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segunda-feira, 14 de julho de 2014 Diretores | 22:36

Ingmar Bergman: Ah, se ele fosse vivo…

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O cineasta Ingmar Bergman  (Foto: reprodução/Premiere)

O cineasta Ingmar Bergman
(Foto: reprodução/Premiere)

Neste 14 de julho comemora-se, ou se comemoraria, o aniversário de 96 anos do sueco Ingmar Bergman. Quem? Simplesmente um dos mais altivos, influentes e importantes cineastas de todos os tempos. O Sueco morreu, aos 89 anos, em sua casa na ilha sueca de Faaro.

A importância de Bergman para o cinema pode ser traduzida na avaliação de outros dois importantes cineastas, tão prolíferos quanto foi Bergman em vida, e que admitem a influência do mestre sueco em suas obras.

“Você é hipnotizado pelos movimentos de câmera, pela riqueza temática, pela abordagem… é como assistir poesia em movimento”, disse Woody Allen em entrevista ao The Hollywood Reporter em 2011. À revista Cahiers du Cinema, a mais tradicional revista de cinema do mundo (publicada na França), o prestigiado diretor francês Jean-Luc Godard cravou: “Para Bergman, filmar é encontrar respostas para as angústias da vida. Nada poderia ser mais romântico do que isso”. A declaração foi feita na década de 50, mas Godard lembrou-se dela e a replicou em recente matéria que a mesma revista fez sobre o legado de Bergman.

O cinema do sueco, imortalizado como um dos legados da arte praticada pela humanidade, se pauta pelo interesse na razão, mas com atenção à emoção. À filosofia, Bergman dedicava o mesmo zelo dispensado à moralidade; ao estudo da fé; à compreensão da dimensão da solidão; da ardência do desejo.

Cartaz de "Persona", 1º filme em que dirigiu Liv Ullmann; seu grande amor no cinema e fora dele

Cartaz de “Persona”, 1º filme em que dirigiu Liv Ullmann; seu grande amor no cinema e fora dele

São 67 créditos como diretor.  Foram sete participações competitivas no festival de Cannes, três no festival de Berlim e outras sete presenças no festival de Veneza. Além de nove indicações ao Oscar. Ao prêmio da academia, fora nomeado como diretor, roteirista e produtor.

“Crise” (1946), seu excepcional filme de estreia, é sobre uma jovem que, ao completar 18 anos, decide deixar o interior da Suécia, onde vive com sua mãe adotiva, e ir para Estocolmo com sua mãe biológica que revelou um súbito interesse em tê-la por perto. Bergman alinha um profundo drama psicológico a partir deste mote.

Homossexualismo, mortalidade, desejo, fé, casamento e outros tópicos ainda pouco mitigados pelo cinema da metade do século XX pautam a filmografia de Bergman com destaque para as produções “O sétimo selo” (1957), “Morangos silvestres” (1957), “Vergonha” (1968), “Cenas de um casamento” (1973), “Fanny & Alexander” (1982), entre outros.

Ingmar Bergman precede o cinema no sentido de prover forma, conteúdo e espírito a uma arte que só recebeu esta alcunha depois deste sueco resolver filmar para encontrar respostas.

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sábado, 5 de julho de 2014 Análises, Diretores | 07:00

Os novos rumos do cinema de Alejandro González Iñárritu

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O diretor Alejandro González Iñárritu

O diretor Alejandro González Iñárritu (Fotos: divulgação)

Ele surgiu arrebatador com “Amores brutos”, filme mexicano indicado ao Oscar de produção estrangeira em 2001 e que, entre outros predicados, tinha a então revelação Gael Garcia Bernal como protagonista.

A produção marcava a inauguração da parceria com o roteirista Guillermo Arriaga, colaboração esta que renderia, ainda, o ótimo “21 gramas” (2003) e o irregular “Babel” (2006) antes de se desintegrar em meio a vaidades e intolerâncias de ambas as partes. Arriaga reclamava para si os méritos dos filmes enquanto Iñarritu fazia o mesmo. Seguiram por caminhos opostos.

Iñarritu aliou-se ao internacional Javier Bardem e fez “Biutiful”, poderoso drama sobre um homem marcado para morrer por um câncer feroz e que ainda sofre com uma mediunidade indesejada. O filme foi à Cannes e ao Oscar e mostrou que se Arriaga era parte fundamental do processo criativo de Iñarritu não era todo o processo criativo. O roteiro de “Biutiful”, ainda que mais tradicional, apresenta uma estrutura rica dramática e narrativamente; e é de autoria do próprio cineasta.

Quatro anos depois do lançamento de “Biutiful”, Iñarritu se prepara para lançar ‘Birdman”, um filme aparentemente inusitado em sua obra. Trata-se da história de um ator que viveu um super-herói no cinema e depois nunca mais conseguiu outro sucesso na carreira. Ele agora tentar uma reinvenção na Broadway. Metalinguagens à parte, esse ator é vivido por Mikael Keaton; que, para quem não sabe, viveu o Batman nos dois primeiros filmes dirigidos por Tim Burton. Mais estranheza? O filme é uma comédia que flerta sem medo com o drama e o nonsense. Há não muito tempo atrás, o cineasta Darren Aronofsky também ensaiou uma reinvenção com um ator amaldiçoado. O ator era Mickey Rourke e o filme, “O lutador”, que ganhou o leão de Ouro no festival de Veneza em 2008 e mostrava a dura jornada cotidiana de um ex-campeão de luta livre para pagar as contas enquanto revive, em tom farsesco, as glórias do passado.

 

“Birdman”, programado para estrear em outubro nos EUA, é apontado como uma das potenciais surpresas da temporada de premiações do cinema americano. De qualquer maneira, o burburinho positivo em torno do filme já desperta mais interesses sobre o trabalho seguinte de Iñarritu. “The Revenant” será seu primeiro filme de estúdio nos EUA. “Babel” foi bancado por um braço independente da Paramount, já desativado.

O filme terá Leonardo DiCaprio como protagonista. DiCaprio ultimamente tem se notabilizado por só trabalhar com diretores prestigiados e com uma identidade artística singular. Entre os últimos cineastas com quem estabeleceu parceria figuram Christopher NolanClint EastwoodQuentin Tarantino e Baz Luhrmann. Além, é claro, de Martin Scorsese (com quem já rodou cinco filmes, entre eles o recente “O lobo de Wall Street”). No novo filme, que deve começar a ser rodado no último trimestre no Canadá,  DiCaprio fará um guarda de fronteira abandonado por seus amigos depois de ser atacado por um urso. Ele sobrevive e parte em busca de vingança. A ação se passa no século XIX. É outro projeto radicalmente distinto da filmografia que tornou Iñarritu famoso no círculo da cinefilia.

É difícil apontar para onde o cinema de Inãrritu vai depois de “Birdman” e “The Revenant”, mas é seguro dizer que é um caminho corajoso o que ele segue e muito mais calculado do que um primeiro olhar pode fazer crer.

Confira o trailer de “O lutador”

 Confira o primeiro trailer de “Birdman”

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segunda-feira, 2 de junho de 2014 Diretores, Notícias | 22:34

Edward Snowden pode ser a senha para Oliver Stone recuperar a relevância artística

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O ex-analista da NSA, Edward Snowden será tema do novo filme de Oliver Stone (Foto: AP/Guardian)

O ex-analista da NSA, Edward Snowden será tema do novo filme de Oliver Stone (Foto: AP/Guardian)

Entre o fim dos anos 80 e a primeira metade dos anos 90 não havia cineasta mais significativo, temido e ousado do que Oliver Stone. Fortemente liberal, esse americano nascido em Nova York dirigiu alguns dos filmes políticos mais ácidos produzidos nos EUA no período. Mirou na guerra do Vietnã (“Platoon” e “Nascido em quatro de julho”, na sociedade de consumo (“Assassinos por natureza”) e nas teorias conspiratórias (“JFK – a pergunta que não quer calar”).

Já faz mais de vinte anos que Oliver Stone não consegue se notabilizar a não ser pela polêmica fácil e simples. Das cinebiografias dos presidentes americanos, Bush foi o último pincelado por ele no dispensável “W” (2008), à recriação do drama da queda das torres gêmeas pela perspectiva de dois bombeiros que ficaram sob os escombros do World Trade Center, “As torres gêmeas” (2006), Stone acostumou-se a ser uma sombra do cineasta que foi um dia.

Depois de produzir e dirigir uma série documental para a tv americana em que conta uma versão alternativa para muitos fatos que marcaram a história americana, intitulada “The Untold history of The United States”(2012-2013), Stone prepara um retorno em grande estilo. Ele irá dirigir um filme sobre Edward Snowden, o homem cuja complexidade para defini-lo desafia articulistas políticos e jornais em todo o mundo.

Oliver Stone orienta o ator Josh Brolin, caracterizado como Bush, em "W" (Foto: divulgação)

Oliver Stone orienta o ator Josh Brolin, caracterizado como Bush, em “W” (Foto: divulgação)

Stone, de acordo com a revista Variety, está escrevendo o roteiro do filme que será baseado no livro “The Snowden files: The inside story of the World´s most wanted man”, do jornalista Luke Harding.

O livro é considerado um thriller cinemático e tudo indica que Stone irá se beneficiar dessa lógica narrativa. Em suas incursões pelo mundo financeiro, fez dois filmes sobre os bastidores de Wall Street, Stone apropriou-se desse ritmo de thriller para contar uma história sobre os pilares e fundamentos do capitalismo. A ideia é evocar o clima de “JFK – a pergunta que não quer calar”, já que Snowden é um personagem que favorece teorias conspiratórias.

Fazer um filme sobre um dos personagens mais controvertidos do novo século, Julian Assange, Mark Zuckerberg e Steve Jobs seriam outros, mas já tiveram seus filmes, pode ser a redenção que Stone tanto busca como cineasta.

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terça-feira, 29 de abril de 2014 Análises, Bastidores, Diretores | 21:52

Diretores que foram do indie ao cinemão

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Marc Webb, diretor de “O espetacular Homem-aranha 2: a ameaça de Electro”, também responsável pelo primeiro filme, anunciou há pouco tempo que não dirigirá o quarto filme. Isso mesmo. O quarto filme. O segundo nem sequer foi lançado e já se fala do quarto filme. É assim mesmo em Hollywood. Mas a razão para Marc Webb pôr a carroça na frente dos bois é de que ele é um dos egressos do cinema independente a serviço do cinema mainstream, aquele bancado pelos grandes estúdios. Webb tem a esperança de que agora, com mais cacife, possa bancar projetos mais autorais, como aquele que o pôs no mapa, “500 dias com ela” (2009). Comédia romântica indie para lá de alternativa e geek que marcou época no fim da década passada. A Sony queria justamente essa pegada nerd, mas cheia de ternura para o reboot do Homem-Aranha e desde então, Marc Webb joga no “time dos vendidos” do cinema americano. Esse time é constituído por cineastas surgidos no cinema independente que logo romperam a fronteira e foram trabalhar sob as asas dos estúdios.

Marc Webb em entrevista promocional do novo "Homem-Aranha"  (Foto: reprodução/Internet)

Marc Webb em entrevista promocional do novo “Homem-Aranha” (Foto: reprodução/Internet)

O filme mais visto no último fim de semana nos Estados Unidos foi “Mulheres ao ataque” (no Brasil, previsto para 08/05), comédia estrelada por Cameron Diaz que é uma das apostas da Fox para essa temporada pipoca. Na cadeira de diretor, Nick Cassavetes. O caso de Cassavetes é ainda mais emblemático dessa mudança de paradigma. Ele é filho do ator e cineasta John Cassavetes, um dos maiores expoentes do cinema independente americano. Entre trabalhos como ator e diretor, Nick sempre flertou com o cinemão; é dele, por exemplo, o meloso “Diário de uma paixão” (2002). Mas seus melhores trabalhos foram feitos às margens dos estúdios (“Loucos de amor” e “Um ator de coragem”, para citar dois exemplos).

Outra atração em cartaz nos cinemas de todo mundo atualmente é “Divergente”, adaptação da obra de Veronica Roth. Seu diretor, Neil Burger,também se fez no cinema independente com os bem azeitados “O ilusionista” (2006) e “Gente de sorte” (2008). “Divergente” é seu segundo filme de estúdio. O primeiro foi o thriller jeitosinho “Sem limites” com Bradley Cooper e Robert De Niro.

Grife a serviço do cinemão

Quentin Tarantino continua fazendo filmes tarantinescos.  Filmes que só ele pode fazer. Mas o homem que revitalizou o cinema independente americano em 1994 com “Pulp Fiction – tempos de violência” migrou para o cinemão. Seus últimos dois longas-metragens foram financiados por poderosos estúdios. “Bastardos inglórios” (2009) foi parcialmente bancado pela Universal, enquanto que “Django livre” (2012) foi inteiramente produzido pela Sony.

Outros dois cineastas com tiques narrativos bastante reconhecíveis seguiram o mesmo caminho de Tarantino. Paul Greengrass, diretor do premiadíssimo “Domingo sangrento” (2002), era uma aposta arriscada para sequência de “A identidade Bourne” (2002), mas depois do que ele fez com “A supremacia Bourne” (2004), redefinindo a maneira de se filmar a ação no gênero que mais movimenta as bilheterias no cinema, Greengrass jamais voltou a trabalhar fora do circuito de estúdios, ainda que faça filmes sérios e adultos como “Voo United 93” (2006) e “Capitão Phillips” (2013).

Guy Ritchie quase pôs fim a sua carreira durante o casamento com a pop star Madonna. Uma carreira que causou sensações com apenas dois filmes, “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes” (1998) e “Snatch – porcos e diamantes” (2000), mas reinventou-se como o homem por trás do Sherlock Holmes vivido por Robert Downey Jr. em dois filmes divertidos, mas bem aquém de seu talento.

Quentin Tarantino no set de "Django Livre": o mesmo, mas amplificado (Foto: divulgação)

Quentin Tarantino no set de “Django Livre”: o mesmo, mas amplificado (Foto: divulgação)

 

Neil Burger dirige Shailene Woodley em "Divergente": pelo prazer de fazer um filme pop (Foto: Divulgação)

Neil Burger dirige Shailene Woodley em “Divergente”: pelo prazer de fazer um filme pop (Foto: Divulgação)

 

Guy Ritchie entre Jude Law e Robert Downey Jr.: maneirismos do cinema independente a serviço de blockbusters (Foto: Divulgação)

Guy Ritchie entre Jude Law e Robert Downey Jr.: maneirismos do cinema independente a serviço de blockbusters (Foto: Divulgação)

Ser ou não ser mainstream?

“Os suspeitos” (1995) e “O aprendiz” (1998) são dois dos filmes mais inventivos da década de 90 e ambos são dirigidos por Bryan Singer, de todos dessa lista, o que “se vendeu” mais cedo. Sem Singer, esse novo “Homem-Aranha” de Webb não estaria por ser lançado. O homem fez “X-men: o filme” em 2000 e salvaguardou o posto de mídia a ser explorada pelo cinema para as HQs da Marvel, até então vítimas de uma espécie de maldição.

Em 2014, Singer lança um novo filme da franquia mutante e parece não ter saudades dos tempos de cinema independente.

Com Darren Aronofsky, que tem seu “Noé” fazendo algum barulho nos cinemas de todo mundo, o dilema parece mais profundo.

O diretor exibiu extremo talento nos filmes “Pi” (1998) e “Réquiem para um sonho” (2000). Eram filmes pesados, narrativamente densos, mas visualmente incríveis. Não demorou para um estúdio apostar nele. A Warner até tinha considerado seu nome para dirigir “Batman begins”, mas problemas pessoais o impediram de assumir o projeto. Aí surgiu um certo Christopher Nolan, outro que se fez no cinema independente…

Mas a Warner não estava disposta a desistir de Aronofsky e liberou algo em torno de U$ 50 milhões para ele fazer “A fonte da vida”, uma ficção existencialista. O filme, fracasso retumbante, não rendeu nem U$ 10 milhões e Aronofsky, por baixo, voltou ao cinema independente. Fez com recursos escassos o tocante “O lutador” (2008) e ganhou o leão de Ouro em Veneza. Pelo trabalho seguinte, “Cisne negro” (2010), foi indicado ao Oscar de diretor.  O filme protagonizado por Natalie Portman rendeu inesperados U$ 106 milhões nos EUA e Aronofsky voltou a ser sondado por estúdios. A Fox o contratou para dirigir “Wolverine: imortal” (2013), mas ele brigou com o estúdio porque queria ter a palavra final sobre o corte (montagem que vai para os cinemas) e acabou fora do projeto, que seria dirigido por James Mangold. A Paramount, no entanto, abarcou sua ideia para “Noé” e bancou a produção que consumiu cerca de U$ 130 milhões. Não foram poucas as desavenças entre estúdio e diretor durante as filmagens. Aronofsky parece disposto a atuar no cinemão, mas sem abrir mão da alma indie. Esse pode ser o pior dos mundos.

Darren Aronofsky bate um papo com Russell Crowe no set de "Noé": entre a cruz e a espada no tocante à liberdade criativa (Foto: Divulgação)

Darren Aronofsky bate um papo com Russell Crowe no set de “Noé”: entre a cruz e a espada no tocante à liberdade criativa (Foto: Divulgação)

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Diretores | 17:50

Richard Linklater e a busca constante pela vanguarda no cinema

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O diretor americano Richard Linklater (Foto: Getty)

O diretor americano Richard Linklater (Foto: Getty)

Richard Linklater tem dois Ursos de Prata conquistados nos festivais de Berlim de 1995 e 2014. Talvez seja pouco. Talvez a distância entre os prêmios, ele foi indicado a muitos outros (inclusive o Oscar) no ínterim, denuncie um diretor que rejeita rótulos. Linklater é americano, tem 53 anos e faz filmes “fora da caixa”. Além da trilogia que celebra a DR (discussão de relação), constituída por “Antes do amanhecer “(1995), “Antes do pôr- do- sol (2004) e “Antes da meia-noite” (2013), são seus “Waking life” (2001) – uma animação pasteurizada com cenas filmadas sobrepostas a uma película que imita a textura das animações flash, “Escola de rock” (2003), “Nação Fast Food: uma rede de corrupção” (2006) e “Bernie – quase um anjo” (2011).

Linklater fez um híbrido de animação e live-action em um momento em que as animações digitais ainda se estabeleciam (“Sherk” é do mesmo ano de “Waking life”), fez um filme denúncia sobre um dos maiores prazeres do americano médio, o fast food, e colocou Jack Black nos anais da cultura pop como o despirocado professor do neoclássico “Escola do Rock”.

O maior feito desse cinquentão, no entanto, foi destrinchar uma história de amor por três décadas. “Antes do amanhecer”, em que dois jovens se apaixonam em uma noite de muita conversa e imaginação em Viena , surgiu de uma noite em que passou na companhia de uma estranha. Os outros dois filmes surgiram do esforço conjunto com os atores Ethan Hawke e Julie Delpy em fazer história. Enquanto um quarto filme do casal mais verdadeiro do cinema não vêm, Linklater lança o que então se revela seu projeto mais ambicioso. “Boyhood”, ainda sem nome em português, mas que significaria algo como “juventude de um menino”, foi rodado ao longo de 12 anos com um punhado de atores, entre eles o chapa Ethan Hawke, e tem como objetivo o monitoramento do crescimento desse menino (Ellar Coltrane).  O filme valeu o segundo prêmio de direção a Linklater em Berlim e intriga pela proposta estética complexa e de difícil execução.

A ideia de documentar, mas não deixar de fazer ficção não é exatamente nova. No Brasil, o cineasta João Jardim, que lança o drama “Getúlio” nesta semana, já experimentou com certo êxito essa abordagem em “Amor?”, em que colocava histórias reais de agressões passionais para serem narradas por atores profissionais como Eduardo Moscovis, Ângelo Antônio e Júlia Lemmertz. Mas o que Linklater propõe é mais radical. É uma experiência cinematográfica totalmente nova ao fundir a literalidade do tempo aos registros ficcional e real.

Os atores se reuniam apenas uma semana por ano para gravar. Como suas experiências de vida agregavam ao roteiro? Até que ponto os personagens foram influenciados por essas efêmeras reuniões? Essas respostas só quando do lançamento do filme, que permanece sem uma data definida para chegar aqui ao Brasil, mas o trailer nos encanta com as divagações suscitadas.

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