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Arquivo da Categoria Filmes

sábado, 20 de setembro de 2014 Atores, Filmes | 19:50

Keanu Reeves volta ao cinema de ação com “John Wick”

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Keanu Reeves em "John Wick" (Foto: divulgação)

Keanu Reeves em “John Wick” (Foto: divulgação)

Keanu Reeves há muito dava sinais de que havia renunciado ao seu status de astro do cinema. Desde “Constantine” (2005) não estrela um blockbuster de raiz. Filmes como “Os reis da rua” (2008), “O dia em que a terra parou” (2008) e “47 ronins”, ainda que se enquadrem neste perfil, tem mais pretensões do que a diversão fácil e escapista. Mas depois de dirigir um épico de artes marciais (“O homem de tai chi”), aparecer em filmes menores como “A ocasião faz o ladrão” (2010) e “Sem destino” (2012) e produzir o documentário “Lado a lado” (2012), sobre os rumos do cinema nos tempos do digital, Reeves parece decidido a recuperar seu status como action hero. É o que sugere o trailer de “John Wick”, que tem estreia prevista para outubro nos EUA (no Brasil ainda não há data).

No filme, que ainda tem no elenco Williem Dafoe, Bridget Moynahan, Ian McShane e Jason Isaacs, o ator vive um assassino de aluguel aposentado que, após ter seu sossego perturbado, sai à caça de todos aqueles que tiveram alguma coisa a ver com isso.

Aos 50 anos, Keanu Reeves talvez tenha redescoberto como se divertir fazendo cinema.

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Críticas, Filmes | 17:58

“Lucy” é mistureba estilosa de filmes de HQ e sci-fi

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Luc Besson é um cineasta francês, mas seus filmes são americanos no corpo e na alma. “Lucy”, por exemplo, é o único filme plenamente original, ou seja, que não é uma sequência ou uma adaptação de outra mídia, a figurar entre as 20 maiores bilheterias do ano nos cinemas americanos. É uma estatística nada desprezível. Besson está por trás de sucessos como “Busca implacável” (2008) e “Carga explosiva” (2002), que produziu, e é o responsável por clássicos instantâneos dos anos 90 como “O profissional” (1994) e “O quinto elemento” (1997).

Em “Lucy”, Scarlett Johansson vive a personagem título. Uma mulher fútil, aparentemente desprovida de maiores predicados intelectuais e com mau gosto para homens. O filme começa e Lucy se vê em uma enrascada. Trapaceada por um ficante eventual, ela acaba à mercê de uma quadrilha de traficantes internacionais que não falam inglês. Coagida a servir de mula, ela acaba ingerindo grande volume da droga sintética que transportava. Essa droga amplia a capacidade de uso do cérebro humano e, aos poucos, Lucy vai se transformando em uma espécie de super-heroína high tech. Um misto do maior sonho de grandeza de Sheldon Cooper com a viúva negra que Johansson tão bem dá vida nos filmes da Marvel. À medida que o tempo passa, Lucy não só consegue controlar a matéria como calcular o tempo exato de sua morte.

Scarlett Johansson é Lucy: pense duas vezes antes de mexer com ela... (Foto: divulgação)

Scarlett Johansson é Lucy: pense duas vezes antes de mexer com ela…
(Foto: divulgação)

“Lucy” é, portanto, um amálgama de filme de origem de super-herói e de ficção científica. Em 2011, Bradley Cooper estrelou um filme com premissa muito parecida. Em “Sem limites”, ele dá vida a um escritor medíocre que depois de tomar uma droga experimental “liberta” seu cérebro e fica superinteligente. “Lucy” se difere deste filme por se apresentar como um pastiche com muito humor e referências aos filmes de Besson, especialmente os que ele produziu e já mencionados nesta crítica.

O que pesa contra a fita é justamente quando Besson percebe que tem algo muito bom nas mãos e decide deixá-lo melhor. Ele acaba cedendo à ficção científica hardcore, território inóspito para um diretor que se moldou no gênero da ação barroca, e com delírios kubrickianos quase entorna o caldo no ato final do filme.

Scarlett Johansson, no entanto, mantém-se firme como uma personagem imersa na imensidão de si mesma. A atriz convence sem muito esforço e ajuda a transformar Lucy em uma das personagens mais bacanas de 2014 nos cinemas.

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quarta-feira, 17 de setembro de 2014 Críticas, Filmes | 20:07

James Gray faz dolorosa crônica do sonho americano em “Era uma vez em Nova York”

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Com o lançamento de “Era uma vez em Nova York”, James Gray chega à marca de cinco filmes como cineasta. Detalhe: sua carreira já tem 20 anos. Dos cinco filmes, quatro foram rodados em colaboração com o ator Joaquin Phoenix. Esses dados dizem muito sobre o cinema de James Gray e seu novo filme não foge à regra. É uma obra oxigenada por Nova York, irrigada por personagens irresolutos e esmerada no talento sempre onipotente de Phoenix, ator que muda o tom do registro com facilidade sempre surpreendente.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

No filme, em análise está a inflexão do sonho americano. Estamos na Nova York dos anos 20 e imigrantes chegam à cidade em profusão.  É a saga de uma delas, a polonesa Ewa, interpretada com garra e delicadeza pela francesa Marion Cotillard, que Gray acompanha com atenção às miudezas e opção pelo minimalismo.

Ewa é forçada a abandonar sua irmã na triagem à chegada à Nova York por ela estar tuberculosa. Ewa é acolhida por Bruno (Joaquin Phoenix), cafetão que logo impõe à polonesa a realidade da prostituição. Não contava, porém, que fosse se apaixonar por Ewa. Contava menos ainda que seu primo Emil (Jeremy Renner), ao qual tem certas restrições, retornasse a Nova York e despertasse o interesse de Ewa.

O triangulo amoroso, mais do que favorecer uma trama romântica, tem o objetivo de destrinchar as relações escusas entre um país opressor e aqueles que nele adentram com a expectativa da prosperidade. Emil, mágico e ilusionista, representa a faceta gloriosa da América, enquanto Bruno, o lobo convencido de que é um cordeiro, a face opulenta e cínica do país. Emil, no entanto, não deixa de revelar certa mesquinhez enquanto Bruno se encontra mutilado por uma paixão que no que tem de arrebatadora tem de ruinosa; uma vez que a história de amor entre ele e Ewa se pressupõe impossível considerando a natureza da relação entre eles.

James Gray tece, nos limites desse microcosmo, um poderoso painel da América do início do século XX. Não obstante, oferece um filme tecnicamente belíssimo. Da direção de arte portentosa à fotografia com paleta amarelada que ajuda a ambientar uma Nova York sufocante, envelhecida e pouco amistosa.

Um parágrafo precisa ser dedicado ao trabalho de Joaquin Phoenix. Ator de tremendo talento, Phoenix acolhe com resiliência um papel ingrato e o humaniza à medida que o filme avança. Na mesura de atuações com Cotillard, o ator é simultaneamente generoso e controlador. Se permite que Cotillard brilhe, e como ela brilha, não permite que a atuação da francesa ganhe vida além dele. Ele dita a cadência e o tom. No final, rouba o filme para si com uma cena maiúscula em que exprime toda a complexidade da qual “Era uma vez em Nova York” trata.

A robustez da atuação de Phoenix, por fim, dá viço a um filme que se não se configura como obra-prima, fica muito próximo desse patamar.

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terça-feira, 16 de setembro de 2014 Análises, Filmes | 06:00

Qual filme deve representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor produção estrangeira?

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Nesta quinta-feira (18), o Ministério da Cultura irá revelar o filme escolhido para representar o Brasil na briga por uma indicação ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro. O anúncio será feito às 10 horas da manhã em uma solenidade na Cinemateca Brasileira em São Paulo.

Ao todo, 18 longas-metragens participam da seleção. O júri que irá decidir o vencedor é composto pelo diretor, produtor e roteirista Jeferson De, pelo jornalista Luis Erlanger, pela coordenadora-geral de Desenvolvimento Sustentável do Audiovisual da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Sylvia Regina Bahiense Naves, pelo presidente do conselho da Televisão da América Latina, Orlando de Salles Senna, e pelo ministro do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, George Torquato Firmeza.

Cena de "O lobo atrás da porta": thriller policial é o favorito a ficar com a vaga

Cena de “O lobo atrás da porta”: thriller policial é o favorito a ficar com a vaga

Os filmes inscritos são os seguintes:

 “A grande vitória”, de Stefano Capuzzi

“A oeste do fim do mundo”, de Paulo Nascimento

“Amazônia”, de Thierry Ragobert

“Dominguinhos”, de Eduardo Nazarian

“Entre nós”, de Paulo Morelli

“O exercício do caos”, de Frederico Machado”

“Getúlio”, de João Jardim

“Hoje eu quero voltar sozinho”, de Daniel Ribeiro

“Jogo de xadrez”, de Luis Antônio Pereira

“Minhocas”, de Paolo Conti e Arthur Nunes

“Não pare na pista: a melhor história de Paulo Coelho”, de Daniel Augusto

“O homem das multidões”, de Cao Guimarães e Marcelo Gomes

“O lobo atrás da porta”, de Fernando Coimbra

“O menino e o mundo”, de Alê Abreu

“O menino no espelho”, de Guilherme Fiúza Zenha

“Praia do futuro”, de Karim Aïnouz

“Serra pelada”, de Heitor Dhalia

“Tatuagem”, de Hilton Lacerda

Cena de "Praia do futuro": filme ousado e complexo demais para o histórico das escolhas brasileiras. A opção por ele seria uma grata surpresa, mas com poucas chances de nomeação

Cena de “Praia do futuro”: filme ousado e complexo demais para o histórico das escolhas brasileiras. A opção por ele seria uma grata surpresa, mas com poucas chances de nomeação ao Oscar

A boa notícia é que a seleção de títulos é das mais diversificadas, ricas e qualificadas que o Ministério da Cultura dispõe em anos. A má notícia é que isso não necessariamente torna a tarefa mais fácil. Afinal, eleger o filme que irá tentar uma vaga no Oscar exige desprendimento, intuição e análise do contexto cinematográfico do momento no mundo e no Oscar. Qualidade não é, e não deve ser, o único parâmetro. Todos os anos o júri tenta equilibrar a equação de “o que os americanos vão apreciar” com “o cinema que nos dá orgulho”. Desde “Central do Brasil” no longínquo 1999, o tiro tem saído pela culatra.

Neste ano, “O lobo atrás da porta” desponta como virtual favorito. Trata-se de um thriller robusto, urbano e com aquele aspecto transnacional que recentemente o júri tem se apropriado na hora de escolher um filme que contenha certa brasilidade, mas não se resuma meramente a ela. Se optar pelo filme de Fernando Coimbra, se aproximará da escolha de 2014, “O som ao redor”; filme festejado pela crítica e experimentado em festivais fora do país. Pode ser o caminho, mas o histórico das escolhas brasileiras não sugere repetição. Há bons filmes como “Hoje eu quero voltar sozinho”, premiado no festival de Berlim”, e “O homem das multidões”, que adapta com liberdade um conto de Edgar Allan Poe, para falar da solidão. Qualquer um dos dois representaria uma escolha ousada, de afirmação do cinema autoral brasileiro como alternativa à produção de massa. Mas a produção autoral brasileira não é seguida tão de perto por membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood como eles o fazem com o cinema europeu, que geralmente privilegia em suas escolhas esse tipo de filme.

"O homem das multidões" seria uma aposta de risco do Brasil; filmes com esse perfil costumam emplacar no Oscar  quando submetido por países europeus

“O homem das multidões” seria uma aposta de risco do Brasil; filmes com esse perfil costumam
emplacar no Oscar quando submetido por países europeus

Cena da cinebiografia de Paulo Coelho: se for escolhido, filme caracteriza aposta conservadora

Cena da cinebiografia de Paulo Coelho: se for escolhido, filme caracteriza aposta conservadora

Nesse sentido, a biografia de um popular presidente brasileiro (“Getúlio”), um épico com ecos de Tarantino sobre a busca pela riqueza no norte do país (“Serra pelada”) e a biografia do escritor brasileiro mais famoso do mundo – e com muitas celebridades como fãs (“Não pare na pista: a melhor história de Paulo Coelho”) seriam escolhas mais seguras. Menos justas, porém.

É possível que nenhum desses filmes prevaleça e “Entre nós”, eficiente dramédia de Paulo Morelli surpreenda e fique com a vaga. De qualquer forma, o brasileiro tem que comemorar. Os 18 títulos na disputa são todos filmes que enobrecem o cinema nacional e o tornam mais plural, autêntico e, porque não, digno de Oscar.

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014 Atores, Filmes, Notícias | 20:53

Jake Gyllenhaal vive jornalista obsessivo em thriller sobre limites da mídia

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Jake Gyllenhaal, com 15 quilos a menos, vive jornalista obsessivo em novo filme (Foto: divulgação)

Jake Gyllenhaal, com 15 quilos a menos, vive jornalista obsessivo em novo filme
(Foto: divulgação)

Os limites do sonho americano? A transformação de um individuo bom em alguém de moral duvidosa? A espiral de obsessão que move o jornalismo policial na busca pela audiência? Que tal de tudo isso, um pouco? É o que promete o trailer de “Nightcrawler”, thriller exibido no festival internacional de cinema de Toronto e que amealha elogios calorosos da crítica. O filme marca a estreia na direção de Dan Gilroy, roteirista de filmes como “O legado Bourne” (2012) e “Gigantes de aço” (2011). Dan Gilroy é o irmão mais novo de Tony Gilroy, roteirista prestigiado que debutou na direção com “Conduta de risco” (2007), filme que investigava a ação por baixo dos panos de grandes corporações. A família Gilroy parece particularmente interessada no lado negro de nossa sociedade.

Esse interesse decorre do fato de que esse viés complexo, sejam empresas grandes às voltas com corrupção, ou um jornalista freelancer em busca do clique mais sórdido de um assassinato ou acidente automobilístico, são essencialmente cinemáticas. Humanas. Midiáticas.

“Nightcrawler”, ainda sem título em português, traz um Jake Gyllenhaal 15 quilos mais magros em um papel que parece propenso a colocá-lo na corrida pelo Oscar de melhor ator. Talvez ainda seja cedo para essa especulação, mas que o trailer promete uma história impactante e um Gyllenhaal assombroso de bom é inegável.

O filme está previsto para chegar aos cinemas brasileiros no dia 25 de dezembro.

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Críticas, Filmes | 19:00

Espaço Cult: “Direito de amar” aborda superficialidade asfixiante da vida

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Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

A estreia na direção do estilista Tom Ford é das coisas mais surpreendentes dos últimos anos no cinema. “Direito de amar ( EUA 2009) é, nas palavras de seu próprio diretor, fruto de uma angústia sua. É senso comum na produção cultural que os grandes artistas criam a partir de aflições e inquietações dessa ordem.

Ford, que também escreveu o roteiro do filme, mostra sensibilidade autoral e técnica impensada para um estreante. Belos planos, a confiança na habilidade dos atores de contar a história, a boa administração da composição técnica (música, fotografia, figurinos e direção de arte) e, mais do que isso, profundo esmero narrativo. Ford soube como contar sua história de maneira minimalista e ritmada.

George Falconer (Colin Firth) é um professor universitário que não consegue se recuperar da morte do parceiro. Acompanhamos Falconer no dia em que decide tirar sua própria vida.  Através de suas lembranças, que pontuam esse dia, percebemos como ele chegou àquela profunda tristeza e o por que se sente desmotivado em divorciar-se dela.

Em “Direito de amar”, Ford não faz nenhum tipo de militância. Embora seja homossexual assumido e aborde um universo homossexual, o diretor não o faz com complexo de minoria. A história de amor, e a relação de George com Jim (Mathew Goodie), são vívidas e inspiradoras. Em uma explanação sobre um livro que George dá a uma audiência de estudantes, Ford permite-se sublinhar a incompreensão que gravita o tema e mesmo assim o faz com elegância. “Direito de amar”, por tudo que representa e evoca, é um filme sobre a superficialidade. Sobre os excessos. Do desejo à falta dele. Muitos criticaram o apuro do filme. A perfeição dos cenários, o corte impecável do terno de George, os cabelos maravilhosamente penteados, o voyeurismo de Ford em algumas cenas, entre outras coisas. A bem da verdade, Ford se excede em um ou outro momento, mas isso não pode ser tomado como algo involuntário ou inerente ao ofício de estilista. Sabe-se vestir bem, mas de que isso adianta? Pergunta Ford. Tanto Charlotte (Julianne Moore, em participação marcante), grande amiga de George, tanto quanto o próprio George e os demais personagens que dão as caras em “Direito de amar” parecem modelos, dada a perfeição da postura e o alinhamento das roupas. Mas são todos desajustados. De uma forma ou de outra.

Direito de amar (2)

A fotografia do filme, nesse sentido, é de uma sutileza extraordinária. Ford e seu fotógrafo, Eduard Grau, acinzentam a imagem sempre que George aparece em um momento de introspecção doída. As cores voltam com brilho quando ele, de alguma forma, sente-se amado. A vida não deixa de ser assim. Maquiamo-nos e enfeitamo-nos todos para disfarçar ou ocultar nossos medos. Medos que geram angústias. E como sair delas? Tom Ford fez esse belo filme sobre como tentar.

Vale destacar também a excepcional trilha sonora de Abel Korzeniowski. Que ajuda a imprimir o tom do relato. Sem essa trilha, Ford não conseguiria alcançar o coração do espectador. Mas o grande trunfo de “Direito de amar”, que assegura o sucesso do filme, é Colin Firth. O ator entrega a performance de sua vida. Uma atuação sem vaidades (em um belo exercício de paradoxo, já que seu personagem é vaidoso) e que reveste o filme de Ford de sentimento. No mundo esterilizado em que não há sentido se você não for capaz de se conectar com outro ser humano, é Firth quem se conecta com a plateia.

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terça-feira, 9 de setembro de 2014 Críticas, Filmes | 20:11

“Amores inversos” achaca com doçura nossa letargia social

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Existem pessoas que irritam pela passividade e existem pessoas que escondem incrível força mobilizadora por trás de uma aparente passividade. É, em parte, dessa diferença que trata “Amores inversos” (2013), doce e eficiente adaptação de um conto de Alice Munro, canadense vencedora do Prêmio Nobel.

No filme de Liza Johsson, Kristen Wiig é Johanna Parry. Nosso primeiro contato com a personagem é um tanto insólito. No último dia de seu emprego como cuidadora de uma velhinha. A flagramos no momento da morte da senhora; é no metodismo com que prepara o corpo da idosa falecida e arruma a casa para sua partida, que a personagem deixa revelar um aspecto curioso de sua personalidade. A princípio parece uma noção distorcida de subserviência, mas mais a frente essa percepção se transmutará por completo.

Orientada por um pastor, Johanna segue para outra cidade e outro ofício. Será a babá de Sabitha (Hailee Steinfield), jovem que perdeu a mãe em um acidente provocado por seu pai, que passou um tempo na prisão e agora regressa a sua vida. Sabitha mora com o avô, papel do sempre eficiente Nick Nolte. Ele se ressente da presença do pai da menina, Ken (Guy Pierce), e é nesse ambiente turvo e estremecido que Johanna precisará se esgueirar. E ela o faz de forma monossilábica, mas sempre generosa. Johanna, aos poucos, vai se tornando familiar, ainda que não da família.

Johanna se prepara para viver uma improvável história de Cinderela.... (Foto: divlugação)

Johanna se prepara para viver uma improvável história de Cinderela….
(Foto: divulgação)

Sabitha e sua amiga Edith (Sami Gayle) resolvem pregar uma peça em Johanna e simulam, primeiro por meio de cartas e depois de e-mails, um interesse de Ken pela moça. Essa promessa de história de amor faz com que Johanna decida largar tudo e se entregar por completo a Ken, somente para descobrir que tudo não passava de uma farsa forjada por adolescentes entediadas.

O que acontece a partir daí, algo que precisa ser experimentado pelo expectador, reforça não só o termostato de uma personagem peculiar e apaixonante, como atesta “Amores inversos”, título nacional pouco feliz em sintetizar o minimalismo presente no título original “Hateship, loveship” (algo como “ódio, amor”), como um filme estudioso das relações humanas naquilo que elas têm de mais complexo, contraditório e imprevisível.

Em paralelo a essa incursão por alguns meses da vida de Johanna Parry, o filme oferta em cenas aparentemente desconexas da trama central, um olhar fervoroso sobre a maneira como travamos nossas relações sociais. As tensões, os preconceitos, as mágoas, os interesses e o amor estão lá; sim, o amor ao próximo ainda faz maravilhas, sugere o filme que começa com uma personagem que nos incomoda por parecer excessivamente passiva e que quando a deixamos nos incomodamos por parecermos nós mesmos passivos demais.

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014 Filmes, Notícias | 22:57

Primeiro trailer de “The humbling” sugere que Al Pacino ainda tem lenha para queimar

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Al Pacino precisava de um grande filme. Desde “Insônia” (2002) ele não estrela um filme que mereça o adjetivo excelente. Memorável, então, é preciso ir mais longe e lembrar de “O informante” (1999). Talvez “The humbling”, que foi exibido no festivais de Veneza e Toronto, não seja esse filme, mas o primeiro trailer sugere que podemos ter esperança. Na fita, adaptação da elogiada e homônima obra do escritor americano Philip Roth, Pacino faz um ator caído em desgraça. A genialidade parece dar lugar à senilidade e é na prosa e sexo com uma jovem lésbica que o ator reencontra o valor da vida. O trailer sugere que Pacino sai do piloto automático e abraça um personagem angustiado e imperfeito com voracidade.

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quarta-feira, 3 de setembro de 2014 Atores, Diretores, Filmes, Notícias | 23:11

George Clooney vai dirigir filme sobre escândalo do grampos ilegais do “News of the World”

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Em 2011 o mundo assistiu assombrado o desenvolvimento de um escândalo midiático que envolveu um tradicional tabloide britânico e seu dono, o poderoso magnata das comunicações Rupert Murdoch. Os grampos ilegais que o jornal News of the World patrocinou e que violaram a privacidade de membros da família real, de celebridades internacionais como Hugh Grant e Jude Law e de políticos gerou o fim da publicação centenária e estremeceu o império do empresário australiano.

Entenda o escândalo de grampos do tabloide News of the World

George Clooney, maior astro da Hollywood atual e também um dos artistas mais interessantes de que ela dispõe, decidiu que seu próximo filme como diretor será uma adaptação do livro “Hack attack: the inside story of how the truth caught up with Rupert Murdoch”, de Nick Davies, que investiga os pormenores do escândalo e suas reverberações nos bastidores do jornalismo, da política e da economia. “Essa obra tem todos os elementos – mentiras, corrupção, chantagem – nos maiores níveis do governo por um dos maiores jornais de Londres”, disse Clooney em um comunicado enviado à imprensa. “E o fato de ser tudo verdade é a melhor parte. Nick é um jornalista corajoso e perseverante e será uma honra adaptar seu livro para o cinema”.

George Clooney  vai voltar à cadeira de diretor  (Foto: divulgação)

George Clooney vai voltar à cadeira de diretor (Foto: divulgação)

Clooney nunca escondeu sua predileção por filmes com alto teor reflexivo. Ele dirigiu “Boa noite e boa sorte” (2005), sobre a importância do jornalismo independente em uma época em que os EUA mergulhou nas sombras do macartismo, e “Tudo pelo poder” (2012), sobre as escusas negociatas nos bastidores da política. Explorar a sanha por corrupção humana e todas as nossas contradições parece um hobby de Clooney. Mas é, na verdade, uma contribuição de um artista interessado em fazer bom cinema e provocar reflexão no mesmo compasso.

As filmagens devem começar no início de 2015. Ainda não há informações sobre elenco. Clooney e seu habitual colaborador, Grant Heslov, vão escrever e produzir o filme. É esperado que Clooney também apareça como ator, como o fez em todas as suas incursões na direção. Além dos já citados, são dele “Confissões de uma mente perigosa” (2002), “O amor não tem regras” (2008)  e “Caçadores de obras-primas” (2014).

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Críticas, Filmes | 20:17

A liberdade criativa na cozinha, no sexo e no cinema é reverenciada em “Chef”

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Em um dado momento de “Chef” (EUA, 2014), uma versão jazzística da canção “Sexual healing” começa a tocar e logo os personagens em cena se deixam contagiar por ela enquanto pegam a estrada com destino a Nova Orleans, cidade que é uma das raízes deste gênero musical nos EUA.

Esse momento sintetiza um filme colorido, extremamente sensual e que consegue ser tão divertido como crítico ao establishement hollywoodiano.

Jon Favreau, diretor dos dois primeiros “Homem de ferro” (2008 e 2010) e de “Cowboys vs Aliens” (2011), se reencontra com sua vocação indie abandonada lá nos anos 90. Na trama, ele faz Carl Casper, um prestigiado chef de cozinha que surta após receber uma crítica negativa de um influente crítico gastronômico. O surto revela que Casper não priorizava as coisas que o faziam felizes e que havia se tornado refém de seu orgulho. Ele então, em parte incitado pela ex-namorada e mãe de seu filho, que tateia uma reaproximação, e em parte estimulado por um saboroso sanduíche cubano, decide abrir um food truck e homenagear diferentes culinárias com sua criatividade e paixão pela cozinha.

Por de trás desse mote, reside um filme que discute na mesma intensidade a importância de não desistir de seus sonhos, ou de comer (e transar) sem culpa. Essa liberdade, advoga Favreau, com seu filme, só pode ser experimentada quando se renuncia ao orgulho e a ganância que dele emana.

O prazer está nas pequenas coisas, sugere o agradável "Chef"  (Foto: divulgação)

O prazer está nas pequenas coisas, sugere o agradável “Chef”
(Foto: divulgação)

Além de ser o tipo de filme que não se recomenda assistir de estômago vazio, “Chef” revela outra delícia irresistível. A forma sutil, sofisticada e multifacetada com que Favreau se dirige ao seu metiê. Seja pelo dono do restaurante podador (o estúdio de cinema), pelo crítico arbitrário (o crítico de cinema, qual mais?) ou pela felicidade que Casper encontra fazendo o básico (filmes independentes como “Chef”), Favreau defende uma tese muito charmosa no contexto do cinema, da vida ou da gastronomia.

Além desses predicados, “Chef” tem a oferecer um elenco entrosado, relaxado e disposto a garantir o divertimento. Das participações especiais de Dustin Hoffman, Oliver Platt, Robert Downey Jr. e Scarlett Johansson aos coadjuvantes John Leguizamo, Emjay Anthony e Sofia Vergara.

No final, Favreau dá uma piscadela para o público e para crítica. Ele, rechonchudo e sem culpa, belisca Scarlett e Sofia e, no final, faz um carinho na crítica, patrona da arte, na cozinha ou no cinema.

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