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Arquivo da Categoria Filmes

quarta-feira, 25 de março de 2015 Análises, Filmes | 19:36

Devassando Hollywood: um paralelo entre “Birdman” e “Mapas para as estrelas”

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Dois filmes recentes de cineastas com profunda veia autoral tratam de cinema. Em suas generalidades e minúcias, “Birdman” e “Mapas para as estrelas” compartilham de muitas ideias e antagonizam em tantas outras.

O grande vencedor do Oscar 2015, ainda que tonificado pelo humor negro, é menos ácido que o filme de David Cronenberg. Alejandro González Iñárritu faz uma crítica dura ao establishment hollywoodiano, mas construtiva, digamos assim. É possível, seja o espectador um ator ou não, se identificar com o conflito vivido por Riggan Thomson (Michael Keaton). Um astro de uma franquia de ação em busca de relevância artística na Broadway. “Birdman” não caçoa da fragilidade de Thomson, tampouco o poupa. Iñárritu sublinha a frivolidade do personagem, seu ego irrefreável em cenas como quando ele conta sobre o quase desastre de avião que sofreu ou nas conversas com a ex-mulher em que vislumbramos o terror da convivência com um ser humano incapaz de enxergar limites para suas vontades.

Crítica: Do que falamos quando falamos de “Birdman”?

Em “Mapas para as estrelas”, qualquer identificação com Havana Segrand (Julianne Moore) é mais difícil. A atriz deseja expurgar o fantasma da mãe, com quem tinha uma difícil relação, ao assumir o papel que a consagrou em um remake de um filme premiado. Havana é intratável, arrogante e cheia de inseguranças. É como Thomson talvez fosse enquanto estrelava a franquia Birdman. Mas Havana está em decadência e sabe disso. Daí Cronenberg submetê-la a um escrutínio que não existem em “Birdman”. A chance de redenção é vista no horizonte, mas trata-se de uma miragem. Hollywood te come vivo, sugere o cineasta com seu final surrealista.

Crítica: Cronenberg ridiculariza Hollywood com sátira delirante em “Mapas para as estrelas” 

 

Diálogos existencialistas em "Birdman" revelam o lado sombrio de Thomson (Foto: divulgação)

Diálogos existencialistas em “Birdman” revelam o lado sombrio de Thomson
(Foto: divulgação)

A rejeição é um fantasma que assombra Havana, a materialização de um estilo de vida em Hollywood (Foto: divulgação)

A rejeição é um fantasma que assombra Havana, a materialização de um estilo de vida em Hollywood
(Foto: divulgação)

“Você é uma celebridade”

Em um dado momento de “Birdman”, a crítica teatral megera se vira para Thomson e diz que ele não é um ator, mas uma celebridade. A cena pretende discutir mais o ofício da crítica e a tumultuada e simbiótica relação desta com a indústria cultural do que as diferenças entre um ator e uma celebridade. Já David Cronenberg mergulha mais livremente nessa melindragem conceitual. O astro teen Benjie (Evan Bird), assim como a filha de Thomsom, é egresso de uma clínica de reabilitação e nos remete a Macaulay Culkin. É uma celebridade antes de ser um ator e compreende todos os tiques e obsessões dessa figura alçada ao Olimpo antes mesmo de ter maturidade para entender o que, de fato, é este Olimpo..

“Mapas para as estrelas” é histérico onde “Birdman” se permite ser lírico. O filme de Iñarritu, embora experimental, crítico e incrivelmente original na forma, é muito mais palatável do que o petardo cheio de ironia e malícia de Cronenberg. Por isso, um foi ao Oscar e outro ficou soterrado sob incompreensão e esquecimento.

Se “Birdman” alinhava um comentário sobre o real significado de arte e sua umbilical relação com a fama, com o status, “Mapas para as estrelas” escancara a perversidade incontida nesse status. É uma leitura mais sombria, anárquica e desesperançada do cinema, da arte e da humanidade. Em contrapartida, “Birdman” é duro, mas não pessimista. O Oscar a “Birdman” é o sinal verde para uma discussão de relação. Um hipotético cenário de Oscar para “Mapas para as estrelas” iria além da autocrítica.  Seria dar um tiro na própria consciência!

Fora do arranjo: Cronenberg grafa os absurdos de Hollywood em  um filme que aos poucos se transforma em puro terror

Fora do arranjo: Cronenberg grafa os absurdos de Hollywood em um filme que aos poucos se transforma em puro terror
(Foto: divulgação)

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sexta-feira, 20 de março de 2015 Críticas, Filmes | 17:48

Margot Robbie dá credibilidade a conflito central de “Golpe duplo”

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Foto: divulgação

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“Golpe duplo”, novo filme de Glenn Ficarra e John Requa, diretores dos ótimos “O golpista do ano” (2009) e “Amor a toda prova” (2011), pertence àquela estirpe dos filmes de assaltantes geniosos e geniais. Will Smith é Nicky, um ladrão habilidoso que se dedica a pequenos trambiques. Criado na malandragem, ele lidera um grupo especializado na arte da traquinagem e tem na figura de Jess (Margot Robbie), uma promissora golpista interessada em integrar o grupo. Nicky faz o tipo solitário, mas é cativado por Jess com quem engata uma relação amorosa meio que por osmose. Mas ele se ressente de engatar nessa paixão por entender que na vida que leva, amor e negócio não podem se cruzar.

Trata-se do filme menos original e cativante da dupla, mas ainda assim “Golpe duplo” se mostra charmoso e envolvente. Muito disso se deve exclusivamente a Margot Robbie que, bela, talentosa e carismática, legitima para o público a hesitação que toma conta de Nicky. No entanto, as (muitas) reviravoltas do filme – nem todas satisfatórias – atestam que se trata de um genérico do subgênero “heist movie”, que tem exemplares destacáveis como “Onze homens e um segredo” (2001), “Thomas Crown, a arte do crime” (1999), entre outros.

Há, pelo menos, uma grande cena em “Golpe duplo”. Uma que sugere o filme que Requa e Ficarra talvez tivessem em mente e não conseguiram transferir para celuloide. É quando Nicky se engaja em uma aposta megalomaníaca com um bilionário chinês em meio a uma partida de futebol americano. Genuinamente eletrizante e ainda mais surpreendente, a cena brinca com o nome original do filme, “Focus” (foco), a primeira lição que Nicky ensina a Jess. Brincar com o foco da plateia é um dos passatempos dos diretores com seu filme, um exercício de técnica que merece ser apreciado independente do filme em si. A tergiversação, obviamente, fica muito mais fácil quando se dispõe de Will Smith e, especialmente, Margot Robbie.

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Filmes, Notícias | 07:00

O sexo pode matar em “It follows”, filme de terror mais celebrado do ano

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It follows 2Exaltado como o melhor filme da semana da crítica no festival de Cannes em 2014 e celebrado como uma das melhores produções exibidas no festival de Sundance 2015, “It follows”, que no Brasil deve se chamar “Corrente do mal” é destacado pela crítica internacional como o melhor filme de terror em muitos anos. Não é um rótulo que se vê por aí todo dia.

O filme de David Robert Mitchell, que estreou na sexta-feira 13 nos Estados Unidos, trata de um fenômeno sobrenatural. Uma criatura maligna que persegue jovens hipersexualizados. Ok, você já viu esse filme antes? Não exatamente. “It follows” remexe nos clichês. A tal da criatura do mal, inominada, pode assumir qualquer forma. Seja a de um vampiro, um demônio ou da sua mãe, do seu chefe e não irá sossegar até te matar. O x da questão está em como se desvencilhar da criatura.

Depois de um bom sexo casual, a jovem Jay (Maika Monroe) é avisada pelo seu parceiro de que uma criatura iria persegui-la a partir daquele momento, a qualquer momento, até matá-la. A princípio, trata-se de uma atualização da velha pecha moralista dos filmes de terror de serem contrários ao sexo, mas Mitchell, que também é responsável pelo roteiro, revoluciona esse clichê engessado dando ao sexo o poder de neutralizar a ameaça do mal. “O mais legal é que se você vira um alvo a partir do ato sexual é também por ele que você pode transferir essa maldição”, observou o diretor em entrevista coletiva realizada em Sundance. Alguém pensou em analogias com doenças sexualmente transmissíveis? “É uma leitura possível desse assustador e inteligente filme”, assinalou o New York Times em sua crítica. “Você não verá algo mais aterrorizante neste ano”, cravou a revista inglesa especializada em cinema Total Film.

Portanto, é apenas pelo ato sexual que Jay pode se livrar da maldição adquirida em uma noite de sexo casual.  Essa mistura de excitação e terror não vingava no cinema desde “Pânico” (1996). Ainda não há previsão de estreia para “It follows” no Brasil, mas os dois trailers abaixo podem deixar o leitor na expectativa.

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quinta-feira, 19 de março de 2015 Curiosidades, Filmes | 19:54

Vídeo reúne primeiro e último planos de vários filmes

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Um mimo para os cinéfilos.  Vindo de outro cinéfilo. O americano Jacob T. Swinney editou um vídeo de pouco mais cinco minutos destacando os primeiros e últimos planos de vários filmes como “O mestre”, “Ela”, “Cisne negro”, “Rastros de ódio”, “Touro indomável”, “Boyhood”, “Antes do amanhecer”, “Violência gratuita”, “Nebraska”, “Onde os fracos não têm vez”, “Clube da luta”, “Birdman”, “O lado bom da vida”, “Gravidade”, “Garota exemplar”, entre outros.

É interessante observar como muitos cineastas pensam em uma relação direta entre o primeiro e o último planos de seus filmes.

É uma pequena demonstração da genialidade de gente como John Ford, Alejandro González Iñárritu, David Fincher e Martin Scorsese e, também, de como o cinema comporta beleza e se reveste de sentido mesmo nas contraposições mais simplórias.

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quarta-feira, 18 de março de 2015 Curiosidades, Filmes | 21:01

Elenco de “Uma Linda mulher” se reúne 25 anos depois do lançamento do filme

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Existem alguns filmes que marcam época e entram para os anais do cinema. “Uma linda mulher” (EUA, 1990), uma versão urbana de Cinderela, é um desses filmes. Maior êxito da carreira do diretor Garry Marshall, “Uma linda mulher” deu a Julia Roberts, além de uma indicação ao Oscar de melhor atriz, seu status de estrela hollywoodiana. O filme devolveu a Richard Gere o status de galã perdido em meados dos anos 80.

Mais recentemente, tanto Gere quanto Roberts demonstraram exaustão com o filme. Gere chegou a dizer em uma entrevista que o filme era “o menos favorito” dos que fez. Já Roberts confessara em um programa da TV estar cansada de responder perguntas sobre o filme. No entanto, Gere e Roberts, além do diretor e dos atores Hector Elizondo e Laura San Giacomo, se reuniram nesta quarta-feira para a gravação de um especial sobre os 25 anos do filme que será exibido em um programa da TV americana na próxima terça-feira. A reunião do elenco acontece no momento em que se confirma que o filme será adaptado para um musical da Broadway.

“Uma linda mulher” é um romance que tem tudo no lugar certo. A nostalgia, imperativa, nos obriga a dizer que é o tipo de filme que não se faz mais hoje. Não é o caso, mas quando nos pegamos ouvindo “Pretty woman” não conseguimos nos desviar dessa sensação. Talvez Gere e Roberts tenham sido tomados pelo mesmo espírito nostálgico.

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Foto: reprodução/NBC

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terça-feira, 17 de março de 2015 Críticas, Filmes | 16:45

Cronenberg ridiculariza Hollywood com sátira delirante em “Mapas para as estrelas”

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Ao terminar de assistir “Mapas para as estrelas” (EUA/CAN/FRA/ALE  2014), o espectador certamente hesitará se está diante de uma comédia carregada em tintas de humor negro ou de uma ópera de horror nervosa. Mas terá a certeza que acabou de assistir um legítimo Cronenberg. E dos melhores!

O cineasta oferece aqui uma sátira poderosa das engrenagens de Hollywood. “Mapas para as estrelas” é um olhar cínico, profano e subversivo para o mundo do cinema e a fogueira de vaidades que o alimenta. O cinema, e Hollywood, já foram tema de muitos filmes. Dos recém-oscarizados “Argo” (2012) e “Birdman” ao clássico “Crepúsculo dos Deuses” (1950), a pegada crítica podia até estar presente nesses filmes, mas gravitava um universo de interesses difuso. David Cronenberg se desapega de todo o mais e concentra-se única e exclusivamente no aspecto sórdido, absurdo e, porque não, cronenberguiano da Meca do Cinema. Essa opção por focar no grotesco desse mundo de porcelana e aparências distingue o filme dos outros que miram em Hollywood. Com Cronenberg tudo é mais hediondo, grave, extremo e surreal.

Loucura ou lucidez? A personagem de Mia Wasikowska conclama o melhor, e o pior, dos dois conceitos (Foto: divulgação)

Loucura ou lucidez? A personagem de Mia Wasikowska conclama o melhor, e o pior, dos dois conceitos
(Foto: divulgação)

Há cenas que vão do hilário ao suspense em segundos e outras que trafegam pelo nonsense e se refugiam no drama. É um trabalho de direção tão singular quanto irrepreensível.

A sinopse não dá conta da experiência que é interiorizar “Mapas para as estrelas”. São três arcos que acompanhamos. No primeiro, uma misteriosa menina (Mia Wasikowska), com partes do corpo queimadas, chega a Los Angeles para conhecer a cidade e acaba se envolvendo com o motorista de limusine que sonha em ser ator ou roteirista vivido por Robert Pattinson. Em outro, Havana Segrand (Julianne Moore) é uma atriz em decadência que faz tudo para conseguir o papel que foi de sua mãe em um remake dirigido por um prodígio saído do festival de Sundance. Finalmente, no terceiro arco, há uma estrela teen, Benjie (Evan Bird), um misto de Macaulay Culkin com Justin Bieber, que estrela uma franquia milionária, recupera-se de um vício em drogas e tem um gênio para lá de difícil.

Cronenberg, com o préstimo do roteirista Bruce Wagner – ele mesmo um ex-motorista de limusines em Hollywood – disseca esses clichês ambulantes com agudeza e escárnio.

Os arcos se bifurcam brilhantemente e um dos expedientes mais extraordinários para esse feito é o personagem de John Cusack, um guru de autoajuda de celebridades, que tem conexão com os três personagens centrais que puxam a narrativa.

Ego, vaidade, insegurança, desejo... a fogueira hollywoodiana queima sob o olhar atento de Cronenberg (Foto: divulgação)

Ego, vaidade, insegurança, desejo… a fogueira hollywoodiana queima sob o olhar atento de Cronenberg
(Foto: divulgação)

Referências pipocam na tela. Desde o bom momento vivido pelas produções da TV americana à inevitável rivalidade em sets de filmagens. Cronenberg tem um comentário sobre tudo. Das circunstâncias a que muitos se submetem na busca por um lugar ao sol em Hollywood à insegurança que vitima atrizes, especialmente as mais velhas, em um contexto estético ditatorial. Pescar essas referências sortidas durante toda a projeção é um dos prazeres de se assistir “Mapa paras as estrelas”. Outro, é testemunhar a crescente de delírio e tensão orquestrados pelo cineasta. É uma história sobre Hollywood e ilusão, delírio e vertigem estão no pacote. Cronenberg, visionário, esfacela a realidade ao ridicularizá-la sem rodeios. Seu filme, culto à desordem, inebria e desestabiliza o espectador. Nada mais sintomático de Hollywood.

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sábado, 14 de março de 2015 Filmes, Notícias | 19:56

Documentário analisa o boxe por meio de personagens como Tyson e Holyfield

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É consensual que o MMA hoje mobiliza muito mais atenção do que o boxe. O esporte que é uma forma de arte, como certa vez cunhou o grande jornalista Norman Mailer, anda desprestigiado. Por isso, o documentário “Champs”, cujo trailer pode ser conferido abaixo, chama a atenção.

O filme foca nas carreiras dos pugilistas Mike Tyson, Evander Holyfield e Bernard Hopkins, mas oferece um painel sobre o esporte. O filme traz depoimentos de gente como Mark Wahlberg, 50 Cent, Denzel Washington e Ron Howard, que dirigiu o filme “A luta pela esperança”, além de uma série de especialistas no assunto. “É o sonho americano e o pesadelo americano. Um soco pode pôr tudo a perder”, observa Denzel, fã confesso do esporte.

O lançamento do filme nos cinemas americanos ocorre neste fim de semana.

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sexta-feira, 13 de março de 2015 Filmes, Notícias | 20:55

Martin Scorsese vai dirigir filme sobre Mike Tyson

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Da esquerda para a direita: Jamie Foxx, Mike Tyson e Martin Scorsese (Foto: divulgação)

Da esquerda para a direita: Jamie Foxx, Mike Tyson e Martin Scorsese
(Foto: divulgação)

O ator Jamie Foxx (“Miami vice” e “Ray”) divulgou nesta sexta-feira que levou à Paramount, estúdio que atualmente detém um contrato de exclusividade com Martin Scorsese, um projeto que lhe é muito caro. Uma biografia sobre Mike Tyson dirigida por Martin Scorsese. “Será o primeiro filme de boxe dirigido por Martin Scorsese desde ‘Touro indomável’”, revelou o ator ao site Uproxx. Ainda não há confirmação oficial, mas se Foxx já está anunciando o projeto como certo, tudo indica que o convite foi aceito por Scorsese e a Paramount deu sinal verde para a produção.

Foxx detém os direitos da autobiografia de Tyson, “Undisputed truth”, lançada em 2012 desde o ano passado e já corria em Hollywood o papo de que esse era o projeto dos sonhos do ator. Com Scorsese no comando, torna-se o projeto do sonho de quem quer que goste de cinema.

O ator vai interpretar Tyson, de quem é amigo pessoal. Não é claro, porém, se o filme será baseado no livro ou se será apenas um recorte deste. A pré-produção da fita deve começar ainda em 2015.

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quarta-feira, 11 de março de 2015 Críticas, Filmes | 16:29

Divertido e reverente, “Kingsman- serviço secreto” já é um dos filmes do ano

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Matthew Vaughn dispensou a direção de “X-men: dias de um futuro esquecido” para rodar “Kingsman – serviço secreto” (EUA 2015). À época, ninguém entendeu muito bem a escolha e o diretor argumentou que viria uma série de sátiras de espiões nos próximos anos no cinema e que ele queria ser o primeiro. Essa primazia certamente dificulta a vida de quem vem depois, porque “Kingsman” é brilhante enquanto cinema, matador enquanto sátira, inebriante enquanto homenagem e delirante como entretenimento.

Com mais este acerto, além de se provar infalível até seu quinto filme, Vaughn apresenta algo tão original, cinéfilo e vigoroso quanto seu primeiro filme, “Nem tudo é o que parece”, fita de gângster surpreendente que revelou Daniel Craig.

“Kingsman” é irônico, cínico, violento , reúne todas os clichês que legitimam um bom filme de espião (dos gadgets a la James Bond ao vilão megalomaníaco) e Colin Firth. O ator imortalizado como o “tipo almofadinha” surge tão esnobe quanto seu Mark Darcy de “O diário de Bridget Jones”, mas tão letal e espirituoso como James Bond. É um hype e tanto que aumenta o prazer de se assistir ao filme.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Firth vive Harry Hart, um agente secreto do grupo que empresta nome ao filme.  Uma organização secular desvinculada de qualquer governo que zela pela ordem mundial.  São duas frentes que se desenvolvem no filme. A primeira diz respeito à escolha do novo membro para integrar o grupo e a escolha de Harry é Eggsy (interpretado pelo novato Taron Egerton), que começa a flertar com a delinquência juvenil. Eggsy competirá com outros jovens durante um treinamento intensivo pela única vaga aberta. De outro lado, Harry investiga um trilhardário das telecomunicações que pode estar ligado ao desaparecimento de políticos e celebridades. Valentine (Samuel L. Jackson) quer salvar o mundo. Extremamente preocupado com a causa ambiental, ele planeja dizimar grande parcela da população mundial para resolver o problema. Samuel L. Jackson cria um tipo inesquecível. Com língua presa e um guarda-roupa todo particular, Valentine não suportar ver sangue, mas está por trás de um plano para lá de violento para “salvar o mundo”. Jackson capricha na caricatura e abraça esse vilão que bebe da fonte da linguagem dos quadrinhos e acerta no mais inimaginável dos antagonistas de Bond. Não à toa, há um diálogo no filme que sublinha essa referência tão bem urdida por texto e ator.

Vaughn demonstra incrível esmero narrativo ao combinar todos os elementos de uma sátira assumida com a gramática de um filme reverente ao universo da espionagem, sem deixar de entregar um filme de espião bruto, inteligente e profundamente conectado com o espírito de seu tempo.

Podem vir outras sátiras e outras homenagens, e o ano de 2015 tem até mesmo o inimitável James Bond, mas dificilmente um filme sobre o universo da espionagem será tão esfuziante como “Kingsman”. Aquele tipo de filme tão bom, nos detalhes e no todo, que é possível se pegar salivando por mais quando os créditos sobem.

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quarta-feira, 4 de março de 2015 Curiosidades, Filmes, Fotografia | 07:00

Mundo corporativo é satirizado em fotos promocionais de nova comédia estrelada por Vince Vaughn

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Vince Vaughn pode até sempre fazer o mesmo papel no mesmo tipo de filme, mas o material promocional de “Unfinished business”, seu mais recente filme com estreia prevista para esta sexta-feira nos EUA e para setembro no Brasil, ganha pontos pela originalidade.

A Fox, estúdio responsável pela produção, se uniu a licenciadora de imagens Getty para criar fotos que o internauta pode baixar gratuitamente e que brinca justamente com a ideia do ambiente corporativo. São imagens que ressaltam o viés gozador dos personagens do filme em fotos que costumam ilustrar reportagens sobre o mercado de trabalho e que são realmente licenciadas para uso editorial pela Getty Images.

No filme, Vaughn é um empresário que só tem dois funcionários (Dave Franco – irmão de James – e Tom Wilkinson) e viaja para a Europa para fechar um contrato, mas as coisas acabam saindo do controle. O trailer e as famigeradas fotos podem ser conferidos abaixo.

Fotos:  (Getty e Fox)

Fotos: (Getty e Fox)

Unfinished (2)

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