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quarta-feira, 8 de outubro de 2014 Críticas, Filmes | 19:31

No cinema, “Garota exemplar” ganha mais relevo com a assinatura de David Fincher

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Você prefere ser feliz ou parecer feliz? A pergunta pode parecer tola, mas tem peso intransmutável sempre que paqueramos alguém, nos encontramos em uma entrevista de emprego, na rotina do trabalho ou quando recebemos a visita daquele parente indesejável.

Em “Garota exemplar”, David Fincher obtém a proeza de discutir o paralelismo entre quem realmente somos e a imagem que nos esforçamos para projetar para os outros em um filme que em momento algum assume essa perspectiva como prioridade. “Garota exemplar”, adaptado do best-seller de Gillian Flynn pela própria, elege como objetivos primários discutir o casamento e desvelar a trama policial que compõe o eixo central da narrativa.

Nick Dunne (Ben Affleck) volta para casa na tarde do aniversário de cinco anos de seu casamento com Amy (Rosamund Pike) apenas para descobrir que sua mulher desapareceu. Conforme a investigação avança, Dunne se vê no rol dos suspeitos, ainda que na construção proposta por Fincher, o público jamais desconfie peremptoriamente de Dunne. Isso ocorre porque o cineasta está mais interessado na desconstrução do casamento de Nick e Amy do que na investigação policial propriamente dita. O que pode frustrar espectadores desavisados.

Nick Dunne e os pais de sua esposa em uma conversa com a polícia: filme que se revela em camadas

Nick Dunne e os pais de sua esposa em uma conversa com a polícia: filme que se revela em camadas

“Garota exemplar”, portanto, começa como um thriller policial aguçado e evolui para um drama sobre a ação do tempo sobre uma relação conjugal. No seu último ato, porém, a narrativa se metamorfoseia em uma sátira aguda da sociedade do espetáculo. Isso tudo sem que Fincher se desligue do suspense que escolheu como guia mestra de seu filme.

Todo o circo armado em torno do desaparecimento de Amy é escrutinado por Fincher com aquele viés cerebral que tão bem pauta seu cinema. Dos investigadores reticentes quanto à inocência de Nick à opressão midiática, “Garota exemplar” é em todo o seu escopo uma análise de como o público e o privado se chocam e produzem resultados muitas vezes catastróficos.

O diretor, brilhantemente assistido por Gillian Flynn, almeja discutir com seu filme até que ponto nossa versão ideal deve ser abalizada entre quatro paredes. A fantasia não resiste à rotina, mas Fincher e Flynn vão além do tratamento superficial. Infidelidade e psicopatia se irmanam em uma dinâmica sombria, ambígua e aterradoramente real.

Ben Affleck se prova uma escolha acertada de casting. A face inexpressiva do ator serve bem aos propósitos de Fincher de retratar um sujeito comum, desprovido de carisma e movido particularmente pelos próprios interesses. De quebra, o ator demonstra – mais uma vez – como tem evoluído no ofício desde que começou a dirigir.

Amy (Rosamund Pike): o que se passa na cabeça dela?

Amy (Rosamund Pike): o que se passa na cabeça dela?

Rosamund Pike agarra o papel da sua vida com a gana que o papel da vida de uma atriz merece e não faz feio. Fincher, por sinal, além do esperado esbanjamento técnico, reitera sua qualidade na direção de atores. O elenco coadjuvante está um arraso; com especiais menções para Kim Dickens como a investigadora principal do caso Amy, e Tyler Perry, como o advogado de celebridades que aceita defender Nick.

“Garota exemplar” é entretenimento vultoso, reflexão pulsante e cinema de rara inteligência no mainstream americano. Uma combinação somente possível quando se há um diretor com uma percepção arrojada da história que tem em mãos. É Fincher, afinal, quem transforma “Garota exemplar” em um filme muito mais importante e interessante do que ele estava vocacionado a ser.

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segunda-feira, 6 de outubro de 2014 Críticas, Filmes | 20:38

Woody Allen pondera sobre abraçar ou não o ceticismo em “Magia ao luar”

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Aos 78 anos, Woody Allen – ainda que vigoroso na abundância com que lança filmes (um por ano, média invejável em qualquer parâmetro que se adote), está plenamente ciente de que se aproxima da finitude de sua vida. É natural nessas circunstâncias entregar-se às divagações existenciais. Agnóstico assumido, o cineasta tem abraçado o tema de maneira recorrente em sua filmografia recente. Filmes como “Tudo pode dar certo” (2009), “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” (2010) e “Meia-noite em Paris” (2011), abordam a crença no oculto, a nostalgia e o poder mobilizador da fé e da energia positiva em tons e gradações distintos.

“Magia ao luar”, o Woody Allen de 2014, mergulha mais a fundo nessa inquietação metafísica. Não é um grande filme, mas é a verificação de que o clichê ainda funciona. Um filme menor de Woody Allen ainda é mais instigante e recompensador do que a média das produções em cartaz nos cinemas.

No filme, Colin Firth vive Stanley, um prestigiado mágico que nas horas vagas se dedica a desmascarar farsantes que se passam por videntes, médiuns e similares. Ele é acionado por um amigo (Simon McBurney) para desmascarar uma jovem americana que encantou uma família de abastados do sul da França. Em especial o primogênito, que está perdidamente apaixonado pela jovem mediúnica.  Se Colin Firth dá vida às habituais neuroses dos personagens woodyallenianos com um indefectível ar próprio, já que Firth raramente renuncia ao charme de ser Firth, Emma Stone interpreta Sophie como a visão que ela é para os personagens em cena. Um acerto dessa atriz que sabe se fazer notar até mesmo quando sua personagem deveria apenas favorecer companheiros em cena.

Woody Allen e seus protagonistas no set: divagações sobre o pós-vida  (Foto: divulgação)

Woody Allen e seus protagonistas no set: divagações sobre o pós-vida
(Foto: divulgação)

Woody Allen, ele mesmo um cético incorrigível, discute com “Magia ao luar” as benesses da auto-ilusão, na sua concepção.  Ele imagina como reagiria se, nesta etapa sisuda da vida, descobrisse que esteve sempre errado. Que existe, afinal, um pós-vida e que o oculto é muito mais extraordinário do que a crença humana pode articular. No entanto, e “Magia ao luar” resolve isso da maneira mais cética possível, Woody Allen ainda não está preparado para desapegar de suas convicções filosóficas e metafísicas. Mas há um adendo narrativo que desequilibra os pesos e as medidas dos personagens, da audiência e das próprias convicções do artista a manejar todo esse espetáculo: o amor. Para Woody Allen, que não se furta ao prazer de se analisar por meio de um personagem discípulo de Freud que paradoxalmente abraça a crença no oculto, o amor transfigura a mais solene razão em inexplicável magia.

No final das contas, não tem como manter-se cético em relação a uma teoria como essa.

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quarta-feira, 1 de outubro de 2014 Críticas, Filmes | 21:00

Novo “Sin City” agrada fãs com hipersexualização e pretenso cinismo

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Em 2005, Robert Rodriguez e Frank Miller mesmerizaram o mundo do cinema com “Sin City: a cidade do pecado”, filme de estética tão pulsante quanto revolucionária na época e com uma linguagem que estreitava como ninguém havia tateado duas mídias tão distintas como cinema e quadrinhos.

Nove anos depois, o novo “Sin city” falha em reproduzir os efeitos do primeiro filme. “A dama fatal” é ótimo entretenimento para quem é fã, mas não é um filme tão bem adornado e impactante como foi o primeiro. Em parte porque o filme de 2005 se beneficiou do ineditismo, hoje os cenários totalmente digitais são comuns no cinema, e em parte porque os três arcos apresentados nesta sequência (A dama fatal, Uma longa e má noite e A última dança de Nancy) são bem inferiores aos do filme original e ao que se poderia esperar da capacidade de Miller e Rodriguez. Ainda mais com uma janela de nove anos. A janela, por exemplo, serviu para suavizar a sensação de repetição que a estrutura narrativa da fita carrega consigo.

O compasso do tempo, no entanto, depõe mais contra Miller e Rodriguez do que a favor. Se Eva Green domina com sensualidade e presença de espírito a cena no melhor dos arcos, justamente o que batiza o filme, o resto peca pela irregularidade. Josh Brolin substitui Clive Owen, que não voltou para a sequência, como Dwight e o faz de maneira pálida. A sombra de Owen, mesmo depois de todo esse tempo, pesa sobre o ator que não encontra o tom do personagem. Já Joseph Gordon-Levitt, com um papel e um arco criado especialmente para o filme, brilha. Seu carisma é responsável pelos melhores momentos do filme e seu arco é aquele que melhor mimetiza o indomável Frank Miller que revolucionou as HQs nos anos 80.

Se Eva Green está hipersexualizada, Mickey Rourke, de volta como Marv e fazendo figuração de luxo nos três arcos que compõem o filme, e Powers Boothe, como o intragável senador Roark, abusam da canastrice.

O que mais impressiona no novo “Sin City” é a falta de eloquência do cinismo que caracteriza o material original. A violência está lá, a atmosfera noir está lá, as mulheres lindas e perigosas estão lá, mas a pegada cínica e desesperançosa do texto de Miller parece submersa em pretensão. Em alguns momentos, no entanto, temos lampejos do filme que “Sin city: a dama fatal” poderia ter sido. O que é suficiente para que torçamos, a despeito dos prognósticos de momento, para que haja um terceiro filme.

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Bastidores, Filmes, Notícias | 20:19

O fantástico hype que move “Garota exemplar”, novo filme candidato a obra-prima de David Fincher

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A unanimidade se provoca desconfiança, provoca também curiosidade e curiosidade é a palavra-chave quando falamos do novo trabalho do aclamado cineasta David Fincher. “Garota exemplar”, adaptado do Best-seller de Gillian Flynn pela própria autora, é um filme que se propõe a revisitar alguns dos temas caros à filmografia de Fincher como crime, sensacionalismo e hipocrisia. “Eu quis fazer um ‘date movie’ (filme que casais vão ver em um encontro romântico) que resultasse, pelo menos, em 15 divórcios”, disse o diretor sobre suas motivações na coletiva de imprensa no Festival de Nova York, onde “Garota exemplar” foi exibido na noite de abertura.

Ben Affleck busca mulher desaparecida em versão do best-seller “Garota Exemplar”

Fincher orienta Affleck no set do filme

Fincher orienta Affleck no set do filme

Na trama, que até agora só tem recebido críticas positivas e para lá de elogiosas – superando a unanimidade com que Fincher flertou quando lançou “A rede social” há quatro anos, Nick (Ben Affleck) se vê cada vez mais no posto de suspeito do desaparecimento, e presumido assassinato, de sua esposa, Amy, no quinto aniversário do casamento deles. Mas onde entra o fator “date movie” aí? O filme recorre a flashbacks para mostrar outras fases da relação de Nick e Amy, interpretada pela britânica Rosamund Pike. “Eu as escolhi por sua opacidade”, justificou o diretor a escolha pela atriz que ainda não tinha tido um papel de grande destaque no cinema. A primeira aparição notável de Pike foi “007- um novo dia para morrer”, último filme de James Bond estrelado por Pierce Brosnan. De lá para cá, a atriz coadjuvou em filmes diversos como “Um crime de mestre” (20007), “Educação” (2009), “A minha versão do amor” (2010) e “Jack Reacher: o último tiro” (2011).

“Garota exemplar” e o trabalho com Fincher podem significar o reposicionamento de sua carreira. O papel foi disputado a tapas pela nata de Hollywood e nomes como Charlize Theron, Natalie Portman e Reese Witherspoon, todas já vencedoras do Oscar, manifestaram interesse em interpretar Amy, uma personagem com muitas camadas a mais do que se depreende a princípio.

“É um filme sobre o circo da mídia e sobre as mentiras que contamos para nós mesmos”, anotou a crítica do Boston Globe. Mas àqueles preocupados com a unanimidade, a resenha do New York Times assevera que o todo não é a somatória das partes e que o brilhantismo técnico do trabalho de Fincher, as atuações bem urdidas e o roteiro esperto não resultam em um grande filme. Algo que, na avaliação da crítica Manohla Dargis, é recorrente na obra do cineasta.

Já na avaliação da Total Film, a apreciação a “Garota exemplar” depende inteiramente de como você o vê enquanto cinema. “Clube da luta pode ser percebido como uma comédia metafísica?”, provoca a revista acerca do hoje cult filme de Fincher que marcou o fim do milênio. “’Garota exemplar’ fica melhor à medida que vai abraçando o trash”, concorda a crítica do Metro.

Date movie macabro: David Fincher admite a intenção de fazer um filme que incomode os casais  (Fotos: divulgação)

Date movie macabro: David Fincher admite a intenção de fazer um filme que incomode os casais
(Fotos: divulgação)

“Vai pressionar botões primais diferentes em homens e mulheres”, divagou Ben Affleck à revista Empire, que teve acesso exclusivo ao set de filmagens.  “É sedutor abordar essa ideia de que damos vida a uma versão ideal de nós mesmos que o parceiro (a) espera”, observa Rosamund Pike. “Talvez escondamos nossa verdadeira natureza em ordem de interpretar a ideal”.

“Garota exemplar” pode não ser, no final das contas, a unanimidade que esse momento de excitação prévia a seu lançamento nos cinemas indica,  mas com certeza parece ser aquele tipo de filme que é irresistível no apelo, na forma e no conteúdo.

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terça-feira, 30 de setembro de 2014 Filmes, Notícias | 23:02

Revelado o primeiro trailer de “Vício inerente”, novo filme de Paul Thomas Anderson

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Joaquin Phoenix em cena de "Vício inerente"  (Foto: divulgação)

Joaquin Phoenix em cena de “Vício inerente”
(Foto: divulgação)

Depois das obras-primas “Sangue Negro” (2007) e “O mestre” (2012), o que o cineasta Paul Thomas Anderson tem a oferecer? Uma pista está neste amalucado trailer, com um delirante Joaquin Phoenix, de “Vício inerente”, adaptação do romance de Thomas Pynchon. O trailer sugere um filme com um pé no humor negro, mas sem perder de vista o rigor narrativo habitual dos filmes de Anderson. Pelo trailer, é possível intuir que o cineasta se inspira nos Coen dos anos 90 e na mais recente obra do aclamado David O. Russell.

Na trama, o detetive maconheiro Larry “Doc” Sportello (Phoenix) perambula pela Los Angeles de 1970 investigando o caso do desaparecimento de sua ex-namorada. Benício Del Toro faz o advogado camarada que tenta manter Sportello longe de enrascadas. Josh BrolinSean PennReese Witherspoon, Owen WilsonMartin Short completam o elenco.

O filme é uma das principais apostas do estúdio Warner Brothers para o Oscar e atualmente integra a mostra do Festival de Cinema de Nova York. A fita tem previsão de estreia para janeiro de 2015 nos cinemas brasileiros.

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Críticas, Filmes | 19:55

Mark Ruffalo e Keira Knightley reverenciam poder transformador da música em “Mesmo se nada der certo”

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Fotos: divulgação

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John Carney não se contentou em fazer apenas um filme apaixonante. Depois de impressionar o mundo com “Apenas uma vez”, uma apaixonada declaração de amor à música, Carney pegou as ideias centrais desta pequena joia rodada em sua Irlanda natal e as jogou no cerne de “Mesmo se nada der certo” (2013), sua primeira incursão no cinema americano.

Em um dado momento do filme, Dan (Mark Ruffalo), um produtor musical fracassado, diz para Gretta (Keira Knightley), uma compositora ocasional com o coração partido que ele convence de que pode estourar na música devido a um talento nato e submerso, que a “música transforma banalidades em momentos cheios de significados”; e “Mesmo se nada der certo” é, em toda a sua doçura incontida, uma reverência a esta capacidade única que a música ostenta.

Carney não para na reverência, porém. Seu filme bebe da fonte da “segunda chance” tão cara ao establishment americano e evoca, inclusive nominalmente, um dos últimos filmes a tratar do tema de maneira brilhante no cinema americano, “Jerry Maguire – a grande virada” (1996).

Dan e Gretta estão sós em uma Nova York que lhes parece pouco amistosa enquanto vivem o que pode ser descrito como as piores fases de suas vidas, mas juntos – e por meio da música – eles descobrem uma maneira, não só de dar a volta por cima, mas de redimensionar essa Nova York.

“Mesmo se nada der certo” se chama no original “Begin again” (Começar de novo) e antes estava titulado como “Can a song save your life?” (Pode uma música salvar sua vida?). O título nacional não fica nada a dever a esses dois singelos e poéticos títulos que calçam muito bem o filme.

mesmo se nada der certo (1)

Adam Levine, o vocalista do Maroon 5, vive um decalque dele mesmo como Dave Kohl, o namorado de Gretta que a abandona tão logo vislumbra a vida de rock star. Não é uma posição fácil a que Levine se coloca, já que seu personagem é o que de mais próximo de vilão o filme tem a oferecer e as semelhanças com a carreira do astro são palpáveis, mas em seu debute no cinema, Levine demonstra jogo de cintura e senso crítico ao ajudar a delimitar as distintas percepções da música no metiê.

Keira Knightley, por seu turno, canta e se não convence – a maioria dos novos cantores hoje cantam e não convencem – encanta com sua singeleza e simplicidade. Sua personagem não é uma aspirante a cantora e essa distinção é importante e escapa à grande parte dos críticos ao desempenho da atriz. Ela é convencida, por uma convergência de fatores e circunstâncias, a embarcar nessa jornada de produzir um disco pelas ruas de Nova York com um produtor que tem uma visão.

Ruffalo garante a habitual eficácia na pele do loser simpático, mas são as músicas as verdadeiras estrelas do filme. São elas que jogam com o interesse da plateia e ajudam a contar essa história de amor e desamor na cidade em que tudo acontece. Da reverência à música, passando pelo respeito aos personagens (a tensão sexual entre Gretta e Dan não avança para um envolvimento sexual e isso faz um sentido absurdo no contexto dos personagens) e culminando na experiência que proporciona, “Mesmo se nada der certo” é um filme para se guardar na memória. Não é exatamente memorável, mas é tenro e saboroso como poucos filmes o são, uma maneira resiliste de se tornar inesquecível.

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014 Filmes, Fotografia, Notícias | 22:57

Divulgadas novas imagens de “Interstelar”, novo filme de Christopher Nolan

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O filme que é o maior segredo do ano estampa a capa da revista inglesa Empire, especializada em cinema, do mês de novembro. Trata-se de “Interstelar”, a aguardada ficção científica do homem que revitalizou o universo do homem-morcego nos cinemas. O próprio Chistopher Nolan ensejou as comparações com “2001: uma odisseia no Espaço”, clássico de Stanley Kubrick. O trailer não esconde o tom solene e filosófico da produção, tampouco a pretensão de discutir outros temas caros à ficção científica como viagens no tempo e dimensões paralelas. O trailer e as fotos divulgadas pela Empire podem ser conferidos logo abaixo. A estreia mundial de “Interstelar” ocorre no dia 6 de novembro.

Fotos: Empire

Fotos: Empire

Interstellar (2)

Nolan orienta o astro de seu filme, o ator Matthew McConaughey

Interstellar (3)

interstellar (4)

Interstellar (5)

Interstellar (6)

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domingo, 21 de setembro de 2014 Filmes, Listas | 17:44

Cinco filmes sobre campanhas eleitorais

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Estamos a duas semanas do primeiro turno das eleições e enquanto os brasileiros decidem os rumos do país, o cinema tem algo a dizer sobre as campanhas eleitorais. O senso comum nos ensina a duvidar. Mas entre a fé cega de muitos eleitores e o ceticismo de tantos outros, está uma máquina adornada de toda a potência publicitária que se pode imaginar e movida a interesses empresariais diversos. É sobre os bastidores de campanhas político-eleitorais que tratam os filmes desta lista, elaborada com a única ideia de prover ao espectador/leitor material para refletir e se divertir. Essencialmente nessa ordem.

 

“O candidato” (1972)

O candidato

Vencedor do Oscar de melhor roteiro original em 1973, este filme protagonizado por Robert Redford explicita o grau de influência do marketing em uma campanha eleitoral. O detalhe é que o filme foi realizado há quatro décadas e permanece atual.

O advogado esquerdista vivido por Redford é escolhido por um macaco velho de campanhas políticas, termo hoje atribuído aos marqueteiros, para concorrer ao Senado pelo Estado da Califórnia contra o republicano que já ocupa o posto há 18 anos. O filme mostra as engrenagens para transformar um protótipo de candidato ideal em um político real. Fascinante, o filme escancara o cinismo que pauta a política. Seja ela praticada nos EUA ou no Brasil.

 

“Tudo pelo poder” (2011)

Tudo pelo poder

Dirigido por George Clooney, esse poderoso drama acompanha as primárias do partido democrata – processo do sistema eleitoral americano que antecede a eleição presidencial e em que um conjunto de candidatos disputam a indicação do partido para a vaga de candidato à presidência. No filme, acompanhamos tudo a partir do ponto de vista do assessor interpretado por Ryan Gosling que realmente acredita que o candidato vivido por Clooney encarna a esperança e os ventos de mudança. Tudo muda quando um caso com uma estagiária da campanha vem à tona. O filme mostra o intenso jogo (geralmente sórdido) de bastidores entre as diferentes campanhas e o papel nada lisonjeiro da mídia nessa história toda.

“Segredos do poder” (1998)

TRAVOLTA THOMPSON

Se ao ver a foto acima você imediatamente pensou em Bill Clinton e Hillary Clinton , saiba que isso não foi acidental. Neste fantástico filme de Mike Nichols, a ideia é justamente aproximar realidade da ficção. John Travolta faz um popular governador de um estado sulista dos Estados Unidos, tal como Clinton, que tenta se eleger presidente. Durante a campanha, sua equipe precisa abafar alguns casos de assédio sexual e relações extraconjugais que surgem pelo caminho.

 

“Os candidatos” (2012)

Os candidatos

A comédia assinada por Jay Roach se assevera como uma crítica ao sistema de financiamento de campanhas eleitorais. Sem a força narrativa ou a convicção discursiva dos dois filmes anteriores, esta obra funciona como uma paródia esperta do “vale tudo eleitoral”. Dois industriais que sempre financiaram a campanha do candidato vivido por Will Ferrell ao congresso resolvem mudar seu apoio após um escândalo sexual. Entra em cena o tipo paspalho vivido por Zach Galifianakis (o Alan da trilogia “Se beber, não case”). O filme então acompanha as desventuras desses dois candidatos, passando pelas poses com os pobres e as trocas de farpas entre eles, na busca de votos.

 

“Virada no jogo” (2012)

Virada no jogo

Fotos: divulgação

Também dirigido por Jay Roach, esse filme feito para a HBO se concentra na campanha republicana de John McCain em 2008 à Casa Branca. McCain e seu staff se viram obrigados a responder à profunda coqueluche de carisma e mídia que era Barack Obama e acabaram colocando como vice-presidente na chapa a polêmica Sarah Palin – aqui vivida esplendorosamente por Julianne Moore. O que parecia uma ótima ideia, já que ela tinha potencial de capitalizar o voto feminino em fuga e garantir o apoio dos conservadores, se revelou um movimento catastrófico conforme mais se descobria a respeito de Palin.

Vigoroso, este filme que apresenta atuações de ótimo nível e um roteiro verdadeiramente primoroso, detalha os bastidores de uma campanha pressionada e esmiúça as alternativas que circunstâncias como essa favorecem.

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sábado, 20 de setembro de 2014 Atores, Filmes | 19:50

Keanu Reeves volta ao cinema de ação com “John Wick”

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Keanu Reeves em "John Wick" (Foto: divulgação)

Keanu Reeves em “John Wick” (Foto: divulgação)

Keanu Reeves há muito dava sinais de que havia renunciado ao seu status de astro do cinema. Desde “Constantine” (2005) não estrela um blockbuster de raiz. Filmes como “Os reis da rua” (2008), “O dia em que a terra parou” (2008) e “47 ronins”, ainda que se enquadrem neste perfil, tem mais pretensões do que a diversão fácil e escapista. Mas depois de dirigir um épico de artes marciais (“O homem de tai chi”), aparecer em filmes menores como “A ocasião faz o ladrão” (2010) e “Sem destino” (2012) e produzir o documentário “Lado a lado” (2012), sobre os rumos do cinema nos tempos do digital, Reeves parece decidido a recuperar seu status como action hero. É o que sugere o trailer de “John Wick”, que tem estreia prevista para outubro nos EUA (no Brasil ainda não há data).

No filme, que ainda tem no elenco Williem Dafoe, Bridget Moynahan, Ian McShane e Jason Isaacs, o ator vive um assassino de aluguel aposentado que, após ter seu sossego perturbado, sai à caça de todos aqueles que tiveram alguma coisa a ver com isso.

Aos 50 anos, Keanu Reeves talvez tenha redescoberto como se divertir fazendo cinema.

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Críticas, Filmes | 17:58

“Lucy” é mistureba estilosa de filmes de HQ e sci-fi

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Luc Besson é um cineasta francês, mas seus filmes são americanos no corpo e na alma. “Lucy”, por exemplo, é o único filme plenamente original, ou seja, que não é uma sequência ou uma adaptação de outra mídia, a figurar entre as 20 maiores bilheterias do ano nos cinemas americanos. É uma estatística nada desprezível. Besson está por trás de sucessos como “Busca implacável” (2008) e “Carga explosiva” (2002), que produziu, e é o responsável por clássicos instantâneos dos anos 90 como “O profissional” (1994) e “O quinto elemento” (1997).

Em “Lucy”, Scarlett Johansson vive a personagem título. Uma mulher fútil, aparentemente desprovida de maiores predicados intelectuais e com mau gosto para homens. O filme começa e Lucy se vê em uma enrascada. Trapaceada por um ficante eventual, ela acaba à mercê de uma quadrilha de traficantes internacionais que não falam inglês. Coagida a servir de mula, ela acaba ingerindo grande volume da droga sintética que transportava. Essa droga amplia a capacidade de uso do cérebro humano e, aos poucos, Lucy vai se transformando em uma espécie de super-heroína high tech. Um misto do maior sonho de grandeza de Sheldon Cooper com a viúva negra que Johansson tão bem dá vida nos filmes da Marvel. À medida que o tempo passa, Lucy não só consegue controlar a matéria como calcular o tempo exato de sua morte.

Scarlett Johansson é Lucy: pense duas vezes antes de mexer com ela... (Foto: divulgação)

Scarlett Johansson é Lucy: pense duas vezes antes de mexer com ela…
(Foto: divulgação)

“Lucy” é, portanto, um amálgama de filme de origem de super-herói e de ficção científica. Em 2011, Bradley Cooper estrelou um filme com premissa muito parecida. Em “Sem limites”, ele dá vida a um escritor medíocre que depois de tomar uma droga experimental “liberta” seu cérebro e fica superinteligente. “Lucy” se difere deste filme por se apresentar como um pastiche com muito humor e referências aos filmes de Besson, especialmente os que ele produziu e já mencionados nesta crítica.

O que pesa contra a fita é justamente quando Besson percebe que tem algo muito bom nas mãos e decide deixá-lo melhor. Ele acaba cedendo à ficção científica hardcore, território inóspito para um diretor que se moldou no gênero da ação barroca, e com delírios kubrickianos quase entorna o caldo no ato final do filme.

Scarlett Johansson, no entanto, mantém-se firme como uma personagem imersa na imensidão de si mesma. A atriz convence sem muito esforço e ajuda a transformar Lucy em uma das personagens mais bacanas de 2014 nos cinemas.

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