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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015 Críticas, Diretores | 16:39

Livro enfoca caráter transgressivo e sexual da obra de Pedro Almodóvar

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Livro - AlmodóvarPedro Almodóvar pertence àquele seleto grupo de cineastas que viraram adjetivos. Um filme ‘almodovariano’ é um filme banhado em paixão, transgressivo, colorido e que funde peculiaridade e potência em uma narrativa reconhecível e referendada. Para quem gosta do diretor, e não se furta a refletir sobre seu cinema, e para quem busca uma boa maneira de estabelecer um contato mais formal e analítico sobre sua filmografia, uma boa opção é o livro recém-lançado “Sexualidade e transgressão no cinema de Pedro Almodóvar”, de Antonio Carlos Egypto, publicado pela SG-Amarante.

O livro foi originalmente concebido como monografia de conclusão do curso de pós-graduação em Crítica Cinematográfica. Nele, Egypto discorre sobre toda a obra almodovariana e a examina sob a perspectiva de elaboração contra a intolerância sexual. O autor identifica o cinema de Almodóvar, especialmente em seu momento de emergência, como um reflexo exacerbado e contundente aos anos do franquismo na Espanha. Este período ditatorial perdurou entre os anos 1939 e 1976 e foi caracterizado pelo total cerceamento das liberdades de expressão, sexual, religiosa, política, entre outras.

Egypto observa a coerência e integridade da obra de Almodóvar ao longo dos 19 filmes que compõem sua filmografia. O diretor, vale lembrar, já anunciou que “Silêncio” será seu 20º longa-metragem. Os códigos do cinema do cineasta espanhol que, na avaliação de Egypto, foi o mais feliz e agudo diretor do país a revirar o passado franquista no cinema, são pormenorizados em um livro que faz da reflexão um convite irrecusável.

Além de tratar individualmente de cada filme, o autor divide a filmografia do espanhol por décadas, de modo a tornar mais fácil e digerível a evolução estética de seu cinema e deixar mais clara as referências que Almodóvar busca em sua própria obra. Egypto não se furta a sobrepor filmes em que Almodóvar revisita temas articulando-os de maneira distinta; casos de “Fale com ela” (2002) e “Matador” (1986). Em que sexo e morte estão sob o mesmo jugo do desejo, mas toda a formulação que se dá sobre essas circunstâncias é radicalmente diferente.

Transexualidade, travestismo, incesto, doenças sexualmente transmissíveis, estupro, sexo casual, homossexualidade… está tudo lá. O cinema transgressivo de Almodóvar, como resposta aos anos castradores de Franco, é examinado com a retidão de quem pôs-se a conhecer e a admirar um cineasta original, criativo e indulgente.

O cineasta Pedro Almodóvar (Foto: Getty)

O cineasta Pedro Almodóvar
(Foto: Getty)

Egypto expõe com clareza as transformações pelas quais o cinema de Almodóvar passou. Os arquétipos dos primeiros filmes, vocacionados mais à transgressão do que a produzir efeitos dramáticos mais autocentrados, deram vez a personagens mais bem construídos em filmes pensados além do choque, mas que nem por isso abdicavam da natureza transgressiva dos primeiros anos. Essa coerência, para Egypto, é reafirmada quando Almodóvar se experimenta, como no misto de ficção científica e terror, “A pele que habito” (2011), maior testamento de maturidade do cineasta.

O autor atenta, ainda, para o fato da cinefilia de Almodóvar estar plenamente inserida em seu cinema e dele revelar para seu público muitas de suas intenções com o filme em questão apenas pelas referências ao cinema nele contidas. Trata-se, afinal, de uma sofisticação diegética notável que distingue Almodóvar da média dos cineastas atuais.

O livro se torna ainda mais interessante por prover um contexto tão rico e fluído de Almodóvar que até um filme ruim, como o é “Os amantes passageiros”, o único ruim do diretor, se torna indispensável a uma filmografia extremamente passional e inventiva como a do espanhol.

A contemporaneidade de Almodóvar, a postura militante contra a intolerância de toda sorte, especialmente a de procedência sexual, o sobejo na técnica, o apreço pela metalinguagem e a coragem com que filma e com que se reinventa – isso sem abdicar das matizes originais de seu cinema – tornam o cineasta um objeto a se analisar com entusiasmo e empenho. Algo que Egypto alcança com a mesma desenvoltura com que Almodóvar faz de uma cena de estupro, uma declaração de amor.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014 Análises, Diretores | 17:59

Mike Nichols observava a vida como poucos e a registrava como ninguém

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Mike Nichols conversa com Julia Robert no set de "Closer", filme definitivo sobre a lógica do amor

Mike Nichols conversa com Julia Robert no set de “Closer”, filme definitivo sobre a lógica do amor

“Closer – perto demais” (2004), “Quem tem medo de Virgina Woolf?” (1966), “A primeira noite de um homem” (1967), “A difícil arte de amar” (1986), “Uma secretária de futuro” (1988), “A gaiola das loucas” (1996) e “Segredos do poder” (1998) são alguns dos highlights de uma carreira construída por acertos inquestionáveis. Mesmo seus equívocos, breve lista que pode compreender “Lobo” (1994) e “De que planeta você veio?” (2000), detinham a luminosidade de um grande autor.

Mike Nichols morreu, aos 83 anos, na noite de quarta-feira (19), vítima de uma parada cardíaca. Nascido na Alemanha, Nichols rumou ainda criança para os EUA para fugir da segunda guerra mundial. A carreira começou nos palcos, na década de 50. Nos anos 60, já um diretor de sucesso na Broadway, migrou para o cinema sem jamais abandonar a primeira paixão, o teatro. O cineasta se destacava, ainda, por ser um dos poucos artistas a ostentar triunfos nos quatro principais prêmios americanos. O Oscar (cinema), o Grammy (Música), o Tony (Teatro) e o Emmy (televisão).  Audrey Hepburn, Barbra Streisand, Mel Brooks, Whoopi Goldberg, James Earl Jones e Rita Moreno foram outros que conseguirem tal feito.

Uma das principais características do cinema de Nichols era seu foco no ser humano. As vicissitudes, as angústias, as belezas, as contradições… O cineasta sabia como poucos expor a essência humana em filmes tão diversos como os citados na abertura deste artigo. Dos relacionamentos amorosos à articulação de uma campanha presidencial, passando por um casal gay às voltas com o conservadorismo ou em uma perola feminista no esplendor dos anos Reagan nos EUA dos anos 80, Nichols sabia dar prevalência às humanidades em qualquer registro e qualquer gênero que fosse. “Era um dos maiores de todos os tempos. Um amigo e um mentor”, disse Steven Spielberg, reconhecidamente outro dos maiores de todos os tempos. Hollywood, de maneira geral, pôs-se a prestar homenagens a um dos seus mais eloquentes e talentosos filhos. Mas veio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que outorga o Oscar, prêmio vencido por Nichols em 1968 pelo filme “A primeira noite de um homem”, a melhor definição que se pode fazer sobre o cineasta. “Nichols fez filmes que mudaram os filmes”. Adeus mestre!

Partidos em 2014: Nichols orienta Philip Seymour Hoffman no set de "Jogos do poder", seu último filme lançado em 2007

Partidos em 2014: Nichols orienta Philip Seymour Hoffman no set de “Jogos do poder”, seu último filme lançado em 2007
Fotos: divulgação

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014 Diretores | 19:37

Os 72 anos da lenda viva Martin Scorsese

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Martin Scorsese orienta Leonardo DiCaprio e Margot Robbie no set de "O lobo de Wall Street) Fotos: divulgação

Martin Scorsese orienta Leonardo DiCaprio e Margot Robbie no set de “O lobo de Wall Street)
Fotos: divulgação

Ele queria ser padre e seria se o cinema não tivesse roubado sua vocação. Estamos falando de Martin Charles Scorsese, mirrado nova-iorquino de fala acelerada, amor profundo pelo cinema e talento que beira o incomensurável. Essa data louvável no calendário da cinefilia –  dia do aniversário do cineasta – não poderia passar despercebida, ou mesmo oculta, aqui no Cineclube. Ele é responsável por alguns dos clássicos instantâneos do cinema atual como “O lobo de Wall Street” (2013),  “A invenção de Hugo Cabret” (2011) e ainda mais lembrado pelos extraordinários trabalhos do início da carreira que ajudaram a semear o cinema adulto americano e a consolidar a teoria do autor como principal vértice do cinema produzido no país nas décadas de 70 e 80. Entre as principais referências ‘scorsesianas’ figuram “Caminhos perigosos” (1973), “Taxi driver” (1976), “Touro indomável” (1980), “A cor do dinheiro” (1986) e “Os bons companheiros” (1990).

Reconhecido como autor de um cinema que explora a violência, Scorsese trafegou por gêneros distintos ao longo das décadas. Da fábula infantil com gosto de declaração de amor ao cinema (“A invenção de Hugo Cabret”) ao musical “New York, New York”), passando pelo épico (“Gangues de Nova York”) e pelo drama intimista (“Alice não mora mais aqui”).

O Oscar tardou em reconhecê-lo. Só foi ser laureado com a estatueta de melhor diretor em 2007, pelo filme “Os infiltrados”, também sagrado melhor filme do ano. Scorsese, no entanto, acumula 12 indicações ao prêmio. Como diretor são oito, cinco das quais conquistadas nos últimos 11 anos.  Ele foi indicado ao Oscar por cinco dos seus últimos seis filmes. Uma demonstração eloquente de que a Academia hoje é capaz de reconhecer a enormidade de talento de Scorsese e a sua capacidade de tirar os filmes que dirige do lugar-comum. Seja um filme de terror com alma B como “Ilha do medo” (2010) ou um filme questionador sobre a fé como “A última tentação de Cristo” (1988).

Com o amigo e parceiro Leonardo DiCaprio no set de "O aviador"

Com o amigo e parceiro Leonardo DiCaprio no set de “O aviador”

Na foto dos anos 70 surge ao lado do amigo Robert De Niro, com quem ensaia uma colaboração em um novo filme de máfia

Na foto dos anos 70 surge ao lado do amigo Robert De Niro, com quem ensaia uma colaboração em um novo
filme de máfia

O cineasta é reconhecido por selar grandes parcerias. As mais famosas, indubitavelmente, são com os atores Robert De Niro (oito filmes) e Leonardo DiCaprio (cinco filmes). Mas figuras dos bastidores como a montadora Thelma Schoonmaker, o diretor de fotografia Robert Richardson e o produtor Grahan King são exemplos de que Scorsese entende que cinema é um trabalho de equipe e que é adepto da teoria de que em time que se ganha, pouco se mexe.

O cinema deve muito a Scorsese. Não só por sua contribuição inestimável para o extrato do filme de gangster; ou por ter mais de dez filmes creditáveis para qualquer lista de melhores da história que se preze. Mas fundamentalmente por expressar amor inesgotável pelo cinema a cada novo filme. Por revigorar o ofício com o fôlego dos jovens. Por ser tão criativo na escolha de ângulos de câmera como desimpedido nas escolhas narrativas que faz para seus filmes. Scorsese inspira e influencia. Scorsese é um mito que batina nenhuma seria capaz de fazer justiça.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2014 Bastidores, Diretores | 21:54

A última cartada de M.Night Shyamalan

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Foto: divulgação

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Alçado ao posto de novo Hitchcock, e até a data apenas ele flertou com esse incomum e para lá de prestigiado título, o indiano radicado nos EUA M.Night Shyamalan experimentou o mais doloroso dos reveses que uma carreira pode experimentar em Hollywood. A lenta e progressiva queda no ostracismo. Filme após filme o prestígio adquirido com o excelente e ainda influente “O sexto sentido” (1999) foi sendo minado e Shyamalan, questionado.

Depois de rodar por literalmente todos os estúdios de Hollywood, fazer concessões impensáveis há quinze anos e amealhar reiterados fracassos, Shyamalan resolveu reaver o pouco de controle que lhe restara e voltar as origens. Ele então rodou “The visit” em segredo, com pouco dinheiro e fechou um acordo de distribuição com a Universal. O estúdio havia produzido “Fim dos tempos” (2008), um dos piores momentos do cineasta, e amargado um fracasso retumbante. O custo de produção de “The visit” foi todo do indiano. O acordo de distribuição foi desenhado em parceria com Jason Blum, o homem que deu forma à franquia “Atividade paranormal”. A parceria com a Universal, no entanto, não é inédita e já foi testada em termos diferentes. Shyamalan produziu o bem sucedido, independente e hypado “Demônio” (2010), também distribuído pela Universal.

O filme atualmente está em fase de pós-produção e deve ser lançado em setembro de 2015.

A trama segue dois irmãos que são enviados para a casa de campo de seus avós na Pensilvânia para passar as férias. Uma vez que as crianças descobrem que o casal de idosos está envolvido em algo profundamente perturbador, eles veem suas chances de voltar para casa reduzirem a cada dia que passa.

Sob muitos aspectos, esse retorno às origens de Shyamalan é a decisão acertada. Com um nome que ainda guarda algum resquício de prestígio, ainda que carregue muita desconfiança também, Shyamalan pode apostar no simples e evitar as imposições dos estúdios. Para o bem e mal, “The visit” será puro Shyamalan. Ainda que ninguém saiba exatamente o que essa constatação indica.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2014 Análises, Diretores | 19:11

Para onde vai o cinema de Christopher Nolan depois de “Interestelar”?

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Foto: Total Film

Foto: Total Film

A bilheteria de “Interestelar” em seu primeiro final de semana nos cinemas foi vultosa. Mas não tão impactante como os estúdios que bancaram o filme (Warner e Paramount) esperavam. A crítica se dividiu quanto ao filme. Estes são fatores adversos que são, também, estranhos a Nolan. O cineasta britânico desde que caiu nas graças da Warner, estúdio para o qual rodou todos os seus filmes desde “Insônia” (2002), não sabe o que é amealhar reação adversa a seus trabalhos. Mesmo “Batman- o cavaleiro das trevas ressurge”, bastante criticado por segmentos da crítica e da cinefilia, se beneficiava do saldo positivo da trilogia do Batman.  Mas “Interestelar” é outro papo.

Estamos falando de um diretor ímpar na indústria. Um cara que, em plena ditadura do 3D, consegue demover o estúdio de lançar seus filmes no formato. A liberdade de Nolan é tamanha que ele conta com orçamentos acima de U$ 150 milhões para rodar filmes totalmente originais, difíceis de vender nos termos publicitários vigentes em Hollywood, e ainda atrai os melhores e mais disputados astros do momento.

Christopher Nolan é o triunfo da Hollywood criativa, inventiva e sem amarras. Uma Hollywood que está desaparecendo em meio à segurança das franquias multimidiáticas e dos conglomerados de comunicação. Mas Christopher Nolan não é infalível.

Depois do excelente, atemporal e surpreendentemente existencialista “O cavaleiro das trevas” (2008), Nolan chocou o mundo do cinema com “A origem”, um misto de ficção com filme de ação inventivo, incrivelmente original e inteligente, além de apresentar um refinamento estético e visual entusiasmante.

“O cavaleiro das trevas ressurge” era um filme recheado de fragilidades. Um vilão ruim logo depois do filme com o melhor vilão adensava a maior das fraquezas da fita. O fato de Nolan repisa conflitos já esgotados em “O cavaleiro das trevas”. A solução do filme era outro golpe fatal. Nolan resgatava algumas ideias trabalhadas no final de “A origem” e destinava um desfecho risível para a personagem de Marion Cotillard.

“Interestelar” era a oportunidade de não só prestar homenagem a um de seus ídolos definidores, Stanley Kubrick,

O diretor orienta a badalada, e desperdiçada em 'Interestelar", Jessica Chastain  (Foto: divulgação)

O diretor orienta a badalada, e desperdiçada em ‘Interestelar”, Jessica Chastain
(Foto: divulgação)

mas de adentrar mais a fundo a um gênero muito receptivo a cineastas criativos e talentosos como Nolan. Mas esse namoro com a ficção científica desandou. Se “Interestelar” traz todos os vícios do cinema de Nolan (diálogos expositivos em excesso, personagens emocionalmente aleijados, falta de humor, solenidade desproporcional, entre outros), não traz os méritos (fé no poder da imagem, alijamento dos clichês, sofisticação narrativa, esmiuçamento dos conflitos que movem os personagens, entre outros).

“Interestelar” não deve ser um fracasso retumbante, mas contribuirá para um agigantamento da polarização já manifesta em torno de Nolan. Trata-se, afinal, de um visionário ou de um embuste? A paixão desvia o foco do problema que a recepção taciturna ao filme enseja. Nolan pode estar em face de ver alguns de seus privilégios contraídos. O que é má notícia para quem preza a liberdade criativa no cinema.

O cineasta ainda não anunciou seu próximo projeto, mas tem se dedicado nos últimos dias à estranha rotina de defender seu filme dos muitos detratores que rapidamente a produção tem acumulado. A dica é Nolan maneirar na ambição e voltar ao básico. Talvez um filme mais barato. Mas o caminho mais provável é que ele insista na grandiloquência. Um retorno ao universo dos super-heróis (vale lembrar que um novo filme do Batman ainda não foi confirmado em meio a tantos anúncios feitos pela Warner/DC) pode estar no horizonte. A Warner compreensivelmente irá cobrar mais caro pela manutenção da liberdade usufruída por Nolan até aqui.

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terça-feira, 11 de novembro de 2014 Bastidores, Diretores, Notícias | 19:48

Quentin Tarantino revela desejo de se aposentar após seu décimo filme

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Foto: reprodução/Wired

Foto: reprodução/Wired

Quentin Tarantino já havia dito que não pensava em dirigir quando já estivesse na terceira idade. Aos 51 anos, o cineasta agora dá mais detalhes dessa intenção. Em um bate-papo com produtores e distribuidores em um evento nos EUA, ele disse que planeja se aposentar após o lançamento de seu décimo filme. Como “The hateful eight”, que será lançado em 2015, é o oitavo longa de sua carreira, a despedida pode estar mais próxima do que os fãs gostariam.

“Eu gosto da ideia de deixar o público querendo mais. Acho que o trabalho de direção é para jovens e me atrai a ideia de uma conexão do primeiro ao meu último filme. Não vou ridicularizar quem pensa diferente, mas quero sair enquanto ainda estou por cima. Essa posição não é irreversível, mas é este o plano. Se eu chegar ao décimo longa fazendo um bom trabalho, parece uma boa maneira de encerrar uma carreira. Mas se me deparar com um roteiro interessante, não vou deixar de dirigi-lo só porque disse que não faria mais isso”, declarou.

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sexta-feira, 7 de novembro de 2014 Diretores, Filmes, Notícias | 06:00

Tarantino fecha elenco de “The hateful eight” que ganha sinopse oficial

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O novo, e obviamente muito aguardado filme de Quentin Tarantino, teve seu elenco fechado e divulgado. Ou quase. Apesar de muita comoção na internet em torno do anúncio de que Channing Tatum (“Anjos da lei” e “Magic Mike”) integraria o elenco do novo faroeste de Tarantino, essa informação ainda não foi oficializada pelo estúdio, a Weinstein Company. Mas sites bem cotados como o Deadline cravam que o acerto já foi feito.

De qualquer forma, “The hateful eight” terá um elenco de dar água na boca. Samuel L. Jackson como Major Marquis Warren, Kurt Russell como o caçador de recompensas John “The Hangman” Ruth, Jennifer Jason Leigh como a fugitiva Daisy Domergue, Walton Goggins como o xerife Chris Mannix, Tim Roth como o carrasco Oswaldo Mobray, Michael Madsen como o vaqueiro Joe Gage, Demian Bichir como o mexicano Bob e Bruce Dern como o General Sanford Smithers.

A trama se passa alguns anos depois do fim da Guerra Civil e acompanha uma diligência que cruza as invernais paisagens do Wyoming levando John Ruth (Russell) e sua fugitiva Daisy Domergue (Leigh) para Red Rock. Aos poucos eles vão encontrando os outros personagens acima citados até que os oito do título se reúnam. Com a intensão da nevasca, os personagens logo percebem que podem não chegar a Red Rock…

O filme começará a ser rodado agora em dezembro e, a esta altura, parece improvável que Viggo Mortensen e Jennifer Lawrence, atores comentados para se juntar ao elenco, entrem para a produção que deve ser gravada no Colorado (EUA). A expectativa de Tarantino é ter o filme pronto a tempo de inseri-lo nas programações dos festivais de Toronto e Veneza, realizados no segundo semestre de todo ano. O lançamento comercial está previsto para dezembro de 2015.

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domingo, 28 de setembro de 2014 Curiosidades, Diretores | 15:38

O deslumbre de Eva Green e outras neuroses de Frank Miller, o homem que ergueu a cidade do pecado

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Frank Miller, em foto divulgada pela Imagem Filmes, durante bate-papo com internautas

Frank Miller, em foto divulgada pela Imagem Filmes,
durante bate-papo com internautas

O sonho de Frank Miller era ter Angelina Jolie como a dama fatal da sequência de “Sin City”. Ele chegou a dizer em 2006 que a inclusão de sua história ” A dama fatal” na sequência só teria sentido com ela.  O filme que chegou no ultimo fim de semana aos cinemas brasileiros não tem Angelina Jolie como a dama fatal. As negociações nunca avançaram ao ponto desta possibilidade ser remotamente factível, mas foram suficientes para atrasar a produção em alguns bons anos.

Nove anos se passaram entre o primeiro “Sin city: a cidade do pecado” e este “Sin city 2: a dama fatal”. A  tal dama fatal ganhou as feições e sensualidade de Eva Green, que estava acontecendo quando o primeiro filme foi lançado na esteira do sucesso de “Os sonhadores” (2003), o último Bertolucci digno de nota.  A francesa aparece nua em praticamente todas as suas cenas. Gemendo ou penetrando o olhar da audiência com o azulado de seus olhos redimensionado pelo preto e branco da mise-en-scène, Eva já havia roubado as atenções de Jessica Alba – tradicional musa de Robert Rodriguez (co-diretor do filme), desde que um cartaz que insinuava seus mamilos sob uma camisola transparente fora censurado nos EUA.

“Ela foi uma verdadeira femme fatale. Alcançou talentos de várias gerações”, disse o quadrinista e diretor em um bate-papo com internautas em uma rede social como parte de uma ação promocional da distribuidora do filme no Brasil. Miller falou, ainda que por cima, sobre os planos para o terceiro filme (“Vai acontecer se a aceitação do público a este for generosa”) e as diferenças entre as mídias cinema e quadrinhos (“O cinema me suga”).

Frank Miller se sentou para responder perguntas de internautas brasileiros sabendo que “Sin City 2” comeu poeira nas bilheterias americanas e que precisaria de um bom fôlego no Box Office internacional para assegurar a possibilidade de um terceiro filme. A crítica do Cineclube para o segundo será publicada ao longo da semana.

Eva Green: a emenda que saiu melhor que o soneto...

Eva Green: a emenda que saiu melhor que o soneto…

Enquanto espera pelos tambores das bilheterias, Miller admite voltar a fazer quadrinhos.  “Vai depender da Marvel”, sobre a possibilidade de assumir o título do Capitão América.  Para o terceiro “Sin City”, ele provoca: “Já pensei em uma história com Bruce Willis e Samuel L. Jackson”, sobre os atores que já contracenaram no terceiro “Duro de matar” (1995) e em “Corpo fechado” (2000) e integraram o elenco de ‘Pulp Fiction – tempo de violência” (1994). Miller que disse que “assim que pensou em mulheres as colocou no papel”, sabe vender seu peixe.

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014 Curiosidades, Diretores | 19:56

65 tons de Almodóvar

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O cineasta no set de " A pele que habito" ( Foto: divulgação)

O cineasta no set de ” A pele que habito”
( Foto: divulgação)

Ele é hoje o principal cartão postal do cinema espanhol. Mas não somente. O espanhol Pedro Almodóvar Caballero é referência de uma arte que se pretende pensativa, problematizante, incorpórea e expansiva.

Multipremiado e admirado em todo mundo, na Espanha é mais popular do que cult, o espanhol completa 65 anos nesta quarta-feira, 24 de setembro e, naturalmente, o Cineclube não poderia deixar essa ocasião passar em branco.

Vencedor do Oscar pelo brilhante roteiro de “Fale com ela” (2002), Almodóvar é figurinha carimbada nos festivais mais prestigiados do cinema europeu, como Cannes – onde costuma debutar seus filmes, e premiações célebres como o Globo de Ouro e o Bafta.

Cineasta de extrema sensibilidade, Almodóvar foi por muito tempo rotulado de ser um “cineasta do feminino” ou “o maior expoente do cinema gay”. Se não são inverdades, são rótulos pobres em dimensionar a relevância e a abrangência do cinema do espanhol, muito mais eloquente, complexo e abrasador do que definições superficiais como essas podem atestar.

Mais recentemente, Almodóvar tem se permitido experimentar, algo que todo cineasta consagrado deve fazer. Retirar-se de sua zona de conforto. Os resultados têm sido contraditórios, mas se o extraordinário “A pele que habito” (2011) não encontra respaldo no equivocado “Os amantes passageiros”, Almodóvar sai revigorado de ambas as experiências por se mostrar surpreendente ao desafiar o próprio mito.

Sem nenhum projeto em vista, Almodóvar goza merecidas férias. Quem não as merece, de forma alguma, somos nós. Tocados por seu cinema humanizante, colorido, acolhedor, polêmico, latino e frequentemente arrebatador, nos ressentimos de sua ausência, ainda que temporária, de nossas delírios cinéfilos.

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quarta-feira, 3 de setembro de 2014 Atores, Diretores, Filmes, Notícias | 23:11

George Clooney vai dirigir filme sobre escândalo do grampos ilegais do “News of the World”

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Em 2011 o mundo assistiu assombrado o desenvolvimento de um escândalo midiático que envolveu um tradicional tabloide britânico e seu dono, o poderoso magnata das comunicações Rupert Murdoch. Os grampos ilegais que o jornal News of the World patrocinou e que violaram a privacidade de membros da família real, de celebridades internacionais como Hugh Grant e Jude Law e de políticos gerou o fim da publicação centenária e estremeceu o império do empresário australiano.

Entenda o escândalo de grampos do tabloide News of the World

George Clooney, maior astro da Hollywood atual e também um dos artistas mais interessantes de que ela dispõe, decidiu que seu próximo filme como diretor será uma adaptação do livro “Hack attack: the inside story of how the truth caught up with Rupert Murdoch”, de Nick Davies, que investiga os pormenores do escândalo e suas reverberações nos bastidores do jornalismo, da política e da economia. “Essa obra tem todos os elementos – mentiras, corrupção, chantagem – nos maiores níveis do governo por um dos maiores jornais de Londres”, disse Clooney em um comunicado enviado à imprensa. “E o fato de ser tudo verdade é a melhor parte. Nick é um jornalista corajoso e perseverante e será uma honra adaptar seu livro para o cinema”.

George Clooney  vai voltar à cadeira de diretor  (Foto: divulgação)

George Clooney vai voltar à cadeira de diretor (Foto: divulgação)

Clooney nunca escondeu sua predileção por filmes com alto teor reflexivo. Ele dirigiu “Boa noite e boa sorte” (2005), sobre a importância do jornalismo independente em uma época em que os EUA mergulhou nas sombras do macartismo, e “Tudo pelo poder” (2012), sobre as escusas negociatas nos bastidores da política. Explorar a sanha por corrupção humana e todas as nossas contradições parece um hobby de Clooney. Mas é, na verdade, uma contribuição de um artista interessado em fazer bom cinema e provocar reflexão no mesmo compasso.

As filmagens devem começar no início de 2015. Ainda não há informações sobre elenco. Clooney e seu habitual colaborador, Grant Heslov, vão escrever e produzir o filme. É esperado que Clooney também apareça como ator, como o fez em todas as suas incursões na direção. Além dos já citados, são dele “Confissões de uma mente perigosa” (2002), “O amor não tem regras” (2008)  e “Caçadores de obras-primas” (2014).

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