Publicidade

Posts com a Tag Atores

sábado, 4 de março de 2017 Atores, Filmes | 14:00

Wolverine está no inverno de sua vida em “Logan”, diz Hugh Jackman

Compartilhe: Twitter

Coluna participou de bate-papo com Hugh Jackman em São Paulo e ator abriu o coração sobre sua despedida de Wolverine no cinema. “Foi agridoce”

Hugh Jackman vive Wolverine pela última vez em "Logan"

Hugh Jackman vive Wolverine pela última vez em “Logan”

“Para mim, essa é a história definitiva de Logan”, avalia Hugh Jackman em papo com a imprensa brasileira durante estadia em São Paulo para promover sua última incursão como Wolverine no cinema. “Ele está no inverno de sua vida e nós não queríamos fazer uma mera adaptação de HQ, nós queríamos um filme sobre esse homem machucado”.

Leia também: Narrativamente econômico, “Logan” empurra filmes de heróis para o futuro

“Logan”, de fato, conecta a audiência com a alma de Wolverine. Não é à toa, que as HQs dos X-men são citadas mais de uma vez para provocar distanciamento de um universo convencional de super-heróis. O que temos aqui são referências do cinema de autor e no faroeste, o gênero americano por excelência. “Eu sou um grande fã de Clint Eastwood e tinha 19 anos quando assisti ‘Os Imperdoáveis’ e fiquei muito impressionado. É um filme que dimensiona com incrível complexidade as noções de certo e errado”.

Leia também: “Até este filme, não tínhamos chegado ao coração de Wolverine”, diz Hugh Jackman

Em “Logan”, o impacto da violência em um matador calejado é a matéria-prima do filme. Não à toa, Jackman elege o filme de Eastwood, vencedor de quatro Oscars, como a referência primária dessa sua última aparição como o personagem.  “Eu não acho que você possa entender Logan sem entender o que a violência fez com ele”, opina.

Laura é uma jovem Wolverine em "Logan"

Laura é uma jovem Wolverine em “Logan”

Justamente por essa disposição de entender Logan, ao invés de entregar para o público um personagem rascunhado, o filme de James Mangold abraça a violência inerente ao universo do personagem com desimpedimento, mas também com compaixão. Aí surgem as outras referências aventadas por Jackman e que um olhar mais atento compreende por si só.

“O Grande medo de Logan é a intimidade, algo que todos nós podemos nos relacionar. Justamente por isso, cerca-lo da família foi uma excelente escolha narrativa”, explica ao citar “Pequena Miss Sunshine”, como um modelo dramático para o filme. Na produção, Logan, Xavier (Patrick Stewart) e Laura (Dafne Keen), uma criança mutante perseguida por paramilitares, são obrigados a cair na estrada em uma tentativa de fuga cada vez mais improvável.

Jackman espera que o filme seja percebido com o mesmo potencial revolucionário do primeiro X-men lá em 2000. E o ator não está medindo esforços para isso. Além do Brasil e da Alemanha, onde exibiu o filme no festival de Berlim, o australiano está engajado em viagens internacionais para promover o filme. “Eu acho que esse é o filme pelo qual Wolverine será lembrado e eu sei que este é um desejo corajoso”.

Autor: Tags: , , , ,

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016 Atores | 11:10

As dez melhores atuações masculinas do cinema em 2016

Compartilhe: Twitter

Bryan Cranston (“Trumbo: Lista Negra”)

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Na pele do comunista abastado Dalton Trumbo, Cranston tem sua melhor atuação no cinema. Pode parecer pouco, mas não é. O ator capta brilhantemente a essência do personagem, um tipo debochado e cínico que amarga anos duros de grande provação pela simples razão de defender seus princípios. Uma performance iluminada e mais detalhista do que sugere um olhar superficial.

 

Alden Ehrenreich (“Ave, César!”)

Ave, César!

O novo Han Solo deu um senhor cartão de visitas nessa deliciosa comédia sobre Hollywood dos irmãos Coen. Ele já tinha até trabalhado com Woody Allen em ‘Blue Jasmine”, mas foi como Hobbie Doyle, um decalque de John Wayne, que o ator mostrou porque é um dos nomes mais quentes de Hollywood no momento.

 

John Goodman (“Rua Cloverfield 10”)

10 CLOVERFIELD LANE

É uma injustiça que John Goodman não esteja em todas as listas de melhores atuações do ano por seu trabalho tão rico e complexo em “Rua Cloverfield 10”. Entre a simpatia e a psicopatia, o ator torna compreensível e identificável toda a paranoia em que seu personagem e o microcosmo em que habita se veem mergulhados.

 

Tom Hanks (“Negócio das Arábias”)

Negócio das Arábias

A vida profissional de Tom Hanks é traiçoeira. O ator está sempre tão bem em seus filmes que a crítica costuma negligenciá-lo na hora de eleger as melhores atuações do ano. Em 2016, Hanks resolveu contra-atacar. Prolífero, esteve em três produções. O trabalho em ‘Sully”, mais comercial, é frequentemente mais lembrado, mas sua singela interpretação de um americano tentando fechar um negócio na Arábia Saudita é seu trabalho mais sutil e minimalista em anos. Vale a pena ser descoberto.

 

Hugh Grant (“Florence – Quem é Essa Mulher?”)

Hugh Grant

Ainda que por razões diametralmente opostas às de Tom Hanks, o trabalho de Hugh Grant também costuma ser menosprezado pela crítica. Mas o que ele faz em “Florence”, pequena joia de Stephen Frears, é um grito contra a corrente. O inglês nunca esteve tão contido, tão inteiro nas notas dramáticas e tão sagaz na válvula cômica.

 

Nate Parker (“O Nascimento de uma Nação”)

Nate Parker

Parker, protagonista e diretor do filme, viu as chances de ser um dos senhores da temporada de premiações caírem a zero na esteira do escândalo sexual que remete a uma acusação de estupro cuja vítima suicidou-se. Desgraça esta que não muda em nada o fato de que sua atuação no impactante “O Nascimento de uma Nação” é pura navalha na carne. Do tipo que é impossível manter-se indiferente.

 

Michael Shannon (“Animais Noturnos”)

Animais Noturnos

Como um rígido policial texano sem nada a perder, Michael Shannon cria aquele personagem que é sua característica. Um homem taciturno com ambiguidade moral e envergadura física intimidante. No espetacular filme de Tom Ford ele é o personagem mais humano e, de certa forma, o mais frágil também.

 

Jake Gyllenhaal (“Animais Noturnos”)

Animais Noturnos

Dar vida a dois personagens extremamente diferentes, mas com algumas similaridades que servem justamente ao principal eixo dramático do filme é um desafio para qualquer ator. Não é a primeira vez que Gyllenhaal vive dois personagens em um mesmo filme e talvez a falta de ineditismo o ajude, mas fato é que em “Animais Noturnos” seu desempenho irrepreensível nos atordoa com a questão: Como esse cara ainda não tem um Oscar na estante?

 

Jacob Tremblay (“O Quarto de Jack”)

O Quarto de Jack

Quando filmou a produção, Tremblay tinha sete anos. Não precisaria nem desse dado para nosso queixo cair, mas ele reconfigura toda a nossa percepção do trabalho cheio de miudezas e camadas do ator em “O Quarto de Jack”. Aqui se tem a prova definitiva de que o trabalho de ator mirim pode se beneficiar muito de um bom diretor, mas que merece respeito. Tremblay, soberbo, joga todo e qualquer eufemismo pela janela apenas com seus olhares e gestos.

 

Vicent Lindon (“O Valor de um Homem”)

O Valor de um homem

O minimalismo da atuação de Lindon tem tudo a ver com as circunstâncias de seu personagem em “O Valor de um Homem”. Um sujeito à procura de um emprego que se ressente do funcionamento do sistema para logo em seguida se inserir dentro desse sistema. As angústias e conflitos do personagem são abordadas física e emocionalmente por Lindon com uma destreza que espanta. Uma atuação simplesmente formidável.

Autor: Tags: , , , , , , , ,

quarta-feira, 6 de julho de 2016 Atores, Curiosidades | 07:00

Ícones do cinema de ação, Stallone, Diesel, Statham, Ford e Schwarzenegger fazem aniversário em julho

Compartilhe: Twitter
Stallone em uma de suas cenas mais memoráveis: ator chega aos 70 anos no melhor momento da carreira (Fotos: divulgação)

Stallone em uma de suas cenas mais memoráveis: ator chega aos 70 anos no melhor momento da carreira
(Fotos: divulgação)

Nesta quarta-feira (6), um dos maiores ícones do cinema de ação completa 70 anos de idade. Estamos falando, é claro, de Sylvester Stallone. O ator americano, que voltou aos holofotes no início do ano ao ganhar o Globo de Ouro e concorrer ao Oscar por interpretar o icônico Rocky Balboa em “Creed: Nascido para Lutar”, chega aos 70 anos com muita saúde e disposição. Além de estar plenamente ativo em Hollywood. Ele está creditado em quatro filmes que serão lançados até o fim de 2017, entre eles a aguardada sequência de “Guardiões da Galáxia”.

O mais curioso desse mês de julho é que ele reúne entre seus aniversariantes estrelados, muita testosterona. Além de Stallone, outros ícones do cinema de ação sopram velinhas no mês. São eles Harrison Ford, que completa 74 anos no próximo dia 13; Vin Diesel, que no dia 18 faz 49 anos; Jason Statham, que também chega aos 49 anos no dia 26; e Arnold Schwarzenegger. O gigante austríaco, ex-governador da Califórnia e eterno exterminador do futuro completa 69 anos no dia 30.

Stallone, Statham e Schwarzenegger em cena de "Os Mercenários": todos sopram velinhas em julho

Stallone, Statham e Schwarzenegger em cena de “Os Mercenários”: todos sopram velinhas em julho

Caprichos do destino ou não, julho pode ser percebido como o mês da ação no cinema e o canal Megapix teve esse estalo e programou a exibição de filmes estrelados por esses astros para os dias de seus aniversários. A brincadeira começa nesta quinta-feira (6) com “Rocky IV”, que será exibido às 11h25. No dia 13, o canal exibe “Indiana Jones e a Última Cruzada” às 10h55. O super badalado “Velozes e Furiosos” é a escolha para homenagear Vin Diesel no dia 18 às 12h10. O inglês Statham é celebrado com “Corrida Mortal” às 12h05 no dia 26. A maratona de homenagens se encerra com “O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas” às 14h30 do dia 30.

Como Sylvester Stallone chega à empoderada marca dos 70 anos, vale a pena estender as comemorações com os filmes disponíveis no Telecine Play.  Além de todos os filmes da franquia eternizada pelo astro, “Rocky – Um Lutador”, “Rocky II – A Revanche”,” Rocky III – O Desafio Supremo”, “Rocky IV” , “Rocky V” e “Rocky Balboa”, estão disponíveis na plataforma online outros títulos de seu extenso currículo como “Os Mercenários 3”, “Rota de Fuga” – em que divide a cena com Schwarzenegger, “Daylight” e “Oscar – Minha Filha Quer Casar”.

Celebrar algumas das figuras mais icônicas do cinema de ação no mês de julho parece um ritual necessário para quem curte o gênero. Não vai faltar adrenalina!

Autor: Tags: , , , , , , ,

domingo, 19 de junho de 2016 Atores | 19:51

Anton Yelchin deixa a vida muito jovem, mas com um legado cinematográfico belo e completo

Compartilhe: Twitter
Yelchin ao lado de Felicity Jones em "Loucamente Apaixonados": um de seus melhores momentos no cinema (Fotos: divulgação)

Yelchin ao lado de Felicity Jones em “Loucamente Apaixonados”: um de seus melhores momentos no cinema
(Fotos: divulgação)

A notícia da morte de Anton Yelchin, ator russo radicado nos EUA, aos 27 anos chocou o mundo. O aspecto bizarro da morte do jovem, atropelado pelo próprio carro em sua garagem em um acidente tão improvável quanto fatal realça o aspecto de incredulidade com o que se sucedeu.

A imprensa noticiou a morte do “ator de Star Trek” com o espanto que ela despertou. O terceiro filme da revitalização da franquia, com estreia marcada para julho nos EUA e setembro no Brasil, é um dos filmes estrelados por Yelchin que agora serão lançados postumamente.

Cena de "Alpha Dog": Ascensão no cinema indie

Cena de “Alpha Dog”: Ascensão no cinema indie

Outros são “Porto”, um romance indie ambientado na cidade portuguesa,  “Rememory”, um sci-fi em que divide a cena com Peter Dinklage, e “We Don´t Belong Here”, em que contracena com Catherine Keener. Além da série animada da Netflix, produzida por Guillermo Del Toro, “Thoroughbred” – esta ainda incompleta.

Yelchin começou a atuar ainda criança, mas não obteve o status de um astro precoce nos termos de Macaulay Culkin. De participações em produções televisas como “E.R”, “Nova York Contra o Crime” e “Taken”, a pontas em filmes como “Na Teia da Aranha” (2002) e “Reflexos da Amizade”, Yelchin foi conquistando seu espaço no cinema americano. Seu primeiro grande papel foi em “Alpha Dog (2006)”, de Nick Cassavetes. Não era o protagonista, mas o filme girava em torno de seu personagem. Um tipo introspectivo que queria ser aceito e acabava se envolvendo com traficantes e jovens arruaceiros. Yelchin já demonstrava brio como ator e a cena independente do cinema americano o acolheu com a mesma energia que ele demonstrava ter.

Filmes como “Charlie, um Grande Garoto”  (2007), “Middle of Nowhere” (2008) e “Nova York, eu Te-Amo” (2008) ajudaram a popularizar seu nome no circuito independente americano e a chamar a atenção de quem estava à cata de novos talentos, como J.J Abrams que o recrutou para ser o russo Chekov na nova versão de “Star Trek”, lançada em 2009 e que ganhou uma primeira sequência em 20013.

O ano de 2009, aliás, foi decisivo. Ele também estrelou, ao lado de Christian Bale, o quarto filme da franquia “O Exterminador do Futuro”, denominado “A Salvação”, na pele do icônico e aqui mais jovem Kyle Reese. Daí para frente, Yelchin passou a trabalhar mais no mainstream, mas sem deixar o alma indie desguarnecida. Todo ano lançava um filme em Sundance e fazia questão de dar as caras em Utah, cidade norte-americana que sedia o evento todo mês de janeiro.

O ator durante o festival de Veneza de 2014 com Alexandra Daddario e Ashley Greene para a estreia de "Enterrando minha ex" (Foto: Getty)

O ator durante o festival de Veneza de 2014 com Alexandra Daddario e Ashley Greene para a estreia de “Enterrando minha ex”
(Foto: Getty)

Foi dublador de Smurf e da ótima animação “Piratas Pirados” (2012), estrelou o divertido remake de “A Hora do Espanto”, lançado em 2011 e caprichou no humor geek em “Enterrando minha ex” (2014), de Joe Dante, em que é perseguido pela namorada zumbi.

Mas é mesmo a seara independente que merece atenção neste momento tão inesperado. Sob as ordens do excelente William H. Macy, impressionou como o garoto com talento para a música que forma uma improvável banda com o pai fracassado em “Sonhos à Deriva” (2014). Assim como agregou brilho ao elenco capitaneado por Mel Gibson reunido por Jodie Foster em “Um Novo Despertar” (2011), que também tinha uma promissora jovem chamada Jennifer Lawrence.

Produções elogiadas em diversos festivais como “Amantes Eternos” (2013), de Jim Jarmusch e “Green Room” (2015) também contam com os préstimos do ator que sabe submergir em personagens distintos, mas unidos por certa melancolia que Yelchin sempre carregou consigo mesmo nos filmes mais leves. Fazia parte de seu charme como intérprete e talvez explique porque “Loucamente Apaixonados”, em que vive idas e vindas com Felicity Jones em um romance dolorosamente afetivo a quem quer que o assista, é o filme pelo qual será mais lembrado.

É aqui, em outra produção surgida em Sundance, que Yelchin melhor exercita seus músculos dramáticos. É aqui que vemos um ator que queremos conhecer por dentro e que tem a felicidade de ser tão ímpar, quanto familiar, aos nossos olhos.

Yelchin e seus colegas de Enterprise: Legado compreende participação em uma das principais franquias da cultura pop

Yelchin e seus colegas de Enterprise: Legado compreende participação em uma das principais franquias da cultura pop

Autor: Tags: , ,

sábado, 7 de maio de 2016 Análises, Atores, Bastidores | 17:33

Após aposentar Homem-Aranha, Andrew Garfield se reinventa como ator em Hollywood

Compartilhe: Twitter
Foto: reprodução/Eonline

Foto: reprodução/Eonline

Há uma máxima em Hollywood de que há bons atores e há atores com bons agentes. Mas nem tudo é tão preto no branco assim e um caso exemplar disso é o americano Andrew Garfield. Prestes a completar 33 anos, Garfield já tem ares de veterano em Hollywood após aposentar-se do papel de Peter Parker/ Homem-Aranha. O ator deu vida ao personagem no reboot da franquia pela Sony nos filmes “O Espetacular Homem-Aranha” (2012) e “O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro” (2014).

Ator com insuspeitos recursos dramáticos, Garfield debutou roubando a cena de Robert Redford, Meryl Streep e Tom Cruise em “Leões e Cordeiros” (2007), um drama que objetivava problematizar os obscuros anos Bush que mergulharam os EUA em intermináveis guerras no Oriente Médio. “Não me Abandone Jamais” e “A Rede Social”, ambos de 2010, foram filmes que mostraram todo o potencial de Garfield como intérprete. Para além do carisma, ali estava um ator capaz de navegar entre a vulnerabilidade do personagem e a potência dramática do registro. Alguém que podia submergir em uma situação para surgir renovado na cena seguinte. Uma presença de cena, enfim, robusta e fornida que assaltava a atenção da plateia.

Não foi à toa que ele foi a primeira opção da Sony para assumir o papel até então defendido por Tobey Maguire. Mas a saga do Aranha no cinema, apesar de Garfield ter sido o único acerto indiscutível dessa reimaginação, não foi positiva para o ator. Durante o período em que foi o Aranha, o americano se afastou daquele caminho que estava construindo no cinema. Quando a Sony resolveu reiniciar novamente a história do Aranha no cinema, agora com Tom Holland, Garfield se viu libertado de um paradoxo.  Este que o aferia status de astro, mas o afastava de projetos de pedigree.

Leia também: Temos um Homem-Aranha, e agora?

Scorsese e Garfield: curadoria de Scorsese transformou carreira de DiCaprio

Scorsese e Garfield: curadoria de Scorsese transformou carreira de DiCaprio

“Silence”, novo e aguardadíssimo filme de Martin Scorsese, e “Hacksaw Ridge”, nova incursão de Mel Gibson na direção, que chegam no final deste ano nos EUA, já estavam em seu radar quando ele ainda era o Aranha, mas nesta semana o ator acertou detalhes para estrelar dois novos e promissores projetos.

São eles “Breathe”, que marcará a estreia de Andy Serkis na direção, e “Under the Silver Lake”, novo longa de David Robert Mitchell, responsável por um dos grandes filmes de 2015, “Corrente do Mal”.

A colaboração com cineastas prodigiosos, consagrados ou revelações, é imperiosa para que um ator desenvolva mais e mais seus recursos e fundamentos. Mais importante ainda, é eleger projetos que permitam exercitar sua musculatura dramática. Garfield é bom ator, mas Hollywood é capciosa e exige constante convalidação de predicados. O americano, por meio de suas escolhas, parece mais consciente disso do que nunca.

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016 Atores | 20:05

Alan Rickman sofisticava o simples e aferia graça ao malicioso

Compartilhe: Twitter
Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Morreu nesta quinta-feira (14), aos 69 anos, o ator britânico Alan Rickman. Ele cravou-se no âmago da cultura pop por dar vida a Severus Snape, icônico e primordial personagem da franquia Harry Potter. Para além da graça afetada e do ar intrigante com que revestiu Snape, um dos favoritos dos fãs, Rickman notabilizou-se por sofisticar personagens triviais e hipnotizar a audiência com o melhor dos acentos do famoso charme inglês.

Suas presenças em filmes como “Simplesmente Amor” (2003), “Razão e Sensibilidade” (1995), “Um Certo Olhar” (2006), “Michael Collins” (1996) e “Sweeney Todd – o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007) são testemunhos dessa magia que Rickman operava em papeis pequenos ou simplórios.

O britânico agraciou o cinema com um dos maiores vilões de todos os tempos. Seu Hans Gruber de “Duro de Matar” (1988) ajudou a consolidar o filme de John McTiernan como um dos highlights da década e, ainda hoje, impressiona pela caracterização refinada e maquiavélica.

Rickman era desses que navegava com habilidade indecifrável pelos diferentes tons da interpretação. Não à toa, era requisitado por gente tão diferente como Kevin Smith, que o fez ser um anjo em “Dogma” (1999), e Lee Daniels – que o transformou em Ronald Reagan em “O Mordomo da Casa Branca” (2013).

Da comédia ao drama, passando pela aventura – foi vilão também em “Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões” (1992) – , Rickman cativava sempre. Seu maior predicado, porém, era a capacidade de aferir graça ao malicioso. De tonar o dúbio, sedutor. Algo que já estava presente em Hans Gruber, mas que ele elevou a um nível de arte nos filmes de Harry Potter.

Autor: Tags: , ,

quarta-feira, 30 de setembro de 2015 Análises, Atores | 16:59

A verdade por trás da recém-descoberta homofobia de Matt Damon

Compartilhe: Twitter

Damon

Em plena promoção de “Perdido em Marte”, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas de todo o mundo, Matt Damon arranjou uma sarna para se coçar. O ator disse em entrevista ao site The Observer que atores “não deveriam falar de sua sexualidade”, por que “quanto menos as pessoas sabem de sua vida, melhor”. Damon comentou, ainda, que “sair do armário” pode ser um tiro no pé.

Damon abordou, também, um dos casos mais clássicos sobre o tema em Hollywood. “Rupert Everett se assumiu gay e esse cara – mais bonito que qualquer um, um ator com formação clássica – é difícil defender a ideia de que ele não foi sabotado por ter se assumido”.

A reação à posição de Damon foi barulhenta. Gente do cinema, gente do comportamento, gente de esquerda e gente de direita tinham algo a dizer sobre o comentário do ator. E não foi bonito. Matt Damon, que gosta de posar como democrata convicto, se viu sob o desconfortável rótulo de homofóbico.

Leia também: O cinema descortina o mundo pós-gay?

Mas procede a queixa ou procede Damon? Hollywood pode ser um lugar bastante inóspito e, ao que parece, foi com isso em mente que Damon externou seu pensamento. É lógico que a construção do raciocínio partiu do pressuposto de que há uma invasão monstruosa da privacidade dos astros e estrelas. Damon falava de si quando disse que quanto menos se souber da vida privada de um astro, melhor. Mas falava, também, por todos aqueles que se ressentem dessa contingência do estrelato.

Quando evoluiu o raciocínio para o fato de que atores homossexuais não deveriam sair do armário, Damon afrontou o status quo. Mas o fez com a melhor das boas intenções. Ele estava considerando as ainda injustas amarras do sistema. Ao exemplificar seu ponto de vista com Rupert Everettque já foi a público se dizer vítima de boicote e exortar a jovens atores gays a ficarem no armário – o ator não quis expor um pensamento reacionário como muitos sublinharam. Expôs, no entanto, um pensamento de resignação. O que só é lamentável para ele.  No final das contas, diante da má publicidade em face de seu comentário, pediu desculpas. Após, claro, culpar a imprensa por distorcer suas palavras. No jogo de Hollywood alguns clichês são sacados até mesmo quando se atenta contra o senso comum. “Fico feliz por, pelo menos, meu comentário ter provocado um debate sobre diversidade em Hollywood”, anotou em um comunicado oficial nesta quarta-feira (30).  Um dia como outro qualquer em Hollywood, afinal.

Autor: Tags: , , , ,

quinta-feira, 3 de setembro de 2015 Análises, Atores, Bastidores | 17:19

O novo James Bond e a resistência a Idris Elba para o papel

Compartilhe: Twitter
Idris Elba, o favorito já muito contestado para substituir Daniel Craig (Foto: reprodução/independent)

Idris Elba, o favorito já muito contestado para substituir Daniel Craig (Foto: reprodução/independent)

À medida que se aproxima o lançamento de “007 contra Spectre”, novo filme do espião James Bond – o último com Daniel Craig como protagonista, mais se intensifica o bafafá em torno de quem irá substitui-lo na pele do agente secreto a serviço de sua majestade. Outro dia, Pierce Brosnan disse que já é tempo de termos um “James Bond gay ou negro”. Os pitacos quando não voluntariamente oferecidos são cobrados, como ocorreu em uma entrevista do Daily Mail com o autor do novo romance de 007 (“Trigger mortis”), o britânico Anthony Horowitz.

Questionado se Idris Elba (“Círculo de Fogo, “Mandela – a luta pela liberdade”) seria um bom James Bond, o escritor observou que falta “suavidade” ao ator. “Ele é um tanto áspero demais para o papel. Acho que ele é provavelmente muito da rua para interpretar Bond”. Depois da repercussão negativa nas redes sociais, o escritor retratou-se: “Sinto muito se ofendi as pessoas. Não foi minha intenção. Não sou um diretor de elenco. Então o que eu sei? Indelicadamente escolhi a expressão ‘da rua’ porque tinha em mente a interpretação dele do detetive John Luther (personagem vivido pelo ator em série inglesa), mas devo admitir que foi uma escolha pobre de palavras”.

Esta não foi a primeira vez que Elba se vê no centro de uma polêmica envolvendo James Bond.  Os boatos começaram em 2012 e, no ano passado, no calor do escândalo dos vazamentos de documentos da Sony Pictures, foi revelado que Elba era mesmo considerado como uma opção para assumir o personagem por ninguém menos do que a então presidente do estúdio, Amy Pascal.

No início do ano, Elba se pronunciou a respeito do rumor e disse que de tão efusivo, o boato se autodestruiu. “Se existia alguma chance de eu viver James Bond, ela se foi”. O ator, que completa 43 anos no próximo domingo, responsabilizou o atual James Bond pela onda de boatos. “Eu culpo Daniel”, observou o ator sobre uma entrevista de Craig na ocasião do lançamento de “Operação Skyfall” em que listou Elba como um potencial substituto.

É importante ter em mente que um James Bond negro é completamente distinto da concepção original de Ian

Foto: reprodução/GQ

Foto: reprodução/GQ

Fleming, mas um James Bond loiro, baixo e de beleza aberta à discussão também o era. Razão pela qual o leitor pode até não lembrar, mas o nome de Daniel Craig foi bastante contestado quando anunciado (Clive Owen era o favorito da produtora Barbara Broccoli, mas recusara).  Há tradições que precisam ser mantidas e outras que podem ser dispensadas e Idris Elba parece ser o ator mais indicado para romper velhas tradições e estabelecer novas. Bonitão, sofisticado, charmoso, viril e com aquele ar blasé que só os britânicos possuem (com as devidas desculpas aos fãs de George Lazenby), Elba é um dos poucos atores capazes de substituir Craig à altura. A essência do personagem deve preponderar à raça. Parece ser mais importante ele ser vivido por um britânico – já que atua no serviço de inteligência britânico – do que ser branco, preto ou pardo.

A discussão em torno da raça e até mesmo da orientação sexual de Bond – quem não se lembra da tensão sexual entre Bardem e Craig em “Operação skyfall” – é reflexo do avanço dos direitos civis e liberdades individuais. Bond, vale lembrar, foi concebido em uma época de forte segregação racial e total obstrução à homossexualidade.

Passa por aí a declaração de Daniel Craig, muito repercutida no início da semana, de que seu Bond é menos “sexista e misógino” do que os anteriores. Personagem longevo que é, Bond vai sofrendo ajustes com o passar do tempo.

Elba seria um ajuste bem-vindo. Além de materializar um avanço histórico necessário, sua escolha seria pedagógica e eficiente. Porque acenaria ao mundo pós-racial com um poderoso símbolo da cultura pop sem qualquer tipo de concessão em matéria de qualidade. Elba, afinal, é um baita ator. Não se trataria de uma cota a ser preenchida. Apenas de se superar uma resistência boba. James Bond já foi mais engraçado, mais mulherengo, mais violento e até mais inseguro. Já chegou a hora de ser mais preto.

Autor: Tags: , , , ,

terça-feira, 25 de agosto de 2015 Atores, Bastidores | 20:10

Os bastidores da demissão de Bruce Willis do novo filme de Woody Allen

Compartilhe: Twitter

Não faz muito tempo que Woody Allen, que lança seu novo filme (“O homem irracional”) no Brasil neste fim de semana, anunciou o elenco de seu novo projeto – a ser lançado em 2016.

Ontem surgiu a notícia de que Bruce Willis, um dos principais nomes desse projeto ainda sem título oficial, retirou-se da produção. Isso, no mesmo dia em que circularam fotos na internet dele no set gravando cenas com os atores Jesse Eisenberg e Kristen Stewart. A justificativa oficial fornecida tanto por representantes de Woody Allen como por representantes de Willis é de que o ator tinha um conflito de agendas, já que está contratado para estrelar uma adaptação da obra de Stephen King “Louca obsessão” na Broadway.

Para quem está minimamente familiarizado com a rotina de Hollywood, no entanto, essa justificativa não cola. Os atores costumam verificar possíveis conflitos de agenda antes de embarcarem em um projeto. Não obstante, “conflito de agendas” é a versão oficial para qualquer arranca-rabo nos bastidores. Para tornar tudo mais ambíguo, as fotos de Willis rodando cenas para o filme tornam pouco crível a ideia de que ele estaria a algumas horas de pular fora da produção.

Willis fotografado no set do filme de Woody Allen momentos antes de se retirar da produção (Foto: Comingsoon.net/reprodução)

Willis fotografado no set do filme de Woody Allen momentos antes de se retirar da produção
(Foto: Comingsoon.net/reprodução)

Há duas correntes que podem explicar o que aconteceu de fato. A primeira é de que Allen teria percebido a inadequação de Willis para o personagem e decidido seguir em outra direção. Embora seja uma solução extrema e rara em produções hollywoodianas envolvendo figuras do primeiro escalão, não seria a primeira vez que o cineasta faria algo do gênero. Depois de dez dias de filmagens, ele substituiu Michael Keaton por Jeff Daniels em “A rosa púrpura do Cairo” (1985).

No entanto, há a possibilidade de Allen ter demitido Willis por estar insatisfeito com o desempenho do ator. Algo ainda mais extremo e incomum em produções dessa estirpe em Hollywood. Segundo o jornalista Jeff Sneider, do The Wrap, que tem uma fonte dentro da produção, Allen optou pelo corte de Willis porque o ator estava tendo dificuldades com o roteiro e seu embaraço já começava a afetar o restante do elenco.

A participação de Bruce Willis em um filme de Woody Allen estava sendo percebida por indústria e crítica como uma nova tentativa do astro de emergir em papéis sérios e projetos mais ambiciosos artisticamente. De tempos em tempos, Willis deixa a ação de lado e investe em projetos como “O sexto sentido” (1999), “Pulp Fiction – tempos de violência” (1994), “Moonrise kingdom” (2012), entre outros.

Autor: Tags: , , , ,

domingo, 16 de agosto de 2015 Atores, Notícias | 18:50

Bradley Cooper e o retrato da obsessão

Compartilhe: Twitter

Bradley Cooper lança no fim do ano, “Burnt”, uma produção artisticamente mais modesta do que suas últimas incursões no cinema, mas impregnada do mesmo elemento que fez com que Cooper atingisse o Olimpo dos intérpretes americanos da atualidade.

Este elemento é a obsessão. Mais do que qualquer ator atual, Bradley Cooper se especializou em viver tipos obsessivos no cinema. O tom do registro pode mudar, mas essa verve do personagem segue lá, intacta.

O ator em cena de "Burnt" (Foto: divulgação)

O ator em cena de “Burnt”
(Foto: divulgação)

Em “O lado bom da vida” (2012), que lhe deu sua primeira indicado ao Oscar e marca essa guinada na carreira, ele faz um homem bipolar obcecado em reconquistar a ex-mulher que o traía antes mesmo dele surtar e ir para em uma clínica psiquiátrica. Em “Trapaça” (2013), do mesmo David O. Russell de “O lado bom da vida”, ele dá vida a um agente do FBI com sonho de grandeza que não consegue se dar por satisfeito em desbaratar um esquema de corrupção e acaba dando um passo maior do que as pernas. Já em “Sniper americano”, ele interpreta um homem desacostumado a viver em meio à paz e obstinado em superar um atirador de elite rival durante a ocupação americana no Iraque.

O fato de ter sido indicado ao Oscar pelos três trabalhos diz muito sobre as atuais preferências de Cooper ao dizer sim para um projeto. Em “Burnt”, cujo primeiro trailer pode ser conferido abaixo, ele vive Adam Jones, um chef de cozinha que após destruir sua carreira com vício em drogas e um temperamento explosivo, tenta dar a volta por cima. O filme é dirigido por John Wells (“Álbum de família”) e traz nomes como Emma Thompson, Sienna Miller, Uma Thurman e Daniel Brühl no elenco coadjuvante.

É muito cedo para dizer se “Burnt” tem chances de chegar ao próximo Oscar, a distribuição é do Midas Harvey Weinstein, mas é certo que Cooper parece decidido a investir em personagens soturnos e francamente obsessivos nesse ‘rebranding’ de carreira. Nada mais justo do que uma obsessão a alimentar outra.

Autor: Tags: , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. Última