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quarta-feira, 3 de setembro de 2014 Críticas, Filmes | 20:17

A liberdade criativa na cozinha, no sexo e no cinema é reverenciada em “Chef”

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Em um dado momento de “Chef” (EUA, 2014), uma versão jazzística da canção “Sexual healing” começa a tocar e logo os personagens em cena se deixam contagiar por ela enquanto pegam a estrada com destino a Nova Orleans, cidade que é uma das raízes deste gênero musical nos EUA.

Esse momento sintetiza um filme colorido, extremamente sensual e que consegue ser tão divertido como crítico ao establishement hollywoodiano.

Jon Favreau, diretor dos dois primeiros “Homem de ferro” (2008 e 2010) e de “Cowboys vs Aliens” (2011), se reencontra com sua vocação indie abandonada lá nos anos 90. Na trama, ele faz Carl Casper, um prestigiado chef de cozinha que surta após receber uma crítica negativa de um influente crítico gastronômico. O surto revela que Casper não priorizava as coisas que o faziam felizes e que havia se tornado refém de seu orgulho. Ele então, em parte incitado pela ex-namorada e mãe de seu filho, que tateia uma reaproximação, e em parte estimulado por um saboroso sanduíche cubano, decide abrir um food truck e homenagear diferentes culinárias com sua criatividade e paixão pela cozinha.

Por de trás desse mote, reside um filme que discute na mesma intensidade a importância de não desistir de seus sonhos, ou de comer (e transar) sem culpa. Essa liberdade, advoga Favreau, com seu filme, só pode ser experimentada quando se renuncia ao orgulho e a ganância que dele emana.

O prazer está nas pequenas coisas, sugere o agradável "Chef"  (Foto: divulgação)

O prazer está nas pequenas coisas, sugere o agradável “Chef”
(Foto: divulgação)

Além de ser o tipo de filme que não se recomenda assistir de estômago vazio, “Chef” revela outra delícia irresistível. A forma sutil, sofisticada e multifacetada com que Favreau se dirige ao seu metiê. Seja pelo dono do restaurante podador (o estúdio de cinema), pelo crítico arbitrário (o crítico de cinema, qual mais?) ou pela felicidade que Casper encontra fazendo o básico (filmes independentes como “Chef”), Favreau defende uma tese muito charmosa no contexto do cinema, da vida ou da gastronomia.

Além desses predicados, “Chef” tem a oferecer um elenco entrosado, relaxado e disposto a garantir o divertimento. Das participações especiais de Dustin Hoffman, Oliver Platt, Robert Downey Jr. e Scarlett Johansson aos coadjuvantes John Leguizamo, Emjay Anthony e Sofia Vergara.

No final, Favreau dá uma piscadela para o público e para crítica. Ele, rechonchudo e sem culpa, belisca Scarlett e Sofia e, no final, faz um carinho na crítica, patrona da arte, na cozinha ou no cinema.

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segunda-feira, 1 de setembro de 2014 Filmes | 22:27

Confira o trailer de “O candidato honesto”, filme que brinca com o estigma de ser político no Brasil

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E se existisse um político honesto? A retórica provoca gargalhadas em uns, resignação em outros e contrariedade em mais alguns. “O candidato honesto”, novo filme do diretor Roberto Santucci (dos sucessos de bilheteria “Até que a sorte nos separe” 1 e 2), tem como objetivo se comunicar com esses três grupos. No filme, estrelado por Leandro Hassum, um político cheio de galhofa passa a não conseguir contar uma mentira sequer após sua avó, na hora da morte, lhe jogar uma mandinga.

É a desculpa perfeita para o humor físico de Leandro Hassum e piadas cheias de referências à cena política nacional, como é possível identificar no trailer abaixo.  O filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 2 de outubro, estrategicamente três dias antes das eleições.

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quinta-feira, 28 de agosto de 2014 Atrizes, Filmes, Notícias | 21:29

Hilary Swank busca seu terceiro Oscar em filme sobre esclerose lateral amiotrófica

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A atriz Hilary Swank é um fenômeno. Aos 30 anos conquistava seu segundo Oscar de melhor atriz e na segunda vez que concorria. Sua última indicação, e vitória, foi há dez anos pelo poderoso “Menina de ouro” (2004). A primeira vitória veio com “Meninos não choram” (1999). O resto de sua carreira é composta majoritariamente por filmes medianos como “A inquilina” (2011), “Dália negra” (2006) e “Escritores da liberdade” (2007).

Agora, ela se prepara para lançar “You´re not you”, drama em que vive uma vítima da doença que motivou um dos mais recentes e comentados memes da internet, o desafio do balde de gelo. Se o Oscar não vier, as lágrimas – como sugerem o primeiro trailer do filme – são certeza. Sua personagem combate a esclerose lateral amiotrófica e personagens que lutam contra problemas de saúde já renderam Oscar a atores como Daniel Day Lewis (“Meu pé esquerdo”), Matthew McConaughey (“Clube de compras dallas”), Dustin Hoffman (“Rain man”), entre outros.

O lançamento do filme se dará justamente na janela em que filmes com aspirações ao Oscar costumam ser lançados nos EUA. A fita está marcada para chegar aos cinemas de lá no dia 10 de outubro. Ainda não há previsão para o Brasil.

O elenco de apoio conta com nomes como Emmy Rossum ( “O fantasma da ópera”), Josh Duhamel (“Tranformers”), Marcia Gay Harden (“Sobre meninos e lobos”) e Ali Larter (“Premonição”).

Confira o primeiro trailer do filme abaixo:

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segunda-feira, 25 de agosto de 2014 Bastidores, Filmes | 20:52

“Guardiões da galáxia” dissipa dúvidas sobre seu reinado na temporada de blockbusters

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Guar“Guardiões da galáxia” é um dos filmes mais divertidos da temporada. Ponto final? Não necessariamente. O sucesso da Marvel parece se recusar a encerrar o capítulo que está escrevendo na história do cinema em 2014 e da Marvel enquanto estúdio. No último fim de semana algo raro aconteceu nas bilheterias dos EUA. Um filme já em cartaz há um mês retornou ao topo das bilheterias. Que filme é esse? Bem, o título deste texto já diz tudo. Nada de “Sin City : a dama fatal” ou o drama teen “Se eu ficar”, quem tirou “As tartarugas ninjas” da liderança do ranking foi “Guardiões da galáxia”. Mas não só! O filme dirigido por James Gunn está a poucos dias de ultrapassar “Capitão América: o soldado invernal”, também da Marvel, como o filme mais rentável do ano nos EUA. “Guardiões da galáxia” já arrecadou U$ 251 milhões nas bilheterias americanas enquanto que o segundo  “Capitão América” ostenta a marca de U$ 259 milhões. Analistas da indústria são ainda mais otimistas e projetam que o filme estrelado por Chris Pratt supere o patamar de U$ 300 milhões.

Leia a crítica do filme: “Guardiões da galáxia” é o 7×1 da Marvel no cinemão americano 

Outro indício da consistência do filme é que de todos os sucessos de bilheteria do ano (de “A culpa é das estrelas” a “Godzilla”) é o que menos perde público de uma semana para a outra. Dado este que, não só consolida essa liderança que se avizinha na mais concorrida temporada de lançamentos do cinema americano, como demonstra que o filme se comunica com um público muito mais diverso do que muitos supunham. Indo muito além daquela molecada cheia de espinhas que filmes de heróis como “O espetacular Homem-Aranha 2: a ameaça de Electro” miram em cheio.

Se a Marvel já estava rindo à toa, a notícia de que “Guardiões da galáxia”, em qualquer parâmetro adotado é o filme da temporada, é um alento para a ousadia e a criatividade que devem seguir norteando as escolhas do estúdio e, também, de quem quiser lhe fazer frente nas bilheterias.

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014 Críticas, Filmes | 06:00

Novo “Os mercenários” é pensado para acomodar elenco numeroso

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Sabe quando você resolve dar aquela festa e sai convidando gente a torto e a direito e depois percebe que talvez não tenha estrutura para receber tanta gente? “Os mercenários 3” (EUA 2014) é mais ou menos assim. A franquia de ação mais improvável, e por que não divertida, do cinema atual se estabeleceu em cima do conceito da reunião de astros de ação do cinema de ontem e de hoje.

Será que cabe todo mundo no pôster?

Será que cabe todo mundo no pôster?

No terceiro filme, o inchaço do elenco não só é notável como é algo celebrado pelo marketing do filme. Mas a fita dirigida pelo semidesconhecido Patrick Hughes se esforça para esconder a verdade que o marketing deseja propalar. O filme só existe em virtude dos astros que reúnem. O argumento que dá base à trama de “Os mercenários 3 “, a exemplo do que ocorre com os outros dois filmes, é de Sylvester Stallone. No entanto, diferentemente dos outros filmes, dirigidos por Stallone e Simon West respectivamente, Hughes não consegue fazer do hype uma produção com o mínimo senso de ritmo. Desta maneira, o terceiro filme se resolve, ou pelo menos tenta, como um esforço, muitas vezes truncado, para acomodar o elenco numeroso.

Isso posto, os fãs da franquia não devem se incomodar. “Os mercenários 3” oferece justamente o que promete. Tiros, testosterona e piadas internas para aqueles que conhecem mais da carreira dos envolvidos na franquia. Piadas como o tempo e  a razão da prisão de Wesley Snipes, a saída de Bruce Willis da série ou a latinidade afetuosa de Antonio Banderas dão o tom satírico da produção. Mel Gibson se diverte fazendo o melhor e mais verídico vilão da série. Seu personagem, Stonebanks, tem um passado com Barney Ross, o personagem de Stallone. Ambos fundaram o grupo conhecido como mercenários. Enquanto Ross acabou fazendo contratos com a CIA, Stonebanks foi traficar armas no mercado negro. O reencontro promete ser explosivo e cheio de ressentimento.

Se o fã não deve se decepcionar, o mesmo não se pode dizer do espectador ocasional. “Os mercenários 3”, apesar de contar com mais atrações e apostar na sátira, é o filme mais fraco da série e o menos empolgante visto isoladamente. São indícios comprometedores para os planos de Stallone que são, obviamente, de esticar a vida útil dos mercenários no cinema.

Com o novo filme, Stallone se impõe um dilema. Ou assume a vocação da série para a galhofa ou repensa o foco da franquia. Este terceiro filme mostrou que do jeito que está a série vai beijar a lona bem antes de Rocky Balboa, por mais divertido que seja ver todos esses ases da ação dividindo a tela do cinema.

Stallone e seu grupo encaram um pequeno exército no clímax do filme: qual será o próximo desafio? (Fotos: divulgação)

Stallone e seu grupo encaram um pequeno exército no clímax do filme: qual será o próximo desafio?
(Fotos: divulgação)

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domingo, 17 de agosto de 2014 Atores, Filmes, Listas | 17:00

As dez melhores atuações de Robin Williams

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Ao confeccionar essa lista em homenagem a este grande talento que partiu de maneira abrupta e, para quem não seguia sua carreira de perto, surpreendente, percebe-se o quão injustiçado Robin Williams fora como ator. Alvo da fúria de Arnaldo Jabor na sua inesquecível participação na transmissão da cerimônia do Oscar em 1998, que consagrou “Titanic” com onze Oscars e Robin Williams por um papel dramático, o ator traz à lista performances dramáticas de primeira categoria, outras inclinadas ao humor e algumas que combinam apuro cômico à envergadura dramática. Para quem não conhece sua filmografia, e para quem gosta de rememorá-la, clareia-se a percepção de que se tratava de um ator muito melhor do que os rótulos que lhe atribuíam em vida eram capazes de tangenciar.

10 – “Patch Adams – o amor é contagioso” (1998)

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Depois de tentar o suicídio, Hunter Adams (Williams) tem uma epifania: resolve cursar medicina para ajudar as pessoas. Mas ele não fica só na medicina. Tempera-a com humor e carinho. Seus métodos naturalmente ganham admiradores e detratores. Williams impregna seu registro de um encantamento muito natural. Sua atuação trafega entre os tons dramático e cômico com desenvoltura. Um trabalho que se fosse feito por outro ator talvez recebesse mais destaque e louros.

9 – “Insônia” (2002)

Insônia - filme

Aqui na pele do primeiro vilão de sua carreira, Williams assombra pelo comedimento e pela capacidade de projetar um lado sombrio verdadeiramente assustador. O choque é maior para quem conhece apenas sua faceta cômica. Como um assassino que entra em um jogo de gato e rato com o policial vivido por Al Pacino, Williams apresenta, pela ousadia e robustez, um dos pontos altos de sua carreira.

8 – “Morra, Smoochy, Morra” (2002)

Smoochy

O ano de 2002 definitivamente foi o ano em que Williams impôs a si mesmo a necessidade de reinventar-se. Aqui ele faz um apresentador de um programa infantil demitido depois que seu nome foi envolvido em um escândalo midiático. Seu substituto é interpretado por Edward Norton. Enquanto se sente cada vez mais miserável, Williams volta sua ira contra seu substituto e revela um comportamento cada vez mais agressivo.

Williams nunca esteve tão maníaco-depressivo como nesta perola do humor negro dirigida por Danny DeVito. O ator convence como um homem que sucumbe à própria angustia e à egolatria.

7 – “A gaiola das loucas” (1996)

gaiola das loucas

Robin Williams faz o dono de uma boate de drag queens que vive com sua estrela, interpretada por Nathan Lane. Quando seu filho avisa que vai se casar e que o pai da noiva, um senador conservador, quer conhecer a família, uma grande confusão se arma. Williams reina na comédia física em um dos marcos do cinema queer e um dos primeiros neste compasso a atingir à família em grande escala.

6 – “Retratos de uma obsessão” (2002)

Retratos de uma obsessão

Williams vive o funcionário de uma loja de revelação de fotos em uma hora. Ele começa a desenvolver uma forte obsessão por uma família que costuma revelar suas fotografias na loja em questão. Neste soturno e surpreendente filme, Williams veste a carapuça como um sujeito que vai revelando-se mais perturbado do que intuímos à medida que a trama avança.

5 – “Uma babá quase perfeita” (1993)

Babá

Talvez este seja o filme mais famoso de Williams e seu personagem mais reconhecível. Não deixa de ser uma justa condição. Williams prova sua versatilidade cômica e talento para a improvisação neste filme em que precisa atuar travestido de mulher a maior parte do tempo. No entanto, é o sentimento que tateia como o pai que quer cercar-se da presença dos filhos que prevalece na bela composição do ator.

4 – “O pescador de ilusões” (1991)

O pescador de ilusões

Neste drama sobre infelizes coincidências da vida, Robin Williams faz um homem devastado por uma violenta tragédia que cedeu à mendicância e que vislumbra em uma improvável amizade com o personagem de Jeff Bridges a cura para a aflição que toma sua alma. Uma atuação que combina sutileza e energia com rara felicidade.

3 – “Bom dia, Vietnã” (1987)

Bom dia

Por este filme, Williams recebeu sua primeira indicação ao Oscar. Como um DJ que traça como principal meta levar alegria aos soldados americanos servindo no Vietnã, Williams projeta na tela a imagem que se perpetuaria como sua. A de um homem afável, camarada, bem intencionado, atencioso e muito divertido. Uma performance cheia de predicados que foi justamente destacada pela nomeação ao Oscar.

2 – “Gênio indomável” (1997)

gênio

Como um terapeuta que consegue dar rumo à existência de um jovem e rebelde gênio, Williams volta a brilhar intensamente. Em um papel dramático construído sobre minúcias e com um tempo totalmente diferente de suas incursões dramáticas anteriores, o ator tem momentos sublimes. Principalmente nos diálogos inspirados com Matt Damon ofertados pelo roteiro escrito por este último em parceria com Ben Affleck. Pelo trabalho, e depois de três indicações, finalmente seria agraciado com o Oscar.

1 – “Sociedade dos poetas mortos” (1989)

Sociedade dos poetas

Outro célebre personagem de uma galeria insuspeitamente repleta do seu DNA. Como um professor de literatura que não se contenta em ensinar apenas literatura, ele cativa e inspira. Em muito porque sinaliza com sua atuação devotada que acredita piamente não só no personagem, mas em suas motivações.

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sexta-feira, 15 de agosto de 2014 Críticas, Filmes | 18:53

“The Rover” é a crônica da desesperança anunciada

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O cinema australiano não tem tradição, mas oferta ao mundo um cineasta que se arrisca a instituí-la com ousadia, criatividade e robustez. Depois de impressionar com sua estreia, no intenso, violento e surpreendente “Reino animal”, David Michôd realiza um filme ainda mais complexo, desorientador e criativo. “The rover”, que no Brasil ganhou o péssimo subtítulo “A caçada” é um filme de ritmo espinhoso, mas intelectualmente compensador.

É também um estrato do cinema pensante. Vale-se do universo da ficção científica, da cenografia e cânones do western e do ritmo de filme de arte para ensejar um drama que busca um tipo muito particular de reflexão. A estrutura narrativa é apenas uma das ousadias de Michôd. A desconcertante cena final, que aventa “o sentido absurdo da vida” quando a condução da narrativa encorajava o espectador a abandonar a busca por qualquer sentido mais encorpado na trama, é a cereja do bolo de um filme que merece ser descoberto e apreciado.

foto: divulgação

foto: divulgação

Estamos em um futuro pós-apocalíptico, mas ele nada se distingue do presente. O colapso econômico tenta a civilização a ruir e é no deserto australiano que Michôd encena sua crônica da desesperança. “Há dez anos segui minha mulher e vi um homem enfiando os dedos nela. Matei os dois e nada aconteceu comigo”, brada o protagonista vivido com a retidão dramática necessária por Guy Pearce. “Ninguém veio atrás de mim. Esse é o tipo de coisa que não pode passar impune”, explica ele, em dado momento do filme, a um homem que é apenas uma sombra do que outrora foi um oficial da lei.

Quando esse forte diálogo se estabelece, “The Rover” já elabora seu clímax, que não é em termos rítmicos nada distinto do que se viu até ali. A câmera pouco intrusiva de Michôd e sua narrativa contemplativa acompanham um homem (Pearce) que tem seu carro roubado por três homens. Ele parte no encalço deles, eventualmente cruza com o irmão abandonado de um deles, papel de Robert Pattinson, e acaba criando uma inesperada parceria.

Sutilmente Michôd vai dando cor a esse futuro borrado e é na divergência entre os personagens de Pearce e Pattinson, que a grandeza da obra se articula. Enquanto um parece resignado, mas persegue seu objetivo (recuperar o carro) com gana incompatível com suas circunstâncias, o outro anseia por vínculo emocional em uma época em que a humanidade parece ter renunciado a ele de maneira definitiva.

“The Rover” causa impacto. Potencializado por sua engenharia narrativa, o filme nos cerceia as convicções com astúcia e dissabor. Uma abordagem que dá esperança ao cinema australiano que Michôd com toda a certeza irá influenciar.

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quarta-feira, 13 de agosto de 2014 Filmes, Listas | 06:00

Na esteira do Ebola, cinco filmes com vírus mortais

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Todo dia o noticiário está sendo invadido com algum desdobramento sobre o Ebola. O mundo assiste, de maneira mais passiva do que o desejável, a efervescência do vírus na África, onde na definição da Organização Mundial da Saúde há um “surto descontrolado”.  O medo de uma pandemia apocalíptica que habita nosso inconsciente coletivo já foi explorado em diferentes níveis, e com distintos resultados, pelo cinema. O Cineclube elaborou uma lista com cinco filmes que abordaram a ascensão de diferentes vírus e o terror nefasto acarretado por eles à humanidade.

1 – Guerra Mundial Z (EUA, 2013)

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

O filme de maior bilheteria da carreira de Brad Pitt combina zumbis e vírus biológico. A trama mostra o personagem do ator, um soldado a serviço das Nações Unidas, buscando pelo mundo pistas que levem à manipulação de uma vacina capaz de curar o vírus que transforma as pessoas em zumbis velozes e famintos em questão de segundos.

2 – Sangue ruim (FRA, 1986)

Sangue ruim

Nessa pequena joia do cinema francês com uma jovem Juliette Binoche, a sociedade francesa sofre as consequências da passagem do cometa Halley pelo país. Além do calor descomunal, um vírus mata todos que fazem sexo sem amor. Trata-se de uma alegoria apaixonada e apaixonante, além de espirituosa, do diretor Leos Carax sobre a emergente Aids que tanto horror provocou nos anos 80.

3- Contágio (EUA, 2011)

Contágio

Steve Soderbergh acompanha, em escala global, a rapidez com que um vírus letal, transmissível pelo ar, se espalha causando terror e derrubando algumas fachadas da civilização.  Além do vigor narrativo e do esmero técnico da trama, o filme é recomendável pelos bastidores fidedignos das ações da Organização Mundial da Saúde em casos como o da gripe suína, que, inclusive, motivou a feitura do filme.

4 – Epidemia (EUA, 1994)

Epidemia

Um vírus mortal surge na África e depois começa a chegar aos EUA? Já ouviu falar disso? Pois o filme “Epidemia”, lançado na esteira do surto de Ebola que chocou o mundo nos anos 90, se deflagra a partir desta situação. O vírus “Motaba”, que tem um macaquinho como hospedeiro, apresenta sintomas muito parecidos com os do Ebola. O filme tem grande elenco com nomes como Dustin Hoffman, Kevin Spacey, Morgan Freeman e Rene Russo.

5 – Vírus (EUA, 2009)

Vírus

Um vírus devastou a humanidade e acompanhamos um grupo de amigos tentando sobreviver em um território em que qualquer um e qualquer lugar pode ser inóspito. O filme protagonizado por Chris Pine (“Star trk”) foca mais na ação do que no drama, mas não deixa de prover alguns dos dramas que circunstâncias tão aterradoras quanto extraordinárias ensejam.

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quarta-feira, 6 de agosto de 2014 Críticas, Filmes | 20:38

Michael Bay manda mensagem subliminar no quarto “Transformers”

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Michael Bay não queria fazer um quarto “Transformers”. Ele mesmo deu reiteradas declarações enquanto rodava o terceiro filme de que aquele seria sua despedida deste universo que, justiça seja feita, ele é responsável por 50% do sucesso. Os outros 50% podem ser creditados aos efeitos especiais, atores, Hasbro (produtora de brinquedos que criou os transformers) e ao marketing maciço e onipresente custeado pelo estúdio Paramount.

Um cachê de U$ 30 milhões e a perspectiva de dirigir um “projeto menor” (o ótimo “Sem dor, sem ganho”, lançado em 2013) e a produção do remake de “As tartarugas ninja” (2014), que será lançado ainda neste ano, convenceram Bay a voltar atrás. “Transformers: a era da extinção” é uma espécie de reboot da série. É como se tudo começasse novamente, agora com Mark Wahlberg à frente da franquia.

O elenco em pose de videoclipe em cena de "A era da extinção": filme mais divertido do que precisava ser... (Foto: divulgação)

O elenco em pose de videoclipe em cena de “A era da extinção”: filme mais divertido do que precisava ser…
(Foto: divulgação)

Optimus Prime é novamente cativado por um humano, dessa vez o pai de família e mal fadado engenheiro eletrônico vivido por Wahlberg, e os decepticons estão novamente às voltas com um plano mirabolante, pelo menos na lógica do filme, para exterminar a humanidade.

“A era da extinção”, no entanto, padece do mesmo mal dos filmes anteriores. É extremamente longo. É filme demais para história de menos. Os efeitos especiais, no entanto, nunca estiveram melhores na série. Do detalhamento dos transformers, às cenas de luta (muito mais compreensíveis), passando até pelo momento “Star Wars” que o filme apresenta nos céus de Chicago.

Os acertos da série são replicados com destreza pelo diretor. O humor está preservado, assim como a trilha sonora pop e aquela porção de takes publicitários de Bay que tão bem caracterizam a série. Por falar em publicidade, pelas horas tantas do filme uma das atrações é perceber o merchandising em cada cena da produção. Seja quando a ação se passa nos EUA ou na China. Bay, de forma irreverente, leva o clímax da ação dos EUA para a China em um pulo.

“Transformers” não precisa fazer grande sentido e o diretor sabia disso. Mas o mais genial é que ele brinca com essa sanha por novos filmes da série ao colocar como principal mote da trama, cientistas tentando achar mais ‘transfórmio’ – um material à base de metal que possibilitaria que criássemos nossos próprios transformers. É sobre isso que o filme se resolve. E é um sarro que Bay tira com todo esse esforço da Paramount, pontuado no próprio empenho em mantê-lo no controle da franquia, em conservar a série viva no cinema.

O diretor não só brinca com o próprio status, como faz o filme mais divertido da série. Agora é que eles não deixam Bay ir embora mesmo…

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terça-feira, 5 de agosto de 2014 Críticas, Filmes | 21:13

“Guardiões da galáxia” é o 7×1 da Marvel no cinemão americano

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A Marvel conseguiu de novo. Depois de fazer de um personagem semidesconhecido o grande abre alas de sua reinvenção no cinema (“Homem de ferro” em 2008), a empresa – hoje à vontade como estúdio de cinema – volta a emplacar um azarão no rol dos grandes sucessos de bilheteria. “Guardiões da Galáxia” estreou fazendo barulho e amealhando comparações entusiasmadas com “Star Wars”. Há muitas referências à saga criada por George Lucas, mas não são elas que validam as comparações e sim a qualidade notável do filme e o leque de possibilidades que ele abre para a Marvel.

Na trama, o terráqueo Peter Quill (Chris Pratt) é um saqueador (uma espécie de pirata espacial) que tenta levar o orb (uma esfera poderosíssima) para o corretor, que lhe pagaria uma boa quantia para tal. Acontece que a esfera é alvo de muitas facções intergalácticas e Quill acaba preso junto com um grupo de renegados formado por Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Groot (dublado por Vin Diesel) e Rocket (dublado por um indecifrável Bradley Cooper). E é aí que a aventura começa!

O grande barato de “Guardiões da galáxia” é sua engenharia de produção. Não se trata de um filmaço, mas de um filme que dificilmente desagradará alguém; e que agradará muita gente como atestam as bilheterias e as convulsões nas redes sociais. Para chegar a esse feliz denominador comum, a Marvel apostou na combinação de humor e ação que tão bem serviu ao primeiro “Homem de ferro” e confiou ao satírico James Gunn (responsável pelo roteiro de “Madrugada dos mortos” e pela direção de “Seres rastejantes”) o controle, ainda que parcial, da empreitada.

Gunn acerta a mão no ritmo, afinal de contas, ele sabe que a experiência de se assistir “Guardiões da galáxia” vale mais do que o filme em si. E é com isso em mente que ele entrega um filme que não se leva a sério, mas que leva o 3D muito a sério. Os efeitos especiais arrasadores ajudam a temperar essa produção com espírito assumidamente B em um dos pontos altos da temporada pipoca do cinema. Da concepção visual de Rocket à piada interna e sempre eficiente com o monotemático Groot, “Guardiões da galáxia” vai se revelando um celeiro de gags como uma improvável e engraçadíssima sobre esperma!

Uma trilha sonora afiada, a reverência aos anos 80 e um protagonista em estado de graça (Chris Pratt, acredite, fará por merecer a alcunha de “senhor das estrelas” em muito breve) ajudam a consolidar o filme como a grande sensação da temporada.

Para recuperar as metáforas futebolísticas, a Marvel vinha ganhando, mas “Guardiões da galáxia”, no tom, no timing, na estampa e na experiência cinematográfica que propõe, é o 7 x 1 que precisava para mostrar quem manda no futebol de Hollywood atualmente.

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