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Arquivo da Categoria Filmes

sábado, 7 de janeiro de 2017 Bastidores, Filmes | 09:00

Curta de brasileiro é uma das apostas para o Oscar 2017

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Cena do curta "Trabalho Interno"

Cena do curta “Trabalho Interno”

Se você já assistiu “Moana: Uma Mar de Aventuras”, viu o curta “Trabalho Interno” que é apresentado antes do novo longa da Disney. O tradicional curta, chamado “Trabalho Interno”, é produzido e dirigido pelo brasileiro Léo Matsuda – que já havia trabalhado em outras produções do estúdio como “Detona Ralph” e “Operação Big Hero”. O filme é uma das apostas da crítica americana para figurar entre os candidatos ao Oscar de melhor curta de animação. Uma categoria em que a Disney é costumeiramente bastante forte. O brasileiro Carlos Saldanha, diretor de “A Era do Gelo”, já foi indicado nesta categoria, ainda que por uma produção da Blue Sky.

“Trabalho Interno” conta a história de Paul, um homem que vive em uma cidade muito parecida com a Califórnia dos anos 80. Ele é literalmente uma pessoa quadrada e não faz nada fora do cotidiano programado. O mais divertido na historia é que Paul, na verdade, não é o personagem principal, mas sim os seus órgãos internos, como o cérebro, coração, pulmão e o intestino. Usando uma mistura de animação digital e tradicional, Matsuda mostra com muito humor o conflito entre o coração do protagonista, que quer se aventurar e tomar riscos, e o cérebro, que desencoraja tal tipo de coisa.

Léo Matsuda é paulista de São José dos Campos e pode ser o responsável por levar o Brasil pelo segundo ano consecutivo ao Oscar. Vale lembrar que no ano passado a animação “O Menino e o Mundo” foi indicada a melhor longa-metragem de animação.

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017 Filmes, Notícias | 21:59

Sequência de “O Chamado” muda de nome no Brasil e ganha dois vídeos inéditos

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Samara volta a aterrorizar em O Chamado 3

Samara volta a aterrorizar em O Chamado 3

Com estreia prevista para o dia 2 de fevereiro, “Chamados” muda o título para “O Chamado 3” e ganha dois trailers inéditos. Nas novas cenas que acabam de ser divulgadas pela Paramount Pictures, podemos ver o retorno de Samara após 12 anos do lançamento do último filme da franquia – “O Chamado 2” (2005).

Na trama, a jovem Julia (Matilda Lutz) fica intrigada quando seu namorado, Holt (Ales Roe), começa a explorar uma história envolvendo uma amaldiçoada fita de vídeo, que faz a pessoa que a assiste morrer em sete dias. Ela se sacrifica para salvar a vida dele e acaba fazendo uma descoberta terrível: há um “filme dentro do filme” que ninguém jamais viu antes.

A produção é dirigida por por F. Javier Gutiérrez de “A Casa dos Mortos”.

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sábado, 31 de dezembro de 2016 Críticas, Filmes | 07:30

“Sing Street: Música e Sonho” propõe olhar doce sobre dificuldades do amadurecimento

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Filme que concorre ao Globo de Ouro de melhor comédia ou musical já está disponível na Netflix

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Há cineastas especializados em fazer pequenos grandes filmes. O irlandês John Carney, que se aventurou por Hollywood com “Mesmo se Nada Der Certo”, é um desses cineastas. “Sing Street: Música e Sonho”, que surpreendeu muita gente ao aparecer entre os cinco indicados à categoria de melhor filme em comédia ou musical no Globo de Ouro 2017, é mais uma prova indiscutível de sua capacidade para contar histórias profundamente simples, mas de ressonância humana superlativa.

Leia mais: As dez melhores atuações masculinas do cinema em 2016

“Sing Street” atesta, ainda, o talento singular do irlandês para fundir música e cinema de maneira incrivelmente sedutora e narrativamente eficiente.

Estamos na Dublin dos anos 80, Conor (Ferdia Walsh-Peelo, radiante em sua estreia no cinema) precisa se ajustar a nova realidade econômica da família. A mudança para uma escola católica é apenas um de seus problemas. A iminente separação dos pais e o bullying que sofre na nova escola são outros. Ele se refugia no irmão mais velho, Bredan (Jack Reynor), para conselhos sobre música e garotas.

Leia mais: As dez melhores atuações femininas do cinema em 2016

SING STREETInstantaneamente apaixonado por uma garota mais velha que ocasionalmente fuma no portão de sua escola, Conor a convida para estrelar o clipe de sua banda. Detalhe: não existe banda nenhuma. Ele então se arranja com um grupo de losers para formar a Sing Street. Aos poucos a banda vai ganhando forma e coração e Conor se envolvendo mais com Raphina (Lucy Boynton), que também tem seus sonhos para cultivar.

Personagens iluminados vêm muito fácil à pena de Carney, mas aqui o diretor-roteirista conta com os préstimos de Lucy Boynton que dá a sua Raphina a qualidade de musa inspiradora imaginada por Carney e que nós enquanto público podemos perceber tão vividamente quanto Conor. Brendan, que ostenta perolas como “mulher nenhuma é capaz de amar de verdade um homem que ouve Phill Collins”, é um achado como um jovem que renunciou seus sonhos e experimenta certa amargura, mas se recompõe sempre que o irmão caçula precisa de orientação.

Leia mais: Com clímax poderoso, “A Chegada” é elogio das imperfeições da existência 

Como em todo filme do irlandês, a música ocupa um espaço todo especial. É especialmente agradável ver o processo criativo de Conor e seus amigos e as influências salpicadas de A-Ha a The Cure conforme o estado de espírito do protagonista se metamorfoseia.

As letras das músicas criadas especialmente para o filme, como The Riddle of the Model, Drive it Like You Stole It, Girls e Go Now tornam o sentido, mas também o sentimento de “Sing Street” muito mais amplo e ressonante. Um filme fofo, sim, mas também sintomático de nossa necessidade de sonhar.

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016 Análises, Filmes | 07:30

Os 20 melhores filmes de 2016

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Quatro filmes brasileiros estão entre os 20 melhores filmes lançados nos cinemas do País em 2016 na avaliação da coluna

Verhoeven orienta Huppert no set de "Elle", o melhor filme de 2016

Verhoeven orienta Huppert no set de “Elle”, o melhor filme de 2016

São sete filmes datados de 2015 na lista elaborada pelo Cineclube de melhores produções lançadas nos cinemas brasileiros em 2016. Outra particularidade que pode se notar entre os 20 destacados como os melhores filmes de 2016, é a forte presença de cineastas não americanos na lista. São 12 no total. Alguns deles até dirigem filmes americanos, como Denis Villeneuve e Lenny Abrahamson, mas isso demonstra duas coisas: que a globalização chegou a Hollywood e que o cinema fora dos EUA teve um belíssimo ano. São três produções europeias no Top 5. Um feito que não é todo ano que ostenta.

Muita coisa boa ficou de fora da lista dos melhores filmes de 2016. Produções tão diversas como o refinado “Carol”, o multifacetado “O Silêncio do Céu”, o divertido “Capitão América: Guerra Civil”, o delicado “A Garota Dinamarquesa”, o alegórico “Zootopia”, ou mesmo o oscarizado “Spotlight: Segredos Revelados”. Mas a lista aqui apresentada, além de personalidade, mimetiza o que de melhor o ano apresentou em nossos cinemas.

20 – “Indignação” (EUA 2016), de James Schamus

Baseado em Philip Roth, o filme de Schamus é um valoroso estudo sobre a relação do homem e o meio, com a rígida sociedade dos anos 50 como fôrma. Logan Lerman, que já havia demonstrado incrível talento dramático em “As Vantagens de ser Invisível”, reitera-se como ator a ser respeitado. Um filme inteligente e inflexivo do diálogo entre razão e emoção.

Fotos: Montagem sobre reprodução

Fotos: Montagem sobre reprodução

19 – “Rogue One – Uma História Star Wars” (EUA 2016), de Gareth Edwards

O melhor filme de guerra do ano se passa em uma galáxia muito distante e antes de “Uma Nova Esperança” (1977). Misto de prequel e filme derivado, “Rogue One” é um filme com alma, visualmente exuberante e com personagens cativantes. É um legítimo Star Wars, mas é também algo essencialmente novo. Gareth Edwards reagiu maravilhosamente bem à pressão de lidar com um dos maiores cânones da cultura pop e entregou um filme de encher qualquer fã de orgulho.

18 – “Creed: Nascido para Lutar” (EUA 2015), de Ryan Coogler

O retorno de Rocky Balboa ao cinema não poderia ser mais apoteótico e o personagem de Sylvester Stallone nem sequer sobe ao ringue. Ou quase isso. A reimaginação da franquia proposta por Ryan Coogler (“Fruitvale Station”) coloca o filho de Apollo Creed, Adonis (Michael B. Jordan) como protagonista em um filme reverente na medida certa e, pelos próprios méritos, nada menos do que antológico.

17 – “Capitão Fantástico” (EUA 2016), de Matt Ross

Opositor ferrenho dos ideais capitalistas, o personagem que Viggo Mortensen defende com devoção e afeto em “Capitão Fantástico” submete seus filhos a uma educação inusitada: aulas rigorosas de defesa pessoal se alternam com noções avançadas de física quântica e filosofia. A família mora no meio do mato e mantém no mínimo toda e qualquer interação social. O filme de Ross problematiza isso tudo com muita delicadeza e sensibilidade. Evita as respostas fáceis, mas faz todas as perguntas difíceis.

16 – “Ave, César” (EUA 2016), de Joel e Ethan Coen

Pense em uma comédia sobre a era de ouro de Hollywood com momentos de pura sofisticação narrativa com outros de mero pastelão? Adicione a assinatura dos irmãos Coen e você tem “Ave,César”, um dos indispensáveis filmes de 2016 que muita pouca gente falou a respeito. Com um elenco fantástico e uma boa cota de piadas internas, “Ave, César” é um deleite para amante de cinema nenhum botar defeito.

Melhores (2)

15 – “O Quarto de Jack” (EUA 2015), de Lenny Abrahamson

Honesto, esse drama que se reconfigura completamente em sua metade é um exercício cinematográfico dos mais potentes. Da direção ao elenco afinado, “O Quarto de Jack” é uma realização brilhante. Impossível não se cativar por um filme que mergulha fundo nos conflitos de seus personagens, mas os trata com carinho e generosidade.

14 – “O Novíssimo Testamento” ( Bélgica 2015), de Jaco Van Dormael

Sabe aquela história de Deus ser um sujeito egoísta e malcriado? O cineasta Jaco Van Dormael adicionou a essa fábula uma filha. De birra, ela envia do computador divino a data da morte de todo mundo. Com a consciência da finitude, a humanidade muda a forma de agir e interagir. Deus precisa reagir a essa situação inusitada. Trata-se de um filme imaginativo que fala de amor, mas do tal amor ao próximo. De uma forma subversiva, mas carinhosa, é dos filmes mais cristãos em muito tempo.

13 – “Fome” (Brasil 2016), de Cristiano Burlan

Depois que se viu a morte é possível morrer de amor por alguém? Trata-se de uma pergunta capciosa que o magnífico filme de Burlan promove. Não se trata da única porém. O filósofo da atuação Jean-Claude Bernadet vive um homem que abandonou tudo para viver na rua. Escravo de suas memórias ou refém de uma liberdade absoluta? O filme expande essa problematização para a cidade, para seus aspectos visíveis e invisíveis. Burlan fustiga nossa relação com a cidade a partir do olhar de um morador de rua, mas também sobre um morador de rua. Cinema de verve, cinema que merece figurar na lista de melhores do ano de quem quer que aprecie o bom cinema.

12 – “Sing Street: Música e Sonho” (Inglaterra/Irlanda 2016), de John Carney

Um menino cria uma banda para impressionar uma menina um pouco mais velha e acaba se descobrindo um genuíno rock star, no talento e na atitude, na Dublin dos anos 80. O novo filme de John Carney (“Mesmo se Nada Der Certo”) é um elogio tão enfático e espirituoso da música quanto seus anteriores. Com elenco praticamente desconhecido como em “Once”, o cineasta extraí graça e beleza de um roteiro apaixonante e novamente faz da música a grande cúmplice de seu filme.

11 – “Quanto Tempo o Tempo Tem” (Brasil 2015), de Adriana L. Dutra

Falar que esse primor de realização é sobre o tempo não está exatamente errado, mas passa longe de precisar a natureza do filme de Dutra, que aborda nossa relação com o tempo e a evolução do próprio conceito ao longo da jornada da humanidade. As entrevistas oferecem um painel rico e multifacetado sobre um tema que não foge ao interesse de ninguém. Um filme que pode ser debatido tanto no bar como em sala de aula sem ser esgotado e com uma das propostas mais altivas e reverberantes de 2016.

Melhores (3)

10 – “Aquarius” (Brasil 2016), de Kleber Mendonça Filho

Foi um ano e tanto para o cinema brasileiro e o filme de Kleber Mendonça Filho pairou sobre ele uniforme e absoluto. Estrelado por uma poderosa Sonia Braga, “Aquarius” é um filme poético em seus arranjos, que valoriza a memória como meio de preservação, mas também como instrumento de resistência. Um filme político, sim, mas que foi injustamente politizado. Uma obra atemporal que revela um autor mais senhor de sua arte e reverberante em seu espaço-tempo.

9 – “A Grande Aposta” (EUA 2015), de Adam McKay

Desde que estourou a crise financeira em 2008, Hollywood passou a ter tesão por filmes que colocavam o mercado financeiro no buraco da agulha. Mas “A Grande Aposta” é uma besta de outra natureza. Dirigido pelo cara de “Quase Irmãos”, esse filme destrincha o funcionamento de Wall Street de maneira didática e divertida, sem deixar de fazer uma análise tenaz do que está errado nessa cultura do lucro a qualquer custo. Um filme inteligente e com arestas bem aparadas que não faz pose de importante, mas é, sim, bem importante.

8 –  “Memórias Secretas” (Alemanha/Canadá 2015), de Atom Egoyan

Fazia tempo que Atom Egoyan não entregava um filme realmente bom. Ele apoiava-se costumeiramente na condescendência dos admiradores de seus primeiros trabalhos. “Memórias Secretas”, um thriller que coloca um octogenário com Alzheimer como vingador de um carrasco nazista, é uma redenção acima de qualquer suspeita. Além da trama inusitada muitíssimo bem urdida, o filme apresenta um dos finais mais surpreendentes desde… “O Sexto Sentido”! Não só não é pouca coisa, como é bem representativo nesses tempos de spoilers a rodo.

7 – “Tangerine” (EUA 2015), de Sean Baker

Um filme rodado inteiramente com um iPhone não é exatamente uma novidade, mas neste maravilhoso filme de Baker a ferramenta se justifica narrativamente e até mesmo adensa o registro dramático. Aqui acompanhamos a transexual e prostituta Sin-Dee, que após sair da prisão descobre que seu namorado e cafetão a está traindo com uma mulher. Acompanhamos a jornada de Sin-Dee pelas ruas de Los Angeles para encontrar seu namorado e tirar essa história a limpo. Trata-se de um filme de cores vivas e vibrantes, personagens em carne viva e uma história insuspeitamente repleta de afeto.

6 –  “Boi Neon” (Brasil 2016), de Gabriel Mascaro

O empoderamento feminino e a questão do gênero recebem atenção no belíssimo filme de Gabriel Mascaro que revela um Nordeste brasileiro totalmente avesso ao clichê. Juliano Cazarré se reafirma como ator de grande reverberação dramática ao viver um vaqueiro que sonha em ser estilista e revela uma vaidade que julgamos deslocada. Um filme de muitas camadas e subtextos que prova, mais uma vez, a exuberância técnica e temática de nosso cinema.

Melhores (4)

5 – “A Chegada” (EUA 2016), de Denis Villeneuve

Christopher Nolan tentou evocar Kubrick com “Interestelar” (2014), mas só arranhou a superfície. O canadense Villeneuve veio em 2016, com muito mais simplicidade e abnegação e entregou um filme que não só faria Kubrick orgulhoso, mas que traduz a era que vivemos com louvor. Um filme sobre a falta de diálogo reinante em nosso tempo adornado pelos códigos do filme de gênero, no caso uma ficção científica robusta e reminiscente. De quebra, Amy Adams dá outro show de interpretação.

4 – “Julieta” (Espanha 2016), de Pedro Almodovar

O retorno do cineasta espanhol ao melodrama não poderia ser mais feliz. Homenagem às mulheres, “Julieta” é, ainda, uma crônica solene sobre a maternidade e um ensaio almodovariano sobre o luto. Um filme cheio de reminiscências e de uma sensibilidade profunda. Um Almodóvar em forma.

3- “Animais Noturnos” (EUA 2016), de Tom Ford

Tom Ford tinha um senhor desafio em sua próxima empreitada como cineasta. Afinal, seu primeiro filme fora nada mais nada menos do que o espetacular “Direito de Amar” (2009). “Animais Noturnos”, um projeto mais ousado na forma e nos arranjos, reafirma o talento do estilista para o cinema. Com dois filmes estética e narrativamente envolventes, fica difícil questionar seu talento como homem de cinema. “Animais Noturnos” é superlativo.

2- “Demônio de Neon” (Dinamarca/França 2016), de Nicolas Winding Refn

É impossível permanecer impassível ao cinema do dinamarquês Nicolas Winding Refn.  “Demônio de Neon” beira a extravagância. Necrofilia e canibalismo embalam uma história asséptica em uma concepção dramática, mas profundamente irrigada em metáforas e simbolismos. É um cinema provocador e eventualmente chocante. Refn devassa o mundo da moda com a propriedade de um formador de opinião pouco preocupado com a opinião alheia.

1-“Elle” (França, 2016), de Paul Verhoeven

Falta ao cinema de maneira geral coragem para desafiar convenções de gênero e subverter certos dogmas sociais que paralisam o centeio fílmico. Paul Verhoeven é um inconformista por natureza. Seu cinema exala cinismo e confronta toda a hipocrisia e letargia social. “Elle” é um filme costurado todo ele a partir do entranhamento do drama vivido pela protagonista, vítima de uma violência sexual que decide investigar a identidade de seu agressor, por noções psicanalíticas profundas e ressonantes que extrapolam os limites da análise fílmica.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016 Filmes, Notícias | 12:35

“Decisão de Risco” e “Estado de Liberdade” são destaques entre os lançamentos em Blu-Ray em janeiro

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Cinéfilos e colecionadores já podem se preparar para gastar as sobras do 13º com boas opções de filmes que chegam ao sell-thru em janeiro de 2017. “Ben-Hur” e “Sete Homens e um Destino” chegam às lojas em Blu-Ray e DVD em 11 de janeiro. Mesmo dia do lançamento de “Decisão de Risco”, ótimo thriller de Gavin Hood estrelado por Helen Mirren. A produção oferta, ainda, uma das últimas aparições de Alan Rickman– morto em janeiro de 2016 – no cinema.

Leia mais: Pacifista, novo “Ben-Hur” sobrevive às comparações com o clássico de 1959

Helen Mirren em cena do filme "Decisão de Risco"

Helen Mirren em cena do filme “Decisão de Risco”

O encontro de três perigosos terroristas em Nairobi, no Quênia, faz com que uma elaborada operação seja coordenada diretamente da Inglaterra. É lá que a coronel Katherine Powell (Mirren) e o general Frank Benson (Rickman), acompanham os movimentos dos alvos. Inicialmente a operação seria para capturá-los, mas a descoberta de dois homens-bomba faz com que o objetivo mude para eliminá-los a qualquer custo.

“Porta dos Fundos – Contrato Vitalício”, que fracassou nos cinemas, talvez encontre seu público no mercado de home vídeo. A produção também chega às lojas em 11 de janeiro, mas apenas em DVD. Estrelado por Matthew McConaughey, “Estado de Liberdade” será disponibilizado apenas para locação.  No filme, o ator interpreta o fazendeiro Newton Knight que forma um grupo de rebeldes contra a Confederação durante a guerra civil americana. Ele é contrário à escravidão, mas também à reforma política. Assim, reunindo pobres fazendeiros, o pequeno condado de Jones (Mississippi), rompe com o grupo majoritário e forma um pequeno estado livre. Ao longo dos anos, Knight combate a influência racista do Ku Klux Klan e forma a primeira comunidade interracial do Sul, casando-se com a ex-escrava Rachel (Gugu Mbatha-Raw, da série Black Mirror). O filme será disponibilizado a partir de 18 de janeiro.

Cena do filme "Roteiro de Casamento"

Cena do filme “Roteiro de Casamento”

Duas boas opções para quem aprecia o cinema latino americano são o argentino “Roteiro de Casamento” e o brasileiro “O Shaolin do Sertão”. O primeiro é uma comédia estrelada por Valeria Bertuccelli. Ela faz uma atriz iniciante namorada de um diretor de cinema com o qual está trabalhando, acaba se apaixonando por outro homem. No entanto, o maior problema é que sua nova paixão não é uma pessoa real: é o personagem protagonista do filme, interpretado pela estrela da produção Fabián (Adrián Suar). O segundo é uma feliz mescla de ação e comédia cearense.  Aluiso Li (Edmilson Filho) é um aspirante a lutador que sonha e batalha por manter viva a paixão pelas lutas no Ceará dos anos 80. Espere por muitas referências ao cinema e a região.

Ambos os filmes chegam às lojas em 11 de janeiro.

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016 Críticas, Filmes | 12:32

Com clímax poderoso, “A Chegada” é elogio das imperfeições da existência

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Há filmes que não são exatamente o que parecem ser. Há casos em que isso é ruim e há casos em que isso é muito bom. “A Chegada” (Arrival, EUA 2016) se ajusta a esta última classificação. O novo filme de Denis Villeneuve (“Os suspeitos”, “Sicario: Terra de Ninguém”) é formalmente uma ficção científica, mas se resolve como um filme sobre o poder do diálogo e a importância da comunicação para a resolução de todo e qualquer conflito.

Cena do filme "A Chegada", uma das melhores produções de 2016

Cena do filme “A Chegada”, uma das melhores produções de 2016

Em ordem de construir dramaticamente esse argumento, Villeneuve e o roteirista Eric Heisserer imaginam uma situação relativamente corriqueira no cenário da ficção científica. Alienígenas chegam ao planeta Terra. Naves gigantes posam em oito pontos distantes do mundo, sendo Estados Unidos, China, Rússia e Paquistão quatro deles. Não é mero acaso que o filme se dedique a acompanhar o desenrolar das ações dos governos destes quatro países. Toda a geopolítica mundial parece se concentrar nos interesses dessas quatro nações.

O exército americano, na figura do coronel Weber (Forest Whitaker) convoca a linguista Louise Banks (Amy Adams) para facilitar a comunicação com os alienígenas e tentar entender a razão da chegada deles à Terra. Jeremy Renner vive Ian Donnelly, um físico que integra essa força-tarefa montada pelo governo americano que, obviamente, conta com a CIA e outras agências de inteligência.

Louise e Ian estabelecem progressos na tentativa de se comunicar com os alienígenas, mas o tempo não é amigo, já que os líderes mundiais pressionados pelas rivalidades, se movimentam para reagir ao que consideram uma invasão à soberania da humanidade.

Amy Adams brilha em A Chegada Fotos: divulgação

Amy Adams brilha em A Chegada
Fotos: divulgação

A escalada da tensão é bem abordada por Villeneuve, mas “A Chagada” não se pretende um suspense. O filme se apoia na excelente atuação de Amy Adams para se descobrir um drama. Intuitiva e generosa, mas estranhamente desgostosa da vida, Louise é uma personagem fascinante. Seu grande conflito, que o filme só revela por completo em seu ato final – embora espalhe pistas nos dois primeiros – ressignifica o sentido do filme, mas sem prejuízo ao seu valor como boa ficção científica.

“A Chegada” representa a primeira incursão do cineasta canadense no gênero e tem sua segunda protagonista feminina consecutiva. Desnecessário dizer que Villeneuve já é dos diretores mais interessantes da atualidade, mas o refinamento narrativo de “A Chegada”, aliado a sua exuberância visual, clamam por redundância.

Além de atentar para o valor da comunicação e de como a negligenciamos, tanto no âmbito das nações como no nível pessoal, o filme de Villeneuve elabora um singelo libelo à vida. À beleza oculta da ignorância que ostentamos em nossa relação com o tempo.  Seja em sua conceituação física ou em seu preposto emocional.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2016 Filmes, Notícias | 18:01

Sedução e intriga no segundo trailer de “A Criada”, novo filme de Park Chan-wook

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Um dos destaques do último festival internacional de cinema de Cannes, premiado pelo conjunto de críticos de Los Angeles como melhor filme em língua estrangeira e escolha do público como melhor filme internacional da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, “A Criada” é uma das boas opções do início de 2017 no cinema. Dirigido pelo sul-coreano Park Chan-Wook (“Oldboy” e “Segredos de Sangue”), o filme se ambienta na Coréia do Sul dos anos 1930 durante a ocupação japonesa.

A jovem Sookee (Kim Tae-ri) é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, Hideko (Kim Min-Hee), que leva uma vida isolada ao lado do tio autoritário. Só que Sookee guarda um segredo: ela e um vigarista planejam desposar a herdeira, roubar sua fortuna e trancafiá-la em um sanatório. Tudo corre bem com o plano, até que Sookee aos poucos começa a compreender as motivações de Hideko.

“A Criada” estreia por aqui em 12 de janeiro. Confira o trailer legendado abaixo:

 

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Filmes, Notícias | 11:29

“Vazante”, de Daniela Thomas, estreia no Festival de Berlim

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Primeiro filme solo da codiretora de “Linha de Passe” e “Terra Estrangeira” foi selecionado para uma das mais disputadas mostras paralelas do festival alemão

Cena do filme Vazante Foto: Inti Briones

Cena do filme Vazante
Foto: Inti Briones

“Vazante”, primeiro filme solo de Daniela Thomas, que codirigiu “Linha de Passe” (Palma de Ouro de Melhor Atriz em Cannes 2008) e “Terra Estrangeira” ao lado de Walter Salles, terá sua estreia mundial no próximo Festival Internacional de Cinema de Berlim, realizado entre 09 e 19 de fevereiro 2017; como parte da In Focus: Reclaiming Black History, sessão especial criada na mostra Panorama com três filmes (“I Am Not Your Negro” e “The Wound” também serão exibidos). Daniela também assina o roteiro do longa-metragem junto ao produtor Beto Amaral.  A distribuição no Brasil será feita pela Europa Filmes com estreia prevista para 2017.

Leia mais: “Rogue One” reequilibra a força de Star Wars no cinema com força e imaginação

“É emocionante que o meu primeiro filme solo, ‘Vazante’, seja selecionado para a mostra Panorama do Festival de Berlim. A Berlinale é talvez o festival que mais impacto tenha tido no cinema brasileiro das últimas décadas, premiando ‘Central do Brasil’, Fernanda Montenegro, ‘Tropa de Elite’ e ‘Que Horas Ela Volta’. É uma honra e um privilégio voltar aos grandes festivais de cinema que me deram tanta felicidade, como o de Cannes, em 2008, quando recebi a Palma de Ouro para Sandra Corvelloni, por sua linda Cleuza de ‘Linha de Passe’. Fico muito orgulhosa de ter Sandra mais uma vez brilhando em um filme meu. Meu coração está acelerado”, comenta Daniela.

Leia mais: Qual o melhor filme para Hollywood reagir à ascensão da era Trump no Oscar?

O filme se passa em 1821, no interior do Brasil, nas serras pedregosas das Minas Gerais, depois da economia local, que era baseada na extração de diamantes, ter entrado em colapso. O ator português Adriano Carvalho vive Antonio, um patriarca do século XIX, que ao voltar de uma longa viagem conduzindo uma tropa de escravos descobre que sua mulher morreu em trabalho de parto. A estreante Luana Nastas é Beatriz, menina que lhe é dada em casamento. Na ausência do marido, Beatriz fica sozinha com os escravos. Solidão, incomunicabilidade e preconceito levam a uma espiral de violência.

“O filme quer falar de algumas das nossas maiores cicatrizes: a escravidão, o casamento forçado de meninas, a mestiçagem que é fruto do assédio e da exploração sexual das negras e as hierarquias de poder que pervertem até as relações entre os oprimidos. O filme fala também, por outro lado, da eterna possibilidade de redenção e de subversão dessas estruturas tão rígidas”, explica a diretora, que contou com um vasto repertório de informação trazido pela historiadora Mary del Priore.

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“Vazante” teve como locação principal a fazenda Ribeirão, uma mansão do século XVIII a uma hora de estrada de terra da cidade histórica do Serro, em Minas Gerais. Para o filme, o ator Toumani Kouyaté abriu as portas da comunidade de seus conterrâneos da África subsaariana refugiados em São Paulo, e Rodrigo Siqueira, diretor do documentário “Terra Deu Terra Come”, indicou os caminhos para uma dezena de comunidades quilombolas da região Diamantina, de onde foi arregimentado o elenco da senzala

 

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016 Atores, Filmes, Notícias | 09:00

Keanu Reeves volta a encarnar advogado no suspense “Versões de um Crime”

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Keanu Reeves em cena do filme "Versões de um Crime" Foto: divulgação

Keanu Reeves em cena do filme “Versões de um Crime”
Foto: divulgação

Um dos primeiros grandes papeis de Keanu Reeves no cinema foi em “Advogado do Diabo” (1997). O ator já fazia filmes antes, mas o filme de Taylor Hackford lhe ofertou um papel de grandes reminiscências dramáticas. Ali ele encarnava um advogado promissor que se depara com uma série de conflitos éticos e morais. Em “Versões de um Crime”, que a PlayArte lança nos cinemas brasileiros em 9 de março, ele volta a viver um advogado, mas sem as tentações experimentadas em “Advogado do Diabo”.

Cinco spin-offs que gostaríamos de ver na franquia “Star Wars”

Aqui Keanu Reeves dá vida a um defensor público que precisa defender um jovem que confessou ter matado o próprio pai. Detalhe: o garoto não só não demonstra arrependimento como parece pouco disposto a colaborar na própria defesa. O bom elenco reunido pela diretora Courtney Hunt (“Rio Congelado”) conta com Gugu Mbatha-Raw, Renée Zellweger e Jim Belushi.

O ator libanês  afastou-se do estrelato e focou em papeis menores nos últimos anos. “De Volta ao Jogo”, “Bata Antes de Entrar” e “Demônio de Neon” atestam essa vocação mais light do ator, que em 2017 estreia a aguardada sequência de “De Volta ao Jogo”, “John Wick: Um Novo Dia Para Matar”.

 

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sábado, 17 de dezembro de 2016 Bastidores, Filmes | 18:51

Julia Rezende termina de filmar “Como é Cruel Viver Assim”

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A diretora Julia Rezende (“Meu Passado Me Condena”, “Ponte Aérea” e “Um Namorado Para Minha Mulher”) acabou de rodar, no Rio de Janeiro, seu quinto filme. “Como É Cruel Viver Assim” conta a história de quatro fracassados em uma narrativa ácida que mistura drama, humor e melancolia. As filmagens do longa, que tem roteiro de Fernando Ceylão, foram realizadas durante cinco semanas, em locações como Nilópolis, Marechal Hermes, Méier e um terreno abandonado no Recreio.

Os protagonistas do quinto filme de Julia Rezende

Os protagonistas do quinto filme de Julia Rezende

Os protagonistas, interpretados por Marcelo Valle, Fabiula Nascimento, Silvio Guindane e Debora Lamm, decidem fazer algo importante e  armam um plano absurdo: sequestrar um milionário. Mas não têm nenhuma experiência com crimes nem noção do que essa operação pode envolver. O elenco também conta com Paulo Miklos, Otávio Augusto e Milhem Cortaz, que fazem um trio de bandidos, além de uma participação especial de Marcius Melhem, no papel de um farmacêutico.

O filme será distribuído pela H2O Films e Universal e tem lançamento previsto para o segundo semestre de 2017.

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