Publicidade

Arquivo da Categoria Diretores

terça-feira, 8 de agosto de 2017 Diretores, Filmes, Notícias | 12:22

Delirante e cheio de simbolismo, 1º trailer de “Mãe” é um espetáculo de potência

Compartilhe: Twitter
Jennifer Lawrence em cena de "Mãe"

Jennifer Lawrence em cena de “Mãe”

Se existe um diretor receptivo a análises dos trailers de seus filmes, esse diretor é Darren Aronofsky. A Paramount divulgou nesta terça-feira (8) mundialmente o primeiro trailer de “Mãe”, novo filme do cineasta que integra a seleção oficial do Festival de Veneza e estreia nos cinemas brasileiros em 21 de setembro.

Leia também: Chapa branca, biografia de Jennifer Lawrence infla mito em torno da atriz

Os últimos dois filmes de Aronofsky mergulharam potentemente nas profundezas da mente humana e abraçaram a espiral de terror psicológico. Tudo indica que “Mãe” dialoga em alta voltagem com “Cisne Negro” (2010) – repare na semelhança entre esses pôsteres – e “Noé” (2014). O trailer, extremamente climático e sombrio, pouco revela além do que a curta sinopse sugere:  dois convidados indesejados perturbam a paz do casal vivido por Javier Bardem e Jennifer Lawrence. Tudo no trailer sinaliza para uma provação intensa da personagem de Jennifer Lawrence.

 

À medida que a prévia de pouco mais de dois minutos avança, vemos um distanciamento atroz entre os personagens de Bardem e Lawrence. “ Ele tem uma foto sua na bagagem dele”, exclama Lawrence. “O que você estava fazendo mexendo na bagagem dele?”, devolve o marido.

Vale lembrar que os personagens não tem nomes, mas a ação se passa em um dia das mães. Todo o trailer se passa dentro da casa do casal e há referências a um refugiado pervertido e a um escravo sexual. Delírios, simbolismos e horror! Sentimos sua falta, Aronofsky!

Autor: Tags: , , ,

quarta-feira, 26 de abril de 2017 Análises, Diretores | 12:47

Cineasta clássico, Jonathan Demme explorou o cinema ao máximo e manteve-se humilde

Compartilhe: Twitter

Diretor de obras consagradas como “O Silêncio dos Inocentes”, “Filadélfia” e “Sob o Domínio do Mal”, também dirigiu coisas para a TV como as preciosidades “The Killing” e “Enlightened”

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de "Ricki and The Flash"

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de “Ricki and The Flash”

Em um ano que já levou Emmanuelle Riva, John Hurt, Bill Paxton, entre outros grandes nomes da sétima arte, a notícia da partida do cineasta Jonathan Demme é especialmente dolorida. O diretor morreu na manhã desta quarta-feira (26) em Nova York  decorrência da luta contra um câncer de esôfago.

Ele tinha 73 anos e seu último filme foi “Justin Timberlake + The Tennessee Kids”, um documentário para a Netflix. Jonathan Demme era do tipo que alternava-se entre longas de ficção e documentários. O gosto por contar histórias era tão altivo que dirigiu episódios de séries de TV antes mesmo delas sequestrarem os talentos de Hollywood.

Leia também: Quem canta os males espanta no delicado “Ricki and The Flash”

Foi um dos grandes, mesmo que não se comportasse como tal e não se importasse em envernizar um legado que, agora, cresce de tamanho. Junto de Milos Forman e Frank Capra ostenta a honorável marca de cineasta a ter dirigido um filme a conquistar o prestigiado big five no Oscar, os prêmios de filme, direção, roteiro, ator e atriz. “O Silêncio dos Inocentes” (1991), o último a conquistar tal façanha, compreensivelmente, será seu filme mais lembrado. Mas sua filmografia é muito mais diversa e reverenciável do que este excelente e definidor filme propõe.

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015 (Fotos: divulgação/shutterstock

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015
(Fotos: divulgação/shutterstock)

O primeiro Oscar de Tom Hanks, hoje um patrimônio tanto do cinema como do establishment americano, veio com o suporte de Demme que produziu e dirigiu “Filadéfia” (1993), um robusto drama sobre o impacto da AIDS em um momento que a América ainda tratava o assunto com reticências.

Demme transitava com desenvoltura por diversos gêneros. A comédia sofisticada (“De Caso com a Máfia”), a comédia de ação (“Totalmente Selvagem”), o thriller político (“Sob o Domínio do Mal”), o drama familiar indie (“O Casamento de Rachel”) e suspense (“O Abraço da Morte”). Seu último longa de ficção foi o tenro e musical “Rickiand The Flash: De Volta para a Casa” (2015), estrelado por Meryl Streep, em que pôde conjugar suas duas grandes paixões: a música e o cinema.

Jonathan Demme foi um cineasta clássico, com acurado domínio da gramática do cinema. Soube remover-se de sua zona de conforto e explorou o cinema o máximo que pôde. Construiu uma filmografia plural, rica, intensa e que a história se incumbirá de tornar  grande.

Autor: Tags: , ,

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017 Diretores, Notícias | 17:47

CCBB recebe mostra sobre o cineasta Jean Renoir

Compartilhe: Twitter
O cineasta Jean Renoir (Foto: divulgação)

O cineasta Jean Renoir
(Foto: divulgação)

“A Vida Lá Fora: O Cinema de Jean Renoir” é uma retrospectiva sobre o cineasta francês Jean Renoir (1894-1979). A mostra acontece nas unidades do CCBB em São Paulo (01 a 27 de fevereiro), Brasília (15/02 a 13/03) e Rio de Janeiro (01 a 27 de março). Ao longo de quatro semanas, serão exibidos 30 filmes do renomado diretor, bem como dois documentários sobre sua vida e obra.

“O maior cineasta do mundo? Pra mim, ele é francês e se chama Jean Renoir”. Foi o que disse ninguém menos que Charles Chaplin, e ele não estava sozinho. Renoir sempre atrai os superlativos, seja entre diretores, como François Truffaut e Glauber Rocha, seja entre críticos, como André Bazin e Inácio Araújo.

Filho do pintor Auguste Renoir, Jean imprimiu uma sensibilidade visual e um apreço pela vida (tal como ela é vivida) digna de seu pai a uma enorme variedade de aventuras cinematográficas, entre os primeiros experimentos com a vanguarda, os filmes de pequenos e grandes orçamentos, o realismo, o cinema moderno e Hollywood. Sua carreira, longa e variada, estabelece um amplo leque de inovações tanto estéticas como narrativas, impondo desafios aos críticos-analíticos.

Além das sessões de cinema serão realizados debates e um curso intensivo de três encontros, oferecendo ao grande público uma oportunidade única de saber mais sobre a vida e entrar em contato com a obra desse grande cineasta. Em São Paulo o debate acontece dia 16/02, às 20h, com a presença dos críticos de cinema Inácio Araújo, Filipe Furtado e o curador da mostra, Júlio Bezerra. Os interessados em fazer o curso deverão enviar seus dados para o e-mail  jeanrenoirccbb@gmail.com.

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016 Diretores | 12:07

Os cinco melhores diretores de 2016

Compartilhe: Twitter

Foi um ano de grandes filmes. Já havia um tempo que isso não acontecia. Não à toa, os cinco diretores do ano no crivo do Cineclube defendem trabalhos polarizantes e estão longe da unanimidade, ainda que um deles tenha vencido o Oscar neste ano. O terror, de certa maneira, é um elemento presente nos cinco filmes que são, ainda, experiências estéticas do mais alto relevo.

Robert Eggers (“A Bruxa”)

Robert Eggers

Vencedor do prêmio de direção em Sundance, Eggers faz de “A Bruxa” um filme de terror diferente. Angustiante e com uma atmosfera tão sombria quanto incômoda, a produção é visualmente exuberante, apesar do orçamento apertado. Eggers aborda o medo por uma perspectiva totalmente incomum na linguagem audiovisual atual e merece a menção entre os cinco melhores trabalhos de direção do ano.

 

Alejandro Gonzales Iñarritu (“O Regresso”)

O Regresso

O virtuosismo do mexicano em “O Regresso”, filme que tem plano-sequência, fotografia em luz natural e outras particularidades que mostram que antes de qualquer coisa um filme de Iñarritu é um filme de Iñarritu, valeram ao cineasta um segundo Oscar de direção de maneira consecutiva. Seu trabalho aqui é ostensivo, o que não quer dizer que não seja nada menos do que arrebatador.

 

Nicolas Winding Refn (“Demônio de Neon”)

Nicolas Winding-Refn

Não há cineasta mais esteta no cinema atual do que o dinamarquês e não houve filme mais provocador em 2016 do que “Demônio de Neon”, um conto entre o sinistro e o bizarro sobre o império da imagem na nossa sociedade. Entre analogias faladas e cenas surrealistas, “Demônio de Neon” é um filme pincelado a unha por um Refn senhor de todas as coisas.

 

Tom Ford (“Animais Noturnos”)

Tom Ford

Corajoso, Tom Ford decidiu fazer de seu segundo filme algo totalmente diferente do primeiro – ainda que aqui e ali se possa pescar algumas convergências. Com uma narrativa fragmentada e personagens que se apresentam como versões de si, Ford demonstra absoluto controle de cena, dos atores e da narrativa. Seu filme é um estouro de sensações e sua direção, calculadamente perfeccionista.

 

Paul Verhoeven (“Elle”)

Paul Verhoeven

O cinema subversivo do holandês faz falta. Prova disso é o estupor que é “Elle”, um filme tão sobrenatural quanto sua premissa – uma mulher vítima de violência sexual que se vê sexualmente atraída por seu agressor. Verhoeven demonstra controle absurdo das arestas da trama e sabe exatamente para onde quer levar o filme – e são muitas as ramificações alcançadas. É o trabalho menos exibicionista dos cinco escolhidos, mas seguramente o mais reverberante nas demais qualidades do filme.

Autor: Tags: , , , , ,

sexta-feira, 23 de setembro de 2016 Curiosidades, Diretores, Notícias | 12:00

Fase mais obscura de David Cronenberg ganha retrospectiva em São Paulo

Compartilhe: Twitter
Cena do filme "Videodrome: A síndrome do vídeo" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Videodrome: A síndrome do vídeo”
(Foto: divulgação)

As deformações que surgem em nós mesmos, resultado de mutações silenciosas e radicais provocadas pela ciência moderna e que transformam nosso corpo e mente. Esse é o tipo de horror – bizarro e obscuro – dos filmes do diretor canadense David Cronenberg selecionados para o ciclo Cronenberg Século XX que a Sala Drive-In do Caixa Belas Artes em São Paulo exibe, a partir desta sexta-feira (23) até o dia 5 de outubro.

Em duas semanas de mostra, serão exibidas dez produções de 1975 a 1991, a fase mais obscura de Cronenberg, que carrega a fama de “cineasta do bizarro”: “A Mosca”, “Videodrome – A síndrome do vídeo”, “Scanners – Sua mente pode destruir”, “Enraivecida na fúria do sexo”, “Gêmeos – Mórbida Semelhança”, “Os filhos do medo”, “A hora da zona morta”, “Calafrios”, “Escuderia do poder” e “Mistérios e Paixões”.

Para quem teve um primeiro contato com o cineasta canadense por meio de sua mais recente e verborrágica fase, em que se destacam filmes como “Cosmópolis” e “Um método Perigoso”, trata-se de uma excelente oportunidade para descobrir a visceralidade e o poder metafórico de um dos cineastas mais criativos do cinema em todos os tempos.

“Selecionamos os filmes mais antigos de David Cronenberg para que o espectador possa conhecer melhor a obra deste cineasta. Em seus primeiros trabalhos, Cronenberg usa de personagens e situações bastante excêntricas para questionar as hipocrisias da sociedade burguesa”, contextualiza André Sturm, diretor de programação do Caixa Belas Artes.

A programação completa pode ser conferida no site do Caixa Belas Artes.

Jeremy Irons em dose dupla no filme "Gêmeos – Mórbida semelhança", destaque deste sábado no Caixa Belas Artes (Foto: divulgação)

Jeremy Irons em dose dupla no filme “Gêmeos – Mórbida semelhança”, destaque deste sábado no Caixa Belas Artes
(Foto: divulgação)

Autor: Tags: ,

sexta-feira, 12 de agosto de 2016 Diretores, Filmes, Notícias | 05:30

“Tungstênio” será o novo filme de Heitor Dhalia

Compartilhe: Twitter
O cineasta Heitor Dhalia (Foto: divulgação)

O cineasta Heitor Dhalia
(Foto: divulgação)

O cineasta Heitor Dhalia se prepara para começar as filmagens de “Tungstênio”, seu novo longa-metragem. Com produção da Paranoid e coprodução da Globo Filmes, o filme é baseado no livro homônimo de história em quadrinhos de Marcello Quintanilha, publicado pela editora Veneta, o qual já foi premiado por unanimidade no Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França, na categoria thriller.

“Tungstênio” trará quatro personagens para o centro da narrativa: um policial, que atua movido por seus instintos, sua esposa, que está decidida a separar-se, um pequeno traficante, cujo principal interesse é sobreviver mais um dia, além de um ex-sargento do exército, saudoso de sua vida na caserna.

Diante desse cenário, os protagonistas se verão imersos em uma trama aparentemente banal, mas cuja escalada em tensão os conduzirá à negação dos próprios sentimentos. Em uma busca desenfreada por escolher os caminhos que lhes pareçam mais corretos, os personagens inevitavelmente enfrentarão conflitos pessoais diante da impossibilidade de seguir à risca suas escolhas racionais.

As filmagens estão agendadas para novembro desse ano e as locações serão na Bahia.

O livro de Marcello Quintanilha, que é considerado um dos principais quadrinistas brasileiros, será adaptado para o cinema pelos roteiristas Marçal Aquino e Fernando Bonassi. O projeto de Heitor Dhalia conta ainda com a consultoria artística de Guel Arraes.

Diretor de filmes como “À Deriva”, “O Cheiro do Ralo” e “Serra Pelada”, paralelamente ao novo longa, Dhalia já tem outro projeto em andamento. Trata-se do filme “O Diretor”, que retratará o envolvimento de um renomado e polêmico diretor de teatro com uma jovem e bonita atriz, durante a remontagem da peça “Hamlet”, de Shakespeare. O longa trará à tona questões como abuso, assédio, difamação e, principalmente, o limite entre o desejo e a ética.

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 21 de julho de 2016 Diretores, Notícias | 06:00

Hector Babenco ganha retrospectiva na Cinemateca Brasileira e na TV paga

Compartilhe: Twitter

 

Foto: divulgação

Foto: divulgação

A Cinemateca Brasileira preparou uma retrospectiva do grande cineasta Hector Babenco, morto na última semana. Nascido em Mar del Plata na Argentina, em 1946, Babenco mudou-se para o Brasil aos 19 anos e naturalizou-se brasileiro em 1977. Em 1975 lança seu primeiro longa-metragem, “O rei da noite”, com marcantes interpretações de Paulo José, Marília Pêra e Vic Militello.

Baseado num caso policial, “Lúcio Flávio, o passageiro da agonia” foi um grande sucesso de bilheteria e recebeu diversos prêmios em 1977. Seu filme seguinte é uma de suas obras-primas, “Pixote, a lei do mais fraco” (1980), presença constante em listas de maiores filmes da década de 1980. Na sequência, em 1985, “O Beijo da Mulher Aranha”, produção internacional falada em inglês, que recebeu o Oscar de melhor ator e o prêmio de interpretação masculina em Cannes para William Hurt e pelo qual Babenco foi indicado ao Oscar de melhor diretor.

Em 1987 dirige Jack Nicholson e Meryl Streep em “Ironweed”, e ambos são indicados ao Oscar pelos papéis. Ambientado na região amazônica e com atores brasileiros e estrangeiros, lança em 1990 “Brincando nos campos do Senhor”, uma coprodução entre Brasil e Estados Unidos. Em 1998 lança “Coração Iluminado”, drama autobiográfico selecionado para o Festival de Cannes. Em seguida realizaria seu maior sucesso de bilheteria, “Carandiru” (2003), também exibido no Festival de Cannes. Em 2007 o diretor retorna a Buenos Aires para as filmagens de “O passado”, estrelado por Gael Garcia Bernal, no qual Babenco aparece como um projecionista de cinema.  Este ano lançou “Meu amigo hindu”, seu último longa, com Willem Dafoe.

Toda a programação, que pode ser conferida no site da Cinemateca, tem entrada franca.

Para quem não está em São Paulo, uma boa opção é acompanhar a retrospectiva pelo Canal Brasil. “O Beijo da Mulher Aranha” é o filme desta quinta-feira (21); “Carandiru” é será exibido nesta sexta-feira (22). Na próxima semana serão exibidos “Coração Iluminado”, “Pixote”, “Lúcio Flávio” e “Brincando nos Campos do Senhor”. As sessões começam sempre às 22h.

CINEMATECA BRASILEIRA
ENDEREÇO
Largo Senador Raul Cardoso, 207
Próximo ao Metrô Vila Mariana
Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)
www.cinemateca.gov.br

Autor: Tags: , ,

segunda-feira, 4 de julho de 2016 Diretores | 21:11

Morre Abbas Kiarostami, cineasta que radiografou o Irã, o homem e soube registrar o mundo como ninguém

Compartilhe: Twitter
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O cinema perdeu uma de suas principais forças criativas com a morte do cineasta iraniano Abbas Kiarostami. A notícia foi confirmada nesta segunda-feira (4) pela agência de notícias iraniana Isna. Diagnosticado com um câncer gastrointestinal, Kiarostami se tratou em Paris e, inclusive, submeteu-se a uma cirurgia em junho.  O diagnóstico veio em março e o câncer, como atesta a morte no princípio de julho, foi feroz e impiedoso.

“Gosto dos filmes que fazem as pessoas dormirem”, disse certa vez o vencedor da Palma de Ouro em Cannes com “Gosto de Cereja” em 1997. A frase, ainda que contextualizada por seu caráter anedótico, diz muito sobre o artista Kiarostami. Dono de um cinema altivo e que busca a reflexão contínua e intermitente sobre a vida e suas idiossincrasias, o iraniano filmou seus últimos filmes fora de seu país, assim como alguns dos mais expressivos cineastas de lá como Jafar Panahi e Asghar Farhadi.

Leia também: “Cópia Fiel” é cinema de questionamento 

Sua filmografia congregava rigor narrativo, força etérea e estupor visual. Produções como “Close-up”, a primeira a lhe atribuir alguma visibilidade internacional, dialogam com obras mais reverenciadas e famosas como “Cópia Fiel” em níveis que apenas estudiosos do cinema parecem compreender. Abbas Kiarostami é propulsor de um cinema que se pretende acadêmico, mas não aliena o público que nele pretende imergir.

À Folha, a diretora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo Renata Almeida, amiga do diretor e que a ele proveu grande espaço no festival paulistano, disse que Kiarostami foi um “poeta visual”.

“De todos os diretores iranianos, ele foi um que conseguiu viajar, filmar em vários lugares. Era universal. Tinha muita poesia. Originalidade. Não era nem o maior cineasta iraniano, era um dos maiores cineastas do mundo. Ponto. Isso é surpreendente”, observou. Para ela, em qualquer lugar que se predispusesse filmar, Kiarostami tinha o talento e a sensibilidade para registrar algo novo, próprio. “Uma perda imensa para as artes”.

“Cópia Fiel”, que assim como a grande maioria dos filmes de Kiarostami a partir de meados da década de 90, integrou a competição oficial do festival de Cannes, talvez seja o seu filme definitivo.  Na produção rodada na Itália, um crítico de arte e um amor do passado discutem o valor da arte e de como a cópia pode reafirmar esse valor, com paralelos na vida e nas relações amorosas. É o filme que melhor traduz, hoje, o gênio de Kiarostami e merece ser elevado ao posto de seu testamento artístico.

O cineasta ao lado da atriz Juliette Binoche no set de "Cópia Fiel" (Foto: divulgação)

O cineasta ao lado da atriz Juliette Binoche no set de “Cópia Fiel”
(Foto: divulgação)

Autor: Tags: , , ,

sexta-feira, 24 de junho de 2016 Diretores, Filmes | 22:28

Roman Polanski é tema de maratona no Telecine Cult

Compartilhe: Twitter
Cena de "A Pele de Vênus" (Foto: divulgação)

Cena de “A Pele de Vênus”
(Foto: divulgação)

O cineasta Roman Polanski será homenageado neste fim de semana, com uma maratona no Telecine Cult. No sábado (25), a partir das 20h, o canal exibe três produções assinadas pelo aclamado diretor franco-polonês: “A Pele de Vênus”, “O Escritor Fantasma” e “Repulsa ao Sexo”. E, no domingo, a sessão começa às 19h50, com “Armadilha do Destino”, “Chinatown” e “Lua de Fel”.

Às 20h, “A Pele de Vênus” abre a sequência imperdível de obras de Polanski. Em uma tarde chuvosa, Thomas (Mathieu Amalric), um diretor de teatro, está encerrando os testes de sua nova peça. Tudo muda quando a atriz Vanda (Emmanuelle Seigner) entra em cena e começa um jogo de sedução para convencê-lo de que ela é a pessoa perfeita para interpretar a protagonista. O mais recente filme do franco-polonês pode ser percebido como uma provocação sobre a percepção da arte, mas também como um olhar crítico de Polanski à própria história. De qualquer modo, é um exercício cênico poderoso e com dois atores desprovidos de vaidade e entregues à experiência.

Em seguida, às 22h, vai ao ar “O Escritor Fantasma”. Um ghost writer (Ewan McGregor) é chamado para escrever a biografia de Adam Lang (Pierce Brosnan), um controverso político britânico, depois que o escritor originalmente contratado para o trabalho morre. Mas, ao começar a estudar a vida do congressista, ele se vê em um mundo onde nada é o que parece e percebe que sua própria vida está em risco. É um dos filmes mais cínicos do cineasta, uma obra-prima moderna que merece ser descoberta.

Para fechar, à 0h25, tem “Repulsa ao Sexo”. Carol Ledoux (Catherine Deneuve) é uma mulher muito bela, mas reprimida sexualmente, que vive com a irmã, Hélène (Yvonne Furneaux), em um apartamento em Londres. Quando fica sozinha em casa, durante uma viagem de Hélène, Carol entra em uma profunda depressão e passa a ter assustadoras alucinações com atos de violência.

No domingo, às 19h50, “Armadilha do Destino” dá sequência ao especial. Richard (Lionel Stander) e Albert (Jack MacGowran), uma dupla de criminosos em rota de fuga, buscam abrigo em um antigo castelo na praia. Os donos da propriedade, um excêntrico casal dono de muitas galinhas, ficam relutantes com os novos hóspedes, mas logo uma estranha relação cresce entre eles.

Cena de "Repulsa ao Sexo"

Cena de “Repulsa ao Sexo”

Na sequência, às 22h, é a vez de “Chinatown”, o mais premiado filme do diretor, ser exibido. J.J. Gittes (Jack Nicholson) é um detetive particular contratado por uma mulher que desconfia que o marido tem uma amante, mas ele descobre que ela não é quem dizia ser. Quando Gittes encontra a verdadeira sra. Mulwray (Faye Dunaway), ele logo se vê envolvido com ela em uma corrupta rede de poder, perigos e segredos. A produção foi indicada ao Oscar em 11 categorias e faturou a estatueta de Roteiro Original.

Às 0h25, “Lua de Fel” encerra o especial. Em um cruzeiro, o casal de ingleses Nigel (Hugh Grant) e Fiona (Kristin Scott Thomas) conhece Mimi (Emmanuelle Seigner), uma sedutora francesa acompanhada do marido, Oscar (Peter Coyote), que vive preso a uma cadeira de rodas. Quando o homem percebe o interesse de Nigel por sua mulher, Oscar revela a história da ardente e doentia paixão que vivem.

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 5 de maio de 2016 Diretores, Filmes, Notícias | 20:37

Lars Von Trier ganha especial com quatro filmes no Telecine Cult em maio

Compartilhe: Twitter
Charlotte Gainsbourg em cena de "Anticristo": filmes com uma assinatura particular e inconfundível

Charlotte Gainsbourg em cena de “Anticristo”: filmes com uma assinatura particular e inconfundível

O festejado e polêmico cineasta dinamarquês Lars Von Trier, que recentemente completou 60 anos de idade, será alvo de um especial em homenagem a sua carreira no Telecine Cult. No sábado, dia 14, estreiam no canal “Manderlay” (2005) e “Anticristo” (2009), e, no dia seguinte, vão ao ar “Melancolia” (2011) e “Ninfomaníaca – Volume II” (2013).

“Manderlay” abre o especial, às 22h. Segunda parte da trilogia ainda incompleta de Lars Von Trier sobre os EUA, o filme conta a história de Grace Mulligan (Bryce Dallas Howard). Depois de deixar Dogville, ela vai parar em uma comunidade escravagista em Mardelay, em 1933, quando a escravidão já havia sido abolida nos Estados Unidos. Revoltada com a situação, ela se empenha para tornar esse sistema mais democrático.

Logo depois, à 0h35, será exibido “Anticristo”. A produção conta a história do casal (Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) que vivencia experiências anormais, a partir da morte do único filho. A mãe se sente a maior responsável pela situação. Para driblar a dor que sentem, os dois decidem se isolar da sociedade e viver rusticamente.

Já no domingo, dia 15, “Melancolia” dá sequência ao especial, às 22h. Melancolia é um planeta em rota de colisão com a Terra. A primeira parte do longa se passa na festa de casamento de Justine (Kirsten Dunst). O abismo que a separa da irmã marca as comemorações e perdura até a segunda parte, na qual um sombrio e melancólico momento antecede a expectativa pelo fim iminente da própria civilização.

Logo depois, às 0h25, vai ao ar “Ninfomaníaca – Volume II”. O filme dá sequência às aventuras sexuais protagonizadas por  Joe (Charlotte Gainsbourg), agora com 50 anos. Novamente, ela encontra em Seligman (Stellan Skarsgård) ouvidos atentos para confessar os aspectos mais sombrios de sua personalidade, as taras e as obsessões que carrega desde a juventude.

São quatro filmes que estabelecem um bom painel da filmografia de Von Trier. Tanto para quem deseja conhecer mais da obra do dinamarquês, como para aqueles entusiasmados com ela, o especial do Telecine Cult é uma ótima pedida.

 

Autor: Tags: , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. Última