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terça-feira, 17 de maio de 2016 Atrizes, Bastidores | 21:48

Margot Robbie estrela paródia de “Psicopata Americano” e ajuda a publicidade a atingir o status quo do cinema

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Margot Robbie ao lado de Alexander Skarsgard, seu parceiro de cena em 'A Lenda de Tarzan" em editorial da Vogue

Margot Robbie ao lado de Alexander Skarsgard, seu parceiro de cena em ‘A Lenda de Tarzan” em editorial da Vogue

Margot Robbie, que nos próximos meses estreia dois dos blockbusters mais aguardados da temporada (“A Lenda de Tarzan” e “Esquadrão Suicida”), é uma das grandes sensações de Hollywood no momento. Revelada por Martin Scorsese em “O Lobo de Wall Street” (2013), quando personificou as conquistas do ganancioso personagem vivido por Leonardo DiCaprio, a australiana rapidamente se tornou uma referência de beleza. Tanto para homens como para mulheres.

Consiste basicamente neste hype que envolve a loira australiana de 31 anos o acerto do vídeo divulgado pela revista Vogue, que traz Robbie na capa de sua edição norte-americana, com uma paródia do filme “Psicopata Americano”. Intitulado “A Psicopata Australiana”, o vídeo de pouco mais de dois minutos mostra Robbie praticando seus hábitos matinais com um off em que ela explica como se constrói “a ideia de Margo Robbie”. Para quem assistiu ao espetacular filme de  2000 estrelado por Christian Bale e baseado no romance de Bret Easton Ellis, a identificação é imediata.

O filme, banhado em cinismo, articula uma crítica ferrenha aos arranjos sociais e aos status quo da América, algo para o qual inexoravelmente a revista Vogue contribui.

A peça é triunfo de marketing para a revista, uma alegoria esperta sobre nosso interesse umbilical por estrelas de cinema e, ainda, uma metáfora inteligente sobre o estado das coisas no cinema. Afinal, Robbie é a sensação do momento e brinca tanto com sua imagem na Vogue – algo que já fizera maliciosamente no recente filme “A Grande Aposta” – como dá margem a uma crítica à própria indústria que a sustenta. Em duas palavras: simplesmente genial!

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sexta-feira, 13 de maio de 2016 Bastidores, Notícias | 20:41

Filmes franceses ousados marcam primeiros dias do festival de Cannes

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Os primeiros três dias de Cannes se provaram bastante intensos. De Justin Timberlake fazendo show – para divulgar a animação “Trolls” – a piada sobre abuso sexual constrangendo Woody Allen, os primeiros dias na Riviera francesa tiveram de tudo. Até mesmo Julia Roberts confessando “limitações intelectuais” quando questionada se iria enveredar pela direção.

Justin Timberlake e Anna Kendrick fazem show em Cannes (Foto: divulgação)

Justin Timberlake e Anna Kendrick fazem show em Cannes
(Foto: divulgação)

A seguir, o Cineclube reúne alguns dos principais pontos desses primeiros dias de festival.

Bem me quer, mal me quer

Foi a oitava vez de Woody Allen em Cannes e pela oitava vez fora de competição. “Não acredito em competição na arte”, reiterou o cineasta americano de 80 anos na coletiva.  Allen teve de lidar com perguntas duras a respeito das acusações de abuso sexual que uma das filhas de Mia Farrow lhe imputou e que seu filho, Ronan, mantém em destaque na mídia.

Seu filme, “Café Society”, não produziu a mesma paixão de “Meia-Noite em Paris” (2011), o último Allen a debutar em Cannes, mas agradou.

Loach afina discurso esquerdista

O irlandês Ken Loach, que já ganhou a Palma de Ouro com “Ventos da Liberdade” (2006), exibiu “I, Daniel Blake” na competição e arrancou aplausos. O filme mostra as dificuldades de um carpinteiro de 59 anos com problemas cardíacos em acessar o sistema previdenciário. Loach, notório por um cinema ativista e mais à esquerda, causou ótima impressão na riviera francesa.

França ousada

Cena do filme "Rester Vertical" Foto: divulgação

Cena do filme “Rester Vertical”
Foto: divulgação

Os dois primeiros filmes franceses em competição foram exibidos na quinta (12) e sexta (13) e causaram grande burburinho. Em Cannes e entre cinéfilos nas redes sociais. “Rester Vertical”, novo filme de Alain Guiraudie, que assombrou Cannes há três anos com “O Estranho do Lago”, mostra um homem que precisa cuidar de seu filho recém-nascido após ele ser abandonado pela mãe. A produção tem cenas de sexo explícito e outras com potencial de choque. Comparações entusiasmadas com David Lynch pipocaram na crítica internacional.

Já “Ma Loute” é uma comédia de humor negro dirigida por Bruno Dumont e apresenta uma família com um gosto excêntrico: gosta de comer carne burguesa. De gente mesmo. Juliette Binoche é uma das estrelas da produção.

O Brasil que produz

A RT Features, produtora do brasileiro Rodrigo Teixeira com forte penetração internacional, com um catálogo com filmes como “Love”, ‘Mistress America” e “A Bruxa”, acertou a produção dos novos filmes de James Gray (“Ad Astra”) e Abbas Kiarostami (“24 Frames”). Tratam-se de duas figuras queridas de Cannes, sem filmes no festival neste ano e que, abrigados sob o guarda-chuva da RT Features, enobrecem ainda mais a boa fama que a produtora está construindo.

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segunda-feira, 9 de maio de 2016 Bastidores, Filmes, Notícias | 21:34

Juliana Paes inova na promoção de filme e escala atores globais para atrair público

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

O cinema nacional é frequentemente ingrato com alguns de seus filmes mais interessantes. Filmes como “A Despedida”, grande vencedor do Festival de Gramado em 2014 e com lançamento comercial agendado para 9 de junho, costumeiramente ficam restritos às salas de arte e dispõe de pouco tempo em exibição porque não são descobertos pelo público.

A atriz Juliana Paes, no ar atualmente na novela “Totalmente Demais”, sabe disso e age com originalidade e criatividade, ciente do alcance de sua celebridade nesses tempos de redes sociais para evitar que “A Despedida” siga este inglório curso nos cinemas.

Paes gravou um vídeo convidando o público a conferir “A Despedida” em seu fim de semana de estreia. Pelo raciocínio proposto pela atriz, a boa adesão ao filme estimularia os exibidores a mantê-lo em cartaz com variedade de horários. “As salas de cinema avaliam seus filmes pelas estreias. Se as pessoas não ver o filme no primeiro fim de semana, ele sai de cartaz e aí a gente não consegue competir com esses blockbusters como “Homem-Aranha”, observa a atriz.

“Por favor, compartilhem este vídeo com o máximo de pessoas que vocês puderem”, clama Paes que defende que o cinema brasileiro fora do eixo mais comercial das comédias, precisa desse tipo de engajamento. Mas Paes não ficou só no apelo. Sua mobilização incluiu a participação de Rodrigo Lombardi, Marina Ruy Barbosa, Thaila Ayala, Paolla Oliveira, Deborah Secco, o blogueiro Hugo Gloss, Dani Suzuki, Daniela Escobar, entre outros famosos para bombar a campanha #EuVouNaEstreia.

Inspirado em fatos reais e referências autobiográficas, “A Despedida” conta a história de Almirante, interpretado por Nelson Xavier, um homem de 92 anos que decide rever o maior amor de sua vida, sua amante, uma mulher apaixonada por ele e 55 anos mais nova, personagem vivida por Juliana Paes. A produção venceu em Gramado os prêmios de melhor ator, atriz, direção e fotografia.

A direção é de Marcelo Galvão,  do tenro “Colegas”.

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Análises, Bastidores, Notícias | 07:00

Cannes começa nesta semana sua 69ª edição com forte presença latina

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Almodóvar, ao fundo, no set do aguardado drama "Julieta" Foto: divulgação

Almodóvar, ao fundo, no set do aguardado drama “Julieta”
Foto: divulgação

Depois de alguns anos em segundo plano, a latinidade promete ecoar forte na 69ª edição do Festival de Cannes, que acontece entre 11 e 22 de maio, na França. Brasil, Chile, Argentina e Espanha terão presença maciça no principal festival de cinema do mundo nas mostras competitiva e paralelas.
Sem dúvida, o retorno mais esperado é o do espanhol Pedro Almodóvar, com “Julieta”. A última vez do cineasta espanhol em Cannes foi em 2011 com o genial terror “A Pele que Habito”. É o quinto longa-metragem que o cineasta espanhol apresenta em competição no festival francês, onde estreou em 1999 com “Tudo Sobre Minha Mãe”, quando ganhou o prêmio ao melhor diretor.

O Brasil volta a disputar a Palma de Ouro com “Aquarius”, estrelado por Sonia Braga e dirigido por Kleber Mendonça Filho, de “O Som ao Redor”. Trata-se de uma ficção científica com pegada de filme social. A curiosidade pelo filme é imensa.

O ator Javier Bardem é outra atração do ano. Dirigido por Sean Penn e fazendo par com Charlize Theron em “The last face”, um drama sobre trabalhos humanitários na África.

Leia também: Presença do Brasil em Cannes, com “Aquarius”, reflete edição forte e equilibrada

Fora de competição, estará o espanhol Albert Sierra, com o audacioso “A morte de Luis XIV”, um dos monarcas mais icônicos da França.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

E em uma sessão especial será exibido “Hands of Stones”, sobre a vida do lendário boxeador panamenho Roberto “Mão de Pedra” Durán. A exibição do filme faz parte de uma homenagem do festival a Robert De Niro. Mas o protagonista, Edgar Ramírez, e o diretor, Jonathan Jakubowicz, são venezuelanos.

Na Quinzena dos realizadores, dois consagrados cineastas chilenos ganham destaque: Pablo Larraín e Alejandro Jodorowsk.

Larraín levará sua esperada visão de “Neruda”, onde narra um período pouco conhecido da vida do poeta chileno, quando foi perseguido pelo governo de Augusto Pinochet. Luis Gnecco, que já trabalhou com o diretor em “No”, interpreta Neruda, e o mexicano Gael García Bernal, Oscar Peluchoneau– o detetive que realizou a investigação.

Jodorowsky promete surpreender de novo com “Poesia sem fim”, filme que completa “A dança da realidade”, já exibido em Cannes, e protagonizado por Leandro Taub.

Na mesma mostra estreará o curta brasileiro “Abigail”, de Isabel Penoni e Valentina Homem.

A Argentina contará com os jovens Francisco Márquez e Andrea Cabeza na seção Um Certo Olhar, com “A longa noite de Francisco Sanctis”, uma obra dramática ambientada na Argentina do ditador Videla.

Cena do filme "Neruda" Foto: divulgação

Cena do filme “Neruda”
Foto: divulgação

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sábado, 7 de maio de 2016 Bastidores, Filmes, Notícias | 18:58

Brad Pitt e Marion Cotillard filmam drama de guerra “Allied” em Londres

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Os atores Brad Pitt e Marion Cotillard filmam 'Allied" em Londres

Os atores Brad Pitt e Marion Cotillard filmam ‘Allied” em Londres

Já está sendo rodado em Londres e nas Ilhas Canárias “Allied”, uma das principais apostas da Paramount para o Oscar 2017. As filmagens do longa-metragem dirigido por Robert Zemeckis (“O voo” e “Forrest Gump – O Contador de Histórias”) estão a todo vapor.

Escrito por Steven Knight (“Senhores do Crime” e “Coisas Belas e Sujas”) e protagonizado por Brad Pitt e Marion Cotillard, o suspense romântico conta a história do oficial do serviço secreto Max Vatan (Pitt), que encontra, no Norte da África, em 1942, a lutadora da Resistência Francesa Marianne Beausejour (Cotillard) em uma missão mortal por trás das linhas inimigas e por ela se apaixona. Quando se reúnem em Londres, seu relacionamento é ameaçado pelas extremas pressões da guerra.

A rotina do casal se estremece quando Max é notificado por seus seguidores de que Marianne talvez seja uma espiã nazista.

O filme tem previsão de estreia no Brasil para 24 de novembro deste ano.

Pitt nos sets de "Allied" Fotos: Reprodução/Daily Mirror, divulgação

Pitt nos sets de “Allied”
Fotos: divulgação/Daily Mirror

 

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Análises, Atores, Bastidores | 17:33

Após aposentar Homem-Aranha, Andrew Garfield se reinventa como ator em Hollywood

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Foto: reprodução/Eonline

Foto: reprodução/Eonline

Há uma máxima em Hollywood de que há bons atores e há atores com bons agentes. Mas nem tudo é tão preto no branco assim e um caso exemplar disso é o americano Andrew Garfield. Prestes a completar 33 anos, Garfield já tem ares de veterano em Hollywood após aposentar-se do papel de Peter Parker/ Homem-Aranha. O ator deu vida ao personagem no reboot da franquia pela Sony nos filmes “O Espetacular Homem-Aranha” (2012) e “O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro” (2014).

Ator com insuspeitos recursos dramáticos, Garfield debutou roubando a cena de Robert Redford, Meryl Streep e Tom Cruise em “Leões e Cordeiros” (2007), um drama que objetivava problematizar os obscuros anos Bush que mergulharam os EUA em intermináveis guerras no Oriente Médio. “Não me Abandone Jamais” e “A Rede Social”, ambos de 2010, foram filmes que mostraram todo o potencial de Garfield como intérprete. Para além do carisma, ali estava um ator capaz de navegar entre a vulnerabilidade do personagem e a potência dramática do registro. Alguém que podia submergir em uma situação para surgir renovado na cena seguinte. Uma presença de cena, enfim, robusta e fornida que assaltava a atenção da plateia.

Não foi à toa que ele foi a primeira opção da Sony para assumir o papel até então defendido por Tobey Maguire. Mas a saga do Aranha no cinema, apesar de Garfield ter sido o único acerto indiscutível dessa reimaginação, não foi positiva para o ator. Durante o período em que foi o Aranha, o americano se afastou daquele caminho que estava construindo no cinema. Quando a Sony resolveu reiniciar novamente a história do Aranha no cinema, agora com Tom Holland, Garfield se viu libertado de um paradoxo.  Este que o aferia status de astro, mas o afastava de projetos de pedigree.

Leia também: Temos um Homem-Aranha, e agora?

Scorsese e Garfield: curadoria de Scorsese transformou carreira de DiCaprio

Scorsese e Garfield: curadoria de Scorsese transformou carreira de DiCaprio

“Silence”, novo e aguardadíssimo filme de Martin Scorsese, e “Hacksaw Ridge”, nova incursão de Mel Gibson na direção, que chegam no final deste ano nos EUA, já estavam em seu radar quando ele ainda era o Aranha, mas nesta semana o ator acertou detalhes para estrelar dois novos e promissores projetos.

São eles “Breathe”, que marcará a estreia de Andy Serkis na direção, e “Under the Silver Lake”, novo longa de David Robert Mitchell, responsável por um dos grandes filmes de 2015, “Corrente do Mal”.

A colaboração com cineastas prodigiosos, consagrados ou revelações, é imperiosa para que um ator desenvolva mais e mais seus recursos e fundamentos. Mais importante ainda, é eleger projetos que permitam exercitar sua musculatura dramática. Garfield é bom ator, mas Hollywood é capciosa e exige constante convalidação de predicados. O americano, por meio de suas escolhas, parece mais consciente disso do que nunca.

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domingo, 24 de abril de 2016 Bastidores, Filmes, Notícias | 19:47

Mateus Solano vive personagem desconcertado pelo amor em “Talvez uma História de amor”

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Mateus Solano recebe orientações do diretor de "Talvez uma História de Amor", Rodrigo Bernardo (Foto: divulgação)

Mateus Solano recebe orientações do diretor de “Talvez uma História de Amor”, Rodrigo Bernardo
(Foto: divulgação)

Em cartaz como um juiz vaidoso e sedento por Justiça no bom thriller “Em Nome da Lei”, Mateus Solano dá pistas de que o público deve se acostumar com sua presença no cinema. “Talvez uma História de Amor” só estreia em 2017, mas a sinopse promete uma comédia romântica diferente do que nos habituamos a ver no cinema nacional e reforça a impressão de que o ator peneira bem os projetos em que costuma se envolver.

Na adaptação do livro homônimo do francês Martin Page, o ator é  Virgílio, um homem para lá de metódico em relação ao amor. Do tipo que pensa que para não terminar uma relação, é melhor nem mesmo começá-la. O personagem, obsessivo por controle, gosta de ter todas as arestas de sua vida bem aparadas.  Até que um recado deixado por uma mulher em sua secretária eletrônica o desconcerta: Clara está terminando com ele, o relacionamento dos dois acabou. E desliga. No entanto… quem é Clara? Virgílio não se lembra dela, nem de ter se relacionado com ninguém. Os amigos comentam, os colegas de trabalho perguntam, todos de alguma forma sabiam da relação dos dois, menos ele. A partir daí, Virgílio busca encontrar essa mulher misteriosa e talvez, o amor da sua vida.

Além de Mateus, o longa tem um time de peso no elenco: Thaila Ayala, Paulo Vilhena, Bianca Comparato, Totia Meirelles, Nathalia Dill, Juliana Didone, Gero Camilo, Marco Luque e Dani Calabresa.

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sábado, 23 de abril de 2016 Análises, Bastidores, Filmes | 22:27

Cinema americano redescobre a guerra pelo viés do registro jornalístico

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Tina Fey em cena de "Uma Repórter em Apuros", que estreia no dia 5 de maio no Brasil

Tina Fey em cena de “Uma Repórter em Apuros”, que estreia no dia 5 de maio no Brasil

A presença militar americana no exterior inegavelmente diminuiu nos anos Obama. Até certo ponto surpreende o baixo número de filmes sobre conflitos militares na Hollywood atual. Desde o vencedor do Oscar em 2010, “Guerra ao Terror”, nenhum filme do gênero ganhou grande repercussão ou atenção. Sim, Michael Bay falou sério em “13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”, mas aquele filme esbarrava nos limites que qualquer filme assinado por Michael Bay esbarra.

Coprodução entre Suécia e Noruega, “Mil Vezes Boa Noite” (2013) traz Juliette Binoche como uma fotógrafa de guerra que recebe um ultimato do marido: ou ela segue na arriscada profissão ou vive com ele e a filha do casal. O filme perpassa os horrores – e a importância – do fazer jornalístico em uma guerra, mas no fundo é um drama familiar.

Em breve, porém, filmes interessados em discutir a guerra sob a riquíssima perspectiva do jornalismo vão ganhar os cinemas.

Steven Spielberg vai dirigir a cinebiografia de Lynsey Addario, uma das mais reconhecidas e laureadas fotojornalistas do mundo, mantida refém na Líbia em 2011. O filme, adaptado da autobiografia de Addario e prometido para 2017, trará Jennifer Lawrence como protagonista.

Baseado no livro “The Operators”, do jornalista americano Michael Hasting, “War Machine” une Brad Pitt e Netflix em uma produção ambiciosa orçada em mais de US$ 30 milhões que será lançada em outubro na plataforma de streaming e em cinemas selecionados. Trata-se de uma sátira de guerra.

A história se centra no papel do general Stanley McChrystal à frente das tropas americanas no Afeganistão. McChrystal, atualmente afastado das Forças Armadas americanas, se movimentou pelos bastidores do conflito para conseguir objetivos tanto com os políticos de Washington, como com os meios de comunicação, assim como na primeira linha de fogo do conflito no Oriente Médio.

A direção compete a David Michôd, do excelente “Reino Animal”. O Cineclube já abordou este filme aqui.

Tina Fey e Margo Robbie em cena de "Uma Repórter em Apuros"

Tina Fey e Margo Robbie em cena de “Uma Repórter em Apuros”

Ainda no tom satírico, e com estreia prevista para o próximo dia 5 de maio no Brasil, temos “Uma Repórter em Apuros”, baseado na autobiografia da jornalista Kim Barker, “The Taliban Shuffle: Strange Days in Afghanistan and Pakistan”, com relatos de suas experiências cobrindo os dois países.

Dirigido por Glenn Ficarra e John Requa (“O Golpista do ano”), a trama acompanha uma repórter que vê a oportunidade de crescer profissionalmente ao ser enviada para cobrir uma zona de guerra. No meio do caos do Afeganistão e do Paquistão e, por meio da sátira, a produção expõe o choque cultural e os riscos que a região promove a Kim, vivida pela excelente Tina Fey.

São filmes com tons e abordagens diferentes, mas que chegam para precipitar uma nova onda no cinema americano de olhar para as guerras em que os EUA de alguma forma atuaram com mais cinismo e ceticismo.

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sexta-feira, 22 de abril de 2016 Bastidores, Filmes, Notícias | 19:12

Novo filme de Laís Bodanzky, “Como Nossos Pais”, vai iluminar dilemas da mulher contemporânea

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Maria Ribeiro no set do filme  (Foto: divulgação)

Maria Ribeiro no set do filme
(Foto: divulgação)

Com estreia prevista para 2017, “Como Nossos Pais”, marca o retorno da cineasta Laís Bodanzky ao cinema. Seu último longa-metragem foi o excelente “As Melhores Coisas do Mundo” (2010). Como de hábito, ela divide o crédito de roteirista com  o marido Luiz Bolognesi.

“Como Nossos Pais”, traz Maria Ribeiro como Rosa, uma mulher de 38 anos que se vê dividida entre os cuidados com as filhas, os afazeres domésticos, o convívio com o marido, e a falta de tempo para si mesma. À procura de sua realização profissional e respostas aos paradigmas observados em sua rotina, Rosa ainda enfrenta uma conflituosa relação com sua mãe, Clarice, interpretada por Clarisse Abujamra. Em meio ao turbilhão de responsabilidades, Rosa começa a questionar seus relacionamentos e sua rotina, e se vê desestabilizada por uma inesperada revelação, que irá despertar nela uma necessidade de mudança. No fundo dessa história que retrata a mulher contemporânea brasileira, questões familiares e paradigmas sociais são colocados à prova.

“Maria dá vida a uma personagem que representa milhares de mulheres que lidam diariamente com rotinas exaustivas e acreditam que estão sozinhas nessa briga. A gente partiu desse mote familiar, mãe e filha, que tem uma relação conflituosa, para construir o filme como uma história de descobertas, reencontros e mudança”, explica a cineasta.

As filmagens se dividiram entre São Paulo, Ilhabela, no litoral paulista e Brasília. Além das duas protagonistas, o elenco tem bons nomes como Paulo Vilhena, Herson Capri e Jorge Mautner.

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terça-feira, 22 de dezembro de 2015 Bastidores, Notícias | 13:52

Inspirado em filme francês, “Red” provoca expectador com metalinguagem amorosa

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Quem assiste a primeira cena de “Red”, uma ótima série nacional disponibilizada gratuitamente na internet, pode ter um déjà vu. Aquele diálogo parece de um filme francês. O pensamento não está totalmente deslocado. Em entrevista à coluna, as criadoras da série que já teve duas temporadas, confessaram que “Nathalie X” (2003) foi uma referência forte para o programa.

Em “Nathalie x”, Fanny Ardant faz uma mulher que contrata uma prostituta para seduzir seu marido e relatar tudo para ela. A prostituta em questão é vivida por Emmanuelle Béart. Essa situação tão fetichista quanto frágil acaba aproximando as duas. “Red” imagina o seguinte: e se essas atrizes que estão dando vida a essas personagens tão intensas começassem a sentir algo uma pela outra?

Mel (Luciana Bollina) e Liz (Ana Paula Lima) são personagens complexas e apaixonantes. Cada qual a sua maneira. Reflexo de um texto preocupado com a verdade das personagens e não em firulas narrativas. Vivian Schiller e Germana Bello, responsáveis pela série juntamente com o diretor Fernando Belo, concederam à coluna uma entrevista em que falam um pouco do processo criativo e das referências da série.

Foto: reprodução/Twitter

Foto: reprodução/Twitter

Como surgiu a ideia da série? Como vocês tiraram do papel o projeto? Vocês tentaram vender o projeto para algum canal ou sempre pensaram na internet?

Vivian: Basicamente, a ideia surgiu de uma vontade de criar uma história que gostaríamos de ver. O Fernando apostou conosco nesse projeto e assim decidimos abraçá-lo. A ideia inicial era justamente a internet – um meio viral e abrangente por essência.

Germana: A primeira temporada foi feita na vontade mesmo, com praticamente nenhum investimento. A câmera emprestada de uma das atrizes, iluminação improvisada, etc. Todos os envolvidos trabalhando por gostarem da proposta. Desde o início a intenção era criar um conteúdo para a web, um conteúdo nacional mas de alcance global. Até então, não tentamos pitching (vender a ideia para investidores) do projeto.

A qualidade dos diálogos me impressiona. Principalmente pela natureza dos episódios que são curtos. Como funciona o brainstorm de vocês?

Vivian: É muito interessante, porque tanto eu quanto a Germana entendemos que a história precisa seguir o que entendemos ser o melhor e o mais natural para as personagens, mas, ao mesmo tempo, precisamos ter uma criatividade e um poder de síntese enormes. Frequentemente, eu procuro deixar as personagens me guiarem. Costumo deixar que elas contem a história.

Germana: O tempo, de fato, é uma limitação, e levamos essa limitação em conta ao pensarmos tanto o arco da temporada quanto o plot de cada episódio. Trocamos idéias e definimos trama e conflitos até chegarmos a uma sinopse de cada episódio. A criação do roteiro, propriamente dito, e diálogos, principalmente, acabam sendo meio que dirigidos também pelo desenvolvimento dos personagens.

Liz e Mel: dúvidas que não estão relacionadas a sexualidade

Liz e Mel: dúvidas que não estão relacionadas a sexualidade

A bifurcação de sedução e simulação é uma das boas propostas do programa. Afinal, a sedução pressupõe algum tipo de fingimento. Como que foi essa construção na primeira temporada? Da Mel e da Liz levarem uma situação fictícia para a realidade?

Germana: Acredito que a sedução e a simulação acabaram sendo usadas para falar de uma verdade, pois o que esteve sempre em questão foi a verdade de um sentimento, seja entre Mel e Liz ou Scarlet e Simone. Além disso, essa ficção dentro da ficção foi usada também como recurso para falar sobre as próprias personagens, uma vez que Scarlet e Simone, em alguma medida, espelham traços e desejos das protagonistas, Mel e Liz. Na primeira temporada, existe quase que uma inversão de papéis entre as personagens da ficção e da “vida real”.

Vivian: O curioso, na nossa história, é que até na ficção houve a implicação de um sentimento verdadeiro, por atrás da sedução. Pensamos como seria interessante brincar com o imaginário do espectador trazendo realidades paralelas e, ocasionalmente, complementares.

  Assista ao primeiro episódio (“Meia Verdade”) de “Red”

EP1 – Meia Verdade from RED Webseries – Brasil on Vimeo.

Em que sentido, “The L World” é uma referência para a série?

Vivian: Na dinâmica dos diálogos, basicamente. E também nas trocas de olhares. Por vezes, silenciosas. Por vezes, gritantes.

Como foi construir as personagens principais? Quais foram as suas referências?

Germana:  O filme francês “Nathalie” foi o que tivemos como referência principal na criação de Scarlet e Simone. Mel e Liz não tiveram referência direta, acho que surgiram naturalmente conforme conversávamos sobre as personagens.

Existe a preocupação de ser pedagógico em algum nível com a descoberta e aceitação da homossexualidade?

Germana: Diria que não. Nossa preocupação sempre esteve em abordar o assunto de maneira natural, mostrar o amor entre duas mulheres de maneira natural, como deve ser. Aliás, todas as personagens são bem resolvidas com sua sexualidade e nunca tivemos a intenção de ter na descoberta e aceitação da homossexualidade um de seus conflitos. Inicialmente, pode-se ter essa impressão pelo fato da Mel ser casada com um homem, mas já na primeira temporada, ficamos sabendo que ela já se relacionou com mulheres. Desde o início, a Mel foi concebida como uma personagem bissexual. Seu conflito não passa pela sexualidade e sim pelas escolhas de vida que se apresentam a ela. Sua indecisão não é entre um homem e uma mulher, e sim entre alguém que lhe dá segurança e com quem ela tem uma vida planejada e outra pessoa que ela pouco conhece, aparentemente instável e com uma história complicada de vida, mas por quem ela se vê apaixonada.

Vivian: Talvez, de certo modo, a naturalidade com a qual apresentamos a questão da homossexualidade tenha um pouco de pedagogia. Vai saber.

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