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terça-feira, 20 de dezembro de 2016 Filmes, Notícias | 18:01

Sedução e intriga no segundo trailer de “A Criada”, novo filme de Park Chan-wook

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Um dos destaques do último festival internacional de cinema de Cannes, premiado pelo conjunto de críticos de Los Angeles como melhor filme em língua estrangeira e escolha do público como melhor filme internacional da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, “A Criada” é uma das boas opções do início de 2017 no cinema. Dirigido pelo sul-coreano Park Chan-Wook (“Oldboy” e “Segredos de Sangue”), o filme se ambienta na Coréia do Sul dos anos 1930 durante a ocupação japonesa.

A jovem Sookee (Kim Tae-ri) é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, Hideko (Kim Min-Hee), que leva uma vida isolada ao lado do tio autoritário. Só que Sookee guarda um segredo: ela e um vigarista planejam desposar a herdeira, roubar sua fortuna e trancafiá-la em um sanatório. Tudo corre bem com o plano, até que Sookee aos poucos começa a compreender as motivações de Hideko.

“A Criada” estreia por aqui em 12 de janeiro. Confira o trailer legendado abaixo:

 

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Filmes, Notícias | 11:29

“Vazante”, de Daniela Thomas, estreia no Festival de Berlim

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Primeiro filme solo da codiretora de “Linha de Passe” e “Terra Estrangeira” foi selecionado para uma das mais disputadas mostras paralelas do festival alemão

Cena do filme Vazante Foto: Inti Briones

Cena do filme Vazante
Foto: Inti Briones

“Vazante”, primeiro filme solo de Daniela Thomas, que codirigiu “Linha de Passe” (Palma de Ouro de Melhor Atriz em Cannes 2008) e “Terra Estrangeira” ao lado de Walter Salles, terá sua estreia mundial no próximo Festival Internacional de Cinema de Berlim, realizado entre 09 e 19 de fevereiro 2017; como parte da In Focus: Reclaiming Black History, sessão especial criada na mostra Panorama com três filmes (“I Am Not Your Negro” e “The Wound” também serão exibidos). Daniela também assina o roteiro do longa-metragem junto ao produtor Beto Amaral.  A distribuição no Brasil será feita pela Europa Filmes com estreia prevista para 2017.

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“É emocionante que o meu primeiro filme solo, ‘Vazante’, seja selecionado para a mostra Panorama do Festival de Berlim. A Berlinale é talvez o festival que mais impacto tenha tido no cinema brasileiro das últimas décadas, premiando ‘Central do Brasil’, Fernanda Montenegro, ‘Tropa de Elite’ e ‘Que Horas Ela Volta’. É uma honra e um privilégio voltar aos grandes festivais de cinema que me deram tanta felicidade, como o de Cannes, em 2008, quando recebi a Palma de Ouro para Sandra Corvelloni, por sua linda Cleuza de ‘Linha de Passe’. Fico muito orgulhosa de ter Sandra mais uma vez brilhando em um filme meu. Meu coração está acelerado”, comenta Daniela.

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O filme se passa em 1821, no interior do Brasil, nas serras pedregosas das Minas Gerais, depois da economia local, que era baseada na extração de diamantes, ter entrado em colapso. O ator português Adriano Carvalho vive Antonio, um patriarca do século XIX, que ao voltar de uma longa viagem conduzindo uma tropa de escravos descobre que sua mulher morreu em trabalho de parto. A estreante Luana Nastas é Beatriz, menina que lhe é dada em casamento. Na ausência do marido, Beatriz fica sozinha com os escravos. Solidão, incomunicabilidade e preconceito levam a uma espiral de violência.

“O filme quer falar de algumas das nossas maiores cicatrizes: a escravidão, o casamento forçado de meninas, a mestiçagem que é fruto do assédio e da exploração sexual das negras e as hierarquias de poder que pervertem até as relações entre os oprimidos. O filme fala também, por outro lado, da eterna possibilidade de redenção e de subversão dessas estruturas tão rígidas”, explica a diretora, que contou com um vasto repertório de informação trazido pela historiadora Mary del Priore.

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“Vazante” teve como locação principal a fazenda Ribeirão, uma mansão do século XVIII a uma hora de estrada de terra da cidade histórica do Serro, em Minas Gerais. Para o filme, o ator Toumani Kouyaté abriu as portas da comunidade de seus conterrâneos da África subsaariana refugiados em São Paulo, e Rodrigo Siqueira, diretor do documentário “Terra Deu Terra Come”, indicou os caminhos para uma dezena de comunidades quilombolas da região Diamantina, de onde foi arregimentado o elenco da senzala

 

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016 Atores, Filmes, Notícias | 09:00

Keanu Reeves volta a encarnar advogado no suspense “Versões de um Crime”

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Keanu Reeves em cena do filme "Versões de um Crime" Foto: divulgação

Keanu Reeves em cena do filme “Versões de um Crime”
Foto: divulgação

Um dos primeiros grandes papeis de Keanu Reeves no cinema foi em “Advogado do Diabo” (1997). O ator já fazia filmes antes, mas o filme de Taylor Hackford lhe ofertou um papel de grandes reminiscências dramáticas. Ali ele encarnava um advogado promissor que se depara com uma série de conflitos éticos e morais. Em “Versões de um Crime”, que a PlayArte lança nos cinemas brasileiros em 9 de março, ele volta a viver um advogado, mas sem as tentações experimentadas em “Advogado do Diabo”.

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Aqui Keanu Reeves dá vida a um defensor público que precisa defender um jovem que confessou ter matado o próprio pai. Detalhe: o garoto não só não demonstra arrependimento como parece pouco disposto a colaborar na própria defesa. O bom elenco reunido pela diretora Courtney Hunt (“Rio Congelado”) conta com Gugu Mbatha-Raw, Renée Zellweger e Jim Belushi.

O ator libanês  afastou-se do estrelato e focou em papeis menores nos últimos anos. “De Volta ao Jogo”, “Bata Antes de Entrar” e “Demônio de Neon” atestam essa vocação mais light do ator, que em 2017 estreia a aguardada sequência de “De Volta ao Jogo”, “John Wick: Um Novo Dia Para Matar”.

 

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sábado, 17 de dezembro de 2016 Bastidores, Filmes | 18:51

Julia Rezende termina de filmar “Como é Cruel Viver Assim”

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A diretora Julia Rezende (“Meu Passado Me Condena”, “Ponte Aérea” e “Um Namorado Para Minha Mulher”) acabou de rodar, no Rio de Janeiro, seu quinto filme. “Como É Cruel Viver Assim” conta a história de quatro fracassados em uma narrativa ácida que mistura drama, humor e melancolia. As filmagens do longa, que tem roteiro de Fernando Ceylão, foram realizadas durante cinco semanas, em locações como Nilópolis, Marechal Hermes, Méier e um terreno abandonado no Recreio.

Os protagonistas do quinto filme de Julia Rezende

Os protagonistas do quinto filme de Julia Rezende

Os protagonistas, interpretados por Marcelo Valle, Fabiula Nascimento, Silvio Guindane e Debora Lamm, decidem fazer algo importante e  armam um plano absurdo: sequestrar um milionário. Mas não têm nenhuma experiência com crimes nem noção do que essa operação pode envolver. O elenco também conta com Paulo Miklos, Otávio Augusto e Milhem Cortaz, que fazem um trio de bandidos, além de uma participação especial de Marcius Melhem, no papel de um farmacêutico.

O filme será distribuído pela H2O Films e Universal e tem lançamento previsto para o segundo semestre de 2017.

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016 Filmes, Notícias | 16:31

Rede Telecine exibe o festejado “Aquarius” em janeiro

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Sonia Braga em cena de "Aquarius" (Foto: divulgação)

Sonia Braga em cena de “Aquarius”
(Foto: divulgação)

“Aquarius”, filme brasileiro de maior repercussão neste ano, chega à rede Telecine no dia 16 de janeiro. O longa-metragem, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Sonia Braga, vai ao ar no Telecine Premium, às 22h, e também poderá ser visto no Telecine Play a partir de então. Exibida no Festival de Cannes neste ano, onde concorreu à Palma de Ouro, a produção estreou no Brasil em setembro e vem sendo apresentada – com sucesso de crítica – em outros festivais ao redor do mundo.

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Jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos, Clara (Sonia Braga) sofre com o assédio da construtora que deseja levantar um empreendimento de luxo no lugar do prédio onde ela criou os filhos e viveu os melhores anos de sua vida. Por ser a única moradora do edifício a se recusar a vender seu imóvel, ela é ameaçada de toda forma.

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Análises, Críticas, Filmes | 16:06

“Rogue One” reequilibra a força de “Star Wars” no cinema com imaginação e ousadia

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Filme que expande o universo “Star Wars” no cinema é um deleite para os fãs e uma realização corajosa que engrandece a safra de blockbusters de 2016

Cena do filme Rogue One, que estreia nesta quinta-feira (15) nos cinemas brasileiros Foto: divulgação

Cena do filme Rogue One, que estreia nesta quinta-feira (15) nos cinemas brasileiros
Foto: divulgação

“Rogue One – Uma História Star Wars” é bom. Muito bom. A questão que se coloca agora é como vamos lidar com isso? Público e crítica estavam desconfiados. Até tinham razão para isso. A Disney, que comprara Pixar e Marvel e lhes concedera liberdade criativa, prometera fazer o mesmo com “Star Wars”, quando adquirira a LucasFilm. Mas aqui o buraco era mais embaixo. A franquia estava encerrada e, não somente seria retomada, como o plano consistia em expandir o universo criado por George Lucas.

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O episódio VII chegou no ano passado arrasando quarteirões. O filme de J.J Abrams, no entanto, navegava em águas calmas. Havia grande ansiedade, e consequentemente considerável cota de condescendência à espera de “O Despertar da Força”. O filme é bom, mas não carrega um traço sequer da ousadia que sobeja em “Rogue One”. Espelhando o clássico “Uma Nova Esperança”, o filme falava ao coração dos fãs saudosos no mesmo compasso que pregava para todos aqueles desejosos de conversão.

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Rogue posterCom o “Rogue One” a coisa é diferente. Pela primeira vez na série estamos mesmo em uma guerra. Gareth Edwards, que fez um filme do Godzilla todo ele a partir do ponto de vista das pessoas afetadas pela besta gigante, grava cenas de guerrilha urbana na lua de Jedha, flagra espiões em ação, conspirações em trâmite e observa as maquinações inerentes aos diferentes lados de um conflito armado. A guerra que toma conta da galáxia pode ser apalpada em um filme que busca a atmosfera de “Uma Nova Esperança”, até pela ligação umbilical que tem com o episódio IV, mas que não se faz refém dela.

Visualmente exuberante, como todo “Star Wars” deve ser, essa primeira antologia se beneficia enormemente do roteiro esperto e enxuto de Tony Gilroy (“O Advogado do Diabo”) e Chris Weitz (“American Pie”) , que cria em cima de uma história conhecida e dá espaço para personagens carismáticos – como o robô K-2SO, o excelente alívio cômico da fita – brilharem. A coragem e a imaginação, no entanto, não resumem a eficácia narrativa dessa primeira antologia do universo Star Wars. O filme de Edwards faz muitas deferências aos fãs e revisita, a sua maneira, temas frequentes como a relação entre pais e filhos. É interessante observar como Jyn (Felicity Jones) vive uma orfandade mesmo tendo dois pais. Mais interessante é perceber como isso impacta na sua visão de “não ter o luxo de ter opiniões políticas”. É “Star Wars” sendo sutil no desenho dos personagens.

Peter Crushing, ninguém menos que Grand Moff Tarkin, responsável pela Estrela da Morte no filme de 1977, morto em 1994, “ressuscita” diante de nossos olhos em um trabalho de CGI que desafia os limites da lógica e imaginação. É “Star Wars” derrubando o nosso queixo.

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Darth Vader, talvez o mais icônico entre todos os vilões da cultura pop, também surge para enriquecer o filme. Ele está aqui apenas para deixar a experiência mais potente, intensa, transcendental… É “Star Wars” olhando para o futuro sem esquecer-se de seu passado.

Darth Vader é uma das boas surpresas de Rogue One Foto: divulgação

Darth Vader é uma das boas surpresas de Rogue One
Foto: divulgação

O que torna “Rogue One” um blockbuster especial tanto no contexto de “Star Wars”, mas também na temporada de 2016, é sua maturidade narrativa, seu compromisso com a verossimilhança, mesmo que estejamos falando de uma guerra espacial. Apesar do desfecho compreensível e justificadamente trágico, o filme reequilibra a força, da série, e dos blockbusters. É “Star Wars” mostrando como se faz!

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terça-feira, 13 de dezembro de 2016 Análises | 11:34

Qual o melhor filme para Hollywood reagir à ascensão da era Trump no Oscar?

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Com o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro 2017 e com a maioria dos prêmios da crítica já entregues, inclusive o Critic´s Choice Awards, distribuídos no último domingo (11), já dá para perceber que três filmes largam na frente na corrida pelo Oscar. “La La Land – Cantando Estações” claramente é o frontrunner. Os dramas indies “Moonlight” e “Manchester à Beira-Mar” gravitam o favoritismo do musical dirigido por Damien Chazelle e, por diversas razões, podem complexar previsões à medida que o Oscar se aproxima.

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de "La La Land" (Foto: reprodução/Premiere)

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de “La La Land”
(Foto: reprodução/Premiere)

“Moonlight”, ainda sem data e título nacional, é um filme sobre crescimento. Na superfície, do tipo que se vê todo dia no cinema americano, mas é protagonizado por negros e conta a história de um garoto que resiste à criminalidade no mesmo compasso em que se descobre gay. Já “Manchester à Beira-Mar” é mais soturno e acompanha a jornada emocional do personagem de Casey Affleck, que retorna à cidade que deixou em seu passado, para cuidar do sobrinho após a morte repentina do irmão.

Cartaz do filme "Moonlight"

Cartaz do filme “Moonlight”

O primeiro filme é nitidamente liberal demais para os padrões que, ainda que de maneira menos convicta, vigoram na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que outorga o Oscar. No entanto, dos três mais alinhados ao ouro, seria o candidato mais lapidado para representar uma bandeira Anti-Trump. “Manchester à Beira-Mar” talvez representasse melhor o pessimismo em que grande parte do País, e do mundo, se viu mergulhado com a eleição de Donald Trump. No final dos anos Bush, filmes violentos e taciturnos como “Os infiltrados” e “Onde os Fracos Não Têm Vez” prevaleciam no Oscar. Em 2009, na esteira da eleição de Barack Obama, o solar e otimista “Quem Quer Ser um Milionário?” triunfou de maneira maiúscula no Oscar. De lá para cá, nenhum outro filme venceu de maneira tão elástica – foram oito Oscars.

Por outro lado, o romantismo de “La La Land”, sua universalidade na declaração de amor que faz ao cinema, a Los Angeles e ao sonho americano podem ser percebidos como o remédio necessário para um período tão turbulento na história dos EUA. Hollywood, afinal, naufragou junto com a candidatura Hillary Clinton.

O Globo de Ouro anunciado nesta segunda-feira afunilou, como esperado, a corrida pelo Oscar e deu a esses três filmes a condição de principais postulantes ao Oscar 2017. Agora é esperar para ver como a novela favorita dos cinéfilos vai se desenvolver.

Cena do filme "Manchester à Beira-Mar" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Manchester à Beira-Mar”
(Foto: divulgação)

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domingo, 27 de novembro de 2016 Críticas, Filmes | 18:48

“O Nascimento de uma Nação” esconde sua irregularidade na importância do tema

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Para além da óbvia referência ao clássico de 1915 de D.W Griffith, ao qual desautoriza e problematiza com suor, lágrimas e sangue, “O Nascimento de uma Nação” (2016) é um filme de muita propriedade. Tanto de ordem intelectual como emocional. Se essa combinação o eleva enquanto obra artística, o fragiliza enquanto cinema.

Cena do filme "O Nascimento de uma Nação"

Cena do filme “O Nascimento de uma Nação”

Nate Parker, aqui em sua estreia como diretor, realiza um filme forte, pungente, ocasionalmente atordoante, mas enseja em falhas que, ainda que compreensíveis para um marinheiro de primeira viagem, diminuem o impacto de seu filme. Se os dois primeiros atos da produção são crus, ruidosos e incômodos, o derradeiro é excessivamente melodramático. Um entroncamento de ritmo deverás comprometedor.

Erguido como contraparte do filme de D.W Griffith, “O Nascimento de uma Nação” é um filme de um só ponto de vista. O que é plenamente defensável. Parker evita, na maior parte do tempo, o maniqueísmo com os brancos e o paternalismo com os negros. Um acerto que nem sempre cineastas negros que se debruçam sobre o tortuoso passado da América incorrem. O Sam de Armie Hammer, senhor do escravo Nat Turner (Parker), é desenhado como um homem fraco, incapaz de se posicionar e que se contenta sendo um senhor “bondoso” para seus escravos. Com a fazenda a perigo e tendo em Turner um escravo pastor, pois foi ensinado muitas passagens da bíblia, ele passa a viajar com Turner pela região para que ele acalente a espiral revoltosa que cresce em escravos na Virgínia.

Aí surge a grande sutileza do filme. Turner, obviamente se flagra desconfortável de pregar abnegação para escravos que sofrem mais do que ele. O que ocorre é que nas pregações pela Virgínia, ele vai sendo tomado por um impulso, que crê divino, de redimir seus irmãos. Ele não aceita mais ser um falso profeta e passa a olhar com outros olhos para a tal revolta dos escravos. Essa reengenharia interna a qual o personagem se submete, mas também é submetido é o grande acerto de “O Nascimento de uma Nação”, mas jamais emerge como foco narrativo do filme de Parker, que prefere as cores borradas de uma revolução que não deu certo, mas que logrou certo legado – que o cineasta se esforça para dar mais relevo do que de fato existe.

Para todos os efeitos, “O Nascimento de uma Nação” é uma produção encapsulada pelo tema respeitável, desenvolvida com uma gramática cinematográfica até certo ponto conservadora, mas que se fia na importância temática e na tabelinha proposta com o filme de Griffith para transcender.  O cálculo geraria grandes dividendos não fosse a vida do cineasta – e uma acusação de estupro – a minar a carreira do filme.

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sábado, 26 de novembro de 2016 Filmes, Notícias | 17:39

“É um filme que faz você refletir sobre as pessoas em sua vida”, diz Tom Ford sobre “Animais Noturnos”

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Tom Ford orienta a atriz Amy Adams no set de "Animais Noturnos"

Tom Ford orienta a atriz Amy Adams no set de “Animais Noturnos”

O novo e aguardadíssimo filme de Tom Ford, “Animais Noturnos”, será uma das últimas estreias de 2016 nos cinemas brasileiros. Previsto para o dia 29 de dezembro, o vencedor do Leão de Prata – o grande prêmio do júri – no último festival de Veneza, apresenta uma história de suspense relacionada a um casal separado há 20 anos.

Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte de Los Angeles que vive uma vida privilegiada, mas incompleta, ao lado do atual marido, Hutton Morrow (Armie Hammer). Em um final de semana em que Hutton deve partir para uma de suas frequentes viagens de negócios, ela recebe um pacote inesperado: um livro escrito pelo ex, Edward (Jake Gyllenhaal), e dedicado a ela. Uma publicação violenta e desoladora que remete Susan a um passado ao qual ela, talvez, preferisse sufocar.

No vídeo abaixo, o diretor e roteirista Tom Ford e os protagonistas Jake Gyllenhall e Amy Adams falam sobre o que julgam ser o tema do filme. “Eu gostaria que as pessoas deixassem esse filme pensando nas escolhas de vida que fizeram em relação às pessoas, pensando na importância das pessoas em suas vidas”, observa Ford.

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Críticas, Filmes | 17:15

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” expande universo de Harry Potter com graciosidade

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Para quem é fã de Harry Potter e do magnífico universo criado por J.K Rowling é impossível não se embasbacar com “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, regresso a este universo cinco anos após o fim da franquia nos cinemas. O livro, lançado em 2001, era um mimo de Rowling para os fãs, já que a obra é citada em “A Pedra Filosofal” e Newt Scamander é ensinado em Hogwarts.

Eddie Redmayne em cena de "Animais Fantásticos e Onde Habitam"

Eddie Redmayne em cena de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”

Orçado em U$ 200 milhões e com praticamente toda a equipe dos últimos exemplares de Harry Potter no cinema, inclusive o diretor David Yates, “Animais Fantásticos” é um deslumbre visual do início ao fim. É, também, um exercício interessante para quem gosta desse universo, já que não se trata de uma adaptação convencional. Estreia de Rowling como roteirista, esse primeiro de um total de cinco filmes, se incumbe de apresentar a comunidade mágica dos EUA. É na Nova York de 1926 que Newt (vivido com o misto de coração e caretas esperado de Eddie Redmayne) desembarca. Ele acaba de dar uma volta ao mundo para catalogar e recolher criaturas fantásticas que o mundo mágico ainda não compreende por completo. Quem dirá os trouxas, ou não-mágicos como preferem os americanos.

Esse choque entre as tradições dos mundos bruxo americano e inglês, representado pelo introspectivo Newt, preenche o primeiro ato do filme. Rowling aproveita o ensejo para fazer sutis referências ao passado segregacionista da América. Uma bem-vinda metáfora. Aliás, à medida que a produção avança, elas se acumulam. Assim como as referências à franquia original, da qual ainda que seja um derivado, “Animais Fantásticos” precede em termos cronológicos.

Há, contudo, imperfeições. A necessidade de conceber um vilão para aferir dinamismo ao filme, e sustância à pretensa nova franquia gera certo desequilíbrio nesse primeiro “Animais Fantásticos”. Todo o arco dos Segundos Salemianos, cuja sombria personagem de Samantha Morton é a principal face, é muito mal desenvolvido. Colin Farrell não consegue, ou não faz questão de esconder a vilania de seu personagem, Graves, que só deveria se revelar no terceiro ato. As cenas do Congresso Mágico são demasiadamente tímidas e o clímax da fita mais lembra “Os Vingadores” do que qualquer “Harry Potter”. Os acertos, porém, são mais significativos. As criaturas mágicas são realmente de encher os olhos e atiçar a imaginação. A química do quarteto principal funciona às mil maravilhas, com destaque para a embrionária história de amor entre o trouxa Jacob Kowaski (Dan Fogler, a melhor coisa do filme) e Queenie (Alison Sudol) e Eddie Redmayne acerta o compasso na caracterização de Newt. Não soa nada forçoso os paralelos entre ele e Harry Potter.

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” não traz o frescor do primeiro Harry Potter e nem seria possível. Tampouco é uma produção à prova de críticas, mas traz consigo uma magia que une magos e trouxas: a nostalgia. E o cinema já provou reiteradamente que esta costuma ser infalível.

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