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segunda-feira, 5 de novembro de 2018 Críticas, Filmes | 15:25

Versão oficial da história do Queen, “Bohemian Rhapsody” é montanha-russa de emoção para os fãs

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Cena de "Bohemian Rhapsody" que recria o histórico show do Queen no Live Aid em 1985

Cena de “Bohemian Rhapsody” que recria o histórico show do Queen no Live Aid em 1985

Há uma cena em “Bohemian Rhapsody”, a aguardada cinebiografia de Freddie Mercury e da banda Queen, em que o vocalista da banda tenta argumentar com o produtor da EMI Ray Foster (vivido com histrionismo por Mike Myers) porque a música que dá nome ao filme deveria ser o primeiro single de “A Night at the Opera”, segundo disco da banda.

Mercury (Rami Malek) diz que a banda não quer e não vai seguir fórmulas e que busca transcender por meio de sua arte. É uma ambição e tanto e também um lastro que o Queen deixou, mas que “Bohemian Rhapsody” não consegue dimensionar. Isso não implica na constatação de que o filme é ruim, apenas em reconhecer que não faz jus ao legado da banda e não atinge toda a sua potencialidade enquanto cinema.

Marcado por polêmicas e turbulências, “Bohemian Rhapsody” foi desde muito cedo taxado como o filme oficial da banda. Com Roger Taylor e Brian May como produtores, o filme perdeu seu protagonista, que seria Sacha Baron Cohen por divergências criativas. Cohen queria fazer um retrato de Freddie que afrontava o que a banda queria mostrar. Depois veio a demissão de Bryan Singer, que continua creditado como diretor. Dexter Fletcher, creditado como produtor executivo e que em 2019 lança a cinebiografia de outro astro do Rock, Elton John, rodou algumas cenas e encerrou os trabalhos.

Se os tumultuados bastidores honram o espírito Rock´n Roll de uma das maiores bandas de todos os tempos, revestiram de incerteza o que se veria no cinema. O longa não tem problemas de ritmo como muitos imaginariam e não tergiversa a respeito da homossexualidade de Mercury, mas assume desavergonhadamente ser a versão do Queen para sua história e a de seu front man.

O roteiro óbvio ratifica a vocação chapa-branca do filme que encontra espaço para mostrar como Freddie Mercury não era o único gênio do Queen, o que demonstra que o longa também foi palco de certa egolatria dos demais integrantes da banda. Menos de John Deacon, no filme interpretado com cadência e sutileza por Joseph Mazzello, que não participou da produção.

Reencarnação ou imitação?

O Queen do cinema Fotos: divulgação

O Queen do cinema
Fotos: divulgação

Rami Malek não era uma escolha óbvia para viver o complexo Freddie Mercury, mas o ator que ganhou fama como o protagonista da série “Mr. Robot” se provou a altura do desafio. A capilaridade dramática desse registro do Queen, que se comunica melhor com os fãs, está toda concentrada em seu trabalho. Malek tem alguma dificuldade em dimensionar o jovem Freddie, mas talvez por conta do roteiro que se fragmenta demais no começo da jornada da banda. Quando o registro envereda pelos anos 70 e 80, Malek domina completamente a cena com energia e carisma que não ficam a dever ao personagem que interpreta.

Todavia, se nos momentos mais dramáticos, ele parece reencarnar Mercury, nos momentos mais performáticos, parece se contentar com a imitação. Não chega a ser algo ruim ou incômodo, mas é uma rusga em um filme que parece divergir de si mesmo.

 

Final apoteótico

O longa, afinal, toma uma série de liberdades poéticas e narrativas para aclimatar melhor suas necessidades dramáticas e apresenta pelo menos um easter egg genial ao brincar com “Quanto Mais Idiota Melhor”, em que Mike Myers e sua turma cantam Bohemian Rhapsody dentro de um carro.

A mais controvertida das liberdades narrativas do filme foi situar semanas antes do histórico show no Live Aid a revelação de Mercury para os demais

Mike Myers responde por um inteligente comentário no filme sobre a obra que é a música Bohemian Rhapsody

Mike Myers responde por um inteligente comentário no filme sobre a obra que é a música Bohemian Rhapsody

integrantes da banda de que era portador do vírus da AIDS. O ajuste serve bem ao registro dramático, mas é uma imprecisão grave para um filme que se pretende recriar a trajetória do cantor. Ele revelara ser HIV positivo em 1987, dois anos depois do referido show.

Junte-se a isso menções escorregadias ao temperamento turbulento de Freddie e a seu vício em drogas e você tem um ambiente propício a críticas não tão construtivas assim. De todo modo, tudo isso se apequena diante dos 20 minutos finais, em que o show do Live Aid, é reencenado nos mínimos detalhes. É aí, e somente aí, que “Bohemian Rhapsody” abraça o espetáculo maior que a vida que é o Queen e ganha a audiência com energia e paixão.

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quarta-feira, 31 de outubro de 2018 Críticas, Filmes | 19:43

“Tamara” recria trajetória de 1ª transmulher eleita deputada na América Latina

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A Tamara Adrian da vida real: inspiração para um delicado filme venezuelano

A Tamara Adrian da vida real: inspiração para um delicado filme venezuelano

Não é de hoje que a transexualidade e os direitos de cidadãos transgêneros estão em pauta, mas é assombroso o quanto enquanto sociedade ainda precisamos evoluir. É de adensar essa perspectiva que o filme “Tamara”, que estreia nesta quinta-feira (1º) em São Paulo, se incumbe.

O filme de Elia K. Schneider reconstitui a trajetória de Tamara Adrian, a primeira transmulher eleita como deputada para a Assembleia Nacional da Venezuela – foi a primeira pessoa transexual eleita para um cargo legislativo na América Latina. Isso foi em 2016. Nas eleições 2018, São Paulo elegeu Erica Malunguinho da Silva, a primeira trans da história da Assembleia Legislativa.

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O ineditismo dos feitos de Tamara e Erica, claro, clamam por atenção cinematográfica, mas Schneider não perde de vista os elementos humanos, os intrincados conflitos emocionais e psicológicos, bem como o açoite do preconceito, que precederam essas conquistas tão pessoais como comunitárias.

Quando encontramos Tamara ela ainda é Teo e tem dificuldades de vocalizar a angustia que vive com o próprio corpo. Essa investigação psicológica, mas também corpórea, é um dos trunfos da primeira metade do filme e a cineasta confia ao ótimo Luis Fernández o lastro emocional dessa viagem tão turbulenta quanto apaixonante.

As muitas rupturas e inseguranças, bem como o encontro com o amor são fonte de coragem e retrocesso em uma jornada trôpega e sem respostas prontas. Schneider, é bem verdade, se escora em clichês que poderiam ser suavizados, mas o corte final de seu filme tem muita alma e coração. Tamara Adrian é senhora de uma história tão inspiradora quanto necessária para que o processo de conscientização que a sociedade atravessa não seja interrompido por espasmos de conservadorismo.

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Em um universo cinematográfico que habitam filmes como “Uma Mulher Fantástica” (2017), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2018, e “Laurence Anyways” (2012), é o aspecto “baseado em uma história real”, que torna “Tamara” tão especial e vívido.

O ator Luis Fernández durante a transição de Teo em Tamara Fotos: Publico/Divulgação

O ator Luis Fernández durante a transição de Teo em Tamara
Fotos: Publico/Divulgação

“Tamara” está em cartaz no Espaço Itaú Augusta de Cinema com sessões às 13h50, 16h10 e 21h30.

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domingo, 30 de setembro de 2018 Filmes, Notícias | 17:34

“If Beale Street Could Talk”, novo de Barry Jenkins, promete ser cult instantâneo

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Cena do novo filme de Barry Jenkins, "If Beale Street Could Talk"

Cena do novo filme de Barry Jenkins, “If Beale Street Could Talk”

Sabe aquele sentimento de quando você se depara com um cult instantâneo? “If Beale Street Could Talk”, novo filme de Barry Jenkins suscita esse tipo de expectativa. O novo filme do diretor de “Moonlight – Sob a Luz do Luar” recorre à mesma poesia, à mesma introspecção para abordar o racismo na América do oscarizado antecessor, mas com uma dinâmica inortodoxa, por meio de uma história de amor.

Baseado na obra do escritor americano James Baldwin, um intelectual negro inconformista que se imortalizou como um das vozes mais potentes contra o racismo institucionalizado nos EUA (para conhece-lo melhor recomenda-se o filme “Eu Não Sou Seu Negro”), “If Beale Street Could Talk” acompanha Tish (Kiki Layne), que está grávida, e sua desesperada luta para tirar o marido Fonny (Stephan James) da prisão, onde ele está por um crime que não cometeu e muito por causa da cor de sua pele.

A opção, estética e narrativa de Jenkins, por ressaltar a beleza em uma história tão triste e celebrar a resiliência de seus personagens parece ser um dos pontos fortes de seu filme que ganhou aclamação da crítica e do público no último festival de Toronto. Por enquanto, ainda não há distribuição garantida no Brasil, o que deve mudar com a proximidade da temporada de premiações.

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quinta-feira, 20 de setembro de 2018 Filmes, Notícias | 13:21

Cary Fukunaga será primeiro americano a dirigir um filme de James Bond

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Cary Fukunaga

Os produtores Michael G. Wilson e Barbara Broccoli anunciaram na manhã desta quinta-feira (20), que Cary Joji Fukunaga será o responsável pela direção do 25º filme de James Bond. Ele substitui o britânico Danny Boyle, que deixou o posto em virtude de divergências criativas com a produção. Fukunaga é o primeiro norte-americano a assumir a direção de um filme de Bond. É um marco e sintoma de que os produtores estão menos inflexíveis com dogmas da franquia.

Foi Fukunaga, também, quem deu um dos melhores papeis da vida de Idris Elba, cotado para ser o próximo James Bond. “Beasts of No Nation” foi o primeiro filme original lançado pela Netflix. Fukunaga, aliás, lança nesta sexta-feira (21) na plataforma de streaming “Maniac”, uma série limitada estrelada por Emma Stone e Jonah Hill. Ele também dirigiu a primeira e elogiadíssima temporada de “True Detective”.

A escolha de Fukunaga é ousada porque, além de ser o primeiro americano à frente de um filme de 007, o cineasta vem de um background indie e tem uma gramática visual das mais interessantes do cinema contemporâneo.

As gravações de “Bond 25” começam no Pinewood Studios, no Reino Unido, em 4 de março de 2019, e o lançamento está programado para 14 de fevereiro de 2020 – três meses depois do previsto inicialmente.

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segunda-feira, 13 de agosto de 2018 Críticas, Filmes | 10:36

Musical fofo, “Ana e Vitória” se viabiliza como retrato de uma geração

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Cena de "Ana e Vitória" Fotos: divulgação

Cena de “Ana e Vitória”
Fotos: divulgação

Uma das duplas mais bem sucedidas da música brasileira na atualidade, Anavitória ainda tem pouca rodagem para ganhar um filme sobre sua história, mas “Ana e Vitória” não é exatamente uma cinebiografia. O quarto filme do cada vez melhor Matheus Souza é um musical que se comunica com a juventude contemporânea no mesmo compasso em que a retrata. Ana Caetano e Vitória Falcão calham de serem as protagonistas dessa história.

O filme, dividido em três janelas temporais muito específicas, mostra a aproximação de Ana e Vitória, o desejo latente de fazer arte – algo comum na juventude – e a consolidação da carreira como dupla de sucesso da música brasileira. No ínterim, amores e desamores inspiram música, amadurecimento e o fortalecimento de uma amizade que parecia ser nada mais nada menos do que um acidente de percurso.

O filme é, antes de qualquer coisa, uma bem sacada jogada de marketing para fortalecer o status quo da dupla. Um novo CD, com as músicas compostas para o filme, foi lançado junto com a obra audiovisual. A preocupação da realização – e a ideia original do filme é do mesmo Felipe Simas que organiza e gerencia a carreira da dupla – era reafirmar o apelo da dupla junto a um público adolescente que vê nelas um espelho de suas ambições, anseios e inseguranças. É um gol de placa.

“Ana e Vitória” é um filme teen como outro qualquer, mas é adornado por uma aura muito particular. Traço indesviável da personalidade de suas protagonistas, que no começo do filme estão desconfortáveis na condição de intérpretes de si mesmas, mas que com o desenrolar da trama vão vestindo a carapuça de atrizes com mais propriedade.

A se registrar a naturalidade com que a sexualidade das duas personagens é explorada. Trata-se de um avanço em matéria de dramaturgia no Brasil, avanço este que nossa televisão ainda se mostra resistente, e um reflexo da compreensão por parte da realização de seu público. “Ana e Vitória” é um filme fofo, mas é um filme fofo cheio de segundas intenções.

 

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domingo, 12 de agosto de 2018 Críticas, Filmes | 12:22

“O Animal Cordial” redimensiona regras do slasher com crítica social penetrante

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Murilo Benício está brilhante em "O Animal Cordial" Foto: divulgação

Murilo Benício está brilhante em “O Animal Cordial”
Foto: divulgação

Convencionou-se olhar para o slasher movie, subgênero do terror, como uma conservadora construção a respeito da moral e dos costumes, com minorias figurando entre as primeiras vítimas e virgens triunfando no final. Variações ao longo dos anos alteraram um pouco esse referencial, mas não o destituíram. Desnecessário dizer que o Brasil tem pouca tradição na escola slasher de fazer cinema. Mas esqueceram de avisar a Gabriela Amaral Almeida.

A estreia de Almeida na direção de longas-metragens não poderia ser mais incisiva, revisionista e libertadora dentro dos cânones do slasher. “O Animal Cordial” conjuga signos e subverte-os para dar nova dimensão ao gênero e aos prepostos da realização.

Inácio tem um restaurante de classe média em São Paulo. Negócio este suscetível aos caprichos das crises econômicas que se enfileiram no País. Circunstâncias que causam atritos entre Inácio e seus funcionários, como a banal a respeito do horário de ir embora quando um casal chega ao estabelecimento a quinze minutos da cozinha fechar.

Inácio dá pistas de que se sente pressionado e está ansioso com a visita de um crítico gastronômico, amigo de sua mulher, que fará uma visita ao restaurante nos próximos dias. A insegurança dele salta aos olhos do espectador quando o vemos ensaiando para a ocasião e tentando acomodar referências para receitas que ele não domina.

Antes daquela noite que já se anuncia longa acabar, um assalto. Dois homens entram no restaurante e anunciam o assalto. Além do casal, do cozinheiro Dejair (Irandhir Santos), da garçonete Sara (Luciana Paes), há o policial aposentado (Ernani Moraes) no restaurante.

A tensão que se constrói a partir daí é crescente e ininterrupta.

Atenção aos signos

Luciana Paes em cena de "O Animal Cordial"

Luciana Paes em cena de “O Animal Cordial”

Almeida filma os corpos e os estratos da violência como cortes de carne. A primitividade dos instintos ganha força no registro da cineasta – repare na densidade carnal da cena de sexo regada a sangue.  A cineasta encontra uma veia estética que agrega valor e fundamentação filosófica em sua obra.

O filme parece muito consciente das regras do gênero e justamente por isso não se avexa de subvertê-las em favor de certo comentário político em detrimento da força dramática. O final, com uma elipse que nega ao público certa catarse sádica, devolve ao único personagem que não ostenta um defeito sequer ao longo da trama vida e liberdade. Almeida flagra um País em psicose e se vale dos arquétipos presentes naquele restaurante para redimensionar um gênero por meio de uma crítica social pungente e penetrante.

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quinta-feira, 9 de agosto de 2018 Críticas, Filmes | 12:13

Thriller conjugal, “Acrimônia” opõe vitimismo feminino a masculinidade tóxica

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Acrimônia

Sabe aquele filme que é ruim, mas é bom? Essa uma maneira de perceber “Acrimônia”. O novo filme de Tyler Perry (“O Clube das Mães Solteiras” e “O Diário de uma Louca”). Tendencioso e sem qualquer sutileza em seus arranjos narrativos, esse thriller conjugal é incrivelmente sedutor na maneira como propõe seus conflitos.

Quando o filme começa vemos uma raivosa e desiludida Melinda (Taraji P. Henson) sendo repreendida pelo juiz. Fica claro que ela está ressentida com seu ex-marido e sua nova mulher, mas as razões ainda estão difusas. Ela é obrigada pelo tribunal a fazer terapia para controle da raiva e é nesse ambiente que somos apresentados a história dela com Robert (vivido na fase jovem por Antonio Madison e por Lyriq Bent na fase adulta).

A versão que nos é apresentada é a de Melinda e, mais para frente, o filme abandona a versão dela para adotar um tom mais imparcial na narrativa. É uma solução questionável do ponto de vista estrutural, mas que funciona no contexto de “Acrimônia”.

O filme de Perry tem uma noção incômoda de feminismo. Ele trata de masculinidade tóxica, mas aborda também o vitimismo feminino em um contexto tão amplo que é difícil pormenorizar. Há, ainda, um comentário sobre relações afetivas mal elaboradas e é justamente aí que o filme apresenta um senso de humor mais perverso e chocante.

“Acrimônia” não pode, ou deve, ser visto como um tratado sobre nenhum desses temas, mas ele navega com desenvoltura por eles e extrai desse bem-vindo choque um drama bem costurado e intrigante.

Melinda se ressente da maneira parasitária que sua relação com Robert se construiu. Enquanto ela sustentava a casa, ele se dedicava quase que exclusivamente a um projeto de energia renovável que poderia ou não vingar. Adicione a isso pitadas de infidelidade, orgulho e instabilidade familiar e você tem um filme que flerta com a identificação do público a cada fotograma.

Não obstante, “Acrimônia” resgata um subgênero muito popular no cinema americano do final dos anos 80 e início dos anos 90 que tinha em figuras como Adrian Lyne, Phillip Noyce e Paul Verhoeven seus grandes expoentes.

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quarta-feira, 8 de agosto de 2018 Críticas, Filmes | 16:25

Joaquin Phoenix é um homem destituído de si em “Você Nunca Esteve Realmente Aqui”

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Pense em um episódio de uma das séries produzidas por Dick Wolf com tons de “Taxi Driver”, o clássico de Martin Scorsese, e você terá uma ideia do que é “Você Nunca Esteve Realmente Aqui”, novo filme de Lynne Ramsey (“Precisamos falar sobre o Kevin”). Baseado no livro homônimo de Jonathan Ames, o filme acompanha a jornada de Joe, vivido com destreza e energia por Joaquin Phoenix, um ex-militar que sofreu abusos na infância, tem fantasias com suicido, cuida da mãe idosa e faz serviços para quem está disposto a pagar por vingança.

Leia também: O que esperar do filme do Coringa com Joaquin Phoenix?

Lynne Ramsey não está exatamente interessada na atividade de Joe, ou no fato dele estar tentando resgatar a filha de um político que foi sequestrada por traficantes sexuais. “Você Nunca Esteve Realmente Aqui” é um filme sobre a dor de Joe ser quem ele é. Da insustentável aflição que o faz se esgueirar entre a generosidade e a brutalidade.

Há momentos em que o longa lembra “Drive” (2011), obra-prima do esteta Nicolas Winding-Refn, mas são momentos difusos. A música, uma das melhores composições para cinema de Johnny Greenwood, é uma força perene no filme e que ajuda a dimensiona-lo como uma experiência demorada, incômoda e abstrata.

O ritmo lento do desenvolvimento da trama se justifica pela necessidade de Ramsey em sublinhar a angústia de seu protagonista, para todos os efeitos um espectro, não um homem, mas a estranheza que enseja talvez afaste o espectador mais do que o necessário.

A maneira como a cineasta registra a violência é outro destaque e mais uma diferença fundamental em relação a “Drive”. Aqui não só há desglamourização da violência, como sua desidratação absoluta. Nesse sentido, o pesar e sofrimento expressos, mas também interiorizados, na performance de Phoenix adunam aquilo que o filme tem de mais pungente e soberano. Não à toa, ator e roteiro saíram premiados do Festival de Cannes em 2017.

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domingo, 29 de julho de 2018 Filmes, Notícias | 19:06

Mais jovem traficante e informante da história dos EUA é tema de “White Boy Rick”

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Matthew McConaughey em cena de "White Boy Rick"

Matthew McConaughey em cena de “White Boy Rick”

Mesmo fora do circuito de festivais, Toronto e Veneza anunciaram seus respectivos line-ups no início da semana, “White Boy Rick” suscita burburinho para a temporada de premiações e é a grande aposta da Sony Pictures para a temporada do Oscar 2019. Dirigido por Yann Demange, proveniente da TV americana, o longa tem Matthew McConaughey, Jennifer Jason Leigh, Bruce Dern e Eddie Marsan no elenco. O protagonismo fica por conta do estreante Richie Merritt.

Ambientando na Detroit dos anos 1980, no auge da epidemia de crack e da Guerra às Drogas, “White Boy Rick” é baseado na tocante história real de um pai colarinho azul e de seu filho adolescente, Rick Wershe Jr., que se tornou um informante infiltrado da polícia e, depois, um traficante, antes de ser abandonado por seus agentes e parceiros e sentenciado à prisão perpétua. A estreia no Brasil está agendada para 31 de janeiro de 2019. Nos EUa, o longa abre em setembro, primeira janela para filmes que miram no Oscar, mas não necessariamente tem a plataforma dos festivais para decolar. 

O trailer, que pode ser visto abaixo, dá pistas de uma história tensa, cheia de reviravoltas e com atuações ao gosto da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A receptividade a “White Boy Rick” irá dizer se o filme tem realmente chances de chegar ao Oscar ou se nem sequer chegará aos cinemas brasileiros.

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Análises, Filmes | 15:27

Como “Efeito Fallout” muda estrutura da franquia e projeta futuro de “Missão Impossível”

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Em cartaz nos cinemas do Brasil e dos EUA, “Missão: Impossível – Efeito Fallout”, sexto exemplar da franquia iniciada em 1996, marca uma nova fase para a série. É inegável que Tom Cruise, em sua vertente de produtor, passou por poucas e boas com a série, mas é igualmente inegável o fôlego que a série apresenta. Algo extremamente incomum para um sexto filme.

Cena de "Missão: Impossível - Efeito Fallout": filme muda o jeito de ser e de ver a franquia

Cena de “Missão: Impossível – Efeito Fallout”: filme muda o jeito de ser e de ver a franquia

“Efeito Fallout” estreou na liderança das bilheterias dos EUA e muito bem nos outros 36 mercados internacionais que debutou, inclusive no Brasil. Com US$ 154 milhões em caixa, cerca de US$ 62 milhões provenientes do mercado doméstico, essa é a maior bilheteria de estreia da série.

Leia também: Pura adrenalina, “Missão: Impossível – Efeito Fallout” dá novo fôlego à série

O sexto longa, dirigido e roteirizado pelo mesmo Christopher McQuarrie de “Nação Secreta”, quebra um paradigma da série. “Efeito Fallout” é uma continuação direta do filme anterior. Mais: se comunica e entrelaça com todos os outros filmes da franquia – a traficante de armas vivida por Vanessa Kirby, por exemplo, é filha da traficante de armas vivida por Vanessa Redgrave no original de 1996, um toque sutil e consciente da realização.

Tom Cruise e câmara man em salto impressionante para captar uma das cenas mais intensas e cheias de adrenalina do novo filme

Tom Cruise e câmara man em salto impressionante para captar uma das cenas mais intensas e cheias de adrenalina do novo filme

“Efeito Fallout” subverte, portanto, lógica e estrutura até então dominantes na série. Mas os feitos do filme não se esgotam aí. Em uma era em que o sinônimo de ação se concentra maiormente nas benesses e possibilidades do CGI (efeitos especiais gerados pelo computador), o filme resgata os chamados efeitos práticos. Com Cruise, Quarrie e companhia limitada fazendo sandices como pular de um avião e puxar o paraquedas já próximo do solo – algo que só militares altamente treinados são capazes de fazer -, escalar um helicóptero em movimento, pilotar motos em alta velocidade pelas ruas de Paris e escalar uma montanha sem equipamento de alpinismo.

Essa devoção impacta a audiência e torna “Efeito Fallout” um filme mais sensorial do que geralmente o são os filmes de ação modernos, o que acarreta um engajamento incomum que nos leva à literalidade da perda de fôlego.

Reflexos de seu tempo

Melhor franquia de ação: não é um absurdo apontar "Missão Impossível" como a melhor do gênero no cinema

Melhor franquia de ação: não é um absurdo apontar “Missão Impossível” como a melhor do gênero no cinema

Essa fixação com um cinema de ação de outro tempo, no entanto, não impede a franquia de evoluir. O sexto “Missão Impossível” é um filme de ação de cabo a rabo, com velocidade, inteligência e total senso de entretenimento. É, também, um filme de grupo, não de um espião com uma missão e alguns eventuais ajudantes.

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Ethan Hunt foi concebido como “a resposta americana” a James Bond e, em 1996, com Brian de Palma no comando, foi estrela de um filme de espionagem com a cara dos anos 90. O segundo volume, sob as ordens de John Woo, buscava habitar em um mundo pós-Matrix. O terceiro filme, por seu turno, tentava se situar em meio as cada vez mais barulhentas franquias e vislumbrava um fim – Ethan Hunt flertava com a aposentadoria. De alguma maneira esses filmes resistiam a se moldar dentro do esquema de um filme de ação absoluto e convicto.

Essa hesitação foi completamente posta de lado em “Protocolo Fantasma” (2011). Ali começava a ganhar forma um movimento que culminaria na excelência adensada por “Efeito Fallout”.

“Missão Impossível” não é a única franquia que se transformou ao longo dos anos. “Velozes e Furiosos”, “Exterminador do Futuro” e até “Harry Potter” são alguns exemplos contemporâneos, mas nenhuma delas ostenta o grau de sucesso, em todos os ângulos passíveis de observação, como a que tem Tom Cruise no leme.

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