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sexta-feira, 15 de agosto de 2014 Críticas, Filmes | 18:53

“The Rover” é a crônica da desesperança anunciada

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O cinema australiano não tem tradição, mas oferta ao mundo um cineasta que se arrisca a instituí-la com ousadia, criatividade e robustez. Depois de impressionar com sua estreia, no intenso, violento e surpreendente “Reino animal”, David Michôd realiza um filme ainda mais complexo, desorientador e criativo. “The rover”, que no Brasil ganhou o péssimo subtítulo “A caçada” é um filme de ritmo espinhoso, mas intelectualmente compensador.

É também um estrato do cinema pensante. Vale-se do universo da ficção científica, da cenografia e cânones do western e do ritmo de filme de arte para ensejar um drama que busca um tipo muito particular de reflexão. A estrutura narrativa é apenas uma das ousadias de Michôd. A desconcertante cena final, que aventa “o sentido absurdo da vida” quando a condução da narrativa encorajava o espectador a abandonar a busca por qualquer sentido mais encorpado na trama, é a cereja do bolo de um filme que merece ser descoberto e apreciado.

foto: divulgação

foto: divulgação

Estamos em um futuro pós-apocalíptico, mas ele nada se distingue do presente. O colapso econômico tenta a civilização a ruir e é no deserto australiano que Michôd encena sua crônica da desesperança. “Há dez anos segui minha mulher e vi um homem enfiando os dedos nela. Matei os dois e nada aconteceu comigo”, brada o protagonista vivido com a retidão dramática necessária por Guy Pearce. “Ninguém veio atrás de mim. Esse é o tipo de coisa que não pode passar impune”, explica ele, em dado momento do filme, a um homem que é apenas uma sombra do que outrora foi um oficial da lei.

Quando esse forte diálogo se estabelece, “The Rover” já elabora seu clímax, que não é em termos rítmicos nada distinto do que se viu até ali. A câmera pouco intrusiva de Michôd e sua narrativa contemplativa acompanham um homem (Pearce) que tem seu carro roubado por três homens. Ele parte no encalço deles, eventualmente cruza com o irmão abandonado de um deles, papel de Robert Pattinson, e acaba criando uma inesperada parceria.

Sutilmente Michôd vai dando cor a esse futuro borrado e é na divergência entre os personagens de Pearce e Pattinson, que a grandeza da obra se articula. Enquanto um parece resignado, mas persegue seu objetivo (recuperar o carro) com gana incompatível com suas circunstâncias, o outro anseia por vínculo emocional em uma época em que a humanidade parece ter renunciado a ele de maneira definitiva.

“The Rover” causa impacto. Potencializado por sua engenharia narrativa, o filme nos cerceia as convicções com astúcia e dissabor. Uma abordagem que dá esperança ao cinema australiano que Michôd com toda a certeza irá influenciar.

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quarta-feira, 13 de agosto de 2014 Filmes, Listas | 06:00

Na esteira do Ebola, cinco filmes com vírus mortais

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Todo dia o noticiário está sendo invadido com algum desdobramento sobre o Ebola. O mundo assiste, de maneira mais passiva do que o desejável, a efervescência do vírus na África, onde na definição da Organização Mundial da Saúde há um “surto descontrolado”.  O medo de uma pandemia apocalíptica que habita nosso inconsciente coletivo já foi explorado em diferentes níveis, e com distintos resultados, pelo cinema. O Cineclube elaborou uma lista com cinco filmes que abordaram a ascensão de diferentes vírus e o terror nefasto acarretado por eles à humanidade.

1 – Guerra Mundial Z (EUA, 2013)

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

O filme de maior bilheteria da carreira de Brad Pitt combina zumbis e vírus biológico. A trama mostra o personagem do ator, um soldado a serviço das Nações Unidas, buscando pelo mundo pistas que levem à manipulação de uma vacina capaz de curar o vírus que transforma as pessoas em zumbis velozes e famintos em questão de segundos.

2 – Sangue ruim (FRA, 1986)

Sangue ruim

Nessa pequena joia do cinema francês com uma jovem Juliette Binoche, a sociedade francesa sofre as consequências da passagem do cometa Halley pelo país. Além do calor descomunal, um vírus mata todos que fazem sexo sem amor. Trata-se de uma alegoria apaixonada e apaixonante, além de espirituosa, do diretor Leos Carax sobre a emergente Aids que tanto horror provocou nos anos 80.

3- Contágio (EUA, 2011)

Contágio

Steve Soderbergh acompanha, em escala global, a rapidez com que um vírus letal, transmissível pelo ar, se espalha causando terror e derrubando algumas fachadas da civilização.  Além do vigor narrativo e do esmero técnico da trama, o filme é recomendável pelos bastidores fidedignos das ações da Organização Mundial da Saúde em casos como o da gripe suína, que, inclusive, motivou a feitura do filme.

4 – Epidemia (EUA, 1994)

Epidemia

Um vírus mortal surge na África e depois começa a chegar aos EUA? Já ouviu falar disso? Pois o filme “Epidemia”, lançado na esteira do surto de Ebola que chocou o mundo nos anos 90, se deflagra a partir desta situação. O vírus “Motaba”, que tem um macaquinho como hospedeiro, apresenta sintomas muito parecidos com os do Ebola. O filme tem grande elenco com nomes como Dustin Hoffman, Kevin Spacey, Morgan Freeman e Rene Russo.

5 – Vírus (EUA, 2009)

Vírus

Um vírus devastou a humanidade e acompanhamos um grupo de amigos tentando sobreviver em um território em que qualquer um e qualquer lugar pode ser inóspito. O filme protagonizado por Chris Pine (“Star trk”) foca mais na ação do que no drama, mas não deixa de prover alguns dos dramas que circunstâncias tão aterradoras quanto extraordinárias ensejam.

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quarta-feira, 6 de agosto de 2014 Críticas, Filmes | 20:38

Michael Bay manda mensagem subliminar no quarto “Transformers”

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Michael Bay não queria fazer um quarto “Transformers”. Ele mesmo deu reiteradas declarações enquanto rodava o terceiro filme de que aquele seria sua despedida deste universo que, justiça seja feita, ele é responsável por 50% do sucesso. Os outros 50% podem ser creditados aos efeitos especiais, atores, Hasbro (produtora de brinquedos que criou os transformers) e ao marketing maciço e onipresente custeado pelo estúdio Paramount.

Um cachê de U$ 30 milhões e a perspectiva de dirigir um “projeto menor” (o ótimo “Sem dor, sem ganho”, lançado em 2013) e a produção do remake de “As tartarugas ninja” (2014), que será lançado ainda neste ano, convenceram Bay a voltar atrás. “Transformers: a era da extinção” é uma espécie de reboot da série. É como se tudo começasse novamente, agora com Mark Wahlberg à frente da franquia.

O elenco em pose de videoclipe em cena de "A era da extinção": filme mais divertido do que precisava ser... (Foto: divulgação)

O elenco em pose de videoclipe em cena de “A era da extinção”: filme mais divertido do que precisava ser…
(Foto: divulgação)

Optimus Prime é novamente cativado por um humano, dessa vez o pai de família e mal fadado engenheiro eletrônico vivido por Wahlberg, e os decepticons estão novamente às voltas com um plano mirabolante, pelo menos na lógica do filme, para exterminar a humanidade.

“A era da extinção”, no entanto, padece do mesmo mal dos filmes anteriores. É extremamente longo. É filme demais para história de menos. Os efeitos especiais, no entanto, nunca estiveram melhores na série. Do detalhamento dos transformers, às cenas de luta (muito mais compreensíveis), passando até pelo momento “Star Wars” que o filme apresenta nos céus de Chicago.

Os acertos da série são replicados com destreza pelo diretor. O humor está preservado, assim como a trilha sonora pop e aquela porção de takes publicitários de Bay que tão bem caracterizam a série. Por falar em publicidade, pelas horas tantas do filme uma das atrações é perceber o merchandising em cada cena da produção. Seja quando a ação se passa nos EUA ou na China. Bay, de forma irreverente, leva o clímax da ação dos EUA para a China em um pulo.

“Transformers” não precisa fazer grande sentido e o diretor sabia disso. Mas o mais genial é que ele brinca com essa sanha por novos filmes da série ao colocar como principal mote da trama, cientistas tentando achar mais ‘transfórmio’ – um material à base de metal que possibilitaria que criássemos nossos próprios transformers. É sobre isso que o filme se resolve. E é um sarro que Bay tira com todo esse esforço da Paramount, pontuado no próprio empenho em mantê-lo no controle da franquia, em conservar a série viva no cinema.

O diretor não só brinca com o próprio status, como faz o filme mais divertido da série. Agora é que eles não deixam Bay ir embora mesmo…

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terça-feira, 5 de agosto de 2014 Críticas, Filmes | 21:13

“Guardiões da galáxia” é o 7×1 da Marvel no cinemão americano

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

A Marvel conseguiu de novo. Depois de fazer de um personagem semidesconhecido o grande abre alas de sua reinvenção no cinema (“Homem de ferro” em 2008), a empresa – hoje à vontade como estúdio de cinema – volta a emplacar um azarão no rol dos grandes sucessos de bilheteria. “Guardiões da Galáxia” estreou fazendo barulho e amealhando comparações entusiasmadas com “Star Wars”. Há muitas referências à saga criada por George Lucas, mas não são elas que validam as comparações e sim a qualidade notável do filme e o leque de possibilidades que ele abre para a Marvel.

Na trama, o terráqueo Peter Quill (Chris Pratt) é um saqueador (uma espécie de pirata espacial) que tenta levar o orb (uma esfera poderosíssima) para o corretor, que lhe pagaria uma boa quantia para tal. Acontece que a esfera é alvo de muitas facções intergalácticas e Quill acaba preso junto com um grupo de renegados formado por Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Groot (dublado por Vin Diesel) e Rocket (dublado por um indecifrável Bradley Cooper). E é aí que a aventura começa!

O grande barato de “Guardiões da galáxia” é sua engenharia de produção. Não se trata de um filmaço, mas de um filme que dificilmente desagradará alguém; e que agradará muita gente como atestam as bilheterias e as convulsões nas redes sociais. Para chegar a esse feliz denominador comum, a Marvel apostou na combinação de humor e ação que tão bem serviu ao primeiro “Homem de ferro” e confiou ao satírico James Gunn (responsável pelo roteiro de “Madrugada dos mortos” e pela direção de “Seres rastejantes”) o controle, ainda que parcial, da empreitada.

Gunn acerta a mão no ritmo, afinal de contas, ele sabe que a experiência de se assistir “Guardiões da galáxia” vale mais do que o filme em si. E é com isso em mente que ele entrega um filme que não se leva a sério, mas que leva o 3D muito a sério. Os efeitos especiais arrasadores ajudam a temperar essa produção com espírito assumidamente B em um dos pontos altos da temporada pipoca do cinema. Da concepção visual de Rocket à piada interna e sempre eficiente com o monotemático Groot, “Guardiões da galáxia” vai se revelando um celeiro de gags como uma improvável e engraçadíssima sobre esperma!

Uma trilha sonora afiada, a reverência aos anos 80 e um protagonista em estado de graça (Chris Pratt, acredite, fará por merecer a alcunha de “senhor das estrelas” em muito breve) ajudam a consolidar o filme como a grande sensação da temporada.

Para recuperar as metáforas futebolísticas, a Marvel vinha ganhando, mas “Guardiões da galáxia”, no tom, no timing, na estampa e na experiência cinematográfica que propõe, é o 7 x 1 que precisava para mostrar quem manda no futebol de Hollywood atualmente.

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sábado, 2 de agosto de 2014 Curiosidades, Filmes, Listas | 07:00

Cinco filmes imperdíveis nos cinemas em agosto

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Filmes como “O mercado de notícias” e “Amantes eternos”, que estreiam na próxima quinta-feira (07) nos cinemas já foram destacados pelo Cineclube, mas agosto reserva muitos outros bons lançamentos para quem deseja curtir um filme na sala escura. Um Robert Pattinson totalmente diferente do que estamos habituados a ver, o Woody Allen de sempre e um dos últimos filmes estrelados pelo saudoso Philip Seymour Hoffman estão entre os destaques.

 

“The Rover – a caçada”

Fotos (Divulgação)

Fotos (Divulgação)

Novo filme do diretor australiano David Michôd, do intenso e violento “Reino animal” (2010). Na trama Robert Pattinson faz um homem abandonado pelo irmão para morrer e Guy Pierce, um homem que teve seu carro roubado pelo irmão do personagem de Pattinson. Em um futuro apocalíptico em que a economia global ruiu e o crime impera, esses dois homens iniciam uma caçada ao mesmo homem por razões distintas.

 

Previsão de estreia: 07 de agosto

 

“O homem mais procurado”

O homem mais procurado

Daqueles filmes de espionagem que remetem diretamente ao bom cinema americano dos anos 70. Um imigrante de origem chechena chega à Alemanha para tentar resgatar uma herança que seu pai teria lhe deixado. Mas ele entra no radar das polícias secretas alemã e americana. O que se postula no filme que trabalha com meias verdades e muitas sombras é se este homem seria apenas uma vítima ou um extremista com um plano terrorista muitíssimo  bem elaborado. Quem assina a direção deste que é um dos últimos filmes de Philip Seymour Hoffman é o holandês Anton Corbijn, do excelente “Um homem misterioso” (2010). Como se não bastasse todo esse pedigree, o filme é uma adaptação de John Le Carré.

Previsão de estreia: 14 de agosto

 

“Era uma vez em Nova Iorque”

Era uma vez em NY

Outro filme que aborda, de maneira ambígua, a imigração. Na Nova York de 1920, duas irmãs polonesas buscam uma vida melhor, mas acabam nas garras de um cafetão. Quando o primo deste, um mágico, se apaixona por uma das irmãs, um cenário de muita dor e imprevisibilidades se aproxima. O filme de James Gray (“Amantes” e “Caminho sem volta”) tem Joaquin Phoenix, Marion Cotillard e Jeremy Renner no elenco e integrou a mostra competitiva do festival de Cannes em 2013.

 

Previsão de estreia: 28 de agosto

 

“Magia ao luar”

Magia ao luar

Um falso mágico (Colin Firth) é contratado para desmascarar uma jovem e simpática médium (Emma Stone), mas aos poucos vai se encantando com ela. Estamos, é claro, na seara Woody alleniana e em um filme de Woody Allen, o simplório e o genial caminham irmanados.

 

Previsão de estreia: 28 de agosto

 

“A oeste do fim do mundo”

A oeste do fim do mundo

Leon (César Troncoso) é um homem introspectivo que vive em um velho posto de gasolina, perdido na imensidão da estrada transcontinental entre a Argentina e o Chile. Seu único amigo é Silas (Nelson Diniz), um brasileiro que volta e meia o visita para trazer peças para consertar a moto dele. Um dia, a paz de Leon é abalada com a chegada de Ana (Fernanda Moro), uma mulher que escapou da tentativa de abuso sexual de um caminhoneiro com quem tinha pegado carona.  Essa convivência se provará desestabilizadora para todos os envolvidos. O filme, uma coprodução entre Brasil e Argentina, foi destaque na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do ano passado, mas só agora terá lançamento comercial.

Previsão de estreia: 28 de agosto

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quinta-feira, 31 de julho de 2014 Filmes, Notícias | 22:23

Meryl Streep é do mal em trailer de “Into the woods”

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Será que Meryl Streep vai ao Oscar, dessa vez como bruxa?

Será que Meryl Streep vai ao Oscar, dessa vez como bruxa?

Pense em todos os contos de fadas que você conhece. Provavelmente você não terá pensado em todos que compõe “Into The woods”, novo filme de Rob Marshall, diretor de “Chicago” (2003) e ‘Piratas do Caribe: navegando em águas misteriosas” (2011). O filme, com lançamento marcado para o dia 1º de janeiro de 2015 nos cinemas do Brasil, é uma adaptação de um musical da Broadway inspirado em diversos contos infantis clássicos como Chapeuzinho vermelho, Rapunzel, Cinderela, entre outros.  No trailer, divulgado hoje e que pode ser conferido abaixo, já é possível pescar algumas dessas referências.

Em “Into The Woods”, os protagonistas são o casal formado pelo Padeiro (James Corden) e sua esposa (Emily Blunt), que foram amaldiçoados pela Bruxa (Meryl Streep) e não podem ter filhos por causa disso. Decididos a acabar com a maldição, o casal entra na floresta encantada em busca de elementos capazes de quebrar o feitiço. Nessa jornada, cruzam com os mais diversificados personagens de contos de fadas.

A produção tem, ainda, Johnny Depp como Lobo Mau, Anna Kendrick como Cinderela, Chris Pine como Príncipe Encantado e Mackenzie Mauzy como Rapunzel.

A Cinderela, vivida por Anna Kendrick...

A Cinderela, vivida por Anna Kendrick…

... e seu príncipe interpretado por Chris Pine  (Fotos: divulgação)

… e seu príncipe interpretado por Chris Pine (Fotos: divulgação)

 

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quarta-feira, 30 de julho de 2014 Críticas, Filmes | 21:25

“O amor é um crime perfeito” alia inteligência e sensualidade a serviço da história

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O cinema francês é reconhecido tanto pela inteligência como pela sensualidade e “O amor é um crime perfeito”, novo filme de Jean-Marie Larrieu e Arnaud Larrieu potencializa esses elementos com sofisticação, audácia e incrível esmero.

Eles já haviam obtido resultado semelhante em “Pintar ou fazer amor” (2004), comédia dramática que opunha desejo e moralismo sob uma perspectiva sedutora e instigante. Em “O amor é um crime perfeito”, adaptado do romance “Incendies” de Phillipe Djian, a proposta é mais ambiciosa. Combinar o ritmo de thriller policial ao contexto de um drama familiar. Tudo entremeado por uma pulsão sexual inebriante.

Mathieu Amalric faz um professor de literatura que costuma levar suas alunas para a cama. Quando uma dessas alunas some ele vai sendo enredado aos poucos em uma teia de conspirações à medida que visto como suspeito, ainda que discretamente, passa a se envolver com a madrasta da menina desaparecida. Não obstante, ele ainda tem um relacionamento complexo, e marcado por forte tensão sexual, com sua irmã, que ocupa um cargo de superioridade na universidade em que ele dá aula.

O desejo é a força motriz em "O amor é um crime perfeito" (Foto: divulgação)

O desejo é a força motriz em “O amor é um crime perfeito” (Foto: divulgação)

Com cadência, os irmãos Larrieu vão revelando uma trama absolutamente distinta daquela que intuímos a princípio. Se essa opção revela apurado exercício de estilo, exibe também uma aprofundada capacidade de articulação estética e narrativa. A sensualidade que impregna a fita jamais desvia a atenção do espectador da trama central. Pelo contrário, reforça-a maliciosamente. Outro aspecto interessante da direção dos Larrieu é que a verdade que emerge no final do filme, embora já pudesse ser pressentida por um ou outro observador mais perspicaz, nunca é esmiuçada em seus detalhes sórdidos e o público precisa preencher as lacunas com certa imaginação. Esse delicioso exercício de coautoria redefine “O amor é um crime perfeito” como um filme de muito mais capilaridade do que sua narrativa, falsamente convencional, sugere.

Neste sentido, a atuação de Mathieu Amalric ganha importância. Seu personagem vai sendo revestido de complexidade à medida que “O amor é um crime perfeito” vai se revelando um filme distinto do que tínhamos em mente. Essa exacerbação da linguagem cinematográfica finalmente se cristaliza com a grande sacada da obra: amar é o pecado definitivo dos vaidosos.

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segunda-feira, 28 de julho de 2014 Curiosidades, Filmes, Listas | 22:35

A história de Hollywood em dez filmes

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O jornal inglês The Telegraph lançou um desafio inusitado. É possível contar a história de Hollywood em dez filmes? A ideia é agregar as produções que, não só influenciaram o modo de se fazer cinema dali em diante, mas que mimetizem o espírito da Meca do cinema em cada época.

Como em toda lista, há margem para discordâncias e interpretações diversas, mas a lista formulada pelo jornalista Robbie Colin paira acima das suspeitas mais superficiais. Eis ela:

 

Cena do filme "A conversação"

Cena do filme “A conversação”

“Uma semana”, de Buster Keaton (1920)

“Aconteceu naquela noite”, de Frank Capra (1934)

“No tempo das diligências”, de John Ford (1939)

“Fuga ao passado”, de Jacques Tourneur (1947)

“Sinfonia de Paris”, de Vicente Minneli (1951)

“À queima roupa”, de John Boorman (1967)

“A conversação”, de Francis Ford Coppola (1974)

“De volta para o futuro”, de Robert Zemeckis (1985)

“Pulp Fiction – tempo de violência”, de Quentin Tarantino (1994)

“Batman – o cavaleiro das trevas”, de Chistopher Nolan (2008)

 

O Cineclube, instigado por este exercício de cinefilia e história, elaborou a própria lista com o mesmo objetivo. Eis ela:

 

Cena de "A rede social"

Cena de “A rede social”

“O nascimento de uma nação”, de D.W. Griffith (1915)

“Tempos modernos”, de Charles Chaplin (1936)

“E o vento levou…”, de Victor Fleming (1939)

“Como era verde o meu vale”, de John Ford (1941)

“Sindicato de ladrões”, de Elia Kazan (1954)

“Amor sublime amor”, de Robert Wise e Jerome Robbins (1961)

“Tubarão”, de Steven Spielberg (1975)

“Taxi driver”, de Martin Scorsese (1976)

“Fargo”, de Joel e Ethan Coen (1996)

“A Rede social”, de David Fincher (2010)

 

Cena de "Sindicato de ladrões"

Cena de “Sindicato de ladrões”

Cena de "Taxi driver"

Cena de “Taxi driver” (Fotos: divulgação)

A lista se justifica nas inteirezas e nas sutilezas. “O nascimento de uma nação” aborda os eventos mais importantes da fomentação da América tudo pela ótica de duas famílias. É um dos filmes que moldaram a narrativa cinematográfica como a conhecemos. “Tempos modernos”, com sua ousada crônica da revolução industrial é um exemplo de como Hollywood sabe aproveitar talentos estrangeiros, no caso, Chaplin.

Já “E o vento levou” foi o primeiro épico hollywoodiano e, com valores atualizados pela inflação, um dos três filmes de maior bilheteria de todos os tempos.

Já “Como era verde o meu vale” é a opção mais fidedigna de narrativa hollywoodiana. O filme de John Ford prevaleceu no Oscar sobre “Cidadão Kane”, de Orson Welles, por muitos considerados um dos melhores filmes da história. A vitória deste épico familiar traduz muito da concepção de cinema em voga ainda hoje em Hollywood. “Sindicato de ladrões”, por seu turno, mostra o viés político do cinema hollywoodiano e sua veia liberal então efervescente.

“Amor sublime amor” é o triunfo do musical, esse gênero tão teatral que de quando em quando brilha no cinema. O filme é um dos maiores vencedores do Oscar e um grande sucesso de bilheteria. Além, é claro, de provar a versatilidade da shakespeariana história de Romeu e Julieta.

Steven Spielberg entra na lista com “Tubarão”, filme que inaugurou o que hoje chamamos de temporada de blockbusters (ou verão americano) e, literalmente, salvou Hollywood da bancarrota.  Os anos 70 tem dois filmes porque, depois dos anos 30, foram os mais importantes do cinema americano. Quando ele se revitalizou impulsionado por novos diretores criativos e inovadores. Martin Scorsese era um deles e “Taxi driver” um dos expoentes desse movimento.

Na lista do The Telegraph aparece “Pulp Fiction”. A opção por “Fargo” é uma provocação. O grande mérito oculto de Quentin Tarantino talvez tenha sido chamar atenção para o cinema dos Coen, hoje uma unanimidade, mas que antes de “Pulp Fiction” raramente eram notados por Hollywood. “Fargo” mudou este panorama.

“A rede social” não é apenas um filme sobre as circunstâncias da criação da maior rede social de nossos tempos. É um filme que se apresenta como síntese da linguagem de nossa era e, também, a melhor representação da chamada geração y que já começa a mandar e desmandar nos padrões de Hollywood também.

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sexta-feira, 25 de julho de 2014 Análises, Filmes | 22:32

O que esperar do filme “50 tons de cinza”?

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

É difícil fazer prognósticos em cima de um trailer, mas a liberação do primeiro de “50 tons de cinza” marcou a semana. O fenômeno, sugere a comoção demonstrada com um material de marketing de pouco mais de dois minutos, ainda tem muita força para exibir. O sucesso é certo, ainda que seja precipitado apontar em que proporção, mas de que tipo de filme estamos falando exatamente? A recíproca do livro será verdadeira? Estamos diante de um “pornô para mamães”, uma história de princesa com algum sex appeal ou a imagem diluirá os efeitos da imaginação, que a obra de E.L James parece ter apimentado?

O trailer entrega algumas pistas. O tom, como sugere a data de lançamento nos cinemas americanos (no valentine´s day em fevereiro próximo) é de romance. Não se está diante de um filme com a disposição de investigar os labirintos do desejo sexual. As cenas de sexo e sadomasoquismo, todas mostradas de lampejo no trailer, aparentam bom gosto, mas não parecem especificamente inclinadas para a ousadia.

Este primeiro trailer busca essencialmente o diálogo com o fã do material original. É a este que a produção do filme deseja tranquilizar neste momento de ansiedade. É como se dissesse: este é o filme que você imaginou. Será mesmo?

Sam Taylor-Johnson, a diretora do longa-metragem, tem apenas um crédito como diretora. “O garoto de Liverpool” (2008), sobre os anos iniciais da parceria entre John Lennon e Paul McCartney, além da complexa relação do primeiro com sua mãe.

É um filme em que Johnson explora mais os personagens do que precisaria. Demonstrou saber trabalhar bem com ambiguidades do roteiro e eficácia em redimensionar sutilezas do texto na tela. São habilidades que podem ser úteis em um filme que pretende mais do que satisfazer apenas a base consolidada de fãs.

De qualquer maneira, apesar do barulho provocado por “50 tons de cinza”, e muito ainda está por vir, vivemos tempos francamente caretas no cinema mainstream. Seja o filme surpreendente ou não, parece certo que não teremos o “Instinto selvagem” (1992) desta geração. O que para quem gosta de bom cinema e sexo, por que não, não deixa de ser um tanto broxante.

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Análises, Curiosidades, Filmes | 06:00

Quando o cinema pensa o jornalismo

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Está programado para estrear nos cinemas no próximo dia 7 de agosto o documentário “O mercado de notícias”, de Jorge Furtado. O filme combina a encenação da peça homônima de 1625 do dramaturgo inglês Ben Jonson com depoimentos colhidos pelo diretor de 13 jornalistas de diferentes mídias da cena noticiosa nacional.

A intenção do cineasta é discutir a reverberação do jornalismo no cotidiano, o sentido e a prática da profissão, bem como seu futuro. O filme reflete casos recentes da política brasileira e pormenoriza a atuação da imprensa. A estrutura, ainda que convencional, busca a metaforização nesse diálogo que propõe com uma peça forjada no século XVII. As circunstâncias do jornalismo, no entanto, são passíveis de mudança? A essência se metamorfoseia com o tempo ou permanece imutável? São questionamentos que norteiam o interesse de Furtado com seu filme.

Os jornalistas depoentes não são menos notórios que o diretor de “O homem que copiava” (2003) e “Saneamento básico – o filme” (2007). Bob Fernandes, Cristiana Lôbo, Fernando Rodrigues, Geneton Moraes Neto, Janio de Freitas, José Roberto de Toledo, Leandro Fortes, Luis Nassif (colunista do iG), Mauricio Dias, Mino Carta, Paulo Moreira Leite, Raimundo Pereira e Renata Lo Prete formam esse painel plural e multifacetado tateado por Furtado.

Para o diretor, seu documentário “debate critérios jornalísticos e, também, configura uma defesa da atividade jornalística, do bom jornalismo, sem o qual não há democracia”.

O jornalista Fernando Rodrigues em cena de "O mercado de notícias"

O jornalista Fernando Rodrigues em cena de “O mercado de notícias”

Em "Rede de intrigas", o âncora de um telejornal promete se suicidar no ar quando de sua demissão e vira um sucesso de audiência

Em “Rede de intrigas”, o âncora de um telejornal promete se suicidar no ar quando de sua demissão e vira um sucesso de audiência à medida que perde as papas da língua

Em "O informante", Al Pacino vive um jornalista que tenta convencer uma potencial fonte, mas se vê imerso em um jogo escuso de interesses econômicos

Em “O informante”, Al Pacino vive um jornalista que tenta convencer uma potencial fonte a entregar podres da indústria tabagista, mas se vê imerso em um jogo escuso de interesses econômicos

A ideia central do filme, no entanto, não é nova. Há, por exemplo, um documentário americano recente que aborda com propriedade o mesmo tema. Trata-se de “Page one: inside The New York Times” (2011), disponível no catálogo da Netflix.  O filme de Andrew Rossi propõe um mergulho sem precedentes na redação e na história do jornal mais importante e mais influente do mundo. Jornalistas do veículo e também de concorrentes falam sobre o jornal, as mudanças estruturais impostas pelo tempo e, na esteira desta avaliação, pelas transformações inerentes ao próprio jornalismo.

A primazia dessa reflexão do jornalismo, contudo, não é do documentário. O cinema ficcional discute o jornalismo há um bom tempo. “A montanha dos sete abutres”, de Billy Wilder (1951) é item obrigatório nas faculdades de jornalismo por oferecer uma visão arguta de como o jornalismo pode pender para o sensacionalismo em um piscar de olhos. Desse quadro indesejável para a manipulação, basta outro piscar de olhos.

Ainda nessa linha de pensar o jornalismo em toda a sua complexidade, podem ser destacados filmes como “O informante” (1999), “Quase famosos” (2000), “Nos bastidores da notícia” (1987), “Todos os homens do presidente” (1976), “A primeira página” (1974), “Boa noite e boa sorte” (2005), “Frost/Nixon” (2008), “Rede de intrigas” (1976), “O jornal” (1994), “O preço de uma verdade” (2003), “O quarto poder” (1997), “Intrigas de Estado” (2009), entre tantas outras preciosas inflexões sobre o fazer jornalístico.

Em "O quarto poder", Dustin Hoffman vive experiente jornalista que manipula um homem desesperado para conseguir o furo de sua carreira

Em “O quarto poder”, Dustin Hoffman vive experiente jornalista que manipula um homem desesperado para conseguir o furo de sua carreira

"Quase famosos" mostra a experiência de um jovem jornalista acompanhando uma banda em turnê

“Quase famosos” mostra a experiência de um jovem jornalista acompanhando uma banda de rock em turnê

Um ex-presidente em busca de redenção midiática e um apresentador de tv contestado em um embate intelectual primoroso são a matéria prima de "Frost/Nixon"

Um ex-presidente em busca de redenção midiática e um apresentador de tv contestado em um embate intelectual primoroso são a matéria prima de “Frost/Nixon”

Com diferentes inclinações, tons e conclusões, esses filmes convidam a uma reflexão fundamentalmente importante em um momento em que o País se prepara mais uma vez para ir às urnas. Reflexão esta que deve ser encampada por quem produz e, principalmente, por quem consome notícia.

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