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terça-feira, 2 de agosto de 2016 Críticas, Filmes | 16:47

“Esquadrão Suicida” é filme sem medo de ser pop

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Foto: divulgação

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E se o próximo Superman arrancar o telhado da Casa Branca e sequestrar o presidente dos EUA? Essa premissa, discutida em uma reunião com as principais autoridades da defesa dos EUA no primeiro ato de “Esquadrão Suicida”, é a base fundadora do filme de David Ayer que chega nesta quinta-feira (4) aos cinemas brasileiros e que o Cineclube já assistiu.

Amanda Waller, interpretada com fúria silenciosa por Viola Davis, propõe o seguinte ao governo dos EUA: pegar a escória entre a escória e colocá-los para ser uma linha de defesa dos EUA em face da crescente ameaça dos meta-humanos.

Leia também: Foi difícil retratar a sociopatia de minha personagem, diz Viola Davis sobre “Esquadrão Suicida”

Apesar da resistência inicial, a ideia é encampada e o “Esquadrão Suicida”, composto por Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), El Diablo (Jay Hernadez), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Magia (Cara Delevingne) e Amarra (Adam Beach), ganha forma com os reforços do coronel Rick Flag (Joel Kinnaman) e Katana (Karen Fukuhara).

Depois de um primeiro ato desenhado para apresentar os personagens, “Esquadrão Suicida” apresenta uma escalada de ação, regada a piadinhas no melhor estilo “casa das ideias”. Há uma versão do diretor submergida em uma produção destinada para as massas. “Esquadrão Suicida” é um filme que mete o pé na porta querendo muito ser pop e o é com muita música, fan service (toda a participação do Coringa, extremamente dispensável, nada mais é do que um fan service sofisticado) e essa ideia boa demais que não é explorada a contento. Esses seres, de certa forma, especiais, mas profundamente marginalizados em “um mundo de monstros e homens que voam”, como tão bem define Amanda Waller em um dado momento.

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A dicotomia entre bem e mal, desses personagens que se identificam como vilões, mas são compelidos a atuar, ainda que de forma violenta, para os bonzinhos, existe somente pelo hype. Algo que pode ser percebido na caracterização do Pistoleiro de Will Smith. Esse cara mau com o ponto fraco que é a filha dele ganha a mesma coloração de outros heróis vividos pelo ator como James West (“As Loucas Aventuras de James West”), agente Jay (“MIB – Homens de Preto”) e o capitão Steven Heller (“Independence Day”).  Não há uma reflexão legítima sobre as circunstâncias que esses personagens se encontram.  Talvez seja o El Diablo, o único da trupe com superpoderes de fato e que aos poucos renuncia a uma autoimposta abstinência deles, que com seu arco enseje algum tipo de luz nesse sentido.

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terça-feira, 26 de julho de 2016 Críticas, Filmes | 17:13

Filme para fãs, “Jason Bourne” abraça discussão sobre liberdade e vigilância na internet

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Damon e Vikander em cena do filme (Foto: divulgação)

Damon e Vikander em cena do filme
(Foto: divulgação)

Há de ponderar sobre a necessidade de dar sequência à franquia Bourne no cinema, mas Hollywood sendo Hollywood destitui esse exercício de qualquer sentido. Os filmes protagonizados por Matt Damon, em especial os dois primeiros, recodificaram o cinema de ação, trazendo-o para o século XXI.

“O Legado Bourne” (2012) foi uma tentativa relativamente bem-sucedida de expandir esse universo. “Jason Bourne” (2016) sela o retorno de Damon e do cineasta Paul Greengrass à franquia e desconsidera quase que por completo o filme estrelado por Jeremy Renner.

Para todos os efeitos, “Jason Bourne” é um capricho para os fãs, que passaram cerca de oito anos clamando pelo retorno de Damon à série. Está tudo lá. O jeitão frio e cerebral de Bourne, o chefão da CIA implacável (Tommy Lee Jones), o assassino de poucas palavras no encalço do herói (Vincent Cassel), as lutas cruas mano a mano, a perseguição de carro no clímax, a câmara agitada e a montagem nervosa. Paul Greengrass está em território conhecido e “Jason Bourne” é um grande aceno aos fãs da trilogia original.

Fosse só isso, já estaria muito bom. Mas o filme vai além. Alicia Vikander, na pele da chefe da divisão de crimes cibernéticos da CIA, cria uma personagem já marcante na série. Com agenda própria, ela é a grande protagonista do filme, apesar da saudade que o público tem de Bourne.

Não obstante, “Jason Bourne” busca sua contemporaneidade ao frisar uma das grandes questões do mundo moderno em que a criptografia polariza um debate entre governos e grandes empresas.  Ao encampar um debate de um mundo pós-Snowden, “Jason Bourne” traz mais uma vez à superfície o que a série tem de melhor: ser um thriller de seu tempo.

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sexta-feira, 22 de julho de 2016 Críticas, Filmes | 17:29

Comédia inspirada, “Florence: Quem é Essa Mulher?” une sátira e coração

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Stephen Frears é um cineasta especialmente interessado por personagens fora do lugar comum. Da rainha Elizabeth a Lance Armstrong, sua filmografia compreende obras que são verdadeiros estudos de personagens. Nesse contexto, “Florence: Quem é Essa Mulher?” é uma agradável surpresa.

Estrelado por Meryl Streep, o filme não é tão ambicioso quanto “A Rainha” (2006), ou excêntrico como “Sra. Henderson Apresenta” (2005), mas revestido de certo histrionismo busca revelar uma figura curiosa e surpreendentemente complexa.

Florence Foster Jenkins (Streep) é uma rica excêntrica que alimenta grande entusiasmo pela música. Durante a segunda grande guerra, virou uma espécie de patrocinadora e promotora da música em Nova York. Florence, no entanto, mantinha o desejo de ser uma cantora de ópera e se valeu de sua comodidade financeira para perseguir esse sonho.

O que torna a história peculiar é que Florence canta muito mal. Mas o que afere graciosidade e relevo dramático a “Florence: Quem é Essa Mulher?” são as minúcias do registro. Frears flagra uma Florence frágil, vulnerável e ingênua. Ela tem uma relação totalmente fora das convenções com St.Clair Bayfield (Hugh Grant), com quem é casada, e sofre os efeitos nefastos da sífilis desde os 18 anos. Florence é uma espécie de pária. Apesar de abastada e constante na alta sociedade nova-iorquina, ela só é lembrada por alguém que precisa de recursos e proventos. St.Clair, que mantém uma amante (Rebecca Ferguson) com o consentimento de Florence, é quem tenta proteger Florence dos abutres da alta sociedade. É ele, também, quem se esforça para que Florence emplaque uma carreira de cantora a despeito de sua total falta de talento.

A generosidade com que o filme trata seus personagens é realmente notável e o trabalho de Meryl Streep e Hugh Grant, especialmente deste último, ganham ainda mais importância nesse sentido.

Grant defende um personagem afetado e que tem tudo para despertar certa antipatia do público, mas o ator consegue grifar os bons predicados de St.Clair ressaltando que sua relação de lealdade com Florence é diferente, e muito mais rica, do que superficialmente somos capazes de acreditar.

“Florence: Quem é Essa Mulher?”, além de iluminar essa personagem tão incomum, tem o mérito de ser um pequeno culto à arte como celebração da vida e uma sátira inspirada à excentricidade de certas figuras da alta sociedade. Um Stephen Frears menor, mas não menos inspirado.

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quinta-feira, 21 de julho de 2016 Críticas, Filmes | 19:09

Ryan Gosling e Russell Crowe mostram que são bons de comédia em “Dois Caras Legais”

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Ryan Gosling e Russell Crowe fazem dois detetives desastrados que tentam desbaratar um intrincado caso que envolve corrupção na indústria automobilística, pornografia, uma série de assassinatos e a ameaça à vida de uma adolescente (Margaret Qualley). “Dois Caras Legais” pertence àquela safra de comédias de ação que Hollywood tão bem produziu nos idos dos anos 80 e 90, cujo maior expoente é a série “Máquina Mortífera”.

Não é mera coincidência que o homem por trás de “Dois Caras Legais” seja o mesmo Shane Black que roteirizou toda a franquia. Cinismo e humor negro ditam a trama que apresenta um caso menos complexo do que aparenta, mas a maneira que ele vai sendo construído – com base nas deduções e descobertas do par de detetives acidentais – é que garante o encadeamento da ação.

Gosling dá vida a Holland March, viúvo e pai de uma menininha (Angourie Rice) que parece levar mais jeito para detetive do que ele. March tirou sua licença de detetive porque entendia que era um trabalho mais fácil do que muitos outros. Ou seja, é um cara que não apresenta lá muita obstinação. Crowe é Jackson Healy, um brucutu que se disponibiliza tanto para agiotagem como para “dar recados com seus punhos”.

Essa adolescente que parece despertar o interesse de gente barra pesada obriga a colaboração cheia de estranhamentos entre esses dois tipos.

“Dois Caras Legais”, tal qual “Beijos e Tiros” (2005), estreia de Black na direção, combina Los Angeles, crimes, uma pitada de cinema e muita comédia de erros. É um entretenimento redondo que se beneficia do excelente timing cômico de Gosling e Crowe. Para o tipo de cinema que Black vem praticando como roteirista e diretor, excetuando-se o terceiro “Homem de Ferro”, a afinidade dos protagonistas é parte essencial do sucesso da trama.

A inteligência do roteiro reside justamente em fornecer diálogos cortantes e espertos, bem como situações esdrúxulas o suficiente para que os atores brilhem e cativem o público.

Com um colorido vibrante e um desenvolvimento narrativo que sabe se fazer surpreendente, sem perder de vista o humor como elemento central, “Dois Caras Legais” é aquele tipo de filme que se assiste com um sorriso no rosto. É entretenimento com “e” maiúsculo.

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quarta-feira, 6 de julho de 2016 Críticas, Filmes | 18:46

“Janis: Little Girl Blue” revela conflituosa Janis Joplin por trás do ícone do rock

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Estreia nesta quinta-feira (9) nos cinemas paulistanos, o documentário “Janis: Little Girl Blue”. Com distribuição da Zeta Filmes, a produção chega Janischancelada por diversos festivais de cinema mundo afora como Veneza, Toronto e Londres. Além, é claro, do Festival do Rio, onde o filme foi uma das atrações em 2015.

A produção consumiu sete anos de Amy J. Berg, diretora e roteirista da produção. O filme aprofunda-se na breve carreira e na intimidade de Janis Joplin, por meio de imagens de arquivo – algumas das quais inéditas –, correspondências pessoais de Janis e entrevistas com ela e seus contemporâneos. Sua única passagem pelo Brasil também é mencionada no filme, que é acima de tudo repleto de trechos de performances ao vivo de suas canções mais icônicas, tanto em sua fase com a Big Brother & The Holding Company como de sua carreira solo.

“Janis: Little Girl Blue”, que empresta de uma das mais tristes canções de Janis seu título, evita conjecturas sobre o destino trágico da cantora, morta aos 27 anos vítima de uma overdose de heroína, mas expõe diversas interpretações a respeito do que poderia ter acontecido. Dessa forma, permite ao público construir sua própria narrativa – romântica ou cética – do que aconteceu com a primeira mulher a acontecer no rock.

Mas o crepúsculo de Janis Joplin, ainda que cinematograficamente cativante, não é o destaque do filme. Ele se ocupa de desnudar o ícone e revelar a mulher, cheia de inseguranças e dotada de um otimismo contrastante com seu mergulho cada vez mais definitivo no mundo das drogas.

“Janis: Little Girl Blue” é daqueles filmes que falam mais ao coração dos fãs, mas que tem muito a dizer a quem entrar no cinema por mero acaso.

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segunda-feira, 4 de julho de 2016 Críticas, Filmes | 20:16

Transformações da China e suas reminiscências permeiam o solar “As Montanhas se Separam”

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O cinema de Zhang-Ke Jia é tradicionalmente constituído por elipses, sutilezas e abstrações que costumam embalar uma produção visualmente robusta e narrativamente cheia de camadas. Com “As Montanhas se Separam” (China, 2015) não é diferente.

Depois de fazer uma crítica ferrenha à sociedade e cultura chinesa, bifurcada entre os sistemas capitalista e comunista, em “Um Toque de Pecado”, Jia volta a tratar do choque entre a China moderna e a China tradicional, mas a partir de um prisma completamente novo, oxigenado e criativo.

O filme se passa em três momentos. Em 1999, 2014 e 2025 (neste segmento, ambientado na Austrália, o filme passa a ser falado majoritariamente em inglês, feito até então inédito na carreira do cineasta).

Sua mulher e atriz-fetiche, Zhao Tao, interpreta Tao, a mulher dividida na juventude entre dois amores: Jinsheng (Zhang Yi) e Lianzi (Jing Dong Liang). O primeiro, empreendedor e entusiasta da cultura ocidental, surge como um grande empresário. O segundo, um modesto empregado numa mina de carvão, de quem Tao parece apreciar mais a companhia.

Esse primeiro ato é todo construído de maneira arquetípica e, não à toa, Tao é uma metáfora pronta da China dividida entre seus valores tradicionais e o capitalismo selvagem.  Quando Jinsheng compra a mina de carvão em que Lianzi trabalha, a batalha pelo “controle” do coração de Tao se acirra e ela é forçada a fazer uma escolha.

Há belas cenas que individualmente acrescem vigor narrativo ao todo, como quando Lianzi vislumbra um felino enjaulado.  No terceiro ato, focado em Dollar (Dong Zijang), filho de Tao e Jinsheng,  e passado na Austrália, percebemos no foro íntimo do personagem o seu flagelo e consternação e, novamente, flagramos uma China em crise de identidade. O personagem sequer se lembra de como falar chinês.

Dollar busca desesperadamente se reconectar com seu passado (e o passado de seu país) e sua mãe. No futuro imaginado por Jia, há aulas para se conhecer mais sobre a cultura chinesa e o estranhamento das circunstâncias dos personagens, todos desconfortáveis com o estado das coisas e com suas atuações para tal, salta aos olhos do espectador com poesia incontida. “Acho que precisamos sofrer para saber que amamos”, diz uma personagem em determinado momento. A frase, e o contexto em que ela é proferida, deixam claro que apesar da atenção à crítica político-social, e de sua eloquência, “As Montanhas se Separam” jamais perde de vista o componente humano. São características que, combinadas, elevam o novo filme de Zhang-Ke Jia ao patamar de obra de arte.

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quinta-feira, 23 de junho de 2016 Críticas, Filmes | 16:57

Honesto e apaixonante, “Como Eu Era Antes de Você” é elogio do amor possível e de suas possibilidades

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O amor como janela para a vida: personagens verdadeiros e contraditórios (Fotos: Divulgação)

O amor como janela para a vida: personagens verdadeiros e contraditórios
(Fotos: Divulgação)

É uma verdade um tanto dolorosa essa de que uma relação amorosa está inexoravelmente fadada ao fim, mas que ela contribuirá decisivamente para o ser humano que você se tornar depois dela. “Como Eu Era Antes de Você” (EUA 2016), já em seu título, entrega seu deslocamento em relação a um típico romance hollywoodiano. Adaptado do best-seller homônimo de Jojo Moyers pela própria autora e dirigido com sensibilidade por Thea Sharrock, o filme tem o mérito incomum de desenvolver um romance a partir do interesse que nutre pela verdade de seus personagens. A atenção a essa logística narrativa faz toda a diferença. E o vínculo romântico entre Lou (Emilia Clarke, mais radiante e cativante do que nunca) e Will (Sam Clafin) jamais surge como o destino da narrativa, e sim como sua jornada.

Ela, uma moça simplória do subúrbio inglês, dona de um senso fashion exótico, ingênua e genuinamente bem intencionada, por força das circunstâncias, acaba indo trabalhar como cuidadora dele. Um jovem promissor do mercado financeiro que teve sua vida transformada abrupta e definitivamente por um acidente que o deixou tetraplégico. Will é compreensivelmente amargo. Ele apenas “existe”, em suas próprias palavras. O filme salpica minúcias aqui e ali que tornam a inicialmente difícil convivência entre Will e Lou muito mais convidativa para o olhar do espectador.

“Amei ver o romance se desenvolver”, diz diretora sobre o que a atraiu em “Como Eu Era Antes de Você”

Ele, por exemplo, fez um arranjo com seus pais de ficar mais seis meses com eles e, depois disso, tirar sua vida na Suíça (país em que a eutanásia é legalizada). A chegada de Lou, espera a mãe de Will – vivida com a habitual energia por Janet McTeer – pode fazer com que ele mude de ideia.

ME BEFORE YOU“Como Eu Era Antes de Você”, naturalmente, convida às lágrimas. Mas não há subterfúgios narrativos para tal. O filme é de uma honestidade tremenda; até mesmo em flagrar os preconceitos, contradições e defeitos de seus personagens. Há muito romantismo no desfecho, plenamente concebível e, justamente por isso, mais poderoso ainda.

Clafin é uma grata surpresa na pele de Will. O verniz que dá à amargura do personagem não se impõe ao brilho dos olhos que brilham mais intensos conforme seu personagem se deixa contagiar pela graciosidade de Lou. Clarke, por seu turno, é uma atriz exuberante e que reveste sua Lou de pequenas belezas que a tornam irresistível também aos olhos do público.

“Como Eu Era Antes de Você” é um dos melhores filmes de 2016 porque é um romance que funde tristeza à felicidade sem idealizar o amor, mas elogia-o no limite do possível e, ao fazê-lo, se firma como um alicerce romântico dos mais perenes, cativantes e significativos. É um filme para se amar para sempre.

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sábado, 18 de junho de 2016 Críticas, Filmes | 18:41

“Casamento de Verdade” foca em romance lésbico para falar de amor com ternura e honestidade

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Katherine Heigl e Linda Emond em cena do filme: sintonia entre as atrizes é um dos trunfos do filme

Katherine Heigl e Linda Emond em cena do filme: sintonia entre as atrizes é um dos trunfos do filme

Acostumada a conceber personagens femininas fortes nos filmes em que atuou como roteirista, como nos casos de “Deixe-me viver” (2002) e “O Custo da Coragem” (2003), Mary Agnes Donoghue apresenta sua personagem mais bem lapidada em “Casamento de Verdade”, filme que marca seu retorno à direção após um hiato de 24 anos.

Jenny (Katherine Heigl), que vive uma relação amorosa com Kitty (Alexis Bledel) há cinco anos, resolve revelar a seus pais que é lésbica para poder se casar com Kitty. A revelação desestabiliza o convívio familiar; em especial a relação de Jenny com sua mãe, vivida com energia e devoção por Linda Emond, e com seu pai, interpretado com a presteza habitual por Tom Wilkinson.

O grande trunfo do filme é balizar esse estremecimento nas relações entre Jenny e seus pais para fazer tanto um elogio do amor, no âmbito familiar, mas também romântico, como para elaborar uma dramédia envolvente com conflitos genuínos e bem azeitados.

Jenny é a heroína do filme e não está imune a falhas. Essa honestidade intelectual da narrativa coloca “Casamento de Verdade” em um patamar diferenciado tanto na análise de produções que abordam temas LGBT como na esfera das comédias românticas.

A honestidade do filme alcança, ainda, as peculiaridades de outros personagens. É natural o desconforto da mãe de Jenny ao saber de uma só vez que sua filha é lésbica, que deliberadamente escondeu isso dela a vida toda e que ela está na iminência de se casar com alguém que frequentava a rotina familiar como amiga de Jenny. Emond tangencia o conflito interno da personagem, dividida pelo fato de desassistir sua filha em um momento crucial de sua vida e o egoísmo indesviável de todo humano de voltar-se para si em momentos de crise, com muita garra e assertividade. Mas o roteiro de Donoghue tem outros acertos e sutilezas. Por meio da relação entre Jenny e seus irmãos, o equilibrado Michael (Matthew Metzger) e a competitiva Anne (Grace Gummer), o filme dá seu insight sobre como ser feliz consigo mesmo. Especial atenção merece a metáfora com a grama, que surge lá pela metade do filme. Aparentemente trivial, a resolução dessa metáfora, diretamente relacionada ao bem estar emocional de uma personagem, eleva o valor de “Casamento de Verdade” como cinema. Há clichês aqui e ali e eles são muito bem-vindos, mas há uma habilidade ímpar na manipulação deles e é justamente isso que faz o filme ser tão recomendável.

 

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segunda-feira, 13 de junho de 2016 Críticas, Filmes | 18:17

“O Valor de um Homem” funde poesia e política ao fazer da sutileza sua matéria-prima

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A primeira cena de “O Valor de um Homem” revela seu protagonista, Thierry discutindo com um funcionário de uma agência de empregos que orienta mal desempregados em busca de recolocação sugerindo estágios e cursos de reciclagem que são pouco efetivos em garantir uma recolocação. A cena, áspera e melancólica, antecipa o tom que Stéphane Brizé irá empregar ao longo da narrativa.

Denominado “A Lei do mercado” (La loi Du marche) no original em francês, o filme se debruça com uma propriedade invejável, e ainda assim com retidão impressionante, sobre as imperfeições do capitalismo. Brizé não se apressa em aferir contornos críticos ao sistema. Ele tangencia um filme político, sem politizar ou partidarizar o conflito de Thierry que, na fase madura da vida, se encontra desempregado e investido em uma busca desamparada e francamente inquietante por um novo trabalho.

Brizé cola a câmara em Vincent Lindon e faz com que o público compartilhe da agonia do personagem. Seja em uma desajeitada entrevista via skype, seja durante a negociação para a venda de um trailer ou mesmo quando discorda do grupo de colegas que, como ele, fora demitido de maneira injusta. Os vestígios do capitalismo, em sua imperfeição constante, estão por toda a parte em “O Valor de um Homem”. Filme construído todo ele em um punhado de grandes cenas, de sobejados valores poético e estético. Não há trilha sonora e apenas a face cada vez mais oprimida de Lindon impera. O ator, parceiro habitual de Brizé, nunca esteve melhor. O minimalismo de sua caracterização é triunfante.  Por meio de gestos, expressões e olhares, Lindon vai descortinando o personagem com a agudeza que apenas grandes intérpretes são capazes de fazer. Nesse escopo, é tanto autor do filme como Brizé que, além da direção, assina o roteiro em parceria com Olivier Gorce.

É o mal-estar incontido de Thierry transfigurado depois que arranja um emprego como segurança em um supermercado que afere altivez à produção. O homem humilhado e constipado pelas amarras do sistema agora serve como olhos desse sistema implacável. A sutileza com que Brisé e Lindon trabalham esse choque entre a letargia laboral do ofício de Thierry e sua resistência interior crescente ao mecanismo em que se vê engendrado é das coisas mais magníficas a se testemunhar no cinema em anos. Não se postula a catarse ou mesmo uma crítica feroz como em filmes não menos encantadores como “O  Lobo de Wall Street”, de Martin Scorsese, e “O Capital”, de Costa-Gravas, mas apenas introspecção nas contradições interiorizadas no indivíduos a partir de suas relações com um sistema político-econômico. Um filme austero em suas elucubrações e poético em suas conclusões. Um filme imperdível para quem gosta de repercutir o homem e o meio, principalmente no contexto da arte.

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quarta-feira, 8 de junho de 2016 Críticas, Filmes | 10:15

Sequência de “Truque de Mestre” repete fórmulas e usa reviravoltas para ganhar o público

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Uma das maiores surpresas de 2013 nos cinemas, “Truque de Mestre” era uma produção charmosa que estreitava a relação entre cinema e ilusionismo ao acompanhar quatro mágicos que faziam grandes números de ilusionismo com a proposta de desmascarar um empresário corrupto. Irregular, o filme flertava com a condescendência do público.  A boa bilheteria garantiu a sequência que chega agora aos cinemas. Sem Louis Leterrier na direção, assume John M. Chu com a consultoria do ilusionista David Copperfield, também creditado como coprodutor.

Copperfield, que já havia prestado consultoria para “O Grande Truque”, de Christopher Nolan, e “A Invenção de Hugo Cabret”, de Martin Scorsese, chega com a responsabilidade de dinamizar e tornar mais verossímeis os números mágicos apresentados no longa-metragem. Não é, porém, o que acontece. “Truque de Mestre: O Segundo Ato” se incumbe de surpreender o público que curtiu o primeiro filme, mas repete passo a passo as fórmulas aplicadas no original. Cai, portanto, em contradição.

Assim como no primeiro filme, a escalada de surpresas no clímax afasta qualquer comprometimento com a lógica em nome do choque da verdade que sempre esteve em frente aos olhos, dos personagens e da audiência, e ninguém foi capaz de perceber. Trata-se de um recurso irritante para aqueles que apreciam um bom desenvolvimento narrativo. Para quem busca apenas surpreender-se na sala escura, “Truque de Mestre: O Segundo Ato”, talvez se prove até mesmo mais eficiente do que o original.

A ideia é levar tudo ao limite. Woody Harrelson, sob muitos aspectos o melhor do primeiro filme, surge aqui duplicado. Seu irmão gêmeo está a serviço do bilionário inglês que quer que a trupe comandada por Dylan (Mark Ruffalo) roube um cartão que lhe dará acesso a todo e qualquer computador no planeta. O cartão está em Macau, na China, e o bilionário em questão é interpretado por Daniel Radcliffe, o Harry Potter em pessoa, aqui mais zeloso da ciência do que da mágica, mas afeito a truques. Radcliffe é subaproveitado pelo filme, que se beneficia mais de seu nome no cartaz do que de seu bom timing cômico em cena.

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Como Isla Fisher não retornou para a sequência, Lizzy Caplan surge como a principal personagem feminina e ela aproveita bem a chance. De todo o elenco, que ainda conta com o retorno de Morgan Freeman, é a única que parece não estar no piloto automático.

“Truque de Mestre: O Segundo Ato” é um caso típico de como Hollywood não sabe lidar com seus sucessos. Um filme imperfeito, mas charmoso e relativamente original que fez algum barulho em 2013, agora ganha uma desnecessária sequência que deve fracassar e comprometer a memória que o público tem do original.

 

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