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Arquivo da Categoria Filmes

sexta-feira, 25 de julho de 2014 Análises, Curiosidades, Filmes | 06:00

Quando o cinema pensa o jornalismo

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Está programado para estrear nos cinemas no próximo dia 7 de agosto o documentário “O mercado de notícias”, de Jorge Furtado. O filme combina a encenação da peça homônima de 1625 do dramaturgo inglês Ben Jonson com depoimentos colhidos pelo diretor de 13 jornalistas de diferentes mídias da cena noticiosa nacional.

A intenção do cineasta é discutir a reverberação do jornalismo no cotidiano, o sentido e a prática da profissão, bem como seu futuro. O filme reflete casos recentes da política brasileira e pormenoriza a atuação da imprensa. A estrutura, ainda que convencional, busca a metaforização nesse diálogo que propõe com uma peça forjada no século XVII. As circunstâncias do jornalismo, no entanto, são passíveis de mudança? A essência se metamorfoseia com o tempo ou permanece imutável? São questionamentos que norteiam o interesse de Furtado com seu filme.

Os jornalistas depoentes não são menos notórios que o diretor de “O homem que copiava” (2003) e “Saneamento básico – o filme” (2007). Bob Fernandes, Cristiana Lôbo, Fernando Rodrigues, Geneton Moraes Neto, Janio de Freitas, José Roberto de Toledo, Leandro Fortes, Luis Nassif (colunista do iG), Mauricio Dias, Mino Carta, Paulo Moreira Leite, Raimundo Pereira e Renata Lo Prete formam esse painel plural e multifacetado tateado por Furtado.

Para o diretor, seu documentário “debate critérios jornalísticos e, também, configura uma defesa da atividade jornalística, do bom jornalismo, sem o qual não há democracia”.

O jornalista Fernando Rodrigues em cena de "O mercado de notícias"

O jornalista Fernando Rodrigues em cena de “O mercado de notícias”

Em "Rede de intrigas", o âncora de um telejornal promete se suicidar no ar quando de sua demissão e vira um sucesso de audiência

Em “Rede de intrigas”, o âncora de um telejornal promete se suicidar no ar quando de sua demissão e vira um sucesso de audiência à medida que perde as papas da língua

Em "O informante", Al Pacino vive um jornalista que tenta convencer uma potencial fonte, mas se vê imerso em um jogo escuso de interesses econômicos

Em “O informante”, Al Pacino vive um jornalista que tenta convencer uma potencial fonte a entregar podres da indústria tabagista, mas se vê imerso em um jogo escuso de interesses econômicos

A ideia central do filme, no entanto, não é nova. Há, por exemplo, um documentário americano recente que aborda com propriedade o mesmo tema. Trata-se de “Page one: inside The New York Times” (2011), disponível no catálogo da Netflix.  O filme de Andrew Rossi propõe um mergulho sem precedentes na redação e na história do jornal mais importante e mais influente do mundo. Jornalistas do veículo e também de concorrentes falam sobre o jornal, as mudanças estruturais impostas pelo tempo e, na esteira desta avaliação, pelas transformações inerentes ao próprio jornalismo.

A primazia dessa reflexão do jornalismo, contudo, não é do documentário. O cinema ficcional discute o jornalismo há um bom tempo. “A montanha dos sete abutres”, de Billy Wilder (1951) é item obrigatório nas faculdades de jornalismo por oferecer uma visão arguta de como o jornalismo pode pender para o sensacionalismo em um piscar de olhos. Desse quadro indesejável para a manipulação, basta outro piscar de olhos.

Ainda nessa linha de pensar o jornalismo em toda a sua complexidade, podem ser destacados filmes como “O informante” (1999), “Quase famosos” (2000), “Nos bastidores da notícia” (1987), “Todos os homens do presidente” (1976), “A primeira página” (1974), “Boa noite e boa sorte” (2005), “Frost/Nixon” (2008), “Rede de intrigas” (1976), “O jornal” (1994), “O preço de uma verdade” (2003), “O quarto poder” (1997), “Intrigas de Estado” (2009), entre tantas outras preciosas inflexões sobre o fazer jornalístico.

Em "O quarto poder", Dustin Hoffman vive experiente jornalista que manipula um homem desesperado para conseguir o furo de sua carreira

Em “O quarto poder”, Dustin Hoffman vive experiente jornalista que manipula um homem desesperado para conseguir o furo de sua carreira

"Quase famosos" mostra a experiência de um jovem jornalista acompanhando uma banda em turnê

“Quase famosos” mostra a experiência de um jovem jornalista acompanhando uma banda de rock em turnê

Um ex-presidente em busca de redenção midiática e um apresentador de tv contestado em um embate intelectual primoroso são a matéria prima de "Frost/Nixon"

Um ex-presidente em busca de redenção midiática e um apresentador de tv contestado em um embate intelectual primoroso são a matéria prima de “Frost/Nixon”

Com diferentes inclinações, tons e conclusões, esses filmes convidam a uma reflexão fundamentalmente importante em um momento em que o País se prepara mais uma vez para ir às urnas. Reflexão esta que deve ser encampada por quem produz e, principalmente, por quem consome notícia.

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quarta-feira, 23 de julho de 2014 Críticas, Filmes | 22:26

“Planeta dos macacos: o confronto” é interessante jogo de espelhos

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Fotos: divulgação

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César é, para todos os efeitos, um personagem pós-moderno. Primeiro porque é o que melhor se beneficia da ferramenta hoje bastante comum da captura de performance. Tecnologia que permite combinar os gestos e expressões do ator à criação digital que será vista na tela grande. Daí surgiu o que chamamos no meio de “performance digital”. E Andy Serkis, o homem que já foi Gollum e King Kong, reina nesta arte. A segunda razão para César ser a expressão do personagem pós-moderno é porque congrega em si toda a complexidade de ser humano, mas é um macaco; um símio que trafega entre o que há de mais primitivo em nós e o que há de mais evoluído. Por ser esse espelho tão fascinante quanto aterrador, César cativa.

“Planeta dos macacos: o confronto” (2014) é um filme que dá conta desse enredamento ambicioso. Essa nova jornada dos macacos pelo cinema, iniciada com “Planeta dos macacos: a origem” (2011) busca conciliar entretenimento com reflexão e alcança com sucesso essa rara simetria no cinema americano.

No novo filme, dirigido por Matt Reeves (“Deixe-me entrar”), o vírus produzido em laboratório abordado no filme anterior dizimou grande parte da humanidade. Os que vivem precisam se reorganizar socialmente, mas esbarram no surgimento de uma sociedade paralela erigida pelos macacos liderados por César, que foi o primeiro a apresentar os sinais de evolução.

O que mais impressiona em “O confronto” não é o tempo que Reeves dedica à estrutura de comunicação dos símios, nem mesmo o vigor de seus ritos sociais, mas a maneira como símios e humanos se aproximam nas vicissitudes e nas virtudes.

É esse o grande mérito deste blockbuster que se apresenta como um dos melhores dessa safra de 2014. A capacidade de vincular com fundamento a veia corruptora do homem ao ideal de evolução, de organização social e fazê-lo destacando uma sociedade pós-raça humana que se julga imune às vis tentações que assolam o homo sapiens. Essa ideia muito bem fecundada no romance original escrito por Pierre Boulle, e lançado em 1963, ganha dimensão mais trágica e ruidosa nas mãos de Reeves.

Dos planos insidiosos sobre César, o líder sábio e pressionado, à agonia humana em face de descobertas sempre desestabilizadoras, Reeves filma com a densidade de uma tragédia grega cujo iminente desfecho nos rebaixa enquanto sociedade.

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terça-feira, 22 de julho de 2014 Críticas, Filmes | 20:19

“O Teorema zero” tenta iluminar busca atemporal pelo sentido da vida

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Qual o propósito da existência? É esse o mote nada banal e compreensivelmente ambicioso de Terry Gilliam em seu retorno ao universo da ficção científica. Entre “Os 12 macacos” (1995) e “O teorema zero” (2013) passaram-se quase 20 anos. Se o primeiro filme flertava com a ação sem abdicar de seu viés soturno, o novo trabalho de Gilliam abandona todo e qualquer subterfúgio para focar única e exclusivamente no objetivo da narrativa.

No filme, Qohen Leth (Christoph Waltz) é um excêntrico hacker com tendências antissociais que se fundem muitíssimo bem a um mundo em que a tecnologia preconiza a impessoalidade. Mas essa visão pessimista de nosso futuro não compõe o eixo central da fita, mas sim o que esse descontentamento fluído enseja. Qohen está à espera de uma ligação do criador para descobrir seu propósito nesta vida. Por isso, pressiona seu supervisor (David Thewlis) para poder trabalhar em casa. O gerente, figura que beira o mitológico na composição cênica de Gilliam e que é interpretado com afetação calculada por Matt Damon, acaba por lhe propor um desafio: ele poderá trabalhar em casa, desde que seja na solução do teorema zero. Um problema matemático que, se resolvido, revelará a razão da existência humana. Mas resolver o tal problema não só consome o tempo e a sanidade de Qohen, como se prova um exercício de fé. Está aí, no exercício da fé, o questionamento definitivo alinhado por Gilliam em seu filme.

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O ator Christoph Waltz em cena do filme

 

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Nesse futuro colorido, berrante e de constante observação, a religião assumiu-se como um player no mercado de capitais e a disputa pela alma de um indivíduo não é mais importante do que a possibilidade de torná-lo parte de um sistema. A estranheza de Qohen sempre se referir a si mesmo na primeira pessoa do plural passa por aí e culmina na devastadora cena final em que o gerente faz uma revelação a Qohen, que a despeito de intuída por um ou outro espectador, preserva sua força.

A religião é capaz de prover sentido à vida humana, terrestre, racional, profissional? Ou seria o amor capaz de legitimar angústias insuspeitas e insondáveis? Gilliam confronta essas percepções em um filme estranho, sensorial, delirante na mise-en-scène e que vai se revelando por meio de metáforas potentes. Sejam elas visuais ou saídas da boca de personagens.

Christoph Waltz surge em cena intangível e irreproduzível. Diferentemente de tudo que já fez no cinema, o ator se entrega ao ridículo e ao nonsense despudoradamente. Alterando o tom do registro a cada nova cena, Waltz aposta em uma composição rigorosamente fiel ao espírito transgressor do filme. Inadjetivável, no sentido mais livre possível, sua atuação não exatamente agrada, mas impressiona.

“O teorema zero” não é um filme de apreciação imediata. É daqueles que exige engajamento; reflexão. Gilliam confia ao público parte de sua angústia, mas não lhe reserva o direito de pincelar suas próprias respostas. Ao fim da projeção, elas estão todas lá; só nos resta montar o quebra-cabeça.

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segunda-feira, 21 de julho de 2014 Filmes, Notícias | 22:15

Confira o primeiro trailer de “Trash – a esperança vem do lixo”

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Foi divulgado nesta segunda-feira o trailer de “Trash – a esperança vem do lixo”, novo filme de Stephen Daldry, diretor dos filmes “Billy Elliot” (2000), “As horas” (2002) e “O leitor” (2008). A produção foi gravada no Rio de Janeiro entre 2012 e 2013 e é uma co-produção entre as britânicas Working Title e PeaPie Films e a brasileira O2 Filmes. O roteiro é de Richard Curtis, responsável pelos textos de “Cavalo de guerra” (2010) e “Simplesmente amor” (2003).

Uma mistura de drama e thriller, “Trash” acompanha três meninos, Raphael (Rickson Tevez), Gardo (Eduardo Luis ) e Rato (Gabriel Weinstein), que vivem em um lixão e que após uma descoberta misteriosa entram na mira de policiais corruptos . A trama que fala sobre poder e corrupção se destaca pelo elenco internacional com nomes como Wagner Moura, Selton Mello, Rooney Mara e Martin Sheen.

 

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sábado, 12 de julho de 2014 Críticas, Filmes | 19:59

Espaço Cult: “Cópia fiel” é cinema de questionamento

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Cópia

A primeira reação à “Cópia fiel” (FRA/Itália/Irã 2010) é de estranheza. Confusão até. A matéria prima deste filme do elogiado cineasta iraniano Abbas Kiarostami é a arte e uma das discussões mais longevas e interessantes que a gravita: Acerca do valor de uma cópia, da autenticidade do original e do quão significante é o olhar na aferição de uma obra de arte. Mas o diretor iraniano é audacioso e faz do filme que discute a arte, a própria discussão. O fórum metalinguístico de Kiarostami começa explanativo e toma contornos herméticos, ainda que a narrativa seja leve e fluída. Uma conquista notável.

Em “Cópia fiel”, o escritor inglês James Miller (William Shimell) está na região da Toscana, na Itália, para palestrar sobre seu mais recente livro (que dá nome ao filme), em que promove um debate sobre arte e cópia. Miller parece convicto de que uma cópia bem feita tem tanto valor quanto o original. Ao mesmo tempo em que relativiza o valor da arte, a cópia a afirma, defende o inglês. Ele é desafiado, em um passeio aparentemente sem rumo, pela francesa dona de uma loja de antiguidades vivida por Juliette Binoche. Elle, a personagem da atriz, é flagrada dividida entre a adoração e o repúdio às ideias de Miller.

Em um primeiro momento, Kiarostami desenvolve seu filme como uma palestra propriamente dita. Ele lança suas ideias e as defende por meio de exemplos que os personagens tricotam em uma conversa cerceada por tensão e sobressaltos. De repente, após uma conversa travada entre Elle e a dona de uma cantina italiana, “Cópia fiel” se transforma em outro filme. Uma comédia romântica madura que guarda muitas semelhanças com o duo de Richard Linkaleter Antes do amanhecer/Antes do pôr do sol. Se essa condição é proposital ou não, provoca o diretor iraniano, cabe ao olhar do espectador.

O trânsito de ideias em “Cópia fiel” é tão vasto e complexo que ao seu final não se pode afirmar se o jogo de cena dos personagens se sucedeu por curiosidade intelectual, flerte incidental ou se o jogo de cena que existia (sem nos darmos conta) deu vazão à crua realidade, ainda que temperada pelo lirismo europeu que Kiarostami filma como o turista que é.

É inegável que “Cópia fiel” é um filme de ideias. Que se pretende erudito, ainda que desenvolvido na simplicidade dos diálogos. Contudo, o grande “porém” do filme, é que, em seu âmago, ele não convence. James Miller escreveu o livro para se convencer de suas próprias ideias, admite o próprio em determinado momento. Tudo leva a crer que Kiarostami rodou este filme, seu primeiro no exílio na Europa, com o mesmo intuito. Mas “Cópia fiel” não cativa como cinema o tanto que cativa como ensaio. É uma pena. Apesar da boa química entre os atores, e Shimell em sua estréia é um achado, a fita se torna depositária do olhar do espectador. Essa volubilidade, até certo ponto pretendida, atesta a ideia do filme, mas o segmenta em apreciações genéricas como a força dos intérpretes, a beleza da Toscana ou a inteligência do roteiro de Kiarostami.

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sexta-feira, 11 de julho de 2014 Filmes, Notícias | 06:00

“Amantes eternos” encerra reinado dos vampiros na cultura pop

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Filme de vampiro que é filme de arte, mas não necessariamente nesta ordem... (Foto: divulgação)

Filme de vampiro que é filme de arte, mas não necessariamente nesta ordem… (Foto: divulgação)

Desde o início da década, em pleno frisson provocado pela saga “Crepúsculo”, os vampiros reinaram na cultura pop em geral e no cinema em particular. Mas nos últimos dois anos esse reinado vem dando sinais de esgotamento. Filmes como “Abraham Lincoln: caçador de vampiros” (2012) e “Academia de vampiros – o beijo das sombras” (2014), na modéstia das bilheterias combinada à pobreza narrativa, são reveladores dessa fadiga dos vampiros conforme a década se aproxima de sua metade.

Cabe ao festejado Jim Jarmusch, diretor da cena indie americana, encerrar com chave de ouro essa fase vampírica no cinema que deve muito, em todos os sentidos possíveis e imagináveis, à fase anterior: protagonizada por belos filmes como “Drácula da Bram Stoker” (1992) e “Entrevista com o vampiro” (1994).

Em “Amantes eternos”, tradução honrosa, mas ainda acanhada do esplendido título original “Only lovers left alive” (algo como “Somente os amantes permanecem vivos”), Jarmuch reveste seus vampiros, vividos por Tom Hiddleston (o Loki de “Thor” e “Os vingadores”) e Tilda Swinton (vencedora do Oscar por “Conduta de risco”) de angústia existencial e tesão pela arte e conhecimento humanos. Adão e Eva, nomes nada acidentais, vivem há séculos e estão desencantados com o rumo da raça humana. Jarmusch usa a liberdade proposta por um filme de vampiro com tal vocação para pensar sobre conflitos essencialmente humanos. Tudo regado à arte, música e um humor perverso devidamente afiado.

O filme deve estrear nos cinemas brasileiros em 21 de agosto. Confira o trailer legendado abaixo.

 

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segunda-feira, 7 de julho de 2014 Filmes, Notícias | 22:30

Contagem regressiva para o novo filme de David Fincher

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David Fincher é o diretor mais cerebral do cinema americano. Não por acaso, sua fama como cineasta está relacionada aos filmes de suspense. Ainda que ele tenha feito poucos. “Seven” (1996), “Vidas em jogo” (1997), “O quarto do pânico” (2002) e “Zodíaco” (2007”) são alguns dos que se encaixam no perfil. Seu filme seguinte a “Os homens que não amavam as mulheres” (2011), a versão americana do best-seller sueco, é justamente outro filme baseado em um livro policial, no caso “Garota exemplar”, de Gillian Flynn.

Na trama, acompanhamos a investigação do desaparecimento e morte de uma mulher (Rosamund Pike) e a elevação da suspeita de seu marido (Ben Affleck) ser o criminoso.

O filme tem estreia marcada para o dia 2 de outubro nos cinemas brasileiros. Abaixo é possível conferir não só o mais recente trailer da produção, como os cartazes que destacam evidências do crime, ao invés de enfileirar o elenco do filme.

Com fotografia soturna, reviravoltas surpreendentes e um Ben Affleck prometendo a grande atuação de sua carreira, “Garota exemplar” promete ser uma das sensações do fim do ano nos cinemas.

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quinta-feira, 3 de julho de 2014 Críticas, Filmes | 20:57

“O Homem duplicado” leva inflexão vigorosa de Saramago ao cinema

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O cineasta canadense Denis Villeneuve, aos poucos, constrói uma filmografia que, além de rica e pensativa, é das mais instigantes do cinema moderno. Depois de apresentar uma das maiores sensações do cinema em 2013, o misto de thriller e drama “Os suspeitos”, o diretor chega aos cinemas com “O homem duplicado” (2013), uma adaptação essencial da obra homônima do escritor português José Saramago.

“O homem duplicado” versa sobre identidade. Sobre a singularidade do indivíduo à sombra da sociedade e, também, sobre como a vaidade é um forte elemento transformador. Isso tudo em um filme que se resolve primordialmente como um tubo de ensaio. Seja em sua lógica visual, seja no ritmo fragmentado e desabrido da narrativa. Lacunas e elipses se erguem com a benção de Saramago em um filme que não tem medo de provocar perplexidade na plateia.

Jake Gyllenhaal vive Adam, um introspectivo professor de história, que se encontra à beira da depressão quando descobre, ocasionalmente em um filme qualquer, um homem que é idêntico a ele. Adam resolve ceder a essa curiosidade e passa a perseguir, ainda que atabalhoadamente, seu sósia. Anthony St. Claire (também vivido por Jake Gyllenhaal) é o oposto de Adam. Confiante, boa vida e mora em um apartamento ensolarado – um contraponto ao escuro apartamento de Adam. A estranheza de conhecer um homem igualzinho a ele logo dá espaço a uma curiosidade mórbida por parte do ator que não consegue romper o terceiro escalão da fama. Adam, por sua vez, passa a se sentir incomodado por entender estar perdendo a referência de sua identidade.

Um encontro que coloca os personagens em caminhos opostos: "O homem duplicado" nunca opta pela via mais fácil ao instigar constantemente a audiência  ( Foto: divulgação)

Um encontro que coloca os personagens em caminhos opostos: “O homem duplicado” nunca opta pela via mais fácil ao instigar constantemente a audiência ( Foto: divulgação)

A Toronto que recebe a ação é estranhamente fria e atemporal, em uma solução visual digna de nota do fotógrafo Nicolas Bolduc para dimensionar a letargia emocional que aflige o protagonista. Conforme a trama avança, as dúvidas, ensejadas por pistas nada óbvias por parte da realização, se proliferam e a certeza se afasta. A jornada proposta por Saramago e replicada aqui por Villeneuve com espantosa fidelidade não busca o sentido formal, mas a gravidade da inflexão. Nesse aspecto, “O homem duplicado” triunfa com a sobriedade do grande pensador em que se acolhe.

Um adendo à extraordinária composição de Jake Gyllenhaal precisa ser feito. O ator distingue seus personagens quando necessário e borra essas tintas de distinção quando preciso.

Gyllenhaal é um elemento tão importante na narrativa quanto os símbolos projetados por Villeneuve. Um destes é uma tarântula. A tarântula representa o lado sinistro, o aspecto obscuro de um ser humano. Reside na combinação da performance de Gyllenhaal e da compreensão dessa metáfora exposta na tela em dois momentos distintos, a força de “O homem duplicado” enquanto cinema.

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quarta-feira, 2 de julho de 2014 Filmes, Notícias | 20:05

Jennifer Aniston surge ainda mais tarada no 1º trailer de “Quero matar meu chefe 2”

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Comédia de surpreendente sucesso de público em 2011, “Quero matar meu chefe” terá sua sequência lançada nos cinemas brasileiros em 4 de dezembro deste ano. Praticamente todo o elenco original está de volta, incluindo Jamie Foxx, Jennifer Aniston e Kevin Spacey. Dessa vez, os protagonistas vividos por Jason Bateman (“Uma ladra sem limites”), Charlie Day (“Círculo de fogo”) e Jason Sudeikis (“Família do bagulho”) resolvem abrir um negócio próprio. Apenas para entrar em atrito com um investidor canalha vivido por Chistoph Waltz. O plano da trupe, o título já entrega.  O trailer dá pistas de que o tom gozador e a pegada cínica e satírica permanecem em alta no novo filme.

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segunda-feira, 30 de junho de 2014 Filmes, Listas | 22:11

Cinco filmes imperdíveis nos cinemas em julho

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O mês das férias tem ótimas atrações nos cinemas, principalmente para os adultos. A safra americana é especialmente boa e dois dos blockbusters mais aguardados da temporada estreiam no mês. De todo o jeito, o Cineclube achou espaço para um filme francês de um dos maiores cineastas de todos os tempos.

“A pele de Vênus”

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Trata-se do novo filme do diretor Roman Polanski. A produção integrou a mostra competitiva do festival de Cannes em 2013, de onde saiu com muitos elogios. Polanski escala sua esposa, a atriz Emmanuelle Seigner, para viver uma atriz que tenta convencer um diretor de teatro (vivido por Mathieu Amalric) de que ela é a pessoa certa para interpretar a protagonista em sua nova peça. Uma dinâmica sexual e sádica se estabelece entre eles.

Estreia em 17/07

“Mesmo se nada der certo”

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No novo filme do diretor de “Once”, a música é novamente protagonista. Desta vez, um empresário do ramo musical fracassado (Mark Ruffalo) constrói uma relação com uma promissora cantora e compositora recém-chegada a Nova York (papel de Keira Knightley). Ecos de “Jerry Maguire – a grande virada” e “Quase famosos” em um filme que marca, ainda, a estreia do cantor Adam Levine no cinema.

Estreia em 17/07

“Planeta dos macacos: o confronto”

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Continuação do surpreendente sucesso de público e crítica de 2011, que reiniciava a saga dos símios no cinema. Gary Oldman assume o protagonismo do lado dos humanos e Andy Serkis continua dando show na captura de performance dando vida a Cesar, o macaco evoluído que desafia a raça humana. O título entrega tudo: o bicho vai pegar. Literalmente.

Estreia em 24/07

“Guardiões da galáxia”

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O filme que pode revitalizar a Marvel como “casa das ideias”. Depois de mexer com o jeito de fazer cinema blockbuster, a Marvel se acomodou. Esse filme com heróis (quase) desconhecidos e sem nomes (ou caras) famosas em frente às câmeras, e mesclando humor e ação pode devolver esse pioneirismo ao estúdio. Na trama, um grupo de renegados se une para proteger o universo.

Estreia em 31/07

 

“O Grande Hotel Budapeste”

hotel

Grande elenco (Jude Law, Edward Norton, Owen Wilson, Bill Murray, Tilda Swinton e Ralph Fiennes, para citar alguns nomes) estrelam o novo filme de Wes Anderson, diretor que como Quentin Tarantino e Tim Burton é bastante reconhecível na tela de cinema. Ralph Fiennes faz o porteiro de um famoso hotel no período entre guerras que precisa provar que uma grande herança recebida não é roubo. Ainda que esta seja apenas uma das muitas aventuras por ele vividas.

Estreia em 03/07

 

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