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sábado, 7 de janeiro de 2017 Bastidores, Filmes | 09:00

Curta de brasileiro é uma das apostas para o Oscar 2017

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Cena do curta "Trabalho Interno"

Cena do curta “Trabalho Interno”

Se você já assistiu “Moana: Uma Mar de Aventuras”, viu o curta “Trabalho Interno” que é apresentado antes do novo longa da Disney. O tradicional curta, chamado “Trabalho Interno”, é produzido e dirigido pelo brasileiro Léo Matsuda – que já havia trabalhado em outras produções do estúdio como “Detona Ralph” e “Operação Big Hero”. O filme é uma das apostas da crítica americana para figurar entre os candidatos ao Oscar de melhor curta de animação. Uma categoria em que a Disney é costumeiramente bastante forte. O brasileiro Carlos Saldanha, diretor de “A Era do Gelo”, já foi indicado nesta categoria, ainda que por uma produção da Blue Sky.

“Trabalho Interno” conta a história de Paul, um homem que vive em uma cidade muito parecida com a Califórnia dos anos 80. Ele é literalmente uma pessoa quadrada e não faz nada fora do cotidiano programado. O mais divertido na historia é que Paul, na verdade, não é o personagem principal, mas sim os seus órgãos internos, como o cérebro, coração, pulmão e o intestino. Usando uma mistura de animação digital e tradicional, Matsuda mostra com muito humor o conflito entre o coração do protagonista, que quer se aventurar e tomar riscos, e o cérebro, que desencoraja tal tipo de coisa.

Léo Matsuda é paulista de São José dos Campos e pode ser o responsável por levar o Brasil pelo segundo ano consecutivo ao Oscar. Vale lembrar que no ano passado a animação “O Menino e o Mundo” foi indicada a melhor longa-metragem de animação.

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017 Filmes, Notícias | 21:59

Sequência de “O Chamado” muda de nome no Brasil e ganha dois vídeos inéditos

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Samara volta a aterrorizar em O Chamado 3

Samara volta a aterrorizar em O Chamado 3

Com estreia prevista para o dia 2 de fevereiro, “Chamados” muda o título para “O Chamado 3” e ganha dois trailers inéditos. Nas novas cenas que acabam de ser divulgadas pela Paramount Pictures, podemos ver o retorno de Samara após 12 anos do lançamento do último filme da franquia – “O Chamado 2” (2005).

Na trama, a jovem Julia (Matilda Lutz) fica intrigada quando seu namorado, Holt (Ales Roe), começa a explorar uma história envolvendo uma amaldiçoada fita de vídeo, que faz a pessoa que a assiste morrer em sete dias. Ela se sacrifica para salvar a vida dele e acaba fazendo uma descoberta terrível: há um “filme dentro do filme” que ninguém jamais viu antes.

A produção é dirigida por por F. Javier Gutiérrez de “A Casa dos Mortos”.

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sábado, 31 de dezembro de 2016 Críticas, Filmes | 07:30

“Sing Street: Música e Sonho” propõe olhar doce sobre dificuldades do amadurecimento

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Filme que concorre ao Globo de Ouro de melhor comédia ou musical já está disponível na Netflix

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Há cineastas especializados em fazer pequenos grandes filmes. O irlandês John Carney, que se aventurou por Hollywood com “Mesmo se Nada Der Certo”, é um desses cineastas. “Sing Street: Música e Sonho”, que surpreendeu muita gente ao aparecer entre os cinco indicados à categoria de melhor filme em comédia ou musical no Globo de Ouro 2017, é mais uma prova indiscutível de sua capacidade para contar histórias profundamente simples, mas de ressonância humana superlativa.

Leia mais: As dez melhores atuações masculinas do cinema em 2016

“Sing Street” atesta, ainda, o talento singular do irlandês para fundir música e cinema de maneira incrivelmente sedutora e narrativamente eficiente.

Estamos na Dublin dos anos 80, Conor (Ferdia Walsh-Peelo, radiante em sua estreia no cinema) precisa se ajustar a nova realidade econômica da família. A mudança para uma escola católica é apenas um de seus problemas. A iminente separação dos pais e o bullying que sofre na nova escola são outros. Ele se refugia no irmão mais velho, Bredan (Jack Reynor), para conselhos sobre música e garotas.

Leia mais: As dez melhores atuações femininas do cinema em 2016

SING STREETInstantaneamente apaixonado por uma garota mais velha que ocasionalmente fuma no portão de sua escola, Conor a convida para estrelar o clipe de sua banda. Detalhe: não existe banda nenhuma. Ele então se arranja com um grupo de losers para formar a Sing Street. Aos poucos a banda vai ganhando forma e coração e Conor se envolvendo mais com Raphina (Lucy Boynton), que também tem seus sonhos para cultivar.

Personagens iluminados vêm muito fácil à pena de Carney, mas aqui o diretor-roteirista conta com os préstimos de Lucy Boynton que dá a sua Raphina a qualidade de musa inspiradora imaginada por Carney e que nós enquanto público podemos perceber tão vividamente quanto Conor. Brendan, que ostenta perolas como “mulher nenhuma é capaz de amar de verdade um homem que ouve Phill Collins”, é um achado como um jovem que renunciou seus sonhos e experimenta certa amargura, mas se recompõe sempre que o irmão caçula precisa de orientação.

Leia mais: Com clímax poderoso, “A Chegada” é elogio das imperfeições da existência 

Como em todo filme do irlandês, a música ocupa um espaço todo especial. É especialmente agradável ver o processo criativo de Conor e seus amigos e as influências salpicadas de A-Ha a The Cure conforme o estado de espírito do protagonista se metamorfoseia.

As letras das músicas criadas especialmente para o filme, como The Riddle of the Model, Drive it Like You Stole It, Girls e Go Now tornam o sentido, mas também o sentimento de “Sing Street” muito mais amplo e ressonante. Um filme fofo, sim, mas também sintomático de nossa necessidade de sonhar.

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016 Análises, Filmes | 07:30

Os 20 melhores filmes de 2016

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Quatro filmes brasileiros estão entre os 20 melhores filmes lançados nos cinemas do País em 2016 na avaliação da coluna

Verhoeven orienta Huppert no set de "Elle", o melhor filme de 2016

Verhoeven orienta Huppert no set de “Elle”, o melhor filme de 2016

São sete filmes datados de 2015 na lista elaborada pelo Cineclube de melhores produções lançadas nos cinemas brasileiros em 2016. Outra particularidade que pode se notar entre os 20 destacados como os melhores filmes de 2016, é a forte presença de cineastas não americanos na lista. São 12 no total. Alguns deles até dirigem filmes americanos, como Denis Villeneuve e Lenny Abrahamson, mas isso demonstra duas coisas: que a globalização chegou a Hollywood e que o cinema fora dos EUA teve um belíssimo ano. São três produções europeias no Top 5. Um feito que não é todo ano que ostenta.

Muita coisa boa ficou de fora da lista dos melhores filmes de 2016. Produções tão diversas como o refinado “Carol”, o multifacetado “O Silêncio do Céu”, o divertido “Capitão América: Guerra Civil”, o delicado “A Garota Dinamarquesa”, o alegórico “Zootopia”, ou mesmo o oscarizado “Spotlight: Segredos Revelados”. Mas a lista aqui apresentada, além de personalidade, mimetiza o que de melhor o ano apresentou em nossos cinemas.

20 – “Indignação” (EUA 2016), de James Schamus

Baseado em Philip Roth, o filme de Schamus é um valoroso estudo sobre a relação do homem e o meio, com a rígida sociedade dos anos 50 como fôrma. Logan Lerman, que já havia demonstrado incrível talento dramático em “As Vantagens de ser Invisível”, reitera-se como ator a ser respeitado. Um filme inteligente e inflexivo do diálogo entre razão e emoção.

Fotos: Montagem sobre reprodução

Fotos: Montagem sobre reprodução

19 – “Rogue One – Uma História Star Wars” (EUA 2016), de Gareth Edwards

O melhor filme de guerra do ano se passa em uma galáxia muito distante e antes de “Uma Nova Esperança” (1977). Misto de prequel e filme derivado, “Rogue One” é um filme com alma, visualmente exuberante e com personagens cativantes. É um legítimo Star Wars, mas é também algo essencialmente novo. Gareth Edwards reagiu maravilhosamente bem à pressão de lidar com um dos maiores cânones da cultura pop e entregou um filme de encher qualquer fã de orgulho.

18 – “Creed: Nascido para Lutar” (EUA 2015), de Ryan Coogler

O retorno de Rocky Balboa ao cinema não poderia ser mais apoteótico e o personagem de Sylvester Stallone nem sequer sobe ao ringue. Ou quase isso. A reimaginação da franquia proposta por Ryan Coogler (“Fruitvale Station”) coloca o filho de Apollo Creed, Adonis (Michael B. Jordan) como protagonista em um filme reverente na medida certa e, pelos próprios méritos, nada menos do que antológico.

17 – “Capitão Fantástico” (EUA 2016), de Matt Ross

Opositor ferrenho dos ideais capitalistas, o personagem que Viggo Mortensen defende com devoção e afeto em “Capitão Fantástico” submete seus filhos a uma educação inusitada: aulas rigorosas de defesa pessoal se alternam com noções avançadas de física quântica e filosofia. A família mora no meio do mato e mantém no mínimo toda e qualquer interação social. O filme de Ross problematiza isso tudo com muita delicadeza e sensibilidade. Evita as respostas fáceis, mas faz todas as perguntas difíceis.

16 – “Ave, César” (EUA 2016), de Joel e Ethan Coen

Pense em uma comédia sobre a era de ouro de Hollywood com momentos de pura sofisticação narrativa com outros de mero pastelão? Adicione a assinatura dos irmãos Coen e você tem “Ave,César”, um dos indispensáveis filmes de 2016 que muita pouca gente falou a respeito. Com um elenco fantástico e uma boa cota de piadas internas, “Ave, César” é um deleite para amante de cinema nenhum botar defeito.

Melhores (2)

15 – “O Quarto de Jack” (EUA 2015), de Lenny Abrahamson

Honesto, esse drama que se reconfigura completamente em sua metade é um exercício cinematográfico dos mais potentes. Da direção ao elenco afinado, “O Quarto de Jack” é uma realização brilhante. Impossível não se cativar por um filme que mergulha fundo nos conflitos de seus personagens, mas os trata com carinho e generosidade.

14 – “O Novíssimo Testamento” ( Bélgica 2015), de Jaco Van Dormael

Sabe aquela história de Deus ser um sujeito egoísta e malcriado? O cineasta Jaco Van Dormael adicionou a essa fábula uma filha. De birra, ela envia do computador divino a data da morte de todo mundo. Com a consciência da finitude, a humanidade muda a forma de agir e interagir. Deus precisa reagir a essa situação inusitada. Trata-se de um filme imaginativo que fala de amor, mas do tal amor ao próximo. De uma forma subversiva, mas carinhosa, é dos filmes mais cristãos em muito tempo.

13 – “Fome” (Brasil 2016), de Cristiano Burlan

Depois que se viu a morte é possível morrer de amor por alguém? Trata-se de uma pergunta capciosa que o magnífico filme de Burlan promove. Não se trata da única porém. O filósofo da atuação Jean-Claude Bernadet vive um homem que abandonou tudo para viver na rua. Escravo de suas memórias ou refém de uma liberdade absoluta? O filme expande essa problematização para a cidade, para seus aspectos visíveis e invisíveis. Burlan fustiga nossa relação com a cidade a partir do olhar de um morador de rua, mas também sobre um morador de rua. Cinema de verve, cinema que merece figurar na lista de melhores do ano de quem quer que aprecie o bom cinema.

12 – “Sing Street: Música e Sonho” (Inglaterra/Irlanda 2016), de John Carney

Um menino cria uma banda para impressionar uma menina um pouco mais velha e acaba se descobrindo um genuíno rock star, no talento e na atitude, na Dublin dos anos 80. O novo filme de John Carney (“Mesmo se Nada Der Certo”) é um elogio tão enfático e espirituoso da música quanto seus anteriores. Com elenco praticamente desconhecido como em “Once”, o cineasta extraí graça e beleza de um roteiro apaixonante e novamente faz da música a grande cúmplice de seu filme.

11 – “Quanto Tempo o Tempo Tem” (Brasil 2015), de Adriana L. Dutra

Falar que esse primor de realização é sobre o tempo não está exatamente errado, mas passa longe de precisar a natureza do filme de Dutra, que aborda nossa relação com o tempo e a evolução do próprio conceito ao longo da jornada da humanidade. As entrevistas oferecem um painel rico e multifacetado sobre um tema que não foge ao interesse de ninguém. Um filme que pode ser debatido tanto no bar como em sala de aula sem ser esgotado e com uma das propostas mais altivas e reverberantes de 2016.

Melhores (3)

10 – “Aquarius” (Brasil 2016), de Kleber Mendonça Filho

Foi um ano e tanto para o cinema brasileiro e o filme de Kleber Mendonça Filho pairou sobre ele uniforme e absoluto. Estrelado por uma poderosa Sonia Braga, “Aquarius” é um filme poético em seus arranjos, que valoriza a memória como meio de preservação, mas também como instrumento de resistência. Um filme político, sim, mas que foi injustamente politizado. Uma obra atemporal que revela um autor mais senhor de sua arte e reverberante em seu espaço-tempo.

9 – “A Grande Aposta” (EUA 2015), de Adam McKay

Desde que estourou a crise financeira em 2008, Hollywood passou a ter tesão por filmes que colocavam o mercado financeiro no buraco da agulha. Mas “A Grande Aposta” é uma besta de outra natureza. Dirigido pelo cara de “Quase Irmãos”, esse filme destrincha o funcionamento de Wall Street de maneira didática e divertida, sem deixar de fazer uma análise tenaz do que está errado nessa cultura do lucro a qualquer custo. Um filme inteligente e com arestas bem aparadas que não faz pose de importante, mas é, sim, bem importante.

8 –  “Memórias Secretas” (Alemanha/Canadá 2015), de Atom Egoyan

Fazia tempo que Atom Egoyan não entregava um filme realmente bom. Ele apoiava-se costumeiramente na condescendência dos admiradores de seus primeiros trabalhos. “Memórias Secretas”, um thriller que coloca um octogenário com Alzheimer como vingador de um carrasco nazista, é uma redenção acima de qualquer suspeita. Além da trama inusitada muitíssimo bem urdida, o filme apresenta um dos finais mais surpreendentes desde… “O Sexto Sentido”! Não só não é pouca coisa, como é bem representativo nesses tempos de spoilers a rodo.

7 – “Tangerine” (EUA 2015), de Sean Baker

Um filme rodado inteiramente com um iPhone não é exatamente uma novidade, mas neste maravilhoso filme de Baker a ferramenta se justifica narrativamente e até mesmo adensa o registro dramático. Aqui acompanhamos a transexual e prostituta Sin-Dee, que após sair da prisão descobre que seu namorado e cafetão a está traindo com uma mulher. Acompanhamos a jornada de Sin-Dee pelas ruas de Los Angeles para encontrar seu namorado e tirar essa história a limpo. Trata-se de um filme de cores vivas e vibrantes, personagens em carne viva e uma história insuspeitamente repleta de afeto.

6 –  “Boi Neon” (Brasil 2016), de Gabriel Mascaro

O empoderamento feminino e a questão do gênero recebem atenção no belíssimo filme de Gabriel Mascaro que revela um Nordeste brasileiro totalmente avesso ao clichê. Juliano Cazarré se reafirma como ator de grande reverberação dramática ao viver um vaqueiro que sonha em ser estilista e revela uma vaidade que julgamos deslocada. Um filme de muitas camadas e subtextos que prova, mais uma vez, a exuberância técnica e temática de nosso cinema.

Melhores (4)

5 – “A Chegada” (EUA 2016), de Denis Villeneuve

Christopher Nolan tentou evocar Kubrick com “Interestelar” (2014), mas só arranhou a superfície. O canadense Villeneuve veio em 2016, com muito mais simplicidade e abnegação e entregou um filme que não só faria Kubrick orgulhoso, mas que traduz a era que vivemos com louvor. Um filme sobre a falta de diálogo reinante em nosso tempo adornado pelos códigos do filme de gênero, no caso uma ficção científica robusta e reminiscente. De quebra, Amy Adams dá outro show de interpretação.

4 – “Julieta” (Espanha 2016), de Pedro Almodovar

O retorno do cineasta espanhol ao melodrama não poderia ser mais feliz. Homenagem às mulheres, “Julieta” é, ainda, uma crônica solene sobre a maternidade e um ensaio almodovariano sobre o luto. Um filme cheio de reminiscências e de uma sensibilidade profunda. Um Almodóvar em forma.

3- “Animais Noturnos” (EUA 2016), de Tom Ford

Tom Ford tinha um senhor desafio em sua próxima empreitada como cineasta. Afinal, seu primeiro filme fora nada mais nada menos do que o espetacular “Direito de Amar” (2009). “Animais Noturnos”, um projeto mais ousado na forma e nos arranjos, reafirma o talento do estilista para o cinema. Com dois filmes estética e narrativamente envolventes, fica difícil questionar seu talento como homem de cinema. “Animais Noturnos” é superlativo.

2- “Demônio de Neon” (Dinamarca/França 2016), de Nicolas Winding Refn

É impossível permanecer impassível ao cinema do dinamarquês Nicolas Winding Refn.  “Demônio de Neon” beira a extravagância. Necrofilia e canibalismo embalam uma história asséptica em uma concepção dramática, mas profundamente irrigada em metáforas e simbolismos. É um cinema provocador e eventualmente chocante. Refn devassa o mundo da moda com a propriedade de um formador de opinião pouco preocupado com a opinião alheia.

1-“Elle” (França, 2016), de Paul Verhoeven

Falta ao cinema de maneira geral coragem para desafiar convenções de gênero e subverter certos dogmas sociais que paralisam o centeio fílmico. Paul Verhoeven é um inconformista por natureza. Seu cinema exala cinismo e confronta toda a hipocrisia e letargia social. “Elle” é um filme costurado todo ele a partir do entranhamento do drama vivido pela protagonista, vítima de uma violência sexual que decide investigar a identidade de seu agressor, por noções psicanalíticas profundas e ressonantes que extrapolam os limites da análise fílmica.

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016 Diretores | 12:07

Os cinco melhores diretores de 2016

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Foi um ano de grandes filmes. Já havia um tempo que isso não acontecia. Não à toa, os cinco diretores do ano no crivo do Cineclube defendem trabalhos polarizantes e estão longe da unanimidade, ainda que um deles tenha vencido o Oscar neste ano. O terror, de certa maneira, é um elemento presente nos cinco filmes que são, ainda, experiências estéticas do mais alto relevo.

Robert Eggers (“A Bruxa”)

Robert Eggers

Vencedor do prêmio de direção em Sundance, Eggers faz de “A Bruxa” um filme de terror diferente. Angustiante e com uma atmosfera tão sombria quanto incômoda, a produção é visualmente exuberante, apesar do orçamento apertado. Eggers aborda o medo por uma perspectiva totalmente incomum na linguagem audiovisual atual e merece a menção entre os cinco melhores trabalhos de direção do ano.

 

Alejandro Gonzales Iñarritu (“O Regresso”)

O Regresso

O virtuosismo do mexicano em “O Regresso”, filme que tem plano-sequência, fotografia em luz natural e outras particularidades que mostram que antes de qualquer coisa um filme de Iñarritu é um filme de Iñarritu, valeram ao cineasta um segundo Oscar de direção de maneira consecutiva. Seu trabalho aqui é ostensivo, o que não quer dizer que não seja nada menos do que arrebatador.

 

Nicolas Winding Refn (“Demônio de Neon”)

Nicolas Winding-Refn

Não há cineasta mais esteta no cinema atual do que o dinamarquês e não houve filme mais provocador em 2016 do que “Demônio de Neon”, um conto entre o sinistro e o bizarro sobre o império da imagem na nossa sociedade. Entre analogias faladas e cenas surrealistas, “Demônio de Neon” é um filme pincelado a unha por um Refn senhor de todas as coisas.

 

Tom Ford (“Animais Noturnos”)

Tom Ford

Corajoso, Tom Ford decidiu fazer de seu segundo filme algo totalmente diferente do primeiro – ainda que aqui e ali se possa pescar algumas convergências. Com uma narrativa fragmentada e personagens que se apresentam como versões de si, Ford demonstra absoluto controle de cena, dos atores e da narrativa. Seu filme é um estouro de sensações e sua direção, calculadamente perfeccionista.

 

Paul Verhoeven (“Elle”)

Paul Verhoeven

O cinema subversivo do holandês faz falta. Prova disso é o estupor que é “Elle”, um filme tão sobrenatural quanto sua premissa – uma mulher vítima de violência sexual que se vê sexualmente atraída por seu agressor. Verhoeven demonstra controle absurdo das arestas da trama e sabe exatamente para onde quer levar o filme – e são muitas as ramificações alcançadas. É o trabalho menos exibicionista dos cinco escolhidos, mas seguramente o mais reverberante nas demais qualidades do filme.

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016 Atores | 11:10

As dez melhores atuações masculinas do cinema em 2016

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Bryan Cranston (“Trumbo: Lista Negra”)

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Na pele do comunista abastado Dalton Trumbo, Cranston tem sua melhor atuação no cinema. Pode parecer pouco, mas não é. O ator capta brilhantemente a essência do personagem, um tipo debochado e cínico que amarga anos duros de grande provação pela simples razão de defender seus princípios. Uma performance iluminada e mais detalhista do que sugere um olhar superficial.

 

Alden Ehrenreich (“Ave, César!”)

Ave, César!

O novo Han Solo deu um senhor cartão de visitas nessa deliciosa comédia sobre Hollywood dos irmãos Coen. Ele já tinha até trabalhado com Woody Allen em ‘Blue Jasmine”, mas foi como Hobbie Doyle, um decalque de John Wayne, que o ator mostrou porque é um dos nomes mais quentes de Hollywood no momento.

 

John Goodman (“Rua Cloverfield 10”)

10 CLOVERFIELD LANE

É uma injustiça que John Goodman não esteja em todas as listas de melhores atuações do ano por seu trabalho tão rico e complexo em “Rua Cloverfield 10”. Entre a simpatia e a psicopatia, o ator torna compreensível e identificável toda a paranoia em que seu personagem e o microcosmo em que habita se veem mergulhados.

 

Tom Hanks (“Negócio das Arábias”)

Negócio das Arábias

A vida profissional de Tom Hanks é traiçoeira. O ator está sempre tão bem em seus filmes que a crítica costuma negligenciá-lo na hora de eleger as melhores atuações do ano. Em 2016, Hanks resolveu contra-atacar. Prolífero, esteve em três produções. O trabalho em ‘Sully”, mais comercial, é frequentemente mais lembrado, mas sua singela interpretação de um americano tentando fechar um negócio na Arábia Saudita é seu trabalho mais sutil e minimalista em anos. Vale a pena ser descoberto.

 

Hugh Grant (“Florence – Quem é Essa Mulher?”)

Hugh Grant

Ainda que por razões diametralmente opostas às de Tom Hanks, o trabalho de Hugh Grant também costuma ser menosprezado pela crítica. Mas o que ele faz em “Florence”, pequena joia de Stephen Frears, é um grito contra a corrente. O inglês nunca esteve tão contido, tão inteiro nas notas dramáticas e tão sagaz na válvula cômica.

 

Nate Parker (“O Nascimento de uma Nação”)

Nate Parker

Parker, protagonista e diretor do filme, viu as chances de ser um dos senhores da temporada de premiações caírem a zero na esteira do escândalo sexual que remete a uma acusação de estupro cuja vítima suicidou-se. Desgraça esta que não muda em nada o fato de que sua atuação no impactante “O Nascimento de uma Nação” é pura navalha na carne. Do tipo que é impossível manter-se indiferente.

 

Michael Shannon (“Animais Noturnos”)

Animais Noturnos

Como um rígido policial texano sem nada a perder, Michael Shannon cria aquele personagem que é sua característica. Um homem taciturno com ambiguidade moral e envergadura física intimidante. No espetacular filme de Tom Ford ele é o personagem mais humano e, de certa forma, o mais frágil também.

 

Jake Gyllenhaal (“Animais Noturnos”)

Animais Noturnos

Dar vida a dois personagens extremamente diferentes, mas com algumas similaridades que servem justamente ao principal eixo dramático do filme é um desafio para qualquer ator. Não é a primeira vez que Gyllenhaal vive dois personagens em um mesmo filme e talvez a falta de ineditismo o ajude, mas fato é que em “Animais Noturnos” seu desempenho irrepreensível nos atordoa com a questão: Como esse cara ainda não tem um Oscar na estante?

 

Jacob Tremblay (“O Quarto de Jack”)

O Quarto de Jack

Quando filmou a produção, Tremblay tinha sete anos. Não precisaria nem desse dado para nosso queixo cair, mas ele reconfigura toda a nossa percepção do trabalho cheio de miudezas e camadas do ator em “O Quarto de Jack”. Aqui se tem a prova definitiva de que o trabalho de ator mirim pode se beneficiar muito de um bom diretor, mas que merece respeito. Tremblay, soberbo, joga todo e qualquer eufemismo pela janela apenas com seus olhares e gestos.

 

Vicent Lindon (“O Valor de um Homem”)

O Valor de um homem

O minimalismo da atuação de Lindon tem tudo a ver com as circunstâncias de seu personagem em “O Valor de um Homem”. Um sujeito à procura de um emprego que se ressente do funcionamento do sistema para logo em seguida se inserir dentro desse sistema. As angústias e conflitos do personagem são abordadas física e emocionalmente por Lindon com uma destreza que espanta. Uma atuação simplesmente formidável.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2016 Atrizes, Bastidores | 17:45

Morte de Carrie Fisher não afeta “Episódio VIII”, mas deve alterar rumos da série principal de “Star Wars”

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Produtores se apressaram em afirmar que morte da atriz não prejudica o próximo filme da série principal, mas mas no longo prazo “Star Wars” deve ter mudanças

Carrie Fisher e Harrison Ford em cena de "O Império Contra-ataca"

Carrie Fisher e Harrison Ford em cena de “O Império Contra-ataca”

A morte de Carrie Fisher, mais uma peça cruel desse caprichoso ano de 2016, deve impactar os planos da Disney para a continuidade da série principal de “Star Wars” no cinema. Não no curto prazo, já que o Episódio VIII, ainda sem título oficial, mas com lançamento agendado para 15 de dezembro de 2017, já está em pós-produção.  Produtores associados ao filme confirmaram esse dado a diversos veículos americanos como TMZ, Variety e The Hollywood Reporter.

Leia mais: Colegas de “Star Wars” homenageiam Carrie Fisher: “Ela era a luz mais brilhante”

No médio e longo prazo, no entanto, é inegável que Disney e LucasFilm vão precisar ajustar o curso da trama. O caminho sugerido por “O Despertar da Força” (2015) mostrava que Leia, personagem de Carrie Fisher, seria figura central de oposição à Primeira Ordem. Mais: a nova trilogia dava sinais de que iria capitalizar em cima dos irmãos Skywalker, os utilizando como muleta no caso dos novos personagens não pegarem.

Leia mais: Carrie Fisher deixa legado de uma grandeza que prescinde de prêmios

Não se sabe exatamente como o filme dirigido por Rian Johnson deixa o estado das coisas, mas não é absurdo supor que a Disney considere eventuais refilmagens para reorganizar a estrutura narrativa da série, agora sem um de seus principais vértices. Vale lembrar que a relação de Leia com Kylo Ren (Adam Driver) tinha tudo para ser um dos principais clímaces da nova trilogia.

É certamente prematuro especular sobre o futuro de “Star Wars” neste momento, mas é seguro afirmar que a morte de Carrie Fisher impacta os planos da Disney para o futuro da saga. Nada que não possa ser reestruturado. A Disney optaria por elencar uma nova atriz para interpretar a personagem, matar Leia assim como fez com Han Solo ou tomar outra providência narrativa menos radical? O tempo dirá, mas certamente se detecta um desequilíbrio na força.

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Atrizes | 10:41

As dez melhores atuações femininas do cinema em 2016

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Julianne Moore (“O Plano de Maggie”)

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

É fato que Julianne Moore é frequentadora de listas como essa, mas geralmente não com papeis como o que interpreta em “O Plano de Maggie”. Na pele de Georgette, uma mulher bem excêntrica que compactua com a atual namorada de seu ex-marido para reconquistá-lo, Moore revela um tipo de fragilidade que ainda não conhecíamos, mas segue totalmente cativante.

 

Brie Larson (“O Quarto de Jack”)

O quarto de Jack

Vencedora do Oscar 2016 de melhor atriz, Larson deu cor e dimensão a uma mãe que precisava atender as próprias frustrações, medos e tristezas e tentar proteger o filho que nasceu em cativeiro. A atriz é soberba nas diferentes abordagens da personagem propostas por um roteiro que evolui e demanda que seus personagens abarquem conflitos mais espessos e dramáticos.

 

Margot Robbie (“Esquadrão Suicida”)

Arlequina

A personagem mais hypada e imitada do ano deve muito a australiana Margot Robbie. Não só fisicamente o casamento foi perfeito, mas dramaticamente também. Do humor à loucura, a Arlequina de Margot Robbie já se configurou em um dos grandes momentos da cultura pop na década. Não é pouca coisa.

 

Saoirse Ronan (“Brooklyn”)

Brroklin

Quando pousamos os olhos na irlandesa em “Desejo e Reparação” sabíamos que estávamos diante de uma grande atriz. O que ela fizera no filme de Joe Wright não se enquadrava na definição de sorte de principiante e o que ela faz nesse belo e altivo melodrama de John Crowley é igualmente impressionante. Da graciosidade da caracterização à efetividade com que assume o drama de sua personagem, Ronan navega entre o sutil e o intenso com a delicadeza das grandes atrizes.

 

Sonia Braga (“Aquarius”)

Aquarius

Por falar em grandes atrizes, Sonia Braga protagonizou o grande comeback de 2016. Na verdade, a Clara de “Aquarius” é seu melhor trabalho no cinema. Polivalente, a personagem empresta da atriz a finesse e a generosidade. O filme não seria metade do que é sem o dínamo dramático que é Braga.

 

Ronney Mara e Cate Blanchett (“Carol”)

Carol

A escolha por posicionar as duas atrizes juntas é mais estratégica do que prática. São suas interpretações, individuais, mas também combinadas, que adensam dramática e narrativamente o filme de Todd Haynes. “Carol” não seria nada sem suas atrizes e uma sem a outra tampouco induziria qualquer sentido de justiça em uma lista de melhores atrizes da temporada.

 

Amy Adams (“A Chegada”)

Amy Adams brilha em A Chegada Fotos: divulgação

Amy Adams brilha em A Chegada
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Amy Adams talvez seja a melhor atriz de sua geração. Para quem não entende exatamente essa afirmação é válido espiar seu trabalho em “A Chegada”. Uma ficção científica hardcore que filtrada por seu despenho nada menos do que espetacular, ainda que inteiramente minimalista, se transforma em um drama íntimo e irresoluto.

 

Elle Fanning (“Demônio de Neon”)

O Demônio de Neon

Representar uma qualidade etérea não é fácil. Talvez nunca tenha sido feito antes no cinema. Por isso Elle Fanning, uma atriz mais completa e surpreendente a cada ano, entra na lista com louvor por dar vida a uma jovem que tenta emplacar como modelo e desperta inveja e atração por onde passa.

 

Isabelle Huppert (“Elle”)

Elle

Meryl Streep francesa? Com todo o respeito a Meryl Streep, menos por favor! Isabelle Huppert dominou 2016 com a classe e sofisticação que lhe é característica com trabalhos soberbos em “O que Está por Vir” e “Mais Forte Que Bombas”, mas é por dar vida a vítima de estupro que investiga a identidade de seu agressor em “Elle” que ela lidera a lista do Cineclube. Huppert amplia o escopo do que chamamos de atuação ao desafiar tudo o que já vimos antes e entendemos como possível.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016 Filmes, Notícias | 12:35

“Decisão de Risco” e “Estado de Liberdade” são destaques entre os lançamentos em Blu-Ray em janeiro

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Cinéfilos e colecionadores já podem se preparar para gastar as sobras do 13º com boas opções de filmes que chegam ao sell-thru em janeiro de 2017. “Ben-Hur” e “Sete Homens e um Destino” chegam às lojas em Blu-Ray e DVD em 11 de janeiro. Mesmo dia do lançamento de “Decisão de Risco”, ótimo thriller de Gavin Hood estrelado por Helen Mirren. A produção oferta, ainda, uma das últimas aparições de Alan Rickman– morto em janeiro de 2016 – no cinema.

Leia mais: Pacifista, novo “Ben-Hur” sobrevive às comparações com o clássico de 1959

Helen Mirren em cena do filme "Decisão de Risco"

Helen Mirren em cena do filme “Decisão de Risco”

O encontro de três perigosos terroristas em Nairobi, no Quênia, faz com que uma elaborada operação seja coordenada diretamente da Inglaterra. É lá que a coronel Katherine Powell (Mirren) e o general Frank Benson (Rickman), acompanham os movimentos dos alvos. Inicialmente a operação seria para capturá-los, mas a descoberta de dois homens-bomba faz com que o objetivo mude para eliminá-los a qualquer custo.

“Porta dos Fundos – Contrato Vitalício”, que fracassou nos cinemas, talvez encontre seu público no mercado de home vídeo. A produção também chega às lojas em 11 de janeiro, mas apenas em DVD. Estrelado por Matthew McConaughey, “Estado de Liberdade” será disponibilizado apenas para locação.  No filme, o ator interpreta o fazendeiro Newton Knight que forma um grupo de rebeldes contra a Confederação durante a guerra civil americana. Ele é contrário à escravidão, mas também à reforma política. Assim, reunindo pobres fazendeiros, o pequeno condado de Jones (Mississippi), rompe com o grupo majoritário e forma um pequeno estado livre. Ao longo dos anos, Knight combate a influência racista do Ku Klux Klan e forma a primeira comunidade interracial do Sul, casando-se com a ex-escrava Rachel (Gugu Mbatha-Raw, da série Black Mirror). O filme será disponibilizado a partir de 18 de janeiro.

Cena do filme "Roteiro de Casamento"

Cena do filme “Roteiro de Casamento”

Duas boas opções para quem aprecia o cinema latino americano são o argentino “Roteiro de Casamento” e o brasileiro “O Shaolin do Sertão”. O primeiro é uma comédia estrelada por Valeria Bertuccelli. Ela faz uma atriz iniciante namorada de um diretor de cinema com o qual está trabalhando, acaba se apaixonando por outro homem. No entanto, o maior problema é que sua nova paixão não é uma pessoa real: é o personagem protagonista do filme, interpretado pela estrela da produção Fabián (Adrián Suar). O segundo é uma feliz mescla de ação e comédia cearense.  Aluiso Li (Edmilson Filho) é um aspirante a lutador que sonha e batalha por manter viva a paixão pelas lutas no Ceará dos anos 80. Espere por muitas referências ao cinema e a região.

Ambos os filmes chegam às lojas em 11 de janeiro.

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016 Críticas, Filmes | 12:32

Com clímax poderoso, “A Chegada” é elogio das imperfeições da existência

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Há filmes que não são exatamente o que parecem ser. Há casos em que isso é ruim e há casos em que isso é muito bom. “A Chegada” (Arrival, EUA 2016) se ajusta a esta última classificação. O novo filme de Denis Villeneuve (“Os suspeitos”, “Sicario: Terra de Ninguém”) é formalmente uma ficção científica, mas se resolve como um filme sobre o poder do diálogo e a importância da comunicação para a resolução de todo e qualquer conflito.

Cena do filme "A Chegada", uma das melhores produções de 2016

Cena do filme “A Chegada”, uma das melhores produções de 2016

Em ordem de construir dramaticamente esse argumento, Villeneuve e o roteirista Eric Heisserer imaginam uma situação relativamente corriqueira no cenário da ficção científica. Alienígenas chegam ao planeta Terra. Naves gigantes posam em oito pontos distantes do mundo, sendo Estados Unidos, China, Rússia e Paquistão quatro deles. Não é mero acaso que o filme se dedique a acompanhar o desenrolar das ações dos governos destes quatro países. Toda a geopolítica mundial parece se concentrar nos interesses dessas quatro nações.

O exército americano, na figura do coronel Weber (Forest Whitaker) convoca a linguista Louise Banks (Amy Adams) para facilitar a comunicação com os alienígenas e tentar entender a razão da chegada deles à Terra. Jeremy Renner vive Ian Donnelly, um físico que integra essa força-tarefa montada pelo governo americano que, obviamente, conta com a CIA e outras agências de inteligência.

Louise e Ian estabelecem progressos na tentativa de se comunicar com os alienígenas, mas o tempo não é amigo, já que os líderes mundiais pressionados pelas rivalidades, se movimentam para reagir ao que consideram uma invasão à soberania da humanidade.

Amy Adams brilha em A Chegada Fotos: divulgação

Amy Adams brilha em A Chegada
Fotos: divulgação

A escalada da tensão é bem abordada por Villeneuve, mas “A Chagada” não se pretende um suspense. O filme se apoia na excelente atuação de Amy Adams para se descobrir um drama. Intuitiva e generosa, mas estranhamente desgostosa da vida, Louise é uma personagem fascinante. Seu grande conflito, que o filme só revela por completo em seu ato final – embora espalhe pistas nos dois primeiros – ressignifica o sentido do filme, mas sem prejuízo ao seu valor como boa ficção científica.

“A Chegada” representa a primeira incursão do cineasta canadense no gênero e tem sua segunda protagonista feminina consecutiva. Desnecessário dizer que Villeneuve já é dos diretores mais interessantes da atualidade, mas o refinamento narrativo de “A Chegada”, aliado a sua exuberância visual, clamam por redundância.

Além de atentar para o valor da comunicação e de como a negligenciamos, tanto no âmbito das nações como no nível pessoal, o filme de Villeneuve elabora um singelo libelo à vida. À beleza oculta da ignorância que ostentamos em nossa relação com o tempo.  Seja em sua conceituação física ou em seu preposto emocional.

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