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segunda-feira, 16 de outubro de 2017 Análises, Bastidores | 15:45

Oscar e Hollywood ganham a chance de se reinventar na era pós- Harvey Weinstein

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Produtor de Hollywood caiu em desgraça e denúncias que pipocam contra ele, mas também contra outros figurões do cinema podem precipitar uma mudança de paradigma na indústria

Harvey Weinstein produziu e distribuiu todos os filmes de Quentin Tarantino, seu amigo pessoal e que ainda não deu declarações convictas após a explosão das denúncias

Harvey Weinstein produziu e distribuiu todos os filmes de Quentin Tarantino, seu amigo pessoal e que ainda não deu declarações convictas após a explosão das denúncias

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood após assembleia extraordinária realizada no último fim de semana expulsou Harvey Weinstein. É a segunda vez que um membro da instituição que outorga o Oscar é expulso, o primeiro foi Carmine Caridi, um ator que violou a política de sigilo envolvendo os screeners (maneira pela qual os acadêmicos veem muitos dos filmes que tentam vaga na premiação).

É difícil achar alguém em Hollywood que não tenha trabalhado com ou sob as ordens de Harvey Weinstein. Justamente por isso o caos na meca do cinema é tamanho após a reportagem do New York Times e da New Yorker revelando os maus-feitos do produtor. A saraivada de denúncias, depoimentos e desabafos que se sucedeu – e ainda ocupa o noticiário – era esperada. Bem como a ampliação de seus efeitos. Ben Affleck, Oliver Stone, Lars Von Trier e George Clooney já foram a abainhados pela espiral de denúncias de assédio que tomou Hollywood de assalto.

Woody Allen, outro envolto em polêmicas de pedofilia e abuso, alertou para uma “caça as bruxas” e o mundo do cinema parece enfeitiçado por um assunto que não deve ir embora (e talvez não deva mesmo) tão cedo.

A queda de um mito

Harvey Weinstein e Kate Winslet, uma das atrizes que venceu o Oscar apoiada pela máquina de Harvey

Harvey Weinstein e Kate Winslet, uma das atrizes que venceu o Oscar apoiada pela máquina de Harvey

Para além do que representa Harvey Weinstein enquanto homem e magnata de Hollywood – e para todos os efeitos ele é um símbolo perene do poder e seus tentáculos no cinema e em qualquer outra indústria – Harvey foi (o tempo passado já é presente nas referências a ele) um revolucionário no cinema americano. Primeiro por ter sido o arauto da revitalização do cinema independente norte-americano na década de 90, segundo por ter feito da campanha de promoção com vistas ao Oscar, uma arte de domínio particular.

Harvey Weinstein tornou-se um guru do Oscar. Filmes e celebridades promovidos por ele eram figuras dadas como certas na premiação. Produções contestadas como “Shakespeare Apaixonado” (1998) e “O Artista” (2011), esse com o acréscimo de ser estrangeiro, mudo e em preto e branco, triunfaram no Oscar e todo o crédito é plenamente atribuído a Weinstein.

Sempre se soube de seu temperamento opressor e de seu estigma rancoroso em Hollywood. Na série da HBO “Entourage” (2004 – 2011) o próprio aparece como ele mesmo “rindo” dessa situação. À luz das denúncias, cenas e acontecimentos do passado são reinterpretados. Quanto à Academia, ela já é cobrada a tomar providências a respeito de Roman Polanski, condenado por estupro de vulnerável, Bill Cosby e Mel Gibson. A inclusão do último nessa galeria é um reflexo da ardência do momento. Gibson pode até ser antissemita, mas não paira sobre ele suspeitas tão nocivas.

E como fica o business?

Hollywood não vai mudar da noite para o dia e a condução do “caso Harvey Weinstein” pela opinião pública demanda cautela. Afinal, passa pelo comportamento e postura da mídia a efetividade e longevidade de mudança de qualquer natureza em uma indústria notória por reger suas relações de maneira sexista e corporativista.

O efeito imediato é a debandada da The Weinstein Company. Até mesmo Bob Weinstein desandou a falar mal do irmão. Artistas estão pedindo para  retirar seus projetos do estúdio e produções que tentariam o Oscar, como “Terra Selvagem” e “The Current War” devem ser prejudicadas.

Harvey Weinstein e os premiados por "Shakespeare Apaixonado": uma vitória surpreendente que pavimentou a ascensão de um mito Fotos (AMPAS, reprodução Twitter)

Harvey Weinstein e os premiados por “Shakespeare Apaixonado”: uma vitória surpreendente que pavimentou a ascensão de um mito
Fotos (AMPAS, reprodução Twitter)

Quanto ao Oscar em si, os métodos patenteados por Weinstein há muito não são praticados só por ele. A corrida eleitoral que é a disputa pela estatueta mais cobiçada do cinema, no entanto, deve sentir a ausência de seu mais radical, desleal e competitivo fomentador.

A desgraça de Harvey Weinstein, no entanto, representa no longo prazo a chance de purificação da Academia. De resgate do valor dos filmes por eles mesmos. Um processo, na verdade, já em curso graças aos esforços de Cheryl Boone Isaacs que presidiu a instituição até o início deste ano. Para o bem ou para o mal, para a Academia, mas também para seu anjo caído, Hollywood adora uma segunda chance.

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segunda-feira, 24 de julho de 2017 Análises, Bastidores, Filmes | 09:00

Sony já é a grande campeã do verão americano de 2017

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Estúdio não será o maior em faturamento na temporada, mas foi o único a apresentar uma equação equilibrada de qualidade, planejamento, risco e originalidade. Algo cada vez mais singular na indústria do entretenimento

Arte do filme "Em Ritmo de Fuga" por Joshua Kelly

Arte do filme “Em Ritmo de Fuga” por Joshua Kelly

A vida da Sony, um dos estúdios mais importantes e prestigiados do sistema que Hollywood representa, não vinha fácil. Sucessivos fracassos de bilheteria que irromperam até mesmo a 2017 – que tem tudo para ser o melhor ano da história recente do estúdio. Alguém se lembra de “Passageiros”, aquela ficção-científica que tanto prometia e ainda reunia dois dos astros mais empolgantes da atualidade? Essa foi a pá de cal na fase malfadada iniciada na tentativa de reiniciar a franquia do Homem-Aranha com Marc Webb e Andrew Garfield à frente.

Leia também: Com fórmula Marvel, “Homem- Aranha: De Volta ao Lar” é o filme que o personagem precisava

Os solavancos foram expressivos e se deram também no âmbito da espionagem corporativa, quando hackers norte-coreanos invadiram os servidores do estúdio e vazaram documentos e correspondências sigilosas em represália à produção e distribuição do filme “A Entrevista”, que satirizava o ditador daquele país. A década ainda não acabou, mas ela tem sido sofrível para o estúdio que não consegue amealhar sucessos de bilheteria, ou mesmo de crítica. Tirando o selo de arte, o Sony Classics, que praticamente só compra e distribui filmes independentes, o estúdio está fora do Oscar desde 2012, quando teve “ A Hora Mais Escura” entre os finalistas.

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A torre negraMas 2017 parece mesmo o ano da mudança. Para começar, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” agradou a crítica e já caminha para os US$ 500 milhões na bilheteria mundial. É oficialmente um hit e foi o filme mais barato do aracnídeo produzido pelo estúdio. A parceria com a Marvel rendeu e rendeu bem em todas as frentes. Se cercar de talento e apostar no risco foi uma estratégia certeira em outras frentes também.

Edgar Wright (“Scott Pilgrim Contra o Mundo”) é um dos cineastas mais talentosos e apaixonados por cinema que há hoje e botar esse cara para fazer um filme com o apoio do sistema de estúdios é a coisa certa a fazer, mas não é o que os estúdios andam fazendo atualmente. “Baby Driver”, “Em Ritmo de Fuga” no Brasil, é dos filmes mais bem cotados pela crítica americana no ano. Barato, tá com um boca a boca positivo e se segurando contra blockbusters de raiz no mercado da América do Norte. A Sony já pensa na continuação.

Mais do que o hype, “Em Ritmo de Fuga” é um filme original em uma era em que franquias e adaptações dominam. É um gol de placa da Sony em uma temporada que os arrasa-quarteirões não estão convencendo nas bilheterias.

deNão obstante, a Sony ainda tem “A Torre Negra”, aguardada adaptação de Stephen King, com Idris Elba e Matthew McConaughey à frente do elenco. É mais uma tentativa de emplacar um franquia e depender menos de um certo aracnídeo. O hype e a expectativa jogam a favor da empreitada da Sony que calculou muito bem sua movimentação na temporada.

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Essa é a herança positiva de Amy Pascal, que deixou a presidência da Sony Pictures na esteira do escândalo dos vazamentos de e-mails da empresa. Tom Rothman, que já dirigiu a FOX e a Tristar, divisão da Sony, deve seguir o bom caminho ensejado por Amy, que segue como produtora vinculada à empresa.

A Sony não vai figurar entre os melhores faturamentos do ano. Warner e Disney vão protagonizar mais uma vez essa disputa – com larga vantagem para a segunda – mas tem um 2017 de recuperação e deve deixar a Paramount isolada na posição de grandes estúdios em naufrágio acelerado.

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sábado, 3 de junho de 2017 Críticas, Filmes | 09:00

“Mulher-Maravilha” é acerto da Warner em Hollywood, no cinema e na vida

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Com o sucesso de crítica consolidado, o céu é o limite para “Mulher-Maravilha”, o filme que por razões externas à tela grande, coloca a Warner um passo a frente da Marvel na briga de foice entre as gigantes de Hollywood

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

É a maior aprovação crítica de um filme de super-herói desde “Batman – O Cavaleiro das trevas” (2008), o paradigma definitivo para o gênero que virou o carro-chefe de Hollywood. “Mulher- Maravilha” detinha até sexta-feira (2) o índice de 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, agregador de críticas na internet. O filme de Nolan ostenta 94%. É um senhor dividendo em um contexto bem adverso.

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É sabido que a Warner vem tentando reiteradamente repetir o sucesso da Marvel. Obsessão tamanha que afetou a qualidade de “Esquadrão Suicida” (2016), que apesar de ter arrecadado mais de US$ 700 milhões, foi percebido como um fiasco. “Mulher-Maravilha”, que era um filme já pressionado por ser o primeiro desse filão protagonizado por uma heroína e com uma diretora no comando, recebeu ainda mais pressão. Esse filme tinha que dar certo.

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Patty Jenkins tinha apenas um filme independente no currículo, “Monster – Desejo Assassino”, que rendeu o Oscar de atriz a Charlize Theron. E lá se vão 13 anos. Jenkins não foi a primeira escolha para o projeto. A Warner escalou Michelle MacLaren, que havia dirigido alguns episódios de “Breaking Bad”, para a empreitada. Mas diferenças criativas com o estúdio provocaram sua saída. Jenkins, que já estava no radar dos estúdios – esteve para dirigir “Thor – O Mundo Sombrio” – assumiu o projeto, o orçamento de US$ 150 milhões e a responsabilidade de corresponder às expectativas de uma agenda feminista que vinha a tiracolo.

Patty Jenkins no set de Mulher-Maravilha

Patty Jenkins no set de Mulher-Maravilha

Para todos os efeitos, “Mulher-Maravilha” é um filme que opera dentro da margem de segurança. Do estúdio – e este é um filme de estúdio – , da referida agenda feminista – há ótimas piadas para agradar a militância – e à audiência convencional do gênero – os clichês estão todos lá, dos vilões às cenas de ação, passando pelo romance. Mas Patty Jenkins tem muitos méritos. O cuidado com as arestas da narrativa é o principal deles. O que parecia fora do tom e do eixo nas produções assinadas por Zack Snyder (“O Homem de Aço” e “Batman vs Superman”) surge como aspecto positivo aqui. Outro acerto foi a dimensão do humor na fita. Jenkins resiste à tentação de emular a Marvel e consegue fazer um filme que não é pautado pelo humor, mas que ainda assim é bem humorado.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

“Mulher-Maravilha” não é um candidato natural ao clube do bilhão, cada vez mais inflado, mas diferentemente das últimas produções do universo DC no cinema, deve ser percebido como um sucesso. A marca de US$ 600 milhões globalmente é tangível e qualquer coisa além será a confirmação de um sucesso irrepreensível. Fato corroborado, claro, pela boa vontade dispensada ao filme. Não fosse bom, “Mulher-Maravilha” poderia representar um retrocesso nessa pauta que hoje move Hollywood – a da igualdade de oportunidades e remuneração entre os gêneros.

Não é um filme para 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas é compreensível o entusiasmo com ele. Além do excelente trabalho de Jenkins, a outra grande responsável pelo sucesso do filme é a atriz Gal Gadot. Ela é a Mulher-Maravilha que eles e elas pediram a Deus. Um filme que chega (bem) perto de agradar gregos e troianos merece o confete.

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quarta-feira, 26 de abril de 2017 Análises, Diretores | 12:47

Cineasta clássico, Jonathan Demme explorou o cinema ao máximo e manteve-se humilde

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Diretor de obras consagradas como “O Silêncio dos Inocentes”, “Filadélfia” e “Sob o Domínio do Mal”, também dirigiu coisas para a TV como as preciosidades “The Killing” e “Enlightened”

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de "Ricki and The Flash"

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de “Ricki and The Flash”

Em um ano que já levou Emmanuelle Riva, John Hurt, Bill Paxton, entre outros grandes nomes da sétima arte, a notícia da partida do cineasta Jonathan Demme é especialmente dolorida. O diretor morreu na manhã desta quarta-feira (26) em Nova York  decorrência da luta contra um câncer de esôfago.

Ele tinha 73 anos e seu último filme foi “Justin Timberlake + The Tennessee Kids”, um documentário para a Netflix. Jonathan Demme era do tipo que alternava-se entre longas de ficção e documentários. O gosto por contar histórias era tão altivo que dirigiu episódios de séries de TV antes mesmo delas sequestrarem os talentos de Hollywood.

Leia também: Quem canta os males espanta no delicado “Ricki and The Flash”

Foi um dos grandes, mesmo que não se comportasse como tal e não se importasse em envernizar um legado que, agora, cresce de tamanho. Junto de Milos Forman e Frank Capra ostenta a honorável marca de cineasta a ter dirigido um filme a conquistar o prestigiado big five no Oscar, os prêmios de filme, direção, roteiro, ator e atriz. “O Silêncio dos Inocentes” (1991), o último a conquistar tal façanha, compreensivelmente, será seu filme mais lembrado. Mas sua filmografia é muito mais diversa e reverenciável do que este excelente e definidor filme propõe.

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015 (Fotos: divulgação/shutterstock

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015
(Fotos: divulgação/shutterstock)

O primeiro Oscar de Tom Hanks, hoje um patrimônio tanto do cinema como do establishment americano, veio com o suporte de Demme que produziu e dirigiu “Filadéfia” (1993), um robusto drama sobre o impacto da AIDS em um momento que a América ainda tratava o assunto com reticências.

Demme transitava com desenvoltura por diversos gêneros. A comédia sofisticada (“De Caso com a Máfia”), a comédia de ação (“Totalmente Selvagem”), o thriller político (“Sob o Domínio do Mal”), o drama familiar indie (“O Casamento de Rachel”) e suspense (“O Abraço da Morte”). Seu último longa de ficção foi o tenro e musical “Rickiand The Flash: De Volta para a Casa” (2015), estrelado por Meryl Streep, em que pôde conjugar suas duas grandes paixões: a música e o cinema.

Jonathan Demme foi um cineasta clássico, com acurado domínio da gramática do cinema. Soube remover-se de sua zona de conforto e explorou o cinema o máximo que pôde. Construiu uma filmografia plural, rica, intensa e que a história se incumbirá de tornar  grande.

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sábado, 18 de março de 2017 Análises, Filmes | 08:30

Redescobrindo “Trainspotting”: Filme resiste ao tempo e se mantém como um soco no estômago do espectador

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Cena de Ewan McGregor mergulhando em uma privada ainda é das coisas mais impressionantes que o cinema já produziu. 21 anos depois, “Trainspotting – Sem Limites” ainda mesmeriza e preserva impacto

Ewan McGregor em cena de "Trainspotting - Sem Limites"

Ewan McGregor em cena de “Trainspotting – Sem Limites”

Com a chegada do novo filme, que estreia no Brasil na próxima quinta-feira (23), parece oportuno relembrar “Trainspotting – Sem Limites” (1996). Um dos filmes mais expressivos da década de 90, a produção de Danny Boyle se tornou um cult instantâneo e pavimentou principalmente a carreira de Ewan McGregor, que dois anos antes tinha feito “Cova Rasa” com Boyle.

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Adaptado da obra Irvine Welsh, “Trainspotting” não só é o filme mais enfático e absoluto sobre o uso de drogas, sem se resolver a partir de um julgamento moral, mas também um retrato desromantizado de toda uma geração. Durante a promoção do segundo filme, Ewan McGregor disse que sentiu que Mark Renton era o papel de sua vida e talvez seja mesmo. McGregor é muito bom ator e fez muita coisa boa de lá para cá, mas este personagem é tão emblemático e reverberante que é difícil esbarrar em algo mais significativo do ponto de vista histórico.

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As desventuras e picadas de um grupo de jovens de Edimburgo, na Escócia, envelheceu muito bem. No aniversário de 21 anos do filme, com a eminência da continuação, o filme original resiste como um soco no estômago.

A trilha sonora vibrante, a linguagem viodeoclipada, o cinismo efervescente de Renton, o bromance com Sick Boy (Johnny Lee Miller), a urgência do registro sobre o apelo das drogas para uma juventude potencialmente alienada e aquela Escócia à vontade às sombras da Inglaterra.

A turma de Trainspotting reunida

A turma de Trainspotting reunida

“Trainspotting” chegou à segunda década do século XXI em carne viva.

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Rever o filme hoje é interessante, ainda, à luz de um pensamento social cada vez mais tolerante ao consumo de drogas. Transbordante em cultura pop, as referências de Sick Boy a Sean Connery são especialmente saborosas agora que o ator escocês já está aposentado, o filme se assevera como documento histórico que ainda detém a bonificação de ser um símbolo do britpop que explodiu na década de 90.

Rever “Trainspotting” é ser invadido por uma sensação que alguns filmes dos anos 90 provocaram e que o cinema recente parece capaz de instigar com menos frequência. A sagacidade da obra, seu vaticínio, força dramática e, fundamentalmente, seu espírito permanecem intactos.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017 Análises, Filmes | 17:40

Corrida pelo Oscar 2017 tem troca de favoritos e surpresas de ocasião

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Após a realização do SAG, corrida pelo Oscar muda um pouco de forma, mas preserva “La La Land” na dianteira pela consagração máxima na noite de 26 de fevereiro

Denzel Washington, protagonista e diretor de "Um Limite Entre Nós, ganha o SAG e assume favoritismo para ganhar o 3º Oscar de sua carreira (Foto: divulgação)

Denzel Washington, protagonista e diretor de “Um Limite Entre Nós, ganha o SAG e assume favoritismo para ganhar o 3º Oscar de sua carreira
(Foto: divulgação)

Após um fim de semana com alguns prêmios de sindicatos, a corrida pelo Oscar ganhou um pouco de emoção, mas também teve algumas definições ajustadas. Os sindicatos dos produtores, dos atores e dos editores distribuíram seus prêmios ao longo do fim de semana e algumas peculiaridades reforçam certas particularidades da vigente temporada de premiações.

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“La La Land: Cantando Estações” triunfou nos sindicatos dos produtores e dos editores, neste junto com “A Chegada” e viu Emma Stone ser escolhida a melhor atriz no SAG. Apesar de não constar entre os indicados a melhor elenco na premiação dos atores, considerada o maior termômetro do Oscar, já que o colegiado de atores é o maior da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o filme de Damien Chazelle foi o grande vencedor do SAG. Isso porque seu maior rival, “Moonlight: Sob a Luz do Luar” não venceu o prêmio de melhor elenco.

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Essa categoria gera confusão. Premia-se o melhor elenco, mas muitas vezes o SAG pensa nela como melhor filme. Esse raciocínio não foi aplicado em 2017 e “Estrelas Além do Tempo”, que está indicado a melhor filme no Oscar, ganhou assim como “Histórias Cruzadas” prevaleceu em 2012 e “O Artista”, um musical silencioso, ganharia o Oscar. É bem verdade que “O Artista” estava indicado a melhor elenco e “La La Land” não. Mas há um precedente em 23 anos de SAG. “Coração Valente” venceu o Oscar em 1996 sem ter sido indicado ao SAG. Curiosamente, a corrida em 2017 também tem Mel Gibson e seu “Até o Último Homem” na disputa pelo Oscar.

O SAG não necessariamente antecipa o vencedor do Oscar de melhor filme, mas é importante ter o apoio desse sindicato em particular para aspirar com alguma propriedade o maior prêmio do cinema. A vitória de Emma Stone por “La La Land” demonstra esse apoio e a opção por premiar um elenco e não um filme reforça que “Moonlight” talvez não tenha o gás necessário para barrar a locomotiva que o filme de Chazelle tem demonstrado ser no curso da temporada.

As nove produções que concorrem ao Oscar de melhor filme

As nove produções que concorrem ao Oscar de melhor filme

Historicamente recai sobre o DGA, o sindicato dos diretores, a pecha de ser o termômetro mais confiável em antecipar o vencedor de melhor filme. Em anos pulverizados, a escolha do DGA emplacou no Oscar. Foi assim em 2007, quando produtores e atores ficaram com “Pequena Miss Sunshine” e os diretores com Scorsese que ganharia filme e direção no Oscar com “Os Infiltrados”.

O prêmio será entregue no próximo fim de semana e pode consolidar esse favoritismo absoluto de “La La Land” ou fornecer alguma brasa às chances de “Moonlight”.

No campo das atuações, Denzel Washington (“Um Limite entre Nós”), ator de altíssimo pedigree e que embora tenha dois Oscars ainda não havia conquistado um SAG, bateu o favorito Casey Affleck (“Manchester à Beira-Mar). Há uma mudança de paradigma em curso na temporada. Affleck tem contra si o peso de uma campanha difamatória motivada por denúncias de assédio sexual e Washington é um ator querido defendendo um papel pelo qual já foi premiado no teatro e em um ano especialmente simpático a artistas e filmes de minorias.

A disputa por melhor ator ganha em emoção e imprevisibilidade. Washington, com o aval do SAG, supera Affleck na cotação para o Oscar. Mesmo que o segundo já tenha vencido o Critic´s Choice Awards, Globo de Ouro e concorra ao Bafta.

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Já a categoria das atrizes no Oscar está ligeiramente diferente. Ruth Negga (“Loving”) e Isabelle Huppert (“Elle”) disputam o prêmio. No SAG tínhamos Amy Adams (“A Chegada”) e Emily Blunt (“A Garota no Trem”). Além da força de “La La Land”, Emma Stone tem a seu favor o histórico da academia de contemplar jovens estrelas nessa categoria.  Isabelle Huppert, no entanto, promete ser uma força da natureza na categoria. A campanha em cima da atriz tem sido muito acertada e a vitória no Globo de Ouro trouxe uma visibilidade a seu trabalho que pode ser sedutora demais para parte da academia reticente em consagrar uma atriz com tão pouca bagagem ou então ceder um segundo Oscar a Natalie Portman.

A atriz Emma Stone vence o SAG por "La La Land" (Foto: divulgação/SAG)

A atriz Emma Stone vence o SAG por “La La Land”
(Foto: divulgação/SAG)

Há, ainda, Ruth Negga que pode se beneficiar da pressão oculta e silenciosa por um #oscarssoblack nessa edição. A categoria de atuação feminina está bem mais aberta do que pode parecer, ainda que Emma Stone seja a virtual vencedora.

Já entre os coadjuvantes, há poucas chances de vermos outros nomes que não Viola Davis (“Um Limite entre Nós”) e Mahershala Ali (“Moonlight”) premiados em 26 de fevereiro.  Justamente por essa condição, aliada às circunstâncias da categoria de ator, o favoritismo de Stone entre as atrizes é mais proforma do que efetivo.

A corrida pelo Oscar 2017 tem três de suas principais categorias – e a categoria de direção vai receber um post só para ela – com favoritos de ocasião. É um viés interessante e incomum e que alimenta ainda mais a euforia dos cinéfilos.

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terça-feira, 17 de janeiro de 2017 Análises, Filmes | 07:30

“La La Land” é espécie de último romântico na Hollywood dos blockbusters

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Resgate dos musicais, “La La Land” é a prova definitiva do talento de Damien Chazelle e uma significativa declaração de amor a um cinema que conjuga elementos que parecem distantes na atualidade

Cena do romântico e hypado La La Land, que estreia na próxima quinta-feira (19) nos cinemas brasileiros

Cena do romântico e hypado La La Land, que estreia na próxima quinta-feira (19) nos cinemas brasileiros

Existe uma força opressora em Hollywood contra os musicais. Um gênero que, para muitos, já teve seu lugar ao sol. O cineasta Damien Chazelle, um apaixonado por cinema, queria fazer um musical ambientado em Los Angeles, mas esbarrou na má vontade dos estúdios como revelou em entrevista recente à Folha de São Paulo. Apenas seis anos depois de ter escrito “La La Land: Cantando Estações”, o cineasta pôde filma-lo.

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“La La Land” é um filme que resgata os musicais de uma maneira muito mais orgânica do que o fizeram no início da década passada os festejados “Chicago”, vencedor do Oscar, e “Moulin Rouge – Amor em vermelho”. Isso porque o valor do filme não está intrinsecamente ao fato dele ser um musical, mas essa característica o torna mais romântico. É um senhor status quo e não é de se admirar que o filme seja o hit da temporada de premiações.

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La La Land

Chazelle já havia se qualificado como um dos diretores mais promissores da nova Hollywood quando aos 30 anos ganhou sua primeira indicação ao Oscar de direção, em sua estreia em longas-metragens, e ver “Whiplash: Em Busca da Perfeição” faturar três estatuetas na maior premiação do cinema, mas esse seu segundo filme – que deve valer nova presença nas categorias nobres do Oscar – o atesta como um dos grandes diretores americanos do momento.

Desde o prólogo, uma cena musical rodada em um dos viadutos mais congestionados de Los Angeles, Chazelle mostra dominar seu ofício com desenvoltura. “La La Land”, no entanto, vai surpreender o espectador mais algumas vezes. É uma combinação insinuante de montagem esperta, trilha sonora cativante, roteiro inteligente, cenografia abundante e atuações carismáticas. É o que os musicais são em essência e que muitos pensaram que jamais seriam novamente.

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“La La Land” é um filme pulsante, mas que recebe a tristeza como válvula inexorável da vida. É um filme esperançoso, mas que demonstra consciência de que nem todos os sonhos se realizam. É uma história de amor, mas se capitaliza dramaticamente ao evitar a previsibilidade de tantos outros musicais e produções hollywoodianas, ao resolver-se de maneira poética, inesperada e, ainda assim, profundamente romântica.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2016 Análises | 11:34

Qual o melhor filme para Hollywood reagir à ascensão da era Trump no Oscar?

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Com o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro 2017 e com a maioria dos prêmios da crítica já entregues, inclusive o Critic´s Choice Awards, distribuídos no último domingo (11), já dá para perceber que três filmes largam na frente na corrida pelo Oscar. “La La Land – Cantando Estações” claramente é o frontrunner. Os dramas indies “Moonlight” e “Manchester à Beira-Mar” gravitam o favoritismo do musical dirigido por Damien Chazelle e, por diversas razões, podem complexar previsões à medida que o Oscar se aproxima.

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de "La La Land" (Foto: reprodução/Premiere)

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de “La La Land”
(Foto: reprodução/Premiere)

“Moonlight”, ainda sem data e título nacional, é um filme sobre crescimento. Na superfície, do tipo que se vê todo dia no cinema americano, mas é protagonizado por negros e conta a história de um garoto que resiste à criminalidade no mesmo compasso em que se descobre gay. Já “Manchester à Beira-Mar” é mais soturno e acompanha a jornada emocional do personagem de Casey Affleck, que retorna à cidade que deixou em seu passado, para cuidar do sobrinho após a morte repentina do irmão.

Cartaz do filme "Moonlight"

Cartaz do filme “Moonlight”

O primeiro filme é nitidamente liberal demais para os padrões que, ainda que de maneira menos convicta, vigoram na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que outorga o Oscar. No entanto, dos três mais alinhados ao ouro, seria o candidato mais lapidado para representar uma bandeira Anti-Trump. “Manchester à Beira-Mar” talvez representasse melhor o pessimismo em que grande parte do País, e do mundo, se viu mergulhado com a eleição de Donald Trump. No final dos anos Bush, filmes violentos e taciturnos como “Os infiltrados” e “Onde os Fracos Não Têm Vez” prevaleciam no Oscar. Em 2009, na esteira da eleição de Barack Obama, o solar e otimista “Quem Quer Ser um Milionário?” triunfou de maneira maiúscula no Oscar. De lá para cá, nenhum outro filme venceu de maneira tão elástica – foram oito Oscars.

Por outro lado, o romantismo de “La La Land”, sua universalidade na declaração de amor que faz ao cinema, a Los Angeles e ao sonho americano podem ser percebidos como o remédio necessário para um período tão turbulento na história dos EUA. Hollywood, afinal, naufragou junto com a candidatura Hillary Clinton.

O Globo de Ouro anunciado nesta segunda-feira afunilou, como esperado, a corrida pelo Oscar e deu a esses três filmes a condição de principais postulantes ao Oscar 2017. Agora é esperar para ver como a novela favorita dos cinéfilos vai se desenvolver.

Cena do filme "Manchester à Beira-Mar" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Manchester à Beira-Mar”
(Foto: divulgação)

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016 Análises | 08:29

Verão americano de 2016 sugere ajuste de rota para estúdios de Hollywood

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Foi um verão atípico nas bilheterias dos cinemas. A grande temporada de blockbusters, como sempre, fez muito dinheiro, mas colocou pulga atrás das orelhas dos engravatados de Hollywood como nunca.

Montagem/divulgação

Montagem/divulgação

Foram 14 sequências lançadas nesta janela entre abril e o último fim de semana de agosto. Um recorde absoluto. A última vez que tantas sequências foram lançadas foi em 2003 e foram 13. Apenas quatro dessas sequências debutaram com uma bilheteria de estreia superior aos filmes anteriores. “Jason Bourne” (US$ 59,2 milhões), “Procurando Dory” (US$ 135 milhões), “Capitão América: Guerra Civil” (US$ 179 milhões) e “Uma Noite de Crime 3” (US$ 36,2 milhões). A grande maioria das sequências fracassou. Filmes como “Alice Através do Espelho”, “As Tartarugas ninja: Fora das Sombras”, “Star Trek: Sem Froneiras”, “Independence Day: O Ressurgimento”, entre outras produções floparam enormemente.

+ Universal, Mad Max e Tom Cruise estão entre os vencedores do verão americano de 2015

Foi um verão de extremos. A Disney tem razões para comemorar já que os dois filmes com maiores bilheterias da temporada integram seu portfólio. Mas se “Guerra Civil” e “Procurando Dory” juntos beiram quase US$ 1 bilhão em faturamento nos EUA e ultrapassam US$ 2 bilhões no mundo, filmes como “O Bom Gigante Amigo”, “Alice Através do Espelho” e “Meu Amigo, o Dragão” foram fracassos que o estúdio teve que amargar. A respeito deste quadro, o jornalista e crítico de cinema Rubens Ewald Filho até brincou: “acho que a Disney faz esses filmes que sabe que vão fracassar só para pagar menos imposto”.

civil

De fato, “O Bom Gigante Amigo”, um gesto nostálgico do estúdio em parceria com Steven Spielberg parecia um produto descolado de seu espaço tempo, mas esse raciocínio, por exemplo, não pode se aplicar a uma produção como “Ben-hur”. Com um orçamento superior a US$ 100 milhões, o filme se consagrou como o maior fracasso da temporada e demonstrou aos estúdios que a aposta em astros de cinema ainda é necessária. Coincidência ou não, depois do flop do filme estrelado por Rodrigo Santoro, Tom Cruise passou a negociar um aumento de cachê com a mesma Paramount para o novo “Missão Impossível”, programado para 2017.

O caso de “Esquadrão Suicida”

suicide

Fracasso ou sucesso? Ainda que o filme não consolide as expectativas financeiras projetadas pela Warner Bros, não dá para dizer que o filme de David Ayer é um fracasso. No último fim de semana ultrapassou a barreira dos US$ 300 milhões nos EUA. Globalmente, a fita já amealhou cerca de US$ 700 milhões. As críticas foram venenosas, para dizer o mínimo, mas o marketing, vitorioso.

Tocando o terror

Não foi o primeiro ano que vislumbrou o gênero terror como um dos principais vitoriosos do verão americano. Com três exemplares entre as 20 maiores arrecadações da janela de lançamento – e três exemplares baratos – o gênero volta a fazer bonito. Novamente a Warner  desponta nesse segmento. Além da sequência de “Invocação do Mal”, que arrecadou mais de US$ 100 milhões nas bilheterias, o estúdio viu o baratíssimo e eficiente “Quando as Luzes se Apagam” fazer bonito no Box Office. O gênero ainda emplacou os sucessos de “Uma Noite de Crime 3” e “O Homem nas Trevas”, que lidera a bilheteria dos EUA há duas semanas e está em estreia no Brasil.

A surpresa do ano

A comédia com pegada feminista “Perfeita é a mãe” foi a grande surpresa da temporada com arrecadação superior a US$ 100 milhões nas bilheterias americanas. Além do mais, junto com “A Vida Secreta dos Pets” e “Festa da Salsicha”, foram os únicos exemplares entre as vinte maiores bilheterias do verão que não são sequências, refilmagens ou adaptações.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Saldo final

A lição que fica é que Hollywood terá que pensar mais detidamente sobre a produção de sequências. A mensagem do público nas bilheterias é bem clara. Uma continuação de um blockbuster no cinema só com muito critério. Apenas a Disney e a Warner, apesar do pouco crescimento em relação a 2015, conseguiram lucrar com a temporada. Os ganhos da Universal e da Sony foram modestos. Já Paramount, Fox e Lionsgate amargaram prejuízos.

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domingo, 28 de agosto de 2016 Análises, Bastidores | 15:19

Marvel ajusta ponteiros para fase sem Chris Evans como Capitão América

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Já era esperado que Chris Evans deixasse de ser o Capitão América no cinema em algum momento, mas uma entrevista de Joe Russo, que ao lado do irmão Anthony dirigiu os dois últimos filmes do Capitão, ao The Huffington Post disparou o alerta em todo Marvel maníaco.

Chris Evans em ensaio para  Rolling Stone

Chris Evans em ensaio para Rolling Stone

Ele disse que a cena final de “Capitão América: Guerra Civil”, que muitos interpretaram como um afastamento de Steve Rogers de tudo aquilo, é mesmo isso: uma “aposentadoria” do personagem.  “Acho que ele deixar o escudo de lado é também deixar a sua identidade. É ele admitindo que a identidade Capitão América estava em conflito com suas escolhas pessoais”, explicou o diretor. Isso não significa que não veremos mais Chris Evans nos filmes da Marvel, pois sua participação está confirmada em “Vingadores: Guerra Infinita”, filme que deve marcar a passagem de bastão, com a introdução de um novo Capitão América. Isso pode ser traduzido de uma maneira muito prática e financeira. Evans assinou contrato para seis filmes. Já estrelou cinco. Os três “Capitão América” e os dois “Vingadores”. Já Sebastian Stan, o soldado invernal, assinou contrato para nove filmes e só estrelou os três “Capitão América”. Anthony Mackie, que interpreta o Falcão, assinou para seis filmes e só figurou em dois. Ambos os personagens já assumiram a identidade do Capitão América nos quadrinhos.

Mais: Chris Evans apresenta o trailer de “Before We Go”, sua estreia na direção

Durante muito tempo se conjecturou como a Marvel reagiria à eventual saída de Robert Downey Jr., que interpreta Tony Stark/Homem de Ferro. Esse cenário, evitado às custas de negociações milionárias, ainda não se concretizou, mas a Marvel sempre esteve calçada para a eventual saída de Evans. O que, de maneira alguma, sinaliza uma saída definitiva. É plenamente concebível que, como nos quadrinhos, Steve Rogers reassuma a identidade de Capitão América. Seria dramática e narrativamente interessante ver isso no cinema. E a Marvel sabe disso. Com Downey Jr., que já assegurou participação no novo “Homem-Aranha”, a questão é mais delicada. Por mais que Chris Evans tenha se tornado a estampa de Steve Rogers, a própria HQ dá margem de manobra à Marvel, mas todo o universo cinematográfico do estúdio se construiu na esteira da caracterização de Downey Jr. de Tony Stark.

Crítica: Superlativo e humano, “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que a Marvel estava devendo

A Marvel já enfileira uma série de filmes com novos personagens em sua terceira fase justamente por saber que é preciso repensar o rumo dos principais personagens de seu portfólio. “Pantera Negra”, “Capitã Marvel” e “Inumanos” atendem essa necessidade e, em paralelo, são novas franquias em potencial. Algo decisivo para os planos da Marvel pós-Robert Downey Jr., Chris Evans e até mesmo Chris Hemsworth (o Thor).

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