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quinta-feira, 31 de agosto de 2017 Críticas, Filmes | 11:43

Introspectivo e sombrio, “Bingo – O Rei das Manhãs” traz protagonista em carne viva

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Produção celebra os anos 80, quando não havia espaço para a correção política na cultura pop, e entrega um dos filmes mais potentes do cinema nacional em anos

Bingo (2)

Duas constatações se impõem rapidamente ao espectador de “Bingo – O Rei das Manhãs”, estreia potente de Daniel Rezende, montador de “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”, na direção. A destreza técnica do filme que o aproxima do cinema americano – a articulação da narrativa também evoca o paralelo – e o desenho dos anos 80, onde a trama de Augusto Mendes (Vladimir Brichta) se desenrola. Não há espaço para a correção política. Nem nos anos 80 em que se desenrola a trama, nem no filme de Daniel Rezende.

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O filme dá conta da história de Arlindo Barreto que deu vida ao icônico palhaço Bozo e protagonizou uma verdadeira guerra pela audiência das manhãs da TV brasileira com a rainha dos baixinhos. “Bingo – O Rei das Manhãs” se assevera, portanto, como uma elaborada radiografia da cultura pop brasileira da época, um incômodo estudo de personagem e um drama ruidoso sobre os labirintos da fama.

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Nesse sentido, o trabalho de Brichta é elemento fundamental, pois emana energia para todo o filme. O ator comporta toda a contradição de um homem de virtudes e defeitos que são potencializados conforme ele vai desaparecendo na figura de Bingo. Brichta se entrega de corpo e alma e assume o seu melhor momento como intérprete com um personagem profundo, complexo, arredio e repleto de antagonismos. Apenas um ator sensível e em comunhão com seu diretor poderia dar conta de um material tão denso e cheio de camadas.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Trabalhar com cineastas como José Padilha e Fernando Meirelles sem dúvida alguma preparou Rezende para sua estreia como cineasta. Dono de um ritmo acima de qualquer suspeita, o filme tem tudo no lugar certo. A jornada ao inferno do protagonista é pontuada com momentos de extrema introspecção, sacadas pop e arroubos soturnos. Tudo com a covalência de uma câmera que sabe onde estar e sempre provê o enquadramento necessário.

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“Bingo – O Rei das Manhãs” é um daqueles filmes de enorme força criativa que o cinema brasileiro oferta de quando em quando e que equaliza com rara felicidade elementos autorais e comerciais. Junta-se portanto a uma galeria nobilíssima formada por “Cidade de Deus”, “Tropa de Elite” e “O Palhaço”.

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