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sábado, 28 de fevereiro de 2015 Análises, Notícias | 07:00

Sequências de “Alien” e “Blade Runner” geram boas perspectivas

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bladeHá quem acredite que não se deveria mais mexer na mitologia de “Alien”. Ridley Scott expandiu o universo que já rendera quatro filmes com “Prometheus” (2012), um filme que nunca atinge sua potencialidade, mas tampouco faz feio. Antes mesmo de “Prometheus”, que já tem sequência confirmada, já havia um zum zum zum em torno de um novo “Alien”. Ridley Scott estava cotado para dirigir caso a Fox aprovasse um novo filme. As coisas aconteceram meio por acaso. O cineasta sul-africano Neill Blomkamp (“Distrito 9” e “Elysium”) publicou em suas redes sociais artes conceituais que ele mesmo fizera para o caso de dirigir um filme da franquia. Poucas semanas depois, mais precisamente em 19 de fevereiro, a Fox anunciou que haveria uma nova sequência de “Alien” com Blomkamp na direção e Scott ocupando a produção executiva.

Corta para a noite da última quinta-feira (26). A Alcon Entertainment, que adquirira os direitos de “Blade Runner – o caçador de androides” (1982), em 2011, anunciou que faria uma sequência e que Harrison Ford reprisaria seu papel como Rick Deckard. A direção ficará a cargo do canadense Dennis Villeneuve, de “O homem duplicado”. Filme que certamente funcionou como a melhor das credenciais para Villeneuve.

Desde que comprou os direitos sobre “Blade Runner”, muito especulou-se que a Alcon estaria interessada em rodar uma prequela da trama do filme de 1982. Ridley Scott também atuará na produção executiva servindo como um consultor de luxo.

“Alien” e “Blade Runner” têm mais do que Ridley Scott em comum. São filmes revolucionários, na linguagem e na forma, e seminais na arquitetura de uma ficção científica mais independente e altiva.

Arte conceitual de Blomkamp para o novo filme da franquia "Alien"

Arte conceitual de Blomkamp para o novo filme da franquia “Alien”

Mais uma imagem da visão de Blomkamp para "Alien"

Mais uma imagem da visão de Blomkamp para “Alien”

Harrison Ford voltará a viver Rick Deckard, mas pode se desligar em definitivo de outro icônico personagem. Há uma onda de boatos ganhando cada vez mais força em Hollywood de que Steven Spielberg trabalha para dirigir uma nova versão de “Indiana Jones” com Chris Pratt (“Guardiões da galáxia”) como Indy.

Hollywood, como diriam as más línguas, não sabe largar o osso. Mas especificamente sobre os novos “Alien” e “Blade Runner”, as perspectivas são as melhores possíveis. Blomkamp é fã confesso dos dois primeiros filmes – o segundo foi dirigido por James Cameron – e já anunciou que seu filme deve desconsiderar os eventos das terceira e quarta produções. Blomkamp é um dos últimos nomes realmente promissores a emergir na cena da ficção científica e sua devoção à essência de “Alien” e especialmente o trabalho apresentado em “Distrito 9” são razões que fundamentam o otimismo.

Villeneuve é um dos diretores mais inventivos e inteligentes a ter pisado em Hollywood. Depois de ir ao Oscar com o drama canadense “Incêndios”, ele debutou no mainstream americano com o tenso e intenso “Os suspeitos” (2013), estrelado por Hugh Jackman como um pai à procura de sua filha sequestrada. Seu filme seguinte, “O homem duplicado”, uma adaptação de Saramago, versava sobre identidade – tema caro ao universo de “Blade Runner”.

Esses filmes não precisariam de novos desdobramentos ou capítulos, mas já que esse é um caminho inevitável no negócio do cinema, essas relíquias cinematográficas não poderiam ter sido entregues a melhores mãos.

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015 Análises, Diretores | 17:09

Richard Linklater flerta com ideia de sequência para “Boyhood”. Bom ou mau sinal?

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boyO cineasta que recebeu diversos prêmios e foi um dos principais destaques da última edição do Oscar admitiu a possibilidade de rodar uma sequência de “Boyhood – da infância à juventude”. Trata-se de uma mudança de posição de Richard Linklater que antes negava com veemência a possibilidade de dar continuidade à história de Mason (Ellar Coltrane).

“Honestamente, nos primeiros seis meses após a exibição do filme, minha resposta para uma sequência era não”, disse ao programa de rádio do jornalista americano Jeff Goldsmith na última terça-feira. “Foram doze anos. A história era sobre a vida neste período da escola e ensino médio. Eu não tinha outra ideia em mente. Mas não sei se foi a combinação de sentir que esse processo chegou ao fim com o fato de ser muito questionado sobre uma sequência, que pensei: ‘bem, a fase dos 20 anos são de forte formação na vida de alguém’. É neste momento que você se torna alguém. Então admito que a ideia de continuar tem passado pela minha cabeça.”

O próprio Linklater reconhece não saber exatamente de onde vem esse anseio por dar sequência à trama de “Boyhood”. Se dele, do público, da crítica ou da indústria tão enamorados com o encanto do filme . Mas seguir com os personagens de “Boyhood” é bom ou ruim? Para Linklater talvez seja cômodo. Foram 12 anos dedicados a um projeto que rendeu muitos frutos e certamente, prospector do tempo que é, Linklater teria muito a observar nesta fase dos 20 anos de Mason. Ainda no papo com Goldsmith, o cineasta disse que se a ideia avançar, ele modificaria a estrutura vista em “Boyhood”. “Esse provavelmente seria mais acelerado”.

Leia também: Richard Linklater e a busca constante pela vanguarda no cinema

O que se coloca é que Linklater pode muito bem desenvolver essa observação, que além de pertinente é convidativa ao olhar de um cineasta tão interessado na forma como a passagem do tempo molda e redefine pessoas e relações, em outro contexto. Não à toa, o próprio dissera antes que seu próximo filme, “That´s what I´m talking about”, também sobre o universo juvenil, é uma continuação emocional de “Boyhood” e “Jovens, loucos e rebeldes”.

“Boyhood”, inevitavelmente, fala ao coração de Linklater. Ele fez, afinal, algo que se insere na vanguarda do cinema. Incrivelmente original, “Boyhood” não precisa de continuação. A magia daquele final tão eloquente, tão aberto às infinitas possibilidades da vida se dissiparia em uma produção que talvez até fosse boa, certamente seria hypada, mas que muito provavelmente diminuiria a potência do alcançado por Linklater.

Crítica: Tempo é parâmetro absoluto para epifanias de “Boyhood” 

É compreensível esse ensimesmamento tanto de Linklater como da crítica. “Boyhood” é singular e passa pela preservação dessa singularidade a manutenção de seu encanto.

Assista abaixo um vídeo que celebra a filmografia do cineasta

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015 Análises, Bastidores | 06:21

Tom político dos discursos e prêmios da edição de 2015 são brisa da mudança no Oscar

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Há não muito tempo a coluna abordou um tema que parece interno demais à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Parece e é; mas produz resultados diretos na forma como o cinema americano se posiciona e como o Oscar, enquanto instituição, se pronuncia. Não só em comunicados oficiais, mas também por meio de seus prêmios.  O post, que pode ser lido aqui, tratava da guerra fria travada entre as alas modernizante e conservadora da academia. Esse embate já ocorre há algum tempo e a cada ano se torna mais revelador e insidioso. Em 2015, enquanto muitos chiaram pela ausência de diversidade no Oscar, outro recorte permitia observar a liderança de duas comédias incomuns e incrivelmente originais na disputa pelo prêmio. Falamos, é claro, de “O Grande hotel Budapeste” e “Birdman”, que acabaram sendo também os campeões de Oscars com quatro troféus cada. O independente “Whiplash – em busca da perfeição” surpreendeu a muitos ficando logo atrás com três estatuetas.  Ora, é preciso parar um pouco e festejar o fato de que três filmes originais e independentes na alma e na embalagem foram os grandes destaques da 87ª edição dos prêmios da academia. O fato ganha ainda mais relevo se lembrarmos que haviam produções com “cara de Oscar” na disputa. Caso dos britânicos “A teoria de tudo” e “O jogo da imitação”. Há quatro anos, “O discurso do rei”, um filme bem menos azeitado do que “O jogo da imitação”, por exemplo, derrubou filmes muito mais criativos, inteligentes e cativantes como “Cisne negro” e “A rede social”.  Tanto o filme estrelado por Benedict Cumberbatch como o estrelado por Colin Firth eram distribuídos por Harvey Weinstein, considerado o grande gênio do marketing com vistas ao Oscar. Sinais dos tempos?

O reinado do Oscar de Lego: em uma cerimônia cheia de meas culpas, o  Oscar de Lego que surgiu logo depois da esnobada ao filme "Uma aventura Lego" foi um dos destaques (Foto: reprodução/Instagram)

O reinado do Oscar de Lego: em uma cerimônia cheia de meas culpas, o Oscar de Lego, que surgiu logo depois da esnobada ao filme “Uma aventura Lego”, foi um dos destaques
(Foto: reprodução/Instagram)

O mexicano Alejandro González Iñarritu levou três troféus na noite, como roteirista, diretor e produtor. Na terceira vez que subiu ao palco fez um discurso sobre os EUA serem um país construído por imigrantes e reverenciou os compatriotas mexicanos. Trata-se da segunda vitória de um cineasta mexicano consecutivamente na categoria de direção. Um americano não vence na categoria desde o triunfo de Kathryn Bigelow em 2010 por “Guerra ao terror”. O discurso foi ensejado por uma piada de Sean Penn, amigo do diretor e com que já trabalhara em “21 gramas”, envolvendo o green card do mexicano.

A internacionalização da academia pôde ser ratificada em outros prêmios. Reese Witherspoon, indicada ao Oscar como melhor atriz por “Livre”, lembrou ainda no tapete vermelho que eram 44 mulheres indicadas ao Oscar naquela noite. Se descontarmos as dez concorrendo em categorias de atuação, ainda eram 34. Um número bastante significante. Muitas delas venceram, como Laura Poitras, pelo documentário “Citizenfour”.

Leia também: Em cerimônia de desabafos e estranhezas, Oscar consagra metalinguístico “Birdman”

Há um movimento, ainda imperceptível para os olhos do espectador ocasional, nas entranhas da academia. Um movimento progressista, frise-se. E aí entram os discursos inflamados.

O triunfo de Dana Perry e Ellen Goosenberg Kent na categoria de documentário em curta-metragem (Foto: AP)

O triunfo de Dana Perry e Ellen Goosenberg Kent na categoria de documentário em curta-metragem
(Foto: AP)

Não se dissipou a sensação de que entre os principais indicados havia pouca diversidade. E Neil Patrick Harris acertou sua única piada logo em sua primeira fala mirando no elefante na sala. Patricia Arquette veio de caso pensado. Sabia que ia ganhar e como fizera em todas as premiações, sacou o papelzinho e vaticinou: “É nosso tempo de ter igualdade salarial e direitos iguais para as mulheres nos EUA”. Foi uma reação a percepção dominante de que a academia ainda é um clube do bolinha. Essa ala modernizante tem como característica esse desprendimento em insinuar-se. Arquette, como todo vencedor do Oscar, deve se juntar ao grupo. John Legend, Graham Moore, Iñarritu e toda a flana politizada da noite podem ser percebidos neste contexto. Assim como a própria vitória de “Birdman”, indo além no diagnóstico dessa ruptura nas hostes da academia. A julgar pelo número musical inicial, em que um histérico Jack Black esbravejou tudo que estaria errado com a Hollywood de hoje (os inúmeros filmes de super-heróis, inclusive), a homenagem aos 50 anos de “A noviça rebelde” e a própria celebração de “Birdman”, quando a academia dispunha de outros caminhos tão elogiosos e satisfatórios quanto à distinção ao filme de Iñarritu, pode-se dizer que há uma estafa mal resolvida, uma crise mal elaborada com os filmes de heróis. É como se a academia dissesse, precisamos pensar no que estamos fazendo. Por que não fazemos mais filmes como no passado?  “Birdman”, afinal, captura com esplendor essa crise de identidade. Hollywood precisa ser mainstream, mas há muito tempo que os estúdios não fazem filmes adultos inteligíveis que deem bilheteria. É bem verdade que neste ano tivemos dois. “O juiz” e “Garota exemplar”, ambos com presença reduzida no Oscar. A academia parece ressentir-se dessa ânsia toda por franquias milionárias e clama por novos “Scarface”, “Amadeus”, “Melhor é impossível”, etc.

Iñarritu, o grande nome do Oscar 2015 é do México: tendência de internacionalização e maior diversidade é irreversível  (Foto: AP)

Iñarritu, o grande nome do Oscar 2015 é do México: tendência de internacionalização e maior diversidade
é irreversível
(Foto: AP)

Como curiosidade, nove dos 20 atores indicados já marcaram presença ou estão vinculados a filmes de super-heróis. Vamos a eles: Edward Norton, Mark Ruffalo, Michael Keaton, Bradley Cooper, Emma Stone, J.K. Simmons, Benedict Cumberbatch, Felicity Jones e Marion Cotillard.

Este ano o Oscar voltou a perder audiência nos EUA. Os números caíram cerca de 15% em relação ao ano passado e a cerimônia foi a menos assistida desde 2009. A vitória de “Birdman”, sobre um ator que tenta desesperadamente conquistar relevância e obter reconhecimento, é uma sinalização para dentro e para fora. Representa, também, o ponto de convergência entre conservadores e modernizantes de que é preciso ir para algum lugar.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 Análises, Críticas | 03:25

Em cerimônia de desabafos e estranhezas, Oscar consagra metalinguístico “Birdman”

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Em uma cerimônia com sérios problemas de ritmo, um host inseguro e pouco engraçado, mas com discursos emocionantes e um inesperado e acintoso tom político, a 87ª edição do Oscar reiterou algumas convicções que se enunciaram ao longo da temporada e consagrou “Birdman ou a inesperada virtude da ignorância” como a melhor produção de 2014. O filme de Alejandro González Iñárritu, que já era o favorito consumado, venceu os Oscars de filme, direção, roteiro original e fotografia. “Boyhood – da infância à juventude” acabou triunfando apenas na categoria de atriz coadjuvante com Patricia Arquette.

“O Grande Hotel Budapeste” prevaleceu nas categorias técnicas conquistando os Oscars de direção de arte, trilha sonora, maquiagem e figurino. “Whiplash” ficou com três Oscars (Montagem, mixagem de som e ator coadjuvante). Por um breve período, essas duas pequenas joias tão avessas a iconografia do Oscar dividiam a liderança em prêmios.

Foi uma noite estranha. A orquestra bem que tentou, mas não conseguiu intimidar o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, o polonês Pawel Pawlikowski por “Ida”, a interromper seu emocionado discurso de agradecimento. A famosa “musiquinha do Oscar” perdeu o respeito. Lady Gaga, por seu turno, mostrou uma voz poderosa em uma homenagem aos 50 anos de “A noviça rebelde”. Meryl Streep foi mais bem sucedida no teleprompter do In memoriam do que em “Caminhos da floresta”; a performance da canção “Glory” verteu lágrimas insuspeitas; Benedict Cumberbtach não fez nenhuma photobomb e Neil Patrick Harris foi um host bem menos feliz do que se poderia imaginar. Além, é claro dos discursos pró-minoria. Eles vieram de todos os lados. Patricia Arquette içou a bandeira do feminismo em seu discurso de agradecimento e deu a Meryl Streep a oportunidade de ter um meme para si. Graham Moore, vencedor do Oscar de roteiro adaptado por “O jogo da imitação” lembrou-se de quando quis se suicidar aos 15 anos por ser diferente e frisou que seu sucesso, seu momento, deve servir como exemplo e cunhou a hashtag “stay weird”. John Legend falou dos negros, Iñarritu dos mexicanos e essa é apenas a ponta do iceberg dos discursos de fundo político. E nem falamos ainda do vencedor de melhor documentário, “Citizenfour”.

Meryl vira meme...  (Foto: divulgação)

Meryl vira meme…
(Foto: reprodução/twitter)

Com tanta consternação, o cinema – principal elemento da noite e do bom número de abertura da cerimônia – parecia coadjuvar mais do que nunca na cerimônia. Apesar desta impressão, trata-se de uma das edições mais justas do Oscar nos últimos anos. Não houve nenhuma clamorosa injustiça e “Birdman”, que fez a academia agregar os prêmios de direção, filme e roteiro pela primeira vez desde 2011, era, de fato, o melhor entre os concorrentes a melhor filme. A última vez que o melhor foi eleito o melhor foi em 2008, quando os Coen triunfaram com “Onde os fracos não têm vez”.

A vitória de “Birdman”, como a coluna já aventava, reflete o status quo não só da indústria, mas da própria academia. Hollywood se sustenta com as franquias milionárias, mas se embevece com filmes relevantes como os que tenta reunir nesta noite de gala. A busca por relevância é, também, do Oscar coadunado cada vez mais com o cinema independente. “Birdman” é cinema de colhões, corajoso, como bem definiu Michael Keaton e sua vitória também deve ser celebrada neste contexto, não só pelo que ela diz sobre a academia e o momento de Hollywood.

Se a noite foi de Iñarritu, que ganhou pessoalmente três Oscars, o mesmo não se pode dizer de Richard Linklater e Wes Anderson que pessoalmente não ganharam nenhum dos troféus a que concorriam.

Vitória de "Birdman": filme de colhões  (Foto:AP)

Vitória de “Birdman”: filme de colhões
(Foto:AP)

A opção por Eddie Redmayne em detrimento de Michael Keaton reitera, não somente a força do sindicato dos atores, como a percepção de que enquanto colegiado, a academia ainda não está preparada para se desligar de certos cacoetes como o da “performance de Oscar”, padrão que também valeu o triunfo de Julianne Moore (“Para sempre Alice”) entre as atrizes.

Se a cerimônia dá bastante margem para discussão – certamente foi uma das mais decepcionantes em muitos anos, o resultado em si não pode ser muito contestado. Com poucas surpresas, a 87ª edição do Oscar cumpriu o que prometia e consagrou pelo terceiro ano em quatro, uma produção que fala sobre o show business (“O artista” em 2012 e “Argo” em 2013 foram as outras). Viva a terapia assistida!

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domingo, 22 de fevereiro de 2015 Análises, Críticas | 09:19

Polarização entre “Boyhood” e “Birdman” cristaliza oportunidade da academia ousar

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Ganhe“Boyhood” ou “Birdman”, o Oscar de melhor filme estará em boas mãos. Em um ano de qualidade cinematográfica anêmica, especialmente nos EUA, é salutar que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood disponha de dois filmes tão originais e inovadores polarizando a disputa principal.

Montagem sobre reprodução

Montagem sobre reprodução

Pode ser coincidência, mas a pobreza de 2014 favoreceu dois injustiçados históricos. Richard Linklater e Wes Anderson, dois dos mais autorais cineastas americanos em atividade, chegam ao Oscar com propriedade e com filmes lançados no começo do ano. Tanto “Boyhood” como “O grande hotel Budapeste” debutaram no festival de Berlim, em fevereiro, e foram lançados em agosto e março respectivamente no mercado dos EUA. Os dois devem ser premiados. Anderson deve ficar com a estatueta de roteiro original e Linklater deve ser eleito o melhor diretor do ano.

Leia também: O Oscar 2015 nas entrelinhas

Crítica:  Do que falamos quando falamos de “Birdman”? 

Crítica: Tempo é parâmetro absoluto para epifanias de “Boyhood”

 

Essas ilações nos levam a uma tendência recente que deve se repetir em 2015. A pulverização dos prêmios. “O Grande hotel Budapeste” deve ser o maior vencedor da noite, com quatro ou cinco prêmios, mas o Oscar de melhor filme deve ficar entre “Birdman” e “Boyhood”.  Pela originalidade, arrojo estético e dificuldade na realização de ambos os filmes, a expectativa é de que a academia divida os prêmios de filme e direção entre as produções. A coluna aposta que “Birdman” fique com o Oscar de melhor filme e “Boyhood” renda a Linklater o troféu de direção. Desde a consagração de “O artista” em 2012, que uma mesma produção não vence os Oscars de filme e direção.

Vibrante, histérico, cativante, irônico e reflexivo do status de Hollywood, “Birdman” é um candidato irresistível para o metiê e vale lembrar que o Oscar é um prêmio de indústria e de uma que gosta de se levar a sério. Mais afinidade entre filme e premiação não poderia haver.

A popularidade e a efervescência do debate em torno de “Sniper americano” podem favorecer o filme no caso de um eventual racha entre os “Bs” que gozam de favoritismo. Mas há muita resistência ao filme de Clint Eastwood. Seria um cenário improvável, ainda que mais viável do que as vitórias de “Whiplash – em busca da perfeição” e “A teoria de tudo”.

Richard Linklater, à direita: o esforço e a retidão de conduzir um filme por doze anos devem ser recompensados com o Oscar de direção (Foto: divulgação)

Richard Linklater, à direita: o esforço e a retidão de conduzir um filme por doze anos devem ser recompensados com o Oscar de direção
(Foto: divulgação)

Consagração de carreiras

J. K Simmons é um monstro em “Whiplash” e ninguém tira o Oscar dele. Edward Norton por “Birdman” é o único a fazer uma distante sombra entre os atores coadjuvantes. Patricia Arquette, por “Boyhood” tem esbarrado na unanimidade na categoria de atriz coadjuvante. O Oscar a ela seria uma forma de homenagear a devoção do elenco a um projeto como “Boyhood”.

Julianne Moore não vê concorrência entre as atrizes. Sua performance em “Para sempre Alice” é, de fato, a melhor entre as indicadas. Mas a disputa ganhou contornos desleais quando enveredou pelo caminho “ela já merece há algum tempo”. Rosamund Pike, por ‘Garota exemplar” e Marion Cotillard, por “Dois dias, uma noite” apresentam desempenhos premiáveis, mas são zebras colossais.

Em comum, esses favoritos têm o fato de que esses Oscars competitivos ganham o peso de chancela a carreiras de extrema regularidade e bom gosto. Trata-se de um vício reiterado da academia em fazer homenagens e estabelecer políticas de compensação com Oscars competitivos. Por coincidência, o ano forjou candidaturas suficientemente sólidas para que esse mau hábito não seja circunstancialmente questionado.

Na categoria de melhor ator esse aspecto ganha contornos mais dramáticos. Michael Keaton (“Birdman”), outrora favorito explícito, preenche os requisitos listados acima. Mas se encontra em uma disputa acirradíssima em que os outros quatro concorrentes vivem personagens reais.

Keaton, no entanto, a exemplo de Simmons e Moore, tem a melhor performance entre os pleiteantes, com a escusa da subjetividade inerente à análise.  Só ele e Bradley Cooper, em “Sniper americano”, investigam seus personagens de dentro para fora. Os conflitos e dilemas tangenciados pelas respectivas atuações são totalmente emocionais e não há amparo da fisicalidade, como nos casos de Eddie Redmayne (“A teoria de tudo”) e Steve Carell (“Foxcatcher”), também ótimos.

Keaton demonstra inteligência incomum, e segurança extraordinária, ao brincar com a própria persona em um jogo de metalinguagens arriscado para qualquer intérprete.

Leia também: Michael Keaton exorciza Michael Keaton com “Birdman”

O Oscar fica entre ele e Redmayne, espetacular como Stephen Hawking em “A teoria de tudo” e beneficiário de defender uma interpretação ajustada aos perfis mais destacados pelo Oscar historicamente. Personagem real, gênio e/ou com deficiência física. Isolados ou combinados, esses fatores costumam render prêmio. A categoria de atriz também admite o mesmo raciocínio em 2015.

Michael Keaton: uma das últimas dúvidas do Oscar, pode ter o seu prêmio da carreira "furtado" por uma atuação com "cara de Oscar" (Foto: divulgação)

Michael Keaton: uma das últimas dúvidas do Oscar. Ele pode ter o seu prêmio da carreira “furtado” por uma atuação com “cara de Oscar”
(Foto: divulgação)

Escolhas ousadas?

A disputa pelo Oscar de filme estrangeiro parece concentrada entre o polonês “Ida” e o russo “Leviatã”. Além da questão geopolítica que une os dois candidatos, há a oposição de um tema caro à academia, o holocausto, com um tema quente, os desmandos políticos na Rússia. Mas esta categoria é uma das mais surpreendentes na história recente do Oscar. Portanto, as chances de vitória do argentino “Relatos selvagens” ou do estoniano “Tangerines” não podem ser desprezadas.

Parece improvável que o prêmio de fotografia não fique com o mexicano Emmanuel Lubezki por “Birdman”. Ele já venceu no ano passado por “Gravidade”. Seria o triunfo da ousadia de apresentar um plano-sequência falso na obra de Iñarritu.

“O Grande Hotel Budapeste” deve prevalecer nas categorias de figurino e direção de arte, podendo pincelar os prêmios de trilha sonora e mesmo fotografia.

O prêmio de montagem, se o mundo for justo, fica com “Boyhood”. Mas o mundo não é justo e a ousadia do Oscar costuma ficar restrita às indicações. Um reflexo da divisão cada vez mais flagrante entre as alas conservadora e moderna da academia. Fica a torcida para 2015 ser o ano que marque o início da virada.

Mais: Academia de Hollywood vive  guerra fria entre alas conservadora e modernizante 

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 Análises | 18:17

O Oscar 2015 nas entrelinhas

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Que o cinema independente é cota majoritária na edição deste ano do Oscar é plenamente sabido. Mais arrazoado ainda, é o fato de que isto não é exatamente uma novidade, mas sim uma tendência. Essa inclinação do Oscar à introspecção rendeu detalhes curiosos na atual edição do maior prêmio da indústria cinematográfica.

iG On: “Birdman” e “O grande hotel Budapeste” lideram indicações ao Oscar 2015

Leia também: Briga pelo Oscar toma forma e restam poucas dúvidas

Há a predominância de histórias reais entre os concorrentes. Dos indicados a melhor filme, quatro não são baseados em fatos reais. Três destes, “Whiplash – em busca da perfeição”, “Birdman” e “Boyhood”, se bifurcam com a realidade em pontos interessantes. O primeiro é baseado nas experiências do diretor e roteirista Damien Chazelle com seu professor de música na adolescência. O segundo é um exercício de metalinguagem dos mais sofisticados sobre a carreira do ator Michael Keaton e do status quo hollywoodiano, enquanto que o terceiro é cinema de vanguarda em que as opções estéticas do cineasta Richard Linklater oferecem a evolução física dos atores como tempero de uma história sobre a passagem do tempo.

O ano de 2014 não foi um grande ano para o cinema americano. Mas as duas produções que chegam com mais chances de faturar o Oscar de melhor filme são inovadoras e essencialmente originais. Tanto “Birdman” como “Boyhood” não apresentam tramas efetivamente novas, mas impressionam pelas opções estéticas e pelo desprendimento com que desvelam suas narrativas. Prova disso é que praticamente ninguém aventa a possibilidade de triunfo de um dos dois candidatos ingleses na corrida (“A teoria de tudo” e “O jogo da imitação”), que fazem o tipo “padronizado para o Oscar”. Uma particularidade digna de celebração da edição de 2015.

Birdman

Cena de “Birdman”: o triunfo da originalidade
(Foto: divulgação)

O destaque a Alejandro González Iñarritu, Bennett Miller, Richard Linklater e Wes Anderson, quatro dos cinco indicados ao prêmio de direção, representa um reconhecimento a uma geração autoral. Se Miller e Iñarritu, com poucos filmes no currículo, sempre rondaram o Oscar, Anderson e Linklater são esnobados históricos que chegaram com força na safra de 2015. Algo semelhante ocorre em outras categorias do Oscar. Julianne Moore, notavelmente, é um dos maiores expoentes não só de sua geração, como do cinema contemporâneo e ainda não tem um Oscar. É a maior baba da noite. Dificilmente o Oscar não será dela em 22 de fevereiro pelo papel de uma vítima de Alzheimer em “Para sempre Alice”. Trata-se de uma daquelas situações que a academia adora. Premiar alguém pelo conjunto da obra com um Oscar competitivo. Uma distorção que, embora compreensível, acarreta muitas críticas. Michael Keaton, outrora favorito na categoria de melhor ator, pode ser enquadrado na mesma categoria. Mas seu caso é um tanto diferente. Afinal, Keaton não detém o prestígio de Moore e o favoritismo hoje é do rival Eddie Redmayne por “A teoria de tudo”.

Leia também: Em lista amalucada, academia colhe esnobados históricos e surpreende 

Mas a grande incógnita neste momento é o tamanho com que “Sniper americano” sairá da noite do Oscar. Com uma bilheteria vultosa, de mais de U$ 300 milhões nos EUA, o filme provocou uma polarização que há muito não se via em torno de uma produção concorrente ao Oscar. A fita que aborda a vida do marine Chris Kyle, considerado o atirador de elite mais letal do exército americano, se viu no epicentro de um furioso debate sobre suas pretensões e responsabilidades ao levar às telas a vida de um homem como Kyle.

Leia também: O que o conflito entre apoiadores de “Selma” e “Sniper americano” diz sobre a Hollywood de hoje? 

Além de ser o maior sucesso entre os indicados do ano, e o maior sucesso de bilheteria desde 2011, quando concorreram ao Oscar de melhor filme os blockbusters “Toy story 3” e “A origem”, “Sniper americano” pode significar para o Oscar a efervescência cultural que muitos alegam estar perdida.  É tentador. Além do mais, a vitória de um filme popular, no sentido de ser sucesso de público, não faria mal à popularidade da academia.

Cena de "Sniper americano": A América em debate (Foto: divulgação)

Cena de “Sniper americano”: A América em debate
(Foto: divulgação)

“Birdman”, no qual a indústria tem a oportunidade de se reconhecer, é um filme mais atraente. “Boyhood”, mais encantador. De todo jeito, a consagração de “Sniper americano”, improvável, seria um contrassenso a esse movimento de abraçar o cinema independente. Ainda que o filme de Clint Eastwood siga a linha da introspecção tão valorizada nos candidatos do ano. “Boyhood” é o independente hardcore, feito com pouco dinheiro e muita garra ao longo de  12 anos. “Birdman” é o filme que melhor captura esse momento que vive a academia. O resultado de domingo, por mais arbitrário e circunstancial que possa parecer, pode ser o mais influente em anos.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015 Análises, Bastidores | 19:49

Quem pode ser o novo Homem-Aranha no cinema?

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A onda de boatos começou. Enquanto Hollywood ainda tenta entender como foi costurado o acordo mais surpreendente e inovador da história da indústria, a internet se remói tentando projetar para onde um dos personagens mais queridos das HQs, e mais rentáveis do cinema, vai agora que sua tutela é dividida entre a Marvel Studios e a Sony Pictures.

São dois caminhos mais óbvios os que podem ser seguidos daqui para frente. Como a primeira aparição deste novo Aranha não deve ser em um filme solo, o mais provável é que um novo filme de origem seja dispensado, o que não implica em abdicar de um Homem-Aranha jovem, perfil que parece ter agradado com Andrew Garfield. Neste recorte, alguns nomes já são aventados por publicações como Variety e sites como Collider e The Daily Beast. Logan Lerman de “As vantagens de ser invisível” e “Percy Jackson” e Dylan o´Brien de “Maze Runner: correr ou morrer” são aventados. A coluna destaca ainda o nome de Freddie Highmore, que aos 22 anos e atualmente estrelando a série Bates Motel como um jovem Norman Bates, é disparado o melhor ator dos três e poderia substituir com desenvoltura Andrew Garfield. Lerman, no entanto, é mais experimentado em blockbusters, como o recente “Corações de ferro” e “Noé” e pode ser uma aposta mais segura por parte dos estúdios.

Freddie Highmore é ótimo ator e seria uma boa aposta (Foto: Getty)

Freddie Highmore é ótimo ator e seria uma boa aposta
(Foto: Getty)

Dylan o´Brien capricha na pose "Andrew Garfield" para descolar a vaga...  (Foto: reprodução/MTV)

Dylan o´Brien capricha na pose “Andrew Garfield” para descolar a vaga…
(Foto: reprodução/MTV)

Outro caminho a ser seguido é apostar em um Homem-Aranha mais experiente o que poderia significar recuperar Tobey Maguire, e talvez Sam Raimi, ou apostar em Jake Gyllenhaal, que quase estrelou o terceiro filme em substituição a um lesionado Maguire. Gyllenhaal traria star power e prestígio ao papel.

A Marvel deve explorar sagas das HQs e, justamente por isso, a uma forte onda de boatos dando conta de que Peter Parker poderia ser substituído, o que abriria espaço para Miles Morales, o Homem-Aranha da linha alternativa da HQ denominada Ultimate. Morales é negro e latino. Seria um movimento ousado, mas talvez não exatamente bem-vindo. Muitos fãs torcem o nariz para a linha Ultimate.

Tobey Maguire e Jake Gyllenhaal em editorial de moda do New York Times: star power ou nostalgia?

Tobey Maguire e Jake Gyllenhaal em editorial de moda do New York Times: star power ou nostalgia?

A Marvel, que para todos os efeitos detém a curadoria deste Homem-Aranha em gestação, ainda não errou na escolha de seus protagonistas, mas as atenções sobre o novo Aranha serão redobradas. Primeiro pelo ineditismo da parceria forjada, mas também pelo fato da Sony já ter reiniciado o personagem e ter sido bastante criticada por isso.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 Análises, Notícias | 15:21

Homem-Aranha na Marvel sela acordo inédito em Hollywood. Mas e agora?

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Foto: montagem sobre divulgação

Foto: montagem sobre divulgação

 

Depois de muita boataria, a confirmação. O Homem-Aranha integrará o universo Marvel no cinema. Trata-se de um acordo sem precedentes na história de Hollywood este que abaliza a migração do herói aracnídeo para o universo cinematográfico da Marvel, que tal como nos quadrinhos, é todo coeso e interligado, outro feito ímpar no cinema.

O acordo que já vinha sendo costurado há alguns meses mantém o controle total do personagem com a Sony Pictures, que adquiriu os direitos em 1999 pela bagatela de U$ 7 milhões. Na prática, com a entrada de Kevin Feige, grande cérebro da Marvel, como grande produtor do novo filme do Aranha, o controle criativo fica com a Marvel, o que é boa notícia para os fãs e para a Sony que parecia perdida com os rumos do personagem. Amy Pascal, que renunciou à presidência do estúdio há poucos dias, será coprodutora junto com Feige. É uma forma de devolver prestigio a executiva que teve sua imagem bem arranhada durante o escândalo dos vazamentos de e-mails e documentos da Sony.

A primeira aparição do aracnídeo em um filme Marvel deve ser em “Capitão América: Guerra civil”. Na série de HQs que inspira o filme, o personagem tem papel central. O primeiro filme solo do herói fruto da parceria entre Sony e Marvel será lançado em 28 de julho de 2017, o que provocará alterações em todo o calendário de lançamentos da Marvel na janela entre 2017 e 2019. Filmes como “Thor: Ragnarok” deixa a data de 28 de julho e será lançado em 3 de novembro de 2017. “Pantera negra” vai para 6 de julho de 2018; “Capitã Marvel” vai para 2 de novembro de 2018; e “Inumanos” tem o lançamento transferido para 12 de julho de 2019. “Os vingadores: guerra do infinito partes 1 e 2 permanecem previstos para maio de 2018 e 2019, respectivamente. O Homem-Aranha deve dar as caras nesses dois filmes também.

Andrew Garfield, que foi a melhor coisa dessa reimaginação do Aranha, não deve voltar. Ele e Marc Webb, o diretor responsável pela nova trilogia que jamais se concretizará, não fizeram parte deste bombástico anúncio, o que indica que não fazem parte dos planos. O que faz sentido. Casa nova, vida nova.

A Marvel não deve investir em um novo filme de origem. Afinal, ninguém aguenta mais um filme de origem do Aranha. Os planos da Sony, que já articulava um quarto filme, sem Webb na direção, uma aventura solo do Venon e uma produção reunindo o sexteto sinistro devem ser definitivamente arquivados. Eram todos reflexos de como o estúdio não tinha a menor ideia de explorar sua principal mina de ouro. A franquia, que resultou em cinco filmes ao longo de 12 anos, é a principal do portfólio do estúdio. São quase U$  4 bilhões arrecadados mundialmente nas bilheterias.

O reboot irregular, frustrante para os fãs e decepcionante para os cofres do estúdio, acabou abrindo caminho para o acordo com a Marvel. Os detalhes deste acordo ainda são desconhecidos, mas é razoável supor que a Sony terá uma porcentagem do faturamento dos filmes da Marvel em que o Aranha aparecer. Já os lucros dos filmes solo do Aranha, a despeito do envolvimento da Marvel, devem  permanecer integralmente com a Sony. Mas aí voltamos à esfera da boataria.  Acordos sobre personagens fluindo de um universo para outro poderiam ser feitos eventualmente para filmes no futuro. O mundo de possibilidades que se abre é vultoso.  E a primeira pergunta é: quem será o novo Homem-Aranha? Façam suas apostas!

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sábado, 31 de janeiro de 2015 Análises, Filmes | 20:00

Briga pelo Oscar toma forma e restam poucas dúvidas

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À medida que a corrida pelo Oscar vai afunilando, as dúvidas vão se dirimindo nas principais categorias. Se nas disputas de atuação elas já eram poucas, no momento se restringem à indagação de quem leva o Oscar de melhor ator: Michael Keaton, por “Birdman”, ou Eddie Redmayne, por “A teoria de tudo”? O primeiro, coleciona mais prêmios na temporada, e conta com o forte hype de ser “o retorno do ano”, algo que sempre pesa junto à Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Keaton vive um ator em busca de redenção e isso pode apelar ao voto sentimental de muitos acadêmicos. Por outro lado, Redmayne faz bem algo que é de grande estima dos votantes: interpreta um personagem real, polêmico e brilhante, com problemas físicos e de saúde. A receita do Oscar, brada o lugar comum. Pelo desempenho como Stephen Hawking, Redmayne ganhou, além do Globo de Ouro de melhor ator dramático, o SAG, maior termômetro para as categorias de atuação no Oscar. Keaton, que venceu o Globo de Ouro de ator cômico, também ganhou o Critic´s Choice de melhor ator. Ambos concorrem ao Bafta, em que Redmayne tem ligeira vantagem por ser britânico e interpretar um britânico. Os ingleses tendem a ser mais “bairristas” do que os americanos no que tange prêmios de cinema.

Michael Keaton em cena de "Birdman": momento mágico e de redenção que costuma vingar no Oscar

Michael Keaton em cena de “Birdman”: momento mágico e de redenção que costuma vingar no Oscar

Eddie Redmayne, a despeito da qualidade de sua atuação, defende uma performance que que costuma resultar em prêmios

Eddie Redmayne, a despeito da qualidade de sua atuação, defende uma performance que costuma resultar em prêmios

A balança pode, porém, se desequilibrar em favor de Keaton pela escalada rumo ao favoritismo absoluto usufruído por “Birdman” na categoria principal nas últimas semanas. O filme amealhou vitórias importantes no sindicato dos produtores e no sindicato dos atores. Somadas, as vitórias embalam uma candidatura que pode se beneficiar de falar da própria indústria do cinema em detrimento do “muito geek” “O grande hotel Budapeste”, do “vanguardista, mas banal” “Boyhood – da infância à juventude” e do “acadêmico” “O jogo da imitação”. Esses rótulos carregados de má vontade falham em alcançar “Birdman”, tragicomédia filmada com considerável inteligência , imaginação e senso de estética.

Leia também: Michael Keaton exorciza Michael Keaton com “Birdman”

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Levantamento feito pelo site Rotten Tomatoes mostra que “Boyhood” ainda ocupa a dianteira na temporada de prêmios. Foram 43 contra 39 outorgados a “Birdman”. O filme de Alejandro González Iñarritu se distingue, no entanto, por ter triunfado em premiações mais significativas e ressonantes.

Há, porém, um elemento que pesa contra toda essa força de “Birdman”. O filme inexplicavelmente se viu fora da disputa pelo Oscar de melhor montagem. No últimos anos, a categoria tem tido mais importância na construção de um vencedor do Oscar de melhor filme do que, por exemplo, a categoria de direção. Em 2013, “Argo” levou os troféus de roteiro adaptado e montagem, além do prêmio principal de melhor filme. Ben Affleck não foi sequer indicado como diretor. Mais: o último filme a vencer o Oscar de melhor filme sem ter indicação para montagem foi  “Gente como a gente”, de Robert Redford, em 1981. Desde que a categoria foi estabelecida, em 1934, apenas nove filmes venceram o Oscar principal sem terem sido nomeados à melhor edição.

"Birdman" é o favorito, mas   retrospecto histórico alerta que a disputa ainda não está definida

“Birdman” é o favorito, mas retrospecto histórico alerta que a disputa ainda não está definida

Mesmo com esse curioso contraponto histórico, “Birdman” tem pompa e pose de candidato campeão. A esta altura do campeonato é o candidato a ser batido. O marketing de “O jogo da imitação” que havia hesitado em levantar a bandeira gay já começa a sublinhar o fato, na expectativa de conseguir fazer o que “O segredo de Brokeback Mountain” não conseguiu.  Mas o biografia de Alan Turing não é um filme sobre um romance homossexual, como o era o filme dirigido por Ang Lee, e, nesse sentido, se aproxima mais de “Capote”, outro recorte biográfico sobre uma personalidade homossexual.  A mudança na campanha do filme é um atestado de que o padrão britânico, suficiente para fixar favoritos em outros anos, não valeu ao filme rivalidade com “Birdman”.

Sutilezas superam academicismo em “O jogo da imitação”

Entre os diretores, a briga parece se concentrar entre Richard Linklater e Alejandro González Inãrritu. Com vantagem para o primeiro. A tendência é que um ganhe em roteiro original e outro em direção. Julianne Moore (“Para sempre Alice”) é certeza mais que absoluta entre as atrizes, assim como apenas um desastre tira o Oscar de J.K Simmons pelo papel do professor tirano de “Whiplash”. Patricia Arquette pode ser o prêmio afetuoso a “Boyhood”, um filme que a temporada sugere ser mais querido pela crítica do que pela indústria.

Nos últimos anos, a academia tem optado pela pulverização de seus prêmios. O último filme a faturar uma penca de Oscars foi “Quem quer ser um milionário?” em 2009. Foram oito troféus. De lá para cá, o número de Oscars do filme vencedor foi diminuindo. “Guerra ao terror” ganhou seis em 2010; “O discurso do rei” faturou quatro em 2011; “O artista” ganhou cinco em 2012; “Argo” ganhou três em 2013; e “12 anos de escravidão” ficou com três em 2014, apesar de “Gravidade” ter ficado com sete Oscars na edição, o grande vencedor é costumeiramente o filme que leva o prêmio principal.

"Boyhood": A importância do filme de Linklater é inegável, mas a Academia não costuma perceber movimentos vanguardistas quando se depara com eles (Fotos: divulgação)

“Boyhood”: A importância do filme de Linklater é inegável, mas a Academia não costuma perceber movimentos vanguardistas quando se depara com eles
(Fotos: divulgação)

Como não houve um filme que apresente o avanço e esmero técnico observado em “Gravidade”, a tendência é de que haja a pulverização dos prêmios. Portanto, mesmo derrotados na disputa principal têm chances de sair esbanjando Oscars por aí.

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015 Análises, Bastidores | 18:15

Qual o impacto da guerra nada fria entre Amazon e Netflix para a produção de cinema?

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Desde o Globo de Ouro concedido à série “Transparent” produzida pela Amazon, a batalha razoavelmente amistosa travada entre esta e a Netflix ganhou contornos de beligerância ostensiva. A Amazon deu os primeiros tiros. Anunciou que Woody Allen escreveria e dirigiria uma série, com 12 episódios de meia hora, para a gigante da web. Mal assimilou o golpe desferido e a Netflix teve que digerir outro soco no estômago quando a empresa presidida por Jeff Bezos anunciou a produção de 12 filmes para serem lançados em 2015 nos cinemas e, após uma janela de 4 semanas, serem disponibilizados para streaming na Amazon.

A Netflix, que já estava envolvida na produção de longas-metragens, se viu na incumbência de reagir. Depois de já ter anunciado um acordo para produzir e lançar quatro filmes estrelados por Adam Sandler e distribuir a sequência de “O tigre e o dragão”, a empresa divulgou que fechou um contrato com os irmãos Jay e Mark Duplass para lançar quatro filmes por sua plataforma de streaming. Os irmãos são diretores, roteiristas e atores de prestígio na cena do cinema independente americano e acabam de lançar uma série na HBO, “Togetherness”.vs

A tacada da Netflix é genial porque acena tanto para o mercado quanto para o público a intenção de investir em uma produção diferenciada e adulta – principalmente depois de decepcionar a crítica com a série “Marco Polo”. Além de se oferecer como uma opção para produtores e distribuidores independentes à espera de alternativas para que seus filmes alcancem um público maior, mais amplo e mais diversificado. A Netflix, vale lembrar, já está presente em mais de 50 países. A Amazon, por seu turno, além dos EUA, só marca presença na Alemanha e na Inglaterra.

Na prática, enquanto os primeiros filmes não forem lançados, pouca coisa muda no cenário da produção cinematográfica. Seria precipitado prever que Netflix e Amazon sejam capazes de desarranjar o cinema como o fizeram com a televisão, mas na teoria, é um xeque-rainha, para forçar uma analogia de xadrezista. Netflix e Amazon vão financiar os filmes que os estúdios estão evitando e, se forem bem sucedidos, vão mudar as regras do jogo.

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A Sony teve um prejuízo estimado em U$ 30 milhões com a “A entrevista”, lançado em cinemas selecionados e disponibilizado para streaming. Isso com todo o interesse suscitado pelo filme com as ameaças provenientes dos hackers norte-coreanos que coagiram o estúdio a abdicar, em um primeiro momento, de comercializar a fita. Pode-se argumentar que o filme não foi pensado, e definitivamente não foi orçado, com vistas a um lançamento online, mas “A entrevista” é a referência que o mercado e a indústria do cinema dispõem para distribuição de filmes inéditos via streaming. O recorde registrado pelo filme na comercialização de streamings se empalidece mediante esse raciocínio, mas não deixa de ser um elemento positivo para um mercado que começa a olhar para a distribuição de conteúdo audiovisual na internet de uma maneira completamente diferente; com mais receptividade e curiosidade.

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