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Arquivo da Categoria Filmes

quinta-feira, 9 de abril de 2015 Críticas, Filmes | 19:43

“O garoto da casa ao lado” é exemplo do que se deve evitar nos suspenses

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A única maneira de sublinhar a falta de perfeição em Jennifer Lopez é ressaltar seu trabalho como atriz. Cantora bem-sucedida, empresária poderosa e mulher de forma física exuberante em plenos 45 anos, J.Lo persegue o êxito no ofício de atriz como se seu sucesso dependesse disso. Exageros à parte, ela alterna gêneros, busca trabalhar com nomes respeitáveis e até mesmo produz, caso deste inesquecível pelas razões erradas “O garoto da casa ao lado” (The boy next door, EUA 2015).

Dirigido por Rob Cohen, competente diretor responsável por exemplares dignos de nota no gênero da ação como “Velozes e furiosos” (2001) e “Daylight” (1996), a fita é um amontoado de clichês trabalhados de maneira apressada e dispersa. Cohen faz o que pode, mas o roteiro da estreante Barbara Curry é sofrível. Curry não tem o menor ritmo e dispensa qualquer traço de verossimilhança ao elaborar a crescente obsessão do jovem Noah (Ryan Guzman) por sua vizinha Claire (Jennifer Lopez), imersa em um casamento em crise com Garrett (John Corbett).

Foto: divulgação

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O que mais impressiona em “O garoto da casa ao lado” não é sua fidelidade aos clichês mais banais e enjoativos, mas a maneira atrapalhada com que eles são trabalhados pelo roteiro. Desde o grau de influência de Noah sobre o filho de Claire até uma cena lamentável com uma faca em que risos são provocados ao invés de tensão.

Ao optar por “O garoto da casa ao lado”, que sob muitos aspectos bebe da mesma fonte de “Nunca mais”, bom thriller de fundo conjugal estrelado pela atriz em 2002, Jennifer Lopez depõe contra os próprios esforços de se vender como uma atriz a ser levada a sério. No entanto, como celebridade, seu poder segue irrefreável. Prova disso é um filme ruim como “O garoto da casa ao lado” ser distribuído em amplo circuito comercial em diferentes países. Filmes muito melhores não veem a luz do dia mesmo com celebridades no topo do cartaz.

Admitindo este contexto, se o filme não ajuda, pouco atrapalha Jennifer Lopez, mas não evita a ratificação de uma máxima desabonadora: se um filme tem Jennifer Lopez, é ruim. Um exagero que nem toda a celebridade do mundo parece capaz de dirimir.

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terça-feira, 7 de abril de 2015 Filmes, Notícias | 21:03

Nova comédia do diretor de “Gremlins” brinca com dificuldades de pôr fim a relação amorosa

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Os atores Anton Yelchin e Ashley Greene  em cena de "Burying the ex"  (Foto: divulgação)

Os atores Anton Yelchin e Ashley Greene em cena de “Burying the ex”
(Foto: divulgação)

O diretor de preciosidades oitentistas e outras tantas matinês saborosas como “Gremlins” (1984), “Meus vizinhos são um terror” (1989) e “Pequenos guerreiros” (1998) está com filme novo na praça. Trata-se de “Burying the ex”, ainda sem título oficial no Brasil. Em tradução literal seria algo como “Enterrando a ex”. O filme é estrelado por Anton Yelchin (“Star Trek” e “Loucamente apaixonados”), Ashley Greene (“Crepúsculo”) e Alexandra Daddario (“True Detective”).

Joe Dante é um especialista em um tipo de cinema raro na atualidade. Aquele de humor fértil, irreverente e politicamente incorreto. Em “Burying the ex”, Yelchin vive Max. Um jovem em lua de mel com a namorada até o momento em que ela vai morar com ele. A partir de então, a vida dele passa a ser um inferno. Ele cogita acabar com tudo, mas não sabe como abordá-la para tal. Um acidente trágico, porém, põe tudo em suspensão. Com a namorada morta, Max passa por um rápido luto e volta a desfrutar da solteirice. Só que ele não contava que a namorada morta continuaria andando sobre a Terra e disposta a manter a relação. O trailer, que pode ser conferido abaixo, é bem engraçado e dá pistas de que Dante ainda não perdeu a mão. O filme estreia nos EUA em junho. No Brasil, ainda não há previsão de estreia oficial.

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segunda-feira, 6 de abril de 2015 Críticas, Filmes | 18:17

Para o bem ou para o mal, sentimento de família norteia “Velozes e furiosos 7”

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O ator Paul Walker em cena do filme  (Fotos: divulgação)

O ator Paul Walker em cena do filme
(Fotos: divulgação)

Quando os créditos de “Velozes e furiosos 7” (Furius 7, EUA 2015) sobem, uma cena inusitada se revela fora das telas. Muitos marmanjos são flagrados aos prantos. Lágrimas escorrem de olhos primeiramente atraídos para a série por carros tunados, homens marombados que não levam desaforo para casa e mulheres desfilando em trajes mínimos. A cena, provocada pela bela homenagem da produção ao finado Paul Walker, um tributo justo a um ator que subscreveu seu estrelato ao sucesso da série, sintetiza o que a franquia “Velozes e furiosos” significa hoje.

Franquia acidental, “Velozes e furiosos” a partir de seu quinto filme se reinventou como um filme de assalto e agora, à sombra do adeus de Walker, ensaia uma nova reinvenção bebendo da fonte de Sylvester Stallone e seus mercenários. Já o maior sucesso da franquia, “Velozes e furiosos 7” ostenta esse brilho particular da reinvenção e mesmo com suas cenas absurdas cada vez mais absurdas, cativa justamente pela combinação do tom cafona com que exalta valores familiares com a sustância das cenas de ação.

O sétimo filme, dirigido por James Wan (“Jogos mortais”, “Invocação do mal”), que traz para a franquia seu esmero narrativo que causou sensação no terror, coloca Dominic Toretto (Vin Diesel) e sua “família” na mira de um mercenário inglês, vivido pelo sempre ótimo Jason Statham, que busca vingança pelos eventos passados no sexto filme. O vilão daquele filme, Luke Evans, era seu irmão mais novo. A ação, em virtude do orçamento inflado de U$ 190 milhões, volta para os EUA com uma parada em Abu Dhabi. Pelos remendos que foram sendo feitos ao longo da franquia improvisada, cenas dos capítulos anteriores são ensejadas e reimaginadas para que tudo faça sentido. E nomes como Lucas Black, protagonista do terceiro e esquecível volume da série, dão as caras novamente. Pela cronologia, esse filme se passa imediatamente após os eventos de “Desafio em Tóquio” (2006).

Com cenas de ação alucinantes, mas especial atenção aos dilemas dos personagens, em especial Letty (Michelle Rodriguez) e Brian (Paul Walker), Wan capitaliza em cima de tudo o que a franquia tem de melhor. Na primeira cena ele faz um elogio ao espírito dos dois primeiros filmes da série sem deixar de expor o estado das coisas entre Toretto e Letty.

Kurt Russell com ecos de Bruce Willis em “Os mercenários”, como o Sr. Ninguém, um mandachuva da CIA que faz uma proposta irrecusável para Toretto tomar a dianteira na caçada humana que o personagem de Statham promove contra ele e os seus. É justamente nesse confronto entre Vin Diesel e Jason Statham que “Velozes e furiosos 7” queima o óleo. O que deveria ser uma grande atração da fita, a oposição entre dois dos atores mais prestigiados do gênero no século XXI, acaba diminuindo o impacto que o personagem de Toretto costuma ter sobre a audiência.  Isso porque além de ser mais frequente e eficiente como astro de ação, Jason Statham tem mais carisma do que Vin Diesel e isso subliminarmente mina parte do encanto que Toretto sempre exerceu sobre a audiência. É um pormenor, mas ruidoso o suficiente para valer o registro.

Statham e Diesel nos bastidores: encontro de titãs da ação

Statham e Diesel nos bastidores: encontro de titãs da ação

“Velozes e furiosos 7”, pelo orçamento, pelo elenco numeroso e estrelado, pela linearidade com que enseja uma nova reinvenção na franquia, pode ser percebido como o melhor da série. Se o parâmetro for a megalomania, o sexto filme ainda parece mais ajustado ao conceito. Se for eficácia narrativa combinada com estrutura temática e visual, o primeiro filme ainda é imbatível. Mas como diz Roman, o alívio cômico ainda certeiro vivido por Tyrese Gibson, em dado momento do filme: “primeiro foi um tanque, depois um avião e agora enfrentamos uma nave espacial?!”. A autoparódia funciona como tudo mais no universo de “Velozes e furiosos” que deve seguir bem mesmo sem Paul Walker porque convenceu muitos marmanjos de que eles também são parte da família de Dominic Toretto.

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quinta-feira, 2 de abril de 2015 Filmes, Notícias | 21:22

Refilmagem de “Poltergeist” ganha novo e assustador trailer; confira

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O filme que foi sensação na década de 80 ganha uma nova versão em 2015 com a chancela dos cineastas Sam Raimi (“trilogia “Homem-Aranha” e “A morte do demônio”) e Steven Spielberg. “Poltergeist: o fenômeno”, que teve sua estreia confirmada para o dia 4 de junho no Brasil, já constava da lista da coluna de filmes imperdíveis do ano e agora ganha um trailer cheio de clima que sugere um filme bem fiel ao original.

Dirigido por Gil Kenan o novo “Poltergeist” foca no drama de uma família suburbana que precisa lidar com espíritos demoníacos em sua casa. Com o recente sucesso de “Invocação do mal” (2013), que versa sobre o mesmo tema, a pressão sobe sobre a nova versão desse clássico oitentista.

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Críticas, Filmes | 18:24

“Para sempre Alice” provoca emoção com dignidade sem abdicar de fórmulas

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Como esperado e criticado por muitos, “Para sempre Alice” (Still Alice, EUA, 2014) é um filme formulaico e repleto dos clichês que fizeram a fama do subgênero “filme sobre doenças”. Contudo, é, também, um filme de honestidade rara. O aparente paradoxo só é possível porque há um cuidado muito grande por parte da realização com o que se coloca na tela. Não são os clichês que validam o filme e sim o trabalho sensível do elenco, em especial da protagonista Julianne Moore.

Em “Para sempre Alice”, Moore vive Alice Howland, doutora em linguística e referência na área que é acometida de uma precoce e rara manifestação do mal de Alzheimer. O filme de Richard Glatzer (morto pouco depois de ver Moore consagrada com o Oscar pelo papel) e Wash Westmoreland se ocupa de mostrar justamente a rotina opressiva, tanto para Alice como para sua família, que a doença impõe.

Conflitos familiares submergem ao Alzheimer em "Para sempre Alice" (Foto: divulgação)

Conflitos familiares submergem ao Alzheimer em “Para sempre Alice”
(Foto: divulgação)

Baseado no bom livro de Lisa Genova, o filme sublinha detalhes que realçam a tragédia experimentada por Alice. Primeiro por sofrer de um tipo de Alzheimer com ascendência genética e com grandes possibilidades de manifestação em seus filhos. Segundo porque por ter um intelecto avantajado, a deterioração da mente de Alice se dá de maneira mais rápida e, finalmente, a sensação de impotência é agravada por ser seu marido (Alec Baldwin) um médico pesquisador na área genética.

O grande trunfo do filme, no entanto, reside mesmo na maneira como Julianne Moore trabalha sua personagem. Seja na franqueza com que expressa seu desespero, mas também sua resiliência, em face de uma derrocada como a que se anuncia dia após dia. Seja na forma como torna física essa derrocada. Moore toma o filme sob suas asas na melhor concepção de filme de atriz e torna inquestionável o demorado Oscar que recebeu pelo trabalho.

O elenco reage à performance de Moore no mesmo compasso. Alec Baldwin merece elogios por trafegar entre a contenção e a catarse com habilidade e sutileza como parâmetros. Kristen Stewart, Hunter Parrish e Kate Bosworth, que interpretam os filhos, ajudam a dimensionar o aflitivo drama familiar.

A honestidade do registro se cristaliza nessa entrega do elenco e na candura com que a realização adorna a história de Alice. A arte de perder todos os dias, como Alice bravamente classifica em uma palestra para outras vítimas do Alzheimer, em uma das cenas capitais do filme, exige atenção às fórmulas, mas fundamentalmente requer desprendimento e disposição. Isso o filme tem de sobra e cativa justamente por isso.

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Análises, Bastidores, Filmes | 07:00

Franquia improvável, “Velozes e furiosos” chega ao sétimo filme esbanjando vitalidade

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Cena de "Velozes e furiosos 7" (Foto: divulgação)

Cena de “Velozes e furiosos 7”
(Fotos: divulgação)

Não é qualquer franquia que chega a seu sétimo filme. Mas não é só isso que torna “Velozes e furiosos”, cujo sétimo exemplar chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (2), especial.  Acidental, a série que já rendeu mais de U$ 2 bilhões nas bilheterias do mundo todo se reinventou, mais de uma vez, no meio do caminho para se tornar a principal franquia do estúdio Universal. A empresa deve confirmar neste fim de semana uma nova sequência para o filme. Nos bastidores, Vin Diesel já teria um pré-contrato para mais três sequências – o que ratificaria “Velozes e furiosos” como uma das franquias mais longevas da história do cinema.

Tudo começou com um despretensioso filme de ação em 2001. Vin Diesel e Paul Walker eram completos desconhecidos. Tinham estrelados filmes como “O resgate do soldado Ryan” (1998), no caso de Diesel, e “A vida em preto e branco” (1998), no caso de Walker, mas ainda perseguiam um lugar ao sol em Hollywood.  Dirigido por Rob Cohen, do recente fiasco “O garoto da casa ao lado”, “Velozes e furiosos” é uma celebração dos chamado “buddy movies”. Uma releitura de “Caçadores de emoção”, que opunha Keanu Reeves e Patrick Swayze, um dos highlights da década de 90. Como bônus, a fita preenchia uma lacuna no cinema americano de então: era um bom filme sobre paixão e corridas de carros.

Quando éramos jovens: Diesel e Walker em cena do 1º filme

Quando éramos jovens: Diesel e Walker em cena do 1º filme

O sucesso inesperado, U$ 207 milhões nas bilheterias mundiais, atiçou o interesse do estúdio em uma sequência. Vin Diesel logo pulou fora por entender que não estava na possível franquia sua chance de vingar como astro de ação e foi fazer “Triplo X” (2002) com o mesmo Rob Cohen. Paul Walker topou e Tyrese Gibson foi escolhido para segurar a peteca deixada por Vin Diesel em “+ velozes +furiosos” (2003). A sequência fez mais dinheiro mundialmente, mas arrecadou menos nos EUA e fez a Universal repensar o modelo da franquia. A ação foi transposta para o Japão e um novo elenco, encabeçado por Lucas Black, assumiu. A ideia era fazer da franquia um conceito de filme de ação com a grife “Velozes e furiosos” a validá-lo. “Velozes e furiosos: desafio em Tóquio” (2006) foi o mais perto do fracasso que a franquia chegou passando longe dos U$ 200 milhões em arrecadação nas bilheterias internacionais. Uma cena pós-créditos imaginada como uma homenagem com a aparição de Vin Diesel, no entanto, daria novo oxigênio à série.

Abordado pela Universal e já sem grandes chances de ascender ao patamar que imaginava para si fora da franquia, Diesel topou voltar à série assumindo também o posto de produtor. Com ele, o retorno de Walker foi garantido. “Velozes e furiosos 4” foi lançado em abril de 2009 com o slogan “novo modelo, peças originais”. Não deu outra: o filme registrou o melhor faturamento da franquia até então com U$ 363 milhões em caixa.

O quarto filme resgatava a premissa do primeiro filme e tinha o charme de reunir Walker e Diesel novamente. Era preciso ir além no quinto filme e Diesel teve a ideia de reunir os principais nomes dos filmes anteriores e levar a ação para o excêntrico (na perspectiva americana) Rio de Janeiro. “Velozes e furiosos 5: operação Rio” (2011) apresentava a mais ousada e sagaz mudança de rota da série. O filme não era mais (só) sobre carros tunados e foras da lei, mas sim um “heist movie” (filmes de assalto), subgênero que tem “Onze homens e um segredo” entre seus expoentes. A estratégia deu certo e “Velozes e furiosos” ampliou seu público. A fita amealhou U$ 630 milhões nas bilheterias mundiais.

A rinha entre Vin Diesel e The Rock foi um dos chamarizes do quinto filme. Jason Statham, como o vilão, é atração do novo filme

A rinha entre Vin Diesel e The Rock foi um dos chamarizes do quinto filme. Jason Statham, como o vilão, é atração do novo filme

O quinto filme marcou a estreia de Dwayne “The Rock” Johnson na série. Um reforço pontual que ajudou a inflar o interesse pelo filme. Os produtores então perceberam que adições pontuais renovavam o charme da série e assim Luke Evans e Gina Carano, no sexto filme, e Jason Statham e Ronda Rousey, no sétimo, adentraram o universo da série.

“Velozes e furiosos 6” (2013), que levou a ação para Londres, faturou U$ 787 milhões internacionalmente confirmando o acerto das novas estratégias adotadas pelos produtores e, mais do que isso, a vitalidade da série.

O sétimo filme, que seria lançado no meio de 2014 e fora remanejado em virtude do falecimento de Walker, chega sob muitas expectativas e embalado pelo marketing de ser um tributo ao finado ator. Tudo indica que “Velozes e furiosos 7” vai superar a bilheteria do filme anterior e sedimentar a franquia, a despeito de seus muitos reveses, como um dos maiores cases de sucesso da Hollywood moderna.

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quarta-feira, 1 de abril de 2015 Críticas, Filmes | 18:48

“Insurgente” adota ritmo diferente de seu predecessor, mas agrada público-alvo

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Foto: divulgação

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Na segunda parte da franquia “Divergente”, encontramos uma Tris (Shailene Woodley) mais frágil, um Quatro (Theo James), mais protetor e um regime totalitarista ciente de que enfrenta os primórdios de uma revolução. “Insurgente” (EUA, 2015), dirigido pelo alemão Robert Schwentke, dos ótimos “Red – aposentados e perigosos” (2010) e “Plano de voo” (2005), tem um ritmo diferente de seu predecessor. Primeiro porque assume o fôlego de uma fita de ação. Segundo porque não se preocupa com o fato de ter uma heroína fragilizada, pelo contrário, capitaliza em cima disso. Tris precisa lidar com a raiva e a tristeza provenientes da perda de seus pais. A frustração de não ter dado um fim à traiçoeira Janine (Kate Winslet) também lhe assombra.

O filme apresenta um pouco mais das outras facções, apenas citadas em “Divergente”.  Franqueza e Amizade, portanto, têm seus momentos de brilho no longa. Mas Schwentke se ocupa mesmo é de preparar o terreno para a grande virada que a segunda parte da série de três livros enseja. Nesse sentido, “Insurgente”, o filme, não decepciona seu público-alvo. Reviravoltas, traições e mais demonstrações dos talentos e qualidades de Tris, bem como da devoção imaculada de Quatro por ela pipocam na tela.

“Insurgente”, porém, empalidece o aspecto de crônica distópica que a franquia professa. A consciente escolha pela ação em detrimento do aprofundamento de um comentário político sugere um caminho diferente do adotado por outra franquia teen de sucesso, “Jogos vorazes”. Essa escolha também enfraquece a metaforização da rebeldia dos jovens frente às convenções das gerações anteriores. Um dos grandes apelos do primeiro filme, essa metaforização é totalmente diluída nos propósitos assumidos pela série neste segundo filme.

De qualquer maneira, “Insurgente” é uma experiência satisfatória para seu público-alvo. A manutenção da data de lançamento em março, diferentemente do que ocorreu com a sequência de “Jogos vorazes”, deslocada para o mais concorrido mês de novembro, ratifica que este é um movimento consciente do estúdio, a Lionsgate. Goste-se ou não dos rumos perseguidos pela série a partir de “Insurgente”, eles são frutos de um criterioso target.

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terça-feira, 31 de março de 2015 Críticas, Filmes | 17:32

“Vício inerente” promove alucinada viagem pelos loucos e paranoicos anos 70

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Paul Thomas Anderson é um cineasta de rara sensibilidade. De maneira sutil, ele vem desfragmentando o sonho americano em sua recente obra. Foi assim ao frisar a megalomania capitalista em “Sangue negro” (2007), a perspicácia na disputa pelo controle e poder em “O mestre” (2012) e a paranoia que emoldurou os anos 70 no vertiginoso “Vício inerente” (Inherent vice, EUA 2014).

Na fita em que se permite trabalhar o humor, o cineasta o faz sem renunciar à complexidade presente na obra de Thomas Pynchon, a qual adapta. Esse respeito ao DNA do vaticínio do autor sobre uma época gera dificuldades narrativas para Anderson; todas filtradas com a habitual competência pelo diretor que impregna seu filme do espírito desnorteado de seu protagonista, o detetive particular maconheiro Larry “Doc” Sportello (vivido com a contumaz habilidade por Joaquin Phoenix), sem fazer com que seu filme sucumbe à falta de sentido.

Apesar da vertigem e do aparente descompromisso com a lógica, “Vício inerente” faz todo o sentido. Anderson vai juntando colagens aparentemente desconexas no ritmo que elas vão se descortinando para “Doc”, mas amarra tudo para sua audiência em um final surpreendentemente esperançoso tanto sob a perspectiva da cruzada de “Doc” como no ambiente da própria filmografia do cineasta.

Foto: divulgação

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A ação se passa na fictícia cidade de Gordita Beach na Califórnia dos anos 70 e Anderson estiliza seu noir na faceta ensolarada da cidade. As mulheres fatais estão lá, bem como o sexo e as drogas (muitas drogas) que se bifurcam em uma narrativa pirada (misto da imaginação de “Doc” e de suas descobertas) que concilia panteras negras, nazistas, Charles Manson, depravação e toda uma indústria do tráfico de entorpecentes.

“Doc” recebe a visita de sua ex-namorada, Shasta Fay (Katherine Waterston), que pede para que ele investigue o possível sequestro de um magnata dos imóveis (Eric Roberts). “Doc” vai fazendo sua investigação meio que a reboque dos acontecimentos e o caso vai se bifurcando com outros que surgem ao longo do caminho, como a morte de Coy (Owen Wilson), que sua esposa (Jena Malone) desconfia ser uma farsa. As intervenções do policial aspirante a ator Pezão (Josh Brolin) e do advogado de “Doc” (Benicio Del Toro) na investigação agravam a sensação niilista pretendida por “Vício inerente”.

Em última análise, Paul Thomas Anderson objetiva retratar uma era em que os excessos iniciados na década anterior culminaram em uma crescente de paranoia temperada por muita droga e sexo. São os vícios inerentes, indesviáveis, de toda uma evolução geracional. Do impulso capitalista e da culpa proveniente dele (articulados na figura do corretor com crise de consciência) ao instinto sexual mais cru (capturado com maestria na cena de sexo entre “Doc” e Shasta), Anderson pincela um retrato delirante, pulsante e nostálgico dos anos 70.

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sexta-feira, 27 de março de 2015 Filmes, Notícias | 21:10

Divulgado o primeiro trailer de “007 contra Spectre”

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Uma mensagem criptografada do passado de James Bond, recuperada em Skyfall, mansão que catalisou revelações do passado de Bond no último filme, coloca o espião no encalço da misteriosa organização que dá nome ao novo filme. O primeiro trailer do 24º filme do agente secreto a serviço de sua majestade prepara o clima e pouco revela. Mas mostra que Mr. White (Jesper Christensen), visto nos dois primeiros filmes da fase com Craig, estará de volta.

Daniel Craig (James Bond), Ralph Fiennes (M), Naomie Harris (Eve Moneypenny), Rory Kinnear (Bill Tanner), Ben Whishaw (Q), Dave Bautista (Hinx), Monica Bellucci (Lucia Sciarra), Léa Seydoux (Madeleine Swann) e Christoph Waltz (Oberhauser) compõem o elenco.

Alguma tensão no ar sugere que a pegada intimista e cerebral de “Operação Skyfall” (2002) serão mantidos. O filme estreia no Brasil em 29 de outubro.

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Críticas, Filmes | 17:31

“Terceira pessoa” fala sobre busca por perdão com referências em Ian McEwan e Dostoivéski

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Paul Haggis é notoriamente um roteirista habilidoso. Responsável por textos vistosos como os de “Menina de ouro” (2004), “007- Cassino Royale” (2006) e “Cartas de Iwo Jima” (2006), incursionou na direção com “Crash – no limite” (2005), que ganhou o Oscar de melhor filme. “Crash” não era um grande filme, mas era um bom filme que conseguia vez ou outra se desvencilhar de sua grande pretensão e da carga manipulativa da realização. “Terceira pessoa” (Third person, EUA 2013), quarto filme de Haggis como diretor, reprisa alguns dos problemas de “Crash” em uma escala muito maior.

Com um roteiro que busca esconder o principal elemento do filme, mas salpica pistas falsas por toda a narrativa, Haggis pesa a mão ao conduzir tramas entrelaçadas que invariavelmente se relacionam de uma maneira que um espectador mais atento intui ainda na primeira meia hora de projeção.

Ao aferir estrutura de thriller a um drama que se pretende estudioso da busca pelo perdão, Haggis faz uma aposta ousada e mescla referências sofisticadas que vão desde o contemporâneo escrito inglês Ian McEwan ao clássico dramaturgo russo Fiodor Dostoivéski na construção do filme que, em um contexto mais específico, versa sobre criação, literatura, controle e ressignificação da realidade na arte.

A busca pelo perdão norteia personagens centrais dos três arcos  de "Terceira pessoa" (Foto: divulgação)

A busca pelo perdão norteia personagens centrais dos três arcos de “Terceira pessoa”
(Foto: divulgação)

Apesar dos predicados dignos de nota, “Terceira pessoa” se revela um filme irregular e frustrante. Além de ligeiramente confuso para um espectador mais acostumado a receber tudo mastigado no cinema.

Liam Neeson vive Michael, um escrito vencedor do Pulitzer que enfrenta perturbadora crise criativa. Ele recebe a visita da amante (Olivia Wilde), uma jornalista que anseia produzir literatura e parece nutrir sentimentos difusos em relação a ele. Enquanto isso, em Roma, Adrien Brody vive nas próprias palavras do personagem, um “espião da indústria da moda” que se encanta por uma cigana que tenta reaver a guarda do filho. Mila Kunis interpreta uma mãe que tenta reaver o direito de visitar seu filho após quase ter provocado sua morte. O pai do menino (interpretado por um James Franco fora do tom) e a constante falta de sorte da personagem teimam em investir contra suas chances.

O segmento de Adrien Brody é de longe o mais interessante. Haggis sabe insinuar sensualidade na maneira como filma Roma e a química entre Brody e a atriz Moran Atias eletriza uma trama que vai se revelando mais interessante a cada novo desdobramento.

O desfecho, passível de antecipação por espectadores mais argutos, denuncia que Haggis não está exatamente fora de forma. Mas que talvez não detenha a forma que estima. Trata-se de um filme ambicioso, bem calculado, mas refém de uma estratégia prejudicial. Se focasse em seus personagens, ou mesmo no mote que o norteia, Haggis talvez entregasse um filme com alma. Ao focar apenas na engenharia, entregou algo refinado e belo, mas incapaz de cativar.

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