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quarta-feira, 8 de julho de 2015 Análises, Bastidores, Filmes | 21:04

A TV assume o protagonismo do cinema, mas é possível reverter a tendência

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Que a TV está roubando o espaço do cinema, se o leitor não sabe, certamente já ouviu dizer.

Mas o premiado dramaturgo e roteirista inglês David Hare, responsável pelas adaptações de “As horas” e “O leitor”, ambas dirigidas pelo também britânico Stephen Daldry, pôs pimenta na discussão ao alterar a perspectiva do debate.

O dramaturgo e roteirista David Hare (Foto: divulgação)

O dramaturgo e roteirista David Hare
(Foto: divulgação)

Hare, um dos destaques da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada no último final de semana no Rio de Janeiro, disse em entrevista coletiva que Hollywood “ainda resiste a dar protagonismo para os roteiristas” e que, em sua avaliação, o sucesso cada vez mais inebriante da televisão reside no fato de que a TV “deu espaço para os escritores”. Hare observou, também, que os autores “estão tomando o poder” nas telas, mas afirmou que o teatro jamais conseguirá a “velocidade narrativa” de produções como “Mad Men” e “House of Cards”, que conquistam milhões de espectadores.

O dramaturgo, que ostenta o título de “sir”, elegeu a TV atual como uma expressão de arte muito mais estimulante até mesmo do que a literatura e louvou a iniciativa da Flip de abrir espaço para o debate de outras artes, como teatro, cinema e, agora, TV.

Hare propõe uma subversão no olhar dispensado ao cinema e à TV atuais. E se o sucesso da TV estivesse diretamente relacionado à crise criativa dos estúdios? E se todo o modelo vigente, calcado na teoria do autor ¹ fosse responsável por essa letargia a assolar Hollywood?

“Os diretores de Hollywood não aceitam que os escritores estejam no comando”, observou.  No início de 2008, a indústria do audiovisual americana paralisou por completo quando uma greve de roteiristas sem precedentes tomou forma. As negociações se apressaram para garantir a realização da cerimônia do Oscar daquele ano. A greve, de alguma maneira, culminou com a novíssima e elogiada safra de séries da TV americana. A figura do showrunner, um roteirista que detém o controle criativo sobre uma série de TV ganhou propulsão e nomes como Vince Gilligan (“Breaking bad”) e Beau Willimon (“House of cards”) gozam de prestígio outrora somente dispensados a artesãos da sétima arte como Martin Scorsese e Stanley Kubrick.

Essa recém-estabelecida equivalência entre TV e cinema tem levado muita gente do cinema a buscar uma reinvenção na TV. De nomes como Ryan Phillippe (“Secrets and lies”) e M. Night Shyamalan (“Waynard pines”) a Dustin Hoffman, que não conseguiu emplacar o drama “Luck”, que misturava esporte e máfia, na HBO. Hoffman, aliás, declarou recentemente em entrevista ao jornal britânico The independent que “a TV vive sua melhor fase enquanto que o cinema é o pior em 50 anos. Hoje em dia tudo se resume ao fato de seu filme fazer dinheiro ou não”.

Dustin Hoffman: "É o pior cinema em 50 anos" (Foto: divulgação)

Dustin Hoffman: “É o pior cinema em 50 anos”
(Foto: divulgação)

Cena de "Homem-Formiga", que estreia na próxima semana e fecha a chamada fase 2 da Marvel no cinema: A concepção narrativa das HQs levada para a tela grande

Cena de “Homem-Formiga”, que estreia na próxima semana e fecha a chamada fase 2 da Marvel no cinema: A concepção narrativa das HQs levada para a tela grande

 

Não há nada de errado ou superado na teoria do autor.  O dito cinema de arte muito se beneficia dela, mas ao olhar o sucesso da Marvel com o seu universo coeso e interligado é fácil identificar no produtor Kevin Feige uma espécie de showrunner e aceitar com maior naturalidade a proposição de Hare. Resta saber se Hollywood está disposta a ouvir.

¹ teoria cunhada em plena ascensão da Nouvelle Vague que preconiza um cinema de estilo, estética  e tema reconhecíveis em um diretor, mesmo este subordinado ao esquema de estúdio.  Para esta teoria, encampada também pela crítica de cinema, um filme carrega a assinatura do diretor, ainda que seja um trabalho coletivo.

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quinta-feira, 2 de julho de 2015 Atores, Bastidores | 21:59

Ben Affleck diz que “Batman é a versão americana de Hamlet”

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Capa do The Hollywood Reporter

Capa do The Hollywood Reporter

Não foi a melhor das semanas para Ben Affleck. O divórcio de Jennifer Garner ganhou publicidade e a tradicional boataria sobre as razões que levaram ao fim do casamento está a todo vapor. Não obstante, o ator ainda é capa das duas principais publicações de entretenimento nos EUA. O The Hollywood Reporter, no qual teoriza sobre a vida aos 40 anos, e a Entertainment Weekly, que destaca o aguardadíssimo “Batman vs Superman – a origem da Justiça”. Foi a esta última que Affleck deu a curiosa declaração. Para o ator, que assume o personagem defendido por uma década por Christian Bale, o Batman é “basicamente o Hamlet americano”. Affleck acrescenta que “aceitamos que ele seja vivido por diferentes atores que apresentem interpretações distintas do personagem”.

O ator disse que seu Batman é radicalmente diferente do de Bale. “Ele talvez esteja no fim de sua vida. Há um profundo sentimento de exaustão nele”. Trágico, o personagem pede uma abordagem sombria e é o que Affleck – que pode assumir a direção de um novo filme solo do homem-morcego em 2017 – e Zack Snyder prometem entregar.

O ator disse, ainda, que “Demolidor – o homem sem medo” (2003), primeiro filme de super-herói que estrelou, não deu certo. “Aquilo foi antes de as pessoas perceberem que você poderia fazer esses filmes e fazê-los bem. Eram tempos mais cínicos”, observou. “Eles realmente aprenderam a fazer isso funcionar. O bom é novo ruim”.

A visão desse amadurecido Ben Affleck pode ser decisiva para a nova versão de Batman nos cinemas. Escolha muito contestada, o ator aprimorou-se no ofício conforme se estabelecia como diretor de filmes elogiados como “Argo” (2012) e “Atração perigosa” (2010), em que também atuou. A própria comparação que ensejou entre o homem-morcego e Hamlet comprova a retidão com que encara o personagem.

Affleck bate aquele papo com o diretor Zack Snyder nos sets de "Batman vs Superman" Foto: EW/reprodução

Affleck bate aquele papo com o diretor Zack Snyder nos sets de “Batman vs Superman”
Foto: EW/reprodução

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quinta-feira, 18 de junho de 2015 Atrizes, Bastidores | 18:37

Jennifer Lawrence chega ao clube dos cachês de U$ 20 milhões

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Jennifer Lawrence vai se tornar quarta atriz a faturar U$ 20 milhões por um filme. O contrato para estrelar “Passengers”, ficção científica produzida pela Sony, ainda não foi assinado, mas os termos já estão estabelecidos.

Aos 24 anos, Jennifer Lawrence entra para o clube bem mais nova do que suas antecessoras. Julia Roberts inaugurou o clube aos 29 quando fechou contrato para assinar “O casamento do meu melhor amigo” (1997). O feito de Julia era ainda mais expressivo porque na década de 90, apenas alguns atores podiam ostentar esse cacife (Sylvester Stallone, Tom Cruise, Mel Gibson e Harrison Ford). Cameron Díaz, com “Tudo para ficar com ele”, aumentou o clube quando tinha 30 anos e, finalmente, Angelina Jolie que recebeu a quantia para estrelar “Malévola” (2014), tinha 39 anos à época. Os ganhos de Jolie com o filme totalizaram U$ 35 milhões porque ela recebeu porcentagens da bilheteria do filme.  Jennifer Lawrence deve fechar um contrato nos mesmos termos da esposa de Brad Pitt.

O feito de J.Law ganha ainda mais notoriedade porque seu parceiro de cena será ninguém menos do que Chris Pratt, que com “Jurassic World” acaba de estabelecer a maior bilheteria de fim de semana de estreia da história. Pratt vêm em uma ascendente meteórica em Hollywood (“Guardiões da Galáxia”, alguém lembra?).  A equipe de Pratt, segundo informações do The Hollywood Reporter, está tentando renegociar os valores – o ator ganharia cerca de U$ 8 milhões – para capitalizar o hype.

O que coloca “Passengers”, que será dirigido por Morten Tyldum (“O jogo da imitação”), no centro das atenções não é nem mesmo o inflacionado custo de produção – já superior a U$ 40 milhões sem mesmo a pré-produção ter começado, mas o fato do filme reunir Jennifer Lawrence e Sony novamente.

Jennifer Lawrence em cena de "Trapaça"

Jennifer Lawrence em cena de “Trapaça”
(Foto: divulgação)

O Sonygate, aquele escândalo em que hackers simpáticos à Coreia do Norte vazaram diversos documentos confidenciais do estúdio, revelou que a atriz – mesmo recém-premiada com o Oscar – ganhou menos do que seus companheiros de cena em “Trapaça”. O caso ganhou repercussão e cacifou a atriz a bater o pé nas atuais circunstâncias. Boatos indicam que ela pede cerca de 30% dos lucros obtidos com “Passengers”. Ou há muito otimismo da parte de Lawrence com o projeto ou esta é uma forma de se vingar da Sony e fazer um testamento feminista ao mesmo tempo. Alguém lembra do discurso de Patricia Arquette no Oscar deste ano?

Dadas às circunstâncias, a Sony terá peito de diminuir os vencimentos da atriz para aumentar o de Pratt? Ou essa fogueira de vaidades culminará no adiamento do projeto – e da consequente entrada de J.Law no clube dos cachês de U$ 20 milhões?

Não é “Verdades secretas”, mas os próximos capítulos devem ser quentes.

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sábado, 13 de junho de 2015 Bastidores, Filmes | 17:04

O que indica o prejuízo da Disney com “Tomorrowland”?

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Reportagem do The hollywood Reporter indica que a Disney se prepara para um prejuízo entre U$ 120 e U$ 140 milhões com o filme “Tomorrowland- um lugar onde nada é impossível”. Ao todo, o estúdio investiu no filme cerca de U$ 400 milhões – agregando na matemática custos de produção e a alavancagem do marketing.  A arrecadação internacional do filme, até o momento, está em U$ 170 milhões.

Neste momento a indústria reflete sobre o que pode ter dado errado com filme e a resposta mais consistente aponta falhas na promoção da fita. Adultos devem ter pensado que se tratava de um filme infantil e crianças não se sentiram atraídas pelo tom nostálgico da fita. Outro grande filme dessa temporada de blockbusters, “Mad Max – estrada da fúria”, também é pouco palatável do público habitual dos multiplexes nesta época do ano. A exemplo de “Tomorrowland”, “Estrada da fúria” não faz uma bilheteria vistosa nos EUA. Outro elemento a unir os dois filmes parece ser a total incapacidade do marketing dos estúdios em vendê-los. É como se, apesar dos milhões gastos na promoção, não soubessem em que fatia do público mirar. Muito menos como comunicar o que será lançado nos cinemas.

Por um lado, este cenário pode ser bem desolador. Não para a Disney que ainda reúne um belo plantel de lançamentos (“Homem-formiga” e “Divertida mente” – além de “Star Wars” no final do ano). Mas para o cinema mainstream em geral. Ideias originais escasseiam em Hollywood como água no deserto e quando elas surgem, seja na forma de filmar (“Mad max”), seja na aposta em um projeto totalmente novo (“Tomorrowland”), patinam na aceitação do público e levam pulgas para trás das orelhas dos engravatados que tomam as decisões no mundo do cinema.

A razão de tantos remakes, reboots e sequências inundarem Hollywood é justamente a de que ninguém sabe como filmes como “Tomorroland” vão repercutir junto ao público. Esse prejuízo ostensivo que a Disney amealha agora com o filme protagonizado por George Clooney, portanto, é mais água no chope de quem torce por mais criatividade e originalidade no cinema.

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sábado, 6 de junho de 2015 Bastidores, Curiosidades, Filmes | 19:32

Temporada de verão no cinema americano opõe comédias a super-heróis

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"Ted 2 " na capa da EW: paródia de Kim Kardashian

“Ted 2 ” na capa da EW: paródia de Kim Kardashian

Ninguém discute que os super-heróis dominam o cinema atual. A tendência não é exatamente nova e, se já dá sinais de desgaste, pode ser relativizada na temporada de verão de 2015 no cinema americano. Isso porque as comédias que serão lançadas entre junho e agosto prometem causar grande comoção.

As grandes sensações das últimas temporadas, as bilheterias surpreendentes, foram comédias. Em 2009, o hit foi “Se beber, não case!”, que colou no todo poderoso, e muito mais caro, “Transformers – a vingança dos derrotados”, faturou cerca de U$ 278 milhões nos EUA e quase U$ 500 milhões no mundo todo. Resultado? Virou uma inesperada franquia cujo terceiro e último filme foi lançado em 2013. No ínterim, “Ted” fez barulho em 2012 e só perdeu na temporada de blockbusters para os aguardadíssimos “O cavaleiro das trevas ressurge” e “Vingadores”. Internacionalmente, o filme estrelado pelo ursinho de pelúcia desbocado fez mais de U$ 500 milhões. A sequência de “Ted” é uma das comédias que prometem incomodar os filmes de super-heróis nessa temporada.

Em 2014, em plena Copa do mundo, que causou receio nos estúdios de haver desinteresse pelos lançamentos de cinema, uma comédia descompromissada estrelada por Seth Rogen e Zac Efron faturou quase U$ 300 milhões mundialmente. O filme em questão é “Vizinhos”.

A força emergente do gênero ficou consolidada com o lançamento de “A escolha perfeita 2” que se pagou integralmente no primeiro fim de semana e ainda ficou à frente do muito comentado “Mad Max: a estrada da fúria”. O filme, que ainda nem sequer estreou em muitos mercados, já faturou U$ 155 milhões nos EUA.  Estreia deste final de semana, “A espiã que sabia de menos” caminha para liderar as bilheterias nos EUA e já colhe bom boca a boca nas redes sociais brasileiras.

Nem tudo são flores: estrelado pelas belas Sofía Vergara e Reese Whiterspoon, "Belas e perseguidas" foi um flop inesperado

Nem tudo são flores: estrelado pelas belas Sofía Vergara e Reese Whiterspoon, “Belas e perseguidas” foi um flop inesperado

Com Bradley Cooper e Emma Stone e assinado pelo badalado Cameron Crowe, "Sob o mesmo céu" também decepcionou nos EUA. O filme chega ao Brasil em 11 de junho

Com Bradley Cooper e Emma Stone e assinado pelo badalado Cameron Crowe, “Sob o mesmo céu” também decepcionou nos EUA. O filme chega ao Brasil em 11 de junho
(Fotos: divulgação)

Além de “Ted 2” e “A escolha perfeita 2”, a Universal apresenta na temporada a nova comédia de Judd Apatow (“O virgem de 40 anos” e “Ligeiramente grávidos”), para todos os efeitos, um dos curadores dessa nova era das comédias. “Descompensada” traz a nova sensação do humor americano, Amy Schumer, como protagonista.

Liberado o trailer da comédia que promete ser a mais ultrajante e divertida de 2015

A Warner, que também não tem nenhum filme de herói em 2015, traz como um de seus potenciais hits o remake de “Férias frustradas” com Ed Helms, Christina Applegate e Chris Hemsworth.

Essa movimentação tem a ver com o crescente interesse do público, especialmente o americano, pelas comédias na temporada de verão.  “As pessoas não querem ter como opção apenas filmes de super-heróis”, disse à Variety a produtora de “A espiã que sabia de menos”, Jenno Topping. Apesar do boom das comédias, são os filmes evento – e aí incluem-se produções como “Terremoto”, “Jurassic World” e “O exterminador do futuro” – os verdadeiros chamarizes da temporada de blockbusters. Não há nenhum indício de arrefecimento na produção destes arrasa-quarteirões. O que se pode dizer, e 2015 deve comprovar, é que o riso vai tornar a carreira dessas megaproduções muito mais difícil.

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sexta-feira, 8 de maio de 2015 Análises | 17:12

A Viúva negra é mesmo vadia ou estamos diante de um caso de sexismo industrial?

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Os atores Chris Evans e Jeremy Renner se viram no epicentro de uma polêmica furtiva. Em uma entrevista chamaram a personagem Viúva Negra de vadia por ela flertar com diversos personagens do grupo de super-heróis vingadores. A rejeição à piada causou algum espanto neles. Os atores se desculparam, mas Jeremy Renner voltou à carga em um talk show americano ao afirmar que “se você dormisse com quatro vingadores, também seria uma vadia”. Ao reforçar sua crença no estigma, e na piada, Renner fez mais do que passar recibo de machista – misógino para os mais sensíveis. Ele escancarou a falta de tato dos estúdios, em geral, e da Marvel, em particular, na condução de personagens femininas em “filmes de menino”.

iG On: Atores de “Vingadores” são criticados por chamar Viúva Negra de “vadia”

Há, notavelmente, resistência por parte dos grandes estúdios hollywoodianos em investir em heroínas, e-mails vazados da Sony no ano passado cutucaram este elefante na sala, mas há números que desafiam essa letargia. A franquia teen mais bem sucedida da atualidade, “Jogos vorazes” é encabeçada por uma heroína, a Katniss Everdeen vivida por Jennifer Lawrence. A segunda franquia teen mais bem sucedida da atualidade, “Divergente”, também é estrelada por uma atriz, Shailene Woodley. Entre as vinte maiores bilheterias de 2014, o único filme totalmente original, isto é, que não era refilmagem, sequência ou adaptação de outra mídia, foi “Lucy”, filme de ação, vejam vocês, estrelado pela mesma Scarlett Johansson que dá vida à Viúva Negra.

O sexismo além da piada: Cerco à Viúva Negra não é dos atores, mas da Marvel que ainda não tem um projeto para a personagem  (foto: divulgação)

O sexismo além da piada: Cerco à Viúva Negra não é dos atores, mas da Marvel que ainda não tem um
projeto para a personagem
(foto: divulgação)

Percepções de mercado à parte, a Viúva Negra é um exemplo de como as personagens femininas da Marvel funcionam no cinema, pelo menos até o momento, como tampão. A primeira aparição da personagem foi em “Homem de ferro 2”, quando surgiu para dar viço a um jogo de flertes com Tony Stark. Era uma provocação da Marvel que, àquela altura, já alinhava seu projeto Vingadores. Depois a Viúva surgiu mais próxima do Gavião Arqueiro no primeiro “Vingadores”, já que desfrutava da mortalidade deste em um grupo de seres superpoderosos. No segundo “Capitão América”, ela flerta descompromissadamente com Steve Rogers. Finalmente, em “A era de Ultron” surge interessada em Bruce Banner (Mark Ruffalo). Onde Renner viu, para desespero das feministas, margem para vadiagem, é possível enxergar a total falta de ambição da Marvel para com a personagem. A Viúva Negra está ali apenas para complementar a história dos outros. Além de dar alguns pontapés.

Não há a menor preocupação em construir a personagem. Não nos termos que os produtores da Marvel externam com Thor, Tony Stark, etc. Passa por aí o fato de um filme solo da personagem não figurar no rol de prioridades da Marvel. A Viúva Negra é hoje a única personagem feminina de destaque no Universo Marvel. Panorama que deve mudar com o filme da Capitã Marvel e as novas séries da parceria com a Netflix. De qualquer forma, esse novo cenário, ainda distante, não alterará o fato de que o machismo de Renner e Evans foi deflagrado pelo sexismo industrializado encampado pela Marvel. Um mal muito mais nefasto em seu aspecto crônico e silencioso que passou ao largo da ampla visibilidade que o caso ganhou na mídia.

* A coluna entra em férias e volta reenergizada no começo de junho

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sexta-feira, 24 de abril de 2015 Análises, Filmes, Notícias | 18:06

Novo “Vingadores” dá largada à temporada mais lucrativa do cinema americano

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Quem acompanha o noticiário de cinema de perto já esperava pelo verão americano de 2015 há muito tempo e com muita ansiedade. O verão nos EUA, parte da primavera também, é quando os estúdios de cinema lançam seus principais blockbusters do ano. Essa faixa que vai de meados de abril até o fim de agosto reserva ainda mais atrações imperdíveis em 2015.

Retorno de franquias adormecidas (“Jurassic Park”), introdução de novos heróis (“Homem-formiga”) e produções originais (“Tomorrowland – um lugar onde nada é impossível” e “Terremoto – a falha de San Andreas”) disputam o interesse do espectador com comédias, sequências e um tal grupo de super-heróis que já toma os cinemas a partir deste fim de semana.

Na esteira de “Vingadores: a era de Ultron”, a Disney ainda tem o aguardadíssimo “Tomorrowland – um lugar onde nada é impossível” (maio), dirigido pelo mesmo Brad Bird de “Os incríveis” e “Missão impossível – protocolo fantasma”, “Homem-formiga” (julho) e “Divertida mente” (junho), nova produção da Pixar. As apostas são de que a Disney deve terminar a temporada como o estúdio número 1 em arrecadação. A Warner adotou uma estratégia arriscada para tentar neutralizar essa liderança. Ao invés de concentrar poucos e gigantes lançamentos, o estúdio pulverizou sua agenda na temporada. São nove filmes no total, a maioria de médio porte, puxados pelo aguardado remake de “Mad Max”, que ganhou o subtítulo de “A estrada da fúria”. Produções como “Terremoto – a falha de San Andreas” (maio), estrelado pelo fortão Dwayne “The Rock” Johnson, são testes para gêneros (no caso, o filme catástrofe) que andavam escassos na temporada pipoca. Já “Entourage” (junho) leva para o cinema a mise-en-scène da série sobre os bastidores de Hollywood. O público feminino e homossexual estão na mira da sequência de “Magic Mike”, que o estúdio programou para julho.  Para o fim do verão, em agosto, a Warner reservou o novo filme de Guy Ritchie, “O agente da U.N.C.L.E”.

"Tomorrowland" (Fotos: divulgação)

“Tomorrowland”
(Fotos: divulgação)

 

A Universal, que chega a mais concorrida temporada do cinema com dois megassucessos na bagagem (“50 tons de cinza” e “Velozes e furiosos 7”) tem tudo para manter o pique. O estúdio tem programados “Ted 2” (julho), “Trainwreck” (julho), nova comédia assinada por Judd Apatow com Amy Schumer, nova sensação da comédia americana, “Minions” (julho), derivado de “Meu malvado favorito”, “A escolha perfeita 2” (maio), além de “Jurassic World – o mundo dos dinossauros”.  A universal, que pode terminar o ano como a maior ameaça ao já declarado reinado da Disney nas bilheterias de 2015, parece ter a melhor fórmula nas mãos. Dos seis filmes de seu portfólio, um é uma comédia original cheia de potencial. Duas são sequências de comédias surpreendentemente bem sucedidas em anos anteriores, um spin-off da animação de maior sucesso do estúdio e a revitalização de uma das mais franquias mais famosas da casa.

A Paramount optou por estratégia oposta às adotadas por Warner e Universal e apostou em apenas dois filmes. Dois filmes bem grandes. O primeiro é “O exterminador do futuro: Gênesis” (julho), que celebra o retorno de Arnold Schwarzenegger à franquia. O segundo é “Missão impossível – nação secreta” (agosto), quinto filme do agente vivido por Tom Cruise.

"Jurassic World - o mundo dos dinossauros"

“Jurassic World – o mundo dos dinossauros”

A Fox, que teve um ótimo 2014 com filmes como “A culpa é das estrelas”, “X-men: dias de um futuro esquecido” e “Planeta dos macacos: o confronto” parece ter menos armas para 2015. “A espiã que sabia de menos” e “Cidades de papel” (ambos em julho) são as duas principais apostas do estúdio na temporada. Há, ainda, o remake de “Quarteto fantástico” que já gera mais desconfiança do que ansiedade. A Sony vive situação semelhante. As duas principais apostas do estúdio parecem pouco competitivas ante as produções de seus principais rivais. A primeira é “Sob o mesmo céu”, nova comédia de Cameron Crowe (“Quase famosos”), estrelada por Bradley Cooper e Emma Stone. A segunda é “Pixels”, comédia de ação estrelada por Adam Sandler, Peter Dinklage e Kevin James. O estúdio lança, ainda, o terceiro capítulo da franquia de terror “Sobrenatural”. O primeiro foi um surpreendente sucesso há cinco anos.

"Pixels"

“Pixels”

O melhor do resto

O remake do clássico oitentista “Férias frustradas”, o novo filme de Woody Allen (“O homem irracional”), Meryl Streep roqueira em “Ricki and the flash”, Jake Gyllenhaal parrudo em “Southpaw”, novas versões de “Hitman: agente 47” e “Carga explosiva”, Ian Mckellen como um Sherlock Holmes idoso, uma releitura de Madame Bovary, um olhar sobre o líder dos Beach boys (“Love & mercy”) e a refilmagem de “Poltergeist” são outras atrações deste que promete ser o mais movimento e lucrativo verão americano dos últimos anos.  A expectativa do setor é de que a temporada registre um aumento de 10 a 15% em relação a 2014 e que contribua efetivamente para o recorde de bilheteria projetado para 2015 na Cinemacon, feira da indústria do cinema realizada nesta semana em Las Vegas.

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quinta-feira, 16 de abril de 2015 Análises, Bastidores | 07:00

Troca de diretoras em “Mulher-Maravilha” é mais uma rusga na disputa entre Marvel e Warner

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Patty Jenkins no set de "Monster- desejo assassino"  (Foto: divulgação)

Patty Jenkins no set de “Monster- desejo assassino”
(Foto: divulgação)

A escolha de Patty Jenkins para substituir Michelle MacLaren no comando do longa-metragem “Mulher-Maravilha” tem mais nuanças do que alcançam os olhos ou a informação de que a diretora já esteve envolvida com uma produção da Marvel, no caso “Thor – o mundo sombrio” (2013).

MacLaren, como se sabe, se retirou da produção que será protagonizada pela atriz israelense Gal Gadot e que tem estreia prevista para o dia 23 de junho de 2017, por ter diferenças criativas com a Warner. Quais diferenças são essas, como habitual nesse tipo de imbróglio, não houve esclarecimento à imprensa.

Além de ratificar, mais uma vez, que diretores com um visão artística mais sensível têm dificuldades de se ajustar às demandas de estúdios ansiosos pela grife representada por esses cineastas, mas resistentes ao compartilhamento do controle sobre suas franquias, a saída de MacLaren levantou as suspeitas de que a Warner poderia confiar a direção do filme a um homem. O que seria lido como um retrocesso no contexto em que Hollywood discute a escassez de ofertas e reconhecimento para cineastas mulheres. E aí entra o pulo do gato dessa história toda. Patty Jenkins, que fora substituída por Alan Taylor na direção de “Thor: o mundo sombrio”, substitui MacLaren no comando de “Mulher-Maravilha”.  Com a escolha, a Warner ratifica sua posição progressista na construção de seu universo cinematográfico de heróis (vale lembrar da escolha do ator Ezra Miller, bissexual assumido, para ser o Flash do cinema), e cutuca a Marvel frontalmente ao escolher para substituir uma diretora com quem teve “diferenças criativas” outra que teve diferenças criativas com a Marvel.

Não obstante, Marvel e Warner assediaram Angelina Jolie para dirigir seus filmes protagonizados por mulheres, no caso da Marvel, “Capitã Marvel”. Mesmo sem Jolie, nesse delicado jogo de xadrez pelo apreço da opinião pública, a Warner agiu rápido e conseguiu drenar a má publicidade que a saída de MacLaren pudesse gerar.

 

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quarta-feira, 15 de abril de 2015 Filmes, Notícias | 21:19

Rússia proíbe lançamento de filme americano sobre crimes na União Soviética

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Cena de "Crimes ocultos", filme banido da Rússia na véspera de sua estreia no país (Foto: divulgação)

Cena de “Crimes ocultos”, filme banido da Rússia na véspera de sua estreia no país
(Foto: divulgação)

As tensões entre Rússia e EUA podem até ter esfriado nos últimos meses, mas elas ainda persistem. O ministro da Cultura russo, Vladimir Medinsky, anunciou o banimento de “Crimes ocultos” (Child 44, EUA  2015), que seria lançado nesta quinta-feira nos cinemas do país. De acordo com a agência de notícias AP, o ministério entende ser “inadmissível” lançar um filme com “distorções históricas” durante a preparação para as celebrações de maio, que marcam os 70 anos do triunfo sobre a Alemanha nazista. No fim do ano passado, a Rússia já tinha expressado solidariedade à Coreia do Norte por conta de todo imbróglio entre o país governado por Kim Jong-un e os EUA provocado pelo lançamento do filme “A entrevista”.

“Crimes ocultos” é um thriller sobre um policial soviético (Tom Hardy) que investiga uma série de assassinatos de crianças em 1953. O filme, dirigido pelo sueco Daniel Espinosa do ótimo “Protegendo o inimigo” (2012), é adaptado do livro de Tom Rob Smith, cujo nome é emprestado pelo título original do filme.

A produção está prevista para estrear nos cinemas brasileiros em 21 de maio. Confira o trailer legendado abaixo.

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sexta-feira, 13 de março de 2015 Atores, Bastidores, Notícias | 07:00

Liam Neeson anuncia aposentadoria dos filmes de ação e fixa data para vácuo no reinado do gênero

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Jason Statham é um astro de ação completo e seria o número 1 do gênero se um certo irlandês, atualmente com 62 anos, não se descobrisse um astro de ação tardio. Nenhuma notícia nova até aí.  Com filme novo nos EUA neste fim de semana (“Noite sem fim”), Liam Neeson está fazendo aquela habitual maratona promocional de quem lança filme na praça.

Liam Neeson em cena de "Noite sem fim" (Foto: divulgação)

Liam Neeson em cena de “Noite sem fim”
(Foto: divulgação)

Em entrevista a um programa de TV americano, Neeson revelou que deve abandonar os filmes de ação em um futuro próximo. “Talvez mais dois anos, se Deus me poupar e eu estiver saudável. Mas depois disso, acredito que eu vou parar”. No mesmo programa, Neeson refirmou o aspecto acidental de sua insurreição como astro de ação. “Depois de filmes como ‘Busca implacável’, Hollywood parece me perceber de maneira diferente. Eu recebo muitos roteiros de filmes de ação, o que é ótimo. Não estou criticando, é algo muito lisonjeador, mas tudo tem um limite”.

Leia também: Terceiro “Busca implacável” incensa Liam Neeson ao posto de mito do gênero de ação

Leia também: Liam Neeson se rebela contra a máfia “Noite sem fim”; assista ao trailer

O ator sinaliza essa mudança de rota com os filmes “Ted 2” e “Silence”, novo drama de Martin Scorsese, mas a ênfase em uma entrevista cujo objetivo primário é promover um filme de ação que estrela, deixa transparecer uma decisão já bem consolidada.

Desde 2008, lançamento do primeiro “Busca implacável”, o ator praticamente só se dedicou ao gênero. No momento, ele não está envolvido em nenhum filme de ação e sua declaração deve provocar uma corrida entre estúdios para distribuir o “último filme de ação de Liam Neeson”.

Exageros à parte, a eventual aposentadoria do ator do gênero deixa em aberto uma posição que já foi defendida por figuras como Charles Bronson, Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger e que nos primórdios do século XXI parecia confinada à disputa entre os carecas Jason Statham e Vin Diesel. Liam Neeson surgiu inesperadamente para assumir o trono e surpreendentemente se predispõe a renunciar a ele. Quem será o novo rei do gênero? No post “Todos querem ser Liam Neeson”, a coluna alertou para o fato de que tal como ocorre na série “Game of thrones”, tem muita gente de olho neste trono.

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