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Arquivo da Categoria Diretores

terça-feira, 26 de janeiro de 2016 Diretores, Notícias | 19:09

Cinema em São Paulo presta homenagem a Ettore Scola com exibição especial de seu último filme

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Cena do filme "Que Estranho Chamar-se Federico": fluxo de homenagens ao cinema italiano (Foto: Divulgação)

Cena do filme “Que Estranho Chamar-se Federico”: fluxo de homenagens ao cinema italiano
(Foto: Divulgação)

Ettore Scola deixa saudades. A morte do cineasta na última semana deixou um sentimento de orfandade em muitos cinéfilos que se viram cativados pelo neo-realismo italiano. Certamente um dos grandes autores que o cinema já conheceu, quis o destino que o último filme do cineasta fosse uma carta carinhosa a outro grande mestre italiano, Federico Fellini. É a vez de Scola ser homenageado e o cinema Reserva Cultural, localizado na imponente Avenida Paulista, em parceria com a distribuidora Imovision, vão exibir ao longo desta semana o filme “Que Estranho Chamar-se Federico”, sempre às 21h20.

A obra-prima do cineasta, que agora cresce em tamanho por ter sido selada como sua última, retrata vida e obra de Federico Fellini, seu amigo, colega jornalista e ícone do cinema italiano do pós-guerra. Com imagens de arquivo e uma retrospectiva desde a estreia de Fellini em 1939, como jovem designer, até seu quinto Oscar em 1993, o filme é feito de fragmentos, impressões e momentos reconstruídos através da imagem.

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016 Diretores, Filmes | 14:39

Eu queria resgatar o tempo do sexo no cinema, diz diretor do aclamado “Boi Neon”

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Na próxima quinta-feira (14), estreia no Brasil o filme “Boi Neon”, o mais novo elixir oriundo do cinema pernambucano. Assinado por Gabriel Mascaro, que antes já havia causado sensação com “Doméstica” (2012) e “Ventos de Agosto” (2014), o filme mostra um Nordeste radicalmente diferente da leitura tradicional que se tem da região. Mas não é só.

“Boi Neon” é um filme que pensa o corpo como nenhum outro ousou fazer no cinema recente. Mascaro, com muita sutileza, tateia a questão de gênero, e seus limites cada vez mais dilatados, com imaginação e riqueza visual.

O cineasta pernambucano Gabriel Mascaro na pré-estreia do filme em São Paulo (Foto: divulgação/Imovision)

O cineasta pernambucano Gabriel Mascaro na pré-estreia do filme em São Paulo
(Foto: divulgação/Imovision)

Premiado em Veneza e Toronto e grande vencedor do último festival do Rio, “Boi Neon” é, sob muitos aspectos, representante de um cinema brasileiro mais oxigenado e que pode, e deve, ajudar a transformar o olhar estrangeiro sobre o nosso cinema. Não à toa, o filme fez uma longa carreira em festivais internacionais antes do lançamento comercial no País.

A coluna bateu um papo com o cineasta no dia em que ele apresentou o filme para convidados na capital paulista. Mascaro se mostrou orgulhoso do resultado.  Nada mais justo, já que o filme é maravilhoso, e entusiasmado com as possibilidades para seu rebento daqui para a frente. “Quero que o filme seja descoberto e que chegue ao interior. Quero muito ver quais serão seus efeitos por lá”.

Leia também: Longa brasileiro “Boi Neon” busca contradição do corpo e causa boa impressão em Veneza

Cineclube: Você diria que “Boi Neon” é seu filme mais ousado? Por quê?

Gabriel Mascaro: Eu não saberia dizer. Porque não faria “Boi Neon” se não tivesse feito os outros filmes. É uma experiência muito única. Essa troca com os atores, com a equipe. Certo, posso dizer, é que foi um processo muito rico.

Cineclube: Qual é a sensação de estrear um filme no Brasil depois de uma carreira tão bem sucedida em festivais mundo afora?

GM: Alegria imensa. Ter essa possibilidade de mostrar para as pessoas que o filme é reconhecido. A sensação é de ter fechado esse ciclo.

Cineclube: O corpo e a questão de gênero são muito prementes no filme. Como foi trabalhar isso visualmente e de que maneira você concebeu essa característica do filme para os propósitos narrativos?

GM: O corpo é uma coisa muito forte no filme. É sobre transformação. Ele acumula. Onde os homens estão reapropriando essa ideia do masculino. Tem uma série de novas possibilidades de vivência que estão acontecendo lá (no Nordeste) e que para mim era importante trazer para o filme. O sexo, a urina do Iremar (o filme se demora na exposição desses ritos). O cinema não tem tempo para mostrar um ato sexual do começo ao fim e eu queria resgatar isso.

Cineclube: A quebra de paradigmas parece um norte do filme. Vivemos em um mundo que a relativização é bem-vinda? Seria esse o ponto de encontro da sua filmografia? Eu estou viajando ou é por aí mesmo?

GM: Acho que você coloca uma coisa muito pertinente. Personagens diferentes. Estranhos. Que são exceções. O filme cria ambiguidade e o filme te aproxima desses personagens que a gente acha diferente e escancara a possibilidade de convergência. A ambiguidade está lá apenas para afastar a ideia de normalidade. Viajei mais do que você (risos).

A gente imagina que a cultura do Nordeste é aquele lugar que as pessoas querem ir embora pela dificuldade e tal, nesse filme ninguém quer ir embora. Querem modificar a vida, mas permanecer ali. São personagens que resistem de certa forma. Ousam sonhar sonhos diferentes.

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sábado, 19 de dezembro de 2015 Atores, Atrizes, Diretores, Listas | 16:11

Retrospectiva 2015: As dez personalidades do ano no mundo do cinema

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No ano que o feminismo marcou Hollywood, as mulheres são maioria na lista do Cineclube entre as dez personalidades do ano no mundo do cinema. Nada a ver com a correção política. Elas foram notícia e estiveram presentes em alguns dos grandes filmes do ano. A lista a seguir faz uma síntese de quem brilhou em 2015 no cinema.

10 – Samuel L. Jackson

Foto: (reprodução/New York Times)

Foto: (reprodução/New York Times)

No ano em que voltou a protagonizar um filme de Quentin Tarantino, “Os Oito Odiados”, Samuel L. Jackson se divertiu pacas no cinema. Foi novamente Nick Fury em “Vingadores: A Era de Ultron” e tirou um sarro da onda de filmes de espiões em “Escola de Espiões”. No meio tempo, voltou a colaborar com Spike Lee no musical “Chi-Raq”. O melhor, porém, foi o vilão de língua presa de “Kingsman – Serviço Secreto”.

9 – Eddie Redmayne

Foto: Divulgação/Prada

Foto: Divulgação/Prada

O ator começou o ano ganhando o Oscar de melhor ator. Para onde ir depois disso? Ele assegurou o protagonismo de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, prequela da franquia Harry Potter. Mas não foi só, Eddie Redmayne se despede de 2015 com indicações a prêmios por seu sensível trabalho em “A Garota Dinamarquesa” e mira no Oscar novamente. Nos vemos por aqui em 2016?

8 – Regina Casé

(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

A atuação sensível e sutil da atriz em “Que Horas ela Volta?” lhe valeu o destaque nesta lista. Dona de um talento dramático tão robusto quanto inusitado, Casé foi a personalidade do cinema nacional mais comentada em 2015. Até mesmo de forma pejorativa, como no lamentável episódio em que os cineasta Claudio Assis chamou-a de gorda durante um debate sobre o filme em Pernambuco.

7 – Amy Schumer

Foto: reprodução/GQ

Foto: reprodução/GQ

Ninguém aconteceu mais do que ela neste ano em Hollywood. A comediante de 34 anos, que já fazia sucesso na cena de stand up e na televisão americanas, debutou no cinema em grande estilo com “Descompensada”; a comédia agradou crítica e público e chegou ao Globo de Ouro. Não obstante, Schumer ainda estrelou um inesquecível ensaio inspirado em Star Wars para a revista GQ.

6 – Elizabeth Banks

Elizabeth Banks

Foto: divulgação

Ela esteve este ano no último filme da franquia “Jogos Vorazes” , em “Magic Mike XXL” e na série “Wet Hot American Summer”, mas o que garantiu sua posição nessa lista foi “A Escolha Perfeita 2”. Nenhum filme dirigido por uma mulher fez tanto dinheiro no ano. Banks desbancou o favoritíssimo “Mad Max: Estrada da Fúria” em seu fim de semana de estreia nas bilheterias americanas.

5 – Daisy Ridley

Foto: Reprodução/Instagram

Foto: Reprodução/Instagram

Você talvez ainda não a conheça. Nenhum problema. Ela só tem pequenas produções inglesas e participações em seriados britânicos no currículo. Mas… Em 2015 ela protagonizou nada mais, nada menos do que “Star Wars: O Despertar da Força”. O mundo de Reidley jamais será o mesmo. Afinal, agora ela tem a força a seu lado.

4 – Tom Hardy

Foto: reprodução/Esquire

Foto: reprodução/Esquire

Ele estrelou o melhor blockbuster de 2015, mas Tom Hardy foi todo versatilidade no ano. Além de assumir muito bem o Mad Max que imortalizou Mel Gibson no ecrã, Hardy investigou um serial killer nos anos de chumbo da União Soviética em “Crimes Ocultos” e surgiu em dose dupla no filme de gangster “Legend”. Não obstante, ainda deu vida ao antagonista de Leonardo DiCaprio no já badalado e cult “O Regresso”.

3 – Katherine Waterson

Foto: reprodução/W

Foto: reprodução/W

O ano começou com ela seduzindo Joaquin Phoenix e a nós todos em “Vício Inerente”. Estava ali uma mulher capaz de convencer o ex-namorado a investigar o sumiço do atual. Depois de aparecer “Queen of Earth”, “Steve Jobs” e “Dormindo com outras pessoas”, Waterson termina 2015 com a notícia de que será a protagonista da sequência de “Prometheus”, mais uma prequela de “Alien” assinada por Ridley Scott. Ela também estará em “Os Animais Fantásticos e Onde Habitam”. O mundo é sua ostra.

2 – Michael Fassbender

Foto: Reprodução/New Yorker

Foto: Reprodução/New Yorker

Fassbender assumiu o papel que ninguém queria assumir: Steve Jobs; e pode voltar ao Oscar pela ousadia de desaparecer na pele do controverso magnata criador da Apple. Mas Fassbender também estrelou uma violenta versão de “Macbeth”, de Shakespeare, e um western intimista, “Slow West”, elogiado em Sundance. Foi um ano movimentado para o alemão de ascendência irlandesa e 2016, com um novo X-men e a adaptação para cinema do game “Assassin´s Creed”, promete ser mais ainda.

1 – Alicia Vikander

Foto: Reprodução/New York Times

Foto: Reprodução/New York Times

A sueca caiu como um verdadeiro tsunami em Hollywood. Na verdade, ela já estava por lá em filmes como “O Quinto Poder” (2012) e “Anna Karenina” (2013), mas o pequeno indie “Ex-Machina: Instinto Artificial” mudou o jogo. As participações em “O Agente da U.N.C.L.E” e ‘Pegando Fogo” ajudaram a expandir o charme da atriz e a consagração deve vir com “A Garota Dinamarquesa”, em que ela ofusca o oscarizado Eddie Redmayne. 2015 é o ano Vikander no calendário de Hollywood.

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015 Diretores, Notícias | 16:31

David Lean ganha retrospectiva no CCBB de São Paulo

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David Lean orienta Laurence Olivier no set de "Lawrence na Arábia" (Foto: divulgação)

David Lean orienta Laurence Olivier no set de “Lawrence na Arábia”
(Foto: divulgação)

O Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo apresenta O CINEMA TOTAL DE DAVID LEAN, uma retrospectiva dedicada a um dos cineastas mais importantes da historia da sétima arte. Será exibida a obra completa deste singular realizador britânico. São 18 filmes – sendo 16 longas que David Lean assinou como diretor e mais um pelo qual não recebeu o crédito e outro em que assinou apenas como montador, oferecendo ao público brasileiro uma oportunidade única de acompanhar sua trajetória.

David Lean  tornou-se sinônimo de longos épicos arrebatadores, como “Lawrence da Arábia” e “Doutor Jivago”, mas a carreira do lendário diretor abrange também dramas mais intimistas. Um contato com essa faceta menos conhecida do cineasta é possível com a retrospectiva organizada pelo CCBB.

Sete vezes indicado ao Oscar, o britânico triunfou duas vezes com os filmes “Lawrence da Arábia” (1962) e “A Ponte do Rio Kwai” (1957). Ambas as vezes como diretor. O cineasta também foi laureado em festivais como Berlim e Cannes. Como diretor, Lean conduziu 19 filmes. Portanto, a mostra é das mais completas e significativas sobre o cineasta.

Cena de "A História de Uma Mulher", um dos destaques da mostra

Cena de “A História de Uma Mulher”, um dos destaques da mostra

SERVIÇO

Mostra “O CINEMA TOTAL DE DAVID LEAN” 

de 16 de dezembro de 2015 a 11 de janeiro de 2016

Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB – Cinema

Rua Álvares Penteado, 112 – Centro

Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia entrada)

Informações: 11 3113-3651/52

Horários e classificação indicativa disponíveis no site http://culturabancodobrasil.com.br/portal/sao-paulo/

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segunda-feira, 31 de agosto de 2015 Análises, Diretores | 17:48

Artesão do horror, Wes Craven pavimentou o gênero como o conhecemos hoje

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O cineasta entremeado pelas máscaras do assassino de "Pânico"

O cineasta entremeado pelas máscaras do assassino de “Pânico”

“Era uma combinação de um esperto comentário social, sustos e diversão. Tudo embalado em um ritmo novelesco com um mistério no ar”, afirmou o cineasta Wes Craven ao lançar “Pânico 4”, em abril de 2011, quando indagado sobre o por que de “Pânico” (1996) ter sido o hit que foi. Mais tarde, ele diria que a franquia  era o “Star Wars do terror”.

“Pânico 4” foi o último filme de Wes Craven, que morreu no último domingo (30) aos 76 anos, em decorrência de um câncer no cérebro.  O cineasta foi responsável por alguns dos principais alicerces do terror americano. Sem “Aniversário macabro” (1972), não existiria “Sexta-feira 13”, “O massacre da Serra elétrica” ou “Halloween”, para citar o conjunto mais emblemático dos slasher movies, gênero que pavimentou praticamente sozinho.  No início da década de 80 daria vida a um dos maiores ícones do horror moderno, o Freddy Krueger, de “A hora do pesadelo” (1984). “Quadrilha de sádicos” e “Convite para o inferno” também estão entre seus principais cartões postais.

Craven foi muito copiado tanto na década de 80, como nos anos 90 quando refundou o gênero na esteira do sucesso de “Pânico”, para todos os efeitos, sua grande obra-prima. Uma sátira poderosa do gênero e uma inteligente homenagem ao cinema como um todo, o filme se comunicou com toda uma geração de uma maneira que nenhuma outra produção na década foi capaz.

Filmes de qualidades distintas como “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”, “Lenda urbana”, entre outros tentaram capitalizar a onda iniciada pelo filme, roteirizado por Kevin Williamson. A própria equipe criativa sucumbira aos encantos do que haviam criado e entornaram o caldo em “Pânico 3” (2000).

Mestre e visionário, Craven não era infalível.  “A sétima alma”, seu último filme fora da franquia “Pânico”, é uma equivocada mistura de filme de serial killer com filme de fantasma. Ainda que tenha uma ou outra boa ideia diluída em um rio de mesmice.  “Amaldiçoados” (2005), que o uniu a Williamson fora do esquadro das histórias de Sidney Prescott (Neve Campbell) e “A maldição dos mortos-vivos” foram tentativas de se exercitar no gênero abraçando seres sobrenaturais como zumbis e lobisomens. Mas era na psicopatia que Craven prosperava e um de seus melhores e mais subestimados filmes não é exatamente um terror, mas um suspense de primeira linha com Cillian Murphy e Rachel McAdams. “Voo noturno” é daqueles filmes extremamente satisfatórios e envolventes. Murphy ficaria para sempre com a aura de psicopata em sua volta, um mérito de Craven que soube explorar o ator como poucos souberam.

O diretor com Neve Campbell e Skeet Ulrich no set de "Pânico" Fotos: montagem/divulgação

O diretor com Neve Campbell e Skeet Ulrich no set de “Pânico”
Fotos: montagem/divulgação

Craven também impressionou fora de sua zona de conforto. Escreveu e dirigiu “Música do coração”, que rendeu indicação ao Oscar a Meryl Streep. O filme mostrava uma professora de música que batalhava para ensinar violino para as crianças quando isto não era uma prioridade para ninguém. Nem para a escola, para os pais ou para as próprias crianças. A afetuosidade do registro rendeu novos admiradores ao cinema de Craven, que àquela altura tentava se desvencilhar do estigma de diretor de um gênero só.

Ele fez do então astro Eddie Murphy, um vampiro no Brooklyn no filme homônimo que não fez lá grande sucesso quando foi exibido nos cinemas, mas virou cult quando chegou ao home vídeo. Foi esse filme, aliás, lançado em 1995, que tarimbou o cineasta para realizar “Pânico”, que se notabilizaria pela eficácia com que agrega humor aos ingredientes do terror.

Produtor contumaz, estava envolvido com a adaptação de “Pânico” para a TV. Uma série baseada no filme está sendo exibida pela MTV americana.

Cinéfilo, costumava palpitar sobre cinema em sua conta no twitter. Há dois anos, elogiou efusivamente o filme “Invocação do mal”, de James Wan. E fez um diagnóstico. “Wan tem tudo para ser um dos grandes mestres do cinema de horror”. Após dirigir “Velozes e furiosos 7”, o malaio comandará “Aquaman” e parece propenso a dar um tempo para o cinema de ação. Mas na noite de domingo prestou sua homenagem ao mestre no Twitter. “Não acredito na notícia. Meu coração se comove com a partida de Wes Craven. Verdadeiramente uma de minhas maiores inspirações”.

O homem se vai, mas deixa uma obra de grande impacto e influência no cinema e naqueles que dele se alimentam. Deixa, além das saudades, a convicção de que transformou o gênero. Um epílogo que nem todos os cineastas podem ostentar.

“Se eu tiver que fazer o resto dos meus filmes no gênero (horror), não há problemas.  Se eu serei um pássaro engaiolado, cantarei a melhor canção que eu puder”.

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terça-feira, 28 de julho de 2015 Diretores, Filmes, Notícias | 22:53

Michael Moore está de volta e com a América beligerante em sua mira

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Vencedor do Oscar e da Palma de Ouro, ferrenho crítico da era Bush, polemista por natureza e diretor de documentários controvertidos e muitíssimo bem assistidos como “Tiros em Columbine” (2002), “Fahrenheit 11 de setembro” (2004), “Sicko – $O$ Saúde” (2007) e “Capitalismo: uma história de amor” (2009), Michael Moore está de volta com um novo filme na praça.

O cineasta postou um vídeo no Periscope para falar sobre “Where to invade next?”, seu próximo filme que terá première mundial no próximo festival internacional de cinema de Toronto.

O filme vinha sendo mantido em total sigilo intencionalmente pelo diretor. “É um filme de natureza épica. É o que posso dizer agora”.

“O fato dos EUA estarem sempre em guerra é algo que me preocupa constantemente e há muito tempo. Todos nós vivemos neste mundo pós- 11 de setembro e tudo o que acontece neste país parece precisar de um inimigo. Então mantemos nossa indústria militar viva. É daí que vem a comédia”, afirma o cineasta sobre suas opções narrativas.

 

O site do festival de Toronto classificou “Where to invade next?” como o filme mais provocativo e hilário da carreira de Moore.

O festival internacional de cinema de Toronto acontece entre os dias 10 e 20 de setembro e será amplamente discutido aqui no Cineclube.

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terça-feira, 28 de abril de 2015 Diretores, Filmes, Notícias | 22:28

Primeiro trailer de “A visita” gera expectativa por novo trabalho de M. Night Shyamalan

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Não é segredo que a carreira de M. Night Shyamalan, o cineasta que já foi apontado como o “novo Spielberg”, está por um fio. Em 2015, no entanto, o indiano prepara uma virada e tanto. Se dará certo ou não, estamos próximos de saber.

Em maio, estreia mundialmente sua primeira produção para a televisão. “Wayward pines” está sendo vendida como uma “Twin peaks” moderna. A minissérie em dez episódios é aguardada como uma das maiores sensações do ano.

Leia também: A última cartada de M. Night Shyamalan 

Em setembro, o cineasta lança o filme “A visita”, produção totalmente independente filmada em uma de suas residências, e que marca seu retorno ao gênero terror.

O filme está programado para estrear nos cinemas brasileiros em 29 de outubro. Nos EUA, chega antes, em setembro.

A trama gira em torno de dois irmãos que vão passar férias na fazenda de seus avós e, assim que descobrem que o casal de idosos está envolvido em algo assustador, percebem que as chances de voltar para a casa são menores a cada momento que passa. O trailer valoriza a sugestão em detrimento da exposição, algo que se preservado no longa-metragem pode significar o retorno à boa forma de Shyamalan. É possível conferir o trailer legendado do filme abaixo e difícil não pensar no climão de “O sexto sentido”.

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015 Análises, Diretores | 17:09

Richard Linklater flerta com ideia de sequência para “Boyhood”. Bom ou mau sinal?

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boyO cineasta que recebeu diversos prêmios e foi um dos principais destaques da última edição do Oscar admitiu a possibilidade de rodar uma sequência de “Boyhood – da infância à juventude”. Trata-se de uma mudança de posição de Richard Linklater que antes negava com veemência a possibilidade de dar continuidade à história de Mason (Ellar Coltrane).

“Honestamente, nos primeiros seis meses após a exibição do filme, minha resposta para uma sequência era não”, disse ao programa de rádio do jornalista americano Jeff Goldsmith na última terça-feira. “Foram doze anos. A história era sobre a vida neste período da escola e ensino médio. Eu não tinha outra ideia em mente. Mas não sei se foi a combinação de sentir que esse processo chegou ao fim com o fato de ser muito questionado sobre uma sequência, que pensei: ‘bem, a fase dos 20 anos são de forte formação na vida de alguém’. É neste momento que você se torna alguém. Então admito que a ideia de continuar tem passado pela minha cabeça.”

O próprio Linklater reconhece não saber exatamente de onde vem esse anseio por dar sequência à trama de “Boyhood”. Se dele, do público, da crítica ou da indústria tão enamorados com o encanto do filme . Mas seguir com os personagens de “Boyhood” é bom ou ruim? Para Linklater talvez seja cômodo. Foram 12 anos dedicados a um projeto que rendeu muitos frutos e certamente, prospector do tempo que é, Linklater teria muito a observar nesta fase dos 20 anos de Mason. Ainda no papo com Goldsmith, o cineasta disse que se a ideia avançar, ele modificaria a estrutura vista em “Boyhood”. “Esse provavelmente seria mais acelerado”.

Leia também: Richard Linklater e a busca constante pela vanguarda no cinema

O que se coloca é que Linklater pode muito bem desenvolver essa observação, que além de pertinente é convidativa ao olhar de um cineasta tão interessado na forma como a passagem do tempo molda e redefine pessoas e relações, em outro contexto. Não à toa, o próprio dissera antes que seu próximo filme, “That´s what I´m talking about”, também sobre o universo juvenil, é uma continuação emocional de “Boyhood” e “Jovens, loucos e rebeldes”.

“Boyhood”, inevitavelmente, fala ao coração de Linklater. Ele fez, afinal, algo que se insere na vanguarda do cinema. Incrivelmente original, “Boyhood” não precisa de continuação. A magia daquele final tão eloquente, tão aberto às infinitas possibilidades da vida se dissiparia em uma produção que talvez até fosse boa, certamente seria hypada, mas que muito provavelmente diminuiria a potência do alcançado por Linklater.

Crítica: Tempo é parâmetro absoluto para epifanias de “Boyhood” 

É compreensível esse ensimesmamento tanto de Linklater como da crítica. “Boyhood” é singular e passa pela preservação dessa singularidade a manutenção de seu encanto.

Assista abaixo um vídeo que celebra a filmografia do cineasta

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 Diretores, Filmes, Notícias | 19:38

Cinema de Jafar Panahi volta a ganhar relevo com “Táxi”

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Foto: divulgação

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O cineasta iraniano Jafar Panahi fez alguns bons filmes em sua carreira, o melhor e mais festejado deles, “O círculo” venceu o Leão de Ouro em Veneza no ano 2000. A fita, de uma postura política inflamada para os padrões vigentes no Oriente médio, tratava das dificuldades impostas às mulheres por um estado islâmico como o Irã. Em 2009, ele apoiou o adversário de Mahmoud Ahmadinejad nas eleições presidenciais, o que fez com que fosse alvo de perseguição do regime dos aiatolás. Em março de 2010 foi feito prisioneiro. Em novembro daquele ano, declarado culpado de incitar protestos oposicionistas e de cultivar um cinema “obsceno”. Confinado à prisão domiciliar e proibido de fazer filmes por 20 anos, Panahi não se furtou do ofício de fazer cinema.

Em 2011, lançou “Isto não é um filme”, documentário em que retrata um dia de sua rotina como prisioneiro do regime iraniano. O filme foi rodado com câmeras amadoras e celulares.

“Cortinas fechadas”, premiado no festival de Berlim de 2013 com o prêmio de melhor roteiro, mistura ficção e realidade e abusa do poder de metaforização ao mostrar um roteirista que se trancafia em uma casa com um cachorro (animal perseguido no Irã por ser considerado “imundo”) e tenta terminar de escrever o roteiro de um filme. Sons externos enunciam a instabilidade vivenciada pelo roteirista. A casa é invadida por dois jovens que alegam também eles serem vítimas de perseguição política. Em um dado momento, o próprio Panahi aparece em cena borrando as fronteiras de ficção e realidade.

Agora, o diretor retorna com “Táxi”, um documentário mais oxigenado na proposta e na investigação que alinha. Panahi oferece suas impressões de uma Teerã contemporânea através das janelas de um carro e das vozes de passageiros distintos. O filme já é sintomático do pouco de liberdade que Panahi conseguiu obter. Ele já pode sair de sua casa, mas não pode deixar o país. Seu cinema continua clandestino, mas mais vigoroso do que nunca. A reação da crítica internacional a “Táxi” foi de maravilhamento. O filme, que concorre ao Urso de Ouro em Berlim, recebeu nesta sexta-feira  (13) o prêmio da crítica no festival.

O cineasta virou atração no festival de Berlim  (Foto: reprodução/Der Spiegel)

O cineasta virou atração no festival de Berlim
(Foto: reprodução/Der Spiegel)

“Sou um cineasta. Não posso fazer outra coisa a não ser filmes. O cinema é meu modo de expressão e a razão da minha vida. Por isso, preciso continuar fazendo filmes sob qualquer circunstância”, disse Panahi em vídeo exibido quando da première de seu filme em Berlim. O Der Spiegel, um dos principais semanários da Alemanha, observou que o filme é uma maneira criativa de expor a realidade do Irã e uma elaboração política refinada por parte do cineasta. Tudo indica que “Táxi” será o grande filme da era clandestina da carreira do diretor iraniano.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015 Críticas, Diretores | 16:39

Livro enfoca caráter transgressivo e sexual da obra de Pedro Almodóvar

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Livro - AlmodóvarPedro Almodóvar pertence àquele seleto grupo de cineastas que viraram adjetivos. Um filme ‘almodovariano’ é um filme banhado em paixão, transgressivo, colorido e que funde peculiaridade e potência em uma narrativa reconhecível e referendada. Para quem gosta do diretor, e não se furta a refletir sobre seu cinema, e para quem busca uma boa maneira de estabelecer um contato mais formal e analítico sobre sua filmografia, uma boa opção é o livro recém-lançado “Sexualidade e transgressão no cinema de Pedro Almodóvar”, de Antonio Carlos Egypto, publicado pela SG-Amarante.

O livro foi originalmente concebido como monografia de conclusão do curso de pós-graduação em Crítica Cinematográfica. Nele, Egypto discorre sobre toda a obra almodovariana e a examina sob a perspectiva de elaboração contra a intolerância sexual. O autor identifica o cinema de Almodóvar, especialmente em seu momento de emergência, como um reflexo exacerbado e contundente aos anos do franquismo na Espanha. Este período ditatorial perdurou entre os anos 1939 e 1976 e foi caracterizado pelo total cerceamento das liberdades de expressão, sexual, religiosa, política, entre outras.

Egypto observa a coerência e integridade da obra de Almodóvar ao longo dos 19 filmes que compõem sua filmografia. O diretor, vale lembrar, já anunciou que “Silêncio” será seu 20º longa-metragem. Os códigos do cinema do cineasta espanhol que, na avaliação de Egypto, foi o mais feliz e agudo diretor do país a revirar o passado franquista no cinema, são pormenorizados em um livro que faz da reflexão um convite irrecusável.

Além de tratar individualmente de cada filme, o autor divide a filmografia do espanhol por décadas, de modo a tornar mais fácil e digerível a evolução estética de seu cinema e deixar mais clara as referências que Almodóvar busca em sua própria obra. Egypto não se furta a sobrepor filmes em que Almodóvar revisita temas articulando-os de maneira distinta; casos de “Fale com ela” (2002) e “Matador” (1986). Em que sexo e morte estão sob o mesmo jugo do desejo, mas toda a formulação que se dá sobre essas circunstâncias é radicalmente diferente.

Transexualidade, travestismo, incesto, doenças sexualmente transmissíveis, estupro, sexo casual, homossexualidade… está tudo lá. O cinema transgressivo de Almodóvar, como resposta aos anos castradores de Franco, é examinado com a retidão de quem pôs-se a conhecer e a admirar um cineasta original, criativo e indulgente.

O cineasta Pedro Almodóvar (Foto: Getty)

O cineasta Pedro Almodóvar
(Foto: Getty)

Egypto expõe com clareza as transformações pelas quais o cinema de Almodóvar passou. Os arquétipos dos primeiros filmes, vocacionados mais à transgressão do que a produzir efeitos dramáticos mais autocentrados, deram vez a personagens mais bem construídos em filmes pensados além do choque, mas que nem por isso abdicavam da natureza transgressiva dos primeiros anos. Essa coerência, para Egypto, é reafirmada quando Almodóvar se experimenta, como no misto de ficção científica e terror, “A pele que habito” (2011), maior testamento de maturidade do cineasta.

O autor atenta, ainda, para o fato da cinefilia de Almodóvar estar plenamente inserida em seu cinema e dele revelar para seu público muitas de suas intenções com o filme em questão apenas pelas referências ao cinema nele contidas. Trata-se, afinal, de uma sofisticação diegética notável que distingue Almodóvar da média dos cineastas atuais.

O livro se torna ainda mais interessante por prover um contexto tão rico e fluído de Almodóvar que até um filme ruim, como o é “Os amantes passageiros”, o único ruim do diretor, se torna indispensável a uma filmografia extremamente passional e inventiva como a do espanhol.

A contemporaneidade de Almodóvar, a postura militante contra a intolerância de toda sorte, especialmente a de procedência sexual, o sobejo na técnica, o apreço pela metalinguagem e a coragem com que filma e com que se reinventa – isso sem abdicar das matizes originais de seu cinema – tornam o cineasta um objeto a se analisar com entusiasmo e empenho. Algo que Egypto alcança com a mesma desenvoltura com que Almodóvar faz de uma cena de estupro, uma declaração de amor.

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