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quinta-feira, 19 de maio de 2016 Críticas, Filmes | 17:03

“Amores Urbanos” rejeita ideias prontas e faz elogio do amor possível

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Julia (Maria Laura Nogueira) acorda ao lado do namorado e descobre que ele é namorado de outra mulher que está fazendo um escândalo na garagem do prédio pela cena que acabou de presenciar no apartamento. O rapaz se vira para Júlia e diz “Por favor, vai embora daqui”. Essa cena fracamente desorientadora abre “Amores Urbanos”, primeiro filme de Vera Egito.

A produção aborda com um improvável misto de afeto e inquietação as desventuras amorosas de três amigos na faixa dos 30 anos que moram em São Paulo. Ao lançar luz sobre as conturbadas relações de Júlia, que se descobre grávida desse sujeito que a enganara durante tanto tempo, Diego (Thiago Pethit), que resiste às pressões do namorado Luan para que morem juntos, e Mica (Renata Gaspar), incomodada com o fato da namorada (Ana Cañas) resistir a assumir o namoro com ela para os amigos, Egito tece uma pequena e saborosa crônica sobre a crise dos 30 anos. Algo tão comum, mas nem por isso banal, na atualidade.

A contemporaneidade dos conflitos norteia o registro. Não apenas no foro do amor, mas também em outros aspectos. “Eu tô na merda, o Di tá na merda e você sempre dizendo que tá tudo ótimo”, observa Mica a uma Júlia ainda desorientada lá pela metade da fita. Mais do que retratar esses amores que se metamorfoseiam fugazmente, Egito oferece a seus personagens os sabores e dissabores da maturidade. Nesse escopo, seu filme é abrilhantado pelas atuações naturalistas de um elenco sem vícios e com muito tesão pela história contada.

Sem julgar seus personagens, mas permitindo que eles se julguem destemidamente, “Amores Urbanos” se ajusta àquele cinema que se pretende reflexivo do tempo e do espaço. A urbanidade, discretamente contemplada por força orçamentária, ganha vivacidade nos diálogos e nos desencontros dos personagens.

Cuidadosa, Egito evita os clichês na resolução dos conflitos aventados, mas recepciona as convenções contemporâneas que fazem sentido às verdades que seus personagens defendem ao longo do filme. Corajoso e espirituoso, “Amores Urbanos” é um filme que faz sentido principalmente para quem rejeita ideias prontas.

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