Publicidade

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016 Críticas, Filmes | 14:12

Versão com zumbis de “Orgulho e Preconceito” é elogio do empoderamento feminino

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

A ideia de juntar zumbis e Jane Austen é tão boa que “Orgulho e Preconceito e Zumbis”, a despeito de alguns problemas na produção, viu a luz do dia. O filme de Burr Steers, ator que se aventurou na direção de séries televisivas e agora estreia na direção de cinema, no entanto, é mais uma sátira aos costumes aristocratas da Inglaterra da era vitoriana do que uma paródia gore da febre zumbi na cultura pop.

As irmãs Bennett aqui não são jovens indefesas à espera de um bom homem para casar. São guerreiras treinadas nas artes marciais chinesas, altamente independentes para a época e que não descartam um casamento por amor. “Minhas filhas não foram criadas para trocar as espadas pela cozinha”, diz em um dado momento o Sr. Bennett (Charles Dance) diante do assédio de sua esposa para que as meninas compareçam a um baile para que aumentem suas chances de serem desposadas.

Os zumbis estão ali mais como uma alegoria de uma Inglaterra decadente do que qualquer outra coisa. É da relação fraturada e cheia de resiliências entre Elizabeth Bennett (Lily James) e o Sr. Darcy (Sam Riley) que o filme se alimenta primordialmente, evitando perder de vista a referência à obra original de Jane Austen.

Leia também: Cinderela vira exterminadora de zumbis em nova versão de “Orgulho e Preconceito”

Nesse contexto, “Orgulho e Preconceito e Zumbis” se mostra uma divertida metáfora desse momento de erupção feminista que vive o mundo. Há diversas cenas, que dão viço ao humor negro que recheia o filme, que atestam esta condição.

Está, no entanto, na protagonista que recusa os ditames sociais da época e mata zumbis com uma habilidade incrível, a força dessa insuspeita brincadeira com zumbis que acaba achando um jeito divertido de falar sério.

Autor: Tags: ,

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016 Críticas, Filmes | 16:49

História de amor e imigração garantem eficiente melodrama de “Brooklin”

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

Com roteiro do cultuado Nick Hornby e três indicações ao Oscar (filme, roteiro adaptado e atriz), “Brooklin” pertence àquela linhagem de melodramas de grife. Produção britânica bem azeitada, dirigida com competência, com elenco afiado e uma trama romântica adornando um contexto histórico, no caso o fluxo imigratório da Irlanda para a Nova York dos anos 50.

Saoirse Ronan dá vida a Ellis, uma jovem irlandesa que a irmã consegue providenciar para ir para os EUA. A ideia é que Ellis tenha uma vida que na Irlanda não seria possível.

O filme se desdobra por todas as etapas previsíveis. A viagem problemática e cheia de enjoos pelo Atlântico, a dificuldade de se adequar ao novo ambiente e a descoberta do amor. Para então, com Ellis bem aventurada com sua vida no Brooklin, estabelecer um grande dilema para sua protagonista.

O grande mérito do filme é que ele percorre todo esse arco com muita elegância e reverberação dramática. O roteiro de Hornby é tão eloquente e bem estruturado que é impossível não se cativar pela história. A direção de John Crowley é segura e conscienciosa e Saoirse Ronan é um espetáculo de contenção e ternura em cena. Ela pega o espectador pela mão e não o deixa mais partir.

Não há nada fora do lugar em “Brooklin” e o filme ainda tem pequenos grandes momentos como quando na pensão em que reside, surpreendida pela declaração de amor do rapaz que está namorando, Ellis questiona uma moça mais velha, que já fora casada, se ela gostaria de casar de novo. A resposta da moça, tão sábia quanto graciosa, antecipa o conflito final da personagem e cristaliza um dos grandes dilemas da humanidade. O fascínio que todos nós temos pelo “e se”. Entre certezas e hesitações, “Brooklin” se arranja como um belíssimo filme.

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 Notícias | 19:22

Cinema paulistano fará sessão especial do premiado “White God”, que estreia nesta quinta-feira (25)

Compartilhe: Twitter
Foto: Imovision

Foto: Imovision

Indicado da Hungria para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015, “White God” conta a história de uma menina de 13 anos em uma busca incansável por seu cachorro Hagen, abandonado nas ruas de Budapeste por seu pai. Nas ruas, Hagen é encontrado por um adestrador de brigas de rinhas que o tortura para se transformar em um cão violento e vencer os outros animais. Após sofrer maus tratos, Hagen consegue fugir do canil com ouros cães, desencadeando uma revolta animal contra os seres humanos, em uma sociedade que não tolera os animais domésticos.

O filme venceu a mostra Um Certo Olhar do festival de Cannes no ano passado. Buddy, o cachorro que interpreta Hagen, recebeu a Palm Dog. Um prêmio que existe desde 2001, destinados ao melhor ator canino dos filmes da Seleção Oficial do Festival.

O filme será lançado nesta quinta-feira (25) nos cinemas brasileiros. Para o lançamento em São Paulo, a Imovision, distribuidora do longa, fechou uma parceria com a Matilha Cultural para mimar os cinéfilos que amam seus pets. Uma sessão especial do filme vai acontecer no sábado (27)  às  16 :00, e a presença dos cães é liberada. Isso porque a Matilha Cultural é um espaço dog friendly. 

O endereço é Rua Rêgo Freitas, 542, no Centro de São Paulo.

 

Autor: Tags: , ,

Críticas, Filmes | 14:15

Grande mérito de “O Quarto de Jack” é extrair encantamento de situação trágica

Compartilhe: Twitter
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Vencedor do Festival de Toronto, “O Quarto de Jack” (2015) é um feito cinematográfico e tanto. Superficialmente, é um drama sobre uma jovem sequestrada que teve seu filho em cativeiro e recorre à ilusão para tornar a rotina do menino menos opressiva. No âmago, porém, é um exercício cinematográfico requintado e uma ode ao espírito humano.

Dirigido com imaginação e propriedade por Lenny Abrahamson, a partir da adaptação de Emma Donoghue da própria obra, “O Quarto de Jack” tem o mérito de mudar toda a sua estrutura narrativa após 40 minutos de filme e manter-se dramaticamente pulsante e francamente inquietante.

O primeiro ato do filme, ambientado todo dentro de um pequeno quarto, é um tour de force tanto de Brie Larson quanto de Jacob Tremblay. Eles tangenciam a desprovida rotina de mãe e filho com emoção e propriedade. Aqui Abrahsamson trabalha muito bem alguns fundamentos narrativos e, ainda que alguns expectadores possam lembrar de “A Vida é Bela”, o contexto é completamente diferente. Algo que os atos subsequentes deixam mais claro.

No segundo ato, “O Quarto de Jack” se reconfigura completamente. O registro cru, formal e tenso dá vez a um drama robusto, mais insidioso das pequenas fissuras verificadas nos personagens em cena. Trata-se de uma mudança estrutural profunda, administrada por Abrahamson e pelo roteiro de Donoghue com muito equilíbrio e perspicácia.

Mais adiante, o filme avança ainda mais nessa nova dialética e mantém o espectador intensamente conectado com a trama graças aos trabalhos irrepreensíveis de Larson e Tremblay.

O menino de nove anos merece uma menção à parte. Personificar Jack não era uma tarefa fácil. O personagem atravessa muitas fases e se depara com conflitos potencialmente dramáticos em momentos-chave do filme. Não é uma criança sendo uma criança em cena. É um ator, da mais fina estirpe, exercendo sua arte com dedicação e método.  Tremblay dá a Jack toda a fragilidade e inocência características de uma criança e muda as cores dessas características conforme o personagem vai evoluindo dramaticamente. É importante observar que todo filme se constrói a partir do ponto de vista de Jack, aumentando a responsabilidade de Trembay como ator.

Trata-se de um trabalho realmente invejável. Tremblay alcança notas, nuanças de seu personagem e afere força a momentos decisivos de “O Quarto de Jack” com a firmeza de um veterano. Larson, por seu turno, acolhe a complexidade dos conflitos de sua personagem com tremenda presença de espírito.

Ao extrair graça e encantamento de uma situação trágica, “O Quarto de Jack” capitaliza em cima da emoção, uma das grandes matérias-primas do cinema, mas também reafirma o espírito humano. Tão combalido pelo peso de todo o sensacionalismo da vida.

Autor: Tags: , , ,

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 Análises | 14:10

O efeito Deadpool já se faz sentir em Hollywood e filmes de heróis devem mudar

Compartilhe: Twitter

O sucesso de “Deadpool” desnorteou os executivos de Hollywood. Isso pode ser muito positivo no curto prazo; mas como Hollywood é um lugar complexo pode se tornar algo bem ruim no médio prazo.

Antes de avançar no raciocínio é preciso voltar um pouco no tempo e entender o sucesso de “Deadpool”.

O filme, que custou cerca de US$ 80 milhões e já arrecadou o dobro disso globalmente em apenas um fim de semana, foi alvo de uma campanha de marketing agressiva na internet. Ryan Reynolds, que lutou com unhas e dentes para tirar o projeto da gaveta, se engajou de uma maneira incomum para astros hollywoodianos nessa corrente promocional ainda tão pouco (bem) explorada pelos estúdios.

Crítica: “Deadpool” presenteia público com humor sem concessões 

Isso, aliado ao fato do filme ser exatamente aquilo que seus realizadores idealizaram (uma comédia de ação virulenta, cheia de referências pop e recheada de humor negro), ajuda a entender o porquê do sucesso acachapante do longa. A data da estreia, estrategicamente alocada em uma janela sem grandes lançamentos, reforçou o poder de alcance do filme.

Foto (Divulgação)

Foto (Divulgação)

Hollywood ainda tenta assimiliar o que é causa e o que é efeito no sucesso de “Deadpool”, mas já há vozes pondo lenha na fogueira. O diretor James Gunn, que com o seu “Guardiões da Galáxia” alcançou êxito muito semelhante ao de “Deadpool”, expressou descrença de que algo genuinamente positivo possa emergir dessas circunstâncias.

“Você vai ver Hollywood entendendo tudo errado a partir desta lição”, escreveu o cineasta em seu Facebook. “Eu vi isso acontecer com ‘Guardiões.’ Eles não vão entender um filme original e sem medo de correr riscos. Eles vão liberar filmes de heróis cômicos que quebrem a quarta parede. Eles vão te tratar como idiota, algo que ‘Deadpool’ não fez”.

Se essa previsão pessimista vai vingar ou não (e é provável que vingue), ainda é cedo para saber, mas a Fox já repensa seus próximos lançamentos. O terceiro filme solo de Wolverine, previsto para 2017, pode receber o “tratamento Deadpool” e ser proibido para menores de 17 anos desacompanhados dos pais nos EUA, e para menores de 16 anos no Brasil.

Leia também: Pansexual, Deadpool chega aos cinemas para revolucionar filmes de heróis

A grande ironia é que Darren Aronofsky deixou a direção de “Wolverine: Imortal” (2013) porque havia pensando em um filme mais violento, cru e entrado em desacordo com o estúdio. Wolverine, que certamente não recepciona o mesmo tipo de humor de Deadpool, é um personagem que já pedia há algum tempo um tratamento mais sombrio no cinema.

É, porém, necessário ter a percepção de que o sucesso de um filme em suas peculiares circunstâncias não será plenamente replicado por outro, mas “Deadpool” chegou mesmo para embaralhar o tumultuado e, até certo ponto, exaurido cenário dos filmes de super-heróis. A ideia de deixar os filmes mais com cara de ‘filme adulto’ pode ser uma alternativa. As séries da parceria Marvel/Netflix já sinalizavam isso. Hollywood, de vez em quando, fica perseguindo a cauda. As vezes encontra.

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 Notícias | 15:41

“Alice Através do Espelho” ganha pôster nacional

Compartilhe: Twitter

A sequência do sucesso de mais de US$ 1 bilhão, “Alice no País das Maravilhas”, batizada de “Alice Através do Espelho”, acaba de ganhar um pôster nacional. O filme da Disney, dessa vez sob a direção de James Bobin, será lançado em 26 de maio nos cinemas brasileiros.

Ao retornar para o País das Maravilhas, Alice (Mia Wasikowska) precisa ajudar ajudar o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), dessa vez contra o vilão Tempo (Sacha Baron Cohen).

Alice atrás do espelho

Autor: Tags: , ,

Críticas, Filmes | 14:14

“Deadpool” presenteia público com humor sem concessões

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

Você pode encarar “Deadpool” de duas maneiras diferentes. A primeira como um filme que utiliza o humor como um expediente para disfarçar sua pouca profundidade e a falta de uma verve autoral tão comum às mais recentes adaptações de HQs. A segunda, e mais correta, corresponde a um filme que rejeita qualquer concessão e tem no humor, sua principal ferramenta de crítica ao gênero do momento em Hollywood, o filme de super-herói.

“Deadpool” não é o grande filme do ano, mas dificilmente outro vai proporcionar tanta diversão na sala escura em 2016.

A honestidade do filme, que apresenta no cinema o Deadpool das HQs com todas as suas características – sendo a consciência de ser um produto de HQ, no caso, o personagem de um filme, a mais surreal e surpreendente delas – garante o respeito do espectador. Esse espectador pode até se surpreender com o nível das piadas, uma mais suja e sacana do que a outra; e isso é muito bom.  Primeiro porque não costumamos mais nos surpreender de fato no cinema e segundo porque “Deadpool” é um filme que foi concebido como deveria ser e, no final das contas, todo mundo vai perceber isso.

A ideia não é necessariamente descontruir os filmes de super-heróis, mas a estrutura do filme – que é também um filme de origem – acaba fazendo isso. Há piadas de toda sorte e nem mesmo a Fox, que custou a aprovar a produção do filme, é poupada.

A cena pós-créditos, para quem ainda não tinha percebido a sátira ao filme de super-heróis, escancara toda a fórmula que, a bem da verdade, já está cansando.

Wade Wilson (Ryan Reynolds) é um mercenário que após ser diagnosticado com câncer acaba aceitando fazer parte de um projeto genético que ativa genes mutantes. As coisas, naturalmente, não terminam bem para ele que se vê afastado do grande amor de sua vida, Vanessa (a brasileira Morena Baccarin) e com efeitos colaterais que o deixam visualmente horripilante.

Wilson, no entanto, mantém-se abrigado no humor. Sua principal ferramenta para viver os dias. E “Deadpool” é um filme que faz uso inteligente do humor. Outro aspecto que chama atenção no filme é a maneira desimpedida com que a sexualidade do personagem é trabalhada. A pansexualidade (atração sexual que independe do gênero) de Wade Wilson é exposta com gosto e sem frescuras. Outro atestado da coragem do filme em não se submeter a eventuais resistências do público.

Sob muitos aspectos, “Deadpool” é um acerto da perseverança. Ryan Reynolds vivia ostracismo em Hollywood, mas nunca desistiu de fazer o filme que o personagem merecia. Hoje, com a bilheteria acachapante que a produção já contabiliza, o selo de aprovação da crítica e a confirmação da sequência, Reynolds riu por último. Calhou do filme que o personagem merecia ser o mesmo que o público queria.

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016 Notícias | 14:01

Primeiro teaser de “Jason Bourne” provoca com reaparição de protagonista na franquia

Compartilhe: Twitter

BourneCom lançamento previsto para julho deste ano, “Jason Bourne”, como o quinto filme da franquia – o quarto com Matt Damon como protagonista – é chamado, teve seu primeiro teaser divulgado nesta semana. A prévia pouco revela, mas mostra o suficientemente para intuir que Bourne está em busca de reparação pelos maus feitos com ele enquanto esteve sob poder da CIA. “Eu lembro de tudo”, diz um raivoso Bourne que ouve de sua interlocutora que “lembrar de tudo não quer dizer que ele saiba de tudo”.

Com Paul Greengrass, de “A Supremacia Bourne” e “O Ultimato Bourne”, na direção, o quinto filme da franquia tem um elenco recheado com nomes como Alicia Vikander, Julia Stiles, Tommy Lee Jones e Vincent Cassel.

Recentemente, Matt Damon, que concorre ao Oscar de melhor ator neste ano por seu trabalho em “Perdido em Marte”, deu uma entrevista em que falou sobre como reencontraremos o personagem. “É o complemento da jornada começada em ‘A Identidade Bourne’. Parece a conclusão da trajetória, mas não estamos dizendo que é uma conclusão, entende?”, diz o ator.

À revista Entertainment Weekly, o ator disse que Bourne estará em um lugar sombrio no novo filme. Torturado emocional e fisicamente. “Ele ainda está remoendo tudo aquilo que aconteceu com ele”.

Autor: Tags: , ,

domingo, 7 de fevereiro de 2016 Análises, Diretores, Filmes | 17:59

Como a vitória de Iñárritu no DGA afeta a corrida pelo Oscar?

Compartilhe: Twitter
Foto (divulgação)

Foto (divulgação)

O cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu venceu na noite deste sábado (6) o prêmio do sindicato dos diretores pela direção do filme “O Regresso”. Ele já havia vencido ano passado pela direção de “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”.  O feito do mexicano é notável porque é a primeira vez em mais de 60 anos de existência da premiação que um cineasta vence o DGA de maneira consecutiva. Iñárritu se iguala a cineastas como Clint Eastwood, Robert Wise, David Lean, Ang Lee, Francis Ford CoppolaMilos Forman e Oliver Stone com dois triunfos. Apenas Steven Spielberg tem três.

Mas qual é o efeito prático do triunfo de Iñárritu no DGA no Oscar? A princípio, significativo. O DGA é o sindicato com melhor aproveitamento em antecipar os vencedores de melhor filme. É, também, o sindicato mais eficiente em casar seus resultados com o da categoria no Oscar. Em uma corrida como a de 2016, porém, em que os sindicatos não estão se fechando em torno de um único filme – “Spotlight” foi o preferido dos atores e “A Grande Aposta”, dos produtores – o impacto da vitória de Iñárritu precisa ser relativizado.

O DGA, historicamente é mais progressivo do que a academia. Indicou Christopher Nolan pela direção de “O Cavaleiro das Trevas”, algo que a academia não fez. E premiou Ben Affleck pela direção de “Argo”, mesmo sabendo que ele não estava no rol de nomeados ao Oscar e que o fazendo revisaria suas estatísticas de equivalência com o Oscar para baixo.

Sentido horário: Iñárritu orienta DiCaprio embaixo de neve em uma das muitas locações de "O Regresso". Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo em cena de "Spotlight" e Ryan Gosling apenas ouve em cena de "A Grande Aposta" (Fotos: divulgação)

Sentido horário: Iñárritu orienta DiCaprio embaixo de neve em uma das muitas locações de “O Regresso”. Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo em cena de “Spotlight” e Ryan Gosling apenas ouve em cena de “A Grande Aposta”
(Fotos: divulgação)

O trabalho de Iñárriu em “O Regresso” é vistoso. Assombroso de bom, mas apenas John Ford – um dos maiores ícones da Hollywood da era de ouro, ganhou dois Oscars de maneira consecutiva. A academia estaria pronta para repetir feito tão notável. Muito provável que não. “Birdman” era um filme esteticamente mais arrojado e criativo do que “O Regresso” e, no limiar, o mexicano não tem o melhor trabalho de direção entre os indicados. Esses são de George Miller (“Mad Max: Estrada da Fúria”) e Adam McKay (“A Grande Aposta”).

É fatídico que o Oscar de direção fica entre esses três e a vitória de Iñárritu no DGA não é tão ruim para as chances de Miller. O australiano , pela carreira e pelo vigor empregado na confecção de “Mad Max”, pode se beneficiar da resistência de muitos membros de equiparar Iñárritu a John Ford.

Já a corrida pelo Oscar de melhor filme parece concentrada em “Spotlight”, que venceu diversos prêmios da crítica, o SAG e o Critic´s Choice Awards, “A Grande Aposta”, que venceu alguns prêmios da crítica e o PGA, e “O Regresso”, a melhor bilheteria entre os três – um blockbuster de arte -, líder na corrida e vencedor do Globo de Ouro e do DGA. Até mesmo “Mad Max”, com menos chances, está bem cotado. Mas Miller tem mais chances de vencer do que o filme.

Parece oportuno lembrar da corrida em 2007 quando “Babel” venceu o Globo de Ouro de filme dramático, “Pequena Miss Sunshine” levou os prêmios do SAG e do PGA e Martin Scorsese, por ‘Os Infiltrados”, ficou com o DGA. Deu “Os Infiltrados” no Oscar. Este ano parece ainda mais aberto do que aquele ano, mas “O Regresso” acaba de ganhar mais força rumo à glória no Oscar e no momento mais acertado possível.

 

Autor: Tags: , , , ,

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016 Críticas, Filmes | 12:42

Filmado de maneira artesanal, “O Regresso” promove comunhão entre corpo e natureza

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

Depois de mesmerizar público, crítica e indústria com uma ácida leitura do jogo hollywoodiano em “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”, também um triunfo estético, Alejandro González Iñárritu muda radicalmente de ritmo e dinâmica, mas mantém-se fiel à essência de sua filmografia com “O Regresso”; uma obra com argumento pueril – o desejo de vingança -, mas executada com a agudeza de estilo que precede o cineasta mexicano.

Com 12 indicações ao Oscar, incluindo filme, direção, ator e fotografia, “O Regresso” é, à primeira vista, um western. Mas o cinema de Iñarritu, desde o rompimento da parceria com Guillermo Arriaga, tem problematizado os limites do gênero cinematográfico.

Se “Birdman” começava como uma comédia de tintas surrealistas, passava por um drama existencial soturno e terminava com ares de fábula cartunesca, “O Regresso”, apesar de subscrever-se logo aos códigos do western, é também um filme de contemplação, que busca a sensorialidade a todo o momento. É tanto um filme sobre a vida, como é sobre a morte e o manancial de instintos que transitam entre uma e outra.

Ainda que seja ousado tecnicamente, “O Regresso” não ostenta a mesma engenhosidade de “Birdman”. Não representa o sobressalto estético do filme protagonizado por Michael Keaton, mas é capaz de seduzir parte do público – e afastar outra – com seu adorno artesanal. É um filme lindamente filmado. Dos movimentos de câmera inusitados à fotografia em luz natural de Emmanuel Lubezki.

Leonardo DiCaprio, que dá vida ao protagonista Hugh Grass – um homem meio índio, meio homem branco que parece pagar o preço por essa ousadia biológica -, atua conforme o absorto e solene marejar fílmico de Iñárritu demanda.  O ator sujeita seu corpo a provações desagradáveis de forma a abalizar a dramaticidade do registro. A comunhão entre corpo e natureza, entre espírito e obstinação, é algo que DiCaprio é muito bem sucedido em tangenciar. Trata-se de uma atuação escorada, sim, na fisicalidade, mas ciosa, também, daquilo que pode apenas sugerir para o público. Um trabalho que exige um grande ator e encontra em DiCaprio um homem digno para tal.

Tom Hardy, por seu turno, empresta a habitual competência à confecção de um homem mais inteligente do que aparenta e em melhor comunicação com seus instintos do que nos damos conta. John FitzGerald tem uma compreensão mais dilatada do mundo em que vive. É a interpretação que faz dele, no entanto, que alimenta a grande dicotomia do filme – e da humanidade.

Neste contexto, e dimensionado pelo trabalho desses dois grandes atores, “O Regresso” se viabiliza como um conto romântico – não na acepção amorosa do termo – sobre a prevalência dos instintos a qualquer força que ouse contê-los.

Autor: Tags: , , ,

  1. Primeira
  2. 10
  3. 18
  4. 19
  5. 20
  6. 21
  7. 22
  8. 30
  9. 40
  10. 50
  11. Última