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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015 Análises, Críticas | 20:24

Crítica dos indicados ao Globo de Ouro 2016

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CarolComo de hábito, a HFPA, que outorga os prêmios Globo de Ouro, passou longe da unanimidade, mas sua seleção de melhores de 2015 no cinema e na televisão também passou longe de ser merecedora de restrições e desagravos.

“Carol”, que no Brasil será distribuído pela Mares Filmes, confirmou sua condição de independente do ano – ensejada pela boa recepção no festival de Cannes e se consolidou no topo da disputa com cinco indicações. É, também, um reflexo de um ano em que a produção de estúdio mais forte é um blockbuster autoral, o exuberante e calculadamente caótico “Mad Max – A Estrada da Fúria”.

Na sequência figuram “Steve Jobs”, “O Regresso” e “A Grande Aposta” com quatro nomeações cada.

As maiores surpresas residem na área de televisão. Mas elas são mais barulhentas do que efetivamente surpreendentes. “Narcos” é mais novidade do que “House of Cards”, ciosa de uma esperada decadência. Por isso, a presença da série – e de Wagner Moura – faz sentido em face do histórico da associação de correspondentes estrangeiros de Hollywood com novos programas. “Mr. Robot’, por seu turno, impôs-se na disputa como o programa mais comentado e elogiado da temporada. Não à toa, lidera a corrida no segmento televisivo.

iG ON: Confira a lista completa dos indicados ao Globo de Ouro 2016

Voltando ao cinema, chama a atenção a presença de “Spotlight – Segredos Revelados”, percebido como um filme de atores, em categorias como filme drama, diretor e roteiro, mas sem um membro sequer do elenco indicado. Em termos de Globo de Ouro isso não quer dizer necessariamente menor chance de vitória, mas é um indício de que apesar de largar na frente na corrida pelo Oscar, o filme não abriu distância.

A presença de “Mad Max” entre os melhores dramas não chega a ser uma surpresa, mas sua opção em detrimento de produções mais ajustadas ao gosto das premiações como “Steve Jobs”, “A Garota Dinamarquesa” e mesmo “Ponte dos Espiões” denota que o primeiro passo para se vencer o preconceito com blockbusters é ter um bom blockbuster para começo de conversa. O filme de George Miller é o primeiro desde “Batman – O cavaleiro das Trevas” (2008) a preencher os requisitos.

Apesar do aparente protagonismo de “Carol”, a disputa parece se concentrar entre os filmes que protagonizaram os dois últimos parágrafos.

Entre as comédias, “A Grande Aposta” – até pelo número de indicações avantajado para as comédias em disputa – parece gozar de muito favoritismo. “Perdido em Marte”, um dos filmes mais celebrados do ano – por mais estranho que seja sua figuração entre as comédias – pode ser seu maior rival.

A contenda entre os diretores parece desequilibrada a favor de George Miller (“Mad Max”). O que ele fez é realmente incrível e merecedor de prêmios. Mais do que o Oscar, o Globo de Ouro costuma responder pontualmente a isso. Mas Iñárritu já se encaixava no perfil ano passado, por “Birdman”, e a HFPA sentiu que a dedicação de Richard Linklater ao projeto “Boyhood” carecia de um reconhecimento mais altivo. Pelo não menos impactante “O Regresso”, pode ser a vez de Iñárritu.

“Cinquenta Tons de Cinza”, “Velozes e Furiosos 7”, “Shaun, o Carneiro”, “Steve Jobs”, “A Garota Dinamarquesa” e “O Quarto de Jack”: Os filmes da Universal na disputa

“Cinquenta Tons de Cinza”, “Velozes e Furiosos 7”, “Shaun, o Carneiro”, “Steve Jobs”, “A Garota Dinamarquesa”
e “O Quarto de Jack”: Os filmes da Universal na disputa

Se houve algum ranço de decepção nessa lista do Globo de Ouro, ela jaz entre os filmes estrangeiros. A seleção não é especialmente ruim, mas fica alguns degraus abaixo do desejado em face dos filmes que estavam na briga. Na configuração que está, fica difícil apostar em qualquer outro candidato que não “O Filho de Saul”, da Hungria.

O novo filme de Quentin Tarantino, “Os Oito Odiados” se viu contemplado nas categorias de roteiro, trilha sonora e atriz coadjuvante. O mesmo deve se replicar no Oscar.  A briga pelo prêmio de roteiro, no entanto, parece ser entre “A Grande Aposta” e “Spotlight”.

Atuações

O maior destaque recai definitivamente sobre a ausência de Johnny Depp. Não que seu trabalho em “Aliança do Crime” seja maior que a vida, mas trata-se de sua melhor atuação desde “Sweeney Todd”, pelo qual ganhou o Globo de Ouro em 2008. Vale lembrar que ele foi indicado pelo contestado “O Turista”. Mas não se pode reclamar dos atores dramáticos selecionados pela HFPA. Michael Fassbender (“Steve Jobs”), Bryan Cranston (“Trumbo: Lista Negra”), Leonardo DiCaprio (“O Regresso”),  Will Smith (“Um Homem entre Gigantes”) e Eddie Redmayne (“A Garota Dinamarquesa”) reúnem unanimidade em torno de seus trabalhos. Algo que não pode ser desprezado em um ano tido como menor para os intérpretes masculinos.

Já do lado cômico, a sensação é de baderna. A HFPA foi resgatar trabalhos de Mark Ruffalo e Al Pacino do início do ano, nada especialmente fantástico, para contornar um sentimento de vazio na disputa. Christian Bale e Steve Carell, ambos de “A Grande Aposta”, devem ver a vitória de Matt Damon, que carrega “Perdido em Marte” sozinho e é, francamente, o único prêmio que o filme merece (já que o roteiro não foi indicado).

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em "Estrada da fúria" (Foto: divulgação)

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em “Estrada da fúria”
(Foto: divulgação)

Brie Larson (“O Quarto de Jack”) e Alicia Vikander (“A Garota Dinamarquesa”) brigam pelo troféu de atriz dramática. Cate Blanchett e Rooney Mara devem ficar nas indicações por “Carol”.

No lado cômico, talvez seja o momento de Amy Schumer (“Descompensada”), cada vez mais em alta nos EUA. Mas Jennifer Lawrence (“Joy”) é sempre um perigo. Mas ela já tem dois prêmios. Há quem pense que já é muito para o que apresentou.

Para encerrar, a briga entre “Anomalisa” e “Divertida Mente” promete ser boa pelo prêmio de melhor animação. São dois dos melhores filmes do ano. Podiam muito bem figurar nas duas categorias principais.

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segunda-feira, 23 de novembro de 2015 Análises | 18:52

Com espólios de guerra, “Jogos Vorazes” reina entre franquias teen

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Principal estreia do último fim de semana no Brasil e no mundo, “A Esperança – O Final” encerra uma das franquias jovens mais bem sucedidas do cinema.  Baseado na obra de Suzanne Collins, a série gerou quatro filmes no cinema e diferentemente de outras franquias teen como “Crepúsculo” e “Harry Potter” foi ficando mais sombria e politizada a cada filme.

Há muitos paralelos possíveis em “Jogos Vorazes”. Desde o óbvio discurso feminista, com a heroína Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) como principal expoente contra o totalitarismo de um regime essencialmente composto por homens, até a mais sofisticada articulação política de bastidores, que ganha mais relevo nos dois últimos filmes baseados no último volume da obra de Collins.

Mesmo o feminismo precisa ser bem dosado, parece advertir o desfecho de "Jogos Vorazes": todo totalitarismo merece desconfiança (Foto: divulgação)

Mesmo o feminismo precisa ser bem dosado, parece advertir o desfecho de “Jogos Vorazes”: todo totalitarismo merece desconfiança
(Foto: divulgação)

O que mais impressiona na evolução de “Jogos Vorazes” é a maneira como a franquia trabalha a ideia de pão e circo e vai afunilando conceitos essencialmente políticos em uma trama de apelo jovem. O triangulo amoroso entre os personagens de Katniss, Peeta (Josh Hutcherson) e Gale (Liam Hemsworth) desaparece em importância no contexto – ainda que mantenha algum espaço no desenvolvimento da trama.

Com a chegada de personagens como Alma Coin (Julianne Moore) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) a série expandiu seu horizonte político dando mais profundidade ao tema e revestindo os filmes de um aspecto sombrio incomum para franquias tão populares. O grande mérito, no entanto, está no fato de que essa evolução narrativa não afugentou o público alvo. É bem verdade que o material original de Collins é a grande matriz desse bem-aventurado processo, mas a direção de Francis Lawrence – que assumiu a franquia em “Em Chamas” – e o time de roteiristas (Simon Beafoy, Michael Arndt, Peter Craig e Danny Strong) souberam envernizar “Jogos Vorazes” de maneira que a franquia se distinguisse de todos os grandes blockbusters contemporâneos.

Se a construção do mito do Tordo rivaliza com a crescente fragilidade de Katniss ao se perceber um peão na contenda entre a capital e a rebelião, “Jogos Vorazes” expõe toda a movimentação política inerente a grandes movimentos populares e – diferentemente da noção clássica hollywoodiana – revela que uma guerra não se decide no campo de batalha, mas sim na movimentação de bastidor. Não à toa, desde “Em Chamas”, a série se abstém de um clímax de ação e investe em cena anticlimáticas posteriores aos grandes eventos do capítulo.

Trata-se de um recurso narrativo poderoso e que ajuda a cristalizar essa vocação reflexiva da série. Valoriza-se o ensejo da ação e a repercussão dela em detrimento da mera exposição de efeitos especiais. Uma ousadia e tanto para uma série destinada a um público que, em suma, consome cenas de ação por atacado.

Espólios da guerra: duro e trágico, último "Jogos Vorazes" rompe com qualquer ilusão  comum a franquias hollywoodianas (Foto: divulgação)

Espólios da guerra: duro e trágico, último “Jogos Vorazes” rompe com qualquer ilusão comum a franquias hollywoodianas
(Foto: divulgação)

O último capítulo da franquia chega com entonação grave. “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final” não foge de suas responsabilidades dramáticas e propõe o final tão apoteótico quanto necessário para a série.

As tragédias pessoais e a perda da inocência – no viés de que não podemos salvar o mundo da maneira que desejamos – reclamam o protagonismo do novo filme e transformam o último filme em um fecho doído, na conjugação esperta que faz de emoção e razão. Um triunfo e tanto para uma franquia que começou no rastro da muito menos laudatória “Crepúsculo”.

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quarta-feira, 30 de setembro de 2015 Análises, Atores | 16:59

A verdade por trás da recém-descoberta homofobia de Matt Damon

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Damon

Em plena promoção de “Perdido em Marte”, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas de todo o mundo, Matt Damon arranjou uma sarna para se coçar. O ator disse em entrevista ao site The Observer que atores “não deveriam falar de sua sexualidade”, por que “quanto menos as pessoas sabem de sua vida, melhor”. Damon comentou, ainda, que “sair do armário” pode ser um tiro no pé.

Damon abordou, também, um dos casos mais clássicos sobre o tema em Hollywood. “Rupert Everett se assumiu gay e esse cara – mais bonito que qualquer um, um ator com formação clássica – é difícil defender a ideia de que ele não foi sabotado por ter se assumido”.

A reação à posição de Damon foi barulhenta. Gente do cinema, gente do comportamento, gente de esquerda e gente de direita tinham algo a dizer sobre o comentário do ator. E não foi bonito. Matt Damon, que gosta de posar como democrata convicto, se viu sob o desconfortável rótulo de homofóbico.

Leia também: O cinema descortina o mundo pós-gay?

Mas procede a queixa ou procede Damon? Hollywood pode ser um lugar bastante inóspito e, ao que parece, foi com isso em mente que Damon externou seu pensamento. É lógico que a construção do raciocínio partiu do pressuposto de que há uma invasão monstruosa da privacidade dos astros e estrelas. Damon falava de si quando disse que quanto menos se souber da vida privada de um astro, melhor. Mas falava, também, por todos aqueles que se ressentem dessa contingência do estrelato.

Quando evoluiu o raciocínio para o fato de que atores homossexuais não deveriam sair do armário, Damon afrontou o status quo. Mas o fez com a melhor das boas intenções. Ele estava considerando as ainda injustas amarras do sistema. Ao exemplificar seu ponto de vista com Rupert Everettque já foi a público se dizer vítima de boicote e exortar a jovens atores gays a ficarem no armário – o ator não quis expor um pensamento reacionário como muitos sublinharam. Expôs, no entanto, um pensamento de resignação. O que só é lamentável para ele.  No final das contas, diante da má publicidade em face de seu comentário, pediu desculpas. Após, claro, culpar a imprensa por distorcer suas palavras. No jogo de Hollywood alguns clichês são sacados até mesmo quando se atenta contra o senso comum. “Fico feliz por, pelo menos, meu comentário ter provocado um debate sobre diversidade em Hollywood”, anotou em um comunicado oficial nesta quarta-feira (30).  Um dia como outro qualquer em Hollywood, afinal.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2015 Análises, Filmes | 21:22

“Que horas ela volta?” é escolha estratégica do Brasil para chegar ao Oscar

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Não se espantem se virem Regina Casé seguindo os passos de Fernanda Montenegro e sendo indicada ao Oscar de melhor atriz no dia 14 de janeiro de 2016. A apresentadora e atriz, afinal, é a alma de “Que horas ela volta?”, filme brasileiro destacado pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil no Oscar. O anúncio, feito nesta quinta-feira (10), indubitavelmente reforça as chances de Casé, uma vez que o filme já recebe atenção da mídia especializada americana e deve receber um boom promocional nos próximos meses.

Crítica: “Que horas ela volta?” congrega muitos Brasis e filmes em narrativa sutil e cheia de belezas 

A obra de Anna Muylaert é, sob muitos aspectos, o filme mais bem preparado do Brasil a concorrer a uma vaga entre as produções finalistas na categoria de filme estrangeiro em muitos anos. Cheio de sutilezas, não é mais um registro cultural do que um olhar tenro à maternidade. O roteiro é um triunfo da lapidação. Em entrevista à rádio BandNews FM nesta quinta, Muylaert destacou a burilamento pelo qual o texto passou. “Esse projeto tem 27 anos. A primeira versão dele trazia apenas a visão da empregada. Até seis meses antes, a Jéssica não vinha estudar na faculdade, mas trabalhar como cabeleireira e depois se tornava babá. Acabei mudando com os laboratórios que eu fiz”, revelou.

Regina Casé no Oscar? Filme e atriz têm chances sérias de chegarem lá  (Foto: divulgação)

Regina Casé no Oscar? Filme e atriz têm chances sérias de chegarem lá
(Foto: divulgação)

Diferentemente de candidatos brasileiros de outros anos, “Que horas ela volta?”, reúne potencial comercial – é coproduzido pela Globo Filmes e estrelado pela popular Regina Casé, com pujança artística. Uma combinação que somente esteve presente em “Cidade de Deus” (2002). O candidato do ano passado, “Hoje eu quero voltar sozinho”, era muito bom e a exemplo do escolhido deste ano, experimentado em festivais internacionais. Com mais filmes brasileiros em festivais mundo afora, aclamação crítica nesses eventos pode ser um critério bem-vindo para substituir aquele intermitente e duvidoso jogo de adivinhação do que a academia gosta ou de que tendência seguir.

Competição

Muitos países já definiram seus representantes e tem candidatos que, assim como “Que horas ela volta?”, gozam de prestígio junto à crítica internacional. São os casos de “Son of Saul”, da Hungria, prêmio do júri em Cannes, “The assassin” (Taiwan), “Um pombo pousou no galho refletindo sobre a existência” (Suécia), “Xênia” (Grécia), “Goodnight Mommy” (Áustria), entre outros. Não há, porém, a presença de nenhum autor consagrado entre os concorrentes confirmados de momento. O que reforça as chances da produção brasileira repetir o feito de “Central do Brasil” (1998), “O que é isso companheiro?” (1997), “O quatrilho” (1994) e “O pagador de promessas” (1963) e ingressar no rol de filmes brasileiros indicados ao Oscar de melhor produção estrangeira.

Não é a primeira vez que Regina Casé estrela uma produção nacional que tenta chegar ao Oscar. “Eu, tu, eles”, de Andrucha Waddington, foi o selecionado do país em 2001. Dessa vez, porém, a atuação extraordinária de Casé, premiada no festival de Sundance, pode impulsionar o filme além da categoria de produções estrangeiras em uma época de internacionalização do colegiado que compõem a academia. Neste ano, vale lembrar, que embora a produção belga “Dois dias, uma noite” não tenha ficado entre os finalistas da categoria, a atriz Marion Cotillard foi lembrada entre as atrizes.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015 Análises, Atores, Bastidores | 17:19

O novo James Bond e a resistência a Idris Elba para o papel

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Idris Elba, o favorito já muito contestado para substituir Daniel Craig (Foto: reprodução/independent)

Idris Elba, o favorito já muito contestado para substituir Daniel Craig (Foto: reprodução/independent)

À medida que se aproxima o lançamento de “007 contra Spectre”, novo filme do espião James Bond – o último com Daniel Craig como protagonista, mais se intensifica o bafafá em torno de quem irá substitui-lo na pele do agente secreto a serviço de sua majestade. Outro dia, Pierce Brosnan disse que já é tempo de termos um “James Bond gay ou negro”. Os pitacos quando não voluntariamente oferecidos são cobrados, como ocorreu em uma entrevista do Daily Mail com o autor do novo romance de 007 (“Trigger mortis”), o britânico Anthony Horowitz.

Questionado se Idris Elba (“Círculo de Fogo, “Mandela – a luta pela liberdade”) seria um bom James Bond, o escritor observou que falta “suavidade” ao ator. “Ele é um tanto áspero demais para o papel. Acho que ele é provavelmente muito da rua para interpretar Bond”. Depois da repercussão negativa nas redes sociais, o escritor retratou-se: “Sinto muito se ofendi as pessoas. Não foi minha intenção. Não sou um diretor de elenco. Então o que eu sei? Indelicadamente escolhi a expressão ‘da rua’ porque tinha em mente a interpretação dele do detetive John Luther (personagem vivido pelo ator em série inglesa), mas devo admitir que foi uma escolha pobre de palavras”.

Esta não foi a primeira vez que Elba se vê no centro de uma polêmica envolvendo James Bond.  Os boatos começaram em 2012 e, no ano passado, no calor do escândalo dos vazamentos de documentos da Sony Pictures, foi revelado que Elba era mesmo considerado como uma opção para assumir o personagem por ninguém menos do que a então presidente do estúdio, Amy Pascal.

No início do ano, Elba se pronunciou a respeito do rumor e disse que de tão efusivo, o boato se autodestruiu. “Se existia alguma chance de eu viver James Bond, ela se foi”. O ator, que completa 43 anos no próximo domingo, responsabilizou o atual James Bond pela onda de boatos. “Eu culpo Daniel”, observou o ator sobre uma entrevista de Craig na ocasião do lançamento de “Operação Skyfall” em que listou Elba como um potencial substituto.

É importante ter em mente que um James Bond negro é completamente distinto da concepção original de Ian

Foto: reprodução/GQ

Foto: reprodução/GQ

Fleming, mas um James Bond loiro, baixo e de beleza aberta à discussão também o era. Razão pela qual o leitor pode até não lembrar, mas o nome de Daniel Craig foi bastante contestado quando anunciado (Clive Owen era o favorito da produtora Barbara Broccoli, mas recusara).  Há tradições que precisam ser mantidas e outras que podem ser dispensadas e Idris Elba parece ser o ator mais indicado para romper velhas tradições e estabelecer novas. Bonitão, sofisticado, charmoso, viril e com aquele ar blasé que só os britânicos possuem (com as devidas desculpas aos fãs de George Lazenby), Elba é um dos poucos atores capazes de substituir Craig à altura. A essência do personagem deve preponderar à raça. Parece ser mais importante ele ser vivido por um britânico – já que atua no serviço de inteligência britânico – do que ser branco, preto ou pardo.

A discussão em torno da raça e até mesmo da orientação sexual de Bond – quem não se lembra da tensão sexual entre Bardem e Craig em “Operação skyfall” – é reflexo do avanço dos direitos civis e liberdades individuais. Bond, vale lembrar, foi concebido em uma época de forte segregação racial e total obstrução à homossexualidade.

Passa por aí a declaração de Daniel Craig, muito repercutida no início da semana, de que seu Bond é menos “sexista e misógino” do que os anteriores. Personagem longevo que é, Bond vai sofrendo ajustes com o passar do tempo.

Elba seria um ajuste bem-vindo. Além de materializar um avanço histórico necessário, sua escolha seria pedagógica e eficiente. Porque acenaria ao mundo pós-racial com um poderoso símbolo da cultura pop sem qualquer tipo de concessão em matéria de qualidade. Elba, afinal, é um baita ator. Não se trataria de uma cota a ser preenchida. Apenas de se superar uma resistência boba. James Bond já foi mais engraçado, mais mulherengo, mais violento e até mais inseguro. Já chegou a hora de ser mais preto.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2015 Análises, Diretores | 17:48

Artesão do horror, Wes Craven pavimentou o gênero como o conhecemos hoje

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O cineasta entremeado pelas máscaras do assassino de "Pânico"

O cineasta entremeado pelas máscaras do assassino de “Pânico”

“Era uma combinação de um esperto comentário social, sustos e diversão. Tudo embalado em um ritmo novelesco com um mistério no ar”, afirmou o cineasta Wes Craven ao lançar “Pânico 4”, em abril de 2011, quando indagado sobre o por que de “Pânico” (1996) ter sido o hit que foi. Mais tarde, ele diria que a franquia  era o “Star Wars do terror”.

“Pânico 4” foi o último filme de Wes Craven, que morreu no último domingo (30) aos 76 anos, em decorrência de um câncer no cérebro.  O cineasta foi responsável por alguns dos principais alicerces do terror americano. Sem “Aniversário macabro” (1972), não existiria “Sexta-feira 13”, “O massacre da Serra elétrica” ou “Halloween”, para citar o conjunto mais emblemático dos slasher movies, gênero que pavimentou praticamente sozinho.  No início da década de 80 daria vida a um dos maiores ícones do horror moderno, o Freddy Krueger, de “A hora do pesadelo” (1984). “Quadrilha de sádicos” e “Convite para o inferno” também estão entre seus principais cartões postais.

Craven foi muito copiado tanto na década de 80, como nos anos 90 quando refundou o gênero na esteira do sucesso de “Pânico”, para todos os efeitos, sua grande obra-prima. Uma sátira poderosa do gênero e uma inteligente homenagem ao cinema como um todo, o filme se comunicou com toda uma geração de uma maneira que nenhuma outra produção na década foi capaz.

Filmes de qualidades distintas como “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”, “Lenda urbana”, entre outros tentaram capitalizar a onda iniciada pelo filme, roteirizado por Kevin Williamson. A própria equipe criativa sucumbira aos encantos do que haviam criado e entornaram o caldo em “Pânico 3” (2000).

Mestre e visionário, Craven não era infalível.  “A sétima alma”, seu último filme fora da franquia “Pânico”, é uma equivocada mistura de filme de serial killer com filme de fantasma. Ainda que tenha uma ou outra boa ideia diluída em um rio de mesmice.  “Amaldiçoados” (2005), que o uniu a Williamson fora do esquadro das histórias de Sidney Prescott (Neve Campbell) e “A maldição dos mortos-vivos” foram tentativas de se exercitar no gênero abraçando seres sobrenaturais como zumbis e lobisomens. Mas era na psicopatia que Craven prosperava e um de seus melhores e mais subestimados filmes não é exatamente um terror, mas um suspense de primeira linha com Cillian Murphy e Rachel McAdams. “Voo noturno” é daqueles filmes extremamente satisfatórios e envolventes. Murphy ficaria para sempre com a aura de psicopata em sua volta, um mérito de Craven que soube explorar o ator como poucos souberam.

O diretor com Neve Campbell e Skeet Ulrich no set de "Pânico" Fotos: montagem/divulgação

O diretor com Neve Campbell e Skeet Ulrich no set de “Pânico”
Fotos: montagem/divulgação

Craven também impressionou fora de sua zona de conforto. Escreveu e dirigiu “Música do coração”, que rendeu indicação ao Oscar a Meryl Streep. O filme mostrava uma professora de música que batalhava para ensinar violino para as crianças quando isto não era uma prioridade para ninguém. Nem para a escola, para os pais ou para as próprias crianças. A afetuosidade do registro rendeu novos admiradores ao cinema de Craven, que àquela altura tentava se desvencilhar do estigma de diretor de um gênero só.

Ele fez do então astro Eddie Murphy, um vampiro no Brooklyn no filme homônimo que não fez lá grande sucesso quando foi exibido nos cinemas, mas virou cult quando chegou ao home vídeo. Foi esse filme, aliás, lançado em 1995, que tarimbou o cineasta para realizar “Pânico”, que se notabilizaria pela eficácia com que agrega humor aos ingredientes do terror.

Produtor contumaz, estava envolvido com a adaptação de “Pânico” para a TV. Uma série baseada no filme está sendo exibida pela MTV americana.

Cinéfilo, costumava palpitar sobre cinema em sua conta no twitter. Há dois anos, elogiou efusivamente o filme “Invocação do mal”, de James Wan. E fez um diagnóstico. “Wan tem tudo para ser um dos grandes mestres do cinema de horror”. Após dirigir “Velozes e furiosos 7”, o malaio comandará “Aquaman” e parece propenso a dar um tempo para o cinema de ação. Mas na noite de domingo prestou sua homenagem ao mestre no Twitter. “Não acredito na notícia. Meu coração se comove com a partida de Wes Craven. Verdadeiramente uma de minhas maiores inspirações”.

O homem se vai, mas deixa uma obra de grande impacto e influência no cinema e naqueles que dele se alimentam. Deixa, além das saudades, a convicção de que transformou o gênero. Um epílogo que nem todos os cineastas podem ostentar.

“Se eu tiver que fazer o resto dos meus filmes no gênero (horror), não há problemas.  Se eu serei um pássaro engaiolado, cantarei a melhor canção que eu puder”.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015 Análises, Bastidores, Curiosidades | 17:47

Imune a crises, cinema de ação cresce em todas as frentes enquanto outros gêneros oscilam

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Quando você ouvir que “Tubarão” (1975) é um dos três filmes mais importantes da história do cinema americano, preste atenção na pessoa que elabora este raciocínio. Ela provavelmente sabe das coisas. Pelo menos em matéria de cinema.  O filme de Steven Spielberg, que ajudou a criar o conceito de “blockbuster” é o principal signatário da ascensão do cinema de ação em Hollywood.

A supremacia dos filmes de super-heróis que testemunhamos nessa metade da segunda década do século XXI nada mais é do que a evolução de um movimento desabrochado pelo filme de Spielberg.

Antes de “Tubarão”, “007 contra o satânico Dr. No”, o primeiro filme de James Bond, foi o único exemplar estritamente do gênero ação a liderar as bilheterias em um ano. De lá para cá, foram 26 filmes de ação no topo das bilheterias em 39 anos. “Toy Story 3”, em 2010, foi o último filme não pertencente ao gênero a liderar em arrecadação em seu ano de lançamento. Os dados são do Box Office Mojo e remetem apenas às bilheterias americanas.

Spielberg em icônico registro feito no set de "Tubarão": filme que revolucionou a indústria de cinema americano

Spielberg em icônico registro feito no set de “Tubarão”: filme que revolucionou a indústria de cinema americano

A 2ª revolução? "Avatar" levou cerca de dez anos para ser produzido e é fruto da tecnologia de seu tempo

A 2ª revolução? “Avatar” levou cerca de dez anos para ser produzido e é fruto da tecnologia de seu tempo

Como essa estatística demonstra, o cinema de ação é o gênero que mais cresce. Tanto em produção como em público. A chegada do videocassete incrementou o boom no gênero, mas o constante aparato tecnológico rompe fronteiras para o gênero mais do que para qualquer outro. Em 2009, por exemplo, vimos “Avatar”, um épico de ação, superar “Titanic” como o filme de maior arrecadação da história do cinema. O filme só se viabiliza pela contemporaneidade de sua tecnologia. James Cameron levou uma década para filmá-lo e promete mais inovações em 2017, quando chega a primeira sequência.

De acordo com números do site The numbers, entre 1995 e 2015, o gênero teve 29% de share no mercado e uma arrecadação de US$ 72.000.989.990,00. A amostragem compreende 1.367 filmes lançados no período. Para se ter uma ideia do impacto do cinema de ação na audiência moderna, a comédia ficou em segundo lugar com 17% de share e U$$ 40.705.738.488 amealhados. A amostragem de filmes lançados nesta janela, porém, é muito maior: 2.147 filmes.

Um gráfico do Priceonomics, formulado a partir de dados coletados no IMDB, demonstra a oscilação dos principais gêneros ao longo das décadas em termos de popularidade. Nele, é possível perceber que, enquanto gêneros como horror e comédia apresentam altos e baixos e o drama vive sua mais longeva curva descendente, a ação mantém-se em expressa e espessa alta.

gráfico dos gêenros

Tomando como base as postagens deste Cineclube, o percentual de audiência – e de comentários – é muito maior quando o gênero ou suas principais estrelas e grifes (Marvel, Star Wars, 007, Sylvester Stallone, Bruce Willis, etc) são abordados.

Mas o que isso tudo quer dizer, afinal? Acossado pela repercussão da novela “Império”, o autor Aguinaldo Silva – que já escreveu para cinema – disse há alguns meses que é preciso dar o que o público quer. É esta linha de pensamento, preconizada pelos preceitos básicos do marketing, que norteia a produção Hollywoodiana atual. “As pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos a elas”, divagou Steve Jobs. Mas poderia ter sido Steven Spielberg.

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terça-feira, 25 de agosto de 2015 Análises, Bastidores | 17:54

Universal, “Mad Max” e Tom Cruise estão entre os vencedores do verão americano de 2015

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Ainda faltam alguns fins de semana, mas indústria e analistas já fazem as contas do que deu certo e do que deu (muito) errado na principal janela de lançamentos hollywoodianos, o verão no hemisfério norte.

Ao estabelecer o recorde de faturamento em um ano faltando mais de cinco meses para o fim de 2015, a Universal – que atingiu o feito na esteira do espetacular sucesso de “Jurassic World” – se impôs como o mais cristalino sucesso do verão americano de 2015. Temporada que cinéfilos e críticos ansiavam por prometer ser lucrativa e inesquecível com diversos títulos promissores. Se foram poucas as surpresas e ocasionais as decepções, não houve nenhum arrebatamento na temporada além de “Mad Max: estrada da fúria”. Para todos os efeitos, o filme de George Miller é uma lição de como fazer uma superprodução, anabolizada na ação, com alto potencial de entretenimento e subtextos poderosos. De quebra, o filme forneceu a única personagem a emergir dessa safra de filmes para os anais da cultura pop – como mostrou a San Diego Comic-Com repleta de cosplays da Furiosa de Charlize Theron em julho.

Leia mais: Com “Jurassic World” e “50 tons de cinza”, Universal estabelece recorde de faturamento nas bilheterias

Leia mais: “Mad max: estrada da fúria” se firma como maior obra-prima da ação em décadas

O australiano George Miller leva um lero com Charlize Theron, sua Furiosa, no set de "Estrada da fúria"

O australiano George Miller leva um lero com Charlize Theron, sua Furiosa, no set de “Estrada da fúria”

Apesar do recorde de faturamento nas bilheterias, o verão de 2015 não apresentou grandes filmes. Excetuando-se “A estrada da fúria”, apenas “Divertida mente”, da Pixar, estaria apto a receber tal alcunha.  Não à toa, o filme registrou a maior bilheteria de estreia de um filme totalmente original; ou seja, sem ser sequência, remake ou adaptação de outra mídia. Por outro lado, o fracasso de “Tomorrowland – um lugar onda nada é impossível” reforça o discurso daqueles em Hollywood que defendem menos investimento em ideias originais e mais apoio ao que já foi testado e aprovado. Essa percepção está diretamente relacionada ao sucesso de franquias consagradas como “Os vingadores”, além das já citadas “Jurassic World” e “Mad Max”.  Mesmo assim, o quinto “O Exterminador do futuro” naufragou nas bilheterias americanas. O filme só não vai resultar em fracasso para a Paramount porque o filme está indo muito bem nas bilheterias chinesas. A China, inclusive, se firmou como um player ainda mais importante para os megalançamentos hollywoodianos do que já era até então. Vale lembrar que “Jurassic World” só se firmou como a maior bilheteria internacional de estreia – com mais de US$ 500 milhões arrecadados em um único fim de semana – porque a Universal o lançou simultaneamente com os EUA em mercados estratégicos como China, Rússia e Brasil.

Não obstante, ao apostar em um mix composto por comédias (“A escolha perfeita 2” e “Descompensada”), produtos bem consolidados junto ao público ( “Minions” e “Jurassic park”) e mesmo em produções descartadas sumariamente por outros estúdios (“Straight outta Compton”), a Universal não só espelha um caminho para os estúdios, como indica que não é preciso ter super-heróis no portfólio para fazer bonito nas bilheterias atuais.

Cena de "A escolha perfeita 2": o filme conseguiu uma das bilheterias mais surpreendentes da temporada e deixou para trás projetos muito mais comentados

Cena de “A escolha perfeita 2”: o filme conseguiu uma das bilheterias mais surpreendentes da temporada (quase US$ 300 milhões) e deixou para trás projetos muito mais comentados

Abaixo, o Cineclube lista os maiores vencedores e perdedores da temporada:

Vencedores

George Miller

Desconfiança, terrorismo e problemas de produção contribuíram para que se passassem 30 anos entre “Além da cúpula do trovão” e “Estrada da fúria”, mas ao entregar seu novo e alucinante “Mad Max”, Miller caiu de novo nas graças da Warner. Além de ter um quinto filme confirmado, ele está cotado para dirigir “O homem de aço 2”, um dos projetos mais delicados e importantes do estúdio.

 Tom Cruise

Em uma temporada marcada por heróis e marcas (John Green, Pixar, Marvel), Tom Cruise foi o único astro a levar público ao cinema cacifando-se em si mesmo. Não é pouca coisa. O quinto Missão impossível já caminha para ser o de maior bilheteria da série. Indicativo de que Cruise ainda tem muito fôlego no cinema. Especialmente no de ação.

Pixar

Depois de um hiato sem grandes filmes, “Toy story 3” (2010) foi o último digno de nota – e já era uma sequência – a Pixar faz as pazes com a crítica com ‘Divertida mente”. Um dos melhores do estúdio em todos os tempos.

Warner

Se não dominou a temporada como a Universal e não concentrou arrecadação como a Disney, a Warner merece o destaque por ter diversificado e quantificado. Foi o estúdio que mais lançou filmes na temporada (nove) e permitiu ousadias (o que é “Estrada da fúria”, afinal?), e acertou em produções de baixo e médio orçamento como “Terremoto  -a falha de San Andreas” e “O agente da U.N.C.L.E”.

Amy Schumer

Amy Schumer em um hilário ensaio temático de "Star Wars" para a GQ americana: a personalidade da temporada

Amy Schumer em um hilário ensaio temático de “Star Wars” para a GQ americana: a personalidade da temporada

Ela já era uma realidade na cena de comédia americana, mas com o filme “Descompensada”, a comediante – que também concorre ao Emmy deste ano com seu programa de humor – começou a internacionalização de seu nome.

Elizabeth Banks

Nenhum filme dirigido por mulher fez tanto dinheiro em uma temporada de verão como “A escolha perfeita 2”. Ponto para Banks que, logo em sua estreia na direção de longas-metragens, estabelece uma marca como essa.

Espionagem

Matthew Vaughn disse que queria correr com o lançamento de “Kingsman – serviço secreto” porque vinha uma enxurrada de sátiras de espionagem por aí e ele queria ser o primeiro. Acertou. A temporada teve produções como “O agente da U.N.C.L.E”, “Barely lethal”, “A espiã que sabia de menos”, “American ultra”, “Hitman: agente 47”. Isso para não falar do “oficial” “Missão impossível: nação secreta”. E James Bond ainda chega antes do fim de 2015.

Perdedores

Josh Trank

Ninguém sai tão mal desta temporada quanto o diretor John Trank. Seu “Quarteto fantástico” foi o filme mais execrado do ano. Além de engolir o fracasso de público, Trank ficou com fama de “errático” e se viu demitido de um derivado de Star Wars em meio a boatos de desentendimentos no set.

Sony

O estúdio conseguiu a proeza de ver todos os seus lançamentos para a temporada fracassarem nas bilheterias. Eram apenas três filmes, mas os três minguaram. “Pixels”, “Sob o mesmo céu” e ‘Ricki and the flash”.

Adam Sandler

Com “Pixels”, o ator conseguiu rebaixar ainda mais seu status junto à crítica e viu seu prestígio com o público americano implodir em desinteresse.

Arnold Schwarzenegger

Não deu: Schwarzenegger tentou, mas não conseguiu emplacar o novo "Exterminador" entre os sucessos da temporada (Fotos: divulgação/GQ)

Não deu: Schwarzenegger tentou, mas não conseguiu emplacar o novo “Exterminador” entre os sucessos da temporada
(Fotos: divulgação/GQ)

Ele voltou e investiu bastante na divulgação do quinto “O exterminador do futuro”, mas não conseguiu fazer com que o filme fosse um sucesso de bilheteria. Desde que deixou o gabinete de governador, Schwarzenegger ainda não conseguiu um sucesso de bilheteria para chamar se seu. A aposta da vez é “Conan”.

Fox

O estúdio parece funcionar em biênios. Se foi o que mais arrecadou no verão de 2014 e projeta um 2016 encorpado, em 2015 a pobreza dominou. Além do colossal erro com “Quarteto fantástico”, que gerou bastante buzz negativo para o estúdio, o “John Green” do ano, “Cidades de papel”, ficou bem abaixo das expectativas.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2015 Análises, Atores, Bastidores | 16:08

Tom Cruise e suas missões impossíveis

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Tom Cruise sofre muito em "Nação secreta", uma metaforização valiosa de seu pathos atual em Hollywood (Fotos: divulgação)

Tom Cruise sofre muito em “Nação secreta”, uma metaforização valiosa de seu pathos atual em Hollywood
(Fotos: divulgação)

Tom Cruise está de volta aos cinemas brasileiros neste fim de semana com “Missão impossível  – Nação secreta”, quinto filme do agente Ethan Hunt – interpretado com total devoção pelo astro, hoje com 53 anos.

Não é nenhum segredo que Cruise investe pesado no cinema de ação como alternativa para se manter relevante em uma era de blockbusters dominados por super-heróis e adaptações de literatura infanto-juvenil, mas “Missão impossível” é, para todos os efeitos, o porto-seguro do astro. A franquia é tão rentável que, mesmo depois da Paramount romper o contrato de exclusividade que mantinha com o ator em 2006, a parceria foi mantida para dar sequência à série. O quarto filme custou para ser produzido e “Protocolo fantasma” foi lançado no Natal de 2011 e amealhou a melhor bilheteria da série – US$ 694 milhões mundialmente.

O sucesso fez com que Paramount e Cruise se sentissem mais confortáveis com a reaproximação e o astro tentou emplacar outra franquia de ação com o estúdio. Embora “Jack Reacher – o último tiro” não tenha rendido o esperado, já teve sua sequência confirmada. E é o diretor deste filme, com quem Cruise já havia trabalhado em “Operação Valquíria” (2008), quem comanda o quinto “Missão impossível” que, apesar de ter enfrentado problemas de bastidores (a Paramount não teria aprovado a 1ª versão do filme e teria exigido mudanças), agradou a crítica e vem fazendo uma bilheteria respeitável (já soma quase US$ 300 milhões mundialmente).

Manter-se atraente para um público que não se deixa influenciar por astros e estrelas para ir ao cinema não é uma tarefa simples. O Tom Cruise desta segunda década do século XXI é um ator desacostumado a fazer qualquer outra coisa fora do escopo da ação. Apenas a comédia musical “Rock of ages: o filme” (2012) destoa em uma filmografia que mescla ficções científicas cascudas como “Oblivion” (2013) e “No limite do amanhã” (2014) com a franquia “Missão impossível”, cujo sexto volume está agendado para entrar em produção no próximo ano.

Além de lançar em média um filme por ano, dando tempo de investir pesado na promoção e cuidar de todos os aspectos relacionados à produção – Cruise foi um dos precursores da figura do ator/produtor – ele busca no passado alguma luz para o futuro. Depois de tanto tarbalhar nos bastidores por uma sequência de “Top gun – ases indomáveis” (1986), um dos primeiros sucessos de sua carreira, Cruise viu o sinal verde ser emitido para a produção. A relação com a Paramount, ainda que sem um contrato de exclusividade, volta a dominar a agenda de Cruise que deve passar os próximos três anos rodando filmes para o estúdio.

Cruise bate um papo com o diretor Christopher McQuarrie e a atriz Rebecca Ferguson no set do filme

Cruise bate um papo com o diretor Christopher McQuarrie e a atriz Rebecca Ferguson no set do filme

Voltar às boas com a Paramount foi a primeira missão impossível realizada por Cruise. “Nação secreta” lhe devolveu ao topo das bilheterias americanas – posição que manteve no segundo final de semana graças ao fracasso de “Quarteto fantástico”. Agora é esperar que a reengenharia de carreira funcione e, em algum momento, seja possível deixar “Missão impossível” para trás.

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sábado, 8 de agosto de 2015 Análises, Bastidores | 00:05

Do céu ao inferno com Josh Trank

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O diretor John Trank no set de "Quarteto fantástico" (Fotos: divulgação)

O diretor John Trank no set de “Quarteto fantástico”
(Fotos: divulgação)

Dirigir um sucesso de crítica aos 28 anos de idade pode ser inebriante. Josh Trank, logo em seu filme de estreia, “Poder ser limites” (2012), gozou de inesperado clamor crítico e viu seu filme independente ser alçado ao status de “mais criativo e arrojado olhar sobre a era de super-heróis no cinema”. “Poder sem limites” se ancorava na moda do ‘found footage’, dos quais fazem parte filmes como “A bruxa de Blair” e “Atividade paranormal”, para mostrar três amigos que após ingerirem uma substância misteriosa começam a experimentar poderes estranhos. Aos poucos, o sentimento de invulnerabilidade vai transformando-os. Enquanto um fica mais irascível, outro sente ter alguma responsabilidade para com as circunstâncias e Trank forja o contexto para um filme surpreendentemente prolífico.

Apesar da ideia robusta, o desenvolvimento da narrativa é capenga. Mesmo assim, “Poder sem limites” fez um bom público e colocou Trank na lista de jovens cineastas a se observar. A Fox, em busca de reinventar seu quarteto fantástico no cinema, elegeu o diretor para a missão. A ideia de começar do zero e com mais seriedade a franquia foi recebida com um misto de hesitação e boa vontade. Apesar da chiadeira de alguns fãs com a escolha do elenco, em especial de Michael B. Jordan, para viver o tocha humana – o personagem branco passa a ser negro nesta nova versão – a expectativa em torno da visão de Trank para o material icônico da Marvel era positiva.

iG ON: Com Miles Teller, “Quarteto fantástico” repete de ano mais uma vez nos cinemas 

Os bastidores, no entanto, indicavam problemas frequentes. Relatos indicam que Trank não era comunicativo e se mostrava inseguro no set. As primeiras sessões testes foram um fiasco e o estúdio impôs que o filme tivesse cenas refilmadas. Surgiu um rumor de que o cineasta Matthew Vaughn (“X-men – primeira classe”) teria sido chamado às pressas pela Fox para dirigir as cenas que precisariam de refilmagem e montar a versão final do filme. Trank, em maio deste ano, negou esse boato em seu Twitter. “Para o bem ou para o mal, ‘Quarteto fantástico’ tem um só diretor. Eu!”

Foi nessa mesma época que Trank foi demitido de outra produção arrasa-quarteirão ao qual ele estava vinculado. A saída dele do segundo spin-off de “Star Wars” jamais teve uma justificativa oficial, mas fontes internas ouvidas pelo The Hollywood Reporter e pela Variety atestam que a Disney o demitiu em virtude de seu “comportamento errático” nos sets de “Quarteto fantástico”.

Não obstante, na esteira das péssimas críticas que “Quarteto fantástico” tem recebido, Trank foi novamente ao Twitter culpar a Fox pelo filme que chega neste fim de semana aos cinemas.

“Um ano atrás, eu tinha uma versão fantástica. E ela teria recebido ótimas críticas. Vocês provavelmente nunca verão esta versão. Esta é a realidade!” O diretor apagou o tuíte-desabafo em seguida, mas a internet nunca perdoa.

Cena de "Quarteto fantástico", saudado como o pior filme de heróis já feito

Cena de “Quarteto fantástico”, saudado como o pior filme de heróis já feito

Não é a primeira vez que estúdios e diretores entram em embate por controle criativo de filmes. O último caso envolvendo super-heróis foi Edgar Wright se retirando da direção de “Homem-formiga” por desavenças criativas. Antes dele, há cerca de quatro anos, Darren Aronofsky abandonou a direção de “Wolverine: imortal”, da mesma Fox, por não aceitar que o estúdio tivesse o corte final – como é chamada a versão do filme que vemos nos cinemas.

O caso de Josh Trank, no entanto, se parece mais com aquele jogador de futebol de várzea que, de uma hora para a outra, fecha contrato com o Real Madrid. Sobra deslumbramento, falta maturidade.  “Poder sem limites” não era um grande filme, mas certamente ventilava um talento que a indústria necessitava e Trank, talvez mal assessorado, talvez ególatra demais, pensou que poderia ser tão maleável quanto o Sr. Fantástico. Resultado? Seu filme está sendo violentamente massacrado pela crítica – talvez até com certo sadomasoquismo – e deve ser negligenciado pelo público. Mas não para por aí. Como atesta sua sumária demissão do filme derivado de Star Wars, as notícias voaram pelos corredores de Hollywood; e Trank se vê queimado no sistema de estúdios. Nada que juventude e disposição a voltar à cena independente não possam contornar. Mas para quem tem uma filmografia tão curta, dois filmes, Trank fez a mais louca e delirante das viagens hollywoodianas.

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