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quarta-feira, 23 de julho de 2014 Críticas, Filmes | 22:26

“Planeta dos macacos: o confronto” é interessante jogo de espelhos

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Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

César é, para todos os efeitos, um personagem pós-moderno. Primeiro porque é o que melhor se beneficia da ferramenta hoje bastante comum da captura de performance. Tecnologia que permite combinar os gestos e expressões do ator à criação digital que será vista na tela grande. Daí surgiu o que chamamos no meio de “performance digital”. E Andy Serkis, o homem que já foi Gollum e King Kong, reina nesta arte. A segunda razão para César ser a expressão do personagem pós-moderno é porque congrega em si toda a complexidade de ser humano, mas é um macaco; um símio que trafega entre o que há de mais primitivo em nós e o que há de mais evoluído. Por ser esse espelho tão fascinante quanto aterrador, César cativa.

“Planeta dos macacos: o confronto” (2014) é um filme que dá conta desse enredamento ambicioso. Essa nova jornada dos macacos pelo cinema, iniciada com “Planeta dos macacos: a origem” (2011) busca conciliar entretenimento com reflexão e alcança com sucesso essa rara simetria no cinema americano.

No novo filme, dirigido por Matt Reeves (“Deixe-me entrar”), o vírus produzido em laboratório abordado no filme anterior dizimou grande parte da humanidade. Os que vivem precisam se reorganizar socialmente, mas esbarram no surgimento de uma sociedade paralela erigida pelos macacos liderados por César, que foi o primeiro a apresentar os sinais de evolução.

O que mais impressiona em “O confronto” não é o tempo que Reeves dedica à estrutura de comunicação dos símios, nem mesmo o vigor de seus ritos sociais, mas a maneira como símios e humanos se aproximam nas vicissitudes e nas virtudes.

É esse o grande mérito deste blockbuster que se apresenta como um dos melhores dessa safra de 2014. A capacidade de vincular com fundamento a veia corruptora do homem ao ideal de evolução, de organização social e fazê-lo destacando uma sociedade pós-raça humana que se julga imune às vis tentações que assolam o homo sapiens. Essa ideia muito bem fecundada no romance original escrito por Pierre Boulle, e lançado em 1963, ganha dimensão mais trágica e ruidosa nas mãos de Reeves.

Dos planos insidiosos sobre César, o líder sábio e pressionado, à agonia humana em face de descobertas sempre desestabilizadoras, Reeves filma com a densidade de uma tragédia grega cujo iminente desfecho nos rebaixa enquanto sociedade.

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