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sábado, 18 de novembro de 2017 Críticas, Filmes | 15:46

Sem ambição, “Liga da Justiça” entrega diversão ligeira e bons personagens

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Reunião dos heróis da DC no cinema não decepciona, mas não é o filme que muitos esperavam. Com Joss Whedon, de “Os Vingadores” na produção, Warner se aproxima da fórmula Marvel

Os heróis em "Liga da Justiça" Fotos: divulgação

Os heróis em “Liga da Justiça”
Fotos: divulgação

A expectativa era grande e talvez “Liga da Justiça” não fique à altura, mas é inegável que ao coração do fã que sempre sonhou em ver alguns de seus heróis preferidos reunidos no cinema, a produção ecoa de uma maneira diferente, mais especial. Até porque os heróis aqui reunidos sempre fizeram parte do time A da DC Comics, diferentemente dos vingadores, que foram ganhando hype no cinema, já que antes não integravam a coroa da Marvel.

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Embora apenas Zack Snyder esteja creditado como diretor, ele se afastou da direção do longa por força de uma tragédia pessoal (o suicídio da filha) e Joss Whedon assumiu o cargo, reescrevendo muita coisa do roteiro e fazendo refilmagens (algumas para sempre infames no universo das redes sociais como o bigode de Henry Cavill apagado digitalmente de maneira bem contestável). “Liga da Justiça”, para todos os efeitos, é um filme esquizofrênico. Tem a sisudez e reverência do cinema de Snyder, além da beleza visual potente, e o escapismo bem humorado da pena de Whedon, que sempre se notabilizou por ser melhor escriba do que cineasta.

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Não é preciso ter afinidade com o cinema dos dois para constatar isso. Basta a referência dos trabalhos anteriores de ambos no universo dos heróis (Snyder dirigiu “O Homem de Aço” e “Batman VS Superman”, enquanto Whedon os dois primeiros “Vingadores”). Essa mistura rende um filme de efeitos visuais majoritariamente vistosos, mas outros um tanto comprometedores (longe do ideal para uma produção que beijou os US$ 300 milhões). Um fio narrativo por demais simplista, um vilão ruim, mas um bom desenho de personagens, uma dinâmica muitíssimo bem lubrificada entre os heróis e garantia de uma diversão ligeira em um filme de tamanho ideal – cerca de 120 minutos.

Após a morte do Superman, vista em “Batman VS Superman: A Origem da Justiça”, não só a desesperança movimenta os dias, como alienígenas começam a invadir a terra e, numa dessas, o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) reaparece para tentar unificar as três caixas maternas (artefatos ancestrais que acumulam imenso poder) e subjugar a Terra e todos que nela habitam. O Batman é o primeiro a perceber o perigo à espreita e ele tenta estabelecer uma aliança com outros seres extraordinários que vinha monitorando.

Zack Snyder orienta Jason Momoa no set de "Liga da Justiça"

Zack Snyder orienta Jason Momoa no set de “Liga da Justiça”

Atenção aos personagens

Se a trama é banal e seu desenvolvimento obedece a mesma lógica, “Liga da Justiça” pelo menos oferece um bom desenho de personagens. Sim, Bruce Wayne está mais piadista, mas ele não virou um piadista. Isso é meramente fruto das circunstâncias. Ele continua um homem amargurado, cheio de inseguranças e dono de um instinto suicida. Ben Affleck em mais uma demonstração de que é um ator mais consciente do que muitos se dão conta, estica na base do talento o pouco que o roteiro oferece de angustia a seu personagem.

O grande mérito do filme, no entanto, é apresentar personagens cativantes. O Barry Allen de Ezra Miller, um nerd clássico que se sente como um fã no meio dos heróis, é um dos highlights do filme. Jason Momoa dá conotação de rock star a seu Aquaman e agrada. Ray Fisher vê seu Cyborg como uma criatura angustiada que ainda não sabe se definir e começa a fazê-lo a partir do momento em que se vê inserido naquele grupo de super-humanos. Gal Gadot repete o encantamento que tanto arrebatou em “Mulher-Maravilha”.

A Liga em formação responde ao Bat Sinal: Elenco cheio de estrelas

A Liga em formação responde ao Bat Sinal: Elenco cheio de estrelas

Quando surge, o Superman está revigorado. A mitologia do Superman é muito melhor dimensionada aqui do que nos últimos filmes solo do personagem. A exemplo do que já havia acontecido em “Batman Vs Superman”.

“Liga da Justiça” certamente é um filme menos ambicioso narrativa e esteticamente do que se poderia supor, principalmente considerando o legado da DC no cinema. É, e a participação de Joss Whedon explica isso, o filme que mais se aproxima da bem sucedida fórmula Marvel. É tão pouco memorável como a maioria dos filmes da rival, mas diverte tanto quanto. Warner e DC perseguiam isso há algum tempo. É ver o que o sacramento das bilheterias indicará para o futuro. As duas ótimas cenas pós-crédito orientam certo otimismo.

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sábado, 15 de agosto de 2015 Atores, Bastidores | 07:00

Aos 43 anos, Ben Affleck vive momento definidor na carreira

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O ator ao lado de Jeremy Irons em cena de "Batman  vs Superman: a origem da Justiça" (Fotos: divulgação)

O ator ao lado de Jeremy Irons em cena de “Batman vs Superman: a origem da Justiça”
(Fotos: divulgação)

Ben Affleck completa 43 anos neste sábado (15) imerso em uma bolha de boatos sobre o fim do seu casamento.  Depois de 12 anos juntos – dez sob matrimônio – e com três filhos, Affleck enfrenta um rumoroso divórcio de Jennifer Garner em um momento crucial de sua carreira.

Em pouco mais de seis meses, mais precisamente em 24 de março de 2016, o ator lança “Batman vs Superman: a origem da Justiça” nos cinemas. Trata-se de um momento decisivo porque a escolha de Affleck foi muito contestada por fãs e setores da crítica. A confiança do estúdio em Affleck, porém, é gigantesca. O ator foi confirmado como o diretor do próximo filme solo do herói. Affleck e Warner, a bem da verdade, mantêm uma relação prolífera e produtiva nos moldes da que o estúdio nutre com o cineasta e ator Clint Eastwood. Os três filmes de Affleck na direção, incluindo o vencedor do Oscar “Argo”, foram produzidos pela Warner.

Em exibições privadas, executivos do estúdio teriam elogiado a interpretação do ator para Batman. Affleck disse outro dia que via o personagem como a versão americana de Hamlet, dando pistas da atmosfera trágica que deve nortear sua performance.

A relação com a Warner está tão bem azeitada que estúdio e ator concordaram sem grandes apartes em postergar o próximo filme de Affleck na direção, “Live by night”, um thriller baseado na obra de Dennis Lehane – o mesmo autor adaptado por Affleck em sua estreia na direção (“Medo da verdade”).

O momento é delicado e, a despeito de relatos das costumeiras fontes anônimas de revistas de celebridades de que Affleck esteja mergulhado em trabalho para esquecer os problemas pessoais, há muito em jogo para o ator, em termos profissionais, e para o estúdio, que programa pelo menos seis filmes com Affleck como Batman (entre produções solo e filmes da Liga da Justiça).

Desde que assumiu a faceta de cineasta, Affleck tornou-se um ator melhor. Isso é fato, mas estigmas não se superam da noite para o dia. Ser um Batman convincente, neste contexto, pode significar o alvorecer de um Affleck renovado. Mais respeitado e celebrado por público e crítica. A nova idade, portanto, promete muitos desafios e, para o bem ou para o mal, resoluções.

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quinta-feira, 2 de julho de 2015 Atores, Bastidores | 21:59

Ben Affleck diz que “Batman é a versão americana de Hamlet”

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Capa do The Hollywood Reporter

Capa do The Hollywood Reporter

Não foi a melhor das semanas para Ben Affleck. O divórcio de Jennifer Garner ganhou publicidade e a tradicional boataria sobre as razões que levaram ao fim do casamento está a todo vapor. Não obstante, o ator ainda é capa das duas principais publicações de entretenimento nos EUA. O The Hollywood Reporter, no qual teoriza sobre a vida aos 40 anos, e a Entertainment Weekly, que destaca o aguardadíssimo “Batman vs Superman – a origem da Justiça”. Foi a esta última que Affleck deu a curiosa declaração. Para o ator, que assume o personagem defendido por uma década por Christian Bale, o Batman é “basicamente o Hamlet americano”. Affleck acrescenta que “aceitamos que ele seja vivido por diferentes atores que apresentem interpretações distintas do personagem”.

O ator disse que seu Batman é radicalmente diferente do de Bale. “Ele talvez esteja no fim de sua vida. Há um profundo sentimento de exaustão nele”. Trágico, o personagem pede uma abordagem sombria e é o que Affleck – que pode assumir a direção de um novo filme solo do homem-morcego em 2017 – e Zack Snyder prometem entregar.

O ator disse, ainda, que “Demolidor – o homem sem medo” (2003), primeiro filme de super-herói que estrelou, não deu certo. “Aquilo foi antes de as pessoas perceberem que você poderia fazer esses filmes e fazê-los bem. Eram tempos mais cínicos”, observou. “Eles realmente aprenderam a fazer isso funcionar. O bom é novo ruim”.

A visão desse amadurecido Ben Affleck pode ser decisiva para a nova versão de Batman nos cinemas. Escolha muito contestada, o ator aprimorou-se no ofício conforme se estabelecia como diretor de filmes elogiados como “Argo” (2012) e “Atração perigosa” (2010), em que também atuou. A própria comparação que ensejou entre o homem-morcego e Hamlet comprova a retidão com que encara o personagem.

Affleck bate aquele papo com o diretor Zack Snyder nos sets de "Batman vs Superman" Foto: EW/reprodução

Affleck bate aquele papo com o diretor Zack Snyder nos sets de “Batman vs Superman”
Foto: EW/reprodução

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segunda-feira, 13 de abril de 2015 Atores, Filmes, Listas | 19:04

Os melhores filmes de atores ruins

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Não há lista sem polêmica e todo apreciador de listas, e de polêmicas, sabe disso. O Cineclube eleva as apostas ao atrelar em uma mesma lista o rótulo de pior ao melhor. A lista em destaque tem como objetivo reconhecer os melhores filmes de atores ruins. Alguns atores são conhecidos do grande público, outros não. Em comum, todos têm o fato de serem constantemente questionados pela crítica. Os filmes pelos quais são lembrados aqui não só representam o ponto alto em matéria de interpretação alcançado por esses atores, como também são filmes bons em grande parte pelo trabalho deles. Um aparente paradoxo que, como toda lista, dá pano para manga.

 

“O advogado do Diabo” (EUA, 1997) – Keanu Reeves

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Keanu Reeves é um mau ator que conseguiu disfarçar suas deficiências dramáticas se refugiando na ação. Incensado a astro, tentou diversificar no cinema independente, mas jamais alcançou o êxito de outros atores desacreditados como Matthew McConaughey. No entanto, antes de “Matrix”, Reeves teve seus (bons) espasmos e o melhor deles é “O advogado do Diabo”. No filme que também é o melhor do irregular cineasta Taylor Hackford, Reeves convence como um advogado arrogante e brilhante que é assediado por ninguém menos que o Diabo. Al Pacino reclama nosso olhar para si, mas quem se predispuser a observar Reeves verá ali uma chama que infelizmente não se alastrou.

 

 “A vida é bela” (ITA, 1997) – Roberto Benigni 

A vida é bela

Roberto Benigni é um ator tão ruim que, em perspectiva, o Oscar conquistado pelo trabalho nesse belíssimo drama torna-se plenamente justificado. Emocionante e sensível, o registro de um pai que faz de tudo para maquiar os horrores da guerra para seu filho, mostra que no cinema como no futebol, todo perna de pau tem seu dia de artilheiro.

 

“Mata-me de prazer” (EUA, 2002) – Joseph Fiennes

mata-me de prazer

Não é fácil arranjar um filme bom estrelado por Joseph Fiennes, o irmão mais bonito, mas menos talentoso de Ralph Fiennes, que seja bom por causa dele. “Elizabeth”, “Círculo de fogo” e “Correndo com tesouras” são bons apesar dele. Mas esse thriller erótico que brinca com o prazer do sexo com asfixia, Fiennes faz um homem misterioso adepto da prática que vira do avesso a vida de uma mulher bem resolvida vivida por Heather Graham. Trata-se de uma boa atuação e muito do clima do filme se deve ao trabalho do ator.

 

 “Paranoia” (EUA, 2007) – Shia LaBeouf

Paranoia

Steven Spielberg certa vez disse que LaBeouf seria o próximo Tom Hanks e essa impressão veio logo depois do lançamento deste filme, um suspense despretensioso de ótima bilheteria lançado no mesmo ano do primeiro “Transformers”, que elevara LaBeouf ao status de astro. Foi, também, o primeiro filme protagonizado por ele que já vinha de pequenos papeis em “Constantine” (2005) e “Bobby” (2006). Aqui, o ator demonstra carisma e capacidade de trafegar entre os registros cômico e dramático com facilidade. Pena que o sucesso subiu à cabeça e LaBeouf jamais seria tão eficaz em cena novamente.

 

“A fúria” (EUA, 2007) – Christian Slater

A fúria

Veterano, Christian Slater esteve em ótimos filmes, mas todos eles independiam de sua presença. Em “A fúria” não é bem assim. Aqui Slater tem a chance de brilhar e o faz deixando toda a canastrice de lado. Na pele de um sujeito pacato que é ridicularizado pelos colegas de trabalho, o ator impressiona. Um belo dia seu personagem resolve levar uma arma para o trabalho para matar todo mundo, só que outra pessoa tem a mesma ideia e a põe em prática antes. Ele acaba salvando alguns colegas e passa a ser um herói. Promovido e paparicado, o sentimento de inadequação permanece. Grande filme e grande atuação.

 

 “Match point –ponto final” (INGL/ 2005) – Jonathan Rhys Meyers

match

O inglês foi uma escolha incomum de Woody Allen para essa releitura muito mais tensa e elaborada de “Crimes e pecados”, sobre um alpinista social cheio de charme que não mede esforços para vencer na vida. Depois de brilhar em “Match point”, Rhys Meyers foi descoberto por Hollywood e, afora o trabalho na série “The Tudors”, só decepcionou no cinema com atuações entre o risível e o lamentável.

 

 “Piratas do Caribe: a maldição do Perola negra” (EUA, 2003) – Orlando Bloom

Piratas do caribe

Se o galã inglês tivesse metade de talento do que tem de sorte, talvez fosse o Laurence Olivier de sua geração.  Presente em duas das mais lucrativas e influentes franquias do novo século (“Piratas do Caribe” e “O senhor dos anéis”), Bloom costuma ser o elo fraco de bons filmes como “Troia”, “Falcão negro em perigo” e “Cruzada”. Todos filmes que, entre outros objetivos, visavam impulsionar uma carreira que jamais decolou. Isso porque Bloom é ruim. Demais. Contudo, no primeiro “Piratas do Caribe”, sua química com Johnny Depp é avassaladora e ajuda a mascarar sua falta de carisma. Não é exatamente por sua atuação que esse filme é destacado, mas pelo resultado da combinação de sua atuação com a de Depp. Uma tecnicalidade que se faz necessária quando nada se salva na filmografia de um ator tão ruim como Bloom.

 

“Garota exemplar” (EUA, 2014) – Ben Affleck

Ben Affleck em "Garota exemplar": um casamento devassado

Ben Affleck em “Garota exemplar”: um casamento devassado

Ok, Ben Affleck não é exatamente ruim. Ele é mais vítima de má vontade do que exatamente ruim e está muito bem em vários filmes como “Fora de controle”, “Gênio indomável”, “Argo” e “Atração perigosa”, uma pequena amostra de quantos bons filmes ele estrelou ao longo de sua carreira. Mas essa pecha de mau ator pegou e talvez “Garota exemplar” seja Ben Affleck começando a superar este estigma. No filme de David Fincher, a inexpressividade do ator é usada para dar os contornos necessários ao marido suspeito de matar a esposa. Como o homem comum tragado para um redemoinho de sensacionalismo, o ator entrega uma atuação calibrada e cheia de insuspeitas nuanças.

 

 “127 horas” (EUA, 2010) – James Franco

127 horas

James Franco é um artista interessante. Multimidiático e disposto a expandir as fronteiras da arte, é o tipo de ator, roteirista, escritor, diretor e outras coisinhas mais que convém ficar de olho. Isso posto, como ator, Franco (ainda) deixa a desejar. Há bons momentos como em “Milk – a voz da igualdade” e “Segurando as pontas”, mas no geral o ator é inconstante e deficiente. “127 horas”, no entanto, é um filme cujo todo impacto depende exclusivamente da performance de Franco. De como o ator alcança a audiência e Franco é não menos que brilhante. Uma atuação poderosa que foi justamente distinguida com uma indicação ao Oscar e que mostra que Franco pode ainda não ter maturado, mas está no caminho certo.

 

 “Tá rindo do quê?” (EUA, 2009) – Adam Slander

tá rindo

Sempre contestado, Adam Sandler habitou-se a responder seus críticos com vultosas bilheterias. Isso já não acontece mais. Decadente, Sandler parece não cativar mais nem mesmo seu público fiel. Em “Tá rindo do quê?”, excelente comédia dramática de Judd Apatow, ele faz um comediante que descobre só ter um ano de vida e precisa lidar com a ingrata tarefa de preparar seu legado. Algo que Sandler, estranhamente e não literalmente, vivencia atualmente. Profético ou não, o filme apresenta a melhor performance do ator que permite que a metalinguagem corra solta na sua interação com o então astro em ascensão Seth Rogen. Menos dramático do que em filmes como “Reine sobre mim”, Sandler fala sério sem deixar o humor de lado.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015 Notícias | 05:00

David Fincher vai dirigir refilmagem de clássico de Alfred Hitchcock

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Há certos filmes que não devem ser refilmados e há outros que só devem ser refilmados por certas pessoas. Em uma dessas felizes coincidências, a Warner pode ter achado o bilhete premiado dessas circunstâncias. O estúdio anunciou que David Fincher será o responsável pelo remake de “Pacto sinistro” (1951), um dos mais referenciáveis filmes de Alfred Hitchcock e que marcou o início promissor da chamada “fase americana” do cineasta que ainda teria outros destaques como “Psicose”, “O homem que sabia demais”, “Janela indiscreta”, “Intriga internacional”, entre tantos outros.

O ator Ben Affleck e o diretor David Fincher (Foto: Getty)

O ator Ben Affleck e o diretor David Fincher
(Foto: Getty)

 

“Pacto sinistro” conta a história de Bruno, tipo obscuro que propõe a um estranho em um trem uma troca de assassinatos. O estranho em questão é um tenista profissional preso a um casamento infeliz. Bruno mataria a esposa que recusa o divórcio e o tenista mataria o pai tirano de Bruno que se recusa a morrer. O tenista não cumpre sua parte do pacto, jamais celebrado de forma taxativa, mas vê Bruno cumprir a sua e passar a assediá-lo.

Trata-se de uma das maiores obras-primas do gênero suspense. Um filme vanguardista em muitos aspectos, desde a movimentação de câmera até desenlaces narrativos. Adaptado da obra de Patricia Highsmith, o filme rendeu inúmeras discussões entre Hitch e o romancista e roteirista Raymond Chandler.

Na nova versão, um ator de cinema em época de Oscar recebe uma carona de um excêntrico e misterioso milionário em seu avião particular até Los Angeles. Ben Affleck viverá o ator. Trata-se da reedição da parceria estabelecida em “Garota exemplar”, um dos melhores filmes do ano. Além de Affleck e Fincher,  Gillian Flynn – autora de “Garota exemplar” e roteirista da versão para o cinema – está em negociações com o estúdio para escrever o roteiro. Flynn seria uma das condições de Fincher para assumir a direção do longa-metragem.

Apesar do entusiasmo gerado pela notícia, não custa lembrar que a última tentativa de refilmar Hitchcock, realizada por outro notável cineasta (Gus Van Sant), resultou em um péssimo filme. O “Psicose” de Van Sant é uma refilmagem quadro a quadro do clássico de Hitchcock, mas sem a mesma tensão e carga imaginativa. Mas Fincher, até hoje não errou. O crédito é muito grande.

Farley Granger e o inesquecível Robert  Walker, como Bruno, no 'Pacto sinistro" original (Foto: divulgação)

Farley Granger e o inesquecível Robert Walker, como Bruno, no ‘Pacto sinistro” original
(Foto: divulgação)

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quarta-feira, 8 de outubro de 2014 Críticas, Filmes | 19:31

No cinema, “Garota exemplar” ganha mais relevo com a assinatura de David Fincher

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Você prefere ser feliz ou parecer feliz? A pergunta pode parecer tola, mas tem peso intransmutável sempre que paqueramos alguém, nos encontramos em uma entrevista de emprego, na rotina do trabalho ou quando recebemos a visita daquele parente indesejável.

Em “Garota exemplar”, David Fincher obtém a proeza de discutir o paralelismo entre quem realmente somos e a imagem que nos esforçamos para projetar para os outros em um filme que em momento algum assume essa perspectiva como prioridade. “Garota exemplar”, adaptado do best-seller de Gillian Flynn pela própria, elege como objetivos primários discutir o casamento e desvelar a trama policial que compõe o eixo central da narrativa.

Nick Dunne (Ben Affleck) volta para casa na tarde do aniversário de cinco anos de seu casamento com Amy (Rosamund Pike) apenas para descobrir que sua mulher desapareceu. Conforme a investigação avança, Dunne se vê no rol dos suspeitos, ainda que na construção proposta por Fincher, o público jamais desconfie peremptoriamente de Dunne. Isso ocorre porque o cineasta está mais interessado na desconstrução do casamento de Nick e Amy do que na investigação policial propriamente dita. O que pode frustrar espectadores desavisados.

Nick Dunne e os pais de sua esposa em uma conversa com a polícia: filme que se revela em camadas

Nick Dunne e os pais de sua esposa em uma conversa com a polícia: filme que se revela em camadas

“Garota exemplar”, portanto, começa como um thriller policial aguçado e evolui para um drama sobre a ação do tempo sobre uma relação conjugal. No seu último ato, porém, a narrativa se metamorfoseia em uma sátira aguda da sociedade do espetáculo. Isso tudo sem que Fincher se desligue do suspense que escolheu como guia mestra de seu filme.

Todo o circo armado em torno do desaparecimento de Amy é escrutinado por Fincher com aquele viés cerebral que tão bem pauta seu cinema. Dos investigadores reticentes quanto à inocência de Nick à opressão midiática, “Garota exemplar” é em todo o seu escopo uma análise de como o público e o privado se chocam e produzem resultados muitas vezes catastróficos.

O diretor, brilhantemente assistido por Gillian Flynn, almeja discutir com seu filme até que ponto nossa versão ideal deve ser abalizada entre quatro paredes. A fantasia não resiste à rotina, mas Fincher e Flynn vão além do tratamento superficial. Infidelidade e psicopatia se irmanam em uma dinâmica sombria, ambígua e aterradoramente real.

Ben Affleck se prova uma escolha acertada de casting. A face inexpressiva do ator serve bem aos propósitos de Fincher de retratar um sujeito comum, desprovido de carisma e movido particularmente pelos próprios interesses. De quebra, o ator demonstra – mais uma vez – como tem evoluído no ofício desde que começou a dirigir.

Amy (Rosamund Pike): o que se passa na cabeça dela?

Amy (Rosamund Pike): o que se passa na cabeça dela?

Rosamund Pike agarra o papel da sua vida com a gana que o papel da vida de uma atriz merece e não faz feio. Fincher, por sinal, além do esperado esbanjamento técnico, reitera sua qualidade na direção de atores. O elenco coadjuvante está um arraso; com especiais menções para Kim Dickens como a investigadora principal do caso Amy, e Tyler Perry, como o advogado de celebridades que aceita defender Nick.

“Garota exemplar” é entretenimento vultoso, reflexão pulsante e cinema de rara inteligência no mainstream americano. Uma combinação somente possível quando se há um diretor com uma percepção arrojada da história que tem em mãos. É Fincher, afinal, quem transforma “Garota exemplar” em um filme muito mais importante e interessante do que ele estava vocacionado a ser.

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quarta-feira, 1 de outubro de 2014 Bastidores, Filmes, Notícias | 20:19

O fantástico hype que move “Garota exemplar”, novo filme candidato a obra-prima de David Fincher

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A unanimidade se provoca desconfiança, provoca também curiosidade e curiosidade é a palavra-chave quando falamos do novo trabalho do aclamado cineasta David Fincher. “Garota exemplar”, adaptado do Best-seller de Gillian Flynn pela própria autora, é um filme que se propõe a revisitar alguns dos temas caros à filmografia de Fincher como crime, sensacionalismo e hipocrisia. “Eu quis fazer um ‘date movie’ (filme que casais vão ver em um encontro romântico) que resultasse, pelo menos, em 15 divórcios”, disse o diretor sobre suas motivações na coletiva de imprensa no Festival de Nova York, onde “Garota exemplar” foi exibido na noite de abertura.

Ben Affleck busca mulher desaparecida em versão do best-seller “Garota Exemplar”

Fincher orienta Affleck no set do filme

Fincher orienta Affleck no set do filme

Na trama, que até agora só tem recebido críticas positivas e para lá de elogiosas – superando a unanimidade com que Fincher flertou quando lançou “A rede social” há quatro anos, Nick (Ben Affleck) se vê cada vez mais no posto de suspeito do desaparecimento, e presumido assassinato, de sua esposa, Amy, no quinto aniversário do casamento deles. Mas onde entra o fator “date movie” aí? O filme recorre a flashbacks para mostrar outras fases da relação de Nick e Amy, interpretada pela britânica Rosamund Pike. “Eu as escolhi por sua opacidade”, justificou o diretor a escolha pela atriz que ainda não tinha tido um papel de grande destaque no cinema. A primeira aparição notável de Pike foi “007- um novo dia para morrer”, último filme de James Bond estrelado por Pierce Brosnan. De lá para cá, a atriz coadjuvou em filmes diversos como “Um crime de mestre” (20007), “Educação” (2009), “A minha versão do amor” (2010) e “Jack Reacher: o último tiro” (2011).

“Garota exemplar” e o trabalho com Fincher podem significar o reposicionamento de sua carreira. O papel foi disputado a tapas pela nata de Hollywood e nomes como Charlize Theron, Natalie Portman e Reese Witherspoon, todas já vencedoras do Oscar, manifestaram interesse em interpretar Amy, uma personagem com muitas camadas a mais do que se depreende a princípio.

“É um filme sobre o circo da mídia e sobre as mentiras que contamos para nós mesmos”, anotou a crítica do Boston Globe. Mas àqueles preocupados com a unanimidade, a resenha do New York Times assevera que o todo não é a somatória das partes e que o brilhantismo técnico do trabalho de Fincher, as atuações bem urdidas e o roteiro esperto não resultam em um grande filme. Algo que, na avaliação da crítica Manohla Dargis, é recorrente na obra do cineasta.

Já na avaliação da Total Film, a apreciação a “Garota exemplar” depende inteiramente de como você o vê enquanto cinema. “Clube da luta pode ser percebido como uma comédia metafísica?”, provoca a revista acerca do hoje cult filme de Fincher que marcou o fim do milênio. “’Garota exemplar’ fica melhor à medida que vai abraçando o trash”, concorda a crítica do Metro.

Date movie macabro: David Fincher admite a intenção de fazer um filme que incomode os casais  (Fotos: divulgação)

Date movie macabro: David Fincher admite a intenção de fazer um filme que incomode os casais
(Fotos: divulgação)

“Vai pressionar botões primais diferentes em homens e mulheres”, divagou Ben Affleck à revista Empire, que teve acesso exclusivo ao set de filmagens.  “É sedutor abordar essa ideia de que damos vida a uma versão ideal de nós mesmos que o parceiro (a) espera”, observa Rosamund Pike. “Talvez escondamos nossa verdadeira natureza em ordem de interpretar a ideal”.

“Garota exemplar” pode não ser, no final das contas, a unanimidade que esse momento de excitação prévia a seu lançamento nos cinemas indica,  mas com certeza parece ser aquele tipo de filme que é irresistível no apelo, na forma e no conteúdo.

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