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Arquivo da Categoria Análises

quinta-feira, 13 de agosto de 2015 Análises, Atores, Bastidores | 16:08

Tom Cruise e suas missões impossíveis

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Tom Cruise sofre muito em "Nação secreta", uma metaforização valiosa de seu pathos atual em Hollywood (Fotos: divulgação)

Tom Cruise sofre muito em “Nação secreta”, uma metaforização valiosa de seu pathos atual em Hollywood
(Fotos: divulgação)

Tom Cruise está de volta aos cinemas brasileiros neste fim de semana com “Missão impossível  – Nação secreta”, quinto filme do agente Ethan Hunt – interpretado com total devoção pelo astro, hoje com 53 anos.

Não é nenhum segredo que Cruise investe pesado no cinema de ação como alternativa para se manter relevante em uma era de blockbusters dominados por super-heróis e adaptações de literatura infanto-juvenil, mas “Missão impossível” é, para todos os efeitos, o porto-seguro do astro. A franquia é tão rentável que, mesmo depois da Paramount romper o contrato de exclusividade que mantinha com o ator em 2006, a parceria foi mantida para dar sequência à série. O quarto filme custou para ser produzido e “Protocolo fantasma” foi lançado no Natal de 2011 e amealhou a melhor bilheteria da série – US$ 694 milhões mundialmente.

O sucesso fez com que Paramount e Cruise se sentissem mais confortáveis com a reaproximação e o astro tentou emplacar outra franquia de ação com o estúdio. Embora “Jack Reacher – o último tiro” não tenha rendido o esperado, já teve sua sequência confirmada. E é o diretor deste filme, com quem Cruise já havia trabalhado em “Operação Valquíria” (2008), quem comanda o quinto “Missão impossível” que, apesar de ter enfrentado problemas de bastidores (a Paramount não teria aprovado a 1ª versão do filme e teria exigido mudanças), agradou a crítica e vem fazendo uma bilheteria respeitável (já soma quase US$ 300 milhões mundialmente).

Manter-se atraente para um público que não se deixa influenciar por astros e estrelas para ir ao cinema não é uma tarefa simples. O Tom Cruise desta segunda década do século XXI é um ator desacostumado a fazer qualquer outra coisa fora do escopo da ação. Apenas a comédia musical “Rock of ages: o filme” (2012) destoa em uma filmografia que mescla ficções científicas cascudas como “Oblivion” (2013) e “No limite do amanhã” (2014) com a franquia “Missão impossível”, cujo sexto volume está agendado para entrar em produção no próximo ano.

Além de lançar em média um filme por ano, dando tempo de investir pesado na promoção e cuidar de todos os aspectos relacionados à produção – Cruise foi um dos precursores da figura do ator/produtor – ele busca no passado alguma luz para o futuro. Depois de tanto tarbalhar nos bastidores por uma sequência de “Top gun – ases indomáveis” (1986), um dos primeiros sucessos de sua carreira, Cruise viu o sinal verde ser emitido para a produção. A relação com a Paramount, ainda que sem um contrato de exclusividade, volta a dominar a agenda de Cruise que deve passar os próximos três anos rodando filmes para o estúdio.

Cruise bate um papo com o diretor Christopher McQuarrie e a atriz Rebecca Ferguson no set do filme

Cruise bate um papo com o diretor Christopher McQuarrie e a atriz Rebecca Ferguson no set do filme

Voltar às boas com a Paramount foi a primeira missão impossível realizada por Cruise. “Nação secreta” lhe devolveu ao topo das bilheterias americanas – posição que manteve no segundo final de semana graças ao fracasso de “Quarteto fantástico”. Agora é esperar que a reengenharia de carreira funcione e, em algum momento, seja possível deixar “Missão impossível” para trás.

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sábado, 8 de agosto de 2015 Análises, Bastidores | 00:05

Do céu ao inferno com Josh Trank

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O diretor John Trank no set de "Quarteto fantástico" (Fotos: divulgação)

O diretor John Trank no set de “Quarteto fantástico”
(Fotos: divulgação)

Dirigir um sucesso de crítica aos 28 anos de idade pode ser inebriante. Josh Trank, logo em seu filme de estreia, “Poder ser limites” (2012), gozou de inesperado clamor crítico e viu seu filme independente ser alçado ao status de “mais criativo e arrojado olhar sobre a era de super-heróis no cinema”. “Poder sem limites” se ancorava na moda do ‘found footage’, dos quais fazem parte filmes como “A bruxa de Blair” e “Atividade paranormal”, para mostrar três amigos que após ingerirem uma substância misteriosa começam a experimentar poderes estranhos. Aos poucos, o sentimento de invulnerabilidade vai transformando-os. Enquanto um fica mais irascível, outro sente ter alguma responsabilidade para com as circunstâncias e Trank forja o contexto para um filme surpreendentemente prolífico.

Apesar da ideia robusta, o desenvolvimento da narrativa é capenga. Mesmo assim, “Poder sem limites” fez um bom público e colocou Trank na lista de jovens cineastas a se observar. A Fox, em busca de reinventar seu quarteto fantástico no cinema, elegeu o diretor para a missão. A ideia de começar do zero e com mais seriedade a franquia foi recebida com um misto de hesitação e boa vontade. Apesar da chiadeira de alguns fãs com a escolha do elenco, em especial de Michael B. Jordan, para viver o tocha humana – o personagem branco passa a ser negro nesta nova versão – a expectativa em torno da visão de Trank para o material icônico da Marvel era positiva.

iG ON: Com Miles Teller, “Quarteto fantástico” repete de ano mais uma vez nos cinemas 

Os bastidores, no entanto, indicavam problemas frequentes. Relatos indicam que Trank não era comunicativo e se mostrava inseguro no set. As primeiras sessões testes foram um fiasco e o estúdio impôs que o filme tivesse cenas refilmadas. Surgiu um rumor de que o cineasta Matthew Vaughn (“X-men – primeira classe”) teria sido chamado às pressas pela Fox para dirigir as cenas que precisariam de refilmagem e montar a versão final do filme. Trank, em maio deste ano, negou esse boato em seu Twitter. “Para o bem ou para o mal, ‘Quarteto fantástico’ tem um só diretor. Eu!”

Foi nessa mesma época que Trank foi demitido de outra produção arrasa-quarteirão ao qual ele estava vinculado. A saída dele do segundo spin-off de “Star Wars” jamais teve uma justificativa oficial, mas fontes internas ouvidas pelo The Hollywood Reporter e pela Variety atestam que a Disney o demitiu em virtude de seu “comportamento errático” nos sets de “Quarteto fantástico”.

Não obstante, na esteira das péssimas críticas que “Quarteto fantástico” tem recebido, Trank foi novamente ao Twitter culpar a Fox pelo filme que chega neste fim de semana aos cinemas.

“Um ano atrás, eu tinha uma versão fantástica. E ela teria recebido ótimas críticas. Vocês provavelmente nunca verão esta versão. Esta é a realidade!” O diretor apagou o tuíte-desabafo em seguida, mas a internet nunca perdoa.

Cena de "Quarteto fantástico", saudado como o pior filme de heróis já feito

Cena de “Quarteto fantástico”, saudado como o pior filme de heróis já feito

Não é a primeira vez que estúdios e diretores entram em embate por controle criativo de filmes. O último caso envolvendo super-heróis foi Edgar Wright se retirando da direção de “Homem-formiga” por desavenças criativas. Antes dele, há cerca de quatro anos, Darren Aronofsky abandonou a direção de “Wolverine: imortal”, da mesma Fox, por não aceitar que o estúdio tivesse o corte final – como é chamada a versão do filme que vemos nos cinemas.

O caso de Josh Trank, no entanto, se parece mais com aquele jogador de futebol de várzea que, de uma hora para a outra, fecha contrato com o Real Madrid. Sobra deslumbramento, falta maturidade.  “Poder sem limites” não era um grande filme, mas certamente ventilava um talento que a indústria necessitava e Trank, talvez mal assessorado, talvez ególatra demais, pensou que poderia ser tão maleável quanto o Sr. Fantástico. Resultado? Seu filme está sendo violentamente massacrado pela crítica – talvez até com certo sadomasoquismo – e deve ser negligenciado pelo público. Mas não para por aí. Como atesta sua sumária demissão do filme derivado de Star Wars, as notícias voaram pelos corredores de Hollywood; e Trank se vê queimado no sistema de estúdios. Nada que juventude e disposição a voltar à cena independente não possam contornar. Mas para quem tem uma filmografia tão curta, dois filmes, Trank fez a mais louca e delirante das viagens hollywoodianas.

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quinta-feira, 23 de julho de 2015 Análises, Atores | 16:27

Em meio à crise na carreira, Adam Sandler busca abrigo na internet

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O ator em cena do filme "Esposa de mentirinha" (Fotos: divulgação)

O ator em cena do filme “Esposa de mentirinha”
(Fotos: divulgação)

Adam Sandler sempre foi um campeão de bilheteria. Desde que iniciou seu reinado em meados da década de 90 com filmes como “Um maluco no golfe” (1996), “Afinado no amor” (1998) e “O paizão” (1999), o ator deu de ombros para a crítica que sempre lhe torceu o nariz.

Nos anos 2000, em plena fase em que astros de cinema se desvalorizavam em detrimento de adaptações de outras mídias e franquias de apelo juvenil, Sandler manteve sólida sua base de fãs e dava lucro com seus filmes relativamente baratos.

Sandler, diferentemente de figuras como Johnny Depp e Robert Downey Jr. que se reinventaram para acontecer no mainstream, levava público ao cinema sendo sempre ele mesmo. As galhofas e as piadas grosseiras vez ou outras rivalizavam com alguma aparição mais séria como no drama pós-11 de setembro “Reine sobre mim” (2007).

Sandler conseguia que até mesmo filmes como “Golpe baixo” (2005), sobre futebol americano, ganhasse distribuição nos cinemas brasileiros. Um feito raro para filmes sobre esportes impopulares no país. A primeira década do milênio foi delirantemente positiva para o ator.

Estrelou filmes muitíssimo bem sucedidos como “A herança de Mr. Deeds” (2002), “Tratamento de choque” (2003), em que contracenou com a fera Jack Nicholson, “Como se fosse a primeira vez” (2004) e “Click” (2006).

Não obstante, colaborou com verdadeiras legendas da sétima arte como Paul Thomas Anderson (“Embriagado do amor”) e James L. Brooks (“Espanglês”), além de se experimentar em um tipo diferente de humor, mais amargo, em fitas como “Tá rindo do quê?”, de Judd Apatow, maior nome da comédia americana atual.

Sandler em "Pixels": crítica reprovou o filme. Como o público reagirá neste fim de semana?

Sandler em “Pixels”: crítica reprovou o filme. Como o público reagirá neste fim de semana?

A virada da década, no entanto, representou um doloroso revés para o ator. Sandler continuou operando na mesma fórmula. Comédias histriônicas (“Gente grande”, “Cada um tem a gêmea que merece” e “Esse é o meu garoto”), com incursões dramáticas pontuais (“Homens, mulheres e filhos”).

“Pixels”, principal aposta da Sony na temporada e que chega hoje aos cinemas do Brasil e nesta sexta-feira nos EUA, já é um filme em que Sandler divide o protagonismo com outros atores. Além de seu habitual parceiro Kevin James, figuras ascendentes como Josh Gad e Peter Dinklage estrelam a fita que coloca personagens de videogames contra a humanidade.

Recolocação

Os últimos filmes do ator foram fiascos de bilheteria. “Juntos e misturados” (2014), terceira colaboração com a atriz Drew Barrymore (as outras foram “Afinado no amor” e “Como se fosse a primeira vez”) já não foi lançado nos cinemas de muitos países.

A crítica continua pouco amistosa com Sandler, mas estaria o público cansado dele? A revista Forbes colocou o ator no topo da lista dos atores menos rentáveis nos últimos dois anos. A equação é simples. A taxa de retorno de Sandler anda baixíssima. Com um salário ainda inflado, o ator rendeu US$ 3,20 para cada dólar recebido. Na contramão da expectativa ensejada pela Forbes, a Netflix fechou um acordo com Sandler para produzir e distribuir seus próximos quatro filmes. O desenvolvimento será conduzido em parceria com a Happy Madison Productions, produtora do ator.

Em Cannes, Ted Sarandos, diretor de programação da Netflix,  disse que a opção por fechar um contrato com Sandler se deu baseado em levantamento feito pela empresa de que os filmes estrelados pelo ator são dos mais procurados pela base de assinantes nos mercados em que a Netflix opera.

Sandler e Barrymore em "Juntos e misturados": velhas receitas não estavam dando certo

Sandler e Barrymore em “Juntos e misturados”: velhas receitas não estavam dando certo

Ao buscar abrigo na internet, Sandler não só aponta um caminho para astros em decadência – e há uma fila cada vez maior deles – como relativiza o impacto negativo das bilheterias de seus últimos filmes. O interesse por ele teria apenas migrado de plataforma. Pode não ser o sonho de aposentadoria do outrora rei da comédia besteirol americana, mas é uma saída para lá de digna.

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segunda-feira, 20 de julho de 2015 Análises, Bastidores | 21:22

Com “50 tons de cinza” e “Jurassic World”, Universal estabelece recorde de faturamento nas bilheterias

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No último fim de semana, “Jurassic World – o mundo dos dinossauros” ultrapassou a marca de US$ 1.513 bilhões arrecadados nas bilheterias mundiais e deslocou “Velozes e furiosos 7” para a quinta colocação no ranking das maiores bilheterias de todos os tempos. O feito, notável, é especialmente satisfatório para a Universal que produziu ambos os filmes, dois dos três datados de 2015 a já terem superado a marca do bilhão nas bilheterias (o outro é “Vingadores – era de Ultron”).

O estúdio tem razões de sobra para comemorar. Além dos acachapantes recordes conquistados por “Jurassic World”, entre eles os de maior bilheteria no fim de semana de estreia, nos EUA e internacionalmente, e o de filme a chegar mais rapidamente ao patamar de US$ 1 bilhão em ingressos vendidos, a Universal atingiu outra marca significativa. Alcançou os US$ 5 bilhões em faturamento nas bilheterias internacionais mais rápido do que qualquer estúdio em qualquer outro ano.

Apesar de “Ted 2” não ter emplacado nas bilheterias, todos os outros lançamentos de médio e grande porte do estúdio foram hits em 2015. Do aguardadíssimo “50 tons de cinza” ao recente “Descompensada” que estreou nos cinemas americanos fazendo barulho no último fim de semana com U$$ 30 bilhões em caixa. Nada mal para uma comédia totalmente original.

A comediante Amy Schumer e o jogador de basquete LeBron James em cena de "Descompensada"

A comediante Amy Schumer e o jogador de basquete LeBron James em cena de “Descompensada”

Cena de "50 tons de cinza", que arrecadou mais de US$ 560 milhões mundialmente Fotos: divulgação

Cena de “50 tons de cinza”, que arrecadou mais de US$ 560 milhões mundialmente
Fotos: divulgação

O pool de lançamentos da Universal inclui, ainda, “A escolha perfeita 2”, “Minions” e o já referido “Velozes e furiosos 7”.

O Cineclube já atentava para o acerto da estratégia da Universal lá atrás, no começo do verão americano, destacando o investimento na diversidade de lançamentos pelo estúdio e da aposta nas comédias como um caminho menos oneroso para o sucesso.  Outro acerto, cuja menção se faz agora necessária, foi estrategicamente distribuir dois de seus principais filmes do ano fora dessa concorrida temporada. Desde sempre “50 tons de cinza” estava destinado a ser lançado no dia dos namorados americano, comemorado em 12 de fevereiro. A data é boa para lançamentos cheios de potencial, até por ser tradicionalmente um período de entressafra entre as produções do Oscar e as do verão. Ano que vem, a Fox já programou o lançamento de “Deadpool” para fevereiro.

Leia também: A lógica por trás da acachapante bilheteria de “Jurassic world” em seu fim de semana de estreia

Primeiro no Cineclube: Liberado o trailer da comédia que promete ser a mais ultrajante e divertida de 2015 

Os estúdios já vinham puxando seus lançamentos para abril, quando ainda é primavera no hemisfério norte, mas a Universal radicalizou e lançou mundialmente o sétimo filme da franquia “Velozes e furiosos” no dia 2 daquele mês.  A fita estava originalmente programada para maio de 2014, mas a morte de Paul Walker obrigou mudanças no cronograma de filmagens. A Universal então decidiu remover o filme do verão e vendê-lo como uma homenagem a Paul. Não deu outra e “Velozes e furiosos 7”, que nem de longe se aproxima dos melhores momentos da série, foi mais longe do que qualquer filme da franquia e amealhou impressionantes US$ 1.511 bilhão.

“Jurassic World” foi lançado simultaneamente nos EUA, Rússia, China e Brasil, quatro dos principais mercados no mundo. Devido às restrições às produções americanas na China e na Rússia é um movimento muito raro por parte das majors americanas. A iniciativa vingou e a Universal conseguiu mais do que um êxito comercial irrepreensível, um golpe de marketing imbatível para promover o filme além do essencial fim de semana de estreia.

Essa combinação de marketing certeiro, domínio do calendário e risco dosado com ousadia valeram à Universal a marca distinta alcançada em 2015.

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segunda-feira, 13 de julho de 2015 Análises, Notícias | 21:32

A Warner jogou pesado na Comic-Con 2015, mas convenceu?

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Fotos: divulgação

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A Marvel decidiu só levar a Comic-Con, tradicional feira de cultura pop realizada no último fim de semana nos EUA, novidades sobre suas produções para a TV. A escolha, estratégica, talvez tenha sido mais acertada do que parece. Isso porque a Warner se fez valer de uma estratégia tão agressiva na divulgação dos dois filmes do selo DC programados para 2016 que ofuscaria qualquer concorrência. De acordo com um ranking elaborado pela revista americana Entertainment Weekly em parceria com o Twitter e o Youtube, o filme “Batman vs Superman – a origem da Justiça” foi o mais comentado do evento no Twitter e teve seu trailer acessado mais de 21 milhões de vezes. A segunda posição ficou com o material exibido de “Star Wars: o despertar da força” e, em terceiro, o primeiro trailer da sexta temporada da série “The walking dead”.

Depois do trailer vazado de “Esquadrão suicida”, a Warner liberou a prévia na tarde desta segunda-feira. O material apresenta o grupo e a ideia formalizada por Amanda Waller, interpretada pela sempre divina Viola Davis, de confiar a um grupo de vilões uma tarefa de segurança nacional. O Batman de Ben Affleck aparece no trailer, que tem ritmo tão solene quanto o material de “A origem da Justiça”, assim como o Coringa de Jared Leto, que surge bem no finzinho para deixar a plateia salivando.

O material sabe explorar a expectativa que o público tem pela caracterização de Leto e isso é o principal fato a se comemorar em um trailer que não provoca tanta euforia. A razão para isto talvez seja o excesso de exposição ao qual o estúdio e o diretor David Ayer estão submetendo o filme.

Esquadrão 2 Esquadrão 5

Isso posto, tanto o trailer de “Esquadrão suicida” como o de “A origem da Justiça” acertam um ponto nevrálgico. Convencem! Há, justificadamente, todo um receio de como esses filmes vão ser percebidos por público e crítica. A Warner, exceção feita a alguns filmes do Batman, até hoje não acertou com os filmes baseados nas HQs da DC Comics. O estúdio decidiu criar um universo, mas indicou que seus filmes seriam pensados individualmente e que a prioridade seria abraçar a visão de grandes cineastas em detrimento da “Fórmula Marvel”. Se isso de fato se verificará, é preciso ir além desses dois filmes para medir, mas olhando aqui de 2015, é possível ser bastante otimista com o caminho escolhido pelo estúdio.  “Batman vs Superman – a origem da Justiça” estreia em março do próximo ano; enquanto que “Esquadrão suicida” chega em agosto.

Leia também: O mal (ainda) invisível que a Marvel fez ao cinema

Leia também: A guerra entre Marvel e DC atinge nível inédito no cinema. Mas e o espectador nessa história toda? 

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Análises, Críticas, Filmes | 19:28

Um olhar sobre “Cassino” vinte anos depois

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Última das oito colaborações entre o cineasta Martin Scorsese e o ator Robert De Niro, essa elegante fita adaptada da obra de Nicholas Pileggi oferece um olhar sobre como a combinação de ganância desenfreada e a vertiginosa ascensão das drogas puseram fim à dinastia mafiosa nos EUA. Tema que, de alguma maneira, já havia sido trabalhado em “Os bons companheiros”, também em parceria com Pileggi, cinco anos antes.

Leia também: Revisitando os clássicos – “Os bons companheiros”

A diferença é que “Cassino”, que completa 20 anos de seu lançamento original em 2015 – no Brasil o filme seria lançado em março de 1996 – agrega a essa crônica da derrocada mafiosa um olhar sobre a evolução de Las Vegas, cidade erguida sob o tino empreendedor de mafiosos no meio do deserto e que não só se transformou na capital mundial dos jogos de azar como em símbolo do capitalismo do século XX.

Robert De Niro vive Sam “Ace” Rothstein, um sujeito com tato e sorte para todo tipo de aposta. Não demora para ser “apadrinhado” por mafiosos que, com o passar do tempo, lhe confiam a administração de um cassino em Las Vegas. Sam, um judeu casca grossa, estava ganhando dinheiro para fazer o que sempre gostava de fazer e que lhe dava problemas em sua cidade natal. Ao assumir a administração do cassino, Sam aumenta a margem de lucro dos chefes e tudo parecia caminhar para uma doce e longeva lua de mel. Parecia.

Joe Pesci, especialista, sob Scorsese, em personagens surtados, dá a Nicky, um gangster que cresceu junto com Sam, a perversão de um homem que desconhece qualquer limite. Ele se muda para Las Vegas a pretexto de cuidar da segurança de Sam, mas na verdade quer ver relaxadas as correntes em seu pescoço. Ele quer, na verdade, fazer de Vegas o seu quintal.

Sharon Stone em cena: faísca acesa

Sharon Stone em cena: faísca acesa

Sam conhece seu eleitorado e fareja os problemas se avizinhando. Mas isso não é tudo. Homem incapaz de se deixar seduzir pelo risco, Sam se apaixona por uma golpista – em uma dessas ironias tão bem aliciadas pelo cinema de Scorsese – com a forma e a beleza de Sharon Stone. Ginger é a “esposa troféu” que todo homem em ascendência deseja e Sam não se faz de rogado em demonstrar a Ginger o quanto a deseja.

O destempero à espreita é uma ameaça mais atroz do que o FBI e suas escutas e Scorsese, que além da direção assina o roteiro em parceria com Pileggi, rege essa ópera de desatino e violência com o rigor dos grandes maestros. “Cassino” escrutina essa Las Vegas charmosa e traiçoeira com o mesmo vigor com que despe seus protagonistas. Sam não aceita o fato de “ter perdido uma aposta” em não mudar a essência de uma golpista. Ginger, por sua vez, sucumbe às drogas e ao álcool porque ela não saberia fazer outra coisa agora que era o mimado pet de um tipão de Las Vegas e Nicky só queria mais e, de preferência, se divertindo o máximo possível.

Não é o melhor de Scorsese, mas é um filme que merecia mais atenção. Sharon Stone recebeu sua única indicação ao Oscar pelo papel de Ginger. No globo de Ouro, além de Stone, Scorsese recebeu uma indicação ao prêmio de direção. Talvez houvesse certa exaustão com os filmes de máfia e na comparação, “Cassino” era mesmo inferior a “Os bons companheiros”, tida então e agora como obra-prima do gênero e de Scorsese. Fato é que, 20 anos depois, “Cassino” envelheceu muito bem. É um olhar sofisticado da alquimia que a ganância produz.  Com os exageros de um universo que Scorsese domina tão bem, medidos por meio de muita luz, narração em off, boa música e alguma moral.

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quarta-feira, 8 de julho de 2015 Análises, Bastidores, Filmes | 21:04

A TV assume o protagonismo do cinema, mas é possível reverter a tendência

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Que a TV está roubando o espaço do cinema, se o leitor não sabe, certamente já ouviu dizer.

Mas o premiado dramaturgo e roteirista inglês David Hare, responsável pelas adaptações de “As horas” e “O leitor”, ambas dirigidas pelo também britânico Stephen Daldry, pôs pimenta na discussão ao alterar a perspectiva do debate.

O dramaturgo e roteirista David Hare (Foto: divulgação)

O dramaturgo e roteirista David Hare
(Foto: divulgação)

Hare, um dos destaques da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada no último final de semana no Rio de Janeiro, disse em entrevista coletiva que Hollywood “ainda resiste a dar protagonismo para os roteiristas” e que, em sua avaliação, o sucesso cada vez mais inebriante da televisão reside no fato de que a TV “deu espaço para os escritores”. Hare observou, também, que os autores “estão tomando o poder” nas telas, mas afirmou que o teatro jamais conseguirá a “velocidade narrativa” de produções como “Mad Men” e “House of Cards”, que conquistam milhões de espectadores.

O dramaturgo, que ostenta o título de “sir”, elegeu a TV atual como uma expressão de arte muito mais estimulante até mesmo do que a literatura e louvou a iniciativa da Flip de abrir espaço para o debate de outras artes, como teatro, cinema e, agora, TV.

Hare propõe uma subversão no olhar dispensado ao cinema e à TV atuais. E se o sucesso da TV estivesse diretamente relacionado à crise criativa dos estúdios? E se todo o modelo vigente, calcado na teoria do autor ¹ fosse responsável por essa letargia a assolar Hollywood?

“Os diretores de Hollywood não aceitam que os escritores estejam no comando”, observou.  No início de 2008, a indústria do audiovisual americana paralisou por completo quando uma greve de roteiristas sem precedentes tomou forma. As negociações se apressaram para garantir a realização da cerimônia do Oscar daquele ano. A greve, de alguma maneira, culminou com a novíssima e elogiada safra de séries da TV americana. A figura do showrunner, um roteirista que detém o controle criativo sobre uma série de TV ganhou propulsão e nomes como Vince Gilligan (“Breaking bad”) e Beau Willimon (“House of cards”) gozam de prestígio outrora somente dispensados a artesãos da sétima arte como Martin Scorsese e Stanley Kubrick.

Essa recém-estabelecida equivalência entre TV e cinema tem levado muita gente do cinema a buscar uma reinvenção na TV. De nomes como Ryan Phillippe (“Secrets and lies”) e M. Night Shyamalan (“Waynard pines”) a Dustin Hoffman, que não conseguiu emplacar o drama “Luck”, que misturava esporte e máfia, na HBO. Hoffman, aliás, declarou recentemente em entrevista ao jornal britânico The independent que “a TV vive sua melhor fase enquanto que o cinema é o pior em 50 anos. Hoje em dia tudo se resume ao fato de seu filme fazer dinheiro ou não”.

Dustin Hoffman: "É o pior cinema em 50 anos" (Foto: divulgação)

Dustin Hoffman: “É o pior cinema em 50 anos”
(Foto: divulgação)

Cena de "Homem-Formiga", que estreia na próxima semana e fecha a chamada fase 2 da Marvel no cinema: A concepção narrativa das HQs levada para a tela grande

Cena de “Homem-Formiga”, que estreia na próxima semana e fecha a chamada fase 2 da Marvel no cinema: A concepção narrativa das HQs levada para a tela grande

 

Não há nada de errado ou superado na teoria do autor.  O dito cinema de arte muito se beneficia dela, mas ao olhar o sucesso da Marvel com o seu universo coeso e interligado é fácil identificar no produtor Kevin Feige uma espécie de showrunner e aceitar com maior naturalidade a proposição de Hare. Resta saber se Hollywood está disposta a ouvir.

¹ teoria cunhada em plena ascensão da Nouvelle Vague que preconiza um cinema de estilo, estética  e tema reconhecíveis em um diretor, mesmo este subordinado ao esquema de estúdio.  Para esta teoria, encampada também pela crítica de cinema, um filme carrega a assinatura do diretor, ainda que seja um trabalho coletivo.

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terça-feira, 23 de junho de 2015 Análises, Atores, Filmes | 22:15

Temos um Homem-Aranha; e agora?

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Foto: Joblo/reprodução

Foto: Joblo/reprodução

O inglês Tom Holland, de 19 anos, foi anunciado como o novo intérprete de Peter Parker/Homem-Aranha no novo reboot que o personagem irá receber, agora sob curadoria da Marvel. Jon Watts, do ainda inédito “Cop car”, foi confirmado como o diretor do filme, previsto para ser lançado em 28 de julho de 2017.

A dinâmica da escolha lembra muito a que se deu em 2011, quando o anglo-americano Andrew Garfield foi selecionado para ser o novo Peter Parker e o cineasta Marc Webb, então festejado no circuito indie com o sucesso de “500 dias com ela”. Tanto Webb como Watts, no momento de assumirem a direção de “Homem-Aranha”, vinham da aclamação no festival de Sundance. Um celeiro incomum para um filme super-herói.

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Estamos falando aqui do sexto filme do personagem em 15 anos e do segundo reboot em cinco. Não é um repertório desejável e a Marvel já anunciou que o próximo filme vai mostrar um Peter Parker adolescente e enfrentando a opressiva rotina colegial. Sem, pelo menos no discurso de momento, recontar a origem do herói.

Rumores ventilados na imprensa americana dão conta de que o nome de Holland era uma preferência da Sony. A Marvel tinha em Asa Butterfield, de “A invenção de Hugo Cabret”, o seu favorito. Não que Holland não tenha impressionado Kevin Feige, o todo-poderoso produtor da Marvel Studios e que supervisionou pessoalmente o processo de casting do herói aracnídeo.  Segundo fontes ouvidas pelo The Hollywood Reporter, Feige gostou da interação entre Holland, Robert Downey Jr. e Chris Evans nos testes. Vale lembrar que a primeira aparição desse novíssimo Homem-Aranha no universo Marvel será em “Capitão América: Guerra civil”, a ser lançado no próximo ano.

Watts teria sido uma escolha toda de Feige, que costuma apostar em diretores novatos e pouco experimentados – uma forma de assegurar maior controle criativo sobre os filmes. Foram apostas bem sucedidas dele Jon Favreau, no primeiro “Homem de ferro”, e James Gunn, em “Guardiões da Galáxia”. O nome de Watts teve de ser aprovado pelo novo presidente da divisão de cinema Sony, Tom Rothman. Esse típico toma lá dá cá é comum em pré-produções de blockbusters dessa magnitude, mas a Sony sabe que precisa dar mais autonomia à Marvel para evitar que o novo filme seja tão decepcionante como os dois mais recentes.

O fato de estar inserido no universo Marvel deve ajudar na aceitação do novo aracnídeo, mas um filme solo bacana e bem azeitado é crucial para que o investimento – e a parceria entre Marvel e Sony – vinguem.

A produção do filme, no entanto, deve ser cercada de especulações, atritos e coro por concessões. Circunstâncias comuns a qualquer relação, mas potencialmente desestabilizadora em uma envolvida em interesses milionários e objetivos mais inflacionados ainda.

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terça-feira, 16 de junho de 2015 Análises, Filmes | 20:19

Filme mais romântico da década de 90, “As pontes de Madison” completa 20 anos

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Clint Eastwood talvez já não seja reconhecido hoje como o caubói durão de outrora. Aos 85 anos, a alcunha de cineasta prestigiado talvez seja a mais notória. Esse prestígio emana de uma filmografia plural, complexa e cheia de energia e inquietação. Parte essencial dessa filmografia, “As pontes de Madison”, que completa 20 anos de lançamento neste junho de 2015, não costuma ser listado por críticos e cinéfilos como um dos pontos altos da carreira de Clint. Talvez por se tratar de um romance, talvez por remeter a uma fase em que Clint ainda era visto como um ator que também dirigia e não como um cineasta/ator. Fato é que “As pontes de Madison” não só é fundamental para construir intimidade com o cinema de Clint – recheado de conflitos existenciais angustiantes, como é, também, uma das histórias de amor mais belas e doloridas já adornadas pelo cinema.

Adaptado da obra homônima de Robert James Waller e roteirizado para o cinema por Richard LaGravenese – que no futuro dirigiria o açucarado “P.S . Eu te-amo” – “As pontes de Madison” apresenta a história de amor entre Francesca Johnson (Meryl Streep, indicada ao Oscar pelo papel), dona de casa que leva vida ordinária no campo, e Robert Kincaid (Clint Eastwood, em grande momento como ator), fotógrafo na região por uns dias para fotografar as pontes que dão nome ao filme e figuram como atração turística do local.

madiPerdido, ele chega à casa de Francesca – que passa alguns dias sozinha sem a companhia dos filhos e do marido que partiram em uma viagem – em busca de informações.  Ela tenta, mas não consegue explicar ao fotógrafo como acessar as tais pontes. Resolve mostrar ela mesma. O dia na companhia um do outro se revela muito mais agradável do que ambos poderiam imaginar. No dia seguinte, Robert e Francesca se aproximam ainda mais e ela decide viver aqueles dias em uma intensidade que jamais imaginara possível em sua vida há 48 horas.

O idílio tem data para acabar? Robert ofertara a Francesca uma verdade que ela sempre negara. A de que ela era uma mulher fascinante, desabrochada e cujo desejo de viver estava confinado naquela vida pacata e cômoda. Robert queria que ela partisse com ele. Francesca gostava da ideia, mas e sua família? O cinema, então, impõe a Meryl Streep um dilema, ainda que menos desolador, tão angustiante quanto o de “A escolha de Sofia”. Francesca precisa decidir se vive essa história de amor em toda a plenitude que intui possível ou se se resigna no seio familiar e atende às responsabilidades uma vez assumidas há tanto tempo.

A narrativa de “As pontes de Madison” transborda sentimento. Seja na perspectiva dos filhos e na disposição destes de entender a escolha da mãe – e com esse exercício reavaliar as próprias escolhas amorosas – seja no afeto sincero e abrupto entre Robert e Francesca. A maneira como Clint Eastwood filma torna possível o tangenciamento do dissabor do amor idealizado.  Francesca e Robert seriam felizes juntos fora daquele contexto? A rotina os alcançaria? O amor só sobrevive se não for vivido em seu todo? São perguntas legítimas que nos acompanham.

“As pontes de Madison”, em um olhar histórico, pode ser observado como o filme que representa a virada de Clint. Aqui estão as primeiras pistas do cineasta observador da natureza humana e de suas contradições, assim como do autor sensível que traz interesses caros ao seu cinema para gravitar os temas centrais de seus filmes. É um Clint diferente do vencedor do Oscar por “Os imperdoáveis” (1992). Mais complexo e menos assertivo.

O amor em escalas, conotações e contextos diferentes voltaria a ser abordado por Clint em filmes como “Menina de ouro”, “A troca” e “Além da vida”. O amor romântico, no entanto, em toda a sua potência, só fora trabalhado por ele aqui.

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quinta-feira, 11 de junho de 2015 Análises | 17:44

A crítica de cinema está morrendo

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Volta e meia a função da crítica é questionada. A internet redesenhou o papel da crítica de cinema assim como forçou o jornalismo como um todo a se reinventar. Nada novo até aí. No entanto, uma discussão derivada dessa problemática merece atenção.  As mídias sociais diminuíram a força da crítica de cinema? Um crítico é ainda relevante para determinar a opção por um filme em detrimento de outro? Segundo o crítico canadense Richard Crouse, que se deteve sobre o tema em artigo na The Canadian Press, a relevância de um crítico hoje é mínima, quase nula. “Antigamente, você tinha um grupo de críticos que podia confiar e construir uma relação. Mesmo que discordasse deles, você os lia e prestava atenção no que eles tinham a dizer. Agora é tudo bem diferente. Eu acho que as pessoas perpassam blogs e Twitter e se decidem por lá mesmo”. “Eu acho que o Twitter, o Facebook e toda essa era digital precipitam essa demanda por reação instantânea a qualquer coisa sem o tempo para um real aprofundamento”, observa à coluna um dos diretores de programação do Festival de Toronto, Jesse Wente.

Ouvido sobre a questão pela revista The interview, o cineasta David Cronenberg disse que sites como o Rotten Tomatoes, portal que reúne todas as críticas publicadas na web sobre os filmes em lançamento, dilui a efetividade das críticas. “Você tem os ‘top críticos’ e os ‘críticos’, uma distinção entre críticos que realmente se engajaram na profissão e outros que ali estão apenas por aventura”.

Uma boa crítica de cinema objetiva expandir a experiência cinematográfica. Não se trata de encerrar a discussão sobre uma obra, mas sim de iniciá-la, de reverberá-la. De oferecer ao leitor outros ângulos, de estabelecer um diálogo com a obra, de refinar possíveis interpretações e apontar minúcias e símbolos, entre outros.

vinga max

“Vingadores: a era de Ultron” não emplacou com a crítica, mas é sucesso de público. O novo “Mad Max”,
por seu turno, agradou a crítica, mas só melhorou de bilheteria depois do bafafá nas redes sociais
(Foto:montagem sobre reprodução)

Roger Ebert, talvez o maior e mais celebrado crítico de cinema do mundo, morto em 2013, pensava diferente. Em 2011, publicou um artigo no Wall Sreet Journal sobre o tema e via a internet no geral, e as redes sociais em particular, como uma bomba de oxigênio para a crítica de cinema.  Para ele, trata-se de uma era de ouro. “Mais frequentadores de cinema estão lendo boas críticas sobre filmes novos e velhos do que antes. Ainda que também estejam lendo mais críticas ruins”.  O jornalista americano Matt Singer, no blog Indie Wire vê nessa evolução da crítica de cinema seu ponto mais fatal e vai ao encontro do que pensa Cronenberg. “Ao permitir que todo mundo que tenha uma perspectiva sobre cinema escreva sobre isso e compartilhe com o mundo, essa evolução pode matar a carreira da próxima geração de críticos”.

Paralelamente a essa discussão cheia de subjetividades, uma pesquisa feita pela Nielsen nos EUA apurou que usuários do Twitter vão mais ao cinema do que frequentadores de cinema que não têm conta na rede social. Não obstante, usuários do Twitter têm 87% mais chances de ir ver um filme em seus dez primeiros dias de exibição e 340% mais chances de ter visto mais de 12 filmes nos últimos seis meses do que não usuários. Além do mais, os usuários do Twitter estão mais inteirados dos lançamentos do verão americano (época mais lucrativa para os estúdios de cinema). Obviamente, a pesquisa – encomendada pelo Twitter – ambiciona mostrar para Hollywood o potencial promocional da rede social. É senso comum que nenhum crítico de cinema hoje possui tamanha influência.

Muitos, inclusive, abrem mão de ler críticas antes de verem os filmes e só o fazem após a sessão. Na maioria das vezes, apenas em caso de aprovação do filme. Essa realidade, potencializada pela ojeriza a spoilers,  como se uma crítica por definição carregasse spoilers, enfraquece a formação cultural de frequentadores de cinema e relega ao marketing de estúdios e distribuidoras a missão cada vez mais árdua (em virtude dos preços pouco amistosos dos ingressos) de levar o público ao cinema.

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