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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017 Críticas, Filmes | 12:00

Mel Gibson fala do culto à violência no pacifista e espetacular “Até o Último Homem”

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Indicado a seis Oscars, incluindo filme, direção e ator, “Até o Último Homem” já está em cartaz nos cinemas e é uma experiência poderosa

Andrew Garfield, indicado ao Oscar de melhor ator pelo filme Até o Último Homem

Andrew Garfield, indicado ao Oscar de melhor ator pelo filme Até o Último Homem

“Até o Último Homem” é apenas o quinto filme de Mel Gibson como diretor. Sua filmografia como cineasta, embora curta, compreende uma diversidade e robustez ímpar. Falado em um dialeto maia, o ambicioso épico “Apocalypto” (2006) era o último filme de Gibson atrás das câmeras. Faltava um exemplar de guerra, gênero que como ator o australiano visitou em produções como “Fomos Heróis” (2002) e “O Patriota” (2000).

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Não só “Até o Último Homem” preenche essa lacuna, como promove a paz entre o outrora maior astro de Hollywood e a comunidade que o exilou depois de sucessivos escândalos. Indicado a seis Oscars, inclusive filme e direção para Gibson, este não é um filme de guerra qualquer. Gibson segue recusando-se a fazer um filme qualquer.

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Protagonizado por um devotado Andrew Garfield, “Até o Último Homem” é uma análise algo raivosa, e eventualmente fervorosa, de um país aferrado à ideia de violência. Baseado na história real de Desmond T. Doss (Garfield), o filme acompanha a saga desse homem adventista que se alista contrariando o desejo de seu pai, que servira na primeira guerra, mas decide não empunhar uma arma sequer durante todo seu tempo no exército – o que inclui dos rigorosos treinos ao campo de batalha.

Cena do filme Até o Último Homem

Cena do filme Até o Último Homem

O absurdo da situação é bem capturado por Gibson que evita a dignificação de seu personagem nos dois primeiros atos. Pelo contrário, o submete até mesmo à descrença do público. No ato final ele abraça seu protagonista com ares messiânicos, mas só depois de ter deixado a audiência suficientemente à vontade para fazer o mesmo.

Doss vai à corte marcial para garantir seu direito constitucional de servir seu país, ir ao campo de batalha contra os japoneses sem uma arma sequer para protegê-lo. “Com o mundo se desesperando para ruir, eu não vejo como algo tão ruim eu querer juntar alguns pedaços”, diz perante o juiz militar.

A religiosidade de Doss importa porque Gibson é um homem religioso e se julga atacado por defender seus valores. Fazer um filme pacifista, como gesto a Hollywood, mas reafirmando valores morais e  religiosos tem um gosto especial. Este é tanto um filme de fé como era “A Paixão de Cristo”. E é o filme em que Gibson sela a paz, mas nos seus termos.

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A despeito desses subtextos envolventes, trata-se de um filme vigoroso para quem está alheio ao passado do astro. Doss é um herói pronto, típico modelo republicano que parece talhado para a era Trump – ainda que se vivo fosse condenaria muitos dos ímpetos do atual ocupante da Casa Branca.

Exuberante tecnicamente, e aqui testemunhamos as melhores cenas de guerra desde “O Resgate do Soldado Ryan”, este é um filme que dimensiona o absurdo da guerra ao flagrar o ímpeto violento do ser humano. Ao focar em um herói que assim o é por renunciar à violência, depois de se descobrir em dois momentos de indesejada intimidade com ela, mostrados propositalmente por Gibson no começo e no meio do filme, “Até o Último Homem” nos desafia a rever muitos de nossos conceitos. A começar pela definição de coragem.

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sábado, 7 de maio de 2016 Análises, Atores, Bastidores | 17:33

Após aposentar Homem-Aranha, Andrew Garfield se reinventa como ator em Hollywood

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Foto: reprodução/Eonline

Foto: reprodução/Eonline

Há uma máxima em Hollywood de que há bons atores e há atores com bons agentes. Mas nem tudo é tão preto no branco assim e um caso exemplar disso é o americano Andrew Garfield. Prestes a completar 33 anos, Garfield já tem ares de veterano em Hollywood após aposentar-se do papel de Peter Parker/ Homem-Aranha. O ator deu vida ao personagem no reboot da franquia pela Sony nos filmes “O Espetacular Homem-Aranha” (2012) e “O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro” (2014).

Ator com insuspeitos recursos dramáticos, Garfield debutou roubando a cena de Robert Redford, Meryl Streep e Tom Cruise em “Leões e Cordeiros” (2007), um drama que objetivava problematizar os obscuros anos Bush que mergulharam os EUA em intermináveis guerras no Oriente Médio. “Não me Abandone Jamais” e “A Rede Social”, ambos de 2010, foram filmes que mostraram todo o potencial de Garfield como intérprete. Para além do carisma, ali estava um ator capaz de navegar entre a vulnerabilidade do personagem e a potência dramática do registro. Alguém que podia submergir em uma situação para surgir renovado na cena seguinte. Uma presença de cena, enfim, robusta e fornida que assaltava a atenção da plateia.

Não foi à toa que ele foi a primeira opção da Sony para assumir o papel até então defendido por Tobey Maguire. Mas a saga do Aranha no cinema, apesar de Garfield ter sido o único acerto indiscutível dessa reimaginação, não foi positiva para o ator. Durante o período em que foi o Aranha, o americano se afastou daquele caminho que estava construindo no cinema. Quando a Sony resolveu reiniciar novamente a história do Aranha no cinema, agora com Tom Holland, Garfield se viu libertado de um paradoxo.  Este que o aferia status de astro, mas o afastava de projetos de pedigree.

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Scorsese e Garfield: curadoria de Scorsese transformou carreira de DiCaprio

Scorsese e Garfield: curadoria de Scorsese transformou carreira de DiCaprio

“Silence”, novo e aguardadíssimo filme de Martin Scorsese, e “Hacksaw Ridge”, nova incursão de Mel Gibson na direção, que chegam no final deste ano nos EUA, já estavam em seu radar quando ele ainda era o Aranha, mas nesta semana o ator acertou detalhes para estrelar dois novos e promissores projetos.

São eles “Breathe”, que marcará a estreia de Andy Serkis na direção, e “Under the Silver Lake”, novo longa de David Robert Mitchell, responsável por um dos grandes filmes de 2015, “Corrente do Mal”.

A colaboração com cineastas prodigiosos, consagrados ou revelações, é imperiosa para que um ator desenvolva mais e mais seus recursos e fundamentos. Mais importante ainda, é eleger projetos que permitam exercitar sua musculatura dramática. Garfield é bom ator, mas Hollywood é capciosa e exige constante convalidação de predicados. O americano, por meio de suas escolhas, parece mais consciente disso do que nunca.

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terça-feira, 6 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:11

Crítica – “O espetacular Homem- Aranha 2: a ameaça de Electro”

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“O espetacular Homem-Aranha 2: a ameaça de Electro” é um filme que tem a ambição de ser superlativo. Tem duração de duas horas e meia; tem um conjunto nada desprezível de três vilões; objetiva dar seguimento a linha cronológica envolvendo os pais de Peter Parker e, simultaneamente, ser cativante como filme individual.

Isso tudo em uma embalagem para lá de pop e calcada em ação acelerada entremeada por um romance que ganha mais atenção do que o habitual em filmes de super-heróis.

Neste segundo filme, Peter Parker já surge à vontade como o Aranha. A cidade de Nova Iorque, no entanto, parece questionar a viabilidade de um herói mascarado que gera muitos prejuízos à cidade. Mas essas reminiscências pouco interessam à realização, mais centrada em propor uma colisão dos conflitos do adolescente Peter Parker com os do herói ainda inseguro quanto a sua função social.

O problema é que essa colisão é muito mal executada. Marc Webb atendeu bem ao desejo do estúdio de rejuvenescer o personagem e se houve mudanças que desagradaram os fãs mais xiitas, elas se justificam na necessidade de se distinguir da trilogia rodada por Sam Raimi.

Mas a trilogia em questão é um fantasma que não pode ser apartado por mudanças pontuais aqui e ali. A evolução de Peter Parker foi melhor tateada por Raimi. Enquanto Webb desenrola uma teia conspiratória que só se mostra excessiva, seu Homem-Aranha perde em apelo dramático na comparação com o de Raimi. Ele parece revisitar os mesmos conflitos, mas com muito menos propriedade.

O romance entre Peter e Gwen é o grande destaque do filme (Foto: divulgação)

O romance entre Peter e Gwen é o grande destaque do filme (Foto: divulgação)

Tome-se como ponto fundamental os vilões desse filme. Electro, o vilão principal e que tem seu nome no título, perde a posição de antagonista para o Duende verde, catalisador de um evento chave que já vem das HQs e tem todo o seu arco dramático comprometido por motivações nunca bem adensadas narrativamente. Não ajuda o fato de Jamie Foxx ceder à caricatura em sua caracterização.

Outro aspecto é a linguagem adotada por Webb. Enquanto muitos correm atrás do realismo, na esteira dos feitos de Christopher Nolan na trilogia do Batman, Webb opta por mimetizar a linguagem visual das HQs. O que a princípio pode parecer uma vantagem, gera um estranhamento irreversível e que, em última análise, torna o filme perigosamente pueril.

A seu favor, “A ameaça de Electro” tem a química entre Andrew Garfield e Emma Stone, que são namorados na vida real, e o bom uso do humor, uma prerrogativa básica do Aranha, mas é muito pouco. Para um filme tão ambicioso, ter seus melhores momentos no adornamento de um romance teen chega a ser ofensivo.

“A ameaça de Electro”, no entanto, é um produto mais bem acabado do que seu antecessor. Mas sofre da mesma sina. É um filme esquecível.

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domingo, 27 de abril de 2014 Atores | 19:08

Andrew Garfield, além de Peter Parker

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(Foto: reprodução Instagram)

(Foto: reprodução Instagram)

Muita gente torce o nariz para essa nova versão do Homem-Aranha, cujo segundo filme (“O espetacular Homem-Aranha 2 – a ameaça de Electro) estreia na próxima quinta-feira. Mas há um aspecto dessa reimaginação do universo aracnídeo que foge à polêmica. A adequação de Andrew Garfield ao personagem. Tanto ao Aranha, com seu corpo esguio, como a Peter Parker.  A essência do personagem, nerd, introvertido e inseguro, já havia sido capturada por Tobey Maguire, mas Garfield é mais orgânico ao frisá-la, ainda que seu Peter  Parker seja mais seguro de si e jeitoso do que a concepção clássica do personagem, mais respeitada na versão do diretor Sam Raimi que tinha Maguire como protagonista.

Andrew Garfield tem 30 anos, mas não se deixe enganar pela cara de moleque e aparência franzina. O intérprete de Peter Parker é um ator muito ambicioso. Assumir o risco de viver o Homem-Aranha quando ninguém queria um novo ator vivendo o herói é um reflexo dessa ambição e o fato de ter convencido público e crítica em um filme que não fez o mesmo prova que Garfield tem talento e carisma a ofertar além do que o rostinho bonito entrega.

A primeira vez que o ator chamou a atenção foi no drama com fortes cores liberais (e ainda mais forte na postura contra a invasão americana no Iraque, então em pleno vapor) “Leões e cordeiros” (2007), de Robert Redford. Ele fazia um estudante brilhante, mas aparentemente pouco interessado com os rumos de sua vida profissional e da política de seu país. O professor vivido por Redford tenta incutir alguma consciência política no rapaz, mas esbarra em seu cinismo.

O ator em cena de "Leões e Cordeiros": primeira impressão acima da média

O ator em cena de “Leões e Cordeiros”: primeira impressão acima da média ( Foto: divulgação)

O papel, mais difícil do que parece, ajudou Garfield a conseguir outro papel relevante em um filme de inegável ambição artística, “O mundo imaginário do doutor Parnassus” (2009), que acabou ficando popular por se tratar do último filme estrelado pelo saudoso Heath Ledger, cuja participação fora completada pelos atores Johnny Depp, Colin Farrel e Jude Law.

O trabalho o colocou na mira de David Fincher que o escalou para o papel mais desafiador de sua carreira, o do co-fundador do Facebook Eduardo Saverin em “A rede social” (2010). Era o personagem mais difícil do filme e Garfield conseguiu preenchê-lo com as exatas doses de carisma, contradição e coração. No mesmo ano, estrelou o pequeno ( em orçamento e visibilidade, mas grande em qualidade) “Não me abandone jamais”, uma mescla ousada de drama existencial e ficção científica hardcore e provou ser capaz de segurar um filme dramaticamente.

Ainda em 2010, ele foi anunciado com o novo intérprete do Homem-Aranha. Era um caminho sem volta para o estrelato, mas também uma oportunidade de fisgar melhores trabalhos, receber propostas para filmes que, talvez, não chegariam a ele sem o Homem-Aranha em sua vida. Um desses trabalhos é “Silence”, novo filme de Martin Scorsese, previsto para 2015, em que o ator será protagonista. No filme, ele viverá um padre jesuíta que vai ao Japão investigar acusações de perseguição religiosa.

Garfield nos bastidores de "O espetacular Homem-Aranha 2": uma carreira muito bem conduzida ( Foto: divulgação)

Garfield nos bastidores de “O espetacular Homem-Aranha 2”: carreira muito bem conduzida ( Foto: Splash News)

Não é o caso de supor que Garfield porá fim à lucrativa, elogiada e premiada parceria entre Scorsese e Leonardo DiCaprio, mas os dados estão rolando e Garfield tem fome.

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