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segunda-feira, 19 de outubro de 2015 Críticas, Filmes | 14:48

Zemeckis faz homenagem às torres gêmeas com “A Travessia”

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Robert Zemeckis é um cineasta que gosta de brincar com a percepção de que o cinema é um lugar de magia e “A Travessia” (EUA 2015), filme que recria a trajetória do equilibrista francês Phillippe Petit (Joseph Gordon-Levitt), famoso por atravessar as torres gêmeas usando apenas um cabo, é uma experiência cinematográfica que agrega a essa mística inerente à filmografia do cineasta.

“A Travessia” não é um grande filme. O primeiro ato é enfadonho e cheio de efeitos especiais óbvios que afastam o sentimentalismo que a narrativa projeta. A caracterização de Levitt também é problemática. A franjinha esnobe, os olhos azuis dolorosamente falsos e o sotaque francês de araque incomodam e deixam sua interpretação ruidosamente artificial. Conforme o filme avança, e Petit pelo olhar afetuoso de Zemeckis vai ganhando pujança, esses problemas deixam de ser centrais.

O diretor arquiteta seu filme muito bem. A quebra da quarta parede (quando o personagem dialoga com a audiência) faz sentido para contar a proeza impossível de Petit, um homem que via em seu ofício uma expressão artística incompreendida. A ideia de articular toda a preparação para a travessia ilegal no World Trade Center como um golpe é outro acerto da realização. O filme ganha em charme e humor e a o sonho impalpável de Petit é mais bem dimensionado dramaticamente.

Tudo isso para alimentar a ansiedade pelo grande momento do filme, quando Petit finalmente cruza as torres em um cabo de metal. A cena é de uma beleza extrema e Zemeckis leva a sério a ideia de colocar o espectador junto no cabo com Petit. Nada que provoque vertigem, como esteve sendo noticiado aqui e acolá, mas a cena se alonga mais do que o necessário.

Em última análise, com seus defeitos e virtudes, e trata-se de um filme rachado por eles, “A Travessia” deve ser visto como uma homenagem carinhosa às torres gêmeas e a memória de uma cidade mais inocente do que é a Nova York de hoje.  Um préstimo que só o cinema parece capaz de oferecer por meio de uma magia envolvente que tem no cinema de Zemeckis seu principal fiador.

 

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