Publicidade

Arquivo da Categoria Filmes

terça-feira, 15 de dezembro de 2015 Críticas, Filmes | 13:15

“A Floresta que se Move” revigora peça mais complexa de Shakespeare

Compartilhe: Twitter

Fazer uma adaptação brasileira de MacBeth, uma das peças shakespearianas mais adaptadas pelo cinema – grandes mestres como Orson Welles e Roman Polanski o fizeram – é, sob muitos aspectos, uma proposta para lá de ousada. Ambientá-la na atualidade é flertar perigosamente com o descarrilamento da ideia, mas o diretor Vinícius Coimbra (“A Hora e a Vez de Augusto Matraga”), com o préstimo da roteirista Manuela Dias, contorna essas problemáticas com um drama voraz e cheio de personalidades.

Cena de "A Floresta que se Move" (Foto: divulgação)

Cena de “A Floresta que se Move”
(Foto: divulgação)

“A Floresta que se move” (Brasil, 2015) é um filme que não esconde sua ascendência teatral e com essa opção reforça as tintas shakespearianas em uma elaboração dramática com cores contemporâneas. Gabriel Braga Nunes é Elias Amaro, que recebe de uma bordadeira tão logo desembarca da Alemanha, que hoje seria promovido à vice-presidente do banco e que logo seria presidente. A profecia, também ouvida pelo amigo César (Ângelo Antônio) detona a ambição de Elias, sentimento cultivado com afinco por sua esposa Clara (Ana Paula Arósio) e ele se vê desejoso de avançar contra a vida de seu chefe, quem é todo atenção para com ele, vivido por Nelson Xavier.

Confiando nos atores – e seu par de protagonistas não decepciona – Coimbra recorre ao realismo fantástico para expor a fissura emocional que acomete a casa e os personagens.

A narrativa evolui relacionando bem os paradigmas estabelecidos por Shakespeare e a realidade contemporânea, em que uma instituição financeira é o maior símbolo do poder capitalista.

Não se trata de um filme que tenta atualizar Shakespeare, um erro em que muitas obras cinematográficas incorrem, mas de uma tentativa de dialogar com a obra do bardo inglês por meio de um recorte inusitado e inventivo. É este o mérito fundamental do filme que apresenta muitos outros como a adequação ao texto clássico, a boa direção de arte e cenários e, especialmente, as atuações.

Autor: Tags: ,

domingo, 13 de dezembro de 2015 Análises, Filmes | 19:45

Como fica a corrida pelo Oscar 2016 depois das listas do SAG e do Globo de Ouro?

Compartilhe: Twitter

Nesta segunda-feira serão conhecidos os indicados ao 21º Critic´s Choice Awards, que, para todos os efeitos, tem sido o prêmio periférico com melhor aproveitamento em antecipar os vencedores do Oscar nas principais categorias.  De qualquer maneira, a última semana foi decisiva em determinar o jeitão da corrida daqui para frente.

Essa definição, no entanto, se deu de uma maneira menos definitiva do que muitos esperavam. Desde a pré-largada, ou seja, ali no clímax dos festivais outonais de Veneza e Toronto, se sabia que seria uma temporada de premiações com foco nas interpretações e que não haveria um filme de favoritismo consolidado.

Na falta deste, “Spotlight – Segredos Revelados” assumiu o protagonismo. O SAG e o Globo de Ouro confirmam que “Spotlight” é, de fato, um dos principais players da temporada, mas acusam que esse protagonismo pode já estar se esgotando. O fato do elenco do filme não ter tido indicação no Globo de Ouro e de ter tido um espaço menor do que o esperado no SAG são preocupantes para a produção de Tom McCarthy.

Cena de "Spotlight": filme perde força em momento de definição de quem está no páreo  (Foto: divulgação)

Cena de “Spotlight”: filme perde força em momento de definição de quem está no páreo
(Foto: divulgação)

Por outro lado, “Mad Max: Estrada da Fúria”, que parecia uma aposta improvável se assevera como um contender sério. Outro blockbuster de peso, “Perdido em Marte”, ainda que não tenha sido contemplado pelo SAG, calhou bem com a HFPA; o que deve ajudar na campanha do filme rumo às indicações ao Oscar.

Interessante observar que desde que estabeleceu a possibilidade de ter até dez filmes entre os indicados a melhor produção do ano, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood sempre penou para acolher algum blockbuster. Não parecer ser o caso em 2015. Há, ainda, “Star Wars: O Despertar da Força” que, salvo o fato de ser especialmente ruim, pode se juntar ao balaio.

Entre os filmes que mais cresceram nesta semana estão “Trumbo: Lista Negra” e “A Grande Aposta”. O primeiro é um filme sobre Hollywood e Hollywood tem se mostrado bem condescendente consigo mesma como atestam os recentes triunfos de “O Artista” e “Argo”. Trata-se de um filme de ator, com uma pegada política ressonante no senso cívico da comunidade. Um filme que cresce na hora certa.

Já “A Grande Aposta” foi uma aposta de última hora da Paramount que decidiu antecipar o lançamento do filme para tentar um slot em uma temporada sem grandes favoritos. Deu certo. Dirigido com sagacidade insuspeita por Adam McKay e com um elenco no auge, o filme esgarça a crise financeira que assolou a América em 2008 com inteligência e agudeza. Tem tudo para emplacar no Oscar. Foi bem contemplado no SAG e no Globo de Ouro, onde colide com “Perdido em Marte”, da Fox.

Trata-se, portanto, de um ano em que os estúdios parecem bem munidos para enfrentar os independentes, que se arregimentam fundamentalmente em “Carol” e “O Quarto de Jack”.

Iñárritu foi ao Oscar com todos os seus filmes e a máxima devem continuar com "O Regresso"

Iñárritu foi ao Oscar com todos os seus filmes e a máxima devem continuar com “O Regresso”

“O Regresso” não parece reunir a mesma força de “Birdman”, o filme que deu o Oscar a Alejandro González Iñárritu no ano passado. Mas a falta de candidatos consolidados e o prestígio do mexicano devem garantir o acesso da produção aos principais Oscars. Vencer já é oura história.

O novo de David O. Russell, “Joy: O Nome do Sucesso” deve ficar pelo Globo de Ouro. O filme parece não ter provocado o mesmo maravilhamento das últimas produções do cineasta.

Atuações

A categoria de ator ganha forma. Difícil crer que Eddie Redmayne (“A Garota Dinamarquesa”), Bryan Cranston (“Trumbo: Lista Negra”) e Leonardo DiCaprio (“O Regresso”) não estejam no Oscar. Michael Fassbender (“Steve Jobs”) também parece quase assegurado. Johnny Depp (“Aliança do Crime”), Steve Carell (“A Grande Aposta”), Matt Damon (“Perdido em Marte”) e Michael Caine (“Juventude”) também estão na briga.

A categoria de atriz está mais aberta. As indicações ao Globo de Ouro mais confundem do que ajudam a ler a situação. Isso porque Rooney Mara, por “Carol”, e Alicia Vikander, por “A Garota Dinamarquesa”, estão inscritas como coadjuvantes no Oscar, apesar de concorrerem como atrizes principais nos Globos.

Cate Blanchett (“Carol), Saoirse Ronan (“Brooklyn”) e Brie Larson (“O Quarto de Jack”) são certezas. Jennifer Lawrence (“Joy”) pode parecer uma possibilidade distante, mas em face dessa desinformação pode ganhar votos preguiçosos e entrar na lista final. Lily Tomlin (“Grandma”) e Blythe Danner, também conhecida como a mãe de Gwyneth Paltrow, por “I´ll see you in my dreams”,  estão angariando muitos elogios nas rodinhas certas.

Sarah Silverman, por “I Smile Back”, a grande surpresa da lista do SAG, pode ganhar força nessa reta final.

Para os coadjuvantes masculinos, a grande incógnita é se o elenco de “Spotlight” vai receber amor por parte da academia. Isso poderia embaralhar a ascensão de nomes como Sylvester Stallone (“Creed”) e Michael Shannon (“99 homes”), pouco comentados antes dessa semana decisiva.

Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”) e Idris Elba (“Beasts of No Nation”) parecem bem colocados na disputa.

Entre as mulheres, Kate Winslet, por “Steve Jobs”, Helen Mirren, por “Trumbo”, Vikander e Mara são certezas. A última vaga pode ser preenchida tanto por Jane Fonda (“Juventude”) ou Jennifer Jason Leigh (“Os Oito Odiados”).

Autor: Tags: ,

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015 Críticas, Filmes | 18:01

Documentário “Osvaldão” ilumina figura mítica da guerrilha do Araguaia

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

Falar de personagens amplamente conhecidos pela história pode não ser exatamente fácil, mas certamente é mais realizável. “Osvaldão”, documentário que visa iluminar vida e trajetória de Osvaldo Orlando da Costa, o comandante negro da guerrilha do Araguaia e mais um das muitas vítimas da ditadura brasileira, é, portanto, um filme que precisa ser saudado por sua coragem e desprendimento.

O filme, rodado de maneira independente recorreu ao financiamento coletivo na internet para que o lançamento fosse viabilizado em sete cidades brasileiras neste final de semana. Incluindo São Paulo e Rio de Janeiro.

Não há nada no filme assinado pelos diretores Ana Petta (“Repare Bem”), André Michiles (“Através”), Fabio Bardella (“Através”) e Vandré Fernandes (“Camponeses do Araguaia”), que integram o coletivo cinematográfico Gameleira, além do interesse de entender essa figura tão incomum. Osvaldão é, de fato, um personagem mais rico do que um preconceito sugere. Ao deflagrar o passado de Osvaldo, os diretores apresentam um contundente vaticínio contra as mazelas da ditadura, muitas delas ainda enterradas pela má vontade do Estado em assumir o inglório passado.

Não se trata de um filme com um discurso em evolução, no entanto. Há um ponto de vista muito claro ali, mas os realizadores são sábios em não deixar que essa perspectiva se imponha sobre o personagem investigado. Essa generosidade resguarda o filme de críticas oriundas de um posicionamento diverso daquele verificado nas entrelinhas da produção.

Pugilista talentoso, devoto familiar e benquisto pelos amigos, o Osvaldo que surge em “Osvaldão” é muito simpático. Talvez esteja aí o grande problema do filme. O personagem não é problematizado em momento algum. Não deixa de se residir aí, também, um preconceito por parte da realização. Difícil crer que com a variedade de documentos e depoimentos que o filme dispôs, nada tenha se encontrado para instaurar um conflito sequer na pessoa de Osvaldo.

De toda forma, o filme equilibra a reconstituição do cenário político que levou à guerrilha no Araguaia, com a memória de um homem afetuoso, querido e muitíssimo bem lapidado para a atividade política, com uma experiência internacional nada desprezível.

Goste-se ou não de “Osvaldão”, e há mais razões para gostar do que desgostar, é o tipo de cinema que dá gosto de ver no Brasil. Do tipo que milita tanto pela compreensão de um contexto, como por um cinema oxigenado e fora das convenções de mercado.

Autor: Tags: , , ,

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015 Filmes, Notícias | 17:27

Um dos filmes mais festejados do ano, “A Grande Aposta” ganha novo vídeo promocional

Compartilhe: Twitter
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Com indicações ao SAG e ao Globo de Ouro, “A Grande Aposta” já se firmou como um dos principais filmes da temporada de premiações. Steve Carell e Christian Bale, que compõe o estrelado elenco que conta, ainda, com Ryan Gosling, Melissa LeoBrad Pitt, também receberam indicações individuais tanto no SAG quanto no Globo de Ouro.

“A Grande Aposta” conta a trajetória de quatro homens fora do mercado financeiro que perceberam de antemão o que os grandes bancos, a mídia e o governo não conseguiram prever: a crise econômica que abateu os Estados Unidos em 2008. O filme está sendo percebido como uma crítica voraz, mas muitíssimo bem humorada, do sistema capitalista.

A estreia no Brasil está prevista para 14 de janeiro de 2016.

Autor: Tags: ,

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015 Filmes, Notícias | 19:17

Confira o 1º trailer legendado do filme de terror austríaco “Boa Noite, Mamãe!”

Compartilhe: Twitter
Cena de "Boa Noite, Mamãe": um dos filmes mais elogiados do ano pela crítica internacional  (Foto: divulgação)

Cena de “Boa Noite, Mamãe”: um dos filmes mais elogiados do ano pela crítica internacional
(Foto: divulgação)

A PlayArte divulgou nesta quarta-feira (9) o primeiro trailer legendado de “Boa Noite, Mamãe!”, escolha da Áustria para representar o país na briga por uma vaga na categoria de produção estrangeira no Oscar. Dirigido por Severin Fiala e Veronika Franz, o filme aborda a estranheza que uma cirurgia plástica pode provocar. A questão da pele e da identidade, tão bem abordadas por cineastas como David Cronenberg e Pedro Almodóvar em momentos distintos de suas filmografias, ganha um inventivo olhar no terror austríaco que chega aos cinemas brasileiros em 21 de janeiro de 2016.

A sinopse diz o seguinte: Dois irmãos gêmeos mudam para uma nova casa com a mãe deles após o rosto dela mudar devido uma cirurgia plástica. Mas por baixo dos curativos que a mãe usa, está alguém que eles não reconhecem mais! O trailer, para lá de empolgante, diz muito mais. Confira!

Autor: Tags: , , ,

Críticas, Filmes | 14:30

Agradável, “Pegando Fogo” não sai do lugar-comum

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

John Wells gosta de situações dramáticas. Criador da série “E.R”, ele debutou como diretor no cinema com “A Grande Virada”, um drama estrelado por Ben Affleck e Tommy Lee Jones sobre a crise econômica que colocou a vida dos americanos de cabeça para baixo em 2008. “Álbum de família”, baseado na peça do dramaturgo Tracy Letts, sobre a lavagem de roupa suja de uma família na iminência da morte da matriarca, deu sequência à filmografia de Wells.

Agora, com “Pegando Fogo”, ele tira o pé do acelerador dramático, mas não se desvincula do gênero ou das profundas crises – sejam elas de ordem microcósmica, macrocósmica ou essencialmente pessoal.

Bradley Cooper, cada vez mais especialista em burilar tipos obsessivos, vive Adam Jones, um prestigiado chef de cozinha que sucumbiu às drogas e pôs tudo a perder. Carreira, amigos, prestígio, dignidade e a fila é tão grande quanto esse tipo de circunstância pressupõe.

Mas Jones ensaia um retorno. Em Londres, ele parte à cata dos menores resquícios de amizade que ainda lhe restam para tirar do papel sua ideia de conquistar a terceira estrela Michelin, maior honraria que pode ser concedida para um restaurante.

Com o apoio financeiro de Tony (Daniel Brühl), amigo devoto desde os tempos prósperos de Paris, Jones consegue reunir recursos para buscar seu objetivo.

Escrito por Steven Knight (de belezuras como “Senhores do Crime” e atrocidades como “O Sétimo Filho”), “Pegando Fogo” trilha o cômodo caminho da previsibilidade. O que não quer dizer que seja ruim. Não é. Apenas não avança o lugar-comum. A despeito do empenho de Bradley Cooper, como de hábito, muito bem em cena, do charme quase ostensivo de um filme ambientado no universo gastronômico e da categoria dos coadjuvantes (a sueca Alicia Vikander, o francês Omar Sy, para citar alguns), o filme não decola.

A rivalidade com um ex-amigo, papel do ainda subestimado Matthew Rhys (da série “The Americans”), e a dívida do passado com traficantes franceses pouco servem à dramaturgia do longa. A ideia de que o passado está sempre à espreita é dramaticamente melhor aproveitada em outro núcleo do filme.

Uma ou outra gordura aqui e ali, no entanto, não desmerecem “Pegando Fogo” enquanto entretenimento. É um filme agradável e como tal deve ser apreciado.

Autor: Tags: , , ,

terça-feira, 8 de dezembro de 2015 Filmes, Notícias | 18:17

Novo filme de Charlie Kaufman, “Anomalisa”, ganha cartaz nacional

Compartilhe: Twitter

Afastado da direção desde “Sinedóque, Nova York” (2008), Charlie Kaufman retorna com “Anomalisa”, uma animação em stop-motion que causou sensação no último festival de Veneza; de onde saiu com o prêmio do júri.

O filme, que chega aos cinemas brasileiros no dia 28 de janeiro, mostra a história de Michael Stone. Marido, pai e respeitado autor de “Como Posso Ajudá-lo a Ajudá-los?”, Michael é um homem incomodado com a rotina da sua vida. Durante uma viagem de negócios para Cincinnati, onde está programado para dar uma palestra em uma convenção, ele se surpreende ao descobrir uma possível escapada de seu desespero:Lisa, uma despretensiosa representante de vendas, que pode ou não ser o amor de sua vida.

Brazil_Online 1-Sht

 

Assista abaixo o trailer legendado do filme: 

Autor: Tags: , ,

domingo, 6 de dezembro de 2015 Críticas, Filmes | 18:06

“À Beira-Mar” é triunfo da artista Angelina Jolie

Compartilhe: Twitter
Brad Pitt e Angelina Jolie estão fantásticos em cena (Foto: divulgação)

Brad Pitt e Angelina Jolie estão fantásticos em cena
(Foto: divulgação)

É de se admirar a evolução de Angelina Jolie como cineasta. “À Beira-Mar”, uma das boas estreias deste fim de semana nos cinemas brasileiros, é o seu terceiro filme como cineasta – e seu melhor até aqui.

Depois da ousadia de principiante de filmar em bósnio e servo-croata em “Na Terra do Amor e Ódio” (2011), um filme problemático, mas cheio de nuanças interessantes, Jolie impressionou com o previsível, mas muito bem filmado “Invencível” (2014), um filme grande para uma diretora tão pouco experimentada.

“À Beira-Mar” é de outra estirpe. Jolie se propõe um desafio ainda maior. Além de dirigir, escrever, estrelar e produzir o filme, ela coloca Brad Pitt para viver seu marido em um casamento em crise.  É uma abordagem corajosa porque Jolie e Pitt vivem sob o microscópio de uma mídia afoita por fofocas, sejam elas factíveis ou não. Fornecer material para a fantasia alheia, portanto, é um risco que Angelina Jolie enquanto artista achou válido correr.

E Brad Pitt não apresentava algo tão vivaz, contundente e poderoso desde “O homem que Mudou o Jogo” (2011). Jolie, por sua vez, aparece muito bem na tela. Ela reveste sua Vanessa – uma mulher que desapareceu em suas angústias – de uma complexidade tão fascinante quanto horrorosa. É no trabalho por trás da tela, no entanto, que Jolie se sai ainda melhor.

O roteiro de “À Beira-Mar” é um primor. Além de elaborar circunstâncias emblemáticas da crise afetiva que Roland (Pitt) e Vanessa vivem, Jolie cria diálogos substanciosos, cortantes e, no contexto da trama, brilhantes.

Como diretora, valoriza os silêncios com a confiança de um Kurosawa, de um Malick e filma seus atores com uma câmera invasiva. O ritmo do filme é outro acerto de Jolie. Se há um porém, é a “revelação” da raiz da decadência emocional de Vanessa, que responde por boa parte da crise estabelecida entre ela e Roland.

O filme não precisava dessa construção. Afinal de contas, a crise que testemunhamos e fomos intuindo ao longo do drama não precisava de um fato detonador. Este elemento talvez esteja ligado a questões particulares de Jolie, de sua mãe, mas diminuem o impacto de “À Beira-Mar” enquanto cinema; ainda que amplie o escopo de comparações entre o que se vê na tela e a vida real.

Esse despojamento de Jolie, combinado à notável evolução em todas as áreas do cinema em que se propõe atuar, eleva Angelina Jolie a outro patamar como artista.

“À Beira-Mar” é um filme que pode e deve ser descoberto em revisões e redescoberto anos mais tarde. É uma pequena joia cult formulada com a abnegação de quem já amou e sabe que o verbo se conjuga com sofrimento, renúncia e esforço.

É, por fim, um triunfo do cinema que se pretende desarmado, franco e inflexivo.

Autor: Tags: , , , ,

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015 Curiosidades, Filmes | 18:37

Vale redescobrir “50 Tons de Cinza” neste fim de semana na rede Telecine

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

A sessão Superestreia deste sábado (5) no Telecine Premium é “50 Tons de Cinza”. O filme de Sam Taylor-Johnson, adaptação do best-seller homônimo de E.L. James, foi o grande fenômeno de 2015 nos cinemas.  Com arrecadação superior a R$ 1 bilhão nas bilheterias de todo o mundo, a produção estrelada por Dakota Johnsson, como a ingênua Anastasia Steele, e Jamie Dornan, como o sedutor Christian Grey, foi um fenômeno nas redes sociais ímpar em 2015.

A estreia na rede Telecine ocorre menos de dez meses depois do lançamento nos cinemas, uma vez que este ocorreu em 12 de fevereiro.

“50 Tons de Cinza” não é exatamente um grande filme, mas tem o mérito de ser uma produção honesta. Pode parecer pouca coisa, mas não é.  Não se trata de uma incursão pelo mundo do sadomasoquismo. Querer lançar sobre o filme este olhar é querer se decepcionar. Trata-se de um romance ambientado nesse universo. Melhor; de um romance entre uma mulher e um homem inserido neste universo.

Neste contexto, a elegante versão de Johnson melhora o que a obra original deixa a desejar. Confira a crítica da coluna para o filme.

Autor: Tags: ,

Bastidores, Filmes | 14:35

Globo Filmes vai ajudar a tirar do papel filme sobre histórica batalha da rua Maria Antônia

Compartilhe: Twitter
José Dirceu durante os atos de 1968 (Foto: Arquivo Cedoc UnB/Divulgação)

José Dirceu durante os atos de 1968
(Foto: Arquivo Cedoc UnB/Divulgação)

“Rua Maria Antônia – a Incrível Batalha dos Estudantes”, produção que vai retratar os conflitos entre estudantes, durante a ditadura militar, nessa rua que é ícone da região central da cidade de São Paulo, acaba de ganhar o reforço da Globo Filmes na produção.

A produção da Paranoïd ainda está em fase de captação de recursos. Ficcional, o filme se baseia em um evento real. Em 1968, os estudantes da Escola de Filosofia da USP e os estudantes do curso de Direito da Universidade Mackenzie entraram em conflito físico e armado na Rua Maria Antônia, na qual se localizavam ambas instituições. Na Escola de Filosofia da USP estavam concentrados membros da UNE, organização de esquerda que lutava contra o regime militar. No curso de Direito do Mackenzie estava organizado o CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Os grupos de ideologias inversas entraram em conflito em outubro de 1968. A batalha terminou com o fechamento da Escola de Filosofia pelas forças militares ditatoriais.

O filme de Vera Egito terá como protagonista o jovem Leon (ainda sem ator definido), um estudante de filosofia de 18 anos. É a partir do olhar dele que será possível acompanhar a batalha entre os estudantes, além de observar todas as questões ideológicas e comportamentais que explodiam naquele momento.

Vera Egito, que também assina o roteiro, lança “Amores Urbanos”, seu primeiro longa-metragem no primeiro semestre de 2016.

Autor: Tags: , ,

  1. Primeira
  2. 10
  3. 18
  4. 19
  5. 20
  6. 21
  7. 22
  8. 30
  9. 40
  10. Última