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quinta-feira, 21 de abril de 2016 Análises, Filmes | 18:30

Bilheteria de “Batman vs Superman” confirma o Brasil como salva-vidas de filmes em perigo

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A Warner anunciou com pompa na última terça-feira (19), que “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” já se tornou o quinto filme de maior bilheteria em todos os tempos no Brasil. Estatística que assegurou à produção dirigida por Zack Snyder o posto de maior bilheteria do ano até o momento no País, ultrapassando a saga bíblica da Record, “Os Dez Mandamentos”.

Trata-se de um momento agitado para o topo do ranking das maiores bilheterias do Brasil. “Star Wars: O Despertar da Força” e “Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros” são produções de 2015 que galgaram às primeiras posições da lista liderada por “Avatar” (2009).

A despeito deste momento de alta intensidade na disputa pelas primeiras posições do ranking de maiores bilheterias do País, um atestado da boa forma do mercado cinematográfico em linhas gerais, há alguns aspectos na performance de “Batman vs Superman” que merecem atenção.

O mercado brasileiro se mostrou um dos mais receptivos ao filme que antagoniza os dois heróis mais populares da DC Comics. Alvejado pela crítica, o filme da Warner depende do desempenho mercado internacional para se pagar e o desempenho para lá de positivo no Brasil é dos melhores cartões postais para o estúdio fora dos EUA.

Crítica: “Batman vs Superman” não supera o hype e deixa transparecer improvisos

O Brasil está se firmando como um mercado exótico, para fazer uso de um eufemismo, para produções hollywoodianas rejeitadas nos EUA. Os filmes mais recentes de Adam Slander e Vin Diesel, flops incontestes na Terra do tio Sam, estrearam em primeiro lugar por aqui e apresentaram boas carreiras comerciais nos cinemas do País.

É claro que soa forçado colocar filmes como “O Último Caçador de Bruxas” e “Pixels” na mesma toada de “Batman vs Superman”, mas o raciocino permanece intacto. O público brasileiro parece menos propenso a reagir à temperatura das críticas sobre um filme e ser mais suscetível ao star power de nomes como Diesel e Sandler, ou ao hype de produções como “Batman vs Superman” ou mesmo a estreia do fim de semana “O Caçador e a Rainha do Gelo”, que analistas da indústria apontam como candidato ao primeiro fracasso da temporada de blockbusters de 2016.

O desempenho de “Batman vs Superman” no País, mais acachapante do que em qualquer outro, ratifica a hipótese. O Brasil é o paraíso fiscal de quem anda perdendo dinheiro em outros territórios.

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segunda-feira, 18 de abril de 2016 Críticas, Filmes | 16:18

“Rua Cloverfield 10” é sopro de originalidade no engessado conceito de franquias

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Foto: divulgação

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J.J Abrams ainda não tinha o repertório e o prestígio que ostenta hoje, mas já era uma grife quando produziu “Cloverfield” (2008), um filme de monstro que tinha como principal hype o registro found footage. Um grupo de amigos nova-iorquinos registrava o pânico que se estabelecia na cidade quando uma criatura imensa tomava e destruía Nova York. Dirigido por Matt Reeves, o barato “Cloverfield” gerou um baita buzz e muito dinheiro, mas nunca uma sequência.

Nesse mundo de vazamentos e novidades antecipadas na internet, todos se surpreenderam quando o primeiro trailer de “Rua Cloverfield 10” foi liberado há cerca de dois meses na internet. J.J Abrams viu no argumento de Josh Campbell e Matthew Stuecken, a chance de expandir o universo (que até então inexistia) de “Cloverfield”. O filme de 2016, dirigido por Dan Trachtenberg, portanto, não é uma continuação direta do filme de 2008, mas habita o mesmo universo. Essa é uma pista e tanto para quem já tem o referencial do filme original.

Isso posto, quanto menos se souber da trama do novo filme, melhor.

Mary Elizabeth Winstead é Michelle, uma jovem que se envolve em um acidente de carro e acorda acorrentada em um bunker. Um homem corpulento e receptivo à teorias conspiratórias lhe informa que a salvou e que houve um ataque, químico ou nuclear, e que eles não podem sair daquele bunker em hipótese alguma. Não há a quem recorrer.

Howard (o excelente John Goodman) é um tipo estranho, mas no geral aparenta estar bem intencionado. O mesmo pode se dizer de Emmett (John Gallagher Jr.), outro que habita o local. Michelle, por razões óbvias, duvida das boas intenções daquele que considera ser seu sequestrador, mas parece crer mais em Emmett.

Durante boa parte de sua metragem, “Rua Cloverfield 10” é um elaborado estudo sobre a paranoia. A de Howard é a mais clara. Ele sempre foi maníaco por segurança, o que eventualmente o afastou de sua família. Mas o roteiro, supervisionado por Damien Chazelle (“Whiplash: Em Busca da Perfeição”) é hábil em nivelar esse sentimento com os demais personagens em cena e, também, com o público. Será o fim do mundo mesmo? Howard é um psicopata?

“Rua Cloverfield 10”, neste contexto, é um filme muito mais ambicioso, estética e narrativamente, do que “Cloverfield”. Além de promover um feito para lá de ousado nesse cinema contemporâneo tão previsível que é introduzir o conceito de antologia nas cada vez mais imperiosas franquias cinematográficas. É um processo criativo cheio de potencialidades e que, se bem conduzido, pode render maravilhas. J.J Abrams foi desenvolvimentista o suficiente para perceber isso no caso de “Cloverfield”.  O roteiro de Campbell e Stuecken originalmente não tinha qualquer relação com a marca Cloverfield, mas Abrams comprou os direitos do texto e vislumbrou uma boa oportunidade de ousar. Escondeu o projeto até que ele ficasse pronto. “Rua Cloverfield 10” abusa de sua simplicidade e justamente por isso é tão eficiente enquanto suspense. O ato final pode ser frustrante se observado apenas no contexto episódico, restrito a experiência deste filme, mas se analisado no escopo maior, como deve ser, entusiasma pelo fascinante leque que Abrams agora empunha para recontar uma mesma história de maneiras tão diversas quanto cativantes.

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sexta-feira, 15 de abril de 2016 Análises | 22:30

Presença do Brasil em Cannes, com “Aquarius”, reflete edição forte e equilibrada

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Na última quinta-feira (14), o diretor artístico do festival de Cannes, Thierry Frémaux, anunciou o line up da edição de 2016. Trata-se da mostra competitiva mais forte dos últimos anos, a julgar pelos nomes selecionados. A presença de cineastas de prestígio e contumazes em Cannes como Pedro Almodóvar, Christian Mungiu, Ken Loach, Olivier Assayas, Nicolas Winding-Refn, Jean-Pierre e Luc Dardenne, entre outros fez com que Frémaux se sentisse instigado a fazer, perante a imprensa internacional, uma defesa do que chamou de “regulares” em Cannes. Para o curador do festival, são eles que atestam o estado da arte e tê-los em Cannes é um privilégio que não se deve abdicar. Em 2016, a fortíssima mostra competitiva terá, ainda, a presença brasileira.

Confira a lista completa dos filmes que integram o festival de Cannes 2016

Conforme amplamente divulgado pela imprensa nacional na quinta-feira (14), “Aquarius”, do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, foi selecionado para a disputa da Palma de Ouro. É o retorno do Brasil à principal mostra do festival de cinema mais importante do mundo oito anos depois que ‘Linha de Passe”, de Walter Salles, concorreu e valeu a Sandra Corveloni a Palma de Ouro de melhor atriz.

Sonia Braga em cena de "Aquarius"  (Foto: Victor Jucá)

Sonia Braga em cena de “Aquarius”
(Foto: Victor Jucá)

O Brasil venceu a Palma de Ouro em 1962 com “O Pagador de Promessas”.

“Aquarius” é o segundo longa-metragem de Filho. O primeiro, “O Som ao Redor” (2012), foi a grande sensação do cinema brasileiro junto à crítica internacional desde “Cidade de Deus” (2002).

O filme tem Sonia Braga no papel principal de Clara, uma escritora e jornalista aposentada, viúva, mãe de três filhos adultos. Ela é moradora do edifício Aquarius, o último de estilo antigo na beira mar do bairro de Boa Viagem, no Recife. Dona de um apartamento repleto de discos e livros, ela irá enfrentar as investidas de uma construtora que tem outros planos para aquele terreno: demolir o Aquarius e dar lugar a um novo empreendimento. Dona do seu passado, do seu presente e do seu futuro, esse conflito dará a Clara uma energia nova à sua vida.

“Poder estreá-lo em Cannes é um momento muito feliz desse processo, que teve início há três anos, com a primeira versão do roteiro, escrito por mim. Fico ainda mais feliz por toda a nossa equipe formada por gente de todo o Brasil, e especialmente por artistas e técnicos pernambucanos. Fico feliz também por Sonia Braga. Quero que esse filme seja muito bom para essa artista maravilhosa e para a pessoa incrível que ela é”, disse o cineasta em nota divulgada à imprensa. “É bom pensar que ‘Aquarius’ vai nascer em Cannes, um festival tão importante para qualquer profissional de cinema ou cinéfilo”, complementa a produtora Emilie Lesclaux.

O cineasta Kleber Mendonça Filho leva o cinema brasileiro de volta à croisette  (Foto: Victor Jucá)

O cineasta Kleber Mendonça Filho leva o cinema brasileiro de volta à croisette
(Foto: Victor Jucá)

A concorrência será pesadíssima. Além de prévios vencedores da Palma de Ouro, como os já citados Mungiu, Loach e os Dardenne, há cineastas de grife como Paul Verhoeven, Sean Penn, Jeff Nichols, Jim Jarmusch, Xavier Dolan e Park Chan-Wook.

A pujança de 2016 se verifica por outros parâmetros também. Depois de dois anos com menos de vinte filmes na competição oficial, Cannes voltou a apresentar seu número mágico. E Frémaux já avisou que ainda pode ter surpresas de última hora. São três as cineastas mulheres na competição. Nos últimos dez anos, apenas em 2011, havia mais de duas em competição; no caso eram quatro. Há, ainda, quatro diretores competindo pela primeira vez (Maren Ade, Kleber Mendonça Filho, Alain Guiraudie e Christi Puiu – esses dois últimos em mostras paralelas.

São indicadores da mostra forte que Cannes alinhou. E ainda não comentamos as mostras paralelas e os filmes fora de competição, que terão outras grifes da dimensão de Steven Spielberg e Woody Allen, com George Clooney e Julia Roberts para temperar.

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quarta-feira, 13 de abril de 2016 Análises, Críticas, Filmes | 19:32

“Batman vs Superman” não supera o hype e deixa transparecer improvisos

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Depois de muita espera, “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” ganhou o mundo com as potencialidades e imperfeições de um projeto erguido de improviso e sob a batuta de um cineasta controverso como Zack Snyder. Controverso porque o diretor de “300” e “Watchmen” inegavelmente é um ás da linguagem visual, mas descuida reiteradamente da integridade narrativa de seus filmes. “Batman vs Superman”, naturalmente, carrega este mesmo estigma.

Orçado em pouco mais de US$ 250 milhões, a pressão por um sucesso no filme que se incumbe de deflagrar o universo DC no cinema é monstruosa. Principalmente depois de “O Homem de Aço” (2013), cuja falha em alcançar a vultosa marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias desencadeou o projeto de reunir Batman e Superman no cinema, não ter correspondido plenamente às expectativas do estúdio, a Warner.

Algumas semanas depois da estreia, é seguro dizer que, em matéria de rendimento, “Batman vs Superman” já superou “O Homem de Aço”, mas o respaldo da crítica foi tão insatisfatório quanto.

O grande problema do filme não reside propriamente dito na grandiloquência com que Snyder filma esses Deuses gregos modernos que são Batman e Superman; ou mesmo na construção do conflito entre os dois personagens – de modo geral, bem ritmada e contextualizada. Mas na insistência de Snyder em ter a presença do mal no filme. O Lex Luthor de Jesse Eisenberg parece um decalque do Coringa clássico. Extremamente afetado, o personagem é bom, mas pouco lembra o arquirrival do Superman. Por outro lado, todo o terceiro ato surge equivocado. Desde o apressado e frágil entendimento entre os heróis até a espalhafatosa luta com o Apocalypse.

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Mesmo assim, há virtudes. Todo o arco envolvendo o Superman, imerso naquele conflito existencial que ditou toda a ação de “O Homem de Aço”, funciona muito melhor do que no filme em questão. A discussão sobre a divindade do Superman e se ele deveria ou não se submeter a algum tipo de fiscalização do governo merecia um filme à parte. Há muito potencial narrativo desperdiçado em um filme que só se vale dele para nivelar os anseios e angústias destes dois ícones em rota de colisão.

Já a aguardada estreia de Ben Affleck na pele de Bruce Wayne/Batman configura-se mesmo como a grande atração do filme. Ainda que o arco do personagem atravesse o filme com razoável dose de previsibilidade, Affleck dá a seu Bruce Wayne maduro, violento e desencantado a verve de um homem afundado em arrependimentos e com uma agressividade latente. Material que indubitavelmente será mais bem abordado no filme solo que Affleck comandará.

“Batman vs Superman: A Origem da Justiça” se reveste do ônus de costurar a gênese da Liga da Justiça, que ganhará dois filmes nos próximos anos. Essa dispersão também afeta a coesão narrativa da produção, ainda que a degustação da Mulher-Maravilha seja muitíssimo bem-vinda e ajude com o hype do filme.

De todo o jeito, este é um filme que carece de uma visão. De um discurso efetivo. “A Origem da Justiça” parece existir apenas pelo hype e é este o seu pecado definitivo.

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segunda-feira, 14 de março de 2016 Críticas, Filmes | 17:42

Com subtexto feminista, “A Bruxa” é um filme de terror que investe no incomum

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Foto: Divulgação

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A estreia de Robert Eggers como diretor em “A Bruxa” (EUA, 2015) não poderia ser mais feliz. Seu filme descende diretamente de obras como “O bebê de Rosemary”, de Roman Polanski, e “O Iluminado”, de Stanley Kubrick, em que a atmosfera do medo importa mais do que a estetização do horror. Não espere por sustos em “A Bruxa”, o terror engendrado pela esperta narrativa do filme, esmerada em contos de fadas macabros, é de outra ordem.

A sugestão é a mãe de todos os horrores na trama que acompanha a rotina de uma família, composta pelo pai, mãe e mais cinco filhos que, exilados de uma pequena vila nos Estados Unidos colonizados pela Inglaterra, vão morar às margens dessa civilização em construção, em uma floresta.

O pai (Ralph Ineson) faz o tipo fervoroso, homem plenamente devotado a sua fé e “A Bruxa” deixa logo claro que esse extremismo detonou o banimento da família do convívio social. Tentando estabelecer uma fazenda às margens dessa vasta e imponente floresta, a família se flagra imersa em uma teia de inexplicáveis e cada vez mais aterrorizantes acontecimentos.

À primeira vista, trata-se de uma crescente e intrincada provação dessa fé até então inquestionável, mas conforme a trama avança percebe-se a sofisticação da narrativa de Eggers. Está ali uma valorosa vertente feminista, sobre como mulheres que não se encaixavam nos ditames sociais da época eram apressadamente rotuladas como bruxas – algo que acontece com a filha mais velha, a adorável Thomasin (Anya Taylor Joy). Há, também, a robustez de um drama familiar. Há o desejo inominável entre os irmãos, o ressentimento da mãe que vê marido e filho sequestrados pela juventude da filha mais velha e todo o subtexto religioso. Nesse aspecto, o viés de fábula do filme acaba por reforçar todas essas camadas, tornando “A Bruxa” uma experiência muito mais sintomática do que observacional. O medo é proveniente daquilo que se toma por verdade.

É um filme econômico em suas elaborações, não necessariamente no que tem a dizer. Justamente por isso, a cena final, que assume uma realidade que a narrativa até então mantinha no campo da possibilidade, adquire uma forte conotação.  Não havia alternativa para aquela personagem a não ser aquele caminho. Neste momento, “A Bruxa” se resolve tanto como filme de terror, expondo o real horror das circunstâncias da personagem, como veiculo feminista.

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quarta-feira, 9 de março de 2016 Filmes, Notícias | 23:28

“A Linguagem do Coração” ganha sessão especial em São Paulo para religiosos

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Cena do filme "A Linguagem do Coração" (Divulgação)

Cena do filme “A Linguagem do Coração”
(Divulgação)

A distribuidora Imovision resolveu fazer uma cabine de imprensa especial para um grupo de religiosos para promover o lançamento do filme “A Linguagem do Coração” que estreia nacionalmente no dia 17 de março nos cinemas. O filme conta a historia de Marie Heurtin uma menina que nasceu cega e surda e, por suas limitações, vive em um mundo próprio, sem se comunicar com as pessoas ao seu redor. Incapaz de lidar com o comportamento violento da filha, o pai de Marie a interna no famoso Instituto Larnay. É lá que a menina conhece a irmã Marie Marguerite, uma jovem freira que a adota como uma filha. Armada de sua fé, a irmã Marguerite vai trabalhar incansavelmente para tirar Marie de seu solitário e silencioso universo lhe dando muito carinho e atenção. O filme é baseado em uma história real.

A atriz Isabelle Carré que  já havia trabalhado com o diretor no filme “Românticos Anônimos” (2010)  é quem interpreta  a irmã Marguerite e  a personagem Marie é  interpretada pela novata atriz  Ariana Rivoire, surda de nascença e foi descoberta pelo cineasta Jean-Pierre Améris  em sua escola.

A exibição do filme para a imprensa foi realizada na manhã de terça-feira, 8 de março, na Reserva Cultural com a participação de  importantes  veículos de imprensa, da SIGNIS Brasil (entidade que congrega as emissoras católicas), algumas religiosas e do Padre Denilson Geraldo,  como o porta voz da Arquidiocese de São Paulo ao lado da Ir. Natividade Pereira, pertence à Congregação das Irmãs Paulinas.

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sexta-feira, 4 de março de 2016 Filmes, Notícias | 16:40

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, “As Sufragistas” volta aos cinemas

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As sufragistas

Com elenco e produção majoritariamente femininos, a produção “As Sufragistas”, distribuído pela Universal Pictures, volta a ser exibido nos cinemas brasileiros em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. O filme, que estreou em dezembro em circuito nacional, tem direção de Sarah Gavron e conta com Meryl Streep, Helena Bonham Carter, Carey Mulligan, Brendan Gleeson, Anne-Marie Duff e Ben Whishaw no elenco.

Com roteiro assinado pela ganhadora do Emmy, Abi Morgan, de “A Dama de Ferro”, o longa será exibido nas seguintes salas do país: Espaço Itaú Augusta, Frei Caneca e Pompéia (São Paulo), Espaço Itaú de Botafogo (Rio de Janeiro), Cinema Miramar (Santos), Cine Cultura Liberty Mall e Espaço Itaú de Cinema (Brasília), Lumiere Shopping Bougainville (Goiânia), Cine Paseo (Salvador), Lumiere Palmas Shopping (Palmas – Tocantins), Cinema Belas Artes (Belo Horizonte), Espaço Itaú de Cinema (Curitiba), Cinespaço Beira Mar e Paradigma Cine Arte (Florianópolis), Espaço Itaú de Cinema (Porto Alegre), Espaço Farol (Tubarão – Santa Catarina).

Instaurado nos primeiros anos do século XX nos Estados Unidos e na Europa, o Dia Internacional da Mulher está associado a fatos históricos e a luta feminina por melhores condições de vida, trabalho e direito ao voto. O drama “As Sufragistas” traz parte da luta de algumas dessas mulheres que resistia à opressão de forma passiva. Ridicularizadas e ignoradas pelos homens, elas decidiram se impor travando uma luta que mudaria não só a vida delas, mas de outras mulheres pelo mundo.

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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016 Análises, Filmes | 16:04

Com vitória de DiCaprio e triunfo de “Spotlight”, Oscar reafirma suas apaixonantes contradições

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Foto: Getty Images

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Era o ano de Leonardo DiCaprio. Era, também, o ano de Ennio Morricone. Tudo mundo meio que já sabia disso. O Oscar tem seus caprichos e Leonardo DiCaprio, tantas vezes esnobados, teve o privilégio de fazer um relativamente longo discurso de agradecimento sem o inconveniente incômodo da música lhe lembrando da finitude daquele momento de glória.

Morricone, grande compositor que já ganhara um Oscar honorário em 2006, venceu pela robusta e oponente trilha de “Os Oito Odiados”. A bem da verdade, o Oscar da mea-culpa estava armado bem antes disso. Na esteira de toda a polêmica envolvendo a falta de diversidade entre os indicados, o Oscar abraçou a crítica e o mestre de cerimônias Chris Rock foi o arauto do apocalipse ao apontar o quão elitista e segregacionista Hollywood pode ser. Foram muitos os momentos inspirados do apresentador, a começar por seu monólogo de abertura, passando por quadros satíricos envolvendo Jack Black e a falta de representatividade entre os principais filmes concorrentes junto a comunidade negra americana.

Mas caprichosa que é, a academia preferiu o britânico Mark Rylance, egresso do teatro, a Sylvester Stallone, o brucutu que ganhou o coração do povo, entre os atores coadjuvantes. O que dizer da cara de desapontamento de Patricia Arquette quando não anunciou a vitória de Sly? Ou da emoção mais do que platônica de Kate Winslet quando viu o seu eterno Jack voltar a ser o rei do mundo? E o punho cerrado de Michael Keaton para celebrar a vitória de seu filme na principal categoria da noite?

Porque o Oscar, afinal, tem tudo a ver com ciclos, justiças históricas, injustiças perenes, preferências, prioridades e autoindulgência.

Mas foi, também, o ano de “Spotlight”. Filme redondo, bem fundamento dramática e narrativamente, que tinha tudo para prevalecer em um ano de tantas hesitações na categoria principal. Ah, mais é menos cinema do que “Mad Max” e “O Regresso”! Talvez por isso tenha ficado com menos Oscars do que seus dois rivais. Mas é um filme que valoriza a prospecção da verdade. A perseverança dos justos. Que pisca os olhos para um mundo melhor. É, portanto, uma escolha mais emocional do que racional. Algo bem comum em termos de Oscar.

O que não é comum é um diretor ganhar o Oscar por dois anos seguidos. Alejandro González Iñárritu fez, sim, história e ele merece. É um artesão do cinema. Um pensador inquieto de seu ofício e ainda que não fosse o melhor realizador entre os indicados ostentava um trabalho digno do Oscar. Seu colaborador Emmanuel Lubezki venceu pelo terceiro ano consecutivo a estatueta de melhor fotografia por “O Regresso”. Ele havia vencido por “Birdman” em 2015 e “Gravidade” em 2014. Mais um feito histórico alcançado no Oscar deste ano.

Assim, ali entre a história que foi feita e a que por um suspiro deixou de acontecer, a edição de 2016 do Oscar se subscreveu como o sonho dourado que todos os mortais, sejam eles estrelas de cinema, cinéfilos ou meros espectadores, sonham uma vez por ano todos os anos.

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sábado, 27 de fevereiro de 2016 Análises, Críticas, Filmes | 18:33

Que produção, afinal, ganha o Oscar de melhor filme em 2016?

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Oscar

Foto: Montagem/reprodução

O fim do mistério está próximo. Neste domingo (28) será realizada a 88ª edição do Oscar, maior prêmio do cinema e tudo o que precisava ser dito a respeito da competição em 2016 já foi dito. São oito os concorrentes a melhor filme do ano e a disputa chega ao grand finale muito mais aberta do que costuma chegar nesta etapa.

A grande pergunta é qual filme, afinal, será consagrado o melhor na noite do dia 28. Estão na disputa “Brooklin”, “A Grande Aposta”, “Ponte dos Espiões”, “Mad Max: Estrada da Fúria”, “O Regresso”, “Perdido em Marte”, “O Quarto de Jack” e “Spotlight – Segredos Revelados”.

Não pairam dúvidas de que “O Regresso”, “A Grande Aposta” e “Spotlight – Segredos Revelados”, que dividiram a atenção dos sindicatos, protagonizam a disputa. É a primeira vez em mais de 20 anos que três filmes chegam ao dia do Oscar com chances muito parelhas de triunfo. A quarta força na disputa seria “Mad Max: Estrada da Fúria”.

Sucesso de crítica, o blockbuster tem a seu favor, ainda, a excelência técnica reconhecida por oito indicações. São dez no total. Esta é a melhor chance que a academia tem de premiar um representante do cinemão. O último com este perfil vitorioso foi “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” em 2004.

Mesmo assim, um cenário com o triunfo de “Mad Max” é dos mais remotos. “O Regresso”, que começou a criar hype com o triunfo no Globo de Ouro, chega com o suporte do sindicato dos diretores (DGA, na sigla em inglês), o mais eficaz em converter candidatos a melhor filme em vencedores. O fez com “Argo” e “Os Infiltrados” em anos que geravam tanta desconfiança e expectativa como em 2016.

Mas é preciso olhar com cuidado para esse pretenso favoritismo de “O Regresso”. O filme venceu o Bafta, mas a academia inglesa havia optado por “Boyhood” em 2015. Assim como o Globo de Ouro não premiara “Birdman” e cedera a “O Regresso” neste ano. O Oscar acertou onde, digamos, essas outras premiações foram omissas. O filme também não constou dos indicados a melhor elenco no prêmio do sindicato dos atores. É preciso ir a 1996 para encontrar o único vencedor do Oscar de melhor filme que não estivera na lista do SAG, “Coração Valente”.

Leia também: Como a vitória de Iñárritu no DGA afeta a corrida pelo Oscar? 

São estatísticas bastante consolidadas essas que “O Regresso” precisa superar. Mesmo assim, sua vitória é bem palpável. A força do hype em cima de Leonardo DiCaprio, bem como a admiração da academia por Iñárritu são elementos potencialmente sedutores.

É “Spotlight – Segredos Revelados” a maior ameaça ao filme que lidera a corrida ao Oscar com 12 indicações. Muito mais fácil de reunir consenso em torno de si, o filme conta com a provação do sindicato dos atores – vale lembrar que o maior colegiado da academia é composto por atores – e isso pode ser decisivo em um ano tão apertado.

“A Grande Aposta”, que prevaleceu no sindicato dos produtores, pode vencer. O tema sério e importante e a maneira descontraída como é abordado são valiosos atrativos do filme. Forte nas categorias de montagem e roteiro adaptado, onde é o virtual vencedor, pode ganhar os votos de eleitores afeitos à coerência na hora de elencar suas escolhas.

Leia mais: Polêmica em torno de racismo no Oscar pode segmentar ainda mais indústria do cinema 

“A Grande Aposta” é, também, o melhor filme no conjunto dos predicados que constituem o cinema na disputa. Com uma academia cada vez mais atenta à qualidade, isso pode preponderar.

De qualquer forma, “O Regresso” é um campeão de bilheteria com pompa de filme de arte, com um astro reforçando seu poder de apelo e um espetáculo para ser apreciado em tela grande. Uma combinação que sob qualquer ângulo combina com Oscar. Esta é uma narrativa hollywoodiana, afinal.

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016 Críticas, Filmes | 14:12

Versão com zumbis de “Orgulho e Preconceito” é elogio do empoderamento feminino

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A ideia de juntar zumbis e Jane Austen é tão boa que “Orgulho e Preconceito e Zumbis”, a despeito de alguns problemas na produção, viu a luz do dia. O filme de Burr Steers, ator que se aventurou na direção de séries televisivas e agora estreia na direção de cinema, no entanto, é mais uma sátira aos costumes aristocratas da Inglaterra da era vitoriana do que uma paródia gore da febre zumbi na cultura pop.

As irmãs Bennett aqui não são jovens indefesas à espera de um bom homem para casar. São guerreiras treinadas nas artes marciais chinesas, altamente independentes para a época e que não descartam um casamento por amor. “Minhas filhas não foram criadas para trocar as espadas pela cozinha”, diz em um dado momento o Sr. Bennett (Charles Dance) diante do assédio de sua esposa para que as meninas compareçam a um baile para que aumentem suas chances de serem desposadas.

Os zumbis estão ali mais como uma alegoria de uma Inglaterra decadente do que qualquer outra coisa. É da relação fraturada e cheia de resiliências entre Elizabeth Bennett (Lily James) e o Sr. Darcy (Sam Riley) que o filme se alimenta primordialmente, evitando perder de vista a referência à obra original de Jane Austen.

Leia também: Cinderela vira exterminadora de zumbis em nova versão de “Orgulho e Preconceito”

Nesse contexto, “Orgulho e Preconceito e Zumbis” se mostra uma divertida metáfora desse momento de erupção feminista que vive o mundo. Há diversas cenas, que dão viço ao humor negro que recheia o filme, que atestam esta condição.

Está, no entanto, na protagonista que recusa os ditames sociais da época e mata zumbis com uma habilidade incrível, a força dessa insuspeita brincadeira com zumbis que acaba achando um jeito divertido de falar sério.

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