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domingo, 19 de junho de 2016 Atores | 19:51

Anton Yelchin deixa a vida muito jovem, mas com um legado cinematográfico belo e completo

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Yelchin ao lado de Felicity Jones em "Loucamente Apaixonados": um de seus melhores momentos no cinema (Fotos: divulgação)

Yelchin ao lado de Felicity Jones em “Loucamente Apaixonados”: um de seus melhores momentos no cinema
(Fotos: divulgação)

A notícia da morte de Anton Yelchin, ator russo radicado nos EUA, aos 27 anos chocou o mundo. O aspecto bizarro da morte do jovem, atropelado pelo próprio carro em sua garagem em um acidente tão improvável quanto fatal realça o aspecto de incredulidade com o que se sucedeu.

A imprensa noticiou a morte do “ator de Star Trek” com o espanto que ela despertou. O terceiro filme da revitalização da franquia, com estreia marcada para julho nos EUA e setembro no Brasil, é um dos filmes estrelados por Yelchin que agora serão lançados postumamente.

Cena de "Alpha Dog": Ascensão no cinema indie

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Outros são “Porto”, um romance indie ambientado na cidade portuguesa,  “Rememory”, um sci-fi em que divide a cena com Peter Dinklage, e “We Don´t Belong Here”, em que contracena com Catherine Keener. Além da série animada da Netflix, produzida por Guillermo Del Toro, “Thoroughbred” – esta ainda incompleta.

Yelchin começou a atuar ainda criança, mas não obteve o status de um astro precoce nos termos de Macaulay Culkin. De participações em produções televisas como “E.R”, “Nova York Contra o Crime” e “Taken”, a pontas em filmes como “Na Teia da Aranha” (2002) e “Reflexos da Amizade”, Yelchin foi conquistando seu espaço no cinema americano. Seu primeiro grande papel foi em “Alpha Dog (2006)”, de Nick Cassavetes. Não era o protagonista, mas o filme girava em torno de seu personagem. Um tipo introspectivo que queria ser aceito e acabava se envolvendo com traficantes e jovens arruaceiros. Yelchin já demonstrava brio como ator e a cena independente do cinema americano o acolheu com a mesma energia que ele demonstrava ter.

Filmes como “Charlie, um Grande Garoto”  (2007), “Middle of Nowhere” (2008) e “Nova York, eu Te-Amo” (2008) ajudaram a popularizar seu nome no circuito independente americano e a chamar a atenção de quem estava à cata de novos talentos, como J.J Abrams que o recrutou para ser o russo Chekov na nova versão de “Star Trek”, lançada em 2009 e que ganhou uma primeira sequência em 20013.

O ano de 2009, aliás, foi decisivo. Ele também estrelou, ao lado de Christian Bale, o quarto filme da franquia “O Exterminador do Futuro”, denominado “A Salvação”, na pele do icônico e aqui mais jovem Kyle Reese. Daí para frente, Yelchin passou a trabalhar mais no mainstream, mas sem deixar o alma indie desguarnecida. Todo ano lançava um filme em Sundance e fazia questão de dar as caras em Utah, cidade norte-americana que sedia o evento todo mês de janeiro.

O ator durante o festival de Veneza de 2014 com Alexandra Daddario e Ashley Greene para a estreia de "Enterrando minha ex" (Foto: Getty)

O ator durante o festival de Veneza de 2014 com Alexandra Daddario e Ashley Greene para a estreia de “Enterrando minha ex”
(Foto: Getty)

Foi dublador de Smurf e da ótima animação “Piratas Pirados” (2012), estrelou o divertido remake de “A Hora do Espanto”, lançado em 2011 e caprichou no humor geek em “Enterrando minha ex” (2014), de Joe Dante, em que é perseguido pela namorada zumbi.

Mas é mesmo a seara independente que merece atenção neste momento tão inesperado. Sob as ordens do excelente William H. Macy, impressionou como o garoto com talento para a música que forma uma improvável banda com o pai fracassado em “Sonhos à Deriva” (2014). Assim como agregou brilho ao elenco capitaneado por Mel Gibson reunido por Jodie Foster em “Um Novo Despertar” (2011), que também tinha uma promissora jovem chamada Jennifer Lawrence.

Produções elogiadas em diversos festivais como “Amantes Eternos” (2013), de Jim Jarmusch e “Green Room” (2015) também contam com os préstimos do ator que sabe submergir em personagens distintos, mas unidos por certa melancolia que Yelchin sempre carregou consigo mesmo nos filmes mais leves. Fazia parte de seu charme como intérprete e talvez explique porque “Loucamente Apaixonados”, em que vive idas e vindas com Felicity Jones em um romance dolorosamente afetivo a quem quer que o assista, é o filme pelo qual será mais lembrado.

É aqui, em outra produção surgida em Sundance, que Yelchin melhor exercita seus músculos dramáticos. É aqui que vemos um ator que queremos conhecer por dentro e que tem a felicidade de ser tão ímpar, quanto familiar, aos nossos olhos.

Yelchin e seus colegas de Enterprise: Legado compreende participação em uma das principais franquias da cultura pop

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