Publicidade

Posts com a Tag Boyhood

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015 Análises, Diretores | 17:09

Richard Linklater flerta com ideia de sequência para “Boyhood”. Bom ou mau sinal?

Compartilhe: Twitter

boyO cineasta que recebeu diversos prêmios e foi um dos principais destaques da última edição do Oscar admitiu a possibilidade de rodar uma sequência de “Boyhood – da infância à juventude”. Trata-se de uma mudança de posição de Richard Linklater que antes negava com veemência a possibilidade de dar continuidade à história de Mason (Ellar Coltrane).

“Honestamente, nos primeiros seis meses após a exibição do filme, minha resposta para uma sequência era não”, disse ao programa de rádio do jornalista americano Jeff Goldsmith na última terça-feira. “Foram doze anos. A história era sobre a vida neste período da escola e ensino médio. Eu não tinha outra ideia em mente. Mas não sei se foi a combinação de sentir que esse processo chegou ao fim com o fato de ser muito questionado sobre uma sequência, que pensei: ‘bem, a fase dos 20 anos são de forte formação na vida de alguém’. É neste momento que você se torna alguém. Então admito que a ideia de continuar tem passado pela minha cabeça.”

O próprio Linklater reconhece não saber exatamente de onde vem esse anseio por dar sequência à trama de “Boyhood”. Se dele, do público, da crítica ou da indústria tão enamorados com o encanto do filme . Mas seguir com os personagens de “Boyhood” é bom ou ruim? Para Linklater talvez seja cômodo. Foram 12 anos dedicados a um projeto que rendeu muitos frutos e certamente, prospector do tempo que é, Linklater teria muito a observar nesta fase dos 20 anos de Mason. Ainda no papo com Goldsmith, o cineasta disse que se a ideia avançar, ele modificaria a estrutura vista em “Boyhood”. “Esse provavelmente seria mais acelerado”.

Leia também: Richard Linklater e a busca constante pela vanguarda no cinema

O que se coloca é que Linklater pode muito bem desenvolver essa observação, que além de pertinente é convidativa ao olhar de um cineasta tão interessado na forma como a passagem do tempo molda e redefine pessoas e relações, em outro contexto. Não à toa, o próprio dissera antes que seu próximo filme, “That´s what I´m talking about”, também sobre o universo juvenil, é uma continuação emocional de “Boyhood” e “Jovens, loucos e rebeldes”.

“Boyhood”, inevitavelmente, fala ao coração de Linklater. Ele fez, afinal, algo que se insere na vanguarda do cinema. Incrivelmente original, “Boyhood” não precisa de continuação. A magia daquele final tão eloquente, tão aberto às infinitas possibilidades da vida se dissiparia em uma produção que talvez até fosse boa, certamente seria hypada, mas que muito provavelmente diminuiria a potência do alcançado por Linklater.

Crítica: Tempo é parâmetro absoluto para epifanias de “Boyhood” 

É compreensível esse ensimesmamento tanto de Linklater como da crítica. “Boyhood” é singular e passa pela preservação dessa singularidade a manutenção de seu encanto.

Assista abaixo um vídeo que celebra a filmografia do cineasta

Autor: Tags: ,

sábado, 31 de janeiro de 2015 Análises, Filmes | 20:00

Briga pelo Oscar toma forma e restam poucas dúvidas

Compartilhe: Twitter

À medida que a corrida pelo Oscar vai afunilando, as dúvidas vão se dirimindo nas principais categorias. Se nas disputas de atuação elas já eram poucas, no momento se restringem à indagação de quem leva o Oscar de melhor ator: Michael Keaton, por “Birdman”, ou Eddie Redmayne, por “A teoria de tudo”? O primeiro, coleciona mais prêmios na temporada, e conta com o forte hype de ser “o retorno do ano”, algo que sempre pesa junto à Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Keaton vive um ator em busca de redenção e isso pode apelar ao voto sentimental de muitos acadêmicos. Por outro lado, Redmayne faz bem algo que é de grande estima dos votantes: interpreta um personagem real, polêmico e brilhante, com problemas físicos e de saúde. A receita do Oscar, brada o lugar comum. Pelo desempenho como Stephen Hawking, Redmayne ganhou, além do Globo de Ouro de melhor ator dramático, o SAG, maior termômetro para as categorias de atuação no Oscar. Keaton, que venceu o Globo de Ouro de ator cômico, também ganhou o Critic´s Choice de melhor ator. Ambos concorrem ao Bafta, em que Redmayne tem ligeira vantagem por ser britânico e interpretar um britânico. Os ingleses tendem a ser mais “bairristas” do que os americanos no que tange prêmios de cinema.

Michael Keaton em cena de "Birdman": momento mágico e de redenção que costuma vingar no Oscar

Michael Keaton em cena de “Birdman”: momento mágico e de redenção que costuma vingar no Oscar

Eddie Redmayne, a despeito da qualidade de sua atuação, defende uma performance que que costuma resultar em prêmios

Eddie Redmayne, a despeito da qualidade de sua atuação, defende uma performance que costuma resultar em prêmios

A balança pode, porém, se desequilibrar em favor de Keaton pela escalada rumo ao favoritismo absoluto usufruído por “Birdman” na categoria principal nas últimas semanas. O filme amealhou vitórias importantes no sindicato dos produtores e no sindicato dos atores. Somadas, as vitórias embalam uma candidatura que pode se beneficiar de falar da própria indústria do cinema em detrimento do “muito geek” “O grande hotel Budapeste”, do “vanguardista, mas banal” “Boyhood – da infância à juventude” e do “acadêmico” “O jogo da imitação”. Esses rótulos carregados de má vontade falham em alcançar “Birdman”, tragicomédia filmada com considerável inteligência , imaginação e senso de estética.

Leia também: Michael Keaton exorciza Michael Keaton com “Birdman”

Leia também: Academia de Hollywood vive guerra fria entre alas conservadora e modernizante 

Levantamento feito pelo site Rotten Tomatoes mostra que “Boyhood” ainda ocupa a dianteira na temporada de prêmios. Foram 43 contra 39 outorgados a “Birdman”. O filme de Alejandro González Iñarritu se distingue, no entanto, por ter triunfado em premiações mais significativas e ressonantes.

Há, porém, um elemento que pesa contra toda essa força de “Birdman”. O filme inexplicavelmente se viu fora da disputa pelo Oscar de melhor montagem. No últimos anos, a categoria tem tido mais importância na construção de um vencedor do Oscar de melhor filme do que, por exemplo, a categoria de direção. Em 2013, “Argo” levou os troféus de roteiro adaptado e montagem, além do prêmio principal de melhor filme. Ben Affleck não foi sequer indicado como diretor. Mais: o último filme a vencer o Oscar de melhor filme sem ter indicação para montagem foi  “Gente como a gente”, de Robert Redford, em 1981. Desde que a categoria foi estabelecida, em 1934, apenas nove filmes venceram o Oscar principal sem terem sido nomeados à melhor edição.

"Birdman" é o favorito, mas   retrospecto histórico alerta que a disputa ainda não está definida

“Birdman” é o favorito, mas retrospecto histórico alerta que a disputa ainda não está definida

Mesmo com esse curioso contraponto histórico, “Birdman” tem pompa e pose de candidato campeão. A esta altura do campeonato é o candidato a ser batido. O marketing de “O jogo da imitação” que havia hesitado em levantar a bandeira gay já começa a sublinhar o fato, na expectativa de conseguir fazer o que “O segredo de Brokeback Mountain” não conseguiu.  Mas o biografia de Alan Turing não é um filme sobre um romance homossexual, como o era o filme dirigido por Ang Lee, e, nesse sentido, se aproxima mais de “Capote”, outro recorte biográfico sobre uma personalidade homossexual.  A mudança na campanha do filme é um atestado de que o padrão britânico, suficiente para fixar favoritos em outros anos, não valeu ao filme rivalidade com “Birdman”.

Sutilezas superam academicismo em “O jogo da imitação”

Entre os diretores, a briga parece se concentrar entre Richard Linklater e Alejandro González Inãrritu. Com vantagem para o primeiro. A tendência é que um ganhe em roteiro original e outro em direção. Julianne Moore (“Para sempre Alice”) é certeza mais que absoluta entre as atrizes, assim como apenas um desastre tira o Oscar de J.K Simmons pelo papel do professor tirano de “Whiplash”. Patricia Arquette pode ser o prêmio afetuoso a “Boyhood”, um filme que a temporada sugere ser mais querido pela crítica do que pela indústria.

Nos últimos anos, a academia tem optado pela pulverização de seus prêmios. O último filme a faturar uma penca de Oscars foi “Quem quer ser um milionário?” em 2009. Foram oito troféus. De lá para cá, o número de Oscars do filme vencedor foi diminuindo. “Guerra ao terror” ganhou seis em 2010; “O discurso do rei” faturou quatro em 2011; “O artista” ganhou cinco em 2012; “Argo” ganhou três em 2013; e “12 anos de escravidão” ficou com três em 2014, apesar de “Gravidade” ter ficado com sete Oscars na edição, o grande vencedor é costumeiramente o filme que leva o prêmio principal.

"Boyhood": A importância do filme de Linklater é inegável, mas a Academia não costuma perceber movimentos vanguardistas quando se depara com eles (Fotos: divulgação)

“Boyhood”: A importância do filme de Linklater é inegável, mas a Academia não costuma perceber movimentos vanguardistas quando se depara com eles
(Fotos: divulgação)

Como não houve um filme que apresente o avanço e esmero técnico observado em “Gravidade”, a tendência é de que haja a pulverização dos prêmios. Portanto, mesmo derrotados na disputa principal têm chances de sair esbanjando Oscars por aí.

Autor: Tags: , , , , ,

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015 Análises | 01:50

Globo de Ouro reverencia trabalho corajoso de Richard Linklater em cerimônia perigosamente monótona

Compartilhe: Twitter
O cineasta Richard Linklater  (Foto: AP)

O cineasta Richard Linklater
(Foto: AP)

Ninguém esperava grandes surpresas, discursos maravilhosos ou barracos memoráveis. Mas a expectativa era por uma cerimônia mais empolgante. A associação de correspondentes estrangeiros de Hollywood (HFPA) premiou “Boyhood: da infância à juventude” e “O grande hotel Budapeste” como melhores produções do ano em uma cerimônia que foi o reflexo do ano pouco criativo que o cinema americano viveu. Não à toa, as duas produções vencedoras foram lançadas no primeiro semestre do ano – e exibidas no festival de cinema de Berlim (realizado em fevereiro). Quando algo assim acontece, é um sinal claro de fastio na produção de cinema que se pretende oscarizável.

Tina fey e Amy Poehler, que já tinham sido pouco inspiradas em 2014, (em 2013 elas foram muito bem), ofertaram piadas pobres e batidas durante quase toda a cerimônia. Desde a obrigatória, mas excessivamente alongada, piada sobre a Coreia do Norte, até a repetida brincadeira sobre Joaquin Phoenix não gostar de premiações. Acertaram, porém, em piadas ligeiras como as que envolveram George Clooney e sua esposa e o comediante acusado de estupro Bill Cosby.

Os grandes discursos da noite foram de Michael Keaton, premiado como melhor ator em comédia/musical por “Birdman”, e de Kevin Spacey e Jeffrey Tambor, vitoriosos por “House of Cards” e “Transparent”, nas categorias de TV. Além, é claro, de George Clooney, homenageado da noite com o prêmio Cecil B. DeMille. Clooney lembrou os atentados em Paris de forma correta e significativa, soube rir de si mesmo ao brincar com o fracasso de “Os caçadores de obras-primas” e fez uma bela homenagem a sua esposa, Amal.

 Confira o discurso de Michael Keaton

Os prêmios

“Boyhood” foi o grande vencedor da noite com três troféus: atriz coadjuvante para Patricia Arquette, direção para Richard Linklater e filme dramático. O filme que acompanha a vida de um menino e sua família pelo período de 12 anos viu seu maior rival na temporada perder o prêmio de melhor filme em comédia e musical para “O Grande hotel Budapeste”, de Wes Anderson – que na falta de uma zebra autêntica fica com a menção honrosa.  Mas “Birdman” não saiu de mãos vazias. Além da vitória de Michael Keaton, o filme de Alejandro González Iñarritu  recebeu o prêmio de melhor roteiro, fato que ressalta a forte polarização entre a obra e o filme de Linklater, que também concorria na categoria.

Leia também: Tempo é parâmetro absoluto para epifanias de “Boyhood”

"O Grande hotel Budapeste": a vitória do filme de Wes Anderson foi inesperada, mas não exatamente surpreendente (Foto: divulgação)

“O Grande hotel Budapeste”: a vitória do filme de Wes Anderson foi inesperada, mas não exatamente surpreendente
(Foto: divulgação)

O inglês “A teoria de tudo”, com o inesperado prêmio de melhor trilha sonora e a vitória de Eddie Redmayne entre os atores dramáticos também se destacou.

As categorias de animação e  filme estrangeiro não consagraram os favoritos, mas as vitórias de “Como treinar seu dragão 2” e do russo “Leviatã” não podem ser tomadas como surpreendentes.

As categorias de coadjuvantes, que já parecem definidas para o Oscar, viram o triunfo de Patricia Arquette e J.K Simmons, grande ator frequentemente despercebido que tem seu momento de glória em “Whiplash: em busca da perfeição”.

Atrizes

Amy Adams comprovou seu status de queridinha da HFPA ao vencer pelo segundo ano consecutivo na categoria de melhor atriz em comédia e musical. Depois de ganhar por “Trapaça” ano passado, ela repetiu a dose por “Grandes olhos”, de Tim Burton.

Entre as atrizes dramáticas, foi a vez de Julianne Moore prevalecer. Muitas vezes indicada, a atriz jamais tinha ganhado um Globo de Ouro. Assim como jamais ganhou um Oscar. Em 2015, será o ano de saldar essas dívidas para com essa grande atriz.

No geral, apesar da festa surpreendentemente chata, o Globo de ouro entregou o que prometia. Artistas à vontade, apesar do ar condicionado com problemas, e uma celebração honesta dos filmes e estrelas do ano.

Amy Adams e Julianne Moore nos bastidores do Globo de Ouro: o triunfo das ruivas (Foto: reprodução/instagram)

Amy Adams e Julianne Moore nos bastidores do Globo de Ouro: o triunfo das ruivas
(Foto: reprodução/instagram)

 

Autor: Tags: , , , , , , ,

quarta-feira, 19 de novembro de 2014 Críticas, Filmes | 16:13

Tempo é parâmetro absoluto para epifanias de “Boyhood”

Compartilhe: Twitter

Richard Linklater é o cineasta do experimental e “Boyhood – da infância à juventude” (EUA, 2014) sob muitos aspectos é seu principal cartão postal.  Primeiro porque é esteticamente inovador e expande as fronteiras de como o cinema deve ser pensado enquanto unidade narrativa e depurador da passagem do tempo. Segundo porque a captura do tempo, seja ele subjetivo ou objetivo, é fator preponderante em “Boyhood”.  Filmado ao longo de 12 anos, o filme mostra o crescimento emocional e físico de Mason (o excelente Ellar Coltrane)  e o desenvolvimento de suas relações afetivas, escolares e familiares. A simplicidade do mote não subjuga o encantamento alinhavado por Linklater com seu filme.

Se a fluidez da narrativa é notável, algo que precisa ser creditado à montadora Sandra Adair, impressiona ainda mais a forma como o diretor captura a passagem emocional do tempo por meio da fisicalidade dos personagens. É uma sutileza que os avanços temporais na trama favorecem, mas é o olhar curioso e carinhoso de Linklater que grafa o registro.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Fazer com que “Boyhood” seja um filme e não uma colagem exigiu do diretor alguns cuidados, como a forte disposição de manter toda a narrativa subscrita à perspectiva de Mason. São por seus olhos que testemunhamos a por vezes competitiva relação com a irmã Samantha (vivida pela filha do diretor Lorelei Linklater), o empenho da mãe (Patricia Arquette) em se reerguer profissionalmente depois da separação do pai (Ethan Hawke) e os obstáculos ensejados por dois casamentos mal sucedidos. Aos poucos esse olhar de Mason vai se transformando na formação de uma visão de mundo. É quando “Boyhood” desacelera ainda mais e convida a audiência a sentir o filme de outra maneira, mais intuitiva e menos contemplativa. Da relação tateada com o pai, ao primeiro amor, passando pelo gosto pela fotografia, testemunhamos a formação da personalidade de Mason – que sempre fora um garoto introvertido.  Ao estabelecer o tempo como parâmetro para a feitura de seu filme, para a evolução dos personagens e para a exposição de seus conflitos, por mais triviais que eles sejam, durante as 2h45min de filme, Linklater aposta em um cinema imersivo, de entrega e paixão. A ação do tempo já estava presente na trilogia “Antes do amanhecer”, mas aqui ganha mais relevância dramática por sublinhar toda uma ascensão geracional.

Essa ficção de rigor documental enobrece o cinema enquanto arte pensativa e inovadora e, justamente por isso, “Boyhood” se subscreve como um dos filmes mais significativos não só do ano, como da década.

O convite à nostalgia feito pelo filme não se empalidece em face da reflexão por ele ensejada. Toda a vida, por mais banal que seja, por mais aferrada ao cotidiano que esteja, tem sua apoteose, seu encanto, seu arrebatamento.  Mason sacramenta em um dado momento do filme, “é como sempre agora, entende”? Linklater fez um belíssimo filme para tentar capturar, e transcender, esta epifania existencial.

Autor: Tags: , , , ,

terça-feira, 16 de setembro de 2014 Análises, Bastidores | 18:20

Depois dos festivais de Veneza e Toronto, como fica a corrida pelo Oscar 2015?

Compartilhe: Twitter

É cedo, é verdade, para apontar favoritos, azarões e potenciais surpresas na corrida para o Oscar. Mas depois de terminados os dois últimos grandes festivais do calendário cinematográfico mundial (em termos de Oscar, ao menos), já é possível identificar tendências e possibilidades bem fortes para a maior noite de gala do cinema.

Antes mesmo do início desses festivais, “Boyhood – da infância à juventude”, de Richard Linklater, e “O grande hotel Budapeste”, de Wes Anderson, ambos representantes do cinema independente americano, já eram apontados como possibilidades, ainda que remotas. Essa impressão não se dissipou.

As duas produções ganharam a companhia de “The imitation game”, sobre matemático homossexual que ajudou a decifrar código nazista, “Birdman”, de Alejandro González Iñarritu, sobre ator que tenta se reinventar na Broadway; e “Foxcatcher, de Bennett Miller, sobre tragédia passional envolvendo um bilionário e dois atletas da luta greco-romana. Esses filmes causaram grande sensação nos festivais. No caso do último, o momentum é construído desde o festival de Cannes, realizado em maio.

Cena de "The imitation game", que venceu o prêmio do público em Toronto: nos últimos seis anos, cinco filmes com esse prêmio foram indicados ao Oscar de melhor filme

Cena de “The imitation game”, que venceu o prêmio do público em Toronto: nos últimos seis anos,
cinco filmes com esse prêmio foram indicados ao Oscar de melhor filme

É seguro dizer que serão filmes com forte presença no Oscar, com grandes chances de figurarem na categoria principal.

Há ainda filmes que não foram vistos, mas que no papel são material de Oscar. São os casos de “American sniper”, de Clint Eastwood, “Garota exemplar”, de David Fincher, “Inherent vice”, de Paul Thomas Anderson e “Interstelar” de Chistopher Nolan.

Há, ainda, “Trash – a esperança vem do lixo”, filme inteiramente rodado no Brasil, do diretor Stephen Daldry, que é outra incógnita. O filme estreia neste mês no Brasil e na Inglaterra. Daldry é um especialista em Oscar. Recebeu indicações importantes pelos quatro filmes que dirigiu na carreira, inclusive filme (“Tão forte e tão perto”, “O leitor” e “As horas”) e direção (“ O leitor”, “As horas” e “Billy Elliot”).

Ainda saídas de Toronto, outras possibilidades na categoria principal são “A teoria de tudo” e “While we´re young”.

A disputa pelo Oscar de melhor ator se prova das mais intensas dos últimos anos. Ainda estamos em setembro e pelo menos sete nomes já se credenciam como fortes concorrentes: Steve Carell (“Foxcatcher”), Michael Keaton (“Birdman”), Eddie Redmayne (“A teoria de tudo”), Benedict Cumberbatch (“The imitation game”), Jake Gyllenhaal (“Nightcrawler”), Ralph Fiennes ( “O grande hotel Budapeste”) e Timothy Spall ( “Mr. Turner”).

Shailene Woodley surge como uma possibilidade aventada por analistas da indústria entre as atrizes por “A culpa é das estrelas”, mas são Reese Witherspoon por “Livre” e Julianne Moore por “Still Alice” quem arrebanham comentários entusiasmados por indicações no Oscar.

Eddie Redmayne como Stephen Hawking em "A teoria de tudo": cotado para concorrer ao Oscar de melhor ator

Eddie Redmayne como Stephen Hawking em “A teoria de tudo”: cotado para concorrer ao Oscar de melhor ator

A corrida, e os boatos, devem se intensificar nas próximas semanas e, claro, o Cineclube continuará acompanhando tudo de muito perto.

Fotos: divulgação

Autor: Tags: , , , ,

terça-feira, 29 de abril de 2014 Diretores | 17:50

Richard Linklater e a busca constante pela vanguarda no cinema

Compartilhe: Twitter
O diretor americano Richard Linklater (Foto: Getty)

O diretor americano Richard Linklater (Foto: Getty)

Richard Linklater tem dois Ursos de Prata conquistados nos festivais de Berlim de 1995 e 2014. Talvez seja pouco. Talvez a distância entre os prêmios, ele foi indicado a muitos outros (inclusive o Oscar) no ínterim, denuncie um diretor que rejeita rótulos. Linklater é americano, tem 53 anos e faz filmes “fora da caixa”. Além da trilogia que celebra a DR (discussão de relação), constituída por “Antes do amanhecer “(1995), “Antes do pôr- do- sol (2004) e “Antes da meia-noite” (2013), são seus “Waking life” (2001) – uma animação pasteurizada com cenas filmadas sobrepostas a uma película que imita a textura das animações flash, “Escola de rock” (2003), “Nação Fast Food: uma rede de corrupção” (2006) e “Bernie – quase um anjo” (2011).

Linklater fez um híbrido de animação e live-action em um momento em que as animações digitais ainda se estabeleciam (“Sherk” é do mesmo ano de “Waking life”), fez um filme denúncia sobre um dos maiores prazeres do americano médio, o fast food, e colocou Jack Black nos anais da cultura pop como o despirocado professor do neoclássico “Escola do Rock”.

O maior feito desse cinquentão, no entanto, foi destrinchar uma história de amor por três décadas. “Antes do amanhecer”, em que dois jovens se apaixonam em uma noite de muita conversa e imaginação em Viena , surgiu de uma noite em que passou na companhia de uma estranha. Os outros dois filmes surgiram do esforço conjunto com os atores Ethan Hawke e Julie Delpy em fazer história. Enquanto um quarto filme do casal mais verdadeiro do cinema não vêm, Linklater lança o que então se revela seu projeto mais ambicioso. “Boyhood”, ainda sem nome em português, mas que significaria algo como “juventude de um menino”, foi rodado ao longo de 12 anos com um punhado de atores, entre eles o chapa Ethan Hawke, e tem como objetivo o monitoramento do crescimento desse menino (Ellar Coltrane).  O filme valeu o segundo prêmio de direção a Linklater em Berlim e intriga pela proposta estética complexa e de difícil execução.

A ideia de documentar, mas não deixar de fazer ficção não é exatamente nova. No Brasil, o cineasta João Jardim, que lança o drama “Getúlio” nesta semana, já experimentou com certo êxito essa abordagem em “Amor?”, em que colocava histórias reais de agressões passionais para serem narradas por atores profissionais como Eduardo Moscovis, Ângelo Antônio e Júlia Lemmertz. Mas o que Linklater propõe é mais radical. É uma experiência cinematográfica totalmente nova ao fundir a literalidade do tempo aos registros ficcional e real.

Os atores se reuniam apenas uma semana por ano para gravar. Como suas experiências de vida agregavam ao roteiro? Até que ponto os personagens foram influenciados por essas efêmeras reuniões? Essas respostas só quando do lançamento do filme, que permanece sem uma data definida para chegar aqui ao Brasil, mas o trailer nos encanta com as divagações suscitadas.

Autor: Tags: ,