “Silêncio” e Almodóvar foi cortês o suficiente para ceder a primazia sobre o título ao colega americano.

Mais uma vez nos deparamos com uma personagem feminina forte, mas oprimida pelo masculino. O feminismo em Almodóvar surge mais sutil, convicto e reverberante do que tínhamos memória. O espanhol retoma alguns cânones de seu cinema e a relação entre mãe e filha é a força motriz do longa. Julieta (vivida por Emma Suárez e Adriana Ugarte em diferentes fases da vida) foi abandonada por sua filha. Sem uma justificativa sequer. A personagem, que conviveu com a culpa por boa parte de sua vida e seu viu refém de processos de luto mal elaborados, parece ter aprendido a conviver com essas fraturas da alma quando a encontramos. Mas não sabemos que fraturas são essas. E é justamente no desvelo desse drama plenamente almodovariano que “Julieta” vai ganhando intensidade e beleza. É um filme de sutilezas entremeadas por cargas dramáticas muito potentes. É um espetáculo cinematográfico que poucos cineastas no mundo são capazes de oferecer. Um deles é Almodóvar. Vale a visita ao cinema.

Leia a crítica do filme: Almodóvar retorna à grande forma ao unir luto e culpa no melodrama “Julieta”

Assista a uma cena inédita do filme em que a protagonista revela sua gravidez.

 

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sábado, 18 de junho de 2016 Análises, Bastidores, Filmes | 20:17

Fracasso de continuações acende sinal de alerta em Hollywood

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É público e notório que Hollywood está cada vez mais dependente das sequências e franquias. Muito já se falou da falta de criatividade que assombra a Meca do cinema e do receio exacerbado de executivos e estúdios em apostar no incerto e correr riscos com filmes originais. O que esse primeiro semestre de 2016 revela, no entanto, é ainda mais preocupante. Na ânsia para surfar em sucessos não necessariamente retumbantes, Hollywood tem ofertado continuações que ninguém quer ver. É uma crise insuspeita e inesperada essa que se estabelece no coração do cinema americano.

Megan Fox em cena de "As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras", em estreia no Brasil: bilheterias decepcionantes (Foto: divulgação)

Megan Fox em cena de “As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras”, em estreia no Brasil: bilheterias decepcionantes
(Foto: divulgação)

“Vizinhos 2”, “Alice Através do Espelho”, “O Caçador e a Rainha do Gelo”, “As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras” e “Policial em Apuros 2” são sequências diretas de filmes lançados entre 2012 e 2014 que, se não fracassaram retumbantemente nas bilheterias, ficaram bem aquém das expectativas dos estúdios. Em uma temporada que sequências e franquias são os principais atrativos do cinema americano, como em qualquer outro ano, esse dado preocupa bastante.

A lista de sequências de desempenho pífio ainda conta com “Zoolander 2”.

Mesmo um filme como “A Saga Divergente: Convergente”, com um público já fidelizado, decepcionou nas bilheterias. A frustração foi tão grande que a Lionsgate, estúdio por trás da franquia, reduziu o orçamento da última parte da adaptação cinematográfica da obra de Veronica Roth.

O ano ainda terá um quinto “A Era do Gelo”, um segundo e temporão “Independence Day”, uma refilmagem de “Os Caça-Fantasmas” só com mulheres, um quinto Bourne, uma improvável sequência de “Procurando Nemo” e um novo “Star Trek”. O vigente verão americano apresenta uma queda de 65% de bilheteria em relação ao ano passado. Os números, claro, ainda não estão fechados e até o fim de agosto muita coisa pode e vai mudar. Mas existe uma tendência clara e, muito provavelmente, irrefreável nas entrelinhas.

Cena de "Zoolander 2": Muitas estrelas em cena e pouco dinheiro em caixa (Foto: divulgação)

Cena de “Zoolander 2”: Muitas estrelas em cena e pouco dinheiro em caixa
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O público não vai mais aceitar goela abaixo sequências enlatadas e produzidas a toque de caixa. Um exemplo disso é a bilheteria decepcionante de “X-men: Apocalipse”. O filme recebeu resenhas ruins e em cartaz há praticamente um mês, ainda não cruzou os U$ 500 milhões de faturamento no mundo e não deve nem mesmo alcançar os U$ 200 milhões nos EUA.

Há muitas razões contribuindo para este cenário. A preponderante, obviamente, é a qualidade baixa dos filmes em questão. Em um segundo momento, Hollywood não tem deixado o público sentir falta, nostalgia de certos filmes. O que ajuda a entender o fenômeno de bilheteria de produções como “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” e “Star Wars: O Despertar da Força” no ano passado é o longo hiato entre os filmes dessas franquias.

Uma boa sequência será abraçada pelo público, como mostra o sucesso de “Invocação do Mal 2”. A continuação de um filme recente, o primeiro é de 2013, que se mostrou o ponto fora da curva e já se pagou no primeiro fim de semana nos EUA.

Leia também: O mal (ainda invisível) que a Marvel fez ao cinema

De qualquer modo, Hollywood se flagra em uma sinuca. Enquanto estúdios tentam emplacar multiversos em suas franquias mais valiosas, mirando-se no exemplo da Marvel, veem o desgaste de sequências mal planejadas e liberadas a canetadas. Como equilibrar a equação? A receita é conhecida, mas filmes novos (que não são continuações ou refilmagens) como “Dois Caras Legais” e “Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos” também fracassaram nas bilheterias. A aversão ao risco em Hollywood pode ter gerado uma bolha que, quando explodir, vai causar estragos.

"Invocação do Mal 2": a exceção de uma nova regra? (Foto: divulgação)

“Invocação do Mal 2”: a exceção de uma nova regra?
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segunda-feira, 23 de maio de 2016 Análises | 18:05

Júri toma partido de filmes repudiados pela crítica e polemiza com prêmios em Cannes

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Foto: divulgação/Cannes

Foto:AFP

Divulgados neste domingo, os premiados da 69ª edição do Festival de Cinema de Cannes provocaram um inesperado anticlímax. Além de vaiado pela imprensa na coletiva que tinha como objetivo justificar suas escolhas, o júri presidido pelo cineasta australiano George Miller foi classificado como mais esquizofrênico e bizarro dos últimos anos na croisette.

Isso porque as escolhas do júri, todas francamente surpreendentes, divergiram frontalmente dos favoritos da crítica. Não é a primeira vez que isso acontece. Na realidade, acontece quase sempre.  Mas poucas vezes se viu uma percepção do que deve ser premiado tão distinta. Esse ruído, que passa pela pouca cortesia de muitos jornalistas que vaiaram a achacaram muitos filmes e artistas em competição, ganhou proporções inéditas em 2016.

Pegue o caso de Xavier Dolan. O jovem cineasta canadense, uma das crias de Cannes, é desses casos de ame ou odeie. Seu novo filme, “Juste La fin Du Monde” foi execrado pela crítica com tanta virulência que provocou um bate-boca, em pleno festival, entre Dolan e seus detratores. O cineasta questionou a função e a competência da crítica para julgar a arte. No fim das contas, o júri lhe outorgou o Grande Prêmio do Júri, espécie de segundo lugar. Ele já havia ganhado o Prêmio do Júri em 2014 como “Mommy”. Detalhe: esta foi sua segunda participação na competição oficial em Cannes.

A ausência de filmes festejados pela crítica em meio aos premiados sugere uma ruptura deliberada entre júri e crítica. Foram muitos os filmes laureados pela crítica (“Elle”, “Paterson”, Toni Erdmann”, “Aquarius”, “Loving”, “Ma Loute” e “The Handmaiden”). Nenhum deles figurou no rol dos premiados. Mesmo filmes que polarizaram opiniões, como “Julieta” de Almodóvar e “The Neon Demon”, de Nicolas Winding Refn saíram de mãos abanando. Já filmes considerados ruins pela crítica, foram premiados como “American Honey”, “Personal Shopper”, “Ma Rosa” e o já citado filme de Dolan. Mesmo o vencedor da Palma de Ouro, o britânico Ken Loach, “I, Daniel Blake” não era apontado como um sério concorrente.

A percepção geral é de que era um filme mediano do britânico. Talhado da mesma energia e viés político, mas de arranjo muito convencional para um prêmio esteta como a Palma de Ouro. Foi o segundo triunfo de Loach em Cannes e deixou transparecer toda a sua surpresa.

Outra decepção foi ver que em um ano com forte apelo feminino na riviera francesa, com três filmes dirigidos por mulheres e alguns dos favoritos da crítica centrados em figuras femininas, houve tão pouco apreço à diversidade de gênero.

Escolhas polêmicas fazem parte do contexto de um festival de cinema e de júris tão ecléticos e heterogêneos como o são tradicionalmente nesses eventos. Mas a intensidade da seleção de 2016 talvez pedisse mais ousadia e menos corporativismo.

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