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domingo, 27 de setembro de 2015 Notícias | 19:26

Cinema chinês contemporâneo ganha mostra em São Paulo

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A atriz Gong Li em cena de "Voltando para casa", de Zhang Yimou: um dos destaques do evento

A atriz Gong Li em cena de “Voltando para casa”, de Zhang Yimou: um dos destaques do evento

O cinema chinês pode ter perdido a alcunha de principal cinematografia da Ásia para a Coreia do Sul, mas continua como um dos principais polos de imaginação e vigor do cinema contemporâneo. Com a curadoria de Anamaria Boschi, chega a São Paulo, entre os dias 1º e 7 de outubro, a 1ª Mostra de Cinema Chinês; que ficará em cartaz no CineSesc e terá ingressos a R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia).

A programação destaca 12 filmes lançados entre 2009 e 2014. Há a presença de autores de prestígio internacional, como Zhang Yimou, mas o norte da mostra é iluminar produções comerciais chinesas que não têm vez no mercado brasileiro. Além da exibição dos filmes, a mostra conta com eventos paralelos sobre todas as gerações de diretores chineses e a crescente indústria do país. Esses eventos, que serão realizados nos dias 1º e 6 de outubro, são gratuitos e ocorrem na faixa das 19h30.

A programação completa da mostra, com a relação de filmes, sinopses e horários, pode ser conferida no site do CineSesc.

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Críticas, Filmes | 17:20

Olhar estrangeiro faz elogio afetuoso da cultura sambista em “O samba”

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Foto/divulgação

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Entusiasta da música brasileira, o franco-suíço Georges Gachot volta a investigar a música brasileira em “O Samba”, em estreia neste fim de semana em cinemas selecionados nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Assim como fizera em “Maria Bethânia: música é perfume”, Gachot se permite deslumbrar-se pelo universo que retrata.

Mais do que um exercício de investigação, “O samba” é uma contemplação. Com a curadoria de Martinho da Vila, reconhecidamente um dos maiores sambistas que o país tem a oferecer, Gachot adentra a comunidade de Vila Isabel, bairro da zona norte carioca que abriga a escola do coração de Martinho, para filmar um pouco dessa paixão incandescente.

Dos diferentes sons extraídos do pandeiro ao indefectível samba no pé e sorriso no rosto de crianças carentes, passando pela exaltação do talento de Martinho como letrista, “O Samba” perfila um punhado de emoções que, embora previsíveis, são referendadas pelo que tem de genuínas.

Em alguns momentos, porém, “O samba” não consegue se esquivar de um olhar exótico para esse traço da cultura brasileira. A principal fala de Ney Matogrosso, um dos poucos nomes de expressão a ter voz no filme fora Martinho – a outra é Leci Brandão – reforça uma convicção estrangeira sobre o papel do samba no país e para o brasileiro. Trata-se de um preconceito que Cachot usa um artista local para advogar em seu filme. É um dos momentos em que “O samba” é mais vulnerável enquanto discurso.

No mais, trata-se de um filme sem grandes aspirações outras que não oferecer uma leitura bastante interessada de um dos principais gêneros da música brasileira. “É cantar as coisas sem muito sofrimento”, observa Martinho em um dado momento. “O Samba” tem o mérito de ser um filme que busca essa sinergia tão cara a um bom samba.

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quinta-feira, 24 de setembro de 2015 Curiosidades, Filmes, Sem categoria | 19:24

Diretora de “Um senhor estagiário” usou o Pinterest como ferramenta para conceber visual do filme

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Uma das imagens promocionais do filme, que no original se chama "The intern", postadas no Twitter: trabalho intenso de divulgação nas redes sociais

Uma das imagens promocionais do filme, que no original se chama “The intern”, postadas no Twitter: trabalho intenso de divulgação nas redes sociais

Nancy Meyers é, sob muitos aspectos, a mulher mais bem sucedida no ofício de dirigir filmes. Ok, ela não foi a primeira mulher a vencer o Oscar, foi Kathryn Bigelow por “Guerra ao terror” (2009). Mas Meyers goza de uma liberdade única para fazer os filmes que bem entende no sistema de estúdios, um fenômeno ainda raro em uma Hollywood predominantemente machista. Meyers, que debutou na direção após uma bem-sucedida carreira como roteirista e produtora, com “Operação cupido” (1998), rapidamente se configurou em uma cineasta do feminino assinando produções como “Do que as mulheres gostam” (2000), “Alguém tem que ceder” (2003), “O amor não tira férias” (2006) e “Simplesmente complicado” (2009).

“Um senhor estagiário” (2015), embora pareça se concentrar na figura do septuagenário personagem de Robert De Niro, que volta ao mercado de trabalho como estagiário de uma empresa de moda, na verdade, é sobre a personagem de Anne Hathaway que precisa administrar o sucesso de seu blog que deu vazão a uma bem sucedida empresa.  O filme estreia nos cinemas brasileiros neste fim de semana.

Para a concepção visual do filme, Meyers criou boards no Pinterest, rede social de compartilhamento de imagens. A diretora salpicou em seu perfil diversas referências para os figurinos dos personagens e os cenários do filme. É uma experiência interessante para o expectador observar esse processo de criação que costuma passar ao largo da análise pós-fílmica.

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domingo, 20 de setembro de 2015 Filmes, Notícias | 20:19

Festival de Toronto realinha corrida pelo Oscar e destaca filme nordestino “Boi Neon”

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Foto: divulgação

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O drama “Room”, sobre uma mãe que cria seu filho em um cativeiro, venceu o principal prêmio do Festival Internacional de Cinema de Toronto, encerrado neste domingo. O prêmio da audiência consagrou o filme independente estrelado por Brie Larson (“Anjos da lei”) e dirigido por Lenny Abrahamson. O segundo lugar ficou com “Spotlight”, que tem Michael Keaton e Mark Ruffalo à frente de grande elenco em drama jornalístico sobre o acobertamento de escândalos sexuais pela igreja católica em Boston (EUA).

O prêmio da audiência em Toronto costuma gerar muito buzz para o filme agraciado na temporada de premiações que terá sua largada oficial dentro de pouco mais de dois meses. Nos últimos anos, filmes como “O jogo da imitação”, “O lado bom da vida”, “12 anos de escravidão” e “O discurso do rei” triunfaram em Toronto e garantiram nomeações ao Oscar, entre outras categorias, de melhor filme. A se ponderar para a temporada 2015/2016, no entanto,  o fato de que nenhum dos filmes que triunfaram em Toronto era tão indie. De qualquer modo, parece seguro apontar Larson e seu companheiro de cena, o ator mirim Jacob Tremblay – de apenas 8 anos, como nomes respeitáveis na corrida pelo Oscar.  Pelo Twitter,  Brie Larson  vibrou com a notícia da vitória do filme em Toronto. “Pulando de alegria e me debulhando em lágrimas na minha cozinha. Obrigado Toronto, obrigado time Room”. Confira o trailer de “Room” mais abaixo.

O consenso geral em Toronto, mais do que a ascensão de grandes filmes, foi a percepção de que este é um ano muito bom para atuações. Várias despontaram com força no festival. Entre os homens, Johnny Depp (“Aliança do crime”), Eddie Redmayne (“A garota dinamarquesa”) e Tom Hiddleston (“I saw the light”) parecem os que mais se beneficiaram. Entre as mulheres, Cate Blanchett vem com força dupla com “Truth”, outro drama com fundo jornalístico, e o já notório “Carol”, sobre uma avassaladora paixão homossexual.  Emily Blunt (“Sicario”) e Charlotte Rampling (“45 years”), Sandra Bullock (“Our brand is crisis”) também geraram forte buzz.

Na mostra plataforma, uma novidade da edição de 2015, o premiado foi o documentário canadense “Hurt”, mas o brasileiro “Boi neon”, que já havia causado sensação em Veneza , tendo inclusive sendo premiado, recebeu menção honrosa do júri composto pelos cineastas Claire Denis, Jia Zhang-Ke e Agnieszka Holland.

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sábado, 19 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 19:38

Quem canta os males espanta no delicado “Ricki and the flash”

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Filmes sobre conflitos familiares pipocam em Hollywood, mas “Ricki and The flash – de volta pra casa” (EUA 2015) tem um molho especial. Além de ser regado à melhor música dos anos 70 e 80, a produção reúne Meryl Streep, o diretor Jonathan Demme e a roteirista Diablo Cody. Como bônus, promove o reencontro da atriz com Kevin Kline, seu parceiro no atemporal e inesquecível “A escolha de Sofia” (1982) e o encontro da atriz com sua filha Mamie Gummer nas telas.

Meryl Streep vive a Ricki do título, que na verdade se chama Linda, uma mulher que abandonou marido e filhos para perseguir o sonho de ser uma rock star. Não deu certo. Quando o filme começa, com uma apresentação da banda Ricki and the flash, porém, a energia daquela sexagenária no palco nos faz crer outra coisa e passa por aí parte do êxito de “Ricki and the flash” enquanto experiência cinematográfica. De uma delicadeza tangível, o filme de Demme transborda energia e sensibilidade. Onde as palavras parecem não dar conta, uma cena de música surge para preencher todo o sentido possível.

Foto: divulgação

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Ricki tem sua rotina – que ela tenta colorir com um ‘peguete’ da banda e um bartender gay que a idolatra como sua Madonna particular – interrompida com a ligação do ex-marido (Kline) a convocando para ajudar na recuperação de sua filha (Gummer), atravessando uma crise depressiva após ser abandonada pelo marido. Naturalmente esse reencontro, não só de Ricki com sua filha – e seus outros filhos, mas com seu passado e com sua vida pregressa irá promover choques e atritos. Ainda que o roteiro de Cody perpasse por esses choques com alguma pressa, não dá para dizer que o filme suprima a tensão dramática para facilitar a redenção familiar. A música, afinal, está ali para purgar todo esse carma.

Demme é um narrador fugaz e conta com uma atriz poderosa em cena. Streep já não entregava uma atuação tão condoída, tão envolvente desde “Álbum de família” (2013). Não era tão cativante desde “Simplesmente complicado” (2009).

O elenco de apoio não decepciona. Rick Springfield, um roqueiro decadente que abraçou atuar como um roqueiro decadente no cinema agrega ainda mais singeleza a “Ricki and the flash” como o inesperado ponto de equilíbrio de Ricki. Com pouco tempo em cena, Kevin Kline fundamenta bem seu personagem, um tipo que parece ter enrijecido ainda mais após Ricki ter partido de sua vida.

Ademais, como não poderia deixar de ser em um texto assinado por Diablo Cody, o filme resvala no feminismo, mas com doçura e generosidade. É uma cena bonita e que antecipa o momento mais apoteótico e emocional da fita ao som de “Drift away”, de Dobie Gray.

Com personagens iluminados e uma atmosfera inebriante, “Ricki and the Flash” se revela um dos filmes mais agradáveis e saborosos do ano. Não é pouca coisa.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2015 Curiosidades, Notícias | 07:00

Mostra em São Paulo destaca a importância da montagem para o cinema

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Evento tem debates abertos ao público (Foto: divulgação)

Evento tem debates abertos ao público
(Foto: divulgação)

O grande cineasta russo Sergei Eisenstein (1898-1948) estabeleceu-se como o primeiro e mais influente teórico da montagem no cinema. Com seus primeiros filmes, “A greve” (1924), “O encouraçado Potemkin” (1925) e “Outubro” (1927) formou as bases para a sua teoria, composta por cinco tipos: métrica, rítmica, tonal, atonal e intelectual.  Eisenstein e esses preceitos são destaques da mostra Cinema de montagem, que está em cartaz em São Paulo até o dia 23/09 e depois segue para temporada no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 18/10.

“Nos filmes agendados para exibição é possível deparar-se com vários estilos de abordagem do material bruto (importância histórica ou origem) e de montagem, com uma seleção concentrada nos objetos em si, na relevância que supomos terem em termos de contribuição artística e técnica”, observa a curadoria na apresentação exposta no site do evento.

Eisenstein é representado com “Outubro”, mas há outros filmes de irrepreensível importância histórica para o cinema e para a evolução do ofício da montagem como “O signo do caos”, de Rogério Sganzerla e editado pelo próprio em parceria com Sylvio Renoldi; “Encurralado”, de Steven Spielberg e editado por Frank Morris; e “Limite”, montado e dirigido por Mário Peixoto.

Neste fim de semana o evento disponibilizará aulas gratuitas com os montadores Paulo Sacramento (“Amarelo manga”) e Idê Lacreta (“Riocorrente”). Não é necessário se inscrever previamente para participar das aulas.

Em São Paulo, a mostra está em exibição no Cine Caixa Belas Artes, todos os dias, das 13h30 às 23h30. O preço do ingresso custa R$ 14, estudantes pagam meia (R$ 7).  Quando chegar ao Rio, a mostra será sediada nos cinemas 1 e 2 da Caixa Cultural Rio de Janeiro e o preço do ingresso barateia: R$ 4.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 18:52

Filme de ator, “Nocaute” combina emoção e testosterona para cativar

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Foto: divulgação

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Filmes sobre esportes em geral, e boxe em particular, obedecem a certa estrutura narrativa que afasta alguns espectadores enquanto cativa outros. “Nocaute” (EUA, 2015) abraça este lugar-comum com todas suas forças e Jake Gyllenhaal.  É isso mesmo. “Nocaute” é um filme de ator. Antoine Fuqua dirige de maneira a ceder todo espaço do mundo para seu ator brilhar e Gyllenhaal não faz por menos. No filme, ele vive Billy Hope, um órfão que ascendeu do “sistema” para o topo da categoria dos meio-pesados no boxe. O roteiro de Kurt Sutter faz um bom desenho do personagem. Como todo menino pobre e abandonado, Hope tem problemas de raiva e controle (em qualquer esfera de sua vida) e é sua esposa Maureen (Rachel McAdams) quem lhe provê equilíbrio e norte. O mais interessante é que essa fissura pisológica se reflete no jeito de Hope lutar. Ele só consegue bater apanhando e só vence suas lutas depois de ser duramente golpeado pelos adversários. Ainda assim, mantém um cartel invicto.

Tudo muda de figura quando Maureen é vítima de uma tragédia adornada por esse emocional convulsionado de Hope, morre, e o lutador cai em desgraça.

Os três atos do filme são muito bem estabelecidos por Fuqua. Quando conhecemos Hope ele está no auge, pai de uma menina amorosa, marido de uma mulher atenciosa e devotada, milionário e admirado por multidões. Mas a “bolha Hope”, como Maureen se refere a este momento, estoura e e o segundo ato exibe toda a implosão do personagem e aí Gyllenhaal recebe carta branca de Fuqua para comandar o show. Depois de ter a guarda de sua filha retirada, de tentar se matar reiteradamente e atingir o fundo do poço, não resta nada para Hope além de começar a escalada para cima novamente. Surge então Forest Whitaker como o treinador do único cara que Hope sente que o venceu. Hope o procura para treiná-lo. Whitaker faz um tipo sábio que parece mais preocupado em treinar a mente do que o corpo do novo pupilo. Chega o terceiro ato e a esperada redenção. E embora saibamos exatamente o desenrolar que vai se suceder, é impossível resistir à emoção.

Um dos méritos de “Nocaute” é trabalhar os clichês de forma muito natural, sem deixar-se conduzir por eles. Nesse sentido, Gyllenhaal é vital. É o ator, com suas variações entre a contenção e a explosão, em uma atuação tão física como intuitiva, quem garante que os conflitos de seu personagem prevaleçam à obviedade da narrativa.

Por isso “Nocaute” é um filme melhor do que talvez fosse se protagonizado pelo rapper Eminem, como estava inicialmente previsto.

Se Fuqua não filma as lutas de boxe com a inventividade que David O. Russell consagrou em “O vencedor” (2010), agrega à testosterona muito coração.  No fim das contas, é assim que se ganha lutas no cinema.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 19:36

Politicamente incorreto, “Férias frustradas” é rara refilmagem que faz par ao original

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Um dos clássicos da comédia oitentista, “Férias frustradas”, é o novo alvo da onda de remakes e reboots que assola a Hollywood atual. Mas a fita dos diretores debutantes John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein (roteiristas de produções como “Quero matar meu chefe” e “O incrível mágico Burt Wonderstone”) não é uma refilmagem convencional. O filme é um misto de sequência e adaptação do filme protagonizado pelo impagável Chevy Chase. Aqui Ed Helms é Rusty Griswold que na esperança de reanimar o convívio familiar decide fazer a viagem ao Wally World, a mesma pretendida por seu pai no filme original.

Como é possível antecipar, tudo sai errado para Rusty e sua família composta pela esposa Debbie (a sempre ótima Christina Applegate) e pelos filhos James (Skyler Gisondo, hilário) e Kevin (Steele Stebins).

Skyler Gisondo, um inesperado roubador de cenas, ao lado de Ed Helms (Foto: divulgação)

Skyler Gisondo, um inesperado roubador de cenas, ao lado de Ed Helms
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Além da acertada escalação do elenco, o filme têm como bônus participações especiais inspiradas como as de Charlie Day, como um guia turístico bipolar, do próprio Chevy Chase, Regina Hall, Norman Reedus (o Daryl de “The walking dead), Ron Livingston, Leslie Mann e especialmente Chris Hemsworth, o Thor em pessoa, como um republicano altamente sexualizado casado com a irmã de Rusty.

A grande sacada da realização, no entanto, foi deixar o politicamente correto de fora, o que reforça o potencial cômico do filme e lhe acresce certo frescor em uma seara em que a comédia americana parece tão pudica. O que funciona melhor, e até certo ponto surpreende, é a dinâmica de bullying entre os filhos de Rusty. São as cenas de rivalidade entre os dois irmãos, bem originais e incorretas, que proporcionam as melhores gargalhadas que a comédia americana ofertou em 2015 nos cinemas. Sem se levar a sério, mas reverente à fórmula de filme familiar, “Férias frustradas” (EUA, 2015) consegue corresponder ao legado do filme original e adentrar à galeria das boas (e bem-vindas) refilmagens.

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terça-feira, 15 de setembro de 2015 Notícias | 22:31

“Hardcore” promete romper fronteiras entre cinema e games

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Gameplay ou cinema? Essa é a pergunta que muita gente no festival de Toronto andou fazendo após as primeiras sessões de “Hardcore”, do russo Ilya Naishuller, que estreia na direção de longa-metragens após uma bem sucedida carreira no comando de videoclipes. O filme, inteiramente filmado com câmeras GoPro,propõe a audiência algo que gamemaníacos estão acostumados: uma experiência em primeira pessoa.  A câmera tremida e em constante movimento evoca games como “Doom”, “Call of duty” e “Max Payne”. A trama mostra o super ciborgue Henry destruindo tudo o que aparece em sua frente para derrotar Akan, um supervilão albino com poderes telecinéticos e um plano de dominação mundial. O trailer abaixo mostra que Naishuller não economiza nem em violência nem em trepidações para contar sua história.

A crítica recebeu o filme com hesitação. Para grande parte dos veículos que resenharam “Hardcore”, não se trata exatamente de um filme, mas de um gameplay (guia descritivo de como um jogo pode e deve ser jogado, muito comum no YouTube). Curiosamente, foi o diretor russo Timur Bekmambetov (“O procurado” e “Abraham Lincoln: o caçador de vampiros”) quem comprou a ideia de fazer um filme a partir da sacada de Naishuller de usar a experiência em primeira pessoa em um clipe da banda Biting Elbows. Bekmambetov produz “Hardcore”.

Ainda não há previsão de estreia para o filme nos cinemas brasileiros.

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Críticas, Filmes | 19:04

Gaspar Noé tenta capturar complexidade do amor por meio do sexo em “Love”

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Love - 2

Gaspar Noé é um polemista insaciável. Mas talentoso. Para o bem e para o mal, “Love” (França, 2015) é um reflexo de seu autor. O filme que está sendo vendido como “o mais polêmico do ano”, afasta qualquer polêmica se tirarmos a nudez e o sexo explícito da equação.

A proposta de Noé é fazer um filme sobre o amor a partir da perspectiva sexual. Mostrar o sexo, portanto, passa a ser uma necessidade narrativa. Necessidade muito bem justificada pelo cineasta conforme suas ideias ganham corpo no transcorrer da obra.

Murphy (Karl Glusman) está insatisfeito com sua vida. Entre seus grandes arrependimentos está como deixou as coisas com Electra (Aomi Muyock). Murphy vive com Omi (Klara Kristin), a quem conheceu e engravidou enquanto ainda estava com Electra. Na manhã de ano novo, época em que estamos todos propensos a reavaliações de nossas vidas, Murphy recebe um telefonema da mãe de Electra, preocupada com a filha a quem não consegue contatar há dois meses. A ligação mexe com Murphy que mergulha em certa catatonia e põe-se a rememorar a relação com Electra.

“Love” então estabelece uma narrativa não linear, totalmente influenciada pela perspectiva masculina, heteronormativa e fatalista de Murphy. Noé incumbe-se de desalinhar uma história de amor repleta de clichês como em todo filme hollywoodiano, mas esses clichês são abordados com um realismo desencantado em que o sexo surge como expressão dos sentimentos dos personagens. Trata-se de um uso do sexo como ferramenta narrativa inédito no cinema.  A explicitude dos atos sexuais, muito bem filmadas por Noé, não é propositalmente erotizada. Aliás, em momento algum Noé busca o erotismo gráfico, aquele pretendido por closes de genitais e captura de gemidos histéricos em filmes pornográficos. Os corpos aqui são filmados em sua beleza trivial e trivialmente apresentados à audiência.

O que não impede que o sexo seja filmado e ambientado de maneiras diferentes ao longo da produção, reforçando a expressividade narrativa pretendida pela realização. Quando Electra e Murphy levam a vizinha menor de idade Omi para a cama. É quando Noé se permite mais erotizar uma cena de sexo. É, também, a cena mais demorada de sexo do filme. Da música à câmera ciosa dos corpos que se contorcem em tesão incontido, Noé registra aquele momento de comunhão de um casal em plena realização de uma fantasia em comum. É a partir deste momento que a memória de Murphy passa a projetar mais linearmente a desestruturação de sua relação com Electra.

Há cenas exageradamente planejadas em "Love", mas impulsos toleráveis de um realizador habituado a causar certo desconforto (Fotos: divulgação)

Há cenas exageradamente planejadas em “Love”, mas são impulsos toleráveis de um realizador habituado a causar certo desconforto
(Fotos: divulgação)

Apesar da retidão temática, Noé cede a seus impulsos de vaidade. Se autoreferencia no filme em dois personagens e “explica” a razão de ser de “Love” em diálogos soltos. Em um dado momento, Murphy, que estuda cinema, diz que fará um filme regado a “sangue, esperma e lágrimas” porque “esta é a essência da vida”. Em outro momento, o mesmo Murphy, assumindo-se como alter ego do cineasta, diz que deseja fazer um filme sobre a sexualidade sentimental.

Fruto de vaidade ou insegurança, “Love” não carecia dessas elaborações interdiegéticas para se validar. A experiência estética proposta por Noé transmuta completamente o sentido do filme. Não mostrasse o sexo entre os personagens, “Love” não adentraria a derme da audiência com sua inquietação, com seu fatalismo. Talvez fosse possível psicologizar Murphy, mais reprimido sexualmente do que Electra e menos ponderado também, mas não se atingiria a verve do que “Love” pretende ser. Um olhar dolorosamente romantizado sobre como é amar. Atentando à complexidade do sentimento em todas as suas sabotagens, fases, desejos, convenções, ilações e experimentações.

Polêmico por ofertar sexo explícito e, decepcionante para alguns por não apresentar nada de novo, “Love” é um triunfo da estética a serviço de um norte narrativo. Noé fez sua versão de “Romeu e Julieta” com muito mais sapiência do que a nudez constante em seu filme permite aos apressados enxergar. É um filme que vai crescer com o tempo e, como grandes amores, adquirir novo significado.

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