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Arquivo da Categoria Filmes

sexta-feira, 11 de julho de 2014 Filmes, Notícias | 06:00

“Amantes eternos” encerra reinado dos vampiros na cultura pop

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Filme de vampiro que é filme de arte, mas não necessariamente nesta ordem... (Foto: divulgação)

Filme de vampiro que é filme de arte, mas não necessariamente nesta ordem… (Foto: divulgação)

Desde o início da década, em pleno frisson provocado pela saga “Crepúsculo”, os vampiros reinaram na cultura pop em geral e no cinema em particular. Mas nos últimos dois anos esse reinado vem dando sinais de esgotamento. Filmes como “Abraham Lincoln: caçador de vampiros” (2012) e “Academia de vampiros – o beijo das sombras” (2014), na modéstia das bilheterias combinada à pobreza narrativa, são reveladores dessa fadiga dos vampiros conforme a década se aproxima de sua metade.

Cabe ao festejado Jim Jarmusch, diretor da cena indie americana, encerrar com chave de ouro essa fase vampírica no cinema que deve muito, em todos os sentidos possíveis e imagináveis, à fase anterior: protagonizada por belos filmes como “Drácula da Bram Stoker” (1992) e “Entrevista com o vampiro” (1994).

Em “Amantes eternos”, tradução honrosa, mas ainda acanhada do esplendido título original “Only lovers left alive” (algo como “Somente os amantes permanecem vivos”), Jarmuch reveste seus vampiros, vividos por Tom Hiddleston (o Loki de “Thor” e “Os vingadores”) e Tilda Swinton (vencedora do Oscar por “Conduta de risco”) de angústia existencial e tesão pela arte e conhecimento humanos. Adão e Eva, nomes nada acidentais, vivem há séculos e estão desencantados com o rumo da raça humana. Jarmusch usa a liberdade proposta por um filme de vampiro com tal vocação para pensar sobre conflitos essencialmente humanos. Tudo regado à arte, música e um humor perverso devidamente afiado.

O filme deve estrear nos cinemas brasileiros em 21 de agosto. Confira o trailer legendado abaixo.

 

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segunda-feira, 7 de julho de 2014 Filmes, Notícias | 22:30

Contagem regressiva para o novo filme de David Fincher

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David Fincher é o diretor mais cerebral do cinema americano. Não por acaso, sua fama como cineasta está relacionada aos filmes de suspense. Ainda que ele tenha feito poucos. “Seven” (1996), “Vidas em jogo” (1997), “O quarto do pânico” (2002) e “Zodíaco” (2007”) são alguns dos que se encaixam no perfil. Seu filme seguinte a “Os homens que não amavam as mulheres” (2011), a versão americana do best-seller sueco, é justamente outro filme baseado em um livro policial, no caso “Garota exemplar”, de Gillian Flynn.

Na trama, acompanhamos a investigação do desaparecimento e morte de uma mulher (Rosamund Pike) e a elevação da suspeita de seu marido (Ben Affleck) ser o criminoso.

O filme tem estreia marcada para o dia 2 de outubro nos cinemas brasileiros. Abaixo é possível conferir não só o mais recente trailer da produção, como os cartazes que destacam evidências do crime, ao invés de enfileirar o elenco do filme.

Com fotografia soturna, reviravoltas surpreendentes e um Ben Affleck prometendo a grande atuação de sua carreira, “Garota exemplar” promete ser uma das sensações do fim do ano nos cinemas.

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quinta-feira, 3 de julho de 2014 Críticas, Filmes | 20:57

“O Homem duplicado” leva inflexão vigorosa de Saramago ao cinema

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O cineasta canadense Denis Villeneuve, aos poucos, constrói uma filmografia que, além de rica e pensativa, é das mais instigantes do cinema moderno. Depois de apresentar uma das maiores sensações do cinema em 2013, o misto de thriller e drama “Os suspeitos”, o diretor chega aos cinemas com “O homem duplicado” (2013), uma adaptação essencial da obra homônima do escritor português José Saramago.

“O homem duplicado” versa sobre identidade. Sobre a singularidade do indivíduo à sombra da sociedade e, também, sobre como a vaidade é um forte elemento transformador. Isso tudo em um filme que se resolve primordialmente como um tubo de ensaio. Seja em sua lógica visual, seja no ritmo fragmentado e desabrido da narrativa. Lacunas e elipses se erguem com a benção de Saramago em um filme que não tem medo de provocar perplexidade na plateia.

Jake Gyllenhaal vive Adam, um introspectivo professor de história, que se encontra à beira da depressão quando descobre, ocasionalmente em um filme qualquer, um homem que é idêntico a ele. Adam resolve ceder a essa curiosidade e passa a perseguir, ainda que atabalhoadamente, seu sósia. Anthony St. Claire (também vivido por Jake Gyllenhaal) é o oposto de Adam. Confiante, boa vida e mora em um apartamento ensolarado – um contraponto ao escuro apartamento de Adam. A estranheza de conhecer um homem igualzinho a ele logo dá espaço a uma curiosidade mórbida por parte do ator que não consegue romper o terceiro escalão da fama. Adam, por sua vez, passa a se sentir incomodado por entender estar perdendo a referência de sua identidade.

Um encontro que coloca os personagens em caminhos opostos: "O homem duplicado" nunca opta pela via mais fácil ao instigar constantemente a audiência  ( Foto: divulgação)

Um encontro que coloca os personagens em caminhos opostos: “O homem duplicado” nunca opta pela via mais fácil ao instigar constantemente a audiência ( Foto: divulgação)

A Toronto que recebe a ação é estranhamente fria e atemporal, em uma solução visual digna de nota do fotógrafo Nicolas Bolduc para dimensionar a letargia emocional que aflige o protagonista. Conforme a trama avança, as dúvidas, ensejadas por pistas nada óbvias por parte da realização, se proliferam e a certeza se afasta. A jornada proposta por Saramago e replicada aqui por Villeneuve com espantosa fidelidade não busca o sentido formal, mas a gravidade da inflexão. Nesse aspecto, “O homem duplicado” triunfa com a sobriedade do grande pensador em que se acolhe.

Um adendo à extraordinária composição de Jake Gyllenhaal precisa ser feito. O ator distingue seus personagens quando necessário e borra essas tintas de distinção quando preciso.

Gyllenhaal é um elemento tão importante na narrativa quanto os símbolos projetados por Villeneuve. Um destes é uma tarântula. A tarântula representa o lado sinistro, o aspecto obscuro de um ser humano. Reside na combinação da performance de Gyllenhaal e da compreensão dessa metáfora exposta na tela em dois momentos distintos, a força de “O homem duplicado” enquanto cinema.

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quarta-feira, 2 de julho de 2014 Filmes, Notícias | 20:05

Jennifer Aniston surge ainda mais tarada no 1º trailer de “Quero matar meu chefe 2”

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Comédia de surpreendente sucesso de público em 2011, “Quero matar meu chefe” terá sua sequência lançada nos cinemas brasileiros em 4 de dezembro deste ano. Praticamente todo o elenco original está de volta, incluindo Jamie Foxx, Jennifer Aniston e Kevin Spacey. Dessa vez, os protagonistas vividos por Jason Bateman (“Uma ladra sem limites”), Charlie Day (“Círculo de fogo”) e Jason Sudeikis (“Família do bagulho”) resolvem abrir um negócio próprio. Apenas para entrar em atrito com um investidor canalha vivido por Chistoph Waltz. O plano da trupe, o título já entrega.  O trailer dá pistas de que o tom gozador e a pegada cínica e satírica permanecem em alta no novo filme.

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segunda-feira, 30 de junho de 2014 Filmes, Listas | 22:11

Cinco filmes imperdíveis nos cinemas em julho

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O mês das férias tem ótimas atrações nos cinemas, principalmente para os adultos. A safra americana é especialmente boa e dois dos blockbusters mais aguardados da temporada estreiam no mês. De todo o jeito, o Cineclube achou espaço para um filme francês de um dos maiores cineastas de todos os tempos.

“A pele de Vênus”

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Trata-se do novo filme do diretor Roman Polanski. A produção integrou a mostra competitiva do festival de Cannes em 2013, de onde saiu com muitos elogios. Polanski escala sua esposa, a atriz Emmanuelle Seigner, para viver uma atriz que tenta convencer um diretor de teatro (vivido por Mathieu Amalric) de que ela é a pessoa certa para interpretar a protagonista em sua nova peça. Uma dinâmica sexual e sádica se estabelece entre eles.

Estreia em 17/07

“Mesmo se nada der certo”

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No novo filme do diretor de “Once”, a música é novamente protagonista. Desta vez, um empresário do ramo musical fracassado (Mark Ruffalo) constrói uma relação com uma promissora cantora e compositora recém-chegada a Nova York (papel de Keira Knightley). Ecos de “Jerry Maguire – a grande virada” e “Quase famosos” em um filme que marca, ainda, a estreia do cantor Adam Levine no cinema.

Estreia em 17/07

“Planeta dos macacos: o confronto”

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Continuação do surpreendente sucesso de público e crítica de 2011, que reiniciava a saga dos símios no cinema. Gary Oldman assume o protagonismo do lado dos humanos e Andy Serkis continua dando show na captura de performance dando vida a Cesar, o macaco evoluído que desafia a raça humana. O título entrega tudo: o bicho vai pegar. Literalmente.

Estreia em 24/07

“Guardiões da galáxia”

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O filme que pode revitalizar a Marvel como “casa das ideias”. Depois de mexer com o jeito de fazer cinema blockbuster, a Marvel se acomodou. Esse filme com heróis (quase) desconhecidos e sem nomes (ou caras) famosas em frente às câmeras, e mesclando humor e ação pode devolver esse pioneirismo ao estúdio. Na trama, um grupo de renegados se une para proteger o universo.

Estreia em 31/07

 

“O Grande Hotel Budapeste”

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Grande elenco (Jude Law, Edward Norton, Owen Wilson, Bill Murray, Tilda Swinton e Ralph Fiennes, para citar alguns nomes) estrelam o novo filme de Wes Anderson, diretor que como Quentin Tarantino e Tim Burton é bastante reconhecível na tela de cinema. Ralph Fiennes faz o porteiro de um famoso hotel no período entre guerras que precisa provar que uma grande herança recebida não é roubo. Ainda que esta seja apenas uma das muitas aventuras por ele vividas.

Estreia em 03/07

 

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sábado, 28 de junho de 2014 Bastidores, Filmes | 07:00

Os 25 anos de “Batman – o filme”

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Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Adaptações de HQs são contumazes nos dias de hoje, mas nem sempre foi assim. Quando Tim Burton lançou “Batman – o filme” em 1989 foi como quando o homem foi à lua pela primeira vez. Ninguém sabia se daria certo. A excentricidade de Burton era questionada e sua escolha por Michael Keaton para viver Bruce Wayne/Batman era ridicularizada por fãs e indústria. Entre as preocupações da Warner figuravam ainda o temor de que como o programa de tv estrelado por Adam West, maior referência do personagem para o grande público, poderia afetar o filme.

Nesta última semana, comemoraram-se os 25 anos do lançamento do filme que teve ainda Jack Nicholson como o Coringa e Kim Basinger, no auge da beleza, como o interesse romântico de Bruce Wayne.

Jack Nicholson, a propósito, inaugurou na ocasião uma nova modalidade de cachê em Hollywood que hoje é praxe. Na contramão das desconfianças do estúdio, Nicholson resolveu apostar forte no filme. Aceitou o pagamento mínimo previsto pelo sindicato dos atores e colocou em contrato que o restante de seu cachê deveria ser pago com 15% da bilheteria total da produção. A Warner topou, crente que estaria barateando o passe de um dos maiores astros de Hollywood. “Batman – o filme”, no entanto, faturou U$ 412 milhões, recorde até então e uma monstruosidade de dinheiro para os padrões de 1989. As adaptações de HQs eram um sucesso e Batman, em particular, passava a ser o grande talismã da Warner. Foram mais seis filmes desde então. Para bem ou para o mal, nenhum reproduziu a perplexidade deste exemplar dirigido por Tim Burton. O segundo filme dirigido por Christopher Nolan, “Batman – o cavaleiro das trevas” (2008) amealhou relevância ímpar para uma adaptação de HQ, mas o próprio não existiria se Burton não tivesse surpreendido a todos em 1989.

Kim Basinger, também em cartaz com "9 e 1/2 semanas de amor", era mania no final dos anos 80

Kim Basinger, ainda na esteira de “9 e 1/2 semanas de amor”, era mania no final dos anos 80

Em “Batman – o filme”, ainda que soturno, o personagem não inflexiona as questões existenciais ensejadas por Chistopher Nolan em sua recém-encerrada trilogia. Mas o aspecto sombrio do personagem está lá, esmerado em uma complexidade que Burton expõe visualmente. Sua Gothan City é menos realista do que a de Nolan, mas mais intimidadora. Isso porque Burton trabalha na mesmo tom as sombras da cidade e dos personagens. A angústia de Wayne não é menos nociva do que a loucura do Coringa e a aparente falta de sobriedade na mise-en-scène reforça justamente o aspecto fantástico inerente aquele universo, mas que como em toda boa ficção fala à realidade com indefectível propriedade.

Dupla dinâmica: Nicholson riu por último em matéria de remuneração, mas perdeu o posto de "Coringa definitivo" para Heath Ledger

Dupla dinâmica: Nicholson riu por último em matéria de remuneração, mas perdeu o posto de “Coringa definitivo” para Heath Ledger

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terça-feira, 17 de junho de 2014 Curiosidades, Filmes, Notícias | 22:41

Novo trailer de “Os mercenários 3” entrega: diversão é tudo que importa…

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Banner do filme reúne todo o elenco da terceira aventura

Banner do filme reúne todo o elenco da terceira aventura

Ok! Bruce Willis não retorna, mas o elenco que Sylvester Stallone reuniu para essa terceira aventura desses heróis improváveis que atendem sob o nome de mercenários passa longe de qualquer decepção. Entram na turma Harrison Ford, Wesley Snipes, Antonio Banderas, Kellan Lutz, Ronda Rousey (ela mesma, a campeã do UFC), e ninguém menos do que Mel Gibson para colocar o vilão de Jean-Claude Van Damme em perspectiva desfavorável.

A história, como sempre, é o que menos interessa. O que importa é a diversão. Piadinhas internas, tiros, explosões e tudo que o cinema de ação dos anos 80 produzido em plenos anos 2000 tem a oferecer. O novíssimo trailer, liberado nesta terça-feira (17), confirma que em time que está ganhando, certas mudanças vão bem sim senhor…

 

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sábado, 7 de junho de 2014 Críticas, Filmes | 08:20

“X-men: Dias de um futuro esquecido” objetiva equacionar universo mutante no cinema

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Magneto, vivido por Michael Fassbender em sua versão jovem, mostra seu poder  (Fotos: divulgação)

Magneto, vivido por Michael Fassbender em sua versão jovem, mostra seu poder
(Fotos: divulgação)

Bryan Singer tinha uma missão. Realocar o universo mutante em face da nova mania de estúdios de cinema; ter um universo multifacetado e interligado entre si para chamar de seu. A culpa é da Marvel que provou com “Os vingadores”, e os filmes solo de cada um dos membros do supergrupo, que a ideia é rentabilíssima.

Se o primeiro “X-men”, lançado em 2000, carregava dúvidas sobre como seria a aceitação de fãs e público em geral aos uniformes de cinema, o sétimo filme com o gene X traz inquietações maiores. “Dias de um futuro esquecido” tinha a responsabilidade de superar a marca de U$ 500 milhões nas bilheterias internacionais, coisa que qualquer herói hoje em dia faz, e nenhum filme de mutantes havia feito. Este objetivo foi alcançado com louvor. Em pouco mais de dez dias, o filme já ultrapassou a marca de U$ 516 milhões e se consolidou como o filme mais lucrativo com o gene X. A outra grande responsabilidade do filme era aparar arestas. O universo mutante foi erguido sob improvisos no cinema e a Fox, ao que parece, começa a descobrir a galinha dos ovos de ouro que tem nas mãos. Mais do que a Sony, que detém os direitos de adaptação do Homem-Aranha, o estúdio pode conceber um universo tão, ou mais rico, do que o de Os vingadores. Personagens não faltam ao universo de X-men e “Dias de um futuro esquecido” é contumaz em ressaltar isso.

Nessa segunda função, o filme é parcialmente bem sucedido. A trama, que bebe da fonte original e vai buscar em uma das mais festejadas sagas mutantes nos quadrinhos sua base de sustentação, coloca Xavier (Patrick Stweart) e Magneto (Ian McKellen) unidos para combater um mal maior: as sentinelas. Máquinas desenvolvidas para dizimar mutantes; tarefa que cumprem com sucesso nos idos de 2022. A solução aventada é mandar Wolverine de volta ao passado, mais precisamente sua consciência ao seu corpo de 1973, para impedir que eventos que aceleram o desenvolvimento do programa Sentinela aconteçam. É a desculpa perfeita não só para reunir em um mesmo filme os mutantes da trilogia original com os novatos na trupe, que surgiram no vintage “X-men: primeira classe” (2011), como para zerar o universo mutante e reiniciá-lo nos cinemas. Seria, a grosso modo, um reboot (termo usado para designar o reinício de uma série no cinema) que não desconsideraria de todo os eventos da trilogia original.

Bryan Singer entende como poucos os x-men. É inegável sua contribuição para a série e para a onda de adaptações de HQs no cinema como um todo, mas depois do que Matthew Vaughn fez em “Primeira classe”, quando aliou pegada pop e tonalidade vintage à complexidade política incomum em um filme de entretenimento, a tarefa de Singer ficou mais arriscada. Ele optou por redimensionar os conflitos que permeiam a série, preservando alguns dos acertos de Vaughn – ainda que sem reproduzir a mesma finesse – redefinindo o filme como uma ficção científica de vocação, com seu mote enclausurado na viagem temporal.

Singer explica a Ellen Page e Hugh Jackman como se comportar em uma viagem do tempo...

Singer explica a Ellen Page e Hugh Jackman como se comportar em uma cena de viagem do tempo…

Sob esse prisma, Singer fez um belo filme de entretenimento, valendo-se de atores que além da qualidade notória (Hugh Jackman, James McAvoy, Jennifer Lawrence e Ian Mckellen, para citar alguns) ficam muito confortáveis na condição de “entertainers” (essa palavra que carece urgentemente de uma tradução eficaz, mas que poderia ser traduzida como “alguém que diverte”). Mas seu filme não é tão coeso como o de Vaughn. Aliás, seu retorno a série mostra como Vaughn capturou mais eloquentemente a essência do universo mutante. Mas Singer faz o que pode. A discussão entre livre-arbítrio e destino, intolerância e até holocausto surgem sob novas cores em “Dias de um futuro esquecido”, mas o que mais agrada no filme são as jornadas diametralmente opostas de Xavier e Magneto. Algo que já havia encantado em “Primeira classe” e volta a resplandecer aqui. Enquanto Xavier se debate para descobrir como ter esperança novamente e se reencontrar com suas convicções morais e filosóficas, testemunhamos Magneto repetir suas escolhas, mesmo ciente de quão errado é o caminho que elas vão conduzi-lo.

Esse caráter reflexivo, quase iluminado na abordagem que faz da humanidade desses personagens, é o que torna “Dias de um futuro esquecido” um filme convidativo. Um fato que não seria possível sem a incursão pela ficção científica ou a disposição de dizer adeus a tudo aquilo que no universo mutante, em uma desnecessária cena final, fica no passado dos personagens.

O Xavier do passado encara o Xavier do futuro em um dos loops temporais de "Dias de um futuro esquecido": jornada para dentro de si mesmo

O Xavier do passado encara o Xavier do futuro em um dos loops temporais de “Dias de um futuro esquecido”:
jornada para dentro de si mesmo

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sábado, 31 de maio de 2014 Filmes, Listas | 22:40

Cinco filmes imperdíveis nos cinemas em junho

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Não é um mês, digamos, dos mais prolíferos em matéria de cinema. Estúdios e distribuidoras cientes de que neste mês de junho a Copa do Mundo reinará absoluta, não programaram grandes lançamentos para o período. Mesmo assim, o Cineclube deu uma peneirada geral e destaca cinco belos lançamentos do mês. Tem espaço para filme teen, produção nacional multipremiada, adaptação de José Saramago e filme francês.

 

“O lobo atrás da porta” (Brasil, 2013)

(Fotos: divulgação)

(Fotos: divulgação)

Filme brasileiro que coleciona prêmios festivais afora, a fita dirigida por Fernando Coimbra e estrelada por Milhem Cortaz (“Tropa de elite”) e Leandra Leal (“Mato sem cachorro”), nas palavras da Variety, revista americana especializada em entretenimento, “é um suspense intrigante e extremamente inteligente”. Curioso? A trama mostra um triângulo amoroso como estopim do sequestro de uma criança no Rio de Janeiro. Exibido em diversos festivais fora do Brasil, “O lobo atrás da porta” é considerado o filme brasileiro mais surpreendente desde “Cidade de Deus” (2002).

Estreia em 05/06

“O amor é um crime perfeito” (França, 2013)

O amor é um crime perfeito

 

Representante francês da lista é daqueles que faz jus à fama dos filmes franceses. Um professor de literatura conquistador, vivido por Mathieu Amalric (“007 – Quantum of Solace”) recebe a visita da mãe de uma das alunas que levou para a cama. A pegadinha é que a menina desapareceu. Entre o thriller e o drama, o filme vai revelando suas camadas.

Estreia em 19/06

 

“Vizinhos” (EUA, 2014)

Film Title: Neighbors

Dos mesmos produtores de “É o fim”, um dos filmes mais descolados e engraçados dos últimos tempos, esta comédia protagonizada por Seth Rogen (“Ligeiramente grávidos”) e Zac Efron (“Obsessão”) chegou fazendo barulho nos EUA. Rogen faz um pai de família que se muda para um subúrbio aparentemente ideal. A paz de sua família, no entanto, é ameaçada pela algazarra dos vizinhos, literalmente um clube do bolinha dos mais endiabrados.

Estreia em 19/06

 

O homem duplicado (EUA, 2013)

O Homem duplicado (1)

Filme do mesmo diretor do tenso e complexo “Os suspeitos”, uma das boas surpresas do ano passado nos cinemas, essa adaptação da clássica obra de Saramago traz Jake Gyllenhaal como um professor de história com fortes tendências depressivas. Um dia, vendo um filme, ele descobre uma pessoa idêntica a ele. A partir daí, fica obsessivo em descobrir tudo sobre essa pessoa.

Estreia em 19/06

“A culpa é das estrelas” (EUA, 2014)

A culpa é das estrelas

 

Trata-se da adaptação cinematográfica de um grande sucesso da literatura infanto-juvenil. Adaptado do livro de John Green, que por sua vez foi lançado em 2012, o filme acompanha a luta de Hazel (a encantadora e ascendente Shailene Woodley) contra um câncer e como a perspectiva do amor muda toda a sua percepção sobre si e sobre a vida.

Estreia em 05/06

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sexta-feira, 30 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:56

Espaço Cult – “Ela” ressalta valor de se viver emoções

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HerTheodore (Joaquin Phoenix) escreve cartas de amor. Elas não precisam ser necessariamente de amor, mas clientes que precisam de cartas de amor compõem a clientela básica do Beautifulletters.com. Sabemos que estamos em uma ficção científica porque em um futuro próximo, bizarramente e melancolicamente parecido com o nosso presente, as pessoas escrevem cartas, mesmo que paguem alguém para escrevê-las. Theodore leva jeito com as palavras; sabe transmitir sentimentos que não sãos seus com ternura e docilidade. No entanto, Theodore não consegue organizar satisfatoriamente seus sentimentos. Do tipo solitário, sua situação é agravada pela dificuldade que ele apresenta de superar o término de um relacionamento longo e significativo. Na verdade, Theodore não sabe exatamente se sente falta de Catherine (Rooney Mara) ou de quem ele era com ela.

Theodore é daqueles que confiam à tecnologia vigente as miudezas da vida. É seu sistema operacional quem escolhe as músicas que ouve, lhe apresenta as notícias do dia, a previsão do tempo, entre outras coisas. Quando um novo sistema operacional, com a promessa de ser mais intuitivo e ajustável à personalidade do dono é lançado, Theodore, como um geek em todo o seu esplendor, logo compra a novidade. Depois de algumas perguntas, as quais Theodore pouco contribui com respostas, Samantha emerge com a voz rouca, sensual e abrasadora de Scarlett Johansson.

A partir daí se estabelece uma dinâmica que aos poucos vai evoluindo para uma relação amorosa. A maneira como Jonze tece essa história de amor nada convencional é tão imaginativa como sensível. À medida que Samantha vai dominando não só os pensamentos como o cotidiano de Theodore, ele, a princípio, se sente renovado. Com o tempo, no entanto, ele começa a divagar sobre a natureza de seu sentimento por Samantha e se há, de fato, um futuro para eles.

No mundo criado por Jonze, os relacionamentos entre humanos e sistemas operacionais estão ficando populares e há até quem se ofereça como uma espécie de cupido moderno para dar corpo a uma relação incorpórea. Quando isso acontece com Samantha e Theodore, “Ela” (2013) atinge um nível de sensibilidade em sua proposta maior que a vida.

A principal razão de ser desse belo, dolorosamente romântico e profundamente poético filme de Spike Jonze é conjecturar sobre a incrível necessidade humana de se conectar. Ela é tão forte que se pluga até mesmo ao que não for real. Não se trata de uma crítica a esse tempo de hiper-conectividade (um tipo de conexão totalmente diferente, afinal), ainda que essa crítica possa ser apreciada em um dos muitos subtextos do filme.

Amar é não racionalizar, racionaliza Jonze com uma amargura que paradoxalmente faz “Ela” soar ainda mais doce. É particularmente saboroso constatar que “Ela” é uma resposta mais complexa, mais doída e mais bem urdida a “Encontros e desencontros” (2003), de Sofia Coppola. Sofia e Jonze foram casados e as coisas não deram muito certo. Essa DR cinematografia, com Scarlett Johansson como uma espécie de hiperlink torna os dois filmes especialmente significativos para toda uma geração de cinéfilos.

Theodore conhece Samantha: o rosa, os bigodes e as calças caquis dão o tom do futuro

Theodore conhece Samantha: o rosa, os bigodes e as calças caquis dão o tom do futuro

 

Scarlett Johansson com Bill Murray em Encontros e desencontros: DR cinematográfica   (Fotos: divulgação)

Scarlett Johansson com Bill Murray em Encontros e desencontros: DR cinematográfica (Fotos: divulgação)

Por falar em trunfos, Joaquin Phoenix segue desafiando convenções. O ue esse monstro da atuação não é capaz de fazer? Totalmente entregue a um personagem difícil, hermético e em um tom totalmente diferente de tudo que já fizera como ator, Phoenix é o coração de “Ela”. Sem ele, o filme talvez não se conectasse (conceito tão importante na narrativa de Jonze) com a audiência.

Morfologias à parte, “Ela” é relevante por abordar o status quo de toda uma geração de maneira tão bela e suave. Fluindo entre o humor e o drama, Jonze faz um filme solar que sabe se alimentar da tristeza. Um filme especialmente eloquente para quem quer que já tenha amado.

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