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domingo, 8 de junho de 2014 Análises, Atores | 09:33

A reinvenção de Robert Pattinson

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Fotos: divulgação e reprodução/ The Hollywood Reporter

Fotos: divulgação e reprodução/ The Hollywood Reporter

Robert Pattinson, de alguma maneira, é como o Lula. Há quem ame e há quem odeie. As razões são defensáveis e justificáveis de ambos os lados e a paixão costuma ser o motor das análises relacionadas ao galã acidental. Afinal de contas, antes de ser o príncipe moderno em versão vampírica na série de filmes “Crepúsculo”, Pattinson não havia causado nenhuma comoção em “Harry Potter e o cálice de fogo”, lançado em 2005.

Mas Pattinson se esforça para se desviar da pecha de galã que lhe fora atribuída. Sempre que pode dá um jeito de renegar, ainda que discretamente, a franquia que lhe concedeu o estrelato.  É avesso a badalações e a agenda midiática que outras celebridades jovens, como Jennifer Lawrence, costumam cultivar. Não obstante, Pattinson tem demonstrado disposição em orquestrar o que podemos chamar de reengenharia de carreira.

O primeiro passo, nesse sentido, foi dado ainda durante o período em que a saga “Crepúsculo” vigorava. A aproximação ao diretor canadense David Cronenberg pode muito bem fazer por Pattinson o que a parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio fez por este último.

“Cosmópolis”, lançado em 2012, não só trazia Robert Pattinson como nunca se tinha visto antes, essencialmente vampírico em uma composição minuciosa de um tubarão faminto e inseguro de Wall Street, como trazia o ator em sua primeira interpretação digna desta classificação. Pattinson deixou-se dirigir. Confiou em Cronenberg e permitiu que o ator emergisse da celebridade, que fora a primazia em seus outros trabalhos paralelos a “Crepúsculo” (“Bel Ami – o sedutor”, “Água para elefantes” e “Lembranças”).

Em 2014, o ator lança dois filmes com propostas distintas, mas que sinalizam que essa reengenharia de carreira não é uma nuvem passageira em sua trajetória profissional. “Maps to the stars” é o segundo trabalho em parceria com Cronenberg. Trata-se de uma sátira à fogueira de vaidades de Hollywood. A participação do ator é pequena; ele faz um motorista de limusines que sonha em ser roteirista, papel baseado na vida do próprio roteirista do filme (mas isso é outra história). Diz-se, no entanto, que sua atuação é impactante. Em “The rover”, outra produção que levou Pattinson ao festival de Cannes (assim como os dois trabalhos com Cronenberg), ele faz um homem abandonado pelo irmão em um futuro apocalíptico em que a economia planetária entrou em colapso. Junta-se a um terceiro homem, roubado por seu irmão, em seu encalço.

Entre os próximos trabalhos do ator figuram filmes de diretores europeus de prestígio, como “The idle´s eye”, do francês Oliver Assayas (”Depois de maio”) e “Life”, de Anton Corbjin (“Control”, sobre a vida de Ian Curtis, líder do Joy Division), sobre a amizade entre o astro James Deen e o fotógrafo da revista que batiza o filme e que fez as fotos mais icônicas de Deen em vida.

Pattinson pode até não ter esquecido Kristen Stewart, sua ex-namorada e colega de cena na franquia adaptada dos livros de Stephenie Meyer, mas os dias de “Crepúsculo” definitivamente fazem parte de seu passado.

Com Guy Pierce no elogiado "The Rover"

Com Guy Pierce no elogiado “The Rover”

Ao lado de Dane deHaan em "Life", filme de arte feito pelo diretor de "Control", que chega em 2015

Ao lado de Dane deHaan em “Life”, filme de arte feito pelo diretor de “Control”, que chega em 2015

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sábado, 7 de junho de 2014 Críticas, Filmes | 08:20

“X-men: Dias de um futuro esquecido” objetiva equacionar universo mutante no cinema

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Magneto, vivido por Michael Fassbender em sua versão jovem, mostra seu poder  (Fotos: divulgação)

Magneto, vivido por Michael Fassbender em sua versão jovem, mostra seu poder
(Fotos: divulgação)

Bryan Singer tinha uma missão. Realocar o universo mutante em face da nova mania de estúdios de cinema; ter um universo multifacetado e interligado entre si para chamar de seu. A culpa é da Marvel que provou com “Os vingadores”, e os filmes solo de cada um dos membros do supergrupo, que a ideia é rentabilíssima.

Se o primeiro “X-men”, lançado em 2000, carregava dúvidas sobre como seria a aceitação de fãs e público em geral aos uniformes de cinema, o sétimo filme com o gene X traz inquietações maiores. “Dias de um futuro esquecido” tinha a responsabilidade de superar a marca de U$ 500 milhões nas bilheterias internacionais, coisa que qualquer herói hoje em dia faz, e nenhum filme de mutantes havia feito. Este objetivo foi alcançado com louvor. Em pouco mais de dez dias, o filme já ultrapassou a marca de U$ 516 milhões e se consolidou como o filme mais lucrativo com o gene X. A outra grande responsabilidade do filme era aparar arestas. O universo mutante foi erguido sob improvisos no cinema e a Fox, ao que parece, começa a descobrir a galinha dos ovos de ouro que tem nas mãos. Mais do que a Sony, que detém os direitos de adaptação do Homem-Aranha, o estúdio pode conceber um universo tão, ou mais rico, do que o de Os vingadores. Personagens não faltam ao universo de X-men e “Dias de um futuro esquecido” é contumaz em ressaltar isso.

Nessa segunda função, o filme é parcialmente bem sucedido. A trama, que bebe da fonte original e vai buscar em uma das mais festejadas sagas mutantes nos quadrinhos sua base de sustentação, coloca Xavier (Patrick Stweart) e Magneto (Ian McKellen) unidos para combater um mal maior: as sentinelas. Máquinas desenvolvidas para dizimar mutantes; tarefa que cumprem com sucesso nos idos de 2022. A solução aventada é mandar Wolverine de volta ao passado, mais precisamente sua consciência ao seu corpo de 1973, para impedir que eventos que aceleram o desenvolvimento do programa Sentinela aconteçam. É a desculpa perfeita não só para reunir em um mesmo filme os mutantes da trilogia original com os novatos na trupe, que surgiram no vintage “X-men: primeira classe” (2011), como para zerar o universo mutante e reiniciá-lo nos cinemas. Seria, a grosso modo, um reboot (termo usado para designar o reinício de uma série no cinema) que não desconsideraria de todo os eventos da trilogia original.

Bryan Singer entende como poucos os x-men. É inegável sua contribuição para a série e para a onda de adaptações de HQs no cinema como um todo, mas depois do que Matthew Vaughn fez em “Primeira classe”, quando aliou pegada pop e tonalidade vintage à complexidade política incomum em um filme de entretenimento, a tarefa de Singer ficou mais arriscada. Ele optou por redimensionar os conflitos que permeiam a série, preservando alguns dos acertos de Vaughn – ainda que sem reproduzir a mesma finesse – redefinindo o filme como uma ficção científica de vocação, com seu mote enclausurado na viagem temporal.

Singer explica a Ellen Page e Hugh Jackman como se comportar em uma viagem do tempo...

Singer explica a Ellen Page e Hugh Jackman como se comportar em uma cena de viagem do tempo…

Sob esse prisma, Singer fez um belo filme de entretenimento, valendo-se de atores que além da qualidade notória (Hugh Jackman, James McAvoy, Jennifer Lawrence e Ian Mckellen, para citar alguns) ficam muito confortáveis na condição de “entertainers” (essa palavra que carece urgentemente de uma tradução eficaz, mas que poderia ser traduzida como “alguém que diverte”). Mas seu filme não é tão coeso como o de Vaughn. Aliás, seu retorno a série mostra como Vaughn capturou mais eloquentemente a essência do universo mutante. Mas Singer faz o que pode. A discussão entre livre-arbítrio e destino, intolerância e até holocausto surgem sob novas cores em “Dias de um futuro esquecido”, mas o que mais agrada no filme são as jornadas diametralmente opostas de Xavier e Magneto. Algo que já havia encantado em “Primeira classe” e volta a resplandecer aqui. Enquanto Xavier se debate para descobrir como ter esperança novamente e se reencontrar com suas convicções morais e filosóficas, testemunhamos Magneto repetir suas escolhas, mesmo ciente de quão errado é o caminho que elas vão conduzi-lo.

Esse caráter reflexivo, quase iluminado na abordagem que faz da humanidade desses personagens, é o que torna “Dias de um futuro esquecido” um filme convidativo. Um fato que não seria possível sem a incursão pela ficção científica ou a disposição de dizer adeus a tudo aquilo que no universo mutante, em uma desnecessária cena final, fica no passado dos personagens.

O Xavier do passado encara o Xavier do futuro em um dos loops temporais de "Dias de um futuro esquecido": jornada para dentro de si mesmo

O Xavier do passado encara o Xavier do futuro em um dos loops temporais de “Dias de um futuro esquecido”:
jornada para dentro de si mesmo

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sexta-feira, 6 de junho de 2014 Bastidores, Curiosidades | 22:05

Reveladas primeiras fotos de Arnold Schwarzenegger no novo “Exterminador do futuro”

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Ele voltou! Mas como indicam essas imagens divulgadas pelo Facebook de um fã clube do ator Arnold Schwarzenegger, esse T-800, se é que ele continuará sendo um T- 800 nesse quinto filme, também envelhece. E fuma! “Terminator: genesis”, que ainda não tem tradução no Brasil, irá reiniciar a franquia no cinema. Teremos um John Connor adulto, que será interpretado por Jason Clark (“A hora mais escura”), uma Sarah Connor marrenta (vivida por Emily Clarke, da série “Game of Thrones”) – não há nenhum parentesco entre eles fora das telas – e Jay Courtney (“Divergente”) como Kyle Resse, o pai de John.

A direção do filme compete a Alan Taylor, que além da experiência em “Game of Thrones”, dirigiu “Thor – o mundo sombrio” (2013). A estreia está programada para 2015 e marcará o retorno de Schwarzenegger à franquia que o consagrou.

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Fotos: Schwarzenegger for president facebook page

Fotos: Schwarzenegger for president facebook page

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quarta-feira, 4 de junho de 2014 Análises, Atores | 22:08

Tom Cruise reina na ficção científica, mas isso é suficiente para o ex-rei de Hollywood?

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Tom Cruise e Emily Blunt em imagem promocional de "No limite do amanhã"

Tom Cruise e Emily Blunt em imagem promocional de “No limite do amanhã”

Foi um fim de semana incomum nas bilheterias brasileiras. Havia dois grandes blockbusters em estreia e uma comédia nacional cheia de potencial de bilheteria, além de filmes grandes em cartaz como “Godzilla” e o mais recente “X-men”. Em outros tempos, porém, esses fatores não seriam suficiente, ou mesmo relevantes, para apartar Tom Cruise do topo das bilheterias. Seu novo filme, “No limite do amanhã”, não perdeu apenas para “Malévola”, produção da Disney estrelada por Angelina Jolie, perdeu também para “X-men”, que já estava em exibição nos cinemas há uma semana, e para o nacional “Os homens são de Marte… e é para lá que eu vou”. Ou seja, o filme poderia muito bem ser estrelado por Jay Courtney, ator sem expressão alguma, e debutar em quarto lugar nas bilheterias brasileiras.

“No limite do amanhã” estreia nos cinemas americanos na próxima sexta-feira e seu fim de semana de estreia será decisivo para os rumos da carreira de Tom Cruise. Nenhum ator do primeiro escalão aposta tanto na ficção científica atualmente como ele e há uma razão para essa fidelidade. Desde o final dos anos 90, Cruise viu-se afastado do topo de Hollywood. Processo que foi acelerado desde que pulou no sofá de Oprah Winfrey.

Tentou comprar os direitos do Homem de ferro da Marvel, mas esbarrou nos embrionários planos da empresa em se configurar em um valioso estúdio de cinema. Assumiu o controle de um estúdio, a United Artists, na tentativa de revigorar o selo – surgido na era de ouro de Hollywood – e sua carreira, mas filmes como “Operação Valquíria” (2008) e “Leões e cordeiros” (2007) não deram muito certo e a United Artists faliu em 2008.

Não se dando por vencido, Cruise recuperou a franquia “Missão impossível” e teve um alento. O quarto filme, lançado no fim de 2011, tornou-se o mais lucrativo da série com quase U$ 700 milhões arrecadados internacionalmente, e um dos pontos altos da carreira de Cruise.

O ator em cena de "Minority Report - a nova lei": união com Spielberg rendeu melhor ficção da  1ª década do século XXI

O ator em cena de “Minority Report – a nova lei”: união com Spielberg rendeu melhor ficção da 1ª década do século XXI

Cruise tentou emplacar outra franquia de ação com “Jack Reacher: o último tiro”, lançado em 2012, mas o filme não arrecadou o que se esperava. Cruise ainda tenta conseguir o aval da Paramount, estúdio com o qual já teve contrato exclusivo, para um segundo filme, mas está difícil.

Ator que também produz seus filmes, Cruise é conhecido por ser extremamente profissional e perfeccionista. Disse certa vez ao semanário The Hollywood Reporter que resistia à febre de adaptações em quadrinhos porque não queria relacionar a marca Tom Cruise ao que entendia ser um hype passageiro.  Vale lembrar que ele tentou comprar os direitos do personagem Homem de ferro, mas isso foi muito antes do personagem ganhar a notoriedade que goza hoje.

A marca Tom Cruise foi buscar guarida na ficção científica. Com Cameron Crowe, seu diretor em “Jerry Maguire – a grande virada” (1996), rodou o primeiro filme de sua carreira com tendências para a ficção científica. “Vanilla Sky” (2001) era o remake de um filme espanhol complexo, obscuro e pouco visto. Não foi a estreia dos sonhos no gênero, mas a incursão seguinte colocaria os pingos nos is. Cruise aliou-se ao grande cineasta do século XX, Steven Spielberg, para fazer a melhor ficção científica do início do século XXI. “Minority Report – a nova lei” (2002), adaptado de um conto do papa do gênero Philip K. Dick, colocava Cruise como um policial em um futuro em que os culpados pelos crimes eram detidos antes de cometerem os crimes em questão. O filme foi grande sucesso de público e maior ainda de crítica e fez com que Cruise e Spielberg se reunissem para uma versão cascuda de “Guerra dos mundos” (2005), de H.G Wells. O filme não era tão bom quanto se esperava que fosse, mas foi um hit mesmo assim.

Depois do filme, Cruise foi gerenciar a United Artists, o que não deu certo, e acabou voltando à ficção em 2013 com “Oblivion”. Um projeto selecionado pelo ator, assim como foi o diretor da fita, Joseph Kosinski, de “Tron – o legado”.

Cruise e seu diretor em "Oblivion", Joseph Kosinski, no set do filme: exercício de controle

Cruise e seu diretor em “Oblivion”, Joseph Kosinski, no set do filme: exercício de controle

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“No limite do amanhã” é a segunda ficção científica consecutiva de Tom Cruise. Dirigido por Doug Liman, dos bons “A identidade Bourne” (2002) e “Sr. & Sra. Smith” (2005), o filme não é apenas uma aposta de Cruise no gênero. É uma aposta de Cruise de que, no gênero certo e com o devido cuidado, ele pode fazer frente a franquias milionárias adaptadas de obras juvenis, games e HQs.

Escolado na batalha pela sobrevivência nesse campo de batalha que é o cinemão, e com o reinado na ficção científica cada vez mais frágil, Cruise já prepara o retorno de séries conhecidas. O quinto “Missão impossível” já está em pré-produção e deve ser lançado no fim de 2015 e o segundo “Top Gun” vai mesmo acontecer, mesmo com a morte de Tony Scott (o diretor do filme original suicidou-se em meados de 2012).

O topo de Hollywood já não é mais um sonho possível. Tom Cruise parece brigar para continuar sendo viável nas bilheterias, quando tudo parece apontar o contrário.

Tom Cruise e Emily Blunt: Em "No limite do amanhã", o ator cede mais espaço a sua co-protagonista  (Fotos: divulgação e Getty)

Tom Cruise e Emily Blunt: Em “No limite do amanhã”, o ator cede mais espaço a sua co-protagonista
(Fotos: divulgação e Getty)

 

 

 

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segunda-feira, 2 de junho de 2014 Diretores, Notícias | 22:34

Edward Snowden pode ser a senha para Oliver Stone recuperar a relevância artística

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O ex-analista da NSA, Edward Snowden será tema do novo filme de Oliver Stone (Foto: AP/Guardian)

O ex-analista da NSA, Edward Snowden será tema do novo filme de Oliver Stone (Foto: AP/Guardian)

Entre o fim dos anos 80 e a primeira metade dos anos 90 não havia cineasta mais significativo, temido e ousado do que Oliver Stone. Fortemente liberal, esse americano nascido em Nova York dirigiu alguns dos filmes políticos mais ácidos produzidos nos EUA no período. Mirou na guerra do Vietnã (“Platoon” e “Nascido em quatro de julho”, na sociedade de consumo (“Assassinos por natureza”) e nas teorias conspiratórias (“JFK – a pergunta que não quer calar”).

Já faz mais de vinte anos que Oliver Stone não consegue se notabilizar a não ser pela polêmica fácil e simples. Das cinebiografias dos presidentes americanos, Bush foi o último pincelado por ele no dispensável “W” (2008), à recriação do drama da queda das torres gêmeas pela perspectiva de dois bombeiros que ficaram sob os escombros do World Trade Center, “As torres gêmeas” (2006), Stone acostumou-se a ser uma sombra do cineasta que foi um dia.

Depois de produzir e dirigir uma série documental para a tv americana em que conta uma versão alternativa para muitos fatos que marcaram a história americana, intitulada “The Untold history of The United States”(2012-2013), Stone prepara um retorno em grande estilo. Ele irá dirigir um filme sobre Edward Snowden, o homem cuja complexidade para defini-lo desafia articulistas políticos e jornais em todo o mundo.

Oliver Stone orienta o ator Josh Brolin, caracterizado como Bush, em "W" (Foto: divulgação)

Oliver Stone orienta o ator Josh Brolin, caracterizado como Bush, em “W” (Foto: divulgação)

Stone, de acordo com a revista Variety, está escrevendo o roteiro do filme que será baseado no livro “The Snowden files: The inside story of the World´s most wanted man”, do jornalista Luke Harding.

O livro é considerado um thriller cinemático e tudo indica que Stone irá se beneficiar dessa lógica narrativa. Em suas incursões pelo mundo financeiro, fez dois filmes sobre os bastidores de Wall Street, Stone apropriou-se desse ritmo de thriller para contar uma história sobre os pilares e fundamentos do capitalismo. A ideia é evocar o clima de “JFK – a pergunta que não quer calar”, já que Snowden é um personagem que favorece teorias conspiratórias.

Fazer um filme sobre um dos personagens mais controvertidos do novo século, Julian Assange, Mark Zuckerberg e Steve Jobs seriam outros, mas já tiveram seus filmes, pode ser a redenção que Stone tanto busca como cineasta.

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sábado, 31 de maio de 2014 Filmes, Listas | 22:40

Cinco filmes imperdíveis nos cinemas em junho

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Não é um mês, digamos, dos mais prolíferos em matéria de cinema. Estúdios e distribuidoras cientes de que neste mês de junho a Copa do Mundo reinará absoluta, não programaram grandes lançamentos para o período. Mesmo assim, o Cineclube deu uma peneirada geral e destaca cinco belos lançamentos do mês. Tem espaço para filme teen, produção nacional multipremiada, adaptação de José Saramago e filme francês.

 

“O lobo atrás da porta” (Brasil, 2013)

(Fotos: divulgação)

(Fotos: divulgação)

Filme brasileiro que coleciona prêmios festivais afora, a fita dirigida por Fernando Coimbra e estrelada por Milhem Cortaz (“Tropa de elite”) e Leandra Leal (“Mato sem cachorro”), nas palavras da Variety, revista americana especializada em entretenimento, “é um suspense intrigante e extremamente inteligente”. Curioso? A trama mostra um triângulo amoroso como estopim do sequestro de uma criança no Rio de Janeiro. Exibido em diversos festivais fora do Brasil, “O lobo atrás da porta” é considerado o filme brasileiro mais surpreendente desde “Cidade de Deus” (2002).

Estreia em 05/06

“O amor é um crime perfeito” (França, 2013)

O amor é um crime perfeito

 

Representante francês da lista é daqueles que faz jus à fama dos filmes franceses. Um professor de literatura conquistador, vivido por Mathieu Amalric (“007 – Quantum of Solace”) recebe a visita da mãe de uma das alunas que levou para a cama. A pegadinha é que a menina desapareceu. Entre o thriller e o drama, o filme vai revelando suas camadas.

Estreia em 19/06

 

“Vizinhos” (EUA, 2014)

Film Title: Neighbors

Dos mesmos produtores de “É o fim”, um dos filmes mais descolados e engraçados dos últimos tempos, esta comédia protagonizada por Seth Rogen (“Ligeiramente grávidos”) e Zac Efron (“Obsessão”) chegou fazendo barulho nos EUA. Rogen faz um pai de família que se muda para um subúrbio aparentemente ideal. A paz de sua família, no entanto, é ameaçada pela algazarra dos vizinhos, literalmente um clube do bolinha dos mais endiabrados.

Estreia em 19/06

 

O homem duplicado (EUA, 2013)

O Homem duplicado (1)

Filme do mesmo diretor do tenso e complexo “Os suspeitos”, uma das boas surpresas do ano passado nos cinemas, essa adaptação da clássica obra de Saramago traz Jake Gyllenhaal como um professor de história com fortes tendências depressivas. Um dia, vendo um filme, ele descobre uma pessoa idêntica a ele. A partir daí, fica obsessivo em descobrir tudo sobre essa pessoa.

Estreia em 19/06

“A culpa é das estrelas” (EUA, 2014)

A culpa é das estrelas

 

Trata-se da adaptação cinematográfica de um grande sucesso da literatura infanto-juvenil. Adaptado do livro de John Green, que por sua vez foi lançado em 2012, o filme acompanha a luta de Hazel (a encantadora e ascendente Shailene Woodley) contra um câncer e como a perspectiva do amor muda toda a sua percepção sobre si e sobre a vida.

Estreia em 05/06

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sexta-feira, 30 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:56

Espaço Cult – “Ela” ressalta valor de se viver emoções

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HerTheodore (Joaquin Phoenix) escreve cartas de amor. Elas não precisam ser necessariamente de amor, mas clientes que precisam de cartas de amor compõem a clientela básica do Beautifulletters.com. Sabemos que estamos em uma ficção científica porque em um futuro próximo, bizarramente e melancolicamente parecido com o nosso presente, as pessoas escrevem cartas, mesmo que paguem alguém para escrevê-las. Theodore leva jeito com as palavras; sabe transmitir sentimentos que não sãos seus com ternura e docilidade. No entanto, Theodore não consegue organizar satisfatoriamente seus sentimentos. Do tipo solitário, sua situação é agravada pela dificuldade que ele apresenta de superar o término de um relacionamento longo e significativo. Na verdade, Theodore não sabe exatamente se sente falta de Catherine (Rooney Mara) ou de quem ele era com ela.

Theodore é daqueles que confiam à tecnologia vigente as miudezas da vida. É seu sistema operacional quem escolhe as músicas que ouve, lhe apresenta as notícias do dia, a previsão do tempo, entre outras coisas. Quando um novo sistema operacional, com a promessa de ser mais intuitivo e ajustável à personalidade do dono é lançado, Theodore, como um geek em todo o seu esplendor, logo compra a novidade. Depois de algumas perguntas, as quais Theodore pouco contribui com respostas, Samantha emerge com a voz rouca, sensual e abrasadora de Scarlett Johansson.

A partir daí se estabelece uma dinâmica que aos poucos vai evoluindo para uma relação amorosa. A maneira como Jonze tece essa história de amor nada convencional é tão imaginativa como sensível. À medida que Samantha vai dominando não só os pensamentos como o cotidiano de Theodore, ele, a princípio, se sente renovado. Com o tempo, no entanto, ele começa a divagar sobre a natureza de seu sentimento por Samantha e se há, de fato, um futuro para eles.

No mundo criado por Jonze, os relacionamentos entre humanos e sistemas operacionais estão ficando populares e há até quem se ofereça como uma espécie de cupido moderno para dar corpo a uma relação incorpórea. Quando isso acontece com Samantha e Theodore, “Ela” (2013) atinge um nível de sensibilidade em sua proposta maior que a vida.

A principal razão de ser desse belo, dolorosamente romântico e profundamente poético filme de Spike Jonze é conjecturar sobre a incrível necessidade humana de se conectar. Ela é tão forte que se pluga até mesmo ao que não for real. Não se trata de uma crítica a esse tempo de hiper-conectividade (um tipo de conexão totalmente diferente, afinal), ainda que essa crítica possa ser apreciada em um dos muitos subtextos do filme.

Amar é não racionalizar, racionaliza Jonze com uma amargura que paradoxalmente faz “Ela” soar ainda mais doce. É particularmente saboroso constatar que “Ela” é uma resposta mais complexa, mais doída e mais bem urdida a “Encontros e desencontros” (2003), de Sofia Coppola. Sofia e Jonze foram casados e as coisas não deram muito certo. Essa DR cinematografia, com Scarlett Johansson como uma espécie de hiperlink torna os dois filmes especialmente significativos para toda uma geração de cinéfilos.

Theodore conhece Samantha: o rosa, os bigodes e as calças caquis dão o tom do futuro

Theodore conhece Samantha: o rosa, os bigodes e as calças caquis dão o tom do futuro

 

Scarlett Johansson com Bill Murray em Encontros e desencontros: DR cinematográfica   (Fotos: divulgação)

Scarlett Johansson com Bill Murray em Encontros e desencontros: DR cinematográfica (Fotos: divulgação)

Por falar em trunfos, Joaquin Phoenix segue desafiando convenções. O ue esse monstro da atuação não é capaz de fazer? Totalmente entregue a um personagem difícil, hermético e em um tom totalmente diferente de tudo que já fizera como ator, Phoenix é o coração de “Ela”. Sem ele, o filme talvez não se conectasse (conceito tão importante na narrativa de Jonze) com a audiência.

Morfologias à parte, “Ela” é relevante por abordar o status quo de toda uma geração de maneira tão bela e suave. Fluindo entre o humor e o drama, Jonze faz um filme solar que sabe se alimentar da tristeza. Um filme especialmente eloquente para quem quer que já tenha amado.

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Curiosidades, Fotografia | 19:40

Artista imagina filmes de sucesso com astros diferentes

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Todo mundo gosta de imaginar como teria sido aquele filme se ator X estivesse no lugar do ator Y. O artista digital Peter Stults tomou algumas liberdades nesse exercício de imaginação e cinefilia e criou cartazes com filmes que marcaram época como “Pulp Fiction – tempo de violência” e “Cães de aluguel”, ambos de Quentin Tarantino, ou sucessos recentes como “Gravidade” e “Trapaça”, filmes que estiveram na última edição do Oscar.  E se Al Pacino encarnasse Wolverine em uma versão setentista do filme? Meryl Streep faria melhor que Sandra Bullock perdida no espaço?  Peter o´Toole faria melhor que Michael Fassbender como o advogado ganancioso de “O conselheiro do crime”? E se “Trapaça” tivesse sido feito nos anos 70? Quais seriam os protagonistas? Dê asas a sua imaginação!

"X-men: dias de um futuro esquecido"

“X-men: dias de um futuro esquecido”

 

"Ajuste de Contas"

“Ajuste de Contas”

 

"O conselheiro do crime"

“O conselheiro do crime”

 

"Cães de aluguel"

“Cães de aluguel”

 

"Pulp Fiction"

“Pulp Fiction”

 

"Gravidade"

“Gravidade”

 

"Trapaça"

“Trapaça”

 

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quinta-feira, 29 de maio de 2014 Filmes | 23:07

Revisitando os clássicos: “Os bons companheiros”

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Martin Scorsese orienta Robert De Niro e seu elenco nos sets de "Os bons companheiros"  (Fotos: divulgação)

Martin Scorsese orienta Robert De Niro e seu elenco nos sets de “Os bons companheiros”
(Fotos: divulgação)

É interessante rever essa atemporal obra-prima de Martin Scorsese depois de assistir sua mais recente, “O lobo de Wall Street”. Interessante porque os filmes se comunicam estética, narrativa, estrutural e tematicamente. É perceptível para qualquer um com alguma familiaridade com a filmografia do septuagenário cineasta que seu mais recente sucesso, indicado a cinco Oscars, remete a “Os bons companheiros” tanto no desenvolvimento dos personagens, em ambos os casos boêmios com síndrome de Peter Pan, como na crítica a um universo em particular. Se em “Os bons companheiros” Scorsese discorre com propriedade ímpar sobre o mundo do gangsterismo, em “O lobo de Wall Street”, sua lupa está voltada para o mundo de excessos de Wall Street.

Essa sobreposição favorece o cinema de Scorsese que parece ainda mais azeitado com o passar do tempo.

É seguro dizer, independentemente de se ter visto “O lobo de Wall Street” ou não, que “Os bons companheiros” é o filme de gangster mais importante do cinema moderno. Não só estabeleceu os parâmetros que seriam utilizados em filmes como “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes” (1998) e séries como “Família Soprano” (1999-2007), como desconstruiu o fascínio que o cinema entre as décadas de 30 e 70 ajudou a erguer em torno do universo gangster com belos filmes noir, como os estrelados por Humphrey Bogart. O universo eminentemente masculino é dominado por Scorsese com todo o rigor que se espera de um cineasta crítico e prolixo em sua arte.

No filme, baseado no livro “Wiseguy” de Nicholas Pileggi, Henry Hill (Ray Liotta) narra toda a sua trajetória pela vida de gângster. Vida esta que sempre cortejou. “Ser gângster era melhor do que ser presidente da República”, contextualiza logo em suas primeiras digressões para a audiência. O tom confessional se justifica próximo ao fim da fita, em mais uma agradável similaridade a “O lobo de Wall Street” e faz todo o sentido, já que é a perspectiva de Henry daquele universo tão particular que interessa à realização.

Henry é um anfitrião valoroso para o olhar da audiência. Cativante e charmoso e aparentemente menos errático do que seus amigos Jimmy (papel de Robert De Niro, em sua então quinta colaboração com Scorsese) e Tommy (Joe Pesci em performance premiada com o Oscar).

Henry é um narrador charmoso que, assim como a plateia, se espanta com o universo que adentra

Henry (Ray Liotta, no centro) é o narrador que, assim como a plateia, se espanta com o universo que adentra

O mais interessante é que a violência em sua singularidade atroz surge banalizada na concepção cotidiana de homens que se julgam os donos do mundo. Esse choque de realidade, embora vitime o protagonista em dado momento, não irá demover sua visão encantada do universo que habita, apenas lhe provocar uma nostalgia agridoce quando do momento de apartar-se dele.

É essa crueza na análise, ainda que flerte com o cinismo cá e lá, que faz desse exemplar distinto na cinematografia de Scorsese um filme tão lapidado, tão eloquente.

Visualmente, “Os bons companheiros” também é riquíssimo. Há cenas pensadas para o impacto. Seja um assassinato relativamente inesperado ou a maneira como uma manhã em particular na vida de Henry é desvelada.

A violência faz parte dessa lógica visual em rompantes brutais que tornam toda a narrativa muito mais grave.  Joe Pesci, nesse sentido, é peça chave. Seu Tommy é dinamite pura e imprevisível e Pesci grifa essa característica de seu personagem sempre que tem a oportunidade.

“Os bons companheiros” era o Scorsese mais em carne viva, mais sagaz e mais cinematográfico que se tinha até o surgimento de “O lobo de Wall Street”. Pode-se dizer até que era o seu último grande filme, no sentido de ser superlativo mesmo. As semelhanças entre ambas as produções, que não são poucas, não restringe a experiência cinematográfica, mas a expande. Rever “Os bons companheiros” é, neste contexto, redescobri-lo por completo.

Ray Liotta, Robert De Niro, Paul Sorvino, Martin Scorsese e Joe Pesci: os bons companheiros

Ray Liotta, Robert De Niro, Paul Sorvino, Martin Scorsese e Joe Pesci: os bons companheiros

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Curiosidades | 19:02

Pôster de “Sin City: a dame to kill for” é censurado nos EUA

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A Motion Picture Association of America (MPAA), entidade formada pelos principais estúdios dos EUA e que regulamenta a distribuição de filmes no País, vetou a circulação de um cartaz do filme “Sin City: a dame to kill for” por exibir a atriz francesa Eva Green de maneira muito sensual. Não é a primeira vez, e provavelmente não será a última, que o MPAA faz censura. O pôster, no entanto, já ganhou a internet e você pode conferi-lo abaixo.

“Sin City: a dame to kill for” chega aos cinemas brasileiros em 11 de setembro.

Sin city -poster 1

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