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quinta-feira, 23 de julho de 2015 Análises, Atores | 16:27

Em meio à crise na carreira, Adam Sandler busca abrigo na internet

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O ator em cena do filme "Esposa de mentirinha" (Fotos: divulgação)

O ator em cena do filme “Esposa de mentirinha”
(Fotos: divulgação)

Adam Sandler sempre foi um campeão de bilheteria. Desde que iniciou seu reinado em meados da década de 90 com filmes como “Um maluco no golfe” (1996), “Afinado no amor” (1998) e “O paizão” (1999), o ator deu de ombros para a crítica que sempre lhe torceu o nariz.

Nos anos 2000, em plena fase em que astros de cinema se desvalorizavam em detrimento de adaptações de outras mídias e franquias de apelo juvenil, Sandler manteve sólida sua base de fãs e dava lucro com seus filmes relativamente baratos.

Sandler, diferentemente de figuras como Johnny Depp e Robert Downey Jr. que se reinventaram para acontecer no mainstream, levava público ao cinema sendo sempre ele mesmo. As galhofas e as piadas grosseiras vez ou outras rivalizavam com alguma aparição mais séria como no drama pós-11 de setembro “Reine sobre mim” (2007).

Sandler conseguia que até mesmo filmes como “Golpe baixo” (2005), sobre futebol americano, ganhasse distribuição nos cinemas brasileiros. Um feito raro para filmes sobre esportes impopulares no país. A primeira década do milênio foi delirantemente positiva para o ator.

Estrelou filmes muitíssimo bem sucedidos como “A herança de Mr. Deeds” (2002), “Tratamento de choque” (2003), em que contracenou com a fera Jack Nicholson, “Como se fosse a primeira vez” (2004) e “Click” (2006).

Não obstante, colaborou com verdadeiras legendas da sétima arte como Paul Thomas Anderson (“Embriagado do amor”) e James L. Brooks (“Espanglês”), além de se experimentar em um tipo diferente de humor, mais amargo, em fitas como “Tá rindo do quê?”, de Judd Apatow, maior nome da comédia americana atual.

Sandler em "Pixels": crítica reprovou o filme. Como o público reagirá neste fim de semana?

Sandler em “Pixels”: crítica reprovou o filme. Como o público reagirá neste fim de semana?

A virada da década, no entanto, representou um doloroso revés para o ator. Sandler continuou operando na mesma fórmula. Comédias histriônicas (“Gente grande”, “Cada um tem a gêmea que merece” e “Esse é o meu garoto”), com incursões dramáticas pontuais (“Homens, mulheres e filhos”).

“Pixels”, principal aposta da Sony na temporada e que chega hoje aos cinemas do Brasil e nesta sexta-feira nos EUA, já é um filme em que Sandler divide o protagonismo com outros atores. Além de seu habitual parceiro Kevin James, figuras ascendentes como Josh Gad e Peter Dinklage estrelam a fita que coloca personagens de videogames contra a humanidade.

Recolocação

Os últimos filmes do ator foram fiascos de bilheteria. “Juntos e misturados” (2014), terceira colaboração com a atriz Drew Barrymore (as outras foram “Afinado no amor” e “Como se fosse a primeira vez”) já não foi lançado nos cinemas de muitos países.

A crítica continua pouco amistosa com Sandler, mas estaria o público cansado dele? A revista Forbes colocou o ator no topo da lista dos atores menos rentáveis nos últimos dois anos. A equação é simples. A taxa de retorno de Sandler anda baixíssima. Com um salário ainda inflado, o ator rendeu US$ 3,20 para cada dólar recebido. Na contramão da expectativa ensejada pela Forbes, a Netflix fechou um acordo com Sandler para produzir e distribuir seus próximos quatro filmes. O desenvolvimento será conduzido em parceria com a Happy Madison Productions, produtora do ator.

Em Cannes, Ted Sarandos, diretor de programação da Netflix,  disse que a opção por fechar um contrato com Sandler se deu baseado em levantamento feito pela empresa de que os filmes estrelados pelo ator são dos mais procurados pela base de assinantes nos mercados em que a Netflix opera.

Sandler e Barrymore em "Juntos e misturados": velhas receitas não estavam dando certo

Sandler e Barrymore em “Juntos e misturados”: velhas receitas não estavam dando certo

Ao buscar abrigo na internet, Sandler não só aponta um caminho para astros em decadência – e há uma fila cada vez maior deles – como relativiza o impacto negativo das bilheterias de seus últimos filmes. O interesse por ele teria apenas migrado de plataforma. Pode não ser o sonho de aposentadoria do outrora rei da comédia besteirol americana, mas é uma saída para lá de digna.

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segunda-feira, 13 de abril de 2015 Atores, Filmes, Listas | 19:04

Os melhores filmes de atores ruins

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Não há lista sem polêmica e todo apreciador de listas, e de polêmicas, sabe disso. O Cineclube eleva as apostas ao atrelar em uma mesma lista o rótulo de pior ao melhor. A lista em destaque tem como objetivo reconhecer os melhores filmes de atores ruins. Alguns atores são conhecidos do grande público, outros não. Em comum, todos têm o fato de serem constantemente questionados pela crítica. Os filmes pelos quais são lembrados aqui não só representam o ponto alto em matéria de interpretação alcançado por esses atores, como também são filmes bons em grande parte pelo trabalho deles. Um aparente paradoxo que, como toda lista, dá pano para manga.

 

“O advogado do Diabo” (EUA, 1997) – Keanu Reeves

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Keanu Reeves é um mau ator que conseguiu disfarçar suas deficiências dramáticas se refugiando na ação. Incensado a astro, tentou diversificar no cinema independente, mas jamais alcançou o êxito de outros atores desacreditados como Matthew McConaughey. No entanto, antes de “Matrix”, Reeves teve seus (bons) espasmos e o melhor deles é “O advogado do Diabo”. No filme que também é o melhor do irregular cineasta Taylor Hackford, Reeves convence como um advogado arrogante e brilhante que é assediado por ninguém menos que o Diabo. Al Pacino reclama nosso olhar para si, mas quem se predispuser a observar Reeves verá ali uma chama que infelizmente não se alastrou.

 

 “A vida é bela” (ITA, 1997) – Roberto Benigni 

A vida é bela

Roberto Benigni é um ator tão ruim que, em perspectiva, o Oscar conquistado pelo trabalho nesse belíssimo drama torna-se plenamente justificado. Emocionante e sensível, o registro de um pai que faz de tudo para maquiar os horrores da guerra para seu filho, mostra que no cinema como no futebol, todo perna de pau tem seu dia de artilheiro.

 

“Mata-me de prazer” (EUA, 2002) – Joseph Fiennes

mata-me de prazer

Não é fácil arranjar um filme bom estrelado por Joseph Fiennes, o irmão mais bonito, mas menos talentoso de Ralph Fiennes, que seja bom por causa dele. “Elizabeth”, “Círculo de fogo” e “Correndo com tesouras” são bons apesar dele. Mas esse thriller erótico que brinca com o prazer do sexo com asfixia, Fiennes faz um homem misterioso adepto da prática que vira do avesso a vida de uma mulher bem resolvida vivida por Heather Graham. Trata-se de uma boa atuação e muito do clima do filme se deve ao trabalho do ator.

 

 “Paranoia” (EUA, 2007) – Shia LaBeouf

Paranoia

Steven Spielberg certa vez disse que LaBeouf seria o próximo Tom Hanks e essa impressão veio logo depois do lançamento deste filme, um suspense despretensioso de ótima bilheteria lançado no mesmo ano do primeiro “Transformers”, que elevara LaBeouf ao status de astro. Foi, também, o primeiro filme protagonizado por ele que já vinha de pequenos papeis em “Constantine” (2005) e “Bobby” (2006). Aqui, o ator demonstra carisma e capacidade de trafegar entre os registros cômico e dramático com facilidade. Pena que o sucesso subiu à cabeça e LaBeouf jamais seria tão eficaz em cena novamente.

 

“A fúria” (EUA, 2007) – Christian Slater

A fúria

Veterano, Christian Slater esteve em ótimos filmes, mas todos eles independiam de sua presença. Em “A fúria” não é bem assim. Aqui Slater tem a chance de brilhar e o faz deixando toda a canastrice de lado. Na pele de um sujeito pacato que é ridicularizado pelos colegas de trabalho, o ator impressiona. Um belo dia seu personagem resolve levar uma arma para o trabalho para matar todo mundo, só que outra pessoa tem a mesma ideia e a põe em prática antes. Ele acaba salvando alguns colegas e passa a ser um herói. Promovido e paparicado, o sentimento de inadequação permanece. Grande filme e grande atuação.

 

 “Match point –ponto final” (INGL/ 2005) – Jonathan Rhys Meyers

match

O inglês foi uma escolha incomum de Woody Allen para essa releitura muito mais tensa e elaborada de “Crimes e pecados”, sobre um alpinista social cheio de charme que não mede esforços para vencer na vida. Depois de brilhar em “Match point”, Rhys Meyers foi descoberto por Hollywood e, afora o trabalho na série “The Tudors”, só decepcionou no cinema com atuações entre o risível e o lamentável.

 

 “Piratas do Caribe: a maldição do Perola negra” (EUA, 2003) – Orlando Bloom

Piratas do caribe

Se o galã inglês tivesse metade de talento do que tem de sorte, talvez fosse o Laurence Olivier de sua geração.  Presente em duas das mais lucrativas e influentes franquias do novo século (“Piratas do Caribe” e “O senhor dos anéis”), Bloom costuma ser o elo fraco de bons filmes como “Troia”, “Falcão negro em perigo” e “Cruzada”. Todos filmes que, entre outros objetivos, visavam impulsionar uma carreira que jamais decolou. Isso porque Bloom é ruim. Demais. Contudo, no primeiro “Piratas do Caribe”, sua química com Johnny Depp é avassaladora e ajuda a mascarar sua falta de carisma. Não é exatamente por sua atuação que esse filme é destacado, mas pelo resultado da combinação de sua atuação com a de Depp. Uma tecnicalidade que se faz necessária quando nada se salva na filmografia de um ator tão ruim como Bloom.

 

“Garota exemplar” (EUA, 2014) – Ben Affleck

Ben Affleck em "Garota exemplar": um casamento devassado

Ben Affleck em “Garota exemplar”: um casamento devassado

Ok, Ben Affleck não é exatamente ruim. Ele é mais vítima de má vontade do que exatamente ruim e está muito bem em vários filmes como “Fora de controle”, “Gênio indomável”, “Argo” e “Atração perigosa”, uma pequena amostra de quantos bons filmes ele estrelou ao longo de sua carreira. Mas essa pecha de mau ator pegou e talvez “Garota exemplar” seja Ben Affleck começando a superar este estigma. No filme de David Fincher, a inexpressividade do ator é usada para dar os contornos necessários ao marido suspeito de matar a esposa. Como o homem comum tragado para um redemoinho de sensacionalismo, o ator entrega uma atuação calibrada e cheia de insuspeitas nuanças.

 

 “127 horas” (EUA, 2010) – James Franco

127 horas

James Franco é um artista interessante. Multimidiático e disposto a expandir as fronteiras da arte, é o tipo de ator, roteirista, escritor, diretor e outras coisinhas mais que convém ficar de olho. Isso posto, como ator, Franco (ainda) deixa a desejar. Há bons momentos como em “Milk – a voz da igualdade” e “Segurando as pontas”, mas no geral o ator é inconstante e deficiente. “127 horas”, no entanto, é um filme cujo todo impacto depende exclusivamente da performance de Franco. De como o ator alcança a audiência e Franco é não menos que brilhante. Uma atuação poderosa que foi justamente distinguida com uma indicação ao Oscar e que mostra que Franco pode ainda não ter maturado, mas está no caminho certo.

 

 “Tá rindo do quê?” (EUA, 2009) – Adam Slander

tá rindo

Sempre contestado, Adam Sandler habitou-se a responder seus críticos com vultosas bilheterias. Isso já não acontece mais. Decadente, Sandler parece não cativar mais nem mesmo seu público fiel. Em “Tá rindo do quê?”, excelente comédia dramática de Judd Apatow, ele faz um comediante que descobre só ter um ano de vida e precisa lidar com a ingrata tarefa de preparar seu legado. Algo que Sandler, estranhamente e não literalmente, vivencia atualmente. Profético ou não, o filme apresenta a melhor performance do ator que permite que a metalinguagem corra solta na sua interação com o então astro em ascensão Seth Rogen. Menos dramático do que em filmes como “Reine sobre mim”, Sandler fala sério sem deixar o humor de lado.

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